A passagem tempestuosa (e seminal) do Rollins Band por Santos em 1994

Muito antes da internet facilitar o intercâmbio musical e das turnês internacionais se tornarem rotina no Brasil, a praia do Boqueirão, em Santos, foi palco de um encontro improvável e histórico. Em 5 de fevereiro de 1994, o festival M2000 Summer Concerts reuniu na areia de Santos o hard rock do Mr. Big, o indie rock do The Lemonheads, o fenômeno nacional Raimundos, o pop inocente de Deborah Blando, o peso do Dr Sin e a fúria visceral da Rollins Band. Tudo isso com o testemunho de 180 mil fãs. Para a história da “Califórnia Brasileira”, foi um marco que ajudou a pavimentar a cena local. Mas para Henry Rollins, ex-frontman do Black Flag e ícone do hardcore, a noite foi um misto de dor física, alucinação e um choque de realidade brutal. Anos depois, em um show de stand-up comedy em 2013, Rollins revelou os detalhes sórdidos daquela noite. O que parecia apenas um show com “público frio” revelou-se uma comédia de erros que envolveu ódio gratuito a Evan Dando, um crânio exposto e uma teoria darwiniana que falhou miseravelmente. Rollins Band e a “missão de matar Evan Dando” em Santos A Rollins Band chegava ao Brasil em seu auge técnico. Após a entrada no Lollapalooza de 1991 e o sucesso do álbum The End of Silence (1992), a banda estava prestes a estourar na MTV com o disco Weight. Mas a cabeça de Henry Rollins não estava na música, e sim no ódio ao vocalista do The Lemonheads. Rollins confessou que chegou a Santos com uma missão: “Destruí-lo. Nem vou falar com o Evan quando o vir. Nunca o conheci, mas ele toca aquele tipo de música de garota (…) e as mulheres simplesmente correm atrás dele”. A inveja da atenção feminina que Dando recebia consumia o vocalista da Rollins Band. “Eu olho para esse cara e penso: ‘Você morre hoje à noite. O punho esmagador e inacreditável da Rollins Band vai te transformar em picadinho, seu filho da puta’”, relembrou no stand-up. A ironia? Ao encontrar o “inimigo” nos bastidores da praia santista, a raiva desmoronou. “O Evan é uma das pessoas mais legais que eu já conheci. Um amor de pessoa. Então eu penso: desculpa por ter sido um idiota.” Nocaute: “Eu sinto meu crânio” Sem o inimigo externo, Rollins voltou sua fúria para si mesmo. A banda entrou no palco com a missão de mostrar “suor, músculos e poder do rock”. Mas durou pouco. Logo na primeira música, Low Self Opinion, a intensidade cobrou seu preço. “A banda entra com tudo. Eu ainda não disse uma palavra. Minha cabeça abaixa. Meu joelho subiu. Pá! Me nocauteou na frente de todos eles. Apaguei”, conta Rollins. O relato do vocalista sobre os segundos seguintes é aterrorizante e cômico na mesma medida. Ele apagou em pé por cerca de 20 segundos. Ao acordar, desorientado, ouviu a própria banda tocando como se fosse um som distante e colocou a mão na testa. “Estendo a mão até minha cabeça. Tem um buraco que vai de cima da minha sobrancelha até o fundo da minha sobrancelha (…) Eu enfio a mão e sinto meu crânio. O que eu acho bem legal.” O vocalista do The Lemonheads, Evan Dando, assistiu a tudo da lateral do palco horrorizado. “Sim, me lembro quando Henry (Rollins) bateu no rosto com o próprio joelho e ele estava todo ensanguentado. Íamos jogar uma toalha para ele, mas ele disse ‘não, não, não’. Porque ele era aquela coisa de Alice Cooper. Não sei, ele disse: ‘não, não, não, não quero a toalha, obrigado’. Mas é disso que me lembro principalmente.” Teoria Darwiniana do Rollins Band falha em Santos Com o rosto coberto de sangue e o chão do palco virando um matadouro, Rollins decidiu continuar o show. Não por profissionalismo, mas por uma lógica distorcida de atração sexual. “Na minha mente darwiniana infantil e distorcida, eu acho que as lindas mulheres brasileiras vão ver um cara banhado em luz branca (…) Elas veem sangue. E percebem que esse é o cara (…) Preciso pegar o sêmen de alguém. E imagino ondas de lindas brasileiras, se atropelando umas às outras para chegar até mim”, devaneou o cantor. A realidade da plateia santista, porém, foi o oposto. O público, que já estava frustrado pela ausência de covers do Black Flag e desconhecia as músicas novas e pesadas como Liar e Disconnect, reagiu com repulsa. “A multidão estava se afastando de mim. Não encontrei uma única brasileira em três dias”, lamentou Rollins. “Tudo o que eu fiz foi: ‘Oi, meu nome é Evan, você vai lá para baixo no corredor e entra na fila’. Então não precisei de nenhuma.” Sangue vs. pijamas O show terminou com a Rollins Band tocando músicas inéditas para um público atônito e um vocalista mutilado. A imagem final que Rollins guarda daquela noite no Boqueirão resume perfeitamente o choque de culturas do festival M2000. De um lado, ele: “Me sinto um deus do rock furioso. O sangue escorre pelo meu rosto. Eu só penso: ‘É isso aí’”. Do outro, o “rival” Evan Dando: “A melhor coisa foi ver o Evan sair depois. De pijama. Ele toca de pijama. ‘Oi, eu sou um cara legal’. E eu estou imerso no meu próprio sangue.” Frustração dos fãs com a Rollins Band em Santos Enquanto Rollins sangrava, parte do público sangrava por dentro, mas de decepção. Havia uma expectativa latente de que a banda tocasse clássicos do Black Flag. Marco Casado Lima, fã presente no show, resume o sentimento da “velha guarda” punk que foi à praia naquela noite. “No meu caso era o Rollins Band. As pessoas da cena hardcore até conheciam, mas meu conhecimento se restringia ao álbum End of Silence. Estava lá com a ilusão de ouvir eles tocando músicas do Black Flag.” O setlist, contudo, olhava para o futuro. O repertório ignorou solenemente a antiga banda de Rollins e focou no peso do vindouro álbum Weight. Faixas inéditas para o público, como Civilized, Disconnect
AC/DC terá bar oficial e loja exclusiva em São Paulo durante passagem da turnê

A turnê AC/DC PWR UP ganha um ponto de encontro especial em São Paulo. Pela primeira vez no Brasil, a banda australiana realiza a AC/DC PWR UP House Pop Up Store Oficial na Tokio Marine Hall, com entrada gratuita e proposta de imersão total no universo do grupo. O espaço funcionará como extensão da experiência dos shows do AC/DC, reunindo bar temático, loja oficial com produtos exclusivos e áreas instagramáveis pensadas para o público registrar o momento. A iniciativa promete transformar a casa em ponto de encontro dos fãs durante os dias de programação. Além da comercialização de itens oficiais, a Pop Up Store aposta na ambientação como diferencial, criando um ambiente voltado para a celebração da trajetória da banda e do álbum PWR UP. A expectativa é de grande circulação de público, especialmente nos dias que antecedem e sucedem as apresentações. A programação acontece nos dias 21, 22, 23, 25, 26 e 27 de fevereiro, além de 01 e 02 de março, das 12h às 20h. No dia 03 de março, o horário será das 10h às 16h. Já em 24 e 28 de fevereiro e 04 de março, o funcionamento será das 10h às 20h. ServiçoAC/DC PWR UP House Pop Up Store OficialLocal: Tokio Marine HallDatas: 21 de fevereiro a 04 de marçoEntrada gratuita
Chet Faker retorna às origens em A Love for Strangers e entrega seu disco mais íntimo em anos

Chet Faker está oficialmente de volta ao personagem que o mundo aprendeu a amar. Em A Love for Strangers, o produtor e cantor australiano retoma o alter ego que o projetou há mais de uma década, mas faz isso sem recorrer à nostalgia fácil. O novo álbum não tenta recriar Built on Glass. Ele prefere revisitar emoções antigas com maturidade, cicatrizes abertas e menos filtros. Ao longo das faixas, Chet Faker trabalha a vulnerabilidade como eixo central. O disco gira em torno de relações frágeis, conexões que não se completam e a sensação constante de deslocamento emocional. O título A Love for Strangers funciona quase como manifesto. É sobre amar quem ainda não se conhece totalmente. É também sobre se encarar depois de anos de exposição pública e reinvenções. Em entrevista que fiz com o artista no passado, ele já sinalizava essa mudança de rota. Segundo Chet Faker, a principal transformação desde Hotel Surrender foi se afastar da produção mais complexa, baseada em loops e camadas digitais, para focar na escrita tradicional. Muitas músicas foram gravadas com apenas um instrumento do começo ao fim. Quase todas podem ser tocadas no piano ou no violão, sem depender de samples ou elementos eletrônicos difíceis de reproduzir ao vivo. Ele definiu o processo como uma volta ao básico, à composição pura, deixando a estrutura da canção guiar tudo. Isso ajuda a entender por que o álbum soa mais contido e orgânico. Há beats e texturas eletrônicas, mas eles não dominam a narrativa. O foco está na atmosfera e na interpretação. Em vários momentos, a produção parece propositalmente enxuta, abrindo espaço para a voz respirar. Quando reduz os elementos e assume o minimalismo, o impacto emocional cresce. O single This Time for Real sintetiza bem essa fase. Chet Faker contou que quase deixou a faixa de fora do disco por considera-la diferente do restante. Escrita ainda na época de Hotel Surrender, a música carrega esse espírito de transição. A letra fala sobre esperança e autenticidade, mas também sobre lidar com o alcance inesperado de algumas canções na indústria. Existe ironia no discurso e no videoclipe, que o mostra cercado por símbolos exagerados de sucesso. No fundo, ele resume como aprender a andar de bicicleta pela primeira vez no meio de um furacão. A metáfora explica muito sobre o tom do álbum. Outro ponto interessante é a referência às memórias de infância. Chet Faker revelou que tentou recriar a sensação de quando ouvia música nos anos 1990 e 2000. Ele cita as trilhas de jogos japoneses de Playstation 1, cheias de batidas jungle e rave, convivendo com o pop que tocava no carro da mãe, como David Gray, além de grunge e guitarras mais cruas. Essa mistura aparece diluída no disco. Não como colagem explícita de gêneros, mas como atmosfera. É um trabalho que parece abraçar influências distintas sem precisar provar nada para ninguém. Nem todas as faixas mantêm o mesmo nível de impacto. Algumas funcionam mais como paisagens sonoras do que como canções memoráveis. Ainda assim, o conjunto é coeso. Existe uma linha clara de retorno à essência, mas com consciência artística ampliada. A Love for Strangers não é um álbum de explosões imediatas. É um disco que cresce com o tempo e recompensa quem escuta com atenção. Talvez não tenha o impacto imediato do trabalho que o consagrou, mas reafirma Chet Faker como um artista interessado em evolução, não em repetição. E isso, hoje, já diz muito.
Entrevista | Katatonia – “Minhas expectativas para o público do Brasil são muito altas, porque a turnê tem sido uma loucura”

O Katatonia retorna ao Brasil com a turnê de Nightmares as Extensions of the Waking State e se apresenta no dia 21 de março de 2026, no Cine Joia, em São Paulo. No palco, a banda sueca promete um repertório que equilibra o novo álbum com clássicos da carreira, em um show que deve alternar peso, melancolia e intensidade emocional. A abertura fica por conta da guitarrista Jessica Falchi, reforçando o clima de atmosfera e técnica que marca a noite. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Nico Elgstrand fala sobre o impacto de assumir as guitarras no lugar de uma lenda, os desafios enfrentados com o visto negado nos EUA e a nova dinâmica criativa dentro do Katatonia após as mudanças na formação. Com passagem marcante pelo Entombed, um dos nomes fundamentais do death metal sueco, Nico construiu sua reputação no underground europeu antes de integrar o Katatonia. Sua entrada, ao lado de Sebastian Svalland, marca uma nova etapa no grupo liderado por Jonas Renkse, conectando a tradição pesada de sua trajetória anterior com a fase mais atmosférica e progressiva da banda. Você já estava tocando com o Katatonia como guitarrista de apoio antes de se tornar um membro oficial. Quando começou a sentir que isso poderia se tornar algo permanente? Na verdade, foi bem rápido. Fiz o primeiro show logo após a Covid, e foi uma viagem muito, muito longa. Fomos para a Austrália, para a Tasmânia. Foram três dias no aeroporto para chegar lá e depois três dias para voltar. Então passamos muito tempo juntos, convivendo bastante. Você percebe quando existe uma conexão pessoal. E quando fiz outro show, um ano depois, porque o Anders não pôde tocar, senti, e acho que eles também sentiram, que realmente nos conectamos socialmente. Isso é o mais importante quando você está em uma banda. Eu não fiquei muito surpreso quando soube que poderia me tornar membro permanente. Ouvi que havia algumas questões com o Anders, mas não quis me envolver. Porém senti que, se eles mudassem a formação, provavelmente eu seria chamado. Então foi muito legal ser convidado. Basicamente, quando fiz a turnê, senti que, se surgisse uma oportunidade, eu teria uma chance. E também foi muito bom perceber que eu queria isso. Às vezes você ama alguém mais do que ela ama você, ou o contrário, e aí temos um problema. Aqui foi diferente. Se eles queriam, eu também queria. Foi muito legal. E aqui estamos. Substituir um membro histórico e fundador da banda como Anders Nyström naturalmente traz comparações e comentários entre os fãs. Como você lidou com isso em nível pessoal? Eu decidi não pensar muito sobre isso. Quando você faz isso há tanto tempo, percebe que pensar demais não muda nada. Eu toco do jeito que eu toco, sou do jeito que eu sou. Claro, quando toco uma música escrita pelo Anders, eu escuto como ele toca. Não estou ali para mudar nada. A música já está escrita, as pessoas amam do jeito que é, então tento respeitar isso ao máximo. Mas eu sou um indivíduo, então inevitavelmente toco do meu jeito, mesmo tentando ser fiel ao álbum. Acho que é como começar um relacionamento novo sabendo que houve alguém antes. Não importa. É o passado. Se eu começar a pensar demais nisso, vai atrapalhar meu próprio desempenho. Então preferi não focar nisso. Se os fãs não gostassem, não haveria muito que eu pudesse fazer além de trabalhar mais. Felizmente, não foi o caso. As pessoas foram muito receptivas. Acho que o desejo de ouvir a música é maior do que a necessidade de ver indivíduos específicos. A música é mais importante do que quem a toca. E eu acho que deve ser assim. Estou realmente ansioso, especialmente para voltar à América, porque o carinho que você recebe lá é enorme. E falando em América, você perdeu parte da turnê na América do Norte por causa de problemas com o visto. O que aconteceu? Não sei exatamente. É o novo governo do Trump. Não sei por que fui rejeitado. Se você quiser recorrer, é muito caro. Você pode tentar uma segunda vez, digamos assim, mas envolve muitos advogados. Eles disseram que esse novo governo tem ideias bem estranhas sobre isso. Houve outro cara na turnê que também teve o visto rejeitado. Fiquei realmente devastado, porque o Fredrik, do Opeth, é meu melhor amigo há 30 anos, e estávamos muito animados para fazer essa turnê juntos. Mas o que você pode fazer? É o que é. Estou tentando não ficar triste com isso. Em vez disso, estou ansioso para ir ao Brasil e à América do Sul. Mas por um tempo, e ainda agora, fico pensando que eu deveria estar lá. Não estou impressionado com esse governo. Nem vou dizer o nome dele de novo. Está ficando tudo muito louco por lá. É muito triste, mas, de novo, o que você pode fazer? Vamos falar de coisas boas então. Falando sobre o Brasil, o show em São Paulo marca um novo capítulo da banda aqui. O que os fãs podem esperar do setlist? O set não é fixo. Temos várias variações. Eu e Daniel até queríamos ter umas 50 músicas e trocar tudo todas as noites, mas isso é muito desafiador para o Jonas por causa dos vocais. Então haverá variações, mas mesmo que eu soubesse exatamente o set, não diria aqui (risos). Acho que uma das coisas ruins da internet é que você pode descobrir tudo antes. Às vezes é legal ser surpreendido. Mas, pelo menos sua expectativa você pode contar, né? Minhas expectativas para o público são muito altas, porque tem sido uma loucura. Lembro que pensei que, como a música do Katatonia é mais suave do que outras bandas com as quais toquei, talvez a reação fosse mais contida. Mas foi absolutamente insano. Não houve diferença. Foi intenso do mesmo jeito. Da última vez com o Entombed foi tão alto que eu quase não conseguia ouvir meus in-ears. Então as expectativas são altas. Com
Story Of The Year encara a própria fúria em A.R.S.O.N. e transforma raiva em combustível

O novo álbum do Story Of The Year, lançado hoje (13/02), não tenta reinventar a roda. E talvez esse seja justamente o seu maior acerto. A.R.S.O.N. nasce com um conceito claro, “All Rage Still Only Numb”, e carrega essa sensação de raiva acumulada e anestesia emocional do começo ao fim. É um disco que olha para dentro, revisita feridas e prefere a honestidade ao risco. A banda voltou ao centro das atenções após passar pelo Brasil no ano passado, incluindo dois shows explosivos em São Paulo em menos de 24 horas, tocando de noite do dia 28.08 no Tokio Marine Hall e na tarde seguinte no Allianz Parque no Festival I Wanna Be Tour. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Dan Marsala, vocalista do Story of The Year, conta sobre a importância do produtor Colin Brittain. O baterista do Linkin Park é apontado como o responsável por capturar a mesma energia de 20 anos atrás no álbum Tear Me To Pieces (2023) e produzir A.R.S.O.N. foi uma escolha natural. As faixas de A.R.S.O.N. A abertura com o single Gasoline (All Rage Still Only Numb) já coloca tudo na mesa. É intensa, direta, com guitarras afiadas e aquela urgência vocal que sempre foi marca registrada da banda. Lançada ano passado, ela funciona como um manifesto. A energia é crua, quase desesperada, e deixa claro que o álbum não vai ser contemplativo demais. Disconnected aprofunda o tom emocional. A letra fala sobre afastamento e desconexão em tempos de excesso de informação e pouca profundidade. Musicalmente, mantém o peso, mas abre espaço para mais melodia. É uma das faixas que melhor equilibra agressividade e vulnerabilidade. Quando chega em See Through, o clima muda um pouco. A música flerta com uma abordagem mais acessível, quase radiofônica. É pegajosa, tem refrão forte, mas soa um pouco deslocada dentro do contexto mais sombrio do disco. Não é ruim e acho ótimo uma variação interna, porém parece vir de outro álbum do Story of The Year. Fall Away, com participação de Jacoby Shaddix, vocalista do Papa Roach, chamou minha atenção logo de cara, pelo encontro de vozes. A ideia é boa e o resultado é competente, mas não dá aquela sensação de que podia ser ainda melhor. Faltou aquele momento de arrepiar que o encontro prometia. Ainda assim, acrescenta peso e uma agressividade extra ao repertório. Um dos momentos mais interessantes aparece em 3AM. A faixa carrega um senso de nostalgia que conversa com o passado da banda sem parecer cover de si mesmos. É emocional, direta e tem aquele tipo de refrão que cresce a cada audição. Fácil imaginar funcionando muito bem ao vivo. Na parte mais densa do álbum, músicas como Into The Dark, My Religion e Better Than High exploram conflitos internos, fé, culpa e frustração. A entrega é sincera o suficiente para sustentar o drama. O encerramento com I Don’t Wanna Feel Like This Anymore reforça a sensação geral do trabalho. É um grito cansado, mais humano do que heroico. Não há redenção grandiosa, apenas o desejo honesto de mudar. A.R.S.O.N. é um álbum que aceita suas limitações e transforma isso em identidade. O disco pode não ser o mais variado da carreira ou revolucionário, mas é coeso na proposta e deve agradar fãs antigos e os mais novos. É um álbum verdadeiro e, no fim, talvez seja exatamente isso que o Story Of The Year precisava entregar agora.
Pense lança o visceral EP “Som No Sebo (Ao Vivo)”

Existe um contraste poético em quebrar o silêncio de uma biblioteca com o peso do hardcore. E foi exatamente nesse cenário que a Pense, um dos nomes mais sólidos do gênero no Brasil, gravou seu novo material. Nesta quinta-feira (12), a banda disponibilizou em todas as plataformas de áudio o EP Pense | Som No Sebo (Ao Vivo). O registro captura a banda em seu estado mais bruto: sem filtros, sem polimento excessivo e com a urgência que seus 19 anos de estrada exigem. Hardcore na estante A gravação rolou durante uma pocket live session em um sebo instalado em um casarão na Bela Vista, em São Paulo. Cercados por estantes e páginas de história, o grupo transformou inquietação em movimento. Produzido por Ariel Ataíde, o EP reúne cinco faixas que funcionam como um grito coletivo sobre saúde mental, identidade e transformação social. “Essas músicas falam sobre canalizar a dor no lugar certo. Em vez de deixar que ela nos derrube ou nos jogue para baixo, usamos isso como plataforma para seguir em frente”, afirma Ítalo Nascimento Nonato, vocalista da banda. 19 anos de resistência Formada em Belo Horizonte em 2007, a Pense construiu uma discografia respeitada com álbuns como Espelho da Alma (2011) e Realidade, Vida e Fé (2018). Este novo EP reafirma a maturidade artística do grupo, mantendo a “fome” de quando começaram e a conexão emocional intensa com o público.
Ladytron revela a alma do novo disco com o single “A Death in London”

Os ícones do pop eletrônico Ladytron continuam a pavimentar o caminho para o seu oitavo álbum de estúdio, Paradises, e lançaram aquela que consideram a “alma do disco”: a faixa A Death in London. Se você estava com saudade da faceta mais “witchy” (bruxa/mística) da banda, essa é para você. A música é descrita como um “Balearic Noir”, uma espécie de folk pagão construído sobre um 808 e um groove de marimba sedutor. >> LEIA ENTREVISTA AQUI Alma de “Paradises” Segundo a banda, esta foi a primeira música escrita para o novo LP e serviu como alicerce para todo o restante do projeto. A sonoridade, que teria sido composta em um “Casio do Leonard Cohen”, traz aquele ar de canção de amor ballardiana, art pop suado e sintético. “Um lugar onde os sonhos vão para morrer… ainda bem que você me encontrou viva…”, canta a banda em meio a sintetizadores que lembram um Negroni no fim do mundo. Gravações do Ladytron em São Paulo Com lançamento marcado para 20 de março de 2026 via Nettwerk, Paradises promete ser o trabalho mais voltado para as pistas de dança desde o clássico Light & Magic. E tem um detalhe especial para os fãs brasileiros: o álbum, escrito e gravado ao longo de cinco meses, tomou forma em diversas cidades, incluindo Liverpool, Londres e São Paulo. Produzido por Daniel Hunt e mixado pelo colaborador de longa data Jim Abbiss (vencedor do Grammy e parceiro da banda na era Witching Hour), o disco de 16 faixas busca resgatar a diversão do final dos anos 90, quando a banda estava apenas começando. “A principal motivação era a diversão… Há uma coceira que nunca arranhamos, que é o fato de que, apesar de nossas origens no mundo dos DJs, nunca fizemos de fato um disco ‘disco’”, explica Daniel Hunt. A Death in London junta-se aos singles já lançados Caught in the Blink of an Eye, I Believe in You, I See Red e Kingdom Undersea. Assista ao clipe visualizer de A Death in London:
Saga HC une forças com Cannibal (Devotos) em “Conexões Periféricas”

O grupo Saga HC, de Jaboatão dos Guararapes (PE), lançou nas plataformas digitais o single Conexões Periféricas. E para chancelar essa pedrada, a faixa conta com a participação de ninguém menos que Cannibal, a voz da icônica banda Devotos e patrimônio cultural do Alto José do Pinho. A música funciona como um manifesto sonoro. É o encontro de gerações do hardcore pernambucano: quem abriu os caminhos (Cannibal) e quem segue construindo o futuro (Saga HC). Periferia como potência no som do Saga HC Conexões Periféricas foge do estereótipo da carência para exaltar a potência. A letra retrata a realidade das margens urbanas com sensibilidade, focando na coletividade, na ancestralidade e na resistência. A sonoridade funde o peso característico do gênero com uma poesia urbana densa, reafirmando que a periferia é, acima de tudo, um território de criação. Produção O lançamento chega acompanhado de um videoclipe, já disponível no YouTube. A produção visual reforça o discurso da música: a captação e edição são assinadas por Alexandre Xavier, da agência Cinco Estrelas (da periferia do Ibura, Recife). Alexandre é um filmmaker conhecido por seu trabalho em projetos sociais como o Baile da Paz e cidadania nos morros. Grito da Periferia O single prepara o terreno para o novo álbum do grupo, intitulado Grito da Periferia, que tem lançamento previsto para o dia 27 de fevereiro de 2026. O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo Pernambuco.
Dr. Chud, ex-Misfits, anuncia primeiro show no Brasil com clássicos de American Psycho e Famous Monsters

Dr. Chud, ex- baterista do Misfits desembarca no Brasil pela primeira vez para um show especial em São Paulo. A apresentação acontece no domingo, 16 de agosto de 2026, no Hangar 110, com abertura da casa às 19h. No repertório, clássicos das fases American Psycho e Famous Monsters, álbuns que marcaram a retomada da banda nos anos 1990 e consolidaram uma nova geração de fãs do horror punk. A abertura fica por conta da banda Os Brutus. Além do show, o público poderá adquirir ingresso para o Meet and Greet, que inclui pôster, foto individual com Dr. Chud, autógrafo em um item, evento acústico exclusivo com percussão, sessão de perguntas e respostas com duração de 30 minutos e foto em grupo. A classificação é 18 anos e os ingressos estão disponíveis pela Pixel Ticket. Quem é Dr. ChudDr. Chud ficou conhecido mundialmente como baterista dos Misfits na fase liderada por Jerry Only após a saída de Glenn Danzig. Integrante fundamental nos discos American Psycho, de 1997, e Famous Monsters, de 1999, ele ajudou a redefinir a sonoridade da banda com uma abordagem mais pesada e técnica, mantendo a estética sombria que transformou o grupo em referência definitiva do horror punk. Após deixar os Misfits, Dr. Chud seguiu em carreira solo e passou a revisitar o repertório da fase 90s em apresentações especiais, mantendo viva uma era que expandiu o alcance da banda para além do underground. Agora, ao trazer esse material ao Brasil pela primeira vez, o músico reforça a conexão com fãs que cresceram ao som de hinos como Dig Up Her Bones e Scream. ServiçoDr. Chud’s Misfits em São PauloData: 16 de agosto de 2026, domingoLocal: Hangar 110Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro, São Paulo, SPAbertura da casa: 19hClassificação: 18 anosIngressos: Pixel Ticket