Banda sueca Avatar anuncia show único em São Paulo com a turnê Don’t Go In The Forest

A banda sueca de heavy metal Avatar confirmou sua volta ao Brasil com a turnê mundial Don’t Go In The Forest. O grupo de metal teatral fará uma apresentação única em São Paulo, marcada para o dia 10 de janeiro de 2027. A passagem pela América Latina coroa uma fase de grande projeção internacional para os suecos, impulsionada pelo lançamento de seu mais recente álbum de estúdio, Don’t Go In The Forest, e por uma temporada de shows ao lado do Metallica na Europa durante a M72 World Tour. Ingressos e datas de venda Os ingressos estarão disponíveis nas seguintes datas: Serviço: Avatar em São Paulo

Com abertura do Jovens Ateus, New Order confirma segunda data no Espaço Unimed

Após esgotar rapidamente os ingressos para a apresentação do dia 25 de novembro, a Balaclava Records, em parceria com a Music On Events, confirmou uma data extra para o show da lendária banda inglesa New Order em São Paulo. O novo show acontece no Espaço Unimed no dia 23 de novembro de 2026. A noite contará com a abertura da banda paranaense Jovens Ateus, um dos grandes nomes da nova cena pós-punk nacional, que apresentará as faixas de seu aclamado álbum de estreia Vol. 1 (lançado pela Balaclava em 2025) e prévias de seu próximo material. Ingressos e vendas Os ingressos para a data extra estarão à venda para o público geral a partir desta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, às 12h, exclusivamente pela Ticketmaster. Serviço: New Order em São Paulo (data extra)

Slaughter to Prevail é confirmado no Liberation Festival 2026 em São Paulo

O Slaughter to Prevail foi anunciado como atração do Liberation Festival 2026. Os gigantes russos do deathcore farão uma apresentação exclusiva no Brasil durante o evento, agendado para o dia 12 de dezembro de 2026 no Vibra, em São Paulo, marcando a reta final de sua turnê mundial e antecedendo uma pausa anunciada pelo vocalista Alex Terrible para os anos seguintes. Com este anúncio, o festival consolida um alinhamento histórico que já conta com Dimmu Borgir, Testament (com o set exclusivo Title Track Attack!) e Charlotte Wessels. O peso de Grizzly e a força ao vivo do Slaughter to Prevail O grupo retorna ao Brasil embalado pela repercussão de seu terceiro álbum de estúdio, Grizzly (Sumerian Records), lançado em julho de 2025. O disco aprofunda a mistura brutal de deathcore, groove metal, nu metal e elementos industriais, contando inclusive com a colaboração do Babymetal na faixa Song 3. Conhecidos por performances explosivas repletas de máscaras icônicas, walls of death e vocais extremos inconfundíveis, os russos chegam ao festival em seu momento de maior projeção internacional. Serviço: Liberation Festival 2026

Glue Trip anuncia o novo álbum Anemoia e turnê europeia com lançamento do single Psychedelic Friend

A banda paraibana Glue Trip anunciou seu quarto álbum de estúdio, intitulado Anemoia, com lançamento previsto para setembro de 2026. Quatro anos após o aclamado Nada Tropical, o grupo liderado por Lucas Moura retorna com uma imersão em sua assinatura sonora que une rock psicodélico, dream pop e música alternativa. Para abrir os caminhos do novo projeto, a banda disponibilizará nas plataformas digitais o single Psychedelic Friend no dia 16 de setembro de 2026, mesma data em que o grupo inicia sua nova turnê internacional pela Europa. Turnê europeia Anemoia Tour (setembro – outubro de 2026) Consolidando-se cada vez mais como uma banda de exportação com passagens por palcos de Londres e Paris, o Glue Trip levará a identidade e o sotaque paraibanos para 14 cidades europeias. A formação atual conta com Lucas Moura (guitarra e voz), Pedro Lacerda (bateria), João Boaventura (teclas) e Thiago Leal (baixo). “Viajar pela quarta vez pela Europa levando esse disco vai ser incrível. O público vai poder ter um gostinho do que vai vir por aí antes de todo mundo”, destaca Lucas Moura. Datas da Anemoia Tour – Euro 2026:

Papangu lança o álbum Celestial, explorando o “rock troncho” e a humanidade na era digital

A banda de rock progressivo e experimental Papangu lançou o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Celestial. Estreando pelo selo Deck, o trabalho se inspira em rituais de proteção do corpo e do espírito para refletir criticamente sobre a perda da essência humana diante do avanço da inteligência artificial, expandindo o imaginário nordestino por meio de elementos do cordel, da literatura modernista e do realismo mágico. “O homem entregue à máquina precisa reafirmar sua humanidade”, resume o tecladista e vocalista Rodolfo Salgueiro sobre o conceito central do disco. Processo analógico em Berlim e o “rock troncho” do Papangu Com uma sonoridade batizada bem-humoradamente pela banda de “rock troncho”, Celestial funde rock progressivo, MPB, metal extremo, zeuhl, ciranda e forró. Entre as principais influências do grupo estão nomes como King Crimson, Magma, Hermeto Pascoal, Mestre Ambrósio e Oranssi Pazuzu. Buscando resgatar a organicidade e o risco das performances ao vivo, o álbum foi gravado de forma 100% analógica em fita magnética de duas polegadas durante nove dias em Berlim, utilizando equipamentos vintage das décadas de 1960, 70 e 80. “O formato analógico permitiu que a gente gravasse aquilo que a gente sentia. É um processo que faz com que você já pense no resultado final na hora de gravar, e isso colabora muito para a criação”, destaca o guitarrista e vocalista Pedro Francisco. O baixista Marco Mayer complementa que o método exigiu da banda tomar decisões intensas e coletivas de interpretação no momento da execução. Identidade visual A atmosfera sonora de Celestial ganha complemento visual na capa do disco, um tríptico assinado pela artista plástica pernambucana Juliana Lapa, que explora formas e cores que dialogam diretamente com a paisagem sonora e os temas do álbum.

Mass of the Fermenting Dregs estreia em São Paulo com show da Iwaou The Tour

A banda japonesa Mass of the Fermenting Dregs se apresenta em São Paulo no dia 22 de maio de 2027, no Hangar 110. O show faz parte da etapa latino-americana da Iwaou The Tour, que também terá apresentações na Cidade do México e em Santiago. A realização é da Solid Music Entertainment. Formado em Kobe, em 2002, o trio desenvolveu uma sonoridade que transita por post-hardcore, noise rock, shoegaze, dream pop e rock alternativo. O baixo distorcido e os vocais de Natsuko Miyamoto ocupam o centro das composições, acompanhados pelas guitarras de Naoya Ogura e pela bateria de Isao Yoshino. A combinação permite que as músicas alternem momentos melódicos e atmosféricos com explosões de ruído e intensidade. A passagem pelo Brasil acontece durante o ciclo de 祝おう — Iwaou, sexto álbum da banda, com lançamento mundial marcado para 14 de agosto de 2026. Sucessor de Awakening (2022), o trabalho reúne seis faixas e foi produzido pelo próprio trio, incorporando experiências acumuladas durante quatro anos de turnês pela América do Norte, Europa e Ásia. O título pode ser traduzido como “vamos celebrar” e representa o atual momento de expansão internacional do grupo. A trajetória do Mass of the Fermenting Dregs começou no circuito independente japonês e ganhou impulso após a demo Kirametal, de 2006. Uma seletiva levou a banda ao Tarbox Road Studios, nos Estados Unidos, onde trabalhou com Dave Fridmann, produtor ligado a nomes como Flaming Lips, Mercury Rev e Mogwai. O primeiro álbum autointitulado chegou em 2008, seguido por World Is Yours, de 2009, um dos trabalhos que ajudaram a estabelecer sua combinação característica de peso, velocidade e melodias expansivas. Após outros lançamentos, a banda interrompeu suas atividades em 2012 e anunciou o retorno no final de 2015. A retomada resultou nos discos No New World (2018) e Awakening (2022), enquanto músicas de diferentes períodos do catálogo começaram a alcançar uma nova geração de ouvintes por meio das plataformas digitais e redes sociais. Esse crescimento levou o trio à sua primeira turnê pela América do Norte em 2023. Na Europa, todas as apresentações realizadas no Reino Unido em 2024 tiveram ingressos esgotados, e uma nova passagem pelo continente terminou, no ano seguinte, com seu maior show em Londres até então, no Electric Ballroom. Atualmente, o Mass of the Fermenting Dregs reúne cerca de 1,3 milhão de ouvintes mensais no Spotify. A apresentação no Hangar 110 coloca São Paulo na rota dessa fase de expansão do grupo e será uma oportunidade para o público brasileiro acompanhar ao vivo tanto músicas de Iwaou quanto diferentes momentos de uma trajetória construída ao longo de mais de duas décadas. SERVIÇO Mass of the Fermenting Dregs em São Paulo Data: 22 de maio de 2027, sábado Horário: 19h (abertura da casa) Local: Hangar 110 (rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro – São Paulo/SP) Ingresso: 101tickets.com.br/events/details/Mass-Of-The-Fermenting-Dregs-22-08

Black Pantera reúne Duquesa, Sandra Sá e Derrick Green no novo álbum Continental

O Black Pantera revelou mais detalhes de Continental, seu quinto álbum de estúdio, que chega às plataformas no dia 21 de agosto pela Deck. O disco contará com participações de peso de Duquesa, um dos principais nomes da nova geração do rap nacional, Sandra Sá, referência histórica da música brasileira, e Derrick Green, vocalista do Sepultura. A proposta do trabalho é celebrar a diversidade musical brasileira a partir de influências ligadas às raízes africanas, transitando entre rock, rap e soul. Cada participação representa uma faceta diferente desse conceito. Duquesa aparece em “Serotonina”, faixa que já fazia referência à artista antes mesmo da parceria ser concretizada e ganhou um improviso da rapper durante as gravações. Já Sandra Sá empresta sua voz à canção “Quando Canto”, escolhida pela banda para receber uma interpretação marcada pela força e ancestralidade da cantora. Fechando a lista de convidados, Derrick Green participa de “Obsoleto”, reforçando a conexão do Black Pantera com o metal internacional e simbolizando uma inspiração para o trio mineiro. Segundo o baixista e vocalista Chaene da Gama, Continental também busca mostrar os diferentes “Brasis” presentes na música. Para a banda, reunir artistas de gerações e estilos distintos amplia a proposta do álbum e reforça a importância da representatividade dentro da cultura negra. “É especial que as duas convidadas representem gerações distintas, porém complementares, da música brasileira”, destaca o músico sobre as participações de Duquesa e Sandra Sá. Como aquecimento para o lançamento, o Black Pantera já disponibilizou os singles “Start The Game” e “Hórus”. Agora, a expectativa fica para a chegada de Continental, que promete ampliar ainda mais os horizontes sonoros da banda ao unir diferentes linguagens musicais sem abrir mão do peso e da identidade que consolidaram o grupo como um dos principais nomes do rock brasileiro contemporâneo.

Entrevista | Swallow The Sun – “Adoro tocar na América do Sul por causa da paixão, do coração”

A espera está perto do fim. O Swallow the Sun sobe ao palco do Hangar 110, em São Paulo, nesta terça-feira (11), para mais um encontro com os fãs brasileiros dentro da turnê Shining Over Latin America. Restam os últimos ingressos para a apresentação, que marca o retorno dos finlandeses ao país promovendo Shining, álbum lançado em 2024 e vencedor do prêmio de Metal do Ano no Emma Gaala, a principal premiação da música finlandesa. Além das novas faixas, o quinteto promete um repertório que percorre diferentes fases da carreira, reunindo clássicos de discos como New Moon, Hope, Ghosts of Loss e The Morning Never Came. Formado em 2000, o Swallow the Sun tornou-se uma das maiores referências do doom/death melódico ao combinar peso, atmosferas sombrias e melodias marcantes, consolidando uma relação especial com o público brasileiro desde sua estreia no país, no Overload Music Festival de 2014. Juha Raivio conversou com o jornalista Erick Tedesco para o Blog N’ Roll e falou sobre o retorno à América do Sul, a cultura filandesa e também conquistar, finalmente, o prêmio Emma. Para começar, quais são as suas expectativas para esta turnê? Estou realmente ansioso e muito feliz por voltar, antes de tudo, à América do Sul. As pessoas são muito apaixonadas pela música, pelo coração da música e por tudo o que a envolve. Não estamos muito acostumados com isso, especialmente com um estilo de música como o nosso. As pessoas realmente se envolvem. Na última vez em que fizemos nossa primeira turnê de verdade pela América do Sul, foi incrível, tenho que dizer. Estou muito feliz e, na verdade, também fico contente que seja inverno por aí, porque assim não vamos torrar completamente. A música do Swallow the Sun frequentemente se move entre um peso esmagador, melodia e momentos de silêncio. Como a banda preserva essas dinâmicas no palco sem perder o peso emocional das canções? Bem, infelizmente, quando tocamos qualquer coisa, ela vem de um lugar em que não precisamos fingir nem tentar fazer algo. É uma coisa muito natural para nós quando fazemos os shows e tocamos essa música. Não precisamos pensar nisso. Desde a primeira nota, quando começamos a tocar, vamos para esse tipo de lugar, e o público também parece ir para esse lugar, que nos conecta, quase como uma realidade diferente. Não sei explicar melhor do que isso. Com uma discografia tão extensa e variada, qual critério a banda usou para construir o setlist desta turnê latino-americana? Somos uma banda antiga, então temos muitos álbuns. Voltamos até o primeiro, de 2003, e também tocamos bastante coisa nova. É muito difícil fazer um setlist que leve todo mundo a sair do show dizendo: “Sim, eles tocaram exatamente as músicas que eu queria ouvir”, porque há muitas músicas. Quando montamos o setlist, queremos criar uma espécie de fluxo ao longo do show. Queremos que as músicas se conectem de alguma forma com a seguinte, e depois com a próxima, mantendo esse movimento. Por isso, é preciso planejar quais músicas serão tocadas e como elas vão se encaixar umas nas outras. Falando sobre Shining, este parece ser quase o fim do ciclo do álbum, certo? Você já está no estúdio, fazendo algo ou trabalhando em gravações para o próximo disco? Sim. Acho que esta turnê pela América do Sul é a última para encerrar Shining. Ainda temos alguns festivais, talvez um ou dois shows aqui e ali, mas acho que esta é a última turnê que vai fechar esse ciclo. Não posso dizer muito sobre o novo álbum ou sobre músicas novas. Tenho que esperar para ver. Vamos ver o que acontece. É sempre um mistério para mim também. Vocês receberam o Emma por Shining. O Emma é como o Grammy da Finlândia, certo? Sim, é o Grammy da Finlândia. Como foi estar lá e receber esse prêmio? Foi incrível, porque deve haver alguma coisa errada com os finlandeses para uma música como a nossa conseguir um prêmio desse tipo. O Emma significa a mesma coisa que o Grammy significa na Finlândia. Acho que recebemos o Grammy por duas razões: porque o novo álbum é incrível, mas também porque a banda faz isso há muito tempo. Tivemos, acho, três indicações antes de Shining para esse Grammy, o Grammy da Finlândia. Então, de certa forma, parecia que havia chegado a hora. Mas, toda vez que recebíamos uma indicação, havia o Amorphis, o Nightwish ou alguma outra banda, e eles sempre ganhavam, claro. Também tivemos sorte naquele ano porque não havia Nightwish ou Amorphis, eu acho. Nem me lembro quem estava concorrendo naquele ano. De qualquer forma, se há Amorphis ou Nightwish, você não vai ganhar, com certeza. Na Finlândia, como você sabe, o metal é muito grande. É possível ouvir metal em shopping centers e no rádio. Dessa forma, também é um pouco mais fácil para nós ganhar esse tipo de Grammy, mas ainda assim foi algo enorme. Nunca acreditei que fôssemos ganhar aquilo. Isso não acontece da mesma forma na Suécia ou na Noruega, com o metal tão presente na vida cotidiana? Sim, Suécia e Noruega também são grandes países do metal, e as bandas também ganham categorias de metal nas premiações de seus países. Acho que o Opeth ganhou muitas vezes na Suécia. Acho que eles ganharam o Grammy sueco, o Grammis. Então, penso que isso só pode acontecer nesses países. Quais elementos da música do Swallow the Sun ainda parecem profundamente ligados à Finlândia? E em que eles adquiriram novos significados à medida que a banda viajou pelo mundo? Tudo. Eu cresci na Finlândia, meu sangue está na Finlândia, tudo. Você pode ouvir isso em cada nota, basicamente. Isso aparece de maneira muito natural na música. Não escuto muito a nossa própria música, mas, quando escuto, há algo finlandês que você pode ouvir. Você pode ouvir os lagos, pode ouvir as florestas. Não importa onde estejamos tocando no mundo, a Finlândia vem conosco. Posso senti-la, posso vê-la. Também sou uma pessoa que vê a música

Entrevista | The Menzingers – “Mal posso esperar para tocar novamente no Brasil”

O novo álbum do The Menzingers, Everything I Ever Saw, mostra uma banda confortável com a própria identidade, mas sem cair na armadilha de repetir fórmulas. Em vez de revisitar a nostalgia que marcou boa parte de sua discografia, o quarteto norte-americano volta o olhar para o presente, refletindo sobre a passagem do tempo, as mudanças inevitáveis da vida adulta e a forma como as experiências se repetem sob novas perspectivas. Musicalmente, o disco mantém a combinação entre punk rock melódico e indie rock, mas com arranjos mais refinados e uma narrativa que funciona melhor como uma obra completa do que como uma coleção de singles. É um trabalho que cresce a cada audição e reforça a maturidade artística da banda. As novas canções também mostram um grupo disposto a transformar momentos pessoais em composições universais. Casamentos, separações, paternidade e recomeços aparecem de forma honesta nas letras, sem perder o poder de identificação que sempre aproximou o The Menzingers de seu público. Mesmo sem buscar o impacto imediato de clássicos como After the Party ou On the Impossible Past, o álbum encontra força justamente na maneira como retrata a vida comum, algo que poucos nomes do punk contemporâneo conseguem fazer com tanta naturalidade. Formado em 2006, em Scranton, na Pensilvânia, o The Menzingers construiu uma das carreiras mais respeitadas do punk rock das últimas duas décadas. Liderada pelos vocalistas e guitarristas Greg Barnett e Tom May, a banda transformou histórias sobre amadurecimento, amizades, relacionamentos e o cotidiano em canções que atravessaram gerações, consolidando discos como On the Impossible Past e After the Party entre os mais importantes do gênero. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Tom May falou sobre os 20 anos da banda, o processo de criação de Everything I Ever Saw e os planos para retornar ao Brasil. O The Menzingers completa 20 anos em 2026. Quando vocês começaram a banda, qual era o sonho? Olhando para essa trajetória, vocês chegaram onde imaginavam? Esse sempre foi o nosso sonho. Talvez pareça pretensioso dizer isso, mas, quando começamos há vinte anos, a ideia era conseguir viver tocando punk rock e viajando pelo mundo. Foi exatamente isso que aconteceu. Sou muito grato por tudo o que vivemos e bastante satisfeito com a trajetória. Fizemos coisas incríveis ao longo desses anos e agradeço por isso todos os dias. E se o Tom de 2006 encontrasse você hoje, o que mais o surpreenderia: a longevidade da banda, o reconhecimento ou o impacto que a música de vocês teve na vida de tantas pessoas? Sem dúvida seria o impacto que nossa música teve na vida das pessoas. Naquela época eu não conseguia imaginar o que isso realmente significava. Eu até podia sonhar que a banda duraria muito tempo, mas essa conexão tão profunda com os fãs é algo impossível de explicar para alguém que ainda não viveu isso. Ainda hoje acho difícil colocar esse sentimento em palavras. Hoje vemos muitas bandas mudando de formação ou encerrando as atividades. Qual é o segredo para manter os mesmos quatro integrantes durante vinte anos? Parte disso é sorte. Tivemos a felicidade de viver vidas relativamente tranquilas, sem grandes tragédias. Mas existe outro fator importante: todos precisam querer a mesma coisa. Nós quatro trabalhamos muito bem juntos, cada um tem seu espaço criativo e suas responsabilidades dentro da banda. O mais importante é que ninguém queria seguir outro caminho. Nunca houve alguém dizendo que preferia estar em uma banda pop ou abandonar a música para ser advogado ou professor. Sempre compartilhamos o mesmo objetivo, e isso fez toda a diferença. O novo álbum parece menos preocupado com nostalgia e mais interessado em aceitar a passagem do tempo. Essa direção foi planejada desde o início? Não. Quando começamos a escrever o álbum, tínhamos apenas um conjunto de músicas. Conforme as letras foram sendo desenvolvidas, elas começaram a revelar uma identidade em comum. Quando estávamos com aproximadamente um quarto ou metade do disco pronto, passamos a discutir conscientemente qual seria o conceito do álbum e os temas que gostaríamos de abordar. Uma das primeiras decisões foi manter um certo otimismo. Também queríamos falar sobre como enxergamos o tempo hoje. Não foi uma reação à nostalgia dos discos anteriores nem uma tentativa de reinventar a banda. Nós simplesmente escrevemos sobre aquilo que estamos vivendo. Nesta fase da vida percebemos que muitos acontecimentos voltam a acontecer de formas diferentes. Isso muda nossa relação com o passado, o presente e o futuro. No fim, acabamos escrevendo um disco muito mais conectado ao presente. O álbum nasceu depois de mudanças importantes na vida de vocês. Foi mais difícil transformar essas experiências em músicas? Para mim, sim. Em alguns aspectos foi mais difícil e, ao mesmo tempo, mais fácil. Foi emocionalmente mais pesado porque eu precisava revisitar sentimentos que preferia deixar para trás. Escrever ajuda a reorganizar esses pensamentos, mas também obriga você a revivê-los. Por outro lado, justamente por causa dessas experiências, a inspiração apareceu com muito mais facilidade. Alguns bloqueios criativos que existiam em discos anteriores simplesmente desapareceram. Então foi um processo difícil emocionalmente, mas muito rico do ponto de vista artístico. Houve alguma música que surpreendeu vocês por entrar no álbum ou que foi especialmente difícil de gravar? A maior surpresa foi “Other People’s Money”. Ela começou apenas como uma música estranha no piano, gravada com bateria eletrônica. Eu não imaginava que acabaria entrando no disco. Todo mundo gostou da ideia e depois tivemos que descobrir como transformá-la em uma música do The Menzingers, acrescentando guitarras e todos os outros elementos. Já a parte mais difícil da gravação foi tocar piano. Todas as nossas músicas são afinadas meio tom abaixo, então eu precisava tocar praticamente só nas teclas pretas, e eu não sou pianista. O Will Yip até me deu uma chave do estúdio para eu praticar nos fins de semana, e um amigo meu me ajudou bastante. No fim das contas, o maior desafio do álbum não foram as emoções nem as letras, mas aprender a tocar piano direito.