Entrevista | Silva: “Eu e Anitta amamos ska e reggae”

Os primeiros acordes de Passou Passou, faixa de abertura do novo álbum do capixaba Silva, Cinco, já passam uma mensagem bem legal: o músico inova como poucos. O ska, com uma batidinha bem característica do som jamaicano dos anos 1960, mostra o artista totalmente fora da zona de conforto. E faz isso com muita qualidade. Para alguns pode lembrar até o Los Hermanos. Talvez pela brasilidade colocada na faixa. “Gosto muito de ska e rocksteady, adoro os sopros que eles usam. Eu nunca tinha usado isso no meu trabalho. Pra mim era algo muito distante, gostava só de ouvir. Aí quando comecei a experimentar isso nos shows, deu certo. Fica Tudo Bem estava diferente do disco, coloquei uma bateria na entrada com contratempo de ska. Mas as pessoas não associavam isso. Mas pensei que poderia fazer coisas nessa linha. Entraram dois skas nesse disco”. Silva conta que chegar na sonoridade foi um desafio. “Geralmente as coisas que gosto são muito anos 1960 e 1970. Estava acostumado a ouvir, mas como fazer soar parecido era um desafio. Igual não tem como ficar, eles usavam equipamentos diferentes. Levei dois ou três dias para chegar na bateria de Passou Passou. A pandemia me possibilitou ser bem minucioso nessa gravação”. Passou Passou não é o único ska do álbum. Facinho, com a participação de Anitta, é a outra surpresa para os fãs do gênero jamaicano. “Eu tava fazendo Facinho já pensando na Anitta. Ela gosta muito de reggae e ska. Aí eu falei: patroa, vamos fazer um hit? Bem a cara dela isso. Mandei, ela adorou e já topou”. João Donato Mas o álbum de Silva traz muitas outras sonoridades. Vai da MPB ao jazz, mas passa pelo ska e samba. Isso sem falar nas participações especiais de João Donato e Criolo. Quem Disse, a canção que ele gravou com Donato, é jazz puro. “A música também já foi pensada no Donato, mas foi engraçado porque ele acabou mudando a música toda. Era para ser um samba mais acelerado, mas ele entrou no estúdio, com o conhecimento dele que é muito avançado, coisa de gênio, jazzística, e deixou tudo simples. Ele parou e disse: essa música tá acelerada, né? E deixou completamente diferente, mas muito com a cara do Donato. Foi uma honra muito grande”. Criolo Sobre a parceria com Criolo, Silva conta que sempre admirou o artista. “Adoro o jeito como ele fala as coisas, a música dele é muito boa”. “A gente só se conhecia de oi, tudo bem. Mas no réveillon passado, estávamos na mesma festa em Salvador, e tive a oportunidade de trocar uma ideia com ele. E rolou essa vontade de fazer algo junto. Ele criou uma parte para a segunda parte da letra, fez até uma dancinha, deu umas ideias de palco”. O resultado de Soprou, canção gravada com Criolo, é um samba que remete à origem no Recôncavo Baiano, como se composto por Caetano Veloso e vocalizado por Clara Nunes, mas em roupagem apropriada para o dueto de Silva com Criolo. A segunda parte, escrita por Criolo, surpreende e traz o ouvinte do passado para o presente-futuro que a gente gostaria de ver e ouvir.

Kosmovoid, o krautrock caiçara com cara de trilha sonora de filme de ficção

De tempos em tempos, o cenário musical da Baixada Santista nos surpreende com novidades sonoras. É assim desde os anos 1970, quando o Recordando o Vale das Maçãs marcou época, enquanto Vulcano e Harry chamaram a atenção do mercado europeu na década seguinte. E nem tínhamos Spotify e YouTube para facilitar o alcance a outros países. A boa nova da vez é o Kosmovoid, que transporta o ouvinte para uma viagem pelo mundo com canções “climatizadas”. Com trabalho instrumental de alto nível, a banda parece ter sido criada para fazer trilhas sonoras de filmes cult, de ficção científica e até ação. Impressionante! Formado no ano passado, o grupo não perdeu tempo durante a pandemia e finalizou um material rico que havia sido gravado entre o fim de 2019 e o início de 2020. Em resumo, todo esse conteúdo foi dividido em dois álbuns: Crisálida e Escapismo, com um total de 22 faixas. A divisão dos álbuns “Tínhamos muito material quando entramos em estúdio, em 2019. Durante o processo que foi até fevereiro deste ano, ainda gravamos extras, encerrados às pressas com a explosão da pandemia. Com toda essa loucura de covid-19 e o mundo de pernas para o ar, o sentimento de dúvida de quando iríamos tocar ao vivo nos inspirou a escolher essa estratégia kamikaze de lançar o disco de estreia duplo”, comenta Edu Pereira, sintetizador, guitarrista e vocalista. “As faixas de Crisálida traduzem as fases de transição, nossa transmutação musical e linguagem artística, e se comunica com Escapismo no sentido que antes gestando, no casulo, agora transformado ele tem N possibilidades e liberdade para explorar mundos musicais de estilos distintos e sem regras”, completa Edu. A banda, por sinal, começou como um duo: Eduardo e Enrico Bagnato (bateria, percussão), que já são parceiros na música de longa data. Ambos eram integrantes, anteriormente, da seminal shoegaze guitar band A Sea of Leaves. Em seu início, a Kosmovoid optou por uma formação mais enxuta. Porém, ao longo das gravações e colaborações, Marcelo Garcia (baixo e guitarra barítono), acabou se tornando um membro honorário. O álbum também contou com Mateus Novaes (Erudite Stoner), que já destacamos no Blog n’ Roll, com contribuições no processo de composição e participações especiais na guitarra em algumas das músicas, e Robert Silva, com um spoken-word na faixa Ugatz. Influências Para os já iniciados nas vertentes exploradas pelo Kosmovoid, certamente influências de Tangerine Dream, Kraftwerk, Can, Dead Can Dance, Goblin, Mogwai e John Zorn ficarão mais perceptíveis. Tendo o experimentalismo como seu norte, o Kosmovoid explora gêneros como o krautrock alemão, “kosmisches Musik”/ música cósmica dos anos 70 e a transgressão do rock pós-industrial e gothic das décadas de 1970 e 1980, e estabelece uma comunicação desses gêneros com o minimalismo da música drone e ambient, além de estilos contemporâneos como o post-rock, e shoegaze. “Nossa música traz uma experiência diferente ao ouvinte. Por ser uma banda instrumental, os temas trabalham muito com o imagético, é muito audiovisual, são como trilhas sonoras de filmes. Esse tom cinemático evoca sentimentos de melancolia e poesia, paisagens distópicas e desoladoras, um amalgama de mitologia e folclore de diferentes culturas. É uma viagem cósmica e visitas a mundos desconhecidos”. Repercussão internacional Eduardo conta que a repercussão com os álbuns do Kosmovoid tem sido ótima. “Além do feedback direto que recebemos de fora e dentro do Brasil por meio de nossas mídias sociais e Bandcamp, também tivemos a sorte do nosso selo, Dissenso Records, ser capitaneado pela experiente dupla Erick Cruxen e Muriel Curi, ambos da banda Labirinto. Eles possuem muitos contatos com blogs europeus e americanos. Dessa forma, conseguimos obter ótimas resenhas prévias ao lançamento”.

Juntos Pela Vila Gilda 2 é adiado para 2021

O Juntos Pela Vila Gilda, previsto para novembro passado, foi adiada para 2021. Em resumo, eleição, festas de fim de ano e inviabilidade técnica foram os principais motivos para o adiamento forçado. “Durante o período eleitoral, o Dique da Vila Gilda virou a mina de ouro para os políticos. Todos apresentaram soluções mágicas para um problema que existe há décadas em Santos. Não queríamos servir de palanque para nenhum candidato, justamente para manter o posicionamento do evento como social, não político”, justifica o editor-chefe do Blog n’ Roll e idealizador do evento, Lucas Krempel. Na primeira edição do Juntos Pela Vila Gilda, realizada no fim de julho, mais de 200 artistas participaram. Entre os principais nomes: Gilberto Gil, Armandinho Macedo, Dinho Ouro Preto, Bula, Me First and The Gimme Gimmes (EUA) e The Ataris (EUA). Ademais, Autoramas, Junior Groovador, Nuno Mindelis, Fauves (Escócia), Thiago Espírito Santo, Falamansa, além de artistas argentinos, chilenos, espanhóis e italianos também fizeram parte. Aliás, para a nova edição, mais de 30 nomes já estão confirmados, entre eles Fantastic Negrito, Maskavo, Khalil, Biquini Cavadão, Reverendo Frankenstein, Time Bomb Girls, Fabriccio, Digo Maransaldi, Facção Central, Flávia K, Johnny Monster, Lemak, Malu Casanova, Marcos Ottaviano, Nathi, NDK, Orchestra of Dawn, Pilar, Rodolfo Cinel, Suricato, Taurus, The Fevers e muitos outros.

Crítica | Genesis XIX – Sodom

E os artilheiros alemães chegam ao seu décimo sexto álbum de estúdio, sem contar o EP de estreia, In The Sign of Evil. Aliás, com novidades na formação. Claro que estamos falando sobre o retorno de Frank Blackfire, que não gravava com o Sodom desde Agent Orange (1989). O guitarrista se junta aos também recém chegados York Segatz (guitarra) e Tony Merkel (bateria), tendo o eterno Tom Angelripper no comando, que já pode ser considerado uma espécie de Lemmy do thrash metal. Só isso já seria motivo suficiente para aguçar a vontade de ouvir o novo lançamento, Genesis XIX. E, felizmente, o resultado é bem satisfatório. Mesmo de cara nova, o Sodom prossegue fazendo exatamente a mesma coisa que faz há quase quarenta anos, ou seja, thrash metal germânico. E é isso que os fãs esperam da banda. Blind Superstition é uma instrumental de abertura, cadenciada, que cria uma expectativa para o bombardeio thrash começar. E chega com Sodom & Gomorrah, canção forte, que mistura o thrash com toques de Motorhead, tão típico do Sodom. Grande faixa! Euthanasia, a segunda música, explode nos falantes como tanques de guerra. A voz de Angelripper somada aos riffs de Blackfire já renderam obras primas do som extremo, e aqui não seria diferente. Thrash teutônico em estado puro! Demais faixas Outras porradas chamam a atenção no decorrer do álbum, como a faixa-título, que traz sete minutos de thrash, ou a insana Night Mehr Mein Land, que inicia com poderosos blastbeats de Merkel, é ouvir para crer. O baterista também usa do expediente na pesadíssima Friendly Fire, provando que cairá nas graças dos fãs. Formação afiada, retorno de Frank Blackfire, letras e capa sobre guerra, é o Sodom de sempre, portanto, já basta! Um dos melhores álbuns de 2020. Hail Sodom! Genesis XIXAno de Lançamento: 2020Gravadora: SteamhammerGênero: Thrash Metal Faixas:1-Blind Superstition2-Sodom & Gomorrah3-Euthanasia4-Genesis XIX5-Nicht Mehr Mein Land6-Glock N´Roll7-The Harpooner8-Dehumanized9-Occult Perpretator10-Waldo & Pigpen11-Indocrination12-Friendly Fire

Black Alien fala sobre injustiças contra os negros em Chuck Berry; ouça

Quem está de música nova é o rapper Black Alien. Intitulada Chuck Berry, a faixa é mais uma parceira do artista com o beatmaker Papatinho. A canção já disponível em todas as plataformas digitais. O clipe, produzido pelo próprio artista, está no YouTube. Em resumo, a produção aborta as injustiças sofridas pela povo preto ao longo da história. Citando Chuck Berry no título e também Little Richard na letra, o rapper conta que Elvis não deve receber o reconhecimento sozinho como ‘rei do rock’. Ademais, o músico lançou em 2019 o disco Abaixo de Zero: Hello Hell, que foi muito elogiado pela crítica.

Fresno confirma terceira edição do QuarentEmo para o dia 30 de dezembro

A banda Fresno divulgou em seu Twitter nesta quarta-feira (16), que fará uma live especial onde tocará na íntegra o disco Sua Alegria Foi Cancelada. Ademais, o evento será a terceira edição da série de lives conhecida como QuarentEmo. A apresentação online deve acontecer no dia 30 de dezembro. “Não poderíamos deixar o ano passar sem relembramos cancelamento e devolução de alegrias que foi esse disco. profético? não, mas sintomático do caos do mundo. para celebrar o fim desse disco, precisamos enterrá-lo com toda a realização e frustração que este trabalho nos trouxe”, escreveu a banda na rede social. Lançado em julho de 2019, o disco é composto por 10 faixas.

Here’s To The Nights: Ringo Starr divulga primeira prévia de novo EP

Ringo Starr divulgou em suas redes sociais nesta quarta-feira (16), que prepara o lançamento de um novo EP, intitulado Zoom In. Em resumo, o projeto contará com cinco faixas. A canção Here’s to The Nights, que integra o trabalho já foi lançada. Ademais, o músico recebeu nas gravações da música diversos artistas, como Paul McCartney, Jenny Lewis, Dave Grohl, Sheryl Crow, Ben Harper, entre outros. Sobre o single lançado, Ringo contou que a faixa “é o tipo de música que todos queremos cantar juntos”.

Lana Del Rey apresenta o single Let Me Love You Like a Woman; veja

Lana Del Rey divulga detalhes de Norman Fucking Rockwell

A cantora Lana Del Rey foi convidada do programa The Tonight Show Starring Jimmy Fallon. Durante a produção, a compositora apresentou o single Let Me Love You Like A Woman. Em resumo, a faixa é o primeiro single do próximo álbum da artista, intitulado Chemtrails Over The Country Club. O disco ainda não tem uma data de lançamento, mas é esperado para 2021. Anteriormente, Lana também gravou um cover de You’ll Never Walk Alone, que faz parte do documentário sobre o time inglês Liverpool.

Jimmy Eat World planeja série de lives tocando seus discos completos ao vivo

Jimmy Eat World lança Surviving

O Jimmy Eat World anunciou uma nova série de lives ao vivo. Intitulada Phoenix Sessions, as apresentações acontecem em três noites diferentes, onde em cada, a banda tocará um disco completo. A série começa no dia 15 de janeiro com o grupo tocando o disco Surviving, lançado em 2019. Vale lembrar que esta será a primeira vez que os fãs poderão ouvir o novo material, já que a turnê de divulgação foi cancelada devido à pandemia. Ademais, as apresentações seguem nos dias 29 de janeiro e 12 de fevereiro, onde o JEW trará os álbuns Futures e Clarity, respectivamente. Em resumo, os ingressos para cada transmissão pode ser adquiridos através deste link.