Greta Van Fleet resgata as origens em novo single, Play Your Games

O Greta Van Fleet deu início a uma nova fase em sua trajetória. Após realizar uma performance intimista no Bowery Ballroom, em Nova Iorque, o grupo vencedor do Grammy lançou o single e o videoclipe Play Your Games, a primeira amostra oficial de um material inédito desde que a banda decidiu se afastar dos holofotes para compor. Retorno à crueza Diferente de seus trabalhos mais recentes, que exploravam arranjos complexos e uma sonoridade expansiva, Play Your Games aposta na irreverência. O som é o resultado de uma imersão no Tennessee ao lado do produtor Mike Elizondo, conhecido por trabalhos com Fiona Apple e Turnstile. A música foi resgatada de uma demo dos arquivos da banda, capturando a essência dos anos de formação do grupo em Frankenmuth. Para Jake Kiszka, guitarrista da banda, o tema central é simples: “É sobre essa bela natureza de aproveitar um momento”. Estética e universo visual O lançamento é acompanhado por um videoclipe oficial dirigido pela Moonbase, que expande o universo visual da banda. O vídeo reflete a atitude afiada da música, consolidando o que parece ser uma era mais “indomável” do quarteto. Assista ao videoclipe
Entrevista | Bullet Bane – “Optamos por segurar o novo álbum para que tudo fosse encaixado da melhor forma possível”

O Bullet Bane lança nesta sexta-feira (29) o álbum O Agora Que Cobra Viver, trabalho que marca uma nova fase na trajetória do grupo. O disco chega acompanhado de mudanças importantes na formação, com a entrada do vocalista Lucas Guerra e do baterista Andrew Lee. As transformações refletem diretamente na identidade sonora da banda, que amplia ainda mais seus horizontes sem abandonar a intensidade característica construída ao longo da carreira. Com produção de padrão internacional, O Agora Que Cobra Viver surpreende pela maneira como expande os limites do hardcore melódico moderno. O álbum incorpora elementos do metal contemporâneo e aposta em experimentações que incluem screams, sintetizadores, beats eletrônicos e até uma orquestra com 12 instrumentos na faixa “Mais Um Dia”. O resultado é um disco pesado, emocional e ambicioso, que alterna momentos explosivos e atmosferas grandiosas sem perder a conexão com o lado melódico da banda. O trabalho ainda reúne participações especiais de Teco Martins, que aparece em “Mais Um Dia”, e Rodrigo Lima em “Paradoxo Progresso”. E ainda há espaço para uma surpresa: “Alma Gêmea”, tocada em voz e violão de maneira bem intimista. Todas as letras do álbum foram escritas por Lucas Guerra, mostrando a importância da nova formação. A produção ficou a cargo do guitarrista Fernando Uehara, que dividiu a função com toda a banda, enquanto Caio Weber assinou a produção de vozes e colaborou em algumas melodias do disco. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Fernando Uehara conta sobre a segunda troca de vocalista, o processo e cuidado na produção do álbum e como ele soa o reflexo do momento dos cinco integrantes. Como tem sido o processo de composição com a entrada do Lee e do Lucas? A primeira música que a gente fez foi “Reta-ação”. Eu, Dan e Rafa já tínhamos essa música e mostramos para o Lee e para o Lucas. Eles piraram e aquilo acabou funcionando como uma porta de entrada para essa nova fase. Foi uma conversa bem direta: “Galera, estamos com essa ideia para um novo momento da banda e queremos que tenha essa energia”. Eles compraram a ideia imediatamente e começamos a trabalhar juntos em cima disso. O mais legal é que tudo fluiu de forma muito natural no estúdio, mesmo sem termos criado nada juntos até então. Foi um processo leve desde o começo. Depois dessa primeira experiência, o restante das músicas acabou acontecendo de forma quase automática. Fomos trabalhando faixa por faixa ao longo dos últimos meses. Já faz cerca de um ano desde que eles entraram na banda e acho que, mais para o final do ano passado, a gente realmente se encontrou musicalmente. A ideia inicial era lançar o álbum antes, mas decidimos adiar porque percebemos que ainda poderíamos amadurecer alguns detalhes. Depois de tocar juntos, fazer shows e observar a reação do público, entendemos melhor o que as pessoas esperavam, o que gostávamos de fazer e qual energia queríamos transmitir. Então optamos por segurar o disco até agora para que tudo fosse encaixado da melhor forma possível. Queríamos que, ao ouvir as músicas, as pessoas realmente sentissem cada um de nós ali dentro. Acho que essa conexão que criamos é algo difícil de alcançar e o fato de nos entendermos tão bem e termos nos encontrado nesse momento da vida fez tudo fluir naturalmente. Todo mundo ficou muito satisfeito com o resultado. A troca de um vocalista é sempre um processo complicado para muitas bandas, mas vejo que todo mundo ficou feliz com a nova formação. Como foram os primeiros shows e o feedback do público? A troca de vocalista é sempre algo complicado e até curioso, porque é difícil lembrar de bandas que passaram por duas mudanças desse tipo e conseguiram continuar fortes. A primeira aconteceu em 2018, com a saída do Vitro, que era o vocalista original do Bullet Bane. Foi um momento difícil, mas logo nos recompusemos com a entrada do Arthur. Tivemos uma fase muito boa e tudo fluiu naturalmente naquele período. Com o passar do tempo, porém, as coisas deixaram de funcionar da mesma maneira e, em 2025, aconteceu a saída do Arthur. Já não existia mais a mesma sinergia entre a gente e entendemos que fazia mais sentido cada um seguir seu caminho. Ele foi para a carreira solo e, para nós, era assustador pensar em uma segunda troca de vocalista. Uma mudança já é complicada, então uma segunda parecia um desafio ainda maior. Quando o Arthur saiu, muita gente do Brasil inteiro entrou em contato interessada em fazer testes, mas o Lucas já era um amigo nosso de longa data. A gente nunca teve banda junto, mas já tínhamos convivido bastante e feito muitas coisas juntos. Por isso, ele foi a escolha mais coerente. Também coincidiu com o momento em que ele estava de volta ao Brasil e disposto a entrar nesse novo projeto. Tudo aconteceu de forma muito natural. A aceitação do público foi muito positiva. O Lucas já é um cara muito querido por conta dos trabalhos anteriores e da carreira que construiu. As pessoas gostaram muito de vê-lo cantando as músicas antigas e nós também curtimos bastante como elas soaram na voz dele. E as músicas novas ficaram ainda mais fortes. Eu sou fã dele há muito tempo, principalmente pela forma como escreve e pela visão que tem nas letras. Acho que as pessoas vão gostar muito dessa fusão que aconteceu. Qual a história por trás do nome “O Agora Que Cobra Viver”? Para ser sincero, a gente não tinha um nome definido para o álbum. Fomos fazendo as músicas e desenvolvendo o projeto até chegar o momento em que precisávamos decidir isso para avançar com a arte e toda a identidade visual. Sempre é uma escolha difícil porque o nome precisa soar forte, fazer sentido e agradar todo mundo da banda. “O Agora Que Cobra Viver” surgiu a partir de um trecho da música “Decisão”, a segunda faixa do disco. No refrão existe a frase “do agora que cobra viver” e aquilo
Maroon 5 anuncia shows no Brasil; veja datas e locais

Atração do Rock in Rio, o Maroon 5 anunciou mais três shows no Brasil em setembro. Em São Paulo, a banda se apresenta no Nubank Parque, antigo Allianz, no dia 8. Os ingressos serão disponibilizados na plataforma Ticketmaster. Há duas pré-vendas para portadores de cartões do banco Santander nesta semana. A primeira, exclusiva para contas Select e Private, começa nesta sexta (29), às 10h. Já a segunda, voltada para os demais clientes, será no sábado (30), no mesmo horário. É permitido comprar quatro ingressos por CPF, sendo duas meias-entradas.A venda geral será aberta na próxima segunda (1º), também às 10h. É permitido comprar até seis tíquetes por CPF, limitados a duas meias-entradas. Na modalidade inteira, os ingressos vão de R$ 480, na cadeira superior, a R$ 950, na pista premium. Para assistir ao show na cadeira inferior, é preciso desembolsar R$ 790. Já a pista custa R$ 590. Os valores não incluem taxas. Em passagem pelo Brasil, a banda será atração do festival Rock in Rio, que acontece em setembro. O grupo toca no Palco Mundo, no dia 12, no Parque Olímpico, além de se apresentar em São José do Rio Preto, no dia 6, e em Salvador, no dia 10.*Maroon 5Nubank Parque – av. Francisco Matarazzo, 1.705, Água Branca, região oeste. 8/9. Ingressos em Ticketmaster
Entrevista | Rogério Skylab: “Eu nunca tive tesão por bolhas”

Ele tem mais de 30 anos de estrada, uma personalidade cirurgicamente provocativa e adotou como sobrenome artístico uma nave espacial estadunidense que orbitava a Terra sem que ninguém soubesse direito onde iria cair. Rogério Skylab, batizado Rogério Tolomei Teixeira, é dono de uma das discografias mais extensas, complexas e intrigantes da música brasileira. São mais de 30 álbuns lançados desde 1992, sendo o denso Mesa de Dissecação (2025) o seu trabalho mais recente. E fica o primeiro spoiler: o músico já está debruçado na produção de um novo disco durante suas madrugadas em claro. Prestes a desembarcar na Baixada Santista, Skylab está cruzando o país com a turnê que celebra os 20 anos do emblemático álbum Skylab IV. Nesta sexta-feira (29), será a vez de Santos receber o espetáculo no palco do Arena Club. Já separou o seu maço de cigarro? O segundo spoiler é que, sim: além de executar o clássico disco de 2006 na íntegra, Skylab incluirá no repertório os maiores sucessos de sua trajetória, como a indefectível Tem Cigarro Aí? Em um papo que transita entre Charles Baudelaire, a ilusão do circuito underground, obsessões artísticas e a busca pelo grande público, confira abaixo a entrevista completa de Rogério Skylab ao Blog n’ Roll! Você tem uma ligação muito forte com o Programa do Jô. Afinal, foram dez anos fazendo o lançamento dos seus álbuns no talkshow: do Skylab I ao Skylab X. Mesmo que atualmente a internet e as redes sociais sejam mais fortes do que a TV, você ainda considera programas de entrevista importantes para o artista independente? Para o artista independente, tudo é importante. Eu te confesso que não faço diferença entre podcasts e televisão aberta, entendeu? Não faço diferenciação, para mim, é tudo veículo de divulgação e de informação. Então, acho que para o artista independente tudo é válido e ele não tem que ficar escolhendo ou fazendo distinção. Isso é o que penso. E falando em programa de TV, você teve o seu. O Matador de Passarinhos foi transmitido no Canal Brasil entre 2010 e 2013, e recebeu nomes como Elza Soares e Rita Cadillac. Você faria algo parecido nos dias de hoje, como em um canal do YouTube, por exemplo? Confesso que, hoje em dia, não me interessa não. Atualmente, estou mais interessado em participar deles, em receber convites e ir como convidado. Prefiro dessa forma do que dirigir o meu próprio programa, porque isso requer muito tempo e o meu trabalho com a música, seja em estúdio gravando ou na estrada com os shows, já me ocupa um espaço imenso na agenda. Então, hoje não me interessaria em fazer um programa nos moldes do Matador de Passarinhos. É por uma questão de tempo mesmo, eu não tenho mais essa disponibilidade que tinha antigamente (risos). Então é isso, não faria. Você apresentava um podcast no Spotify ao lado de Marcos Lacerda, o Contemporâneos. Nele, vocês analisavam discos da música contemporânea brasileira lançados dos anos 2000 para cá. Queria saber quais os discos contemporâneos brasileiros que mais te surpreenderam (não precisa necessariamente ter sido analisado no podcast). De fato, eu fazia esse programa com o Marcos Lacerda, que é um sociólogo, professor e escreveu alguns livros excelentes sobre a canção, um sobre o Vitor Ramil e outro sobre o Ronaldo Bastos. Ele também é uma pessoa que, como eu, se preocupa muito com a construção da canção. Para mim, foi fundamental fazer esse projeto. Nós estruturamos uma série: relacionamos vários artistas e vários discos compreendendo esse período de tempo de 2000 até os dias de hoje. Gravamos uma boa parte, mas infelizmente, por questão de agenda dos envolvidos (inclusive a minha), tivemos que interromper o programa. Foi uma pena, porque tínhamos uma longa lista a fazer. Desses discos analisados, eu destaquei algumas bandas e artistas. Por exemplo, o Cidadão Instigado, que tem um disco cujo título é uma língua estranha, UHUUU! [risos], e que me chamou muita atenção. São tantos que eu não conseguiria listar todos os que me impressionaram, mas o Lucas Santana, com o álbum Sem Nostalgia, é outro belíssimo, inclusive pelas questões que suscita. A música popular brasileira é palpitante, borbulhante. Quem diz que hoje em dia não se produzem mais artistas como antigamente são pessoas extremamente nostálgicas e preguiçosas [risos], que não gostam de pesquisar. A internet está aí, fornecendo uma relação imensa de novos nomes muito importantes. Falamos de música contemporânea… agora, vamos voltar um pouquinho no tempo. Recentemente, você disse em uma entrevista que a sua origem é a MPB, ou seja, você consumia muita MPB, sobretudo na época em que a vertente “dominava” o país. E foi só a partir dos anos 1990 que você passou a ouvir rock. Como começou essa transição? Quais foram as bandas e artistas que mais te chamaram atenção? De fato, a minha origem é a MPB. Se você ouvir o meu primeiro disco, Fora da Grei, vai ver que ele se banha totalmente na tradição da MPB. Hoje, se você assistir ao show que eu venho fazendo, ele está intimamente ligado ao rock. É uma porradaria [risos], digamos assim. Mas essa virada foi nos anos 1990, justamente no período em que comecei artisticamente. Meu debut foi em 1992 e, naquele momento, passei a me interessar pelo rock. Talvez o Nirvana tenha sido o primeiro estalo, mas eu gostava mesmo era do rock experimental: Captain Beefheart, Frank Zappa e, um pouco mais moderno, o John Zorn. São todos ligados a essa vertente experimental que sempre me interessou. O Nirvana era um pouquinho menos experimental, mas esses outros nomes representam essa corrente que me pegou. Em uma entrevista ao Jô, em 2003, ele perguntou o que leva você a fazer músicas. E você disse que é uma questão de obsessão. Hoje, 23 anos depois, o Skylab daria uma resposta diferente para essa pergunta? Lamento informar que a minha resposta hoje seria exatamente igual [risos muito sinceros]. Idêntica! É isso, porque quando você pensa em arte, você tem que saber na marra
Matheus Torres explora a nostalgia no novo clipe “Se Você Soubesse”

O cantor e compositor Matheus Torres lançou o clipe de Se Você Soubesse, canção que faz parte de seu mais recente álbum, Tanta Pressa, lançado em março deste ano. Uma balada folk que se desenvolve até chegar em um refrão com abordagem de rock, a faixa é um dos momentos mais delicados do novo trabalho de Matheus, com letra que traz uma carga de afeto, saudade e carinho. “Essa música pode falar de um amor romântico, mas também de um filho, de uma criança, de um cachorro, de um familiar ou de qualquer presença que traga aconchego, luz e sentido”, comenta o artista. Assim, o clipe propõe um clima intimista que acompanha a música. O vídeo se inicia em um espaço onde duas projeções de Matheus Torres são apresentadas a ele próprio: uma vinda do espelho, que reflete a sua imagem; e outra, na parede, apresenta cenas do artista reproduzindo a canção ao violão, tendo a noite iluminada de São Paulo ao fundo. No decorrer do clipe, a projeção na parede ganha protagonismo, com a câmera se movimentando ao redor da performance do artista e, depois, voltando para o espaço inicial do clipe, dando à narrativa um tom de memória e nostalgia. Conectado à canção, que fala de um sentimento de carinho por outra pessoa, o clipe, com imagens da cidade e de Matheus, busca partir da intimidade para tocar o coletivo, evocando lembranças, associações e sentimentos que são comuns ao ser humano. “Se Você Soubesse é, para mim, um dos clipes mais bonitos do projeto porque evoca um sentimento muito presente na minha vida: a nostalgia. Poder construí-lo nesse formato, mostrando literalmente uma pessoa diante de uma imagem do próprio passado, me aproxima muito desse lugar. Minha vontade foi que isso também atravessasse a tela — não necessariamente como nostalgia pelo vídeo em si, mas como um disparador de memórias, afetos e lembranças que cada pessoa carrega dentro da própria história”, afirma Matheus.
Demi Lovato esgota primeira data e anuncia show extra em São Paulo

Após os ingressos para a apresentação do dia 15 de setembro esgotarem rapidamente, a cantora Demi Lovato confirmou um show extra em São Paulo. A nova apresentação acontece no dia 16 de setembro de 2026 (quarta-feira), no palco da Suhai Music Hall. Os shows fazem parte da turnê It’s Not That Deep, que divulga o seu nono álbum de estúdio, It’s Not That Deep (Unless You Want It to Be). O trabalho marca o retorno de Demi à sonoridade dance-pop e eletrônica de seus primeiros anos de carreira, trocando o peso das guitarras de seus últimos projetos por batidas feitas para dançar. Como a primeira noite já está completamente esgotada, as vendas de ingressos para a data extra começam nesta sexta-feira (29), a partir das 10h online e às 11h na bilheteria oficial física. O repertório do show é ancorado por faixas elegantes e sensuais que já caíram no gosto do público, como o single eletro-pop Fast, o hino de libertação Here All Night e a irresistível Kiss, canção muito pedida pelos fãs que inspirou o título do projeto. No palco, essas batidas ganham o suporte indispensável da voz poderosa e limpa de Demi, que preparou novos arranjos ao vivo para as apresentações desta turnê, além de apresentar a inédita Low Rise Jeans no setlist. Cronograma de vendas (show extra) Serviço: Demi Lovato em São Paulo
Jack Antonoff faz do amor o centro de “everyone for ten minutes”, novo álbum do Bleachers

Jack Antonoff nunca foi exatamente discreto. Seja produzindo discos para Taylor Swift, Lana Del Rey ou Sabrina Carpenter, o produtor transformou a própria assinatura em uma das mais reconhecíveis do pop moderno. São 11 discos com Taylor, três com Lana, dois com Sabrina e uma fila interminável de artistas tentando capturar aquele misto de nostalgia, sintetizadores e melancolia suburbana que ele ajudou a transformar em tendência. Só que em “everyone for ten minutes”, o novo álbum do Bleachers, Antonoff parece menos preocupado em criar o próximo grande momento pop da internet e mais interessado em escrever cartas de amor para Margaret Qualley, a famosa atriz do filme A Substância. E isso muda tudo. O disco inteiro soa como alguém finalmente confortável dentro da própria vida. Não existe mais aquela ansiedade juvenil de “Gone Now” ou a necessidade de transformar qualquer refrão em um hino de estádio. Aqui, Jack troca a grandiosidade pelo detalhe. É um álbum sobre casamento, memória, rotina, saudade e a estranha sensação de perceber que os sonhos continuam existindo mesmo depois da vida adulta chegar. Muito disso passa diretamente por Margaret. “you and forever”, talvez a música mais imediatamente apaixonante do disco, já entregava isso desde o lançamento do single. O clipe estrelado pela atriz praticamente transformava a faixa em uma declaração pública de amor. Mas o interessante é como essa devoção aparece espalhada pelo álbum inteiro. “dirty wedding dress” parece dialogar diretamente com “Margaret”, a música que ele escreveu com Lana Del Rey alguns anos atrás. “sideways”, “take you out tonight”, “she’s from before” e “I’m not joking” também carregam essa sensação de intimidade quase doméstica, como se Antonoff estivesse transformando pequenos momentos do relacionamento em música. Faz sentido vindo de alguém que já havia escrito “Tiny Moves” e “Merry Christmas, Please Don’t Call” pensando nela. E talvez seja justamente isso que faz “everyone for ten minutes” soar diferente do resto da discografia do Bleachers. É um disco menos preocupado em parecer importante. Enquanto muita gente ainda espera que Jack entregue outro “Don’t Take The Money” ou “Rollercoaster”, ele parece mais interessado em fazer músicas que respiram. Tem momentos em que o álbum soa quase cansado da internet, cansado da necessidade de virar trend, cansado da hiperexposição. “We Should Talk” é um ótimo exemplo disso. A música cresce devagar, quase como uma conversa desconfortável que ninguém queria ter. Já “I’m Not Joking” entra facilmente entre as coisas mais interessantes que Antonoff fez nos últimos anos. Tem alma, tem groove, tem aquele clima meio soul melancólico que encaixa perfeitamente na proposta do álbum. “Dirty Wedding Dress” provavelmente é o ponto onde tudo funciona melhor. É nostálgica sem virar caricatura e romântica sem parecer calculada. Parece música feita de madrugada, pensando demais na própria vida. E isso vale como elogio. Ao mesmo tempo, “everyone for ten minutes” talvez seja o disco mais divisivo da carreira do Bleachers. Parte da crítica ainda enxerga Jack preso demais na própria estética “Bruce Springsteen encontra synthpop sentimental”. Outra parte vê justamente aí o charme do álbum. Pra mim, funciona porque dá para ver que existe verdade ali. Jack Antonoff poderia facilmente continuar vivendo apenas como o produtor mais requisitado do pop atual. Mas o Bleachers continua existindo justamente porque parece ser o único espaço onde ele realmente escreve sem filtro. E “everyone for ten minutes” soa exatamente assim: um disco íntimo, apaixonado, melancólico e estranho na medida certa. O texto contou com colaboração de Fernanda Melo.
Novo álbum Blue Morpho mostra Ed O’Brien longe das sombras do Radiohead

Ed O’Brien sempre foi aquele tipo de músico que parecia confortável em ficar na sombra. Mesmo sendo peça fundamental do Radiohead, nunca teve a necessidade de disputar protagonismo com Thom Yorke ou Jonny Greenwood. Mas Blue Morpho mostra justamente o contrário do que muita gente imaginava: talvez ele só estivesse esperando o momento certo para construir algo realmente pessoal. E aqui não existe pressa. O disco inteiro parece respirar no tempo dele próprio, como uma caminhada sem destino em meio a uma floresta úmida no interior do País de Gales. Se Earth ainda soava como um artista procurando identidade fora da própria banda, Blue Morpho finalmente encontra esse lugar. E não por acaso. O álbum nasce de um período de depressão profunda vivido por Ed após a pandemia, transformando sessões longas de guitarra, isolamento e contemplação em combustível criativo. A produção de Paul Epworth ajuda a transformar essa vulnerabilidade em paisagens sonoras que flutuam entre psych folk, ambient, trip hop e texturas cinematográficas. “Incantations” abre o disco como um mantra hipnótico de quase oito minutos, enquanto a faixa-título transforma guitarras e cordas em algo quase líquido, guiado pela ideia de cura através da natureza. Em muitos momentos, Ed parece menos interessado em construir músicas tradicionais e mais focado em provocar sensação. Talvez por isso os vocais frequentemente apareçam escondidos no meio da mixagem, quase como mais um instrumento dentro daquele universo nebuloso. E funciona. Blue Morpho tem aquela atmosfera de disco feito para ser absorvido lentamente, sem ansiedade por refrão ou explosão. “Teachers” quebra um pouco essa névoa contemplativa com um groove mais pulsante, quase krautrock em alguns momentos, enquanto “Solfeggio” e “Thin Places” mergulham de vez em um estado meditativo que beira o espiritual. Tudo culmina em “Obrigado”, faixa de quase dez minutos que encerra o álbum como um transe lento e emocional. É ali que Ed finalmente abandona parte da contenção e deixa a guitarra falar de forma mais emotiva, sem perder a elegância minimalista que domina o restante do trabalho. Existe também uma sensação constante de renascimento atravessando o disco inteiro. Não à toa, Blue Morpho marca o primeiro trabalho solo lançado oficialmente sob o nome Ed O’Brien, abandonando a sigla EOB usada em Earth. Parece detalhe, mas simboliza exatamente o que o álbum representa: um músico que finalmente parou de se esconder atrás do papel de coadjuvante. Blue Morpho não tenta ser “o disco solo do guitarrista do Radiohead”. E talvez esse seja justamente o maior mérito dele. Ao invés de perseguir grandiosidade ou experimentalismo exagerado, Ed O’Brien entrega um álbum profundamente humano, contemplativo e melancólico. Um trabalho que parece existir muito mais para sentir do que para entender.
Atração do Rock in Rio, Jamiroquai confirma show em São Paulo

Liderado pelo carismático e enigmático vocalista Jay Kay, o Jamiroquai fará um show único no estádio do Allianz Parque, em São Paulo, no dia 13 de setembro de 2026 (domingo), além de se apresentar como headliner do Palco Sunset no Rock in Rio, no dia 11 de setembro. A turnê sul-americana, produzida pela 30e e apresentada pela plataforma Itaú Live, acontece em um momento extremamente simbólico para o grupo: em 2026, a banda celebra os 30 anos do lançamento do mega-hit Virtual Insanity, hino que os catapultou ao estrelato mundial em 1996, e finaliza os últimos detalhes de seu nono álbum de estúdio, o primeiro com material inédito em nove anos. Legado de “Space Cowboys” O Jamiroquai aterrissou na cena musical em 1992 com o single When You Gonna Learn, apresentando uma fusão inovadora e até então inédita de jazz-funk, soul e disco, com letras que já alertavam sobre as mudanças climáticas e o consumo desenfreado. O sucesso comercial foi avassalador: o álbum Travelling Without Moving (1996) entrou para o Livro dos Recordes como o álbum de funk mais vendido da história da música, impulsionado pelo clipe revolucionário de Virtual Insanity, que limpou as prateleiras do VMA da MTV e rendeu um Grammy à banda. Ao longo de sua jornada, o Jamiroquai se consolidou como uma das maiores forças de exportação musical do Reino Unido, sobrevivendo às modas do mercado e acumulando quase 2 bilhões de streams globais e mais de 5,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify. No show do Allianz Parque, os fãs paulistas podem esperar um setlist recheado de clássicos absolutos como Cosmic Girl, Space Cowboy, Deeper Underground e Canned Heat, entregues com o vigor, o balanço e a precisão instrumental que tornam o Jamiroquai uma das melhores bandas de palco do planeta. Descontos especiais para clientes Itaú Os clientes dos cartões de crédito Itaú contarão com um benefício pesado: 30% de desconto no valor de ingressos inteira (limitado a 4 ingressos por CPF e sujeito à disponibilidade de lote), além da facilidade de parcelamento em até 3x sem juros. Preços e setores (Allianz Parque) Setor Inteira Meia-Entrada Desconto Itaú (30%) Hot Seat R$ 945,00 R$ 472,50 R$ 661,50 Pista Premium R$ 895,00 R$ 447,50 R$ 626,50 Cadeira Inferior R$ 645,00 R$ 322,50 R$ 451,50 Pista R$ 445,00 R$ 222,50 R$ 311,50 Cadeira Superior R$ 345,00 R$ 172,50 R$ 241,50 Cronograma de vendas para o show do Jamiroquai Fique atento aos prazos para garantir o seu lugar logo nos setores iniciais: Pré-venda clientes Itaú Unibanco: Venda geral: