Mumford & Sons lança “Prizefighter” com Hozier e Chris Stapleton

A cera do aguardado álbum Rushmere mal teve tempo de secar e o Mumford & Sons já ataca novamente nesta sexta-feira (20). Chegando logo na sequência, Prizefighter é um disco que não pede licença e já chega quebrando expectativas logo nos primeiros segundos. Curiosamente, quando você dá o play, não é a voz familiar de Marcus Mumford que te recebe. Quem abre os trabalhos é o gigante vencedor de múltiplos Grammys, Chris Stapleton, que empresta seu peso country-blues à faixa de abertura, “Here”. Convidados de luxo em Prizefighter E os pesos-pesados não param por aí. Hozier espalha sua magia em Rubber Band Man, soando tão em sintonia com a banda que perfeitamente poderia ser um quarto irmão Mumford. O álbum também abre espaço para a nova geração: Gigi Perez (colega de gravadora) entrega uma performance maravilhosa em Icarus, enquanto a estrela pop-folk Gracie Abrams ilumina a faixa Badlands, criando uma mistura cultural que soa como um filme de Terrence Malick para o século 21. Mão de Aaron Dessner e a energia do estúdio Na cadeira de produtor, temos Aaron Dessner (The National), que já havia trabalhado com a banda no disco Wilder Mind. Aqui, ele captura de forma brilhante o caráter fluido e ágil das sessões de gravação. É possível sentir uma atmosfera de “poucos takes” e muita diversão transbordando em faixas como The Banjo Song e Run Together. Baladas cruas e euforia alt-rock No meio do disco, a dupla de baladas indie-folk Alleycat e a faixa-título Prizefighter se destacam por serem cruas, diretas e francamente honestas. Já Begin Again resgata aquele alt-rock eufórico que o Mumford & Sons faz com os pés nas costas. Para fechar a obra, Clover surge como uma ode pastoral ao contentamento e à serenidade da vida doméstica, trazendo os trabalhos para uma conclusão extremamente satisfatória. Ouça Prizefighter:

Como o All You Can Eat abriu as portas do hardcore internacional em Santos, em 1995

O Rollins Band pode ter sido o primeiro nome gringo punk ou de hardcore de peso a pisar em Santos, em 1994, mas o contexto era outro: um megafestival gratuito nas areias da praia. Quando falamos do verdadeiro “marco zero” do underground, do espírito do it yourself (faça você mesmo) operando na raça e inaugurando a rota das turnês independentes na Baixada Santista, a história aponta para o dia 4 de novembro de 1995. Nesta data, a banda californiana All You Can Eat desembarcou no Teatro de Arena (canal 1), para um show histórico com ingressos a módicos R$ 5. Com produção local encabeçada por Fabrício Souza, baixista do Garage Fuzz, e apoio do Safari Hamburguers e da Secretaria de Cultura, o evento foi a faísca que faltava. “Foi um dos meus primeiros shows como produtor de eventos”, relembra Fabrício. “Representou o potencial para o estilo que a região tinha, abrindo as portas da cidade para várias outras turnês de punk e hardcore que vieram a acontecer. Foi um divisor de águas”. Conexão do All You Can Eat com Santos: fanzines, Ratos de Porão e Fat Mike A vinda do All You Can Eat para o Brasil não envolveu grandes agências corporativas, mas sim selos postais e fanzines. Devon Morf, vocalista da banda, trabalhava com as icônicas publicações americanas Maximum Rocknroll e Flipside. “Eu lia muitas cartas deles e fiz muitos pen pals (amigos por correspondência) em todos os continentes”, conta Devon. A paixão pela cena nacional surgiu através do escambo. “Fiz conexão com um cara no Brasil e trocávamos discos de punk brasileiro por discos de metal dos EUA. Isso me tornou um grande fã das bandas brasileiras. Ratos de Porão, até hoje, é uma das minhas bandas favoritas”. Essa imersão no underground rendeu frutos históricos. Devon estudou com Fat Mike (do NOFX) em São Francisco e trabalhou na lendária gravadora Fat Wreck Chords quando ela ainda funcionava em uma casa. “Muitas pessoas no Brasil perguntavam quando o NOFX viria. Eu contei ao Mike o quão animados eram os fãs brasileiros”, revela o vocalista. Embora o NOFX só tenha conseguido descer para a América do Sul algum tempo depois, a semente californiana já estava plantada. Caos na Arena e a invasão do público O local escolhido para a gig santista foi o Teatro de Arena (hoje conhecido como Teatro Rosinha Mastrângelo). Segundo resenha da época publicada no fanzine Surfcore, de Marco Casado e Victor Martins, o espaço era “bem pequeno, mas com uma acústica incrível”. O local ficou completamente lotado, deixando muita gente do lado de fora. A escalação de peso contava com o Garage Fuzz, que, segundo o fanzine, foi “matador” e fez todo mundo pular. A outra banda local foi o Safari Hamburguers, que na opinião da publicação estreava uma formação “cabulosa” com Fabião nos vocais. Quando o All You Can Eat, formado por Devon (vocais), Danny (guitarra), Craig (baixo) e Seth (bateria), começou a tocar, a configuração do teatro em formato de arena (sem um palco elevado) garantiu uma proximidade perigosa e divertida. O Surfcore relatou a típica catarse da época: “Sempre aparecem aqueles atravessados que vão lá, abraçam o guitarrista e enchem o saco da banda, não deixando os caras tocarem direito”. Mas o caos era parte intrínseca do espetáculo. O fanzine descreve que o show foi maravilhoso, “com o vocalista subindo pelas colunas e fazendo macaquices, e o baterista que deixava o prato cair em cima de toda música que acabava, pulava com o bumbo, batia no prato”. Skates, Pelé, capoeira e a “Califórnia Brasileira” Fora do palco, a turnê sul-americana, que passou por cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Curitiba e Buenos Aires, teve momentos de turismo afetivo. O roadie da banda, Todd, era fanático por Pelé desde a infância e ficou maravilhado por estar na cidade onde seu herói viveu e reinou. A cultura urbana santista também impressionou os gringos. Antes da turnê, o baterista Seth visitou a redação da renomada revista Thrasher, que abasteceu a banda com camisetas e bonés para distribuírem no Brasil. “Ficamos maravilhados com todos os skatistas no Brasil”, recorda o vocalista. A performance insana no palco também rendeu histórias inusitadas nos bastidores. O curioso termo “macaquices”, usado pelo fanzine Surfcore para descrever os pulos de Devon no Teatro de Arena, foi confirmado pelo próprio músico em um relato recente. “Depois do show, uma mulher muito legal disse que gostou da apresentação e que eu me movia e pulava como um ‘Macaco’”, diverte-se. A conversa com a fã revelou uma conexão transcultural: “Ela disse que fazia capoeira, e acabou que eu estava fazendo aulas de capoeira na faculdade em San Francisco. Ela queria se encontrar para jogar na praia de manhã, mas o All You Can Eat ia partir para Curitiba naquela mesma noite”. A vontade de aproveitar a praia santista, no entanto, foi cobrada anos mais tarde. Devon retornou à cidade em uma turnê com a banda What Happens Next?. “O Boka nos disse que poderíamos surfar, mas acabou não tendo ondas. Estava um dia lindo e quente, e eu só tinha surfado com roupas de borracha na fria San Francisco. Infelizmente, perdi alguns momentos na Califórnia Brasileira!”, relembra o vocalista, citando o famoso apelido da região. O saldo da passagem do All You Can Eat em 1995 vai muito além dos 5 reais cobrados na porta do Teatro de Arena. O show provou que a Baixada Santista tinha força motriz, bandas de altíssimo nível para segurar um line-up e um público sedento por energia. Foi a noite em que Santos confirmou, com suor, fanzines e stage dives improvisados, que estava pronta para abraçar de vez a sua vocação underground.

Entrevista | Halestorm – “Se dependesse de mim, eu iria para o Brasil todo mês”

A contagem regressiva para a tão esperada volta do Halestorm ao Brasil já começou! Em abril, a banda desembarca no país com a turnê do aclamado álbum *Everest*, prometendo shows inesquecíveis. Arejay Hale, o carismático baterista, compartilha histórias hilárias dos bastidores, sua paixão pela perfumaria e a conexão especial que sente com o Brasil. Ele revela: “Se dependesse de mim, eu iria para o Brasil todo mês!” Prepare-se para uma conversa cheia de energia, música e a expectativa de um festival histórico ao lado de lendas do rock. Não perca!

Foo Fighters lança single “Your Favorite Toy” e anuncia novo álbum para abril

O Foo Fighters acaba de lançar o single Your Favorite Toy, a primeira amostra do que Dave Grohl descreveu como o “estopim” para uma nova era criativa da banda. O single não chega sozinho: ele dá nome ao décimo primeiro álbum de estúdio do grupo, com lançamento confirmado para o dia 24 de abril. Segundo Grohl, a faixa foi o resultado de mais de um ano de experimentações sonoras e dinâmicas de estúdio. “Essa música foi a faísca no barril de pólvora de canções que acabamos gravando para este disco. Ela parece nova,” revelou o frontman. O álbum contará com dez faixas inéditas (confira a tracklist abaixo), prometendo uma direção energética que ditará o tom do rock em 2026. Vale lembrar que, em janeiro, Dave Grohl anunciou durante um show do Foo Fighters, na Austrália, que o novo álbum já estava pronto. Your Favorite Toy é o sucessor do emotivo But Here We Are (2023), disco marcado pelo luto e pela superação após a perda do baterista Taylor Hawkins. No ano passado, a banda já havia dado sinais de atividade com as faixas Today’s Song e Asking for a Friend (que está na tracklist). Além do disco novo, o verão do hemisfério norte promete ser histórico. O Foo Fighters embarcará em uma turnê por estádios da América do Norte ao lado do Queens of the Stone Age. Tracklist:

U2 lança EP “Days of Ash” e recupera a urgência política

Nove anos. Esse foi o tempo que esperamos por material genuinamente novo do U2. Desde Songs of Experience (2017), a banda esteve ocupada com residências na Sphere de Las Vegas, re-gravações acústicas e autobiografias, mas a pergunta persistia: eles ainda têm algo a dizer no cenário musical atual? A resposta chegou hoje (18) com o EP Days of Ash. E, para a surpresa de muitos, a resposta é um grito, não um sussurro. Protesto rápido em Days of Ash Longe de tentar competir com o pop polido do século 21 (algo que eles tentaram sem muito sucesso na última década), o U2 decidiu olhar para trás para andar para frente. Days of Ash funciona como uma resposta rápida aos tempos caóticos. Ao invés de pensar demais e polir a produção por anos, a banda entrega urgência. Três das cinco faixas comentam mortes recentes em conflitos e protestos, citando nomes como o ativista palestino Awad Hathaleen e a manifestante iraniana Sarina Esmailzadeh. “American Obituary” é o destaque A faixa principal, American Obituary, traz um U2 que soa mais “justamente irritado” do que em qualquer momento dos últimos 20 anos. É uma mistura de guitarras distorcidas, baixo rosnando e eletrônica que invoca sirenes. Outro ponto alto é The Tears of Things, um ataque lírico ao fascismo e ao fundamentalismo religioso que traz uma nitidez ausente nos trabalhos recentes da banda.

Shows do Bad Bunny em São Paulo têm horário antecipado

Se você garantiu seu ingresso para ver o fenômeno Bad Bunny no Allianz Parque neste fim de semana, é hora de ajustar o relógio e a logística de transporte. A Live Nation Brasil anunciou nesta quarta-feira (18) que os shows terão seu início antecipado. As apresentações, marcadas para os dias 20 (sexta-feira) e 21 (sábado) de fevereiro, começarão 30 minutos mais cedo do que o previsto inicialmente. Novo horário antecipado: 20h30 Anteriormente marcados para as 21h, os shows do astro porto-riquenho agora terão início pontualmente às 20h30min. A mudança visa melhorar a experiência do público e o fluxo de saída do estádio. Portanto, não se atrase: o “Coelho Malvado” vai subir ao palco mais cedo. 🕒 Serviço atualizado: Bad Bunny em SP Confira a programação final para não perder nenhum minuto do espetáculo:

Yungblud anuncia “Idols II” para esta sexta e feat com Smashing Pumpkins

Se existe alguém que não sabe o que é descansar, esse alguém é Yungblud. O maior nome do rock britânico atual anunciou o lançamento da segunda parte de seu aclamado álbum conceitual Idols. Idols II chega às plataformas digitais nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, via Island Records/Locomotion. O disco completa a jornada iniciada em junho de 2025 com Idols, que garantiu ao artista seu terceiro álbum número 1 consecutivo no Reino Unido. “Eu estou vivo”, diz Yungblud em Idols II Se a primeira parte do projeto foi sobre recuperar a identidade em meio à escuridão, este novo capítulo é sobre sobrevivência e êxtase. “A Parte 2 é sobre perceber que estou vivo, que sou real, que essa jornada em que estive não me matou. É sobre perceber que você pode se sentir invencível quando realmente sente a si mesmo”, desabafa o cantor de 28 anos. O single principal, Suburban Requiem, também será lançado na sexta-feira acompanhado de um visualizer. Encontro de gerações com Smashing Pumpkins Uma das faixas mais aguardadas do tracklist é a nova versão de “Zombie”, que conta com a colaboração de peso do The Smashing Pumpkins. A faixa já nasce com pedigree, tendo sido indicada ao Grammy. Fase de ouro (e prêmios) O anúncio coroa uma sequência histórica para Yungblud. 🇧🇷 Tracklist de “Idols II” Confira as novidades que chegam na sexta: Para os colecionadores: uma edição física completa (vinil duplo e CD), reunindo as 19 faixas das duas partes de Idols, será lançada ainda este ano.

Cartas, “Doce de Leite” e show rápido no Sesc: a saga do Rhythm Collision em Santos em 1997

Rhythm Collision em São Paulo, 1997

Se o show do NOFX em 1997 foi o “Big Bang” do hardcore internacional em Santos, a turnê do Rhythm Collision no mesmo ano foi a prova de que a cena poderia andar com as próprias pernas. Foi a materialização do espírito do it yourself (faça você mesmo), orquestrada via correio, sem e-mail, sem GPS e movida a pura paixão pela música. A banda californiana, que vivia um momento especial lançando álbuns pela lendária gravadora Dr. Strange Records, desembarcou no Brasil para uma série de shows que entrariam para a mitologia local. Em Santos, a passagem foi dupla e intensa: uma apresentação “relâmpago” no Sesc Santos e uma data extra no extinto London London. Conexão via carta e o “empurrão” do Fat Mike Tudo começou muito antes da banda pisar no aeroporto. Em uma era pré-internet, a amizade entre João Veloso Jr. (baixista do White Frogs) e Harlan Margolis (vocalista e guitarrista do Rhythm Collision) foi construída à base de selos e paciência. “Eu e o Harlan trocávamos cartas. Você via o endereço das bandas nos encartes, mandava carta pedindo material… O primordial para rolar essa tour foi o conselho do Fat Mike (dado no show do NOFX) que ficou na minha cabeça: ‘Vamos fazer então, vamos ver como é que é isso’”, relembra João. Para viabilizar a vinda, João contou com a parceria da Anorak Produções, que organizava o festival Expo Alternative no Rio de Janeiro. Com as passagens pagas pelo evento carioca, o caminho estava aberto para descer a serra. Sesc Santos: o show do Rhythm Collision contra o relógio A primeira parada santista foi no Sesc. O local estava lotado, cheio de adolescentes e bandas locais como White Frogs, Sonic Sex Panic, além da paulistana Dance of Days no suporte. Mas havia um inimigo invisível: o horário. Harlan Margolis relembra a adrenalina de ter que tocar contra o tempo devido ao rígido toque de recolher do local. “Lembro que, por causa de algum tipo de toque de recolher, tivemos que cortar nosso set. Quando subimos no palco, só tínhamos uns 30 minutos antes do show ter que acabar. Então, queimamos nossas músicas mais rápido que o normal e reduzimos a conversa ao mínimo para encaixar o maior número possível de canções. Lamentamos não ter tocado o set completo, mas nos divertimos muito e o público também”.  Harlan Margolis Revanche no London London Como o show do Sesc deixou um gosto de “quero mais”, uma segunda data foi improvisada no lendário London London, na esquina da Av. Presidente Wilson com a Rua Cásper Líbero, no José Menino. Ali, sem as amarras do horário institucional, a banda pôde mostrar a que veio. João destaca momentos icônicos dessas apresentações, como o cover de She Drives Me Crazy (Fine Young Cannibals). “Todo show eles chamavam meninas para cantar no palco. Naquela época, começando a ter mais meninas em show, não era comum como hoje. Em Santos, uma das meninas que subiu foi a Luiza Sellera”, conta João. Luiza, aliás, guarda com carinho a lembrança do show do Rhythm Collision no bar do Sesc Santos. “Essa parte é a minha lembrança mais vívida daquele show, porque eu estava MORRENDO de vergonha. Até hoje não sei o que me deu pra aceitar o convite de cantar no palco, porque sempre fui muito tímida. Quando a banda explicou que a gente só precisava fazer “uuuh uuuh” de backing vocals, não disse que música era nem nada, e eu só percebi que era Fine Young Cannibals quando veio o primeiro refrão. Apesar da vergonha, foi tudo muito divertido – e, com certeza, um dos shows mais legais que tivemos o privilégio de ver no Sesc na época. Rhythm Collision não era das bandas mais conhecidas da cena, mas encheu a casa mesmo assim. Porque se tinha uma coisa que não faltava em Santos nos anos 90, era público”. O setlist foi todo focado nos álbuns Collision Course (1997) e Clobberer! (1995). Entre os destaques do repertório faixas como Hippie Now, Red Champagne e Bombs For You. O público santista surpreendeu a banda. “Fiquei amarradão em ver pessoas que já conheciam nossas músicas, o que foi uma surpresa. Aparentemente, vários conheciam porque as faixas estavam em trilhas sonoras de filmes de surf”, completa Harlan. Hospedagem do Rhythm Collision na casa dos pais de Jr. e “doce de leite” Sem verba para hotéis, a turnê foi raiz. A banda ficou hospedada na casa dos pais de Jr., em Santos. “Meus pais foram viajar e voltaram mais cedo… encontraram uma banda hospedada lá”, ri o baixista do White Frogs.  A convivência gerou histórias curiosas. O baterista da turnê, Jon Warner (vocalista e guitarrista do Ferd Mert), ficou viciado em uma sobremesa bem brasileira. “Ele ficou tão viciado em doce de leite que depois gravou uma música chamada Doce de Leite quando voltou para os EUA”. Outra curiosidade técnica: o baixista da turnê, Brian Ready (da banda Everready), tocou com o instrumento emprestado de Jr. “Eles eram pessoas muito simples. Não tinha essa de ficar no camarim, eles ficavam no meio da galera vendo os shows de abertura”, ressalta o santista. Caos em SP e a camiseta do Sex Pistols A turnê seguiu para São Paulo, no Alternative Bar. Harlan descreve a viagem de Santos para a Capital como uma odisseia, onde até os locais se perderam, chegando horas atrasados. Mas, quando o show começou, foi catártico. “O clube estava completamente lotado, estilo sardinha, suado, barulhento… Foi uma explosão. Definitivamente um dos shows mais memoráveis da história do Rhythm Collision”, diz Harlan. No fim da noite, uma troca de camisetas selou o espírito da turnê. Harlan usava uma camiseta personalizada escrita “Fuck Your Opinion”. Um fã implorou por ela.“Ele trocou a camiseta das costas dele (Sex Pistols) pela minha. Ambas estavam pingando de suor. Foi o final perfeito para o nosso tempo no Brasil”, finaliza o vocalista. ***Todas as fotos, com exceção do cartaz, são do show em São Paulo, da mesma turnê.

Após 13 anos de estrada, banda santista Surra anuncia hiato por tempo indeterminado

A cena do rock independente brasileiro amanheceu com uma notícia inesperada nesta quarta-feira (18). A banda santista Surra, um dos nomes mais ativos e respeitados do thrashpunk e crossover nacional na última década, anunciou uma pausa em suas atividades. Em comunicado oficial divulgado nas redes sociais, o trio formado por Leeo Mesquita (bateria), Guilherme Elias (guitarra/vocal) e Victor Miranda (baixo/vocal) informou que o Surra entrará em “hiato por tempo indeterminado”. A nota, assinada pelos três integrantes, celebra a trajetória de 13 anos ininterruptos. Segundo a banda, foram exatos 4.840 dias entre o primeiro e o último show, período em que o grupo construiu uma reputação sólida baseada na ética do “faça você mesmo” (DIY), com turnês que percorreram o Brasil e a Europa. “Entregamos tudo o que tínhamos desde o primeiro ensaio da banda: nosso tempo, nossa energia e, principalmente, nossa verdade. Mas chega um momento em que a vida pede silêncio… Pede que a gente reorganize as prioridades”, diz um trecho do comunicado. Conhecidos por apresentações enérgicas, que variavam de grandes palcos de festivais a shows improvisados no chão, e por letras politizadas e diretas, o Surra deixa um legado de discos, EPs e DVDs produzidos de forma colaborativa. No texto de despedida, os músicos enfatizaram que o projeto sempre foi “coletivo e cooperativo”, agradecendo aos fãs e às novas bandas que se espelharam no trabalho do trio. O grupo encerra este ciclo com a hashtag #ripsurra e informou que os últimos materiais de merchandising e discografia continuam disponíveis na loja online oficial da banda com preços promocionais, para os fãs que desejam guardar uma lembrança física desta história. Embora o hiato seja por tempo indeterminado, o Surra finalizou a nota expressando orgulho pelo caminho percorrido: “O que fica são as músicas que marcaram a nossa vida e a de alguns de vocês”. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por 𝕾𝖀𝕽𝕽𝕬 (@surrathrashpunk)