Entrevista | Jacob Hemphill (SOJA) – “Não estava lá para podar eles na criação”

A banda norte-americana Soja lançou nesta sexta-feira o álbum Beauty in the Silence, o primeiro em quatro anos. Junto com o disco, os integrantes também revelaram o videoclipe de Jump, em parceria com Slightly Stoopid. “Jump é uma música sobre como a base real da experiência humana é a conexão, e eu adoro que Soja, Eric e Stoopid se juntem como pessoas que se conhecem há muito tempo”, disse o vocalista do Soja, Jacob Hemphill. “Estamos muito felizes em colaborar com o novo trabalho de Soja”, acrescentou o guitarrista e vocalista do Slightly Stoopid, Miles Doughty. “Fazemos shows juntos há anos e foi ótimo trabalhar em uma nova faixa juntos. Mal podemos esperar para arrasar ao vivo com os meninos nos próximos shows”. Jacob Hemphill conversou com o Blog n’ Roll, via Zoom, sobre a nova fase do Soja e contou mais sobre a gravação de Beauty in the Silence. Confira abaixo. Começando a falar sobre o álbum Beauty in The Silence, como foi o processo de gravação do Soja? Houve algum atraso por conta da pandemia? Talvez tenha atrasado, mas foi interessante, é uma boa pergunta. Então, nós já tínhamos cinco ou seis músicas gravadas, com as bases, o baixo, a percussão, teclados e etc. Mas aí se iniciou o lockdown, e nós ficamos preocupados de imediato, tipo “o que vamos fazer?”. Então o que acabou rolando é que descobrimos algo bem maneiro, que é que quando estamos gravando em um estúdio juntos, é ótimo, pois podemos trocar ideias e dar opiniões. Porém, quando gravamos de maneira remota, não há ninguém pra lhe dizer sim ou não, e dentro desse processo acabei recebendo as melhores contribuições desses músicos que já ouvi. Acho que é exatamente pelo motivo de que não estava lá para podar eles no momento de criação. Pois eles poderiam tirar até um mês para trabalhar em uma música, até deixá-la perfeita. Nosso tecladista, Patrick, estava mandando cinco, seis, sete linhas de teclado por música, ele as colocava em várias camadas. Então gostei da combinação, nós começamos ao vivo, se encontrando, depois seguimos caminhos diferentes e sonhamos coisas diferentes para aquela música. O Soja em produzir mais coisas desse jeito? Eu curti muito, e quero continuar trabalhando com esse processo. Onde formamos um esqueleto juntos, e rascunhamos vocais, e depois nos separamos para cada um trabalhar em sua melhor apresentação, e na sequência podemos editar tudo e trazer algo novo. Por exemplo, nós temos uma música, em que o saxofonista, Hellman, acho que ele mandou 25 sons diferentes no teclado da mesma linha, e nós apenas votamos em qual nós gostamos mais. Eu sinto que é ótimo iniciar em conjunto, mas também permitir que cada seja você ajuda muito no processo. Li que o Trevor Young também teve uma grande participação na criação do álbum, como foi essa participação? Trevor e eu meio que falamos durante uma hora no telefone todo dia, e ele é um melhor músico do que eu, na guitarra, no teclado, no geral. O que eu faço é compor e criar arranjos, então quando crio alguma coisa eu toco na guitarra, ou uso o gravador de voz do meu celular, e vou criando várias partes com a voz, (inicia a mostrar como seria um desses áudios tocando uma melodia com a voz) e quando termino eu envio para o Trevor e ele reproduz tudo que eu fiz no áudio, pois como eu disse, ele é melhor do que eu. E ele também é um ótimo compositor, e me envia suas criações, e eu falo “não precisamos disso, precisamos mais disso”, então nós temos uma relação simbiótica, onde nós dois somos bons no que o outro faz, mas um de nós é melhor em determinado aspecto. Meu trabalho é escrever letras e fazer melodias, e Trevor é bom nisso também, mas ele também entende mais sobre as ferramentas de edição e de gravação, e todos esses aplicativos de computador, ele é esse cara, ele é o mago. Isso é muito legal, então vocês se equilibram nesses quesitos, certo? Eu e ele fazemos algo muito específico juntos, não haveria eu sem ele, quer dizer, eu ainda estaria aqui, mas nós separados somos bem diferentes do que juntos. Falando sobre o nome do álbum, ouvi que é parte de um poema que seu pai lhe mostrou, certo? O que este poema significa pra você, e quão importante ele foi para a construção do álbum? O poema é basicamente como a vida não será fácil, o nome do poema é Desiderata, e não vou dizer ele todo, mas resumindo ele diz que a vida não será fácil, mas será linda. Em resumo, diz não olhe de baixo para pessoas acima de você ou se tornará invejoso, e não olhe de cima para pessoa abaixo de você ou se tornará só. A chave da vida é olhar para as pessoas ao redor de ti, e valorizá-las, valorizar onde você está, pois você é sortudo, e merece estar neste planeta, e merece ter a experiência de viver, não se deixe contaminar pelo sentimento de que é incapaz ou de que deveria ganhar mais dinheiro, isto vai te afundar. E meu pai me deu esse poema quando entrei na banda, e disse que eu deveria lembrar de cada palavra dele, e guardei cada palavra, e ele dá nome ao álbum Beauty of the Silence. As duas primeiras linhas do poema são: “Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa”, pois o mundo é assim barulhento e rápido, sempre dizendo “vá”, “consiga um carro, uma garota, dinheiro”. Então, “Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio.” E eu o chamei (o álbum) de Beauty in The Silence (Beleza no Silêncio). Pra mim isso tem muito significado, pois toda noite, antes de deitar, eu vou para a janela e fico olhando para a lua, o céu, em silêncio, e dou muito valor a isso. O nome do álbum me dá arrepios pois é algo
Volbeat anuncia novo álbum e solta terceira faixa: Shotgun Blues

A espera finalmente acabou! A banda dinamarquesa Volbeat acaba de anunciar o lançamento de seu oitavo álbum de estúdio, Servant Of The Mind, pela Universal Music, em 3 de dezembro. Junto com o anúncio, a banda lançou Shotgun Blues, faixa em que Poulsen explora os eventos fantasmagóricos que experimentou ao se mudar para nova casa. O disco traz a banda em sua formação atual, com Michael Poulsen (guitarra/voz), Jon Larsen (bateria), Rob Caggiano (guitarra) e Kaspar Boye Larsen (baixo), que tomam de assalto seus fãs com seu metal pesado característico, psychobillyandpunk ‘n’ roll. As músicas soam bem ao mesmo tempo que mostram a grande habilidade de Poulsen para escrever canções e contar histórias. “Escrevi o álbum inteiro em três meses. Eu estava em um bom lugar, bem-humorado enquanto estava em casa e tinha uma audiência cativa para mim… Há muitas das características da banda nesse trabalho. Se você voltar ao primeiro álbum e compará-lo com o que temos agora, você pode ouvir como a banda desenvolveu seu estilo, mas mantendo o som característico”, relembra Poulsen. Em resumo, Shotgun Blues é a terceira faixa revelada do novo álbum. Anteriormente, os dinamarqueses divulgaram Wait A Minute My Girl e Dagen For.
Elton John e Charlie Puth cantam juntos em última prévia de “The Lockdown Sessions”

Elton John e Charlie Puth acabaram de revelar After All, a última música apresentada antes do lançamento do novo álbum de Elton, The Lockdown Sessions. After All mostra um lado muito diferente deste multifacetado álbum, pois a canção foi feita em torno de um piano elétrico que embala suavemente junto com instrumentos de corda e os vocais de Elton e Charlie, que se combinam com sutileza e poder. Esta clássica e comovente balada se destaca como uma adição valiosa ao cânone de grandes canções de Elton. O disco The Lockdown Sessions é uma coleção de colaborações gravadas remotamente nos últimos 18 meses, um conjunto incrivelmente diversificado de 16 faixas que celebram a união, no qual Elton colabora com uma gama incomparável de artistas que só ele poderia reunir. Aliás, o disco já está disponível para pré-venda e chega às plataformas digitais em 22 de outubro. Anteriormente, o astro disponibilizou Cold Heart with Dua Lipa (PNAU Remix).
Allen Key estreia com o álbum The Last Rhino

O quinteto hard n’ heavy Allen Key lançou nesta sexta-feira (24) o tão aguardado disco de estreia, The Last Rhino. O álbum chega às plataformas de streaming pelo selo Canil Records. Produzido, mixado e masterizado por Wagner Meirinho no estúdio Loudfactory, na capital paulista, The Last Rhino contém oito músicas com peso e melodias versáteis e cativantes, além do vocal potente e de timbre único de Karina Menascé. A vocalista é quem escreveu todas as músicas. “São a minha realidade. Basta ler as letras da Allen Key para entender um pouco da minha vida. É meu diário”, revela Karina. As faixas de The Last Rhino foram compostas em diversos momentos da Allen Key, algumas desde quando eram apenas Karina e o guitarrista Victor Anselmo da atual formação, além de outras que ganharam novos contornos com a entrada de Pedro Fornari (guitarra) Felipe Bonomo (bateria) e William Moura (baixo). As músicas se conectam e são repletas de texturas e elementos que potencializam a audição como um todo, da primeira à última faixa. Tem muito peso, são densas, mas também tem faixas que apostam em melodias e arranjos acessíveis, que beiram o pop, com piano e até orquestrações. Mas é nas guitarras distorcidas e na bateria bem trabalhada, além do baixo preciso, enfim, com um instrumental cheio, que a Allen Key mostra porque é uma das bandas sensações da música pesada nacional. “Nossa música tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas tudo com lógica, que dá precisão e pontualidade à composição. Queremos que todos os públicos escutem a Allen Key”, explica Karina.
The Darkness libera Jussy’s Girl, single de Motorheart

A banda The Darkness lançou o single Jussy’s Girl, música mais recente de seu próximo álbum Motorheart, previsto para 19 de novembro. Jussy’s Girl é sensível como uma pedra caindo. Ela exala extravagância do rock n’ roll com enormes riffs influenciados pelos anos 1980. O clipe apresenta Justin Hawkins como um motoqueiro vestido de couro, viajando através de uma máquina do tempo de cabine telefônica para os velhos e bons tempos dos filmes mudos em preto e branco, para um mistério de assassinato nefasto, estrelado por seus companheiros musicais em um estilo nunca antes visto. Sobre o single, Justin diz: “Jussy’s Girl é uma música sobre os desejos não correspondidos da carne e do coração. Embora alguém possa argumentar que os corações são feitos da mesma matéria que a carne. Você sabe o que quero dizer. É sobre um desejo indescritível, mas soa como um cara andando em seus 501s em um dia ensolarado. Triste, mas também despreocupado. Sonoramente, estávamos buscando algo entre Def Leppard e Billy Ocean. Bem, eu estava. Há um helicóptero nele e um solo de guitarra incrível. O que mais você poderia pedir?” Lançado em uma ampla variedade de formatos, incluindo versões padrão e deluxe, Motorheart ficará disponível tanto digitalmente quanto fisicamente. Há um álbum de vinil preto pesado, LPs coloridos de edição limitada, e uma versão em cassete à moda antiga. TracklistWelcome Tae GlasgaeIt’s Love, JimMotorheartThe Power And The Glory Of LoveJussy’s GirlSticky SituationsNobody Can See Me CryEastboundSpeed Of The Nite TimeYou Don’t Have To Be Crazy About Me… But It Helps*It’s A Love Thang (You Wouldn’t Understand)*So Long* *Faixas bônus deluxe Datas da turnê Motorheart 2021/2022 Novembro 17 – Brighton Dome, Brighton19 – Winter Gardens, Margate20 – O2 Academy, Bournemouth21 – Cliffs Pavillion, Southend23 – UEA, Norwich24 – Corn Exchange, Cambridge26 – The Hexagon, Reading27 – The Great Hall, Cardiff29 – The Great Hall, Exeter30 – G Live, Guilford Dezembro 2 – O2 Academy, Liverpool3 – Academy, Manchester4 – Bonus Arena, Hull6 – The Victoria, Stoke-on-Trent7 – O2 Academy, Bristol9 – Barrowlands, Glasgow10 – O2 Academy, Newcastle11 – O2 Academy, Leeds13 – Rock City, Nottingham14 – O2 Academy, Birmingham16 – O2 Shepherds Bush Empire, London17 – O2 Shepherds Bush Empire, London Janeiro 13 – Belgium, Antwerp Trix14 – France, Paris, Trianon15 – France, Toulouse, Metronum17 – Spain, Zaragoza, Teatro Esquinas18 – Spain, Bilbao, Santana Z720 – Portugal, Lisbon, Capitol21 – Spain, Madrid, Riviera22 – Spain, Barcelona, Apollo24 – France, Lyon, Ninkasi25 – Switzerland, Solothurn, Kofmehl27 – Italy, Milan, Alcatraz28 – Italy, Bologna, Estragon29 – Italy, Padova, Padova Hall31 – Austria, Vienna, Simm City Fevereiro 1 – Germany, Munich, BackstageWerk2 – Germany, Berlin, Huxleys4 – Denmark, Copenhagen, Amager Bio5 – Sweden Stockholm, Vasateatern6 – Sweden, Gothenburg, Tyrol9 – Germany, Hamburg, Markhalle10 – Germany, Cologne, LMH11 – Holland, Amsterdam, Paradiso12 – Germany, Frankfurt, Batschkapp
Guns N’ Roses revela segundo single inédito em dois meses: Hard Skool

O Guns N’ Roses segue disposto a mostrar que a produção está a todo vapor. Depois de divulgar Absuяd, a banda lançou Hard Skool nesta sexta-feira (24). Em resumo, é o segundo single de Axl, Slash e Duff em dois meses. Aliás, Hard Skool foi gravada originalmente durante a turnê do álbum Chinese Democracy (2001). No entanto, originalmente ela se chamava Jackie Chan. Tão pesada como Absuяd, ela tem um refrão mais marcante, característica da banda desde os anos 1980. Nas redes sociais há um rumor que o Guns N’ Roses lançará um novo EP, com seis músicas, no dia 1 de outubro. Inclusive já há até tracklist rolando por aí. Contudo, o grupo não confirma essa informação. Por fim, o rumor indica que além de Hard Skool e Absuяd, o EP trará as seguintes faixas: Wichita Lineman, Black Hole Sun, The Seeker e Bennie & The Jets.
Criolo lança música manifesto em homenagem à irmã, em nova parceria com Tropkillaz

O cantor Criolo lançou nesta quinta-feira (23), Cleane, parceria com Tropkillaz e uma homenagem à irmã, que faleceu em decorrência da covid-19 esse ano. Com direção de Helder Fruteira, o clipe foi concebido em forma de manifesto, com alguns importantes e representativos signos para as sequências. Em resumo, as críticas, menções e homenagens estão muito contidas no elenco, nas performances, na cenografia e na fotografia. Toda a equipe estava alinhada no propósito comum desse projeto: construir um filme que fosse potente e trouxesse a revolta e indignação pelo momento caótico que o Brasil passa, mas que também trouxesse poesia e esperança, uma das formas que temos para atravessar esse momento tão denso. Todas as gravações seguiram os protocolos de segurança para o combate à covid-19. As performances dos bailarinos entram como representações dos sentimentos e imaginário de Criolo. Os movimentos se conectam com a ideia de abordar expressividades diversas, mas no final há uma busca de equilíbrio entre tudo que sentimos. A junção de diferentes e excepcionais vertentes de dança, como por exemplo o Krump, que dentre outras coisas, traz muita intensidade aos sentimentos pois são movimentos mais indignados foram a liga de movimento do visual. Criolo comenta lançamento Criolo comentou o significante lançamento: “Um diretor cheio de sensibilidade e amor pela arte e meus pais comigo nesse processo (sozinho não conseguiria). O desejo de levar ao mundo toda a nossa indignação, mas com respeito e amor a todas as pessoas no Brasil. Não acabou e nunca vai acabar a pandemia, sobretudo pra quem perdeu um ente querido. A arte, mais uma vez, ajuda a ressignificar e emanar boa energia, mesmo no meio de um caos tão complexo e profundo, que vai pra além dos últimos anos, mas que agora reencontra num limite nunca visitado. Que o amor possa de algum jeito, forma e milagre visitar o coração de todos sem estrutura, por escolha de um país que decide quem vive e quem morre.” Em mais uma parceria, Tropkillaz falou sobre a parceria. “Trabalhar com o Criolo é sempre um privilégio sem igual, sempre fomos amigos e parceiros. Agora depois que começamos a compor e produzir juntos, nossa conexão musical ficou muito forte. Ele incorpora e interpreta as músicas e as letras como ninguém. Esperamos que nossa sintonia renda muitos frutos ainda”. Diretor exalta responsabilidade Helder Fruteira, diretor do clipe, explicou sobre a concepção: “O tema exige muita responsabilidade, todo o processo foi pensado com muito respeito e carinho pelo nosso time. A música por si só já tem uma força incrível e perpassa por muitos assuntos que precisam receber nossa atenção. Cada assunto trazido por Criolo nessa composição é urgente e necessário, por isso, de forma cuidadosa, fomos construindo esse elo entre os sentimentos cantados por ele e o visual. Esse projeto faz parte de uma engrenagem maior, de uma articulação de pessoas que estão lutando para colocar nosso país de volta no caminho certo. Tudo vibra sobre sentimentos! Gratidão a todes que tornaram isso possível. CLEANE, PRESENTE!” Aliás, neste sábado (25), Criolo participa do evento mundial Global Citizen Live, uma live beneficente de 24h alertando sobre mudanças climáticas e vulnerabilidade social. Transmitida de diversas cidades, contará com nomes como Billie Eilish, BTS, The Weeknd, Doja Cat, Elton John, entre outros. Por fim, vale destacar que ao lado do Tropkillaz, o cantor apresentará Cleane pela primeira vez ao vivo. Assista aqui.
Rita Lee ganha exposição incrível no MIS, em São Paulo

Uma explosão de cores, de música e de alegria. Assim pode ser descrita a exposição Samsung Rock Exhibition Rita Lee. A mostra sobre a maior roqueira do Brasil abriu nesta quinta-feira (23) no MIS (Museu de Imagem e do Som), em São Paulo. “Sou dessas acumuladoras que não jogam fora nem papel de embrulho e barbante. Vou adorar abrir meu baú e dividir as histórias que as traquitanas contam com quem for visitar. Tenho recebido ajuda de uma turma da pesada: o grand maestro da cenografia é do meu querido Chico Spinosa, meu figurinista e carnavalesco da Vai-Vai; a direção é do meu multitalentoso Guilherme Samora e a curadoria é do meu filho João”, conta Rita. “É muito emocionante. Tem uma parte dessa história que vivi com ela e tem outra que não estava aqui ainda. Então, ver essas roupas, esses momentos tomarem vida, é muito emocionante. São personagens, também, de meus sonhos e imaginação. É a história de vida da minha mãe. Isso mexe diretamente com minha emoção”, avalia João Lee, o curador. E essa mistura deu à exposição um jeito muito próprio, como conta Guilherme Samora, o diretor artístico. “Acredito que as pessoas vão se surpreender. Existe tanto acervo da Rita que o que enfrentamos nessa exposição foi justamente a edição do que ficaria de fora. Artigos preciosos e raridades não faltam. Por isso, ela foge do estilo de exposições com muitas reproduções ou essencialmente virtuais. Durante a montagem, fiquei arrepiado em diversos momentos, só de sentir o valor de cada peça, de cada sala. Tudo lá tem um motivo. E uma das grandes preciosidades é justamente ter o Chico Spinosa, que trabalhou com a Rita pela primeira vez em 1982, nessa viagem com a gente.” Cuidado com a montagem da exposição sobre Rita Lee Spinosa é um artista. Ao visitar a exposição, nada ali é fruto de um padrão, de uma forma ou de escala industrial. Tudo foi pensado, feito e readaptado para uma realidade colorida, seguindo o roteiro da direção: uma roqueira cheia de cor que chega à Terra em um disco voador. Detalhes, como uma aura de Aparecida ou das estrelas feitas à mão, assim como a recriação do palco giratório da tour 1982/1983 (ou O Circo, como ficou conhecida), tudo é feito para a mostra. Artesanal, no melhor sentido da palavra. A equipe colocou o trabalho em cada letra pintada na parede, em cada figurino que precisou ser restaurado ou em cada peruca: todas, com cores e cortes estudados. Spinosa fala da emoção desse momento: “Eu conheci o pop, fiquei encantado com a energia, com o colorido e com a estética que essa mulher tem. Nos encontramos outras vezes, em outros trabalhos: no manto de Nossa Senhora Aparecida para o Hollywood Rock de 1995, na Marca da Zorra, nas cabeças de Santa Rita de Sampa, na Erva Venenosa… hoje, com esse convite para a cenografia e o restauro dos figurinos para a exposição, tenho certeza de que Rita sempre foi o melhor do pop e o melhor de mim. Revendo toda a sua obra, me coloco de quatro a essa poetisa. A quem respeito muito. Nesse encontro, aos meus 70 anos, ela me dá energia e me faz mais criativo”. Manequins Um dos destaques? As manequins, com estudos de Spinosa e Samora, e feitas uma a uma por Clívia Cohen, em posições de Rita, com o rosto da artista em todas elas, com uma precisão surreal e excelente interpretação artística. A divisão das salas é temática e, em tantos casos, afetiva. E Rita Lee tem suas preferências: “Todas as peças contam uma história diferente e engraçada. Mas o vestido de noiva que Leila Diniz usou e a bota prateada da Biba eu dou valor. E ambos são produtos de roubo”, diverte-se Rita, ao lembrar que nunca devolveu o vestido depois de usar numa apresentação dos Mutantes e da famosa história das botas, com as quais saiu andando da butique Biba, de Londres, em 1973. Ela não só foi perdoada pela estilista Barbara Hulanicki, a criadora das botas, como ganhou dela os figurinos da tour Babilônia (1978) que também estão expostos. Assim como o piano de mais de 100 anos que era da mãe de Rita, Chesa, que foi o instrumento com o qual ela teve seu primeiro contato com a música. O encontro e o amor de Rita Lee e Roberto de Carvalho; a repressão da ditadura (Rita é a compositora mais proibida, segundo dados da época) e a prisão; a família; a causa animal e obras de arte da Rita têm destaque. Assim como estruturas criadas especialmente para a mostra, como o palco giratório, a manequim que levita, o Peter Pan que sobrevoa a entrada… Estúdio com áudio imersivo O estúdio é um caso à parte: terá uma experiência de áudio imersivo que utiliza a tecnologia Dolby Atmos, com projeto desenvolvido pela ANZ Immersive Audio, trazendo uma experiência sonora imersiva para a sala da exposição baseada em um estúdio. Ultrapassando a reprodução de som da maneira convencional, o áudio imersivo proporciona uma escuta similar à vida real, com sons acima, abaixo, aos lados, na diagonal, em toda sua volta. A ANZ espacializou músicas da rainha do rock em 3D, e preparou uma instalação na qual as caixas de som, de altíssima qualidade, foram perfeitamente posicionadas para o público escutar algumas de suas obras como nunca: vindas de todas as direções. “É uma tecnologia que permite que a gente consiga ouvir vários detalhes da música que antigamente a gente não conseguiria. Vai dar claridade aos elementos e muito mais profundidade. E vai ser superinteressante: ao invés de a música te pegar só na direita e esquerda, ela te pega em 360°”, explica João. Um detalhe especial – e que vai levar a exposição a outro nível – é a visita guiada pela própria Rita. Através de QRCodes, os visitantes poderão ouvi-la contando sobre alas, peças, histórias… “Achamos que ia ficar simpático ter minha voz narrando as histórias das peças, me sinto mais íntima
Gravadora de Santos junta rappers de estados diferentes em “Além”

A gravadora de Santos HomiesProd. juntou três DDD na faixa colaborativa Além, lançada recentemente. Em resumo, o pessoal da gravadora, em 2020, foi para São Paulo “resolver umas metas”. No entanto, voltaram com essa faixa produzida em apenas dois dias. Os representantes da gravadora Primeiramente, do DDD 013, representando a Baixada Santista, participa o rapper Iram Bernardo, morador do bairro Saboó, em Santos. “Eu já estava na linha desse projeto com a HomiesProd, a parada fluiu e tô animado pra muito mais que está por vir”, afirma. Já o Sistema Cruel, veio de Sergipe, representando o DDD 079, mas foi buscar seu sonho em São Paulo. Ele foi passar uma semana em São Paulo para finalizar um trabalho e acabou conhecendo os “moleques da Baixada Santista”, como diz. “Tudo fluiu e fechamos esse trabalho que eu levo para o resto da minha vida”, comenta o artista. Por fim, o terceiro participante da faixa Além foi Narciso, representando Macaé, Rio de Janeiro, com o DDD 022. “Me encontrei com o Arthurzinho (Sistema Cruel), estávamos procurando um estúdio para captar voz, conhecemos a rapaziada da HomiesProd e fluímos mais um trampo”.