Étienne Dionne rouba a cena em show marcante do Mute no We Are One Tour

Diretamente do Canadá, o Mute subiu ao palco da Audio, na noite de terça-feira (31), para mostrar por que o punk rock técnico ainda tem uma base de fãs tão sólida e apaixonada. O grande diferencial da banda reside na figura de Étienne Dionne, que acumula as funções de baterista e vocalista principal com uma maestria impressionante. É hipnotizante observar a precisão cirúrgica de suas viradas enquanto mantém linhas vocais melódicas e potentes, sem perder o carisma que o torna o centro gravitacional do quarteto. O setlist foi um exemplo de equilíbrio, navegando por diferentes fases da carreira e mantendo a velocidade lá no alto. Músicas como Resistance e Coming Back abriram o caminho para o que seria uma aula de skate punk moderno. A sequência com Wolf’s Den e Communication Breakdown destacou o trabalho excepcional das guitarras, que alternavam entre riffs rápidos e solos carregados de técnica. >> LEIA ENTREVISTA COM ÉTIENNE DIONNE A reta final do show foi uma sucessão de momentos intensos. Strangers Back Again e The Tempest prepararam o terreno para o encerramento catártico com Nevermore, Fading Out e a clássica Bates Motel. O Mute conseguiu transformar a Audio em um caldeirão de energia, provando que a distância entre Quebec e São Paulo é encurtada instantaneamente quando o primeiro acorde de quinta é disparado. Foi uma apresentação técnica, veloz e, acima de tudo, extremamente divertida para quem aprecia a complexidade do gênero.
The Mönic abre noite final do We Are One Tour com show vibrante e participações

Com a responsabilidade de abrir os trabalhos na Audio, o The Mönic provou por que é um dos nomes mais vitais da cena nacional contemporânea. Com apenas 30 minutos de palco, a banda entregou um set visceral que cativou instantaneamente o público que já ocupava a pista. Um dos momentos mais sinceros da noite foi o agradecimento das integrantes àqueles que enfrentaram o caos logístico de São Paulo: chegar à Barra Funda em uma terça-feira (31), às 18h, é um teste de fidelidade que muitos fãs fizeram questão de passar para apoiar o grupo. No comando da performance, a vocalista Dani Buarque foi um furacão. Entre saltos e coreografias improvisadas, ela manteve o fôlego impecável para entoar um discurso contundente sobre a representatividade feminina no punk e hardcore, reforçando que o palco também é um espaço político e de ocupação. O repertório focou no excelente álbum Cuidado Você (2023), com destaque para as faixas Sabotagem, Kamikaze e TDA, que funcionam ainda melhor ao vivo, com guitarras sujas e uma cozinha precisa. A apresentação da The Mönic ganhou camadas extras com as participações especiais de Luisa Phoenix (guitarrista do Swave) e MC Taya. Esta última trouxe um peso absurdo e uma dinâmica urbana que dialogou perfeitamente com a agressividade da banda. Para encerrar com chave de ouro, Dani Buarque não hesitou e se jogou em um mosh pit clássico, celebrando a conexão direta com a galera e deixando a energia no topo para as bandas que viriam a seguir.
Babymetal confirma retorno ao Brasil em novembro de 2026

O “Fox Day” (1º de abril no Japão) trouxe a notícia que os fãs brasileiros mais esperavam: o Babymetal está voltando. Após uma passagem arrebatadora em 2024 pelo Knotfest e pela Audio, o trio formado por Su-Metal, Moametal e Momometal confirmou uma apresentação única em São Paulo, no Espaço Unimed, no dia 28 de novembro de 2026. O anúncio consolida o Brasil na rota obrigatória do grupo, que em 2025 fez história com o álbum Metal Forth. O disco estreou na 9ª posição da Billboard 200, tornando o BABYMETAL a primeira banda 100% japonesa a figurar no Top 10 da principal parada dos Estados Unidos. Kawaii Metal O que começou como um experimento inusitado, fundir a doçura do J-Pop com a agressividade do heavy metal, tornou-se um dos maiores nomes da música pesada contemporânea. O BABYMETAL já ultrapassou a marca de 3 bilhões de streams e coleciona elogios de lendas como Lars Ulrich (Metallica) e Rob Halford (Judas Priest). No palco, a experiência é catártica. Além dos clássicos Gimme Chocolate!! e Pa Pa Ya!!, o público brasileiro poderá ouvir ao vivo as novas colaborações que dominam as paradas, como Ratatata (com o Electric Callboy) e from me to u (com a cantora Poppy). Guia de ingressos e pré-venda A venda de ingressos será realizada pela Eventim e contará com o benefício exclusivo para clientes Itaú: 💿 Serviço: Babymetal em São Paulo PREÇOS (Os valores detalhados por setor serão divulgados em breve pela produtora 30e).
The Amity Affliction anuncia show em São Paulo com nova fase e álbum inédito

A banda australiana The Amity Affliction retorna a São Paulo no dia 24 de maio para apresentação única no Brasil, marcada para o Carioca Club. O show integra a Latin America Tour 2026 e acontece poucas semanas após o lançamento de House of Cards, nono álbum de estúdio do grupo, previsto para 24 de abril. A turnê marca também a estreia de Jonny Reeves nos vocais limpos, reforçando uma nova fase na trajetória da banda. Formado por Joel Birch, principal compositor do grupo, o The Amity Affliction construiu sua carreira abordando temas como depressão, ansiedade, dependência química e exaustão emocional de forma direta. Essa abordagem ajudou a projetar a banda além da Austrália, com quatro álbuns alcançando o topo da parada da ARIA e presença constante em rankings internacionais. Nos últimos anos, o grupo também manteve relevância com Not Without My Ghosts, que entrou no Top 10 em 2023, e com a releitura Let the Ocean Take Me (Redux), novamente no Top 10 em 2024. O novo álbum, House of Cards, chega cercado de expectativa por representar um momento delicado para Birch e sua família. O disco foi concebido a partir do luto pela morte da mãe do vocalista, em 2024, e carrega uma carga emocional ainda mais intensa. A faixa-título, apresentada pela gravadora Pure Noise Records, foi descrita como uma composição pessoal dedicada a ele e aos irmãos, refletindo o impacto direto dessa perda. Musicalmente, o trabalho também indica mudanças, como um período de renovação para a banda: formação atualizada, processo de autoprodução e uma retomada consciente da sonoridade melódica que marcou seus maiores sucessos. O disco reforça a identidade do grupo ao combinar refrões acessíveis com letras intensas e sem filtro emocional. Com esse novo repertório, o The Amity Affliction chega ao Brasil em um momento decisivo da carreira, revisitando sua essência enquanto expande sua abordagem criativa. A expectativa é de um show que equilibre clássicos da banda com as faixas inéditas, mantendo a conexão direta com o público que os acompanha ao longo dos anos. ServiçoThe Amity Affliction em São PauloData: 24 de maio de 2026Horário: a partir das 17hLocal: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – São Paulo/SPIngressos: fastix.com.br/events/the-amity-affliction-em-sao-paulo
Entrevista | Lucifer – “Às vezes é difícil cantar uma música ao vivo porque me leva a momentos em que estava machucada”

A banda sueca Lucifer retorna ao Brasil em abril para uma série de oito apresentações que marcam mais um capítulo de sua relação com o público sul-americano. A nova turnê, que também passa por Argentina e Chile, chega em um momento especial da carreira do grupo, impulsionada pelo lançamento de Lucifer V, disco que consolidou a maturidade artística do projeto liderado pela vocalista Johanna Platow. No país, o ponto alto será a participação no Bangers Open Air, em São Paulo, além de um show solo no Hangar 110, oferecendo uma experiência mais completa fora do formato de festival. Formado em 2014, o Lucifer se firmou como um dos principais nomes do occult rock contemporâneo ao resgatar a essência do heavy metal dos anos 1970, com influência direta de bandas como Black Sabbath, Pentagram e Coven. Ao longo de cinco álbuns, a banda desenvolveu uma identidade própria, equilibrando peso e melodia com uma forte estética conceitual. Em Lucifer V, esse caminho atinge um ponto de síntese, com composições mais diretas, mas ainda carregadas de emoção, explorando temas como perda, espiritualidade e experiências pessoais. Em conversa ao Blog N’ Roll, Johanna falou sobre a fase atual da banda ao chegar a um grande festival no Brasil, refletiu sobre o processo emocional por trás de Lucifer V e comentou sua visão crítica sobre os rumos do metal contemporâneo. Vocês tocaram em locais menores nas passagens anteriores pelo Brasil. Como você enxerga a fase atual do Lucifer chegando ao Brasil em um grande festival como o Bangers? Estou muito animada, porque é o primeiro festival no Brasil que vamos tocar. Já fizemos turnês pela América Latina com o Lucifer, mas, pelo que me lembro, foram apenas shows em clubes. O último álbum Lucifer V é um disco emocional, pessoal e mais maduro. O que mudou em você durante esse processo? Não acho que tenha me mudado tanto assim. Acho que as mudanças vêm da vida. Você passa por coisas e vai mudando, e o álbum captura esse momento no tempo. Eu não costumo ouvir os discos do Lucifer, mas quando preciso, por exemplo para me preparar para um show, e escuto alguma música, ela me leva de volta para aquele período da minha vida. As letras são pessoais, então funcionam quase como uma fotografia daquele momento. Não vejo o processo de gravação como algo que me mudou, mas como um registro de quem eu era naquele momento. Você considera esse o disco mais pessoal da sua carreira? Todos são pessoais, porque eu sempre uso as letras quase como uma terapia quando estou passando por coisas na minha vida. Mas eu diria que nesse álbum eu me permiti ser mais emocional e mais aberta. Tem uma música, por exemplo, “Slow Dance in a Crypt”, que talvez eu não tivesse feito em discos anteriores. Então sim, Lucifer V é meu álbum favorito. E o que você vê de diferente do Lucifer V para os outros trabalhos? Acho que a produção é a melhor, tem mais variedade emocional e explora mais estilos. Também está mais sombrio novamente do que os dois ou três discos anteriores. O som do Lucifer conversa muito com o metal dos anos 70. Como você enxerga o rumo do metal mais moderno, com uso de elementos eletrônicos e mais experimentações? Eu não me interesso tanto pelo que é moderno. Eu amo música em geral, claro, mas quando o rock e o metal ficam genéricos demais, com todo mundo usando os mesmos efeitos, tudo muito polido, muito plástico, isso me incomoda. Falta algo orgânico, mais humano. Muitas bandas soam iguais hoje em dia, e isso é entediante. Quando eu cresci, nos anos 90, havia muito mais diversidade. Eu entrevistei recentemente o Crazy Lixx, que também estará no Bangers, e eles disseram que decidiram voltar a uma época em que o rock era bom e seguir dali. Você sente que o Lucifer cria como se estivesse na era do Black Sabbath? Sim, o Black Sabbath é minha banda favorita. Se você me obrigasse a escolher uma única banda para ouvir em uma ilha, seria Black Sabbath. É a principal influência do Lucifer, com certeza. Como foi o processo de transição da sonoridade doom para a atual, deixando o som mais acessível sem perder o peso? Uma coisa não exclui a outra. Você pode ser pesado e acessível ao mesmo tempo. O Black Sabbath é o melhor exemplo disso. Eles são extremamente pesados, mas têm uma sensibilidade pop muito forte, o que muita gente esquece. Algo melódico e acessível também pode ser pesado. Significa apenas que é uma boa melodia. Vocês parecem não se preocupar com o mainstream. Existe um limite que você não quer ultrapassar? Não tenho uma ideologia de precisar defender o underground. Não preciso provar nada para ninguém. Estou no rock e no metal desde os 13 anos. Para mim, o importante é que a música seja sincera e que você realmente ame o que está fazendo. Você cresceu em um ambiente religioso, certo? Como foi a transição para trabalhar com elementos do ocultismo? Foi muito fácil, porque cresci em um ambiente protestante na Alemanha, que é bem mais liberal do que o católico. Tenho vários pastores na família, mas nunca foi algo rígido. Quando eu tinha 14 anos, fui para minha confirmação com cabelo preto e usando uma cruz invertida, e minha mãe só pediu para eu esconder a cruz por baixo do vestido. Depois saí da igreja, mas nunca foi uma ruptura dramática. Crescer em Berlim nos anos 90 também ajudou, porque havia muitas livrarias com literatura ocultista, uma cena gótica forte, muitos cemitérios bonitos. Foi natural me conectar com isso. Vocês já têm um setlist definido para os shows no Brasil? O que os fãs podem esperar? Já temos um setlist, porque todos os integrantes moram em países diferentes e vamos nos encontrar em Barcelona para ensaiar antes da turnê. O público pode esperar clássicos do Lucifer, músicas do Lucifer V, algo bem antigo e até algo que não
Festival da Lua Cheia expande line-up com nomes emergentes da cena brasileira

O Festival da Lua Cheia anunciou uma nova leva de atrações para a sua 34ª edição, marcada entre os dias 4 e 7 de junho de 2026, no Hotel Fazenda Vale das Grutas, em Altinópolis, interior de São Paulo. Entre os nomes confirmados estão Rom Santana, Roça Nova e Furmiga Dub, reforçando a proposta do evento de apostar na diversidade e na renovação da música brasileira. Um dos destaques do anúncio é Rom Santana, artista baiano radicado no bairro do Bixiga, em São Paulo, que vem se consolidando como um dos nomes mais quentes da noite paulistana. Misturando arrocha, pagode baiano e piseiro, o cantor ganhou espaço com apresentações de forte apelo popular, marcadas pela energia e pela proximidade com o público, reunindo multidões em shows cada vez mais concorridos. Outra novidade no line-up é a banda Roça Nova, formada na Zona da Mata mineira. O grupo é responsável por desenvolver o chamado caipigroove, uma sonoridade que combina música caipira, ritmos afro-latinos e rock psicodélico com referências contemporâneas. A projeção nacional veio após a vitória no concurso de bandas do João Rock, consolidando o nome no circuito independente. Fechando o anúncio, o projeto Furmiga Dub leva ao festival a influência do reggae e da cultura sound system, ampliando o espectro musical da programação. A inclusão do trio de artistas reforça o olhar do festival para novas tendências e linguagens dentro da música brasileira. Segundo o curador Pedro Barreira, a proposta do Festival da Lua Cheia segue alinhada à descoberta de novos talentos. Rom Santana passa a integrar um conjunto de apostas ao lado de nomes como Melly, Mari Jasca, Núbia e O Cheiro do Queijo, apontados como possíveis surpresas desta edição. Com seis palcos espalhados pela fazenda e mais de 100 atrações confirmadas, o Festival da Lua Cheia 2026 mantém sua tradição de reunir diferentes gerações e estilos. A programação vai além dos shows, com mais de 300 atividades que incluem oficinas, vivências, intervenções artísticas e experiências coletivas ao ar livre, em um ambiente que privilegia o contato com a natureza e a convivência. Entre os artistas já anunciados estão Mano Brown, Céu, Russo Passapusso & Ministereo Público SoundSystem, Mari Jasca, Braza, Melly, ChicoChico, Funk Como Le Gusta, Zeca Baleiro, Edson Gomes, Maneva e Lamparina. O Festival da Lua Cheia reafirma, assim, sua identidade como um dos eventos mais plurais do calendário brasileiro, equilibrando nomes consagrados e novas apostas em uma programação que aposta na experiência completa do público. ServiçoFestival da Lua Cheia 2026Data: 4 a 7 de junho de 2026Local: Hotel Fazenda Vale das Grutas – Altinópolis (SP)Programação: mais de 100 atrações musicais, seis palcos, mais de 300 atividades, oficinas, vivências, intervenções artísticas e área de campingwww.festivaldaluacheia.com.br
M.I.A. anuncia show em São Paulo para celebrar 20 anos de “Arular”

A relação de M.I.A. com o Brasil é antiga e vai muito além de uma simples turnê. Desde sua estreia icônica no TIM Festival, há duas décadas, a rapper britânica se tornou um dos principais elos entre o pop global e o funk carioca. Agora, essa história ganha um novo capítulo: a artista confirmou uma apresentação única em São Paulo, no dia 1º de novembro de 2026, na Audio. O show, realizado pela 30e, faz parte das celebrações dos 20 anos de seu disco de estreia, Arular (2005), álbum que rompeu as fórmulas do mainstream ao misturar hip-hop, punk e ritmos periféricos do mundo todo. Repertório e nova fase Além de hinos como Paper Planes e Bad Girls, que juntos somam mais de um bilhão de streams, os fãs podem esperar novidades. M.I.A. tem provocado sua base de fãs nas redes sociais com a possibilidade de novos lançamentos pelo seu selo independente, o OHMNIN Music. Antes de desembarcar no Brasil, a rapper percorrerá os EUA como convidada especial na turnê de Kid Cudi, chegando a São Paulo com fôlego renovado. Guia de ingressos A venda será dividida entre clientes Itaú e público geral. Fique atento ao cronograma: 💿 Serviço: M.I.A. em São Paulo Preços
Thirty Seconds to Mars celebra 20 anos de “A Beautiful Lie” com raridades

Existem discos que capturam perfeitamente o espírito de uma época, e A Beautiful Lie, do Thirty Seconds to Mars (30STM), é um deles. Lançado originalmente em 2005, o álbum multiplatinado que apresentou hits como The Kill e From Yesterday está completando duas décadas de história. Para celebrar o marco, a banda liderada por Jared e Shannon Leto anunciou uma edição comemorativa especial que promete ser o item definitivo para os fãs. Já disponível para pré-venda, a nova versão chega em formatos físicos de luxo (CD e LPs simples ou duplos) com uma arte reimaginada. Mas o verdadeiro “tesouro” está no conteúdo sonoro: a edição de 20 anos traz quatro faixas inéditas gravadas durante as sessões originais do álbum, que nunca haviam sido lançadas oficialmente. Peso de um marco A Beautiful Lie foi o projeto que consolidou a identidade visual e sonora do 30STM. Foi com este disco que a banda abraçou a estética cinematográfica, com clipes gravados na Groenlândia e na China, e estabeleceu uma conexão visceral com a Echelon, sua base de fãs global. As quatro músicas extras oferecem uma nova perspectiva sobre o processo criativo da época, revelando camadas de um som que transitava entre o post-hardcore, o rock progressivo e o alternativo, ajudando a definir o que muitos chamariam de “rock de arena” da década de 2000. * 💿 Serviço: Thirty Seconds to Mars – “A Beautiful Lie” (20th Anniversary) A edição comemorativa já está disponível para pré-venda na UMusic Store e nas plataformas digitais.
Flea surpreende com álbum de jazz; ouça Honora

Após quatro décadas definindo o DNA do rock percussivo com o Red Hot Chili Peppers, Flea finalmente entregou o projeto que gestava há 35 anos. Honora não é apenas um disco solo, é o fechamento de um ciclo poético. O menino que aos 8 anos viu o mundo mudar ao ouvir o padrasto tocar o standard Cherokee no trompete, agora, aos 63, retoma esse sopro vital com uma entrega que beira o espiritual. O álbum é fruto de uma disciplina quase monástica: durante a turnê mundial dos Chili Peppers (2022-2024), Flea praticou trompete diariamente, combatendo o medo de ser visto como um “roqueiro poser” pelos gigantes do jazz de Los Angeles. O resultado? Uma odisseia meditativa e vibrante que passa longe de ser um projeto de vaidade. Curadoria da “vibração” O grande trunfo de Honora é a humildade de Flea em se cercar de visionários. Produzido por Josh Johnson, o disco conta com a guitarra angular de Jeff Parker (Tortoise) e a pulsação precisa de Anna Butterss. É um álbum de texturas, onde o jazz não é um museu, mas um playground elástico. Colaborações de peso O álbum brilha intensamente quando as vozes convidadas entram em cena: Veredito do álbum de estreia de Flea Honora é um disco sobre liberdade. Para quem esperava o baixo frenético de Give It Away, o álbum pode ser um choque, mas para quem conhece a alma exploratória de Michael Balzary, é uma recompensa. Flea sobe ao palco não como o astro de estádio, mas como um músico que, após centenas de horas de prática e reclamações de barulho em hotéis, finalmente se sente digno de flutuar.