Joabe Reis funde UK Garage e jazz contemporâneo no single Simbiose

O trombonista e compositor Joabe Reis prepara o terreno para o lançamento de seu novo álbum, Drive Slow – A Última das Fantasias, com o single Simbiose, que chegou em todas as plataformas digitais pela Batuki Records. Celebrando o mês da Consciência Negra, Joabe Reis exalta a cultura da rua unindo UK Garage a música urbana brasileira, fortemente influenciado pela sua última visita e apresentação a Londres, em show esgotado no Ronnie Scott’s. A faixa é uma amostra do disco que será lançado em janeiro de 2026 e encapsula perfeitamente a proposta artística que Joabe vem construindo: uma ponte entre a sofisticação do jazz e as sonoridades contemporâneas. O single traz parceria com um dos mais brilhantes pianistas da atualidade, Eduardo Farias. “Uma composição e produção minha em parceria com meu irmão Marcelo De Lamare. Essa faixa marca uma nova fase, conectando ritmos brasileiros a influências internacionais como Garage UK, funk e o jazz moderno, sem perder a essência da música brasileira”, conta Joabe.

Soma Soma estreia o disco Nem Toda Flor, que planta o Brasil em terras britânicas

O grupo Soma Soma estreou o álbum Nem Toda Flor. O trabalho, que ganha vida a partir de pausas e transformações, foi gravado na cidade de Bristol, na Inglaterra, em um estúdio localizado nos fundos do The Jam Jar. É o mesmo espaço em que o grupo costumava ensaiar. Ao longo de nove canções, o LP traduz a maturidade criativa e a harmonia coletiva adquirida por seus integrantes, que constroem juntos uma ponte entre o velho continente e as sonoridades brasileiras. Marcado por arranjos ousados e uma produção que valoriza o som orgânico, o projeto busca reafirmar a força do Soma Soma como um dos grupos mais inventivos da diáspora brasileira. Liderada pelo vocalista e guitarrista brasileiro Artur Tixiliski, radicado na Inglaterra há mais de duas décadas, a banda propõe uma viagem musical que atravessa o mundo entre paradas que incluem o samba rock, partido alto, afoxé, swingueira, axé e maracatu. Seu segredo está na mescla de tradições afro-brasileiras com camadas de jazz espiritual, afrobeat e mais fusões globais. Todos esses ritmos são trazidos à baila de maneira orgânica, de um jeito caro à formação da banda. Ao longo de sua trajetória, Tixiliski vem unindo forças com instrumentistas e estudiosos musicais a fim de criar intersecções entre a alma brasileira, a vivência inglesa e toda referência que se faça bem-vinda a partir de outros cantos do mundo. Formada por Jonny Pryor (guitarra), Oli Mason (bateria), Jake Calvert (percussão), Rory Macpherson (saxofone), Joe Bradford (trombone), Piers Tamplin (saxofone, clarinete baixo e flauta) e Stevie Toddler (baixo e vocais de apoio), além de Artur, a Soma Soma se revela uma celebração da pluralidade rítmica e emocional. Mais do que isso: uma big band contemporânea que calca sua identidade na potencialidade da música progressiva em acessar a alma do Brasil e ainda assim estar aberta ao diálogo com o mundo. O título, que vem da frase Nem toda flor floresce o ano todo, é também uma metáfora sobre ciclos, emoções e a necessidade de respeitar o próprio tempo. “Nem Toda Flor, o álbum, nasceu da pausa que o mundo viveu durante a pandemia de covid-19. Eu e Artur tínhamos bebês recém-nascidos, mas ainda assim encontramos tempo para seguir compondo com o resto da banda. Era um período de reflexão e de reconexão com o essencial — e foi nesse espírito que as músicas surgiram”, conta Jonny Pryor, um dos integrantes do projetos. Haja vista, cada faixa carrega uma história. O Mundo Parou, escrita durante uma visita ao Brasil, pulsa entre a tensão e a esperança. Inspirada por Bebeto e Antônio Carlos & Jocafi, a canção transforma a quietude do isolamento social em groove, com letras que refletem sobre trabalho, tempo e reconexão com a família. Já Se Eu Fosse Um Homem Sem Amor é uma canção de duas notas que se expande em sentimento, nascida da tentativa de simplificar o entorno e deixar que apenas seu ritmo guie. Influenciada pela batida dos Arróxa Drummers, a estreia traz um groove denso e apaixonado sobre criar vida a partir do amor. Em Yelda, Artur Tixiliski se inspira no romance O Caçador de Pipas, do romancista afegão Khaled Hosseini, para transformar a noite mais longa do inverno persa em metáfora da espera e do desejo. Parquinho, por sua vez, reflete o tempo vivido entre a incerteza da paternidade, com o som das correntes de um balanço infantil se transformando em base rítmica para uma peça de tom jazzístico. Pressa, na sequência, homenageia a cena de jazz de Bristol com compassos irregulares e metais exuberantes, lançando luz sobre o aprendizado coletivo da desaceleração com fins de reencontro do propósito. O álbum também se abre ao protesto e à espiritualidade. Treta é um maracatu político, escrito a partir de um antigo riff de autoria de Tixiliski, em parceria com o compositor Hércules Lacovic. É uma resposta à sua frustração com o autoritarismo e a crise ambiental provocada pelo governo de Jair Bolsonaro (2019–2022). Laranjeiras, lançada como single antecipado, é um samba psicodélico que homenageia o bairro carioca e o espírito solar do Brasil, enquanto Nem Toda Flor Floresce o Ano Todo funciona como um mantra sobre autocompaixão, inspirado nos cantos responsivos do samba de coco. O encerramento, que se dá com O Menino e o Pandeiro, flutua entre rumba e samba, celebrando o aprendizado, a leveza e a continuidade, aspectos que nos abrem as portas do futuro. Entre raízes e experimentação, Nem Toda Flor se revela um disco centrado no ato de florescer apesar das intempéries, com a consciência de que até o silêncio faz parte da música. A obra surge como fruto de uma longa semeadura, que plantou o Brasil no interior de cada integrante, mas também de quem a escuta. Honesto em sua proposta, o álbum ganha profundidade justamente por não buscar complexidades ao despertar sentimentos. Cultivado a várias mãos, o repertório foi regado e cuidado para dialogar com muito mais do que os ouvidos estrangeiros fascinados pelas referências estrangeiras estão acostumados. Aqui, a intenção é se conectar com a essência brasileira que nos leva a dar frutos em qualquer lugar do mundo.

Após show em São Paulo, Helado Negro revela EP The Last Sound On Earth

Helado Negro, projeto do músico e produtor Roberto Carlos Lange, lançou o EP The Last Sound On Earth, já disponível em todas as plataformas digitais. A estreia foi celebrada com um show em São Paulo, no mesmo dia do lançamento, na Casa Rockambole, marcando o início da nova fase do artista, que retornou ao país após a estreia no Primavera Sound São Paulo, em 2022. O trabalho reúne cinco faixas que transitam entre o eletrônico e o experimental, com letras que refletem sobre o mundo contemporâneo, a memória e a busca por transformação. As músicas More, Protector e Sender Receiver (que ganhou um clipe gravado em Miami) anteciparam o lançamento, revelando parte do universo sonoro denso e introspectivo que permeia o EP. The Last Sound On Earth nasce de uma pergunta simples e profunda: qual seria o último som que ouviríamos antes do fim? A partir dessa ideia, Helado Negro cria paisagens sonoras que misturam inquietação e esperança, combinando batidas pulsantes, ecos e distorções que evocam tanto o caos quanto a beleza do que ainda permanece. Mesmo ao abordar temas sombrios, o artista encontra leveza no movimento e na criação. “Como posso dançar com essa dor?”, questiona Lange. “Mas quando estou no palco, eu danço. Descobri um jeito de me mover que me liberta junto com a música.” Com camadas complexas de emoção e produção precisa, The Last Sound On Earth reafirma Helado Negro como uma das vozes mais singulares da música contemporânea, transformando dúvida e fragilidade em arte.

Gary “Mani” Mounfield, ex-baixista do Stone Roses e Primal Scream, morre aos 63

Gary “Mani” Mounfield, baixista da banda Stone Roses e Primal Scream, morreu aos 63 anos. O anúncio foi feito nas redes sociais de seu irmão nesta quinta-feira (20), que não divulgou a causa da morte. Mani foi um dos membros fundadores do The Stone Roses, tocando nos dois álbuns de estúdio aclamados do grupo. Ele também participou da turnê de reunião da banda em 2012. Após a separação inicial do The Stone Roses, ele se juntou a outra gigante do rock, o Primal Scream, em 1996, permanecendo como baixista por 15 anos. Ian Brown, vocalista do The Stone Roses, lamentou a perda no X escrevendo: “REST IN PEACE MANi X.” O vocalista do Oasis, Liam Gallagher, comentou o falecimento em um post. “Em choque total e absolutamente devastado ao saber a notícia sobre Mani. Meu herói, descanse em paz.”

Andy Bell, vocalista do Erasure, confirma turnê com cinco shows no Brasil

Andy Bell, lendário vocalista do Erasure, chega ao Brasil em janeiro de 2026 com uma turnê especial e inédita. Reconhecido como um dos maiores nomes do synthpop mundial, Andy desembarca para cinco apresentações exclusivas que celebram sua trajetória solo, seus clássicos eternizados ao lado de Vince Clarke e a nova fase artística marcada pelo sucesso do álbum Ten Crowns, lançado em 2025. Com mais de 20 milhões de discos vendidos, 17 singles no Top 10 britânico e uma carreira que atravessa gerações, Andy Bell consolidou-se como uma das vozes mais influentes do pop, além de uma inspiração global para a comunidade LGBTQ+. Seu talento multifacetado se estende da música ao teatro, passando por aclamadas performances nos espetáculos Torsten The Bareback Saint e Torsten The Beautiful Libertine, além de colaborações com grandes artistas como Jake Shears, Claudia Brücken, Perry Farrell e Dave Audé — união que rendeu dois #1 na Billboard Dance. A turnê brasileira de 2026 marca um reencontro emocionante entre Andy Bell e os fãs do país, prometendo noites de intensa nostalgia, celebração e muita energia. No repertório, o artista relembra seus grandes momentos com o Erasure, revisita hinos que marcaram as pistas dos anos 80 e 90, apresenta sucessos de sua carreira solo e incorpora faixas de Ten Crowns, que alcançou o topo das paradas independentes e digitais do Reino Unido. Em cada cidade, o público será conduzido a uma experiência sensorial e afetiva, marcada por luzes vibrantes, vocais impecáveis e a entrega absoluta que transformou Andy Bell em ícone internacional. Uma oportunidade rara de testemunhar ao vivo uma das vozes mais reconhecíveis e amadas do pop eletrônico mundial. ANDY BELL A VOZ DO ERASURE NO BRASIL  19 de janeiro de 2026 (segunda-feira) — Rio de Janeiro Local: Qualistage – Via Parque Shopping (Av. Ayrton Senna, 3000 – Barra da Tijuca – RJ) 21 de janeiro de 2026 (quarta-feira) — Porto Alegre Local: Auditório Araújo Vianna (Parque Farroupilha, 685 – Porto Alegre – RS) 22 de janeiro de 2026 (quinta-feira) — Curitiba Local: Teatro Positivo (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 – Curitiba – PR) 23 de janeiro de 2026 (sexta-feira) — Belo Horizonte Local: Befly Hall (Av. Nossa Sra. do Carmo, 230 – Savassi – Belo Horizonte – MG) 24 de janeiro de 2026 (sábado) — São Paulo Local: Suhai Music Hall – Shopping SP Market (Av. das Nações Unidas, 22.540 – Jurubatuba – São Paulo – SP)

Candlebox é confirmado no lineup do Somos Rock Festival 2026

A banda norte-americana Candlebox foi confirmada como uma das atrações do Somos Rock Festival 2026. O evento acontece dia 25 de abril de 2026, na Arena Anhembi, em São Paulo, ao lado de muitas outras atrações nacionais e internacionais de peso, como o Spin Doctors. Diretamente da cena de Seattle que redefiniu o rock nos anos 90, o Candlebox faz sua estreia no Brasil e escolhe o palco do Somos Rock Festival para esse debut. Isso, mesmo, após três décadas, essa será a estreia no país desta banda que tanto tocou na MTV. O show faz parte de uma turnê Sul-americana a ser divulgada nos próximos dias. Surgindo da efervescente cena grunge de Seattle em meados dos anos 1990, o Candlebox rapidamente alcançou sucesso mainstream com suas melodias profundas, guiadas por letras marcantes e refrões poderosos. Hinos como Far Behind e You, do álbum de estreia homônimo, explodiram nas paradas e levaram o disco a ultrapassar a marca de quatro milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Seguindo em frente a todo vapor, com novas datas de turnê nos Estados Unidos e no exterior, além de um novo lançamento a caminho, esses ícones do rock não demonstram qualquer intenção de diminuir o ritmo tão cedo. E, para as legiões de fãs que acompanham sua longa e ilustre trajetória, isso soa como música para os ouvidos. E a vinda do Candlebox se torna mais especial: Peter Klett, guitarrista fundador e responsável por boa parte das linhas marcantes dos primeiros discos, está de volta à banda! SOMOS ROCK FESTIVAL – Somos Rock Festival 2026 em São Paulo também já anunciou Revisiting Creedence, Spin Doctors, Detonautas e Biquini. Os ingressos já estão à venda no site da Ticketmaster, a partir de R$190 + taxas.

Kneecap denuncia abuso de poder e intimidação do Reino Unido em No Comment

Kneecap lançou o single No Comment, que conta com a participação do aclamado DJ/produtor Sub Focus. Impulsionado por um riff de baixo absurdamente pesado criado por Sub Focus, o trio de Belfast/Derry aborda o abuso de poder e a intimidação por parte do Estado britânico após a perseguição forjada contra Mo Chara sob acusação de terrorismo. No Comment é um contra-ataque feroz — mais uma faixa massiva que vai ecoar nas paredes de clubes e arenas. O single sucede os lançamentos anteriores The Recap, em parceria com o produtor de drum & bass Mozey, e Sayōnara, colaboração com Paul Hartnoll, do Orbital. Com a agora famosa arte Royal Courts of Justice, de Banksy, usada na capa com permissão do artista, o Kneecap comentou sobre No Comment. “No Comment é sobre ser assediado pelo Estado britânico. Simples assim. Nós, irlandeses, já estamos acostumados — acontece há séculos. Foi um prazer trabalhar com o Sub Focus nisso, o homem é uma lenda.” Neste verão, o trio de Belfast fez o show mais comentado do Glastonbury no palco West Holts, passou por Wide Awake, 2000 Trees e Green Man em slots de destaque, fez sua maior apresentação em Londres até hoje no Wembley Arena (12.500 lugares), se apresentou ao lado do Fontaines DC em vários shows gigantes ao ar livre e se viu em meio a um furacão midiático e político por defenderem vocalmente a paz e a liberdade palestina no Coachella deste ano. Atualmente em turnê pelo Reino Unido com ingressos esgotados, também foi anunciado recentemente que Naoise, aka Móglaí Bap, irá correr 10 km antes de cada show para arrecadar fundos para a Palestina. A campanha de arrecadação é organizada pela Beit Lahia Development Association em Gaza e Glór na Móna em Belfast, em cooperação com a academia comunitária ACLAÍ, na Cisjordânia.

Entrevista | T.S.O.L. – “Eu praticamente garanto que será o último show no Brasil”

São Paulo recebe no dia 29 de novembro a força de duas lendas do punk californiano. T.S.O.L. e Adolescents dividem o palco do Cine Joia na primeira edição paulista do Rockside, festival que nasce com a proposta de celebrar o rock em suas vertentes mais pesadas. A noite marca o retorno de dois nomes essenciais da cena mundial, ambos influentes há mais de quatro décadas. Porém, para tristeza de muitos, será o último show do T.S.O.L. no Brasil. Formado no início dos anos 1980, em Long Beach, a banda, cujo nome são as iniciais de True Sounds of Liberty, se tornou uma referência singular por unir punk, death rock e hardcore. Liderada pelo vocalista Jack Grisham, a banda atravessou diferentes fases, mudanças de formação e crises internas, mas manteve sua relevância artística. Em 2024, o grupo lançou o álbum A-Side Graffiti, reafirmando sua vitalidade e a capacidade de transitar entre novas composições e releituras de clássicos. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista do T.S.O.L., Jack Grisham, relembrou a última passagem pelo Brasil, falou sobre a energia do público brasileiro, comentou o processo criativo do álbum A-Side Graffiti, abordou o legado da banda e revelou que a turnê atual pode ser a última visita ao país. Você está feliz em voltar ao Brasil? A última vez que você esteve aqui foi em 2013… Certo. Durante as revoltas perto da Copa. Você lembra? Eles levavam o dinheiro no ônibus, haviam protestos em todo o país porque todos os senadores recebiam pagamentos, mas as pessoas tinham que arcar com isso. Ninguém estava feliz com aquilo. Sim, foi ano da Copa das Conferações. Depois a Dilma foi reeleita e, logo depois, aconteceu o impeachment. Mas, vamos falar de coisas boas, que lembranças dessa passagem você guarda? Acho que não foi tanto o show, mas sim as pessoas. Havia um sentimento diferente. Acho que a América (do Norte) é muito tensa. As pessoas são muito tensas com as emoções. São reservadas, exceto pela raiva. No Brasil, tudo era mais leve, mais emocional. Eu gosto de emoções. Minhas melhores lembranças foram a gentileza, o amor e a emoção das pessoas. Havia um coração genuíno, algo que você não vê tanto na América. É, a nossa América do Sul tem algo especial mesmo… Sim. E é real. As emoções estão expostas e não escondidas. Se gostam de você, dizem. É caloroso, gentil. Eu realmente gostei da última vez. O Brasil sempre teve uma cena punk ativa. Algum momento específico ou encontro te marcou? Eu conheço muitos brasileiros porque surfo há muito tempo. Sou fã de surfe. O Yago Dora, que ganhou o campeonato, estava parado perto de onde eu estava hospedado. Eu o vi, gritei da janela do carro. Foi divertido. E, claro, às vezes você sai do show e tem um ônibus queimando na rua (risos). Mas nada que tenha sido ruim. Na verdade, quando não lembro de nada negativo, significa que foi bom. Que praia você conheceu aqui? Florianópolis. Eu amei. Moro perto do oceano aqui na Califórnia, então estar lá foi ótimo. Em São Paulo a praia é longe, mas há várias famosas no litoral. Foi aqui que foi revelado o Medina, por exemplo. Sim, eu sabia que não estava perto, infelizmente. Já fazem 12 anos desde sua última vinda. Quais mudanças no setlist o público brasileiro pode esperar? Fizemos outros discos desde então. O Trigger Complex e o A-Side Graffiti. Tocamos músicas desses trabalhos. Nosso set cobre toda nossa trajetória. Às vezes as pessoas ficam chateadas porque não tocamos músicas da época em que o Joe Wood cantava, mas naquela fase não havia nenhum membro original na banda. Você viu o filme Ignore Heroes? Havia dois T.S.O.L. ao mesmo tempo: o nosso, com os membros originais, e outro sem nenhum integrante original. No álbum A-Side Graffiti há músicas novas, interpretações e covers. Como surgiu essa ideia? Para mim, um álbum deve ser ouvido do começo ao fim, como um livro. Trigger Complex foi assim. Mas A-Side Graffiti é diferente, é como um mural de grafite. Uma coleção de ideias. Fizemos covers do Rocky Horror Picture Show, de Bowie, experimentamos coisas. Estávamos apenas vendo até onde poderíamos ir. Foi interessante. Como foi a experiência da colaboração com o Keith Morris no álbum? Bem, o Keith me pagou (risos). Eu o conheço desde o Black Flag original, quando ele cantava. É o meu favorito. Depois ele foi para o Circle Jerks. Somos amigos há muito tempo. Já participei de vídeos da banda dele, o Off!. Quando fizemos Sweet Transvestite, pensei que ele seria perfeito. Liguei para ele e disse que precisava dele. Ele veio na hora. Foi ótimo. Como você equilibra respeitar as versões antigas e tocar com a identidade atual? Nós soamos praticamente como antes. Já vi bandas mudarem suas músicas a ponto de você nem reconhecê-las. Eu não acredito nisso. Quero preservar o sentimento original. Não posso ouvir a bateria sem pensar no nosso baterista que morreu. Quando tocamos, penso muito nisso. Estou fazendo isso há 46 anos. Já toquei para gerações diferentes. Hoje há jovens que me viram na rua e não sabiam que eu era o mesmo Jack do palco. É engraçado. Você falou em gerações, como você vê a importância do seu legado? Seria muito orgulhoso dizer que sou importante ou influente. Se deixei alguma influência, espero que tenha sido pela amizade e bondade, por ser acessível às bandas jovens, por ajudar. Essa seria a influência que eu gostaria de ter. Você vê seu legado mais forte no punk rock, death rock ou hardcore? Acho que no fato de termos feito tudo. Nunca escolhemos um som só. Sempre mudamos, experimentamos. Nosso primeiro disco é considerado o primeiro registro de death rock dos EUA, antes dos Misfits. Sempre tentamos coisas novas, e esse seria um bom legado. Sua banda sempre teve engajamento político e social. Você costuma estudar o cenário político dos países que visita? Eu estudava mais. Hoje é difícil saber de onde vem a informação. É

Entrevista | Mute – “Espero ir em algum samba quando tocarmos no Rio”

A maior edição da história da We Are One Tour desembarca no Brasil em março de 2026 com Pennywise, Millencolin e a canadense Mute. O festival passa por Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, celebrando o punk rock e o hardcore melódico com alguns dos nomes mais relevantes do gênero. Formada em Québec em 1998, a Mute consolidou uma identidade única ao mesclar velocidade, técnica instrumental e refrões melódicos. Reconhecida no skate punk e no hardcore melódico, a banda mantém uma base fiel de seguidores no Brasil, país que visita desde 2011. Ao longo dos anos, fortaleceu laços com o público e com a Solid Music Entertainment, tornando o país uma de suas paradas mais energéticas e constantes. Mesmo após um período de pausa em 2024 por questões de saúde, o grupo retorna com força total para a We Are One Tour 2026. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o baterista do Mute, Étienne Dionne, relembra as primeiras passagens pelo país, comenta a forte conexão com o público brasileiro e sobre o momento atual da banda. O que você mais lembra da sua última visita ao Brasil? Nossa última visita ao Brasil foi logo após a Covid, dois anos atrás. Foi nossa primeira turnê na frente de pessoas reais depois de um tempo, então estávamos muito empolgados para voltar à estrada. Lembro que toda a banda estava animada por estar de volta ao palco e o público estava muito animado por ver uma banda ao vivo novamente. Mas ainda estávamos com medo naquele momento, então usávamos máscaras antes e depois dos shows. Tocávamos e íamos embora o mais cedo possível porque não queríamos pegar Covid e ficar presos em outro país. Estávamos em turnê pelo Brasil, Chile, Peru, México e Colômbia. Agora as coisas serão diferentes. Você conhece muito bem o público brasileiro. Por que acha que eles se identificaram tanto com o Mute? Este ano celebramos nosso 15º aniversário de turnês pelo Brasil e América do Sul. Começamos em 2011. A América do Sul, em geral, gosta de hardcore melódico, como vocês chamam, ou punk rock. O Brasil sempre foi um ótimo público para nós e as pessoas são muito energéticas nos shows. Fizemos amigos, bons contatos e construímos uma relação forte com a Solid Music Entertainment desde o início. Não é só ética de trabalho, é amizade. Nós aparecemos, estamos no horário e amamos o que fazemos, e acho que os produtores veem isso. Você tem algum momento favorito no Brasil? Acho que esse momento ainda vai acontecer. Já fizemos ótimos shows e conhecemos pessoas incríveis. Não é apenas sobre os shows, é sobre as amizades e voltar para ver essas pessoas. Será divertido rever velhos amigos, será divertido estar no Brasil e tenho certeza de que os shows serão épicos. Quem comprou ingresso vai ter o momento da vida. Não percam tempo porque alguns shows já estão esgotando. É a primeira, e talvez, a última vez para ver Mute, Pennywise e Millencolin juntos. O que mais empolga vocês em sair em turnê com Millencolin e Pennywise? Gostamos muito das duas bandas. Já tocamos com elas antes, mas nunca fizemos turnê juntos. Será empolgante ter um lineup tão forte. A primeira vez que fizemos a We Are One Tour foi com o Lagwagon anos atrás, com Belvedere e Adrenalized, e foi ótimo. Desta vez, com dois grandes headliners, os shows serão maiores. Será divertido vê-los ao vivo e voltar ao Brasil, Argentina e Chile. Você lembra de algo sobre Santos, minha cidade? Claro. Na nossa primeira turnê, em 2011, tocamos em Santos. Era nossa primeira vez no Brasil, então não sabíamos o que esperar. O show foi insano e tenho ótimas lembranças. As pessoas estavam enlouquecidas e lembro de um cara de cartola com uma garrafa enorme. Ficamos bêbados depois do show. Boas memórias. Santos não é longe de São Paulo, então talvez vejamos pessoas de Santos no show da Capital. Com certeza teremos caravana para o show. Infelizmente agora aqui fomos de Califórnia brasileira para domínio de pagode e sertanejo. É, eu gosto bastante de samba. Espero ir em algum samba quando tocarmos no Rio de Janeiro. Vocês têm hábitos ou momentos de lazer favoritos durante turnês no Brasil? Lembrei de uma história, da nossa primeira vez no Brasil. Chegamos todos de shorts e camiseta achando que sempre seria quente. Era inverno e não estávamos preparados. Isso foi engraçado. Fizemos muitas turnês no país e muitas coisas engraçadas aconteceram. Também passei um tempo no Rio antes de uma turnê, cheguei dez dias antes e tirei férias lá. O Brasil é enorme e há muito o que ver. Nunca fui ao norte, mas deveria ir. O mais ao norte que fui foi Goiânia. O Mute está ativo desde os anos 90. Qual foi o maior ponto de virada da banda? Depois de dez anos como banda, ganhamos um concurso no Canadá. O prêmio era uma viagem à Europa para tocar em um festival na França. Pensamos que, já que iríamos para lá, deveríamos marcar uma turnê completa, então agendamos 27 shows em 25 dias em 11 países. Esse foi um ponto de virada. Tocávamos localmente havia anos, mas ir para outro continente reacendeu a chama. Depois disso decidimos gravar outro álbum, que foi o Thunderblast. E logo o Thunderblast, um clássico. Ele é o álbum que mais define o Mute? Isso é como perguntar se você tem um filho favorito. Não são os primeiros álbuns, com certeza. Eu diria os últimos três. Trabalhamos muito neles e nosso som estava mais preciso. Na demo e no primeiro álbum ainda estávamos nos encontrando musical e liricamente. Nos últimos três sabíamos o que queríamos. Sempre levamos cerca de quatro anos entre os álbuns e só gravamos o que realmente gostamos. Você é conhecido como baterista tanto pela velocidade, quanto pela precisão técnica. Como desenvolveram essa combinação? Ouvindo outras bandas e encontrando o meu caminho. A velocidade foi o que eu amei quando era adolescente e estava