Show do Booze & Glory tem celebração de suor, ska e street punk no Hangar 110

Após um hiato de nove anos, o solo paulistano voltou a sentir o peso do Booze & Glory. No último sábado, a ND Productions transformou o mítico Hangar 110 no epicentro da cultura skinhead e punk, entregando uma noite onde a nostalgia e o vigor se encontraram no mosh pit. Aquecimento de respeito: Faca Preta e 88 Não! Com mais de dez anos de carreira, o Faca Preta que lançou recentemente o EP Fogo no Sistema (Repetente Records) apresentou um show energético e com boa parte do público presente cantando junto canções como São Paulo e Cães de Rua. Mostrando muita garra, entrosamento e uma ótima presença de palco, brindaram o público com We’re Coming Back, do Cock Sparrer, e encerraram com a já clássica Lutando de Braços Cruzados, que contou com a participação do Breno, filho do vocalista Fabiano, nos vocais. Sem deixar o ritmo cair, os mauaenses do 88 Não! assumiram o palco atacando com a clássica Bairro Pobre. A grande surpresa da noite ficou por conta de um naipe de metais que elevou o som da banda em um bloco de ska de tirar o fôlego. Entre covers certeiros de Garotos Podres (Rock de Subúrbio) e Attaque 77 (Espadas e Serpentes), a banda preparou o terreno com maestria, encerrando com Beber diante de uma casa já completamente lotada e fervente. É revigorante ver curadorias que respeitam o público: Faca Preta e 88 Não! não foram apenas “bandas de abertura”, mas a prova viva de que o street punk nacional respira com pulmões de aço. Booze & Glory Quando as notas épicas de The Ecstasy of Gold, de Ennio Morricone, ecoaram pelos PAs, o clima de “final de campeonato” tomou conta. O Booze & Glory subiu ao palco e, de cara, soltou The Day I’m in My Grave. O resultado? O Hangar 110 veio abaixo. Mesmo com uma formação renovada em relação à segunda visita ao país, a banda mostrou um entrosamento cirúrgico. O repertório foi um presente aos fãs, equilibrando hinos antigos como Leave the Kids Alone e Raising the Roof com faixas recentes, a exemplo de Boys Will Be Boys, recebida com o mesmo entusiasmo dos clássicos. O ápice da catarse aconteceu em London Skinhead Crew. O que se viu foi o puro espírito do punk: uma invasão de palco pacífica, onde banda e público se tornaram um só, entoando o refrão com a força de uma arquibancada de estádio. Para fechar a conta, ainda sobrou fôlego para a debochada Only Fools Get Caught. Ao final, o cenário era o melhor possível: público e banda exaustos, sorridentes e devidamente batizados em cerveja e suor. Mais do que um show, foi uma celebração de uma cultura que nasceu em 1969 e que, contra todas as previsões, segue pulsante, barulhenta e mais unida do que nunca.

Entrevista | Angra – “Estou muito curioso para ver como será eu, o Aquiles e todo mundo junto no Bangers”

O Bangers Open Air terá um dos momentos mais aguardados do heavy metal nacional em 2026. O Angra sobe ao palco do festival em um formato especial que marca uma reunião histórica de integrantes ligados à fase clássica da banda. O encontro promete celebrar diferentes eras do grupo em uma apresentação pensada exclusivamente para o evento. Além do festival, o Angra também realiza um sideshow especial da turnê Nova Era no Espaço Unimed, ampliando a celebração para o público paulistano. A apresentação paralela reforça o peso do reencontro e cria um fim de semana dedicado à trajetória da banda, reunindo fãs de diferentes gerações. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o baterista Bruno Valverde, que também estará no festival com o Smith/Kotzen, conta como será o formato exclusivo preparado para o Bangers Open Air e explica como funcionará a dinâmica dividida com Aquiles Priester no palco. Como é a preparação física para aguentar uma jornada dupla no domingo com Smith/Kotzen e Angra? Olha, vamos ver o que vai acontecer, mas com certeza é comer muita carne para ter bastante proteína e energia também. Eu faço um ensaio no dia anterior com o Angra e pretendo passar o setlist umas três ou quatro vezes no dia, para ficar com a mão praticamente sangrando, justamente para saber que tem bastante energia para o dia seguinte. Vai ser um dia muito intenso. Provavelmente na passagem de som eu já vou estar com meus dois kits separados. Não vou usar o mesmo kit para as duas bandas, então vai ser uma coisa bem intensa. Vou estar com o meu drum tech lá, que está muito preocupado. Aliás, vai ser a primeira vez que eu vou usar a Tama. O meu próprio kit no Brasil está chegando agora, então é tudo novo nesse sentido. Que bacana, a estreia vai ser aqui? Exatamente. A estreia dos meus novos kits da Tama será no Brasil, especificamente no Bangers Open Air. Mas você não vai tocar o show inteiro do Angra, ou vai? Tem essa vantagem, porque o show do Angra é muito intenso, geralmente tem duas horas ou um pouco mais. Se fosse um show completo comigo tocando tudo, eu ficaria um pouco mais preocupado. Mas como vai ter basicamente uma hora, uma hora e pouco, depois o show do Angra será dividido em três partes. Eu toco a primeira parte, depois entra o Aquiles e, no final, a gente toca junto. Então não vai ser aquela coisa extremamente louca de se fazer, mas vai ser emocionante. Estou muito curioso para ver como vai ser ver todo mundo junto lá. Muita gente que comprou ingresso para o Bangers tem dúvida sobre o formato e a exclusividade do show. No Porão do Rock, por exemplo, foi anunciado somente o Kiko. Qual é a diferença entre as propostas? No Porão do Rock vai estar o Kiko como participação especial. Não vai ter o Edu nem o Aquiles, então a proposta é totalmente diferente. Será um show muito mais parecido com o que a gente já faz, mas com a participação do Kiko. Obviamente vai ter músicas diferentes por causa disso. Também vai ser um show grande, porque a gente será headliner do Porão. Vai ser um showzaço. Da minha parte, vai ter um bate e volta. Esse show acontece no dia 22 de maio. Eu chego no dia, toco e vou embora na madrugada, porque tenho um projeto acontecendo em Los Angeles. Então será bem intenso. Sair do avião e tocar duas horas como um maníaco. E você se prepara fisicamente em Los Angeles? Sim, me preparo bastante. Para o show do Angra, começo a me preparar pelo menos três semanas a um mês antes, com intensidade física mesmo.

Rush esgota ingressos e anuncia show extra no Allianz Parque

A apresentação do Rush marcada para o dia 24 de janeiro de 2027, no Allianz Parque, em São Paulo, teve seus ingressos esgotados rapidamente. Mas, para alívio de quem ficou de fora, a produtora 30e confirmou nesta segunda-feira (2) um show extra do Rush na capital paulista: o trio subirá novamente ao palco do estádio no dia 26 de janeiro de 2027 (terça-feira). 🚨 Ingressos Se você perdeu a primeira chance, prepare os alarmes e os cartões, pois as vendas para o show extra começam nesta semana: Homenagem a Neil Peart com novos talentos O formato dessa turnê sul-americana será de gala. Com a proposta “an evening with” (uma noite com), a banda tocará dois longos sets por noite, sem bandas de abertura. Eles estão ensaiando um catálogo com mais de 40 clássicos, garantindo que os setlists mudem de uma noite para a outra. Para a monumental tarefa de assumir as baquetas do inesquecível Neil Peart, a banda recrutou a baterista, compositora e produtora alemã Anika Nilles (que já tocou com Jeff Beck). O time se completa com o tecladista Loren Gold (The Who). A iniciativa tem a bênção emocionada da família de Neil. “Estamos entusiasmadas em apoiar a turnê Fifty Something. Honrar o extraordinário legado de Neil como baterista e letrista… Ao entrar neste novo capítulo, a banda promete algo verdadeiramente inesquecível”, declararam Carrie e Olivia Peart, viúva e filha do músico. * 🎫 Serviço: Rush – Show extra em São Paulo Preços (Show extra – 26/01) (Lembrando que a turnê também passará por Curitiba em 22/01, Rio de Janeiro em 30/01, Belo Horizonte em 01/02 e Brasília em 04/02).

Entrevista | Smith/Kotzen – “Estamos todos contando os minutos para tocar no Bangers Open Air”

O Bangers Open Air recebe neste ano um encontro que une peso, groove e história no rock. O Smith/Kotzen desembarca no festival, dia 26 de abril, trazendo ao Brasil a parceria entre dois guitarristas de trajetórias consagradas. De um lado, Adrian Smith, integrante do Iron Maiden e responsável por alguns dos riffs mais emblemáticos do heavy metal. Do outro, Richie Kotzen, multi-instrumentista com passagens por Poison, Mr. Big, The Winery Dogs e uma sólida carreira solo marcada por blues, soul e improvisação. No palco, a dupla é sustentada por dois brasileiros de trajetória internacional: a baixista Julia Lage, que construiu carreira nos Estados Unidos e já integrou a banda Vixen, e o baterista Bruno Valverde, atual baterista do Angra, conhecido por sua versatilidade e intensidade técnica. Em entrevista ao Blog N’Roll, a dupla brasileira, responsável pela cozinha do projeto, falou sobre como surgiu o convite para integrar a banda, a possibilidade de mudanças no setlist no Brasil e a expectativa para o Bangers Open Air. Como foi o convite para vocês integrarem o Smith/Kotzen? E como aconteceu a coincidência de os dois serem brasileiros? Bruno Valverde: Fui tocar em um bar de fusion em Los Angeles chamado Baked Potato, com o guitarrista brasileiro Rafa Moreira. A Júlia e o Richie foram assistir ao show e eu estava na bateria. Já tínhamos nos encontrado antes em Los Angeles, mas ali trocamos contato. O Richie me viu tocando e, cerca de quatro ou cinco meses depois, perto de dezembro, a Júlia me ligou dizendo que ele queria falar comigo. Ele comentou que tinha um projeto com o Adrian Smith e que começariam os ensaios na semana seguinte. Mandou quatro ou cinco músicas e, na outra semana, já estávamos ensaiando para a turnê de 2022. Foi tudo muito direto. Júlia Lage: No meu caso foi algo bem orgânico. Todo fim de ano o Richie fazia uma festa na casa dele em Malibu, que sempre terminava em jam session. No final, ficavam Richie e Adrian tocando por horas. Quando surgiu a necessidade de montar a banda ao vivo, a esposa do Adrian, que inclusive foi quem conectou os dois, sugeriu meu nome. Depois chamaram o Bruno também, colocaram todo mundo no estúdio para testar e tocamos quatro ou cinco músicas. Deu liga. É um ambiente muito familiar. O fato de sermos brasileiros também facilitou a conexão cultural entre nós. O Richie, como multi-instrumentista, é muito exigente ou deixa vocês mais livres? Bruno Valverde: O Richie é um grande músico, com uma cabeça muito voltada tanto para o artista quanto para o instrumentista. Ele gosta muito de música e de improvisar. Na turnê solo dele, há músicas que chegam a 10 ou 15 minutos porque ele gosta de jam, de trocar ideias entre os instrumentos. Ele não limita suas ideias, mas você precisa entender o formato do projeto e agir como profissional. Não é sair ultrapassando limites. Ele sabe o que quer ouvir, mas gosta que você traga algo. É uma construção orgânica. Júlia Lage: Ele gosta que você contribua, mas é preciso entender a música. Existem partes que precisam ser executadas exatamente como são. Ele é aberto, gosta da parte criativa, mas sempre dentro do contexto da canção. Mas, Júlia, como é sustentar a base para o Adrian Smith? Há momentos em que você precisa segurar a mão para deixar ele brilhar? Júlia Lage: Com qualquer artista você precisa entender de quem é o momento. Como baixista, minha função é sustentar o groove. Se há espaço para um detalhe, faço, mas preciso compreender meu papel e o tipo de show que estamos fazendo. No solo de “Wasted Years”, por exemplo, eu executo exatamente como no disco, porque aquele momento é dele. É uma questão de bom senso musical. Bruno Valverde: Estamos ali para servir a música. Não é sobre alguém brilhar mais que o outro, mas sobre criar o ambiente para que cada momento aconteça. Esse projeto é diferente porque todos são muito apaixonados por música. Não é apenas performance, é troca real. Eu ia perguntar, mas já que você mencionou, The Wasted Years vai rolar no Brasil? Júlia Lage: Ainda não discutimos o que será tocado na América do Sul. Provavelmente será muito parecido com o que temos feito, mas, por ser festival e ter menos tempo, talvez algumas músicas sejam cortadas. Bruno Valverde: Existe possibilidade, mas ainda não está definido. E como o Adrian e o Richie enxergam o público brasileiro? Bruno Valverde: É quase unanimidade entre artistas que tocam na América do Sul que o público é muito intenso. É uma energia humana muito forte. Não tem como não ser alimentado por isso. Em alguns lugares da Europa o público é mais contido. No Brasil é uma loucura do começo ao fim. Júlia Lage: Os dois já tocaram muito no Brasil e sabem o que esperar. Estamos todos contando os minutos para tocar na América do Sul e no Bangers. A energia é diferente e isso impacta diretamente o show. Como vocês enxergam a participação no Bangers Open Air, um festival tradicionalmente ligado ao metal, tocando um som mais próximo ao hard rock? Júlia Lage: Será a primeira vez que tocaremos nesse festival com essa banda, então vamos descobrir. Mas o show é energético. Mesmo sendo mais hard rock e blues em alguns momentos, há intensidade. Existe ação o tempo todo no palco. Bruno Valverde: A expectativa do público é grande, mesmo conhecendo o setlist. A gente faz o que precisa fazer no palco e entrega energia. O que vocês têm ouvido atualmente no fone de vocês? Bruno Valverde: Nada, silêncio (risos). Existe uma característica comum entre nós de evitar música de fundo. Estamos todos os dias tocando na estrada, sempre com muito som ao redor. Precisamos de silêncio para descompressão. Júlia Lage: Às vezes escuto algo bem tranquilo para dormir e baixar a adrenalina do pós-show. Depois de horas de intensidade no palco, é importante equilibrar.

Netflix exibirá show de lançamento do novo álbum de Harry Styles

A Netflix anunciou a exibição global e exclusiva da primeira performance ao vivo do aguardado novo álbum de Harry Styles, intitulado Kiss All the Time. Disco, Occasionally. O show histórico acontecerá na moderníssima arena Co-op Live, em Manchester, na Inglaterra, nesta sexta-feira (6). A apresentação, que marca o pontapé inicial da inédita turnê Together, Together, chegará ao catálogo do streaming no domingo (8), a partir das 16h (horário de Brasília). Retorno após “Harry’s House” O especial da Netflix, com produção assinada pela Fulwell Entertainment, trará a apresentação na íntegra. A grande vantagem é que, após a estreia no domingo, o show ficará disponível no catálogo para os assinantes assistirem quando e quantas vezes quiserem. A expectativa para esse retorno é gigantesca. Kiss All the Time. Disco, Occasionally é o quarto álbum de estúdio do astro britânico e será lançado oficialmente nas plataformas digitais no mesmo dia do show em Manchester (6 de março). O projeto chega para suceder o aclamado Harry’s House, clássico moderno lançado há quase quatro anos que varreu as principais premiações do mundo, incluindo o cobiçado troféu de Álbum do Ano no GRAMMY. 📺 Serviço: Harry Styles na Netflix

Oasis anuncia primeira gravação ao vivo da turnê de reunião no álbum Help(2)

A War Child Records anunciou que o Oasis fará parte do aguardado álbum beneficente Help(2), contribuindo com uma versão ao vivo explosiva e inédita de Acquiesce. A gravação foi capturada diretamente no icônico Wembley Stadium, no dia 28 de setembro de 2025, durante a noite final da lendária sequência de sete shows da banda no local. Este lançamento é um marco absoluto: trata-se da primeira edição física e oficial de uma gravação ao vivo extraída da monumental turnê de reunião Oasis Live ’25. O single chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (6). Para os colecionadores, a faixa terá um apelo ainda mais especial: ela será lançada como um single avulso em vinil 7″ encartado na versão gatefold do álbum e como uma “faixa escondida” na edição em CD duplo. Legado do Oasis com a War Child O retorno dos irmãos Gallagher à série Help é carregado de simbolismo. O Oasis já havia participado do histórico álbum original de 1995, abrindo o disco com a faixa Fade Away. Na mesma época, Noel Gallagher também formou o supergrupo The Smokin’ Mojo Filters ao lado de Paul McCartney e Paul Weller para o projeto. Quase três décadas depois, a banda reforça seu apoio contínuo à missão da ONG, que visa proteger, educar e defender os direitos de crianças afetadas por conflitos ao redor do mundo. Line-up de peso e encontros inéditos, além do Oasis no Help(2) Além do Oasis, Help(2) funciona como um verdadeiro festival dos sonhos do indie e rock alternativo, reunindo artistas gigantescos sob a produção do aclamado James Ford. O disco conta com lançamentos recentes e encontros espontâneos de estúdio, como: A lista estelar ainda inclui nomes como The Last Dinner Party, Nilüfer Yanya, King Krule, Foals, Depeche Mode, Beck, Big Thief e Anna Calvi. “By Children, For Children” Para dar vida à identidade visual do projeto, o renomado cineasta Jonathan Glazer (vencedor do Oscar por Zona de Interesse) assumiu a direção criativa. O conceito adotado foi entregar pequenas câmeras para crianças operarem livremente dentro dos estúdios do Abbey Road e também em zonas de conflito (Ucrânia, Gaza, Iêmen e Sudão). O resultado é um documentário visual brutal e poético, garantindo que o público veja o mundo através dos olhos daqueles que a música busca ajudar.

AC/DC ignora a chuva, cala críticos e transforma o Morumbis em templo do rock

O sábado, 28, entrou para a história do Morumbis como mais uma noite monumental do AC/DC no Brasil. No segundo dos três shows com ingressos esgotados, cerca de 70 mil pessoas transformaram o estádio em território sagrado do rock pesado durante 2h15. A banda ainda retorna no dia 4 de março, encerrando a passagem que já nasce histórica. Quase duas décadas depois da última visita, o reencontro carrega outro peso. Desde a apresentação de 2009, muita coisa mudou no mundo e dentro da própria banda. Por isso, qualquer análise honesta precisa considerar o fator tempo. Ele não perdoa ninguém, nem mesmo as lendas. Leia aqui o review da primeira noite do AC/DC no Morumbis Ainda assim, o que se viu em São Paulo foi uma banda em plena forma, contrariando vídeos e comentários que circularam após trechos da turnê europeia. Sim, algumas mudanças são perceptíveis. O riff de Thunderstruck apareceu em andamento levemente mais cadenciado. E Brian Johnson já não sustenta todas as notas agudas como nos anos 80. Mas nada disso compromete o impacto do espetáculo. Aos 78 anos, o vocalista canta, caminha, dança e interage com uma vitalidade que muitos artistas com metade da idade não conseguem sustentar. A entrega continua absoluta. Angus Young também respondeu à altura. A chuva inesperada que caiu sobre o Morumbis poderia ter esfriado o clima. Não para ele. O guitarrista atravessou a passarela sob a água, solo em punho e dancinha, sem hesitar. Como se o tempo fosse apenas mais um detalhe irrelevante diante do compromisso com o público. Seu uniforme escolar permanece intacto como símbolo, e o famoso duckwalk segue arrancando gritos. O longo desfecho instrumental em Let There Be Rock reafirma por que ele é um dos arquitetos definitivos da guitarra no hard rock. A base formada por Stevie Young, Chris Chaney e Matt Laug sustenta o peso com precisão cirúrgica. Sem exageros, sem disputas de protagonismo. Apenas riffs sólidos, graves pulsantes e batidas diretas ao ponto. A engrenagem funciona como sempre funcionou: simples, alta e eficiente. Para quem preferiu opinar à distância, o show foi um recado claro. Exigir de músicos septuagenários o mesmo desempenho físico de três décadas atrás é perder o ponto principal. O público que esteve no estádio entendeu isso desde o primeiro acorde e provou porque o Brasil merecia mais visitas dos australianos nos últimos anos. Cantou cada refrão, abriu rodas, puxou o tradicional coro de estádio e iluminou a noite com milhares de chifres vermelhos piscando. As tradições permaneceram intocáveis. O sino marcando a introdução de Hells Bells ecoou imponente. Em Highway to Hell, Angus saudou a multidão com o clássico chifrinho iluminado. E Let There Be Rock trouxe a já esperada sequência de solos, estendida, intensa, celebrada como um ritual coletivo. O repertório foi um passeio pela espinha dorsal do rock. Clássicos de Back in Black, Highway to Hell, Dirty Deeds Done Dirt Cheap, Powerage e Power Up apareceram em sequência quase didática. A abertura com If You Want Blood (You’ve Got It), seguida imediatamente por Back in Black, estabeleceu o tom da noite. Um dos momentos mais comemorados foi Jailbreak, ausente dos palcos por décadas e agora reintegrada ao set. No bis, T.N.T. transformou o estádio em um coral de dezenas de milhares de vozes, preparando o terreno para For Those About to Rock (We Salute You), acompanhada por explosões e fogos que fecharam a apresentação em clima de celebração máxima. O AC/DC não é mais a mesma formação física de 30 anos atrás. E não precisa ser. O que permanece é a convicção, o repertório irretocável e a conexão direta com quem está na frente do palco. Em 2026, vê-los ao vivo é mais do que assistir a um show, será, provavelmente, a última chance de testemunhar a permanência de um legado que insiste em continuar pulsando alto. Foto por @christiegoodwin

Taylor Momsen assume controle do Morumbis e The Pretty Reckless entrega abertura à altura do AC/DC

A responsabilidade de abrir para o AC/DC nunca é pequena. Ainda mais quando se trata de uma banda liderada por uma atriz que ficou conhecida em um seriado teen em meio a uma plateia mais velha e amante do rock clássico. O rótulo poderia pesar contra o The Pretty Reckless, mas bastou o primeiro riff ecoar no Morumbis para qualquer desconfiança cair por terra. Taylor Momsen e seus parceiros entraram com postura de veteranos e, em poucos minutos, tinham a multidão nas mãos. O que poderia ser um teste de fogo virou uma recepção calorosa, com direito a aplausos consistentes e um público atento do começo ao fim. Leia aqui o review do primeiro show da The Pretty Reckless no dia 24.02 Sem recorrer a telões grandiosos, efeitos especiais ou labaredas cenográficas, o quarteto apostou no básico que sustenta qualquer show de rock de verdade nesta segunda noite de dobradinha com o AC/DC no sábado (28/02): guitarra alta, cozinha pesada e presença de palco. O repertório foi construído com dez músicas executadas sem rodeios, alternando momentos mais sotis com explosões diretas. Death by Rock and Roll abriu os trabalhos apontando o caminho da noite, seguida por Since You’re Gone e Follow Me Down. A banda também trouxe a densidade de Only Love Can Save Me Now, o clima mais sombrio de Witches Burn, dedicada a todas as mulheres no público, e apresentou For I Am Death, faixa recente que entrou há pouco tempo no setlist. Na parte final, vieram as cartas mais conhecidas. Make Me Wanna Die foi cantada em coro, Going to Hell incendiou o gramado e Heaven Knows funcionou como ponto máximo de interação. O encerramento com Take Me Down manteve a vibração lá em cima e consolidou a missão cumprida. Antes de deixar o palco, Taylor surpreendeu ao pegar um caderno para se comunicar em português com o público, gesto simples que arrancou gritos e aproximou ainda mais a banda da plateia brasileira. Ao fim, ficou claro que o grupo não apenas abriu caminho para o gigante australiano, mas também cravou seu próprio espaço na noite e um show solo no futuro. Crédito da foto: Camila Cara / Live Nation

Banda inglesa Shame retorna ao Brasil em junho

O quinteto inglês Shame retorna ao Brasil em data única, apresentando um repertório inédito, com canções de seu novo álbum Cutthroat, além de sucessos de seus três discos anteriores. O show acontece no dia 20 de junho, sábado, no Cine Joia, em São Paulo. Essa será a terceira visita da banda ao país desde 2019, após uma série de shows esgotados, gerando imenso buzz pelas performances marcantes do grupo, liderado pelo intenso e carismático vocalista Charlie Steen. Os ingressos já estão à venda online no site da Ingresse, nos setores Pista e Camarote. Para quem deseja comprar sem taxa de conveniência, o Takkø Café é o ponto de venda físico oficial, no bairro Vila Buarque. Confira os dias e horários de funcionamento do estabelecimento. O show é uma produção da Balaclava. Considerados um dos principais nomes que trouxeram à tona a sonoridade punk do Reino Unido, ao lado de IDLES, Fontaines D.C e High Vis, o Shame segue expandindo seu público e consolidando sua reputação como uma banda que transforma inquietação em catarse coletiva. Formado no sul de Londres em meados da década de 2010, o grupo rapidamente chamou atenção pela energia crua de suas apresentações ao vivo e por uma abordagem visceral que dialoga com a tradição pós-punk britânica, mas com identidade própria. Desde os primeiros lançamentos, construíram uma trajetória marcada por urgência política, inquietação geracional e uma entrega performática explosiva. Seu álbum de estreia, Songs of Praise (2018), marcou a essência do pós-punk inglês e trouxe clássicos elementos do britpop, soando Stone Roses e The Fall ao mesmo tempo, com um som direto, barulhento e provocador. Drunk Tank Pink (2021) já mostra uma enorme evolução do quinteto, soando mais grandioso e ambicioso, sob produção de James Ford. Aqui, as referências principais foram Gang of Four, Talking Heads, ESG e Talk Talk. No terceiro disco, Food for Worms (2023), a banda aprofundou sua exploração emocional, equilibrando agressividade e vulnerabilidade com maior sofisticação instrumental. Agora, com o lançamento de Cutthroat (2025), Shame reafirma sua capacidade de evolução sem abrir mão da própria essência. O novo trabalho apresenta sonoridade ainda mais afiada e expansiva, em temas como alienação, ambição, frustração e sobrevivência emocional em tempos de instabilidade social.  Lampião é uma das faixas que evidenciam o interesse da banda por imagens fortes e personagens simbólicos, além da conexão evidente dos integrantes com o Brasil. O título evoca imediatamente a figura histórica do cangaceiro brasileiro Virgulino Ferreira da Silva, associado a narrativas de rebeldia, violência e mito popular. Na canção, essa referência funciona mais como símbolo do que como retrato biográfico: a ideia de marginalidade, confronto com estruturas de poder e sobrevivência em ambientes hostis. Ainda na casa dos vinte anos, os cinco amigos de infância, Charlie Steen, os guitarristas Sean Coyle-Smith e Eddie Green, o baixista Josh Finerty e o baterista Charlie Forbes – evoluíram exponencialmente, com ideias sonoras ambiciosas e habilidade técnica para executá-las. * Balaclava apresenta: Shame (UK) em São Paulo  Data: 20 de Junho de 2026, sábado Local: Cine Joia Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade Horários: Portas 20h / Show 21h Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal Ingressos: https://ingresse.com/shame-sp