Veterana do punk curitibano, Boobarellas lança single e clipe para celebrar 30 anos de estrada

A banda curitibana Boobarellas disponibilizou seu novo single e videoclipe, intitulado Imortal. O lançamento celebra as três décadas de trajetória do grupo, completadas em 2025, e traz uma letra que reflete sobre a longevidade e os desafios enfrentados pela banda desde sua fundação no cenário independente do Paraná. O videoclipe da faixa teve como cenário o bar Bodegaa Beer e contou com a produção visual assinada por Guima. Já a identidade visual e a arte gráfica do projeto ficaram a cargo de Guaco. O lançamento reforça a estética punk rock que o grupo carrega desde os anos 90, mesclando imagens que remetem à história e à resistência da banda. No aspecto técnico, Imortal foi gravada, mixada e masterizada no Laje Estúdio, conhecido por trabalhos com diversos nomes da cena alternativa. A produção musical foi assinada coletivamente pelos próprios integrantes do Boobarellas, mantendo o controle criativo sobre a sonoridade que transita entre o pop punk, o hardcore, o ska e o punk rock clássico. Formada originalmente em 1995, a Boobarellas acumulou ao longo de sua trajetória uma discografia composta por cinco álbuns de estúdio e um DVD ao vivo. O grupo é uma das figuras carimbadas no cenário crossover e punk brasileiro, tendo construído um currículo que inclui a abertura de shows para nomes internacionais como The Misfits, CJ Ramone, The Bouncing Souls, No Use For A Name e The Adolescents.
Entrevista | Bruno Graveto – “O Chorão me deu carta branca para gravar as baterias”

Bruno Graveto foi peça-chave na fase final do Charlie Brown Jr., período marcado por intensa produção criativa, grandes turnês e reconhecimento internacional. Baterista experiente, ele esteve diretamente envolvido nos últimos trabalhos de estúdio da banda, incluindo o álbum Camisa 10, vencedor do Grammy Latino, além de, claro, dividir o palco com Chorão em alguns dos shows mais emblemáticos da trajetória do grupo. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Graveto relembra como foi o processo de criação ao lado de Chorão, fala sobre a liberdade criativa que recebeu dentro da banda, recorda apresentações históricas do Charlie Brown Jr. e destaca shows marcantes de outros projetos que fizeram parte de sua carreira, como a passagem pelo Capital Inicial. Graveto, você foi responsável pelos últimos trabalhos do Charlie Brown Jr. e sempre existe a curiosidade sobre como era esse processo. Como foi entrar em estúdio para gravar as baterias e como era o nível de exigência do Chorão nesse trabalho todo? Primeiro, prazer estar aqui trocando essa ideia com você. Na verdade, ele me facilitou muito. Quando eu entrei na banda, foi no meio de uma turnê, e a gente começou a criar o que viria a ser o Camisa 10. Inclusive, a gente ganhou o Grammy com esse álbum. Nesse projeto, no momento da composição, ele chegou pra mim e falou: “Cara, você está aqui por merecimento. É carta branca. Você bota a sua cara no som. Se a gente achar que é muito, a gente olha. Se achar que é pouco, a gente troca ideia. Mas a gente precisa de você trabalhando”. Isso te tranquilizou de certa forma né? Isso me deu muito gás, porque não era aquela coisa de seguir uma cartilha. Acho que isso me travaria mais. Esse lance de “segue isso aqui, é assim que tem que ser” não rolou. Ele falou: “É carta branca, faz, a gente ouve e vê como fica”. Isso fez fluir muito melhor. Talvez eu ficasse mais receoso se ele tivesse imposto um caminho fechado. No fim das contas, essa liberdade me ajudou demais. Graveto, quando você pensa nas turnês do Charlie Brown Jr., qual é o show inesquecível que vem primeiro à cabeça? Teve um muito especial em Campo Grande, no Mato Grosso. Foi um show aberto ao público, só nosso, gratuito. A gente vinha de outro show, tocou, e depois apareceram a Polícia Militar, o pessoal da organização, da prefeitura, e falaram que o recorde da cidade era do Jota Quest, com 92 mil pessoas. Disseram que a gente tinha colocado 100 mil. Aquilo ficou muito marcado pra nós. A gente só ficou sabendo depois do show. Claro que dava pra ver um mar de gente, mas você nunca sabe os números, como a cidade funciona. Quando contaram tudo isso, e falaram que o Jota Quest, que é uma banda gigante, tinha levado 92 mil e a gente 100 mil, aquilo ficou gravado na nossa história. Para encerrar, fora do Charlie Brown Jr., você participou de várias bandas e projetos. Tirando o Charlie Brown, qual foi o show do coração, pode ser com Strike, Surto, Cali ou qualquer outro projeto? Você citou Strike, Cali, Surto, projetos que eu toquei, e poderia ser qualquer um deles. Mas teve algo muito especial que nem todo mundo sabe. Eu toquei com o Capital Inicial em 2014, fiz três shows com eles. Foi um final de semana muito mágico pra mim. Teve muita correria, muita responsabilidade, mas eu consegui segurar a onda e fazer bons shows. Esse registro ficou muito forte na minha cabeça. Tem vídeo no YouTube, tem em vários lugares. Eu coloco esses shows como algo muito especial. Foi intenso, deu tudo certo e foi uma experiência irada. Obrigado, meu irmão. Foi demais. Foto: Murilo @murilosts777
Entrevista | Planta e Raiz – “Para 2026, temos um projeto chamado Tranquilize”

O Encontro 013 voltou a ocupar espaço na agenda cultural de Santos na última sexta-feira (26), reafirmando sua origem e propósito. Criado inicialmente como uma reunião de amigos na praia logo após a morte de Chorão, o encontro cresceu ao longo dos anos, ganhou estrutura e se transformou em um evento que mantém como tradição o tributo ao Charlie Brown Junior, banda símbolo da cidade. No último evento do ano, no Arena Club, Soulshine, Skasu, DZ Rock e Planta e Raiz se apresentaram. A edição teve início com as apresentações de Soulshine e Skasu, preparando o clima para a noite. Na sequência, a DZ Rock assumiu o palco com um tributo ao Charlie Brown Junior, conectando o público diretamente com a essência do evento e reforçando a relação afetiva entre Santos e o legado deixado por Chorão e sua geração. Encerrando a noite, o Planta e Raiz entregou um show que equilibrou bem seus principais sucessos com novidades. A banda apresentou ao público o novo setlist da turnê do álbum Flor de Fogo, lançado em outubro, e encontrou uma resposta imediata da plateia, que cantou, agitou e pediu bis ao final da apresentação. Atendendo ao pedido de forma improvisada, o grupo voltou ao palco e surpreendeu com versões de Bob Marley e do clássico “Estou a dois passos”, da Blitz, encerrando o Encontro 013 em clima de celebração, comunhão e respeito às raízes que deram origem ao evento. Em bate papo com o Blog N’ Roll, o vocalista do Planta e Raiz, Zeider, contou sua ligação com Chorão e revelou em primeira mão que lançará um novo álbum de versões no início do ano. Em homenagem ao Chorão, vocês têm “Ghetto do Universo”, que vocês tocaram juntos. Queria saber um pouco dos bastidores, tanto do Chorão cantando com vocês no DVD quanto alguma história bacana desse encontro. Zeider – A primeira impressão que tivemos do Chorão foi muito marcante. Quando nos encontramos pela primeira vez, ele chegou extremamente caloroso e acolhedor com a gente. Éramos mais novos, uma geração que vinha logo depois, e parecia mesmo que ele estava abençoando a nossa caminhada. Quando mostramos a música para ele, “Ghetto do Universo” ainda era inédita. Assim que terminamos de tocar, ele continuou a canção, e disse que tinha uma do Charlie Brown, mas que queria colocar ela na nossa música também. Foi um gesto de muita generosidade. Nota da redação: A música em questão era Dias de Luta, Dias de Glória E tem alguma história curiosa nesses bastidores? Zeider – No dia da gravação do DVD ele tinha se machucado andando de skate, bateu a cabeça e estava no hospital, mas deu um jeito de sair de lá para participar. Ele representou, eternizou aquele momento. É um cara que mora no nosso coração, um ídolo, quase como um irmão mais velho para nós. Hoje fica a vibração e a energia. Santos tem essa força muito particular. É uma cidade que a gente frequenta desde o começo da nossa caminhada e sempre sentiu essa energia se perpetuando, passando de geração em geração, muito por causa do Charlie Brown Junior e de toda aquela galera, Marcão, Thiagão e tantos outros. É algo sensacional. Somos muito felizes por fazer parte dessa família. Vocês gravaram um novo álbum ao vivo em Noronha, lançaram álbum novo. Tem espaço para novidades em 2026? Zeider – Para 2026, temos um projeto chamado Tranquilize, que traz versões de músicas clássicas brasileiras, com uma pegada mais raiz. Ele deve chegar no começo do ano. Paralelamente, seguimos na estrada com a turnê do álbum Flor de Fogo, lançado em outubro de 2025, então estamos sempre rodando e produzindo. Além do Tranquilize, em breve devemos apresentar músicas inéditas. Elas já vêm sendo compostas há algum tempo, vão se acumulando, e chega um momento em que é preciso colocar tudo para fora.
Perry Bamonte, guitarrista e tecladista do The Cure, morre aos 65 anos

O guitarrista e tecladista do The Cure, Perry Bamonte, morreu aos 65 anos “após uma doença recente em casa, durante o Natal”, segundo publicação da banda nesta sexta-feira (26). “Quieto, intenso, intuitivo, confiável e imensamente criativo, ‘Teddy’ era uma parte vital e de coração quente da história do The Cure”, afirma o comunicado. O músico tocou com o grupo britânico entre 1984 e 1989, mas só se tornou um membro integral em 1990. Até 2005, tocou guitarra, baixo de seis cordas e teclado em discos como Wish e Wild mood swings e se apresentou em mais de 400 shows. Depois, Bamonte voltou à banda em 2022 e participou de mais 90 apresentações. Na lista de shows recentes, Bamonte também participou da apresentação no Primavera Sound, em São Paulo, em 2023.
Assista ao novo videoclipe de Supla, “Jovem Brasileiro”

O Supla lançou nesta sexta-feira (26) o videoclipe da faixa Jovem Brasileiro, presente no álbum Nada Foi em Vão, que marca o 20º trabalho de estúdio do artista em uma trajetória de 40 anos na música. Jovem Brasileiro é definida por Supla como “uma balada de peso que cutuca uma ferida”. Ele conta que a canção foi criada numa ‘jam session’ com Os Punks de Boutique e a letra foi composta por ele, Teodoro Suplicy e Henrique Cabreira”. “A música é inspirada nos jovens brasileiros que, frente à a desigualdade, buscam um futuro e algo para acreditar nessa vida”, afirma Supla. “Todos nós queremos andar pelas próprias pernas”, completa o músico. Com direção de Victoria Brito e edição de Gustavo Araújo, Jovem Brasileiro integra a série de registros audiovisuais que acompanham o álbum Nada Foi em Vão. Das 15 faixas presentes no disco, Jovem Brasileiro é a 11º a ganhar videoclipe.
Manu Chao anuncia turnê acústica com cinco datas no Brasil

Manu Chao está de volta ao Brasil. O músico anunciou cinco datas no país entre janeiro e fevereiro de 2026. O ícone da música latina vem com uma nova turnê acústica e intimista. Os shows do Manu Chao no Brasil acontecem em Porto Alegre, no Araújo Vianna (23 de janeiro), em Florianópolis, no Vereda Tropical (28 de janeiro), em São Paulo, no Cine Joia (1 de fevereiro), em Ribeirão Preto, no Armazém Baixada (8 de fevereiro), e no Rio de Janeiro, no BCO (11 de fevereiro). Os ingressos já estão à venda no Sympla. Viva Tu, o último álbum de Manu Chao, foi uma viagem ao coração dos homens, onde as emoções não enganam. Guia de um mochileiro cujo único passaporte é a música, aquela que une corações e supera diferenças. Viva Tu foi menos um retorno do que uma confirmação: Manu Chao continuará fazendo o que lhe der na telha. Viaja de um continente a outro, toca aqui e ali, em salões lotados e em povoados que mal aparecem no mapa. E, quando decide gravar novas canções, não o faz por uma agenda, mas pelo desejo de testemunhar um pedaço de vida — a sua e a das almas que cruza ao acaso em suas peregrinações. Liberdade total. Em A me mi piace, um aceno para Me gustas tú, colaborou com Alfa, o artista italiano. Em Solamente, dirige-se ao México para um dueto com Santa Fe Klan, o rapper originário de Guanajuato. E, com Viajando por el Mundo, presenteia com o tempo de uma canção ao sol, um momento de comunhão no álbum da estrela colombiana Karol G. Hoje, ele apresenta um novo EP de sete faixas, La Couleur Du Temps. Nele estão incluídas duas faixas de Viva Tu, Tom & Lola e La Couleur du Temps, em suas versões originais e, em seguida, remixadas por Mariano Mellino, o jovem prodígio da cena eletrônica argentina. Passamos do acústico, do sussurro, para um sopro sintético, um baixo com redondezas aveludadas e um ritmo que marca o compasso perfeitamente. O remix de La vie à 2, publicado em 1998 em seu primeiro álbum solo, Clandestino, nos transporta para o passado para escrever melhor o presente. “É meia-noite em Tóquio, são 5 da manhã no Mali, que horas são no paraíso?”, canta ele. Esta canção trata de um amor que se consome na intimidade, de carícias e despedidas. Manu Chao desfia seus remorsos e lembranças em uma atmosfera quase apagada, como se sussurrasse sentimentos que se desvanecem. Aqui, Demayä, o DJ e produtor, nos revela um remix intrépido, uma imersão no coração de uma boate sem porteiros nem áreas reservadas, onde os corpos se esquecem de si mesmos dançando, suados e cúmplices, apesar dos porquês. Em seguida, temos a alegria de reencontrar Sénégal Fast Food e sua harmônica esperançosa, com Amadou e Mariam, de 2004 — um hino aos deslocados, àqueles que viajam impulsionados pela miséria, uma canção que ressoa dolorosamente em 2025, em uma época de discursos retrógrados e desinibidos… — e L’Automne est las, retirada de seu álbum gravado inteiramente em francês em 2004, Sibérie m’était contée, um pop com uma magia melancólica e mil cores, um aceno à poesia de Jacques Prévert, quando as folhas caem e a chuva anuncia o fim do verão. Por fim, a faixa Où tu veux, on y va marca a gravação conjunta de Manu Chao e Gambeat, seu amigo e baixista de longa data. Inspirada no dub, no reggae e em um espírito sem fronteiras, a canção encarna a essência de Manu Chao: uma mistura de gêneros e a vontade de superar todas as barreiras para celebrar livremente os prazeres simples da vida. É um táxi sem destino, que compreendeu que o terminal importa menos do que o caminho percorrido e que uma aventura só é bonita quando se avança juntos. É inevitável pensar no falecido Amadou quando Manu e Gambeat revivem a memória de um táxi em Bamako… É uma faixa luminosa e reconfortante, uma mão estendida para partir longe, lá onde a humanidade ainda respira.
Samwise lança versão de Here We Go, do Carbona; ouça!

A Samwise, quarteto pop punk do cast da Repetente Records, lançou sua versão para Here We Go, música originalmente gravada pelo Carbona em 1998 no álbum Go Carbona Go. O lançamento chega simultaneamente às plataformas de streaming e em lyric video, funcionando como um primeiro vislumbre do tributo à banda carioca que será apresentado em 2026. O convite para participar do projeto surgiu após o primeiro show do grupo no ano, realizado na Mutante (estúdio e rádio), em Americana. A proposta partiu de Kako, idealizador do tributo, que reúne versões do repertório do Carbona do período em que a banda cantava em inglês. A Samwise recebeu liberdade total para reinterpretar a faixa, condição que orientou o arranjo e a abordagem escolhidos. Mantendo a velocidade e o espírito punk da gravação original, a versão da Samwise incorpora elementos do pop punk, com quebras rítmicas, breakdowns e levadas mais fragmentadas, sem descaracterizar a canção. A letra, que trata da vida na estrada, dialoga diretamente com o momento vivido pela banda, que realizou 16 shows ao longo de 2025. Here We Go marca ainda a segunda música lançada com a nova formação da Samwise, que conta com a entrada de Vinícius Rhein no baixo e Matheus Silvério na guitarra. Completam o quarteto Thiago Silva (vocal) e Thiago Quina (guitarra). Gravada ao longo de 2025, a faixa foi captada, mixada e masterizada por Gabriel do Vale. Além de antecipar o tributo ao Carbona, o lançamento de Here We Go também funciona como um registro simbólico da estrada percorrida pela Samwise em 2025 e um lançamento de fim de ano pensado como presente para fãs, amigos e produtores que acompanharam a banda ao longo do ano. “O convite para participar desse tributo saiu lá da Mutante e fez todo sentido pra gente desde o primeiro minuto. Carbona sempre esteve por perto e agora fazemos parte dessa homenagem”, comenta a Samwise.
Unto Others anuncia primeira apresentação no Brasil

Formada na cidade de Portland em 2017 (inicialmente sob o nome Idle Hands) por ex-integrantes da banda de heavy metal Spellcaster, o Unto Others é uma das revelações mais bem-quistas do rock com sua mistura de peso e molodia. A banda, cuja sonoridade remete a nomes como Sisters of Mercy, Type O Negative e Paradise Lost, vem pela primeira vez ao Brasil em 2026 com show único em São Paulo, em 28 de março no Burning House. Rapidamente o Unto Others se tornou conhecido por suas apresentações impactantes e cheias de carisma. Ao longo de quase uma década de atividade, a banda já dividiu palco com grandes nomes do metal, como King Diamond, Arch Enemy, Carcass e Behemoth, além de ter excursionado pelos Estados Unidos e pela Europa. Strength, de 2021, o disco de estreia sob o nome Unto Others, traz uma fusão poderosa de heavy metal tradicional e goth rock, com produção marcante e elementos que crescem a cada audição. Já Never, Neverland, de 2024, lançado pela gigante Century Media Records, é ainda mais coeso e acessível, com melodias cativantes, performances vocais marcantes e diversidade de estilos. Unto Others em São Paulo Data: 28 de março de 2026 (sábado) Local: Burning House – Av. Santa Marina, 247 – Água Branca, São Paulo (ao lado da estação Água Branca da CPTM – Linha 7 Rubi) Abertura da casa: 23h Ingressos
Entrevista | Bullet For My Valentine – “Ele ainda é muito relevante, muito próximo aos nossos corações”

Vinte anos após o lançamento de The Poison, o Bullet For My Valentine encerrou um ciclo histórico em solo brasileiro. No último dia 20, pouco antes de subirem ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para abrir o show do Limp Bizkit, Michael Paget, Jason Bowld e Jamie Mathias conversaram sobre o peso do legado que carregam e a conexão renovada com uma nova geração de fãs. O Bullet For My Valentine, que ajudou a moldar o metalcore mundial, refletiu sobre a experiência de tocar seu álbum de estreia na íntegra pela última vez. Em um clima de celebração e respeito mútuo entre gerações do metal, os músicos destacaram a importância de manter a essência focada nas guitarras e a honra de dividir o palco com ídolos que foram cruciais para suas próprias formações musicais. >> Confira como foi o show em São Paulo Nesta entrevista, o trio abriu o jogo sobre o futuro sonoro do grupo, a “bênção” que foi o sucesso repentino nos anos 2000 e revela os discos fundamentais que definiram suas trajetórias. Confira abaixo o bate-papo completo. Qual é a sensação de ver um álbum como The Poison, que foi lançado há duas décadas, ainda ser a porta de entrada para tantos fãs? Michael Paget: É incrível, sabe? Aquele álbum se conectou com tanta gente 20 anos atrás e poder tocá-lo 20 anos depois, vendo todos esses novos fãs mais jovens aparecendo e aceitando o disco, tem sido maravilhoso. Ele ainda é muito relevante, é muito próximo aos nossos corações e temos muito orgulho dele porque fez muito pelas pessoas, a forma como ele se comunica e se conecta com elas. É muito importante para nós. Além disso, tocá-lo o ano todo em alguns dos locais onde tocamos pelo mundo e ir a lugares onde nunca estivemos antes também foi animal. Hoje é o último show, a última vez que o tocaremos na íntegra, então vai ser um estouro. Jason Bowld: É, a última vez tocando o The Poison. Vou sentir falta… até daqui a dez anos. O álbum mais recente é o homônimo (Bullet For My Valentine, de 2021)… esse som mais agressivo definitivamente combina mais com a banda? Jason Bowld: Ih, eu estaria revelando segredos, isso seria… Top secret? Jason Bowld: É, segredo absoluto. Eu não gosto de falar muito sobre como será o próximo álbum porque… Estou me referindo ao mais recente, de 2021. Michael Paget: Ah, o mais recente? Achei que era o próximo. O último foi o autointitulado (Self-titled), então o próximo vai ser ainda mais agressivo. Vai ser sempre pesado e sempre terá… vai ser simplesmente Bullet, é tudo o que gostaria de dizer, na verdade. Vai ser a cara do Bullet. O nu metal está tendo um retorno enorme. Como uma banda de metalcore, como vocês se sentem dividindo o palco com o Limp Bizkit hoje à noite? Michael Paget: Ah, é bom pra caralho, cara. Somos fãs de longa data do Limp Bizkit. Eles mudaram nossas vidas anos atrás, da mesma forma que o The Poison mudou a vida de tanta gente para nós. Ser convidado para vir e abrir para eles na América do Sul tem sido um sonho realizado. É loucura! Jason Bowld: É, muita loucura. Lugares enormes também, tem sido incrível! A energia da multidão é… não me lembro de ter visto uma banda gerar tanta energia com o público, sabe? E eles são classe pura. Pessoas de classe, músicos incríveis e, sim, eles ainda são relevantes. Mas, sabe, essa coisa do retorno do nu metal… não sei, talvez seja um retorno com algumas reviravoltas, mas na minha visão você não consegue replicar estilos que já passaram sem que pareça algo forçado. Vocês ficaram encantados com o apoio incrível e radical dos fãs brasileiros. Qual é o segredo para manter o respeito dessas lendas e, ao mesmo tempo, continuar relevante para a geração mais jovem? Michael Paget: Essa talvez seja uma pergunta para você responder, mas… acho que para nós, lá no começo, a gente explodiu muito rápido. De novo, acho que foi por causa do The Poison e de como tocamos em algo que conectou com muita gente. Não sei o que foi, mas foi uma “bênção disfarçada” para nós. Simplesmente aconteceu do dia para a noite. E acho que talvez seja porque somos focados nas guitarras; Metallica e Iron Maiden são influências muito grandes na banda também. Então acho que o encaixe foi certo e nós éramos aquela banda nova que as pessoas queriam levar em turnê. Já realizamos muita coisa, a nossa lista de desejos está bem cheia no momento, mas estamos no caminho. Só uma última pergunta: cada um de vocês poderia dizer um álbum que mais influenciou na carreira? Jason Bowld: Steal This Album!, do System Of A Down. Jamie Mathias: Master of Puppets, do Metallica. Michael Paget: Cowboys From Hell, do Pantera.