Fundador do Ponto de Equilíbrio forma trio Mandinga Beat e libera álbum de estreia

Após marcar a história do reggae nacional como fundador, guitarrista e compositor de sucessos do Ponto de Equilíbrio, André Sampaio apresenta agora sua nova criação: a banda Mandinga Beat. Formado ao lado da cantora Victória dos Santos e do produtor Joss Dee, o trio estreia com o lançamento do álbum completo Mandinga Beat Novo, disponível em todas as plataformas de música. O carro-chefe do trabalho é o single Kafofo, que chega acompanhado de clipe e sintetiza a identidade sonora do trio. O álbum reúne 11 faixas inéditas e inaugura a estética batizada pelo grupo de afrofusion, que mistura afro house e ijexá. Kafofo traduz esse conceito em uma atmosfera ao mesmo tempo íntima e dançante. Produzida por André Sampaio e Joss Dee, com participação internacional de Melo-T (Zimbabwe), a faixa tem letra de Victória dos Santos, que resgata termos de origem bantu em uma declaração de amor. “Eu compus  a letra como quem entrega o coração para alguém. Quis retratar o afeto e a cumplicidade, criando um lugar seguro para o amor preto”, revela a cantora. “Queríamos uma arquitetura musical que abraçasse, que fosse trilha tanto para a pista quanto para encontros pessoais, misturando a batida eletrônica ao calor dos instrumentos”, complementa André. Além do conteúdo musical, o álbum se desdobra em um projeto visual: cada uma das 11 faixas terá um visualizer próprio, com direção artística de Bê Leite e fotografia de Dani Dacorso. Para potencializar a imersão, Mandinga Beat Novo foi mixado e masterizado em Dolby Atmos por Thiago Jahbass (Blessed Records). “A mixagem em Atmos não é apenas técnica, é parte da arte. Queremos que o ouvinte esteja dentro da nossa mandinga”, define o trio. O disco ainda traz participações de Dandy BJ (Benin), Iara Rennó (Brasil) e Lenna Bahule (Moçambique), reforçando a proposta transcontinental do projeto. Para o Mandinga Beat, o álbum é um manifesto artístico que conecta Brasil e África em uma perspectiva contemporânea e futurista. “Pensamos em Mandinga Beat Novo como um portal, uma viagem sonora que conecta o Brasil, a África e suas diásporas,” define a banda. Show em São Paulo  O grupo apresenta algumas novidades do novo álbum neste domingo (28), no Festival Bike Música – iniciativa gratuita que transforma energia do corpo em energia para a arte e ocupa espaços emblemáticos da capital com shows de artistas independentes, todos alimentados por bicicletas geradoras de energia limpa – no palco do Novo Anhangabaú, em São Paulo. A apresentação é aberta ao público e acontece a partir das 17h.

Maré Cheia, parceria entre Alma Djem e Chimarruts, abre EP Pôr do Sol com reggae de afeto

O Alma Djem está de volta com mais uma parceria de peso: a banda gaúcha Chimarruts se junta aos brasilienses na faixa Maré Cheia, que abre o EP Pôr do Sol, sexta parte do DVD Acústico em São Paulo. A música é um reggae praiano que nasceu em um encontro de compositores na praia de Itaguaré, no litoral norte de São Paulo, e fala sobre o poder do amor como força de resgate e equilíbrio, capaz de devolver paz, serenidade e o rumo certo à vida. Maré Cheia representa não apenas uma influência musical, mas também uma longa amizade entre os integrantes de ambas as bandas. “Desde nossos primeiros shows em Porto Alegre, fomos muito bem recebidos pela rapaziada do Chimarruts. Essa conexão se fortaleceu com o tempo e virou irmandade”, afirma Marcelo Mira. Sander Fróis, vocalista, guitarrista e compositor da Chimarruts, já recebeu Mira em sua casa no Rio Grande do Sul para encontros de composição e troca de experiências. “A música é ponte, e com eles sempre foi assim: troca verdadeira, de palco e de vida”, reforça o vocalista do Alma Djem. Com Maré Cheia, a parceria ganha registro em estúdio e se traduz em poesia sonora. A união entre Alma Djem e Chimarruts é, acima de tudo, celebração da amizade e do reggae como linguagem de afeto, que conecta histórias, caminhos e corações. O show Acústico em São Paulo está disponível com exclusividade no Globoplay e Canal BIS Um ano após a emocionante gravação na capital paulista, o Alma Djem celebra um novo marco em sua trajetória: a estreia do aguardado DVD Acústico em São Paulo, que acaba de chegar com exclusividade ao Globoplay e ao Canal BIS.  Gravado em julho de 2024, o show reuniu 31 canções em um formato intimista, potente e afetivo — como a banda sempre sonhou —, e contou com participações especiais que marcaram a história do grupo, entre elas Maneva, Vitor Kley, Falamansa, Atitude 67, Roberta Campos, Maskavo, Fábio Brazza, Adão Negro, Macucos e Chimarruts. “A gente viveu esse acústico com o coração inteiro. Desde a escolha do repertório até o último acorde tocado, tudo foi pensado com muito carinho, respeito e entrega. Agora, poder compartilhar isso com o público do Globoplay e do Canal BIS é a realização de mais um sonho”, diz Mira. “É uma oportunidade única de mostrar a nossa música para novas pessoas e, quem sabe, ganhar novos fãs pelo Brasil afora.” O Acústico em São Paulo é mais do que um registro ao vivo: é um retrato sensível da história da banda brasiliense e de sua conexão com a música brasileira, em toda sua diversidade e força afetiva. Agora, eternizado na tela, o show segue seu percurso, alcançando novos corações.

Owen, músico fundador do Cap’n Jazz, faz show solo em São Paulo

Owen, nome artístico de Mike Kinsella, músico fundador da cultuada banda indie Cap’n Jazz, aproveita a vinda ao Brasil com o grupo para também realizar um show solo e intimista no dia 6 de novembro, no Jai Club (São Paulo). A realização é da Áldeia Produções. Ingressos já estão à venda na Fastix. Será um show de voz e violão, com duração aproximada de 1h. Além de se apresentar como Owen, Mike Kinsella também toca no American Football, Owls e Joan of Arc. O som dele é mais introspectivo, acústico, melódico, com presença de violão, vocais suaves e produção que valoriza a intimidade. As letras são mais pessoais, reflexivas, às vezes lidando com temas como relações familiares, perdas, experiências de vida, às vezes de forma vulnerável ou emocionalmente crua. A música Bad News, do álbum At Home With Owen (2006), é uma das faixas que aparece com frequência quando se fala no trabalho solo de Mike Kinsella como Owen. Assim como A Bird in Hand, canção que mostra bem seu estilo melódico/íntimo. Já do álbum No Good for No One Now, lançado em 2002, o destaque é a balada acústica Everyone Feels Like You, que mistura poesia simples com vulnerabilidade emocional, um combo clássico de Kinsella enquanto Owen. Owen em São Paulo Data: 6 de novembro de 2025 Horário: 20h (abertura da casa) Local: Jai Club (Rua Vergueiro 2676, São Paulo, SP) Ingresso

Santista Renan Valdez une MPB e música eletrônica nas canções do EP “Girassol”

Girassol, do músico e compositor santista Renan Valdez, chegou às plataformas digitais. O projeto, concebido a partir de um momento de profunda transformação pessoal, narra uma história de desapego, ressignificação e a redescoberta de si mesmo. A inspiração para o trabalho surgiu em 2023, após o término de um relacionamento significativo, que ocorreu logo depois do Carnaval. A dor da separação foi agravada por um elemento de capacitismo, pois o artista havia sido diagnosticado no espectro autista um pouco antes, e suas dificuldades foram usadas como justificativa para o fim da relação. Essa crise de identidade, misturada à dor da perda de uma pessoa amada, tornou-se o catalisador para as composições do EP. Sem dúvida, o EP é uma obra sobre as fases da jornada emocional: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. As canções misturam as memórias da relação que se perdeu com a busca pelo autoconhecimento e a auto aceitação, criando uma trajetória narrativa que vai da melancolia à superação. Além disso, a escolha do nome é simbólica: Girassol; o símbolo universal das deficiências invisíveis. A sonoridade do trabalho é um ponto de destaque. Renan Valdez cria uma ponte entre o pop contemporâneo e a Música Popular Brasileira, mesclando batidas eletrônicas de dancehall e hyperpop com ritmos como o maracatu, o baião e a bossa nova. O resultado é um som único e peculiar, que soa familiar e, ao mesmo tempo, completamente original. Cada faixa do EP contribui para a narrativa e a riqueza musical do projeto. A Intro é uma colagem de sons e memórias que culmina na lembrança melancólica da música de Luiz Melodia. Galinha e Vem Pra Mim exploram a tristeza da perda com um toque dançante, enquanto Bolero Da Saudade Maior traz uma ousadia sensual e Sozinho reflete sobre o medo da solidão. A faixa-título, Girassol, é um samba-hyperpop que celebra o fim do ciclo, a aceitação e a redescoberta de si. Além do som, Renan Valdez explora em sua arte um conceito que engloba o visual e o imaterial. As performances, figurinos, adereços e maquiagem foram idealizados por ele para dialogar com as memórias e os conceitos do álbum, transformando o show em uma experiência completa que vai além da música.

Nilüfer Yanya anuncia primeiro show no Brasil; confira data e local

A cantora Nilüfer Yanya se prepara para a sua primeira apresentação no Brasil, marcada para o dia 12 de novembro, no Cine Joia, em São Paulo. Os ingressos estarão disponíveis para compra a partir de amanhã (26), ao meio-dia, no site da Eventim. Mesclar sons e usar as camadas da voz grave assinam a marca que trouxe bastante reconhecimento para Nilüfer Yanya. A fluidez entre o indie rock com elementos de R&B e lo-fi e a honestidade lírica brutal criaram não só uma ampla comunidade de admiradores, como também agradaram a crítica. Nilüfer Yanya deu novos passos para que 2025 fosse um ano marcante em sua carreira. A artista ainda se apresentou pela terceira vez no Festival Glastonbury (Reino Unido) no primeiro semestre, mesmo período em que lançou o EP Dancing Shoes, com quatro músicas, incluindo Kneel, faixa que já chegou aos quase 2 milhões de plays no Spotify. O novo trabalho sucede o excelente My Method Actor (2024), álbum do sucesso Like I Say (I runaway), listado entre as Melhores Músicas do Ano pela NME. Além da passagem pelo Brasil em novembro, a artista ainda se apresenta nas turnês do cantor americano Alex G, entre setembro e outubro, passando por Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha; e na Ultrasound World Tour da artista neozelandesa Lorde, que explora o álbum Virgin e vai de setembro a dezembro pela América do Norte e Europa. Em ambos os casos, Nilüfer Yanya é responsável pelos shows de abertura das tours.  * SERVIÇOÍndigo: Nilüfer Yanya @São Paulo Data: 12 de novembro de 2025 (quarta-feira)Local: Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade – São Paulo/SPValores: Pista: R$ 212,50 (meia-entrada) | R$ 425,00 (inteira)Venda geral: 26 de setembro, 12h, online e na bilheteria oficialVendas online Bilheteria oficial: Bilheteria A no Allianz Parque – Rua Palestra Itália, 200- Água Branca – São Paulo/SPFuncionamento: Terça a sábado das 10h às 17h*Não tem funcionamento em feriados, emendas de feriados, dias de jogos ou em dias de eventos de outras empresas.

Júnior Cordeiro lança álbum Brenha, Vasto Profundo; ouça!

A vastidão da memória coletiva das gentes brasileiras é notável, explícita, infindável, nesse álbum que já está nas plataformas digitais. Os traços culturais fincados na alma do nosso povo aparecem em profusão dentro de todos os campos da vida social, mesmo em levas de grandes aviltamentos da identidade cultural em tempos hodiernos. O imaginário popular e as ancestralidades são perenes, fortes, indestrutíveis. “O Brenha é um regresso, uma revisita aos temas iniciais da minha discografia: Nordeste Mítico e Místico, Religiosidade Popular, Herança Ibérica/Mourisca…”, define Júnior Cordeiro. Concentrado em reavivar, reacender e revigorar os elementos mais enraizados das nossas tradições populares, Júnior Cordeiro, em seu décimo primeiro álbum, volta aos temas primevos de sua poética, de seu discurso musical: o Sertão Profundo, O Nordeste mítico e místico de fabulosa tradição. “Nos últimos discos eu tinha me dedicado mais a expor temáticas mais ligadas à filosofia, à existência e à condição humana. Agora voltei para as brenhas da memória coletiva brasileira, do sertão nordestino, meu berço cultural”, conta o artista. Brenha, Vasto Profundo é uma longa viagem poético-sonora que se debruça sobre temas cujos quais o artista paraibano conhece de perto, por empirismo e estudos: crendices populares, sertão mítico, catolicismo rústico e sertanejo, lendas, herança ibérica-moura, ancestralidades ameríndias e africanas, sebastianismo e tudo que remeta ao que há de mais profundo e mais mágico no inconsciente coletivo do povo brasileiro, sobretudo nordestino. O disco soa como uma ode à alma brasileira, uma grande apologia ao fecundo caldeirão de elementos culturais que gestaram a nossa feição enquanto povo, em sua diversidade e originalidade. Nessa busca da nossa gênese cultural, o Sertão, sacralizado pelo artista em grande parte de sua obra, é visto como um espaço onde o tempo não corrói a memória popular, que persiste e ainda brilha mesmo em épocas tão globalizantes. Na senda sonora, o álbum aponta para uma concepção mais intimista e “sertânica” da obra de Júnior Cordeiro, cujas matrizes musicais estão fincadas muito mais na enorme variedade de gêneros de música nordestina, e até ibérica-mourisca, do que no rock, outro acento forte e premente na discografia do artista. Não obstante esse “regresso” a bases mais nordestinas, o compositor ainda guarda pitadas explícitas de psicodelia e rock progressivo em parte das canções. Sem mais, Brenha é vasto, é profundo sabor do povo brasileiro. Brenha é vasta senda fantástica que habita em nós. As brenhas culturais brasileiras precisam ser mais revisitadas na nossa música. “Um Júnior Cordeiro de safra: é assim que defino este álbum. Resolvi mostrar a face mais espinhenta de minha obra, a mais sertânica, a mais nordestina possível… Não que eu tenha deixado de lado o hard rock, o progressivo e o blues.  Mas o conteúdo disto está menos visível nesse novo álbum. Entretanto, a psicodelia é premente em todas as canções: poesia ácida e viagens sonoras movidas muito mais pela viola do que pela guitarra… O Brenha é uma viagem de volta, um reencontro com os ermos, com o Nordeste mítico de fabulosa tradição, que sobrevive apenas na memória coletiva, frente à voracidade do tempo e da internet”, conclui Júnior Cordeiro. Júnior Cordeiro é um poeta, cantor e compositor da Paraíba. Em sua discografia, conta com 11 álbuns gravados, diversos clipes e dois DVDs. Em 20 anos de carreira, possui indicações a prêmios importantes da nossa música, bem como análises musicais enobrecedoras sobre sua obra, por importantes críticos brasileiros. O Bruxo do Cariri Velho, como ficou conhecido no meio musical, viaja por praticamente todos os segmentos de música nordestina, da toada ao baião, bem como de vários segmentos do bom e velho Rock’n’Roll, desde o Progressivo/Psicodélico ao folk/blues, estabelecendo um acento musical que o próprio artista conceitua como Rock-Baião. Com sua música, Júnior Cordeiro conseguiu firmar uma forte característica: a peculiaridade dos temas abordados em seus discos. O Nordeste mítico, a herança ibérica, a tradição oral, o realismo fantástico, a metafísica, o existencialismo e tantos outros intricados assuntos, juntam-se numa ideia fixa de verificação dos males da coisificação do homem na pós-modernidade líquida, em rico campo imagético, onde o imaginário coletivo está sempre revigorado. Análises sobre a formação cultural do povo brasileiro também fazem parte do discurso do artista.

Entrevista | Aléxia – “Participar da turnê com o The Calling é uma oportunidade que muitas bandas independentes adorariam”

A cantora e compositora Aléxia vive um dos momentos mais importantes de sua carreira. Em outubro, ela será a atração convidada em quatro shows da turnê da banda norte-americana The Calling no Brasil, passando por Curitiba, Santo André, Belo Horizonte e Brasília. Além disso, a artista mantém uma agenda intensa como atração principal em cidades do interior e litoral paulista, como Sorocaba, Santos e Tatuí. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Aléxia contou sobre a expectativa de dividir o palco com um grupo que marcou gerações, falou do novo single Monstro e revelou os próximos passos da carreira, incluindo a preparação de seu primeiro álbum. Imagino que para a geração 2000 é sempre uma vitória estar abrindo shows como esse, né? Como você recebeu esse convite? Nossa, eu fiquei extremamente feliz, emocionada e honrada. Porque uma banda como o The Calling marcou a geração 2000 e influenciou muita gente que veio depois, inclusive nós. Então eu fiquei realmente honrada. Parece que ainda não caiu a ficha, acho que só quando estiver acontecendo vai cair de verdade. No Brasil é sempre uma missão difícil abrir shows. O que você está preparando para essa apresentação? Vai focar mais no lado autoral ou nas versões? O que o público pode esperar do repertório? Quero dar bastante ênfase para o autoral nesse show. Acredito que o principal objetivo é realmente poder mostrar o meu trabalho para as pessoas. Participar dessa turnê é uma oportunidade que muitas bandas independentes adorariam. Então quero aproveitar ao máximo para apresentar minhas músicas. Vou incluir duas ou três versões, dependendo da cidade, mas o set será formado principalmente pelas minhas autorais. Também penso em colocar alguma música nova que ainda não lancei, como uma surpresa. E se por algum motivo fluísse bem o relacionamento de vocês na turnê, existe alguma música do The Calling que você gostaria de dividir o palco com o Alex Band? Com certeza. A “Stigmatized”. É uma música que eu gosto muito e adoraria se ele me chamasse para cantar. Seria incrível. Você foi recentemente ao ensaio aberto da Pitty para o The Town na Audio. A Pitty é da Bahia, você é de Apiaí, interior de São Paulo. Quais os desafios de ser mulher e fora das principais cidades no rock? Como você enxerga esse cenário no Brasil? Aqui no interior a gente tem uma grande predominância do sertanejo, e o público não consome tanto rock. Existe essa dificuldade de levar as pessoas para os shows. Em São Paulo capital já acontece muito mais coisa, mas nós mulheres ainda precisamos ultrapassar grandes barreiras. Acho que já melhorou bastante, hoje vemos muitas bandas e artistas femininas como a Eskrota, The Mönic, Giovanna Moraes e Crypta, todas fazendo um baita trabalho. Mas ainda sinto falta do protagonismo, de ver festivais e eventos realmente liderados por mulheres. Também é importante o apoio da cena, de artistas que já estão consolidados. Existe muita artista feminina no underground, mas ainda há uma barreira grande. Torço para que uma dessas mulheres consiga estourar essa bolha. Hoje temos a Pitty no mainstream, mas seria incrível se tivéssemos muitas outras. Temos inclusive aqui em Santos um evento chamado Chiquinha Gonzaga, organizado pela Carla Mariani, que dá visibilidade apenas para atrações femininas. Sempre é bom ver esse caminho sendo construído. Você mesmo começou cedo na música e só profissionalizou recentemente. Qual foi o momento em que decidiu investir de vez na carreira? Eu cheguei a fazer faculdade de veterinária e trabalhei na área, mas a música sempre foi um sonho. Há quatro anos surgiu a oportunidade de cantar numa banda chamada Cherry Bomb. Eu agarrei esse convite, mesmo sendo uma banda cover de bar, porque era o que eu queria fazer. Depois começamos a compor autorais e o trabalho foi crescendo. Quando percebi que a música já estava me trazendo frutos, inclusive financeiros, maiores do que a veterinária, larguei a outra carreira para seguir só com a música. Não é fácil, mas fazer o que a gente ama é muito mais tranquilo do que quando eu trabalhava como veterinária, algo que eu não gostava. É difícil definir seu som em um rótulo só. Tem rock, hard rock, emo, pop punk e até elementos eletrônicos. Como você se apresentaria para quem ainda não conhece seu trabalho? Eu costumo dizer que se você gosta de rock vai gostar, se gosta de pop também vai gostar. Meu som transita pelo alternativo, pelo rock e pelo pop. Muitas pessoas que não eram fãs de rock ou tinham preconceito acabam curtindo o meu show. Tenho fãs que são ligados às divas pop, outros ao emo, outros ao rock mais tradicional. Eu gosto de misturar várias coisas e depois fica até difícil me nichar, mas é isso que me define. Aproveitando que estamos chegando em outubro, mês do Halloween, e que você lançou o single “Monstro”. Vai aproveitar a turnê ou a data para criar algo temático? Com certeza. Teremos shows depois da turnê em que quero manter esse clima, porque é um show que estou preparando com uma vibe mais dark e gótica. Estou planejando telão, figurino e elementos de palco que tragam essa atmosfera mais monstruosa. Também quero levar essa proposta para outros shows fora da turnê. Gosto muito de Halloween e, se puder, farei até festa à fantasia. A letra de “Monstro” fala bastante sobre conflitos pessoais. Como é seu processo de composição? São histórias pessoais ou você se baseia em ficção? Normalmente escrevo sobre experiências e vivências minhas. Desde nova tenho o hábito de escrever, então costumo criar a letra primeiro, depois penso na melodia e os meninos me ajudam com os arranjos. “Monstro” fala sobre sermos colocados como vilões na história dos outros, mas também sobre reconhecermos que somos vilões das nossas próprias histórias. Muitas vezes eu mesma fui o meu próprio monstro. Quis trazer essa reflexão para a letra, com uma inspiração também na Lady Gaga, que é uma artista que admiro muito. Você já tocou em festivais importantes ao lado de

De Férias na Europa: Kraftwerk transforma Palácio Real de Bruxelas em festa a céu aberto

MATHEUS DEGÁSPERI OJEA O sol ainda estava terminando de se pôr quando o Kraftwerk subiu no palco montado no jardim do Palácio Real de Bruxelas no último dia 14 de agosto, por volta de umas 21h. Um de cada vez, a começar pelo líder e membro fundador Ralf Hütter, os quatro integrantes da entidade alemã pioneira da música eletrônica entraram já ao som da introdução de Numbers, que foi acompanhada por projeções nos telões que seguiam a contagem de 1 até 8 feita no começo da música. Do meu lado na pista, provavelmente o maior fã de Kraftwerk da Bélgica contava junto em alemão, em êxtase por acompanhar mais um show da banda, o quarto que veria na vida. Pouco antes, ele conversava animadamente com qualquer pessoa em volta, exaltando os louros do grupo que redefiniu os rumos da música pop. Parecia estar acompanhado de dois outros caras que trocavam ideia com ele em inglês pela maior parte do tempo. “A gente acabou de conhecer ele”, eles explicaram depois, entre risadas. No meu caso, é a primeira vez vendo a banda, apesar das suas passagens até que frequentes pelo Brasil – a última no primeiro C6 Fest, em 2023 – e também é o meu primeiro dia na cidade, após ter pego um expresso trans-europeu (rsrs) direto de Amsterdam, onde estava antes (conto mais sobre isso no primeiro dessa série de textos (https://blognroll.com.br/resenha-de-shows/de-ferias-na-europa-gibby-haynes-toca-butthole-surfers-com-adolescentes-em-uma-igreja/)). “O show é bom?” Eu pergunto e o cara me olha como se eu tivesse feito a pergunta mais imbecil da face da Terra. “Claro que o show é bom, é o Kraftwerk!” (Ele pronuncia o nome do jeito foneticamente correto, algo como ‘crrraftvârk’). E apesar desse cara ter jogado pro espaço as expectativas de todo mundo em volta, superando as barreiras da língua até entre os nativos – a mulher do meu lado falava francês, os dois caras que eu citei antes, holandês – com nada além do seu puro amor pelo crraftvârk, ninguém saiu desapontado no final. Foram duas horas de uma apresentação irretocável, em alto e bom som, que passeou pela carreira do grupo entre pouquíssimas palavras, que são desnecessárias, uma vez que é o Kraftwerk. UM SHOW EM UM PALÁCIO BELGA No ano da graça de 2025, os palácios reais deveriam servir apenas como atração turística pras pessoas botarem a mão no coração e pensarem se valia a pena mesmo sustentar aquele pessoal ali (não valia). No caso da Bélgica, apesar de eles terem encontrado outro uso pro local, o país segue sendo uma monarquia constitucional. Desde 2013, o Rei dos Belgas é Filipe I, o que é surpreendente quando você pensa que, até então, nunca tinha tido um Filipe no trono, um dos nomes mais básicos de monarca do mundo. Apesar do obstáculo de ter um rei, os promotores belgas não se acanham com isso e realizam uma série de eventos batizada de Royal Palace Open Air no jardim do lugar, que já teve até show do Neil Young neste mesmo ano. O palácio é a residência oficial do monarca, mas ele passa a maior parte do tempo em um castelo em outro lugar, o que impede que Filipe I reclame do barulho do show tal qual um morador do bairro do Morumbi. A estrutura montada para o evento foi muito boa tanto em organização, com banheiros e bares em boa quantidade, quanto no quesito do som. Mesmo recebendo alguns milhares de pessoas, a pista estava bem confortável, inclusive perto da grade, que também não era tão difícil de chegar, não tendo divisão de pista premium. A paisagem também roubava a cena. Não é todo dia que se tem o Kraftwerk tocando do lado de um prédio histórico e de frente pro pôr do sol, apesar de que eu tenho certeza que a Praça Mauá, em frente ao Paço Municipal de Santos, também está pronta pra receber esse evento. KRAFTWERK EM 2025 Os quatro integrantes do Kraftwerk hoje em dia são Ralf Hütter, Henning Schmitz, Falk Grieffenhagen e Georg Bongartz, sendo que Hütter é o único que esteve presente em todas as várias formações do grupo. A ausência mais sentida pelos fãs não poderia deixar de ser Florian Schneider, falecido em 2020. Atrás de suas mesas, no entanto, os músicos formam uma das imagens mais icônicas da história da música, inconfundível, do tipo de banda que é maior do que as suas partes individuais ou do que quem está no palco. Afinal, não é qualquer um que consegue emendar músicas do calibre de Authoban, Computer Love e The Model uma seguida da outra, ainda pela metade do show. Também não é qualquer um que toca por duas horas sem um ponto baixo ou um momento em que a coisa esfrie, sem ter que apelar pra nenhum tipo de firula além da música e as projeções nos telões. O aspecto visual do show dos caras é muito exaltado desde sempre e continua fazendo jus à reputação. Os alemães usam todo o espaço do palco para projetar imagens, dando a impressão de se apresentarem dentro de um telão. As projeções compõem a viagem pela discografia que sempre apresentou conceitos visuais quase tão fortes quanto a música. QUEM SÃO OS ROBÔS? Ao som de Musique Non Stop, os quatro ‘robôs’ saíram do palco como entraram, um de cada vez, deixando Ralf Hütter por último para terminar o set sozinho e ovacionado por todos os presentes. Ainda sobrou tempo para um bis, com a incontornável We Are Robots, música que ganha novos contornos na era da inteligência artificial, bem como grande parte da obra do grupo. Hoje a gente tem a tal da música de robô, só que ela é bem ruim e nem se compara com gente de verdade fingindo ser robô. O show do Kraftwerk em 2025 escancara esse paradoxo. Por mais que a apresentação busque ser impessoal e que a estética do grupo mire na máquina, isso nos diz mais sobre a criatividade humana de imaginar cenários e possibilidades do que qualquer

Carla Mariani lança “Fool Blues”, single que mistura crítica política com potência sonora

LAETÍCIA BOURGEOIS A cantora e compositora santista Carla Mariani está de volta com um novo single. A música Fool Blues, lançada no YouTube na noite de segunda-feira (22) e disponível em todas as plataformas a partir de hoje (23), traz à tona um desabafo coletivo sobre a política brasileira, com uma sonoridade que mescla o blues com o rock pesado.  Com arranjos que variam entre guitarras marcantes e uma performance vigorosa, além de uma produção visual de alta carga simbólica, a faixa promete não apenas conquistar o público, mas também estimular reflexões sobre não esquecer sua verdadeira essência – mesmo vivendo em uma época em que muitos tentam apagá-la.   A canção, com letra marcante, relata o cenário político brasileiro desde 2018. “É um relato de tudo que tem acontecido em nosso país desde 2018. A música representa um grito por direitos, por querer se reconectar consigo mesmo, mesmo depois de rasteiras que a vida dá – principalmente vindas de quem deveria lutar com a gente: políticos. Quem assistir ao clipe vai perceber que ele é bem literal em relação ao que penso sobre a relação entre população e políticos”, explica Carla Mariani. Para a artista, a mensagem central de sua canção é a resiliência mesmo em tempos difíceis e a necessidade de nunca esquecer quem somos e onde queremos chegar. “Quero despertar, a princípio, indignação em quem escuta e, ao final, resistência em meio a uma época onde nossos direitos estão em risco”. O gênero único presente no single mistura a forma do blues com hard rock, com solos rápidos e voz alternando entre potência e suavidade. O estilo atraiu a cantora por ser uma junção perfeita de tudo o que a inspira e agrada. “Gosto muito de blues por toda sua história de resiliência e luta por igualdade e, sonoramente falando, sou fã do rock com guitarras pesadas. Então essa junção, para mim, é perfeita”.  Entre as inspirações e referências para este trabalho estão os cantores e compositores Etta James, Janis Joplin e Chuck Berry, além da banda de hard rock Van Halen. As guitarras pesadas do single são executadas pelo artista Luiz Oliveira. Segundo Carla, Fool Blues não é um lançamento isolado e fará parte de um álbum no futuro. A artista, que começou seus trabalhos autorais em 2017 – com o lançamento do EP Time – já lançou um álbum, dois EPs e diversos singles, tornando-se referência na cena musical da Baixada Santista e consolidando-se como uma das vozes mais expressivas do blues contemporâneo.