Chapterhouse celebra 35 anos de clássico em noite ruidosa no Cine Joia

O show mal havia começado quando as guitarras que dão início à Ecstasy II, canção que os ingleses do Chapterhouse escolheram para abrir a apresentação da última terça-feira (29), no Cine Joia, em São Paulo, já davam os indícios de que a banda não sairia do palco antes de deixar boa parte do público com os ouvidos zumbindo. A faixa é uma das primeiras compostas pela banda e foi tocada de forma reduzida e sem os vocais, servindo principalmente para deixar todo mundo no clima para o que seria a atração principal da noite: a execução, de cabo a rabo, do seminal disco Whirlpool, de 1991, peça central da curta discografia do grupo. Quando a acelerada Breather, que abre o álbum, estourou no sistema de som da casa, o cartão de visitas já estava dado. Nos anos que separam essa nova reunião da última vez em que a banda tocou junta, em 2010, durante uma tentativa menos bem sucedida de voltar às atividades após ter se separado nos anos 90, nada da intensidade parece ter ficado para trás. Ainda é possível se perder nas camadas sonoras, distorções e microfonias criadas pelas guitarras de Andrew Sherriff, Stephen Patman e Joe Light, este último tendo entrado para a turnê substituindo Simon Rowe. Quem rouba a cena, no entanto, é o baterista Ashley Bates, que tem a mão pesada sem perder a precisão, além de ser o mais despojado, levantando os dois braços antes de cada música e fazendo aviãozinho de papel com o setlist ainda antes do show.  O baixo de Greg Moore é mais discreto, complementando o peso da cozinha e sustentando as guitarras. Os vocais, ora de Sherriff, ora de Patman, flutuam em meio à massa de som. A banda é daquelas que gosta de tocar alto e a expressão “parede de som”, usada à exaustão para descrever o som do shoegaze, fez muito sentido na noite de terça.   Apesar de nunca ter chegado ao nível de reconhecimento de contemporâneos do gênero como o Slowdive ou o My Bloody Valentine, as nove canções que compõem o repertório de Whirlpool mostram o motivo da banda seguir sendo reverenciada. O disco é dos mais versáteis e inventivos do período. A trinca que abre já é um bom termômetro disso. Da acelerada Breather, que fez muita gente no Cine Joia pular, passando pela canção que talvez seja o maior sucesso, Pearl, com as suas melodias pop etéreas evocando o som que era feito em Manchester na época, desembocando na cadenciada e hipnotizante Autosleeper, com explosões rítmicas ainda mais marcantes ao vivo, a apresentação traduziu a capacidade da banda de transitar entre influências sem perder a coesão. Lados B e favoritas do Chapterhouse Após a execução do disco, a banda fez uma rápida saída e anunciou que voltaria para tocar “lados B e algumas das nossas músicas favoritas”. A execução de álbuns inteiros ao vivo costuma ser uma faca de dois gumes. Uma sequência pensada para funcionar em estúdio nem sempre é a ideal para uma apresentação ao vivo. Além disso, se o disco é um dos principais da carreira da banda, o risco é de amontoar todas as faixas que boa parte do público quer ouvir logo no começo ou no final da apresentação. O Chapterhouse não é o tipo de artista que atrai muitos incautos para o seu show, de modo que a maioria dos fãs que estava no Cine Joia era familiarizada com o repertório escolhido para o segundo set. Ainda assim, apesar de a banda seguir tocando com a mesma intensidade, o público teve uma recepção mais morna, voltando a ficar mais agitado no bis, com a clássica faixa título do EP Mesmerise. Edit this setlist | More Chapterhouse setlists Terraplana Os curitibanos do terraplana foram os escolhidos para abrir os trabalhos da noite com um show de aproximadamente uma hora calcado no repertório de seu segundo disco, natural, lançado no ano passado. Há alguns anos rodando o Brasil e, mais recentemente, a Europa e os Estados Unidos, a banda está em seu melhor momento ao vivo até agora, com uma apresentação redonda e bem entrosada. Aproveitando a boa estrutura da casa, eles não deixaram nada a dever no quesito da qualidade do som, com as guitarras rasgadas e os momentos mais intensos já começando a ensurdecer o público antes da atração principal. Ao final da dobradinha airbag e morro azul, que encerrou o show, havia gente na pista pedindo por mais. Edit this setlist | More terraplana setlists

Pequeno Cidadão anuncia single “Cara de Abacate” e shows na Semana da Criança

Pequeno Cidadão lança em 9 de outubro “Cara de Abacate”, single que transforma uma antiga brincadeira infantil de palmas e percussão corporal em música. A faixa chega às plataformas às vésperas do Dia das Crianças e recupera uma atividade transmitida principalmente pela tradição oral entre diferentes gerações. Popular especialmente a partir dos anos 1980, a brincadeira dispensa brinquedos ou qualquer tipo de tecnologia e depende apenas da interação entre os participantes. Em “Cara de Abacate”, esse batuque corporal serve como base para um rock psicodélico, acompanhado por jogos de palavras e movimentos que convidam as crianças a participarem da própria música. O lançamento pelo selo Pequeno Cidadão também antecede uma sequência de três apresentações durante o fim de semana do Dia das Crianças. O grupo toca no Sesc Pompeia, em São Paulo, no dia 10 de outubro, segue para o Sesc Bauru no dia 11 e encerra a programação no Sesc Interlagos, também na capital paulista, no dia 12.

P.O.D. recruta Cory Brandan, do Norma Jean, no pesado single “Outbreak”

P.O.D. está de volta com Outbreak, novo single que traz a participação de Cory Brandan, vocalista do Norma Jean. A faixa sucede o álbum Veritas, lançado em 2024, e chega acompanhada por um videoclipe inspirado em filmes e games de apocalipse zumbi. Produzida por Will Yip, conhecido por trabalhos com Turnstile, Code Orange e Circa Survive, a música nasceu da aproximação entre P.O.D. e Norma Jean durante a turnê conjunta realizada em 2024. Segundo Sonny Sandoval, a intenção era encontrar um convidado capaz de acompanhar uma composição que considera uma das mais pesadas já feitas pelo grupo. A escolha de Cory Brandan acrescenta vocais ainda mais agressivos à faixa. Outbreak combina riffs de Marcos Curiel, baixo de Traa Daniels e samples de alertas de emergência em uma construção que reforça a atmosfera de caos. A inspiração veio da relação dos integrantes com games e ficção científica, além da percepção de um cotidiano cada vez mais frenético. O lançamento dá continuidade à fase iniciada com Veritas, disco que ultrapassou 83 milhões de reproduções e alcançou o Top 10 das paradas de Hard Rock e Rock da Billboard. No ano passado, o grupo também lançou I Won’t Bow Down, colaboração com Andrés Giménez, do A.N.I.M.A.L., reforçando suas raízes latinas. A relação recente com o Brasil inclui a apresentação no Knotfest em 2024 e uma turnê própria realizada no ano seguinte, com seis cidades e show esgotado em São Paulo. Com quase 35 anos de trajetória, o P.O.D. mantém ainda no repertório músicas como Alive, Boom e Youth of the Nation, responsáveis por projetar a banda mundialmente no início dos anos 2000. Outbreak já está disponível nas plataformas digitais pela Mascot Records e aponta os próximos passos do P.O.D. rumo aos 35 anos de carreira, que serão completados em 2027.

The Calling lança primeiro álbum de inéditas em 22 anos

The Calling está de volta com “Before The World Turns To Dust”, primeiro álbum de inéditas da banda desde “Two”, de 2004. O terceiro disco de estúdio do grupo chega 25 anos depois de “Camino Palmero”, estreia responsável por apresentar ao mundo “Wherever You Will Go” e iniciar uma relação especialmente forte com o público brasileiro. O álbum também inaugura uma nova dinâmica dentro do The Calling. Alex Band divide atualmente a banda com Daniel Damico e Dom Liberati, e, pela primeira vez, os integrantes assinam juntos um disco completo. Produzido por John Fields e gravado entre Nashville e Minneapolis, o trabalho mantém a identidade de rock pop melódico que acompanha o grupo desde o início, sem a intenção de perseguir tendências ou promover uma mudança radical de sonoridade. Confira a entrevista com o The Calling em sua última vinda ao Brasil Essa proposta aparece em “Dust”, primeiro single e música que inspirou o título do álbum. A composição começou como uma canção de amor ambientada em um cenário apocalíptico e ganhou novas interpretações a partir do interesse de Band por física quântica e astrofísica. O conceito parte da ideia de que todos surgimos da mesma poeira cósmica e questiona se determinadas conexões afetivas poderiam superar até mesmo espaço e tempo. “Before The World Turns To Dust” reúne 15 faixas e recupera também músicas que já vinham sendo apresentadas ao público. “Stand Up Now” havia sido lançada de forma independente em 2024, enquanto “Hold On Me” já fazia parte dos shows. Segundo Band, o objetivo foi justamente preservar aquilo que tornou o The Calling reconhecível, apostando novamente em grandes refrões e canções construídas para provocar uma resposta emocional imediata. O lançamento encerra ainda um longo período de tentativas de colocar um novo trabalho do grupo na rua. Band afirma que passou quase duas décadas compondo e enfrentando obstáculos até encontrar na atual formação a química necessária para concretizar o projeto. Damico é seu amigo há mais de 20 anos e já havia passado pela banda, enquanto Liberati trouxe uma influência mais próxima do pop para uma parceria que se consolidou durante os últimos quatro anos. O retorno acontece em um momento no qual “Wherever You Will Go” ultrapassou 1 bilhão de reproduções no Spotify e continua apresentando o The Calling a novas gerações. No Brasil, onde “Camino Palmero” conquistou disco de platina e o single ganhou ainda mais projeção com sua presença em trilhas de novelas, a relação permaneceu viva por meio das frequentes turnês realizadas pela banda no país. Com “Before The World Turns To Dust”, o The Calling não tenta apagar os 22 anos que separam seus dois trabalhos mais recentes nem procura se transformar em outra banda. A aposta é justamente retomar de onde sua história parou, agora com uma formação diferente, uma dinâmica mais colaborativa e 15 novas músicas para finalmente ampliar uma discografia que permaneceu congelada por mais de duas décadas.

Cólera celebra 40 anos de “Pela Paz em Todo Mundo” com show em São Paulo

O Cólera celebra os 40 anos de “Pela Paz em Todo Mundo” com uma apresentação especial no Sesc Belenzinho, em São Paulo, no dia 10 de outubro. O show será dedicado ao segundo álbum da banda, lançado de forma independente em 1986 pelo selo Ataque Frontal e considerado um dos trabalhos fundamentais da trajetória do grupo e do punk brasileiro. Formado em São Paulo em 1979, o Cólera esteve entre os nomes pioneiros da consolidação do punk no país. Depois de “Tente Mudar o Amanhã”, o grupo ampliou suas discussões em “Pela Paz em Todo Mundo”, utilizando as 14 faixas do disco para abordar pacifismo, antimilitarismo e preservação ambiental. Produzido dentro da lógica independente e do faça você mesmo, o álbum ganhou diferentes prensagens e reedições ao longo das décadas, inclusive fora do Brasil. Quatro décadas depois, as músicas permanecem no repertório da banda e ajudam a dimensionar a longevidade de um disco que transformou crítica social e posicionamento em punk direto e melódico. A formação atual reúne Val Pinheiro no baixo e voz, Wendel Barros nos vocais, Fabio Belucci na guitarra e Carlos Mariano na bateria e voz. A apresentação no Sesc Belenzinho acontece às 20h, com ingressos entre R$ 18 e R$ 60. Serviço Cólera – 40 anos de “Pela Paz em Todo Mundo”Data: 10 de outubro, sábadoHorário: 20hLocal: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000, São PauloIngressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 18 (Credencial Plena)Classificação: 14 anos

Entrevista | Caroline Rose – “Estamos realmente tentando ir ao Brasil em 2027. Então espero que aconteça.”

Caroline Rose construiu uma carreira marcada pela constante transformação, transitando da Americana dos primeiros trabalhos para o indie rock, synth-pop e experimentações que tornaram cada álbum uma espécie de reinvenção. Depois do introspectivo The Art of Forgetting e de year of the slug, gravado de maneira caseira no celular, a cantora e compositora norte-americana inicia agora outra fase da trajetória, desta vez com ainda mais controle sobre a própria carreira. Além de preparar um novo disco, Rose criou a SUCK Records, selo próprio que amplia sua independência artística e comercial. Gentling the Horse at the Walt Whitman Mall será lançado em 23 de outubro pela SUCK Records e apresenta o que Rose define como uma espécie de “Hyper-Americana”. Produzido ao lado de John Congleton, o álbum combina guitarras surf, referências aos westerns spaghetti, humor, estranheza e imagens da vida suburbana dos Estados Unidos. O contraste também está presente no próprio título, que coloca a delicadeza de domar um cavalo ao lado do Walt Whitman Mall, shopping real próximo de onde Rose cresceu. As primeiras faixas reveladas, “Yip Yip Yow” e “Chow Mein”, reforçam essa abordagem, transformando experiências pessoais, situações constrangedoras e elementos aparentemente banais do cotidiano em caricaturas de uma América cada vez mais absurda. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Caroline Rose falou sobre o processo de abrir mão do perfeccionismo para gravar o novo álbum em poucos dias, detalhou a experiência dos shows pop-up sem taxas de ingressos e discutiu como algoritmos mudaram a sensação de descobrir uma banda ou um disco por acaso. A artista também revelou que sua equipe trabalha para viabilizar uma passagem pelo Brasil em 2027 e explicou como year of the slug, lançado inicialmente pelo Bandcamp, acabou gerando os recursos que possibilitaram a criação da SUCK Records. Você descreveu o novo álbum como uma espécie de “Hyper-Americana”. Que tipo de América você queria retratar neste disco? O tipo de América, ou de música “Americana”, entre aspas, que me interessa é aquela mais bizarra e estranha, ou muito mais agressiva do que o material tradicional, mais voltado ao folk. Porque é assim que o país parece hoje. Tudo é muito mais absurdo e muito mais energizado do que a música Americana que eu ouvia enquanto crescia. Eu simplesmente tenho precisado dessa energia, de muita energia, e já faz algum tempo que tenho me aproximado desse tipo de música. É o tipo de música que quero fazer. Algo absurdo, exagerado. É assim que parece viver aqui atualmente. Fale um pouco sobre o título Gentling the Horse at the Walt Whitman Mall. Qual é a história por trás do cavalo e do shopping? Uma pessoa com quem eu estava conversando sobre o álbum criou uma imagem muito boa sobre o significado dele. Na verdade, achei que ela conseguiu explicar melhor do que eu conseguiria. Na minha cabeça, eu tinha mais uma sensação. Quando penso em gentling a horse, penso em domar um cavalo sem usar violência. É algo muito delicado e baseado em confiança. Achei uma maneira muito bonita de falar sobre adolescência e sobre crescer neste mundo extremamente consumista e, de certa maneira, violento. O Walt Whitman Mall é um shopping que realmente existe no lugar onde cresci. É um grande centro comercial que recebeu o nome de um famoso poeta americano conhecido por escrever sobre a classe trabalhadora e os direitos dos trabalhadores. Acho muito engraçado colocar essas duas imagens juntas. Essa pessoa com quem conversei falou sobre a imagem de uma América antiga, de cavalos e cowboys, e uma nova imagem da América, feita de shoppings, fast-food e rodovias. Achei que ela definiu perfeitamente. É como essa personalidade antiga e nova do lugar onde cresci, que é um lugar selvagem, louco. Resumidamente, é disso que se trata. O cowboy e o cavalo me fazem lembrar aqueles antigos comerciais de cigarro… Totalmente! É tudo exagerado. Aqui, tudo parece uma propaganda. Li que você se considera perfeccionista, mas este álbum foi gravado em cerca de dez ou doze dias. Houve alguma música em que seu antigo instinto perfeccionista apareceu e John Congleton (produtor) precisou dizer: “Caroline, acabou”? Sim, mais ou menos. Na verdade, você acertou em cheio. O meu produtor, John Congleton, é conhecido por fazer discos muito rapidamente, e eu comecei este álbum sabendo disso. Foi necessário um grande esforço para conseguir abrir mão do controle e confiar que as decisões dele eram boas. Assim que essa confiança apareceu, tudo aconteceu muito rapidamente. Conseguíamos lançar ideias de um lado para o outro. Ele dizia: “Vamos tentar isso. O que você acha daquilo?”. Era como ficar jogando uma bola de um lado para o outro, e funcionou muito bem. Mas algumas decisões foram difíceis para mim porque eram completamente diferentes do que eu teria feito se estivesse trabalhando sozinha. No fim, fico feliz por ter feito dessa maneira, porque colaborar com mais pessoas em quem confio me força a ser uma artista melhor. Então, sim, é difícil para uma perfeccionista, mas também é algo bom e muito saudável. Eu já conhecia toda a história de “Yip Yip Yow”, então queria abordar o assunto de outra maneira. Você pediu a músicos excelentes que tocassem como adolescentes de 16 anos em uma garagem. Temos exemplos como o punk e os Ramones, com músicas de poucos acordes. O que músicos profissionais desaprendem ao longo dos anos que os adolescentes ainda sabem fazer? A coragem. Acho que existe algo realmente incrível nos músicos que estão começando. Você pode nunca ter tocado um instrumento antes e, mesmo assim, criar partes muito interessantes. O estilo e a energia ficam muito evidentes justamente porque você não sabe exatamente o que está fazendo. Eu adoro música assim. Adoro os Ramones. Existe uma razão pela qual pessoas muito jovens, adolescentes, conseguem criar grandes obras de arte e grandes músicas: elas simplesmente estão colocando aquela energia para fora. É elétrico. Existe uma sensação de vida ali, mesmo quando as notas estão erradas. Quando você se torna um músico muito, muito bom, às vezes perde

Entrevista | Tigers Jaw – “Ficamos realmente impressionados com a paixão do público no Brasil”

O Tigers Jaw retorna ao Brasil em outubro para três apresentações da turnê de “Lost On You”, sétimo álbum de estúdio da banda e primeiro trabalho inédito em cinco anos. O grupo toca no Cine Joia, em São Paulo, no dia 10 de outubro, segue para o Rio de Janeiro no dia 11, com local ainda a ser anunciado, e encerra a passagem pelo país no Belvedere, em Curitiba, no dia 12. Os shows fazem parte de uma extensa passagem pela América Latina, que inclui ainda México, Guatemala, Costa Rica, Colômbia, Chile e Argentina. Formado há duas décadas em Scranton, na Pensilvânia, o Tigers Jaw construiu uma das trajetórias mais consistentes do emo e rock alternativo norte-americano dos anos 2000. Atualmente formado por Ben Walsh, Brianna Collins, Mark Lebiecki, Colin Gorman e Teddy Roberts, o grupo chega com um disco novamente produzido por Will Yip e marcado pela passagem do tempo, memória, ansiedade e pelas incertezas que permanecem da juventude à vida adulta. Ao mesmo tempo, “Lost On You” preserva elementos fundamentais da identidade da banda, principalmente a combinação das vozes de Walsh e Collins e o equilíbrio entre guitarras melódicas, peso e delicadeza. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Ben Walsh falou sobre a relação do Tigers Jaw com o público brasileiro, a descoberta da banda por uma nova geração de fãs e o atual momento da cena emo. O vocalista e guitarrista também explicou o significado por trás de “Lost On You”. Vocês estão voltando ao Brasil depois de alguns anos. O que você lembra das visitas anteriores ao país e dos fãs brasileiros? Ficamos realmente impressionados com a paixão do público no Brasil. Nós nos sentimos muito bem recebidos e queridos quando tocamos aí e estamos muito animados para voltar. Nossas visitas anteriores ao país foram repletas de comidas e bebidas incríveis, lugares lindos, mergulhos no mar e buscas por camisetas piratas legais de bandas que amamos. O título “Lost On You” permite diferentes interpretações. O que ele significa para você? Eu interpreto de duas maneiras. Pode significar estar completamente encantado por alguma coisa ou pode significar não entender absolutamente nada do que está acontecendo. O novo álbum tem ocupado bastante espaço nos setlists recentemente. Podemos esperar o mesmo no Brasil? Estamos celebrando a turnê mundial de “Lost On You”, então vamos tocar uma boa quantidade de músicas do novo álbum. Mas, na maioria dos nossos shows como atração principal, tocamos por mais de uma hora. Então haverá uma boa mistura de músicas de diferentes momentos do nosso catálogo. “BREEZER” chama atenção pela atmosfera influenciada pelo shoegaze. Como você enxerga a mistura entre emo, shoegaze e indie na música do Tigers Jaw? Tivemos uma variedade muito grande de ideias para este disco e, sempre que alguma delas parecia inspiradora para nós, fomos atrás até sentirmos que estava certa. Acho que “BREEZER” é um bom exemplo de como entramos em um tipo diferente de sonoridade, mas a música ainda soa como Tigers Jaw. O álbum “Tigers Jaw”, de 2008, continua sendo descoberto por pessoas que eram crianças ou que nem sequer tinham nascido quando ele foi lançado. Como é perceber uma nova geração chegando aos shows por causa dessas músicas? É sempre incrível ver novas pessoas descobrindo a nossa banda. Somos muito gratos por continuarmos crescendo, encontrando oportunidades e vivendo novas experiências depois de tantos anos fazendo música. Poder viajar pelo mundo e criar uma conexão com as pessoas por meio da música é um sonho. O emo passou por uma verdadeira montanha-russa ao longo dos anos. Como você enxerga o momento atual da cena? A cena emo está prosperando e buscando referências em uma variedade enorme de influências, tanto em todas as diferentes ondas do emo quanto em gêneros que estão fora dele. É sempre muito legal ver novas bandas levando a música adiante.

Story Of The Year se inspira no clássico Mulher Nota 1000 no clipe de “See Through”

Os pioneiros do post-hardcore norte-americano Story Of The Year lançaram o videoclipe de See Through. A canção é um dos grandes destaques de A.R.S.O.N. (sigla para “All Rage, Still Only Numb”), sétimo álbum de estúdio da banda de St. Louis, disponibilizado via SharpTone Records. Com direção assinada por Jordan Phoenix, o registro audiovisual aposta no bom humor e na ficção científica trash ao homenagear o clássico cult dos anos 1980 Mulher Nota 1000 (Weird Science, de John Hughes). No clipe, o vocalista Dan Marsala encarna um cientista louco que tenta criar a “mulher dos seus sonhos” em um laboratório repleto de bobinas de Tesla e alavancas mecânicas, desencadeando uma sucessão de falhas técnicas e desfechos caóticos entre os riffs pesados do grupo. Produção com Colin Brittain (Linkin Park) e turnê com Silverstein Lançado no início de 2026, A.R.S.O.N. consolida a maturidade composicional e a agressividade melódica do quarteto formado por Dan Marsala (vocal), Ryan Phillips (guitarra), Adam Russell (baixo) e Josh Wills (bateria). A produção musical é assinada por Colin Brittain, produtor de renome na cena alternativa e atual baterista do Linkin Park.

Rodrigo Santos celebra 60 anos de carreira de Nelson Motta em disco com participações

Unindo o vigor do rock brasileiro a novas texturas de reggae, samba-funk e baião, o cantor e baixista Rodrigo Santos (ex-Barão Vermelho) lançou nas plataformas digitais o projeto especial Rodrigo Santos Canta Nelson Motta. O trabalho celebra seis décadas de trajetória de um dos maiores letristas, produtores e cronistas da cultura nacional, revisitando parcerias clássicas de Nelson Motta com nomes como Lulu Santos, Erasmo Carlos, Rita Lee e Guilherme Arantes. O próprio Nelson Motta assina o texto de apresentação do disco, destacando o entusiasmo com a homenagem: “Como dizia Johnny Alf, o inesperado fez uma surpresa: Rodrigo Santos, baixista roqueiro raiz, me diz que queria gravar um disco inteiro com novas interpretações de meus rocks e baladas com Lulu Santos, Erasmo Carlos, Rita Lee e outros parceiros, e a participação de convidados. Adorei a ideia, recebi como uma baita homenagem, um presentão pelos meus 60 anos de música.” Encontros históricos e reinvenção rítmica Longe de se limitar a reproduzir os arranjos originais, o álbum mergulha em recriações ousadas de andamento, ritmo e interpretação: