Fausto Fawcett apresenta o espetáculo “Animakina” no Blue Note com Edgard Scandurra

O bardo do cyberpunk nacional, o homem que transformou Copacabana e o subúrbio carioca em uma distopia de ficção científica nos anos 1980, está de volta a São Paulo. Nesta quinta-feira (28), Fausto Fawcett sobe ao palco do Blue Note, na Avenida Paulista, para apresentar o espetáculo Animakina. Muito além de um show convencional de rock, a apresentação é uma performance que funde literatura falada (spoken word), música eletrônica pesada e artes visuais em tempo real. Para tornar a noite ainda mais histórica, o palco paulistano receberá a participação especial de uma das guitarras mais inventivas do país: Edgard Scandurra (Ira!). Retorno do “Cabaré Cyberpunk” Famoso por hinos oitentistas como Kátia Flávia (A Godiva do Irajá) e Rio 40 Graus, Fausto Fawcett sempre usou o palco como uma trincheira de experimentação. Em Animakina, clássicos de sua discografia reaparecem reconfigurados sob uma estética industrial e eletrônica contemporânea. A engrenagem sonora do espetáculo é comandada por Paulo Beto (produtor do projeto Anvil FX) nas guitarras e teclados, acompanhado pelo peso do baixo, sax e voz de Mari Cristani. A imersão visual fica a cargo do pioneiro do videomapping Jodele Larcher e do artista Igor Peticov, que controlam projeções ao vivo que transformam o palco em uma verdadeira instalação de arte tecnológica. Parceria com Edgard Scandurra A presença de Edgard Scandurra adiciona uma voltagem extra ao espetáculo. O guitarrista do Ira! dividirá as seis cordas com a banda em três canções. O grande destaque do encontro é o resgate de Louco, Doido Varrido, uma raridade de Scandurra que estava guardada há anos e que agora retorna aos palcos em sua máxima potência rítmica. Para Scandurra, trabalhar ao lado do cronista carioca é um rito de purificação artística: “Quando sou convidado pelo Fausto Fawcett para qualquer projeto, sinto que subo alguns degraus na minha evolução como artista, porque ele é um cara que faz a sua arte do jeito que eu acho corretíssimo. Sem alarde, publicidades exageradas, apenas poesia. Apenas arte. Isso é maravilhoso!”, elogia o guitarrista. * Serviço: Fausto Fawcett – “Animakina”

Robert Plant encerra C6 Fest com show irretocável focado no folk e resgate sutil do Led Zeppelin

Robert Plant

Ficou para Robert Plant, lendário vocalista do Led Zeppelin, o encerramento da noite de domingo (24) na Arena Heineken, o palco principal montado do C6 Fest no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Há muito tempo distante dos gritos explosivos que o transformaram em uma das vozes mais emblemáticas da história do rock, o britânico vive, desde os anos 1990, uma fase totalmente voltada à exploração de sonoridades que genuinamente dialogam com seu atual momento artístico. Ao lado da cantora Suzi Dian e de sua banda de apoio, a Saving Grace, Plant agora mergulha em sonoridades muito mais suaves, explorando de forma profunda influências da música americana, da tradição celta e do folk britânico, em um álbum justamente batizado de Saving Grace. Coube à capital paulista receber o último show da turnê de divulgação desse projeto. Conhecido historicamente como o “Deus Dourado”, Plant subiu ao palco pontualmente às 20h30 e mostrou exatamente porque o apelido ainda faz todo sentido. Com a serenidade de quem atravessou o auge da música popular e não demonstra interesse em reviver o passado a qualquer custo, o cantor deixou claro logo na abertura do show, com a faixa The Very Day I’m Gone, que sua antiga persona rockeira ficou definitivamente para trás. Maturidade e a contenção vocal Normalmente, artistas que construíram suas carreiras inteiras apoiados na potência vocal do rock clássico acabam enfrentando o peso do tempo de forma evidente e prejudicial. Não é o caso de Robert Plant. O músico britânico encontrou uma nova maneira de cantar, sem exageros ou tentativas frustradas de alcançar notas altas que já não pertencem mais à sua voz atual, transformando justamente essa contenção técnica em sua principal força no palco. Sua interpretação no C6 Fest remeteu muito mais às baladas calmas do Led Zeppelin do que aos momentos mais explosivos da banda setentista, mas agora carregada pela maturidade de alguém que entende exatamente os limites e as reais possibilidades da própria voz. Outro sinal claro de sua “divindade” artística esteve na forma magnética como Plant conduziu o público paulistano ao longo de toda a apresentação, amparado apenas por sua presença imponente e carismática. Em músicas como It’s a Beautiful Day Today, o silêncio absoluto entre uma nota e outra era perfeitamente audível no Parque do Ibirapuera, mesmo diante de uma imensa multidão. Todos permaneciam quietos, compenetrados e atentos a cada nota do dueto afinado entre Plant e Suzi Dian. Generosidade e simplicidade no palco Apesar dessa aura quase mística que carrega no palco, impressiona a generosidade que Robert Plant demonstra com o público e com seus companheiros de banda. Essa postura ficou evidente em diferentes momentos da noite no Ibirapuera: Nem mesmo a tentativa de uma fã, que tentou invadir o palco para abraçá-lo à força, tirou a calma e a humildade que o lendário frontman demonstrou durante toda a apresentação no festival. Legado do Led Zeppelin reimaginado Talvez como o maior defensor moral de todo o espólio do Led Zeppelin, Plant não deixou a história de lado e tocou versões de músicas de sua antiga banda, porém todas completamente adaptadas à sua nova maneira de cantar e explorar sua musicalidade folk. Assim, os clássicos históricos: Todas elas ganharam versões novas e suaves, que remetem perfeitamente às suas formas originais de estúdio, mas agora com a graça e a leveza que o nome de sua banda atual, Saving Grace, ostenta. “Faz muito tempo desde que eu toquei um rock and roll.” Com uma performance considerada irretocável do início ao fim, Robert Plant escolheu justamente o clássico Rock and Roll para encerrar sua apresentação no C6 Fest. E aqui, no Parque do Ibirapuera, a letra desse clássico ganhou outro significado na atual fase de vida do cantor: “Faz muito tempo desde que eu toquei um rock and roll”. E tudo bem, Robert Plant. Essa sua nova forma de existir e criar na música contemporânea também tem muito a oferecer.

Beirut aposta em chamber pop e versão de Caetano Veloso para aquecer C6 Fest

Beirut

Dando sequência às atrações da Arena Heineken no domingo (24), o segundo dia do C6 Fest, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, foi a vez dos americanos do Beirut se apresentarem ao público brasileiro. Liderado por Zach Condon, o grupo opera no palco quase como uma pequena orquestra, combinando com maestria os gêneros do chamber pop e do folk lo-fi em canções conhecidas por sua atmosfera melancólica e delicada. O som da banda é construído minuciosamente a partir de instrumentos de sopro e cordas, como o ukulele e o violão, que se entrelaçam em arranjos suaves. Desafios do som e a apoteose em português Prejudicado pelo volume excessivamente baixo do palco principal do C6 Fest, o Beirut enfrentou dificuldades e demorou para criar a atmosfera necessária para que sua música de tons sutis envolvesse um público numeroso como o de um festival de grande porte. Em uma apresentação inicialmente morna por conta das condições técnicas, a empolgação da plateia paulistana cresceu de verdade apenas nos momentos finais do show. O ápice foi impulsionado pela bela versão de Leãozinho, clássico de Caetano Veloso, que foi cantada por Zach Condon em um português impecável, garantindo a conexão final com o público no Ibirapuera.

Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi fazem encontro histórico no C6 Fest

Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi

No cenário principal do C6 Fest, a Arena Heineken recebeu no domingo (24), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, um encontro de gigantes da música brasileira. Os cariocas dos Paralamas do Sucesso dividiram o palco com os pernambucanos da Nação Zumbi. De início, os Paralamas apresentaram clássicos incontestáveis de sua discografia, como Lanterna dos Afogados e Uma Brasileira, cantadas espontaneamente por um público que já incorporou essas composições ao inconsciente popular. No palco, Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro estavam acompanhados pelos tradicionais instrumentos de sopro, que enriquecem o consagrado rock com ska da banda. União dos ritmos no Ibirapuera O ponto alto da apresentação, porém, foi a entrada da Nação Zumbi. Após uma introdução sólida, Paralamas e Nação se uniram para apresentar versões pesadas e grooveadas de: A combinação funcionou de maneira totalmente natural. As sonoridades das duas bandas convergiram no palco principal, e a plateia respondeu com muito entusiasmo. Depois de mais uma sequência de músicas dos Paralamas sozinhos, a Nação Zumbi retornou ao palco para executar, ao lado da banda carioca, os hits O Calibre e Manguetown, ambas potencializadas pela bateria sempre certeira e marcante de João Barone. Equívoco da produção no encerramento A única mancha da apresentação veio de um equívoco direto da produção do festival, que desligou o microfone de Herbert Vianna antes que ele pudesse se despedir do público e comentar o encontro histórico proporcionado pelo C6 Fest no Parque do Ibirapuera. Herbert Vianna e os demais músicos no palco mereciam, sem dúvida, um encerramento melhor.

Benjamin Clementine traz poesia, spoken word e conexão com o público no C6

Benjamin Clementine

Cada vez mais consolidado entre os grandes festivais de música do país, o C6 Fest teve sua edição de 2026 encerrada neste domingo (24), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O evento se destaca pelo DNA de sua curadoria corajosa em plena evidência, unindo nomes da velha guarda a artistas que despontam em cenas menos populares da música contemporânea. Sem apostar nas atrações mais populares do rock e do pop atual, como fazem Lollapalooza e Rock in Rio, por exemplo, o C6 Fest mira artistas em ascensão e veteranos que seguem influenciando e reverberando na música de hoje. Trata-se de um “lado B” que tem muito a oferecer. Naturalmente, isso causa estranhamento em quem olha o cartaz do festival e desconhece boa parte dos nomes presentes ali. Ainda assim, é justamente essa disposição do C6 em fugir do óbvio que o transforma em um dos festivais mais relevantes do circuito brasileiro. Experiência sonora com Benjamin Clementine na Tenda MetLife Entre os artistas que passaram pela Tenda MetLife no domingo (24), durante o segundo e último dia do festival no Parque do Ibirapuera, esteve o britânico Benjamin Clementine, dono de uma sonoridade difícil de rotular. Suas composições, centradas no piano, remetem ao soul de Nina Simone, mas filtradas por batidas eletrônicas e por um vocal que, por vezes, se aproxima do spoken word. Extremamente participativo com o público, Benjamin demonstrou gratidão pelos aplausos efusivos vindos da plateia paulistana. Seja sentado ao piano, seja de pé conduzindo o microfone, o artista entregou uma apresentação sóbria, que exigia do público imersão para absorver a poesia e a sutileza de faixas como Toxicaliphobia e Condolence. Esta última, inclusive, contou com o refrão adaptado para o português e foi inteiramente acompanhada em coro pela plateia presente no Ibirapuera.

Ecca Vandal lança álbum de estreia gravado em quarto de infância

Se você está cansado de lançamentos previsíveis e fórmulas de algoritmo, a sua nova obsessão musical acaba de ganhar nome, sobrenome e um disco de estreia avassalador. A cantora e compositora Ecca Vandal lançou pelo prestigiado selo Loma Vista Recordings o álbum Looking For People To Unfollow. O trabalho é a perfeita tradução do caos controlado: um disco calcado no punk rock, mas que não tem o menor medo de colidir com o hardcore, o jazz, o reggaeton e até batidas tradicionais de bhangra indiano. Manifesto da desconexão digital O conceito do álbum está diretamente ligado à forma como ele foi concebido. Cansados da pressão constante por métricas, redes sociais e a necessidade de “permanecer visível” no feed, Ecca e o produtor Richie Buxton tomaram uma decisão radical: desligaram os celulares e isolaram-se por quase dois anos no quarto de infância de Richie. Com uma internet dolorosamente lenta que impossibilitava o uso de redes sociais, o quarto virou um universo particular e livre de expectativas mercadológicas. “Nós eliminamos tudo o que não nos servia. Aquele pequeno quarto acolheu todo o nosso caos e toda a nossa clareza. Um pequeno espaço onde podíamos brincar e experimentar como adolescentes novamente. Queríamos celebrar o formato longo, a ideia de um álbum como uma obra completa de arte”, revela Ecca. Do treinamento de jazz à fúria de Fugazi A bagagem de Ecca Vandal explica sua versatilidade sem limites. Nascida em uma família de origem cingalesa na África do Sul e criada na Austrália, ela cresceu ouvindo soul, gospel e música do sul da Índia. Mais tarde, recebeu treinamento formal de jazz no Victorian College of the Arts. Foi na faculdade de música que alguns colegas lhe apresentaram a fúria e o experimentalismo de Radiohead, Fugazi, Pixies e Björk. Esse choque estético mudou sua percepção sobre a expressão de sentimentos na música. Para Ecca, a lendária Billie Holiday e Ian MacKaye (do Fugazi) carregam exatamente a mesma urgência e expressividade vocal. Essa colisão de mundos transborda no disco. Faixas como Eyes Shut e Dance in Debt trazem guitarras estridentes de skate rock e a fúria do d-beat, enquanto a colossal Do it Anyway constrói um hino de libertação feminina em cima de uma batida pesada de reggaeton. Conquistando as arenas do mundo Se você ainda não ouviu falar dela, as maiores bandas do planeta já ouviram. Ecca Vandal e sua banda de apoio já excursionaram ao lado de gigantes como Queens of the Stone Age, IDLES, The Prodigy e, recentemente, fizeram barulho no festival Coachella. Atualmente, ela está na estrada como show de abertura oficial dos shows do Deftones e do Limp Bizkit e, em breve, embarca para uma maratona de festivais de verão na Europa, incluindo os icônicos Rock am Ring (Alemanha), Roskilde (Dinamarca) e Pinkpop (Holanda). No fim de 2025, aliás, foi uma das atrações de abertura do show do Limp Bizkit no Allianz Parque, em São Paulo.

Santista Balara divide os vocais com Jorge Vercillo no single “Algo Me Diz”

Na música popular brasileira, o caminho mais comum costuma ser o artista da nova geração gravando ou regravando clássicos de grandes mestres consagrados. Porém, o cantor e compositor santista Luccas Trevisani, mente criativa por trás do projeto Balara, acaba de inverter essa lógica de mercado. O ícone da MPB Jorge Vercillo se encantou pela sensibilidade de uma composição de Luccas e o convidou para registrar a canção em um dueto inédito. A faixa escolhida foi Algo Me Diz, que acaba de chegar às plataformas digitais acompanhada de um videoclipe intimista, gravado na residência de Vercillo, no Rio de Janeiro. Reconhecimento de Jorge Vercillo Jorge Vercillo, dono de hits imortais como Monalisa, Ela Une Todas as Coisas e Homem Aranha, não poupou elogios ao talento do músico santista. Para o veterano, a canção tem uma força melódica e lírica rara na produção atual. “O que me chamou atenção foi principalmente esse mote, Algo Me Diz. Isso abre muitas possibilidades, deixa em aberto muitas questões e é muito instigante. A letra é muito boa, a melodia é muito boa. Senti que o Balara é um artista completo. Não só como letrista e melodista, toca um violão muito rico, muito bom, mas também é um excelente intérprete”, exalta Vercillo. Força do independente Mesmo atuando de forma totalmente independente, o Balara tem construído uma base sólida de fãs ao redor do mundo. O projeto já soma mais de 700 mil ouvintes mensais no Spotify e ultrapassou a marca de 47 milhões de execuções globais. Inclusive, a faixa Algo Me Diz já havia demonstrado seu poder de conexão com o público em versões anteriores, acumulando mais de 20 milhões de plays. Para Luccas Trevisani, ter a sua assinatura como compositor validada por um de seus ídolos é o maior prêmio de sua trajetória. “Ter o Jorge Vercillo escolhendo e gravando uma música minha é algo muito significativo. Ser reconhecido por um dos maiores artistas da MPB de todos os tempos é uma grande honra e também um sinal de que estou no caminho certo. É uma validação artística que me motiva ainda mais a seguir criando”, revela o compositor. Sintonia fina entre MPB, pop e reggae Produzida com extrema elegância, Algo Me Diz equilibra a sofisticação harmônica da MPB tradicional com a leveza do pop solar contemporâneo, flertando sutilmente com o reggae. É um som que transmite frescor, calma e otimismo. O videoclipe traduz essa mesma organicidade. Gravado em clima descontraído na casa de Vercillo, o registro visual foca na interação real dos músicos, mostrando a fusão da voz suave do anfitrião com a interpretação visceral de Luccas, amparados por arranjos de violão de nylon muito bem desenhados.

Fito Páez celebra a vida e lança o álbum de renascimento “Shine”

Há artistas cuja vida corre em paralelo com a própria intensidade de suas composições. Para o mestre argentino Fito Páez, um dos maiores nomes da história do rock latino-americano, o ano de 2025 guardou um de seus capítulos mais dramáticos e, ao mesmo tempo, transformadores. No início de setembro do ano passado, Fito sofreu um grave acidente doméstico que resultou na fratura de nove costelas, exigindo uma cirurgia complexa e meses de repouso absoluto. Dessa temporada forçada de silêncio e reflexão nasceu Shine, o seu mais novo álbum de estúdio que acaba de chegar às plataformas digitais, além de edições físicas em CD e vinil. Composto por 13 faixas inéditas, o disco funciona como um verdadeiro manifesto de resiliência e um agradecimento por estar vivo, lúcido e ativo. Retorno à essência analógica dos anos 70 Em Shine, Fito Páez deixa de lado as produções excessivamente digitais para abraçar o calor do rock n’ roll clássico, do R&B e da soul music. O álbum é um combate direto ao entorpecimento social e à alienação tecnológica atual, defendendo o valor do abraço, das relações fraternas e da amizade real. O silêncio do período de recuperação física e espiritual do músico é traduzido de forma belíssima na estrutura do álbum. Três peças instrumentais, que funcionam como abertura, interlúdio e encerramento, com Fito sozinho ao piano, pontuam a obra. Cada uma delas termina com um sussurro: “Hablame” (Fale comigo), como um apelo por conexão humana após o isolamento. Faixa a faixa: as histórias de “Shine”

Lemuriano lança o solar e poético EP “Dança da Maré”

O cantor, compositor e poeta fluminense Lemuriano acaba de lançar o EP Dança da Maré, um projeto autoral de seis faixas que nasceu de uma circunstância delicada: uma condição de saúde impediu o artista de passar longos períodos sob o sol. Em vez de se deixar abater pela distância da areia, Lemuriano decidiu criar seu próprio litoral particular dentro do estúdio, usando a música e a poesia como seu refúgio solar. O resultado é um trabalho que transborda calor, afeto e reflexões sinceras sobre amadurecimento e superação. Mistura nostálgica A sonoridade de Dança da Maré é um abraço quente em quem cresceu ouvindo o rádio nas décadas de 1990 e 2000. O EP equilibra guitarras marcantes com letras poéticas que conversam diretamente com o ouvinte, como define o próprio artista: “O instrumento que devemos saber tocar é o coração das pessoas”. O repertório passeia por diferentes dinâmicas e cores: Parcerias de respeito: de Hermínio Bello de Carvalho a Tuca Mei Lemuriano é um artista que transita com facilidade pela rica história da nossa música. Em 2024, ele levou aos palcos o lendário Hermínio Bello de Carvalho (parceiro de Pixinguinha, Cartola e Chico Buarque). Os dois assinam juntos a canção Dia Sim, Dia Não, consagrada na voz de Simone e que agora ganha uma roupagem inédita nos shows da turnê de Lemuriano. Outro grande momento do EP é a faixa Praia Azul, uma colaboração delicada com a cantora e compositora Tuca Mei, que traz ainda mais doçura ao projeto. O disco conta com a co-produção e mixagem de Elísio Freitas e masterização de Alexandre Rabasso.