Entrevista | The Sophs – “Percebi minha tendência a buscar validação e culpar o mundo”

O cenário indie rock norte-americano ganha um novo fôlego com a ascensão meteórica da banda The Sophs. O grupo, que recentemente chamou a atenção da lendária gravadora Rough Trade, carrega uma mistura audaciosa de pop punk, funk e blues, consolidando uma sonoridade que foge do óbvio. O que começou como demos caseiras enviadas despretensiosamente por Ethan Ramon, o frontman, transformou-se em um dos lançamentos mais aguardados do ano, provando que a convicção artística ainda é a melhor moeda de troca na indústria musical. O álbum de estreia, Goldstar, que chegou hoje às plataformas de música digital, gravado inteiramente antes mesmo da assinatura do contrato, preserva a urgência e a espontaneidade das primeiras tomadas. Essa energia crua é o fio condutor de um trabalho que explora temas profundos, como a busca incessante por validação externa e a linha tênue entre a bondade genuína e a encenada. Musicalmente, a banda não tem medo de “roubar” referências, indo de cânticos eslavos a estéticas country, criando um mosaico sonoro que soa coeso graças à narrativa afiada de suas letras. Experimentações no som do The Sophs Um dos grandes destaques do disco é a experimentação estética. Faixas como Goldstar revelam influências latinas inesperadas, bebendo da fonte do rock argentino de Pescado Rabioso e fundindo-as com a batida clássica dos Rolling Stones. Essa versatilidade técnica é fruto da paixão individual de cada membro por seus instrumentos, permitindo que a banda transite entre o silêncio contido e explosões sonoras que prometem dominar os palcos dos grandes festivais ao redor do mundo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, os integrantes Ethan Ramon (vocalista), Sam Yuh (tecladista) e Cole Bobbitt (baixista) revelaram que a turnê de 2026 já está confirmada para a Europa e os Estados Unidos, mas os olhos (e o coração) estão voltados para o Hemisfério Sul. Demonstrando entusiasmo com a cultura brasileira, mencionaram desde as praias, Pelé até pontos icônicos como o Cristo Redentor. A curiosidade sobre o Brasil é evidente, e a banda parece pronta para levar sua performance intensa para o público sul-americano assim que a oportunidade surgir. Ethan, você enviou suas demos diretamente para os diretores da Rough Trade. De onde veio essa confiança e você realmente esperava uma resposta tão imediata para o The Sophs? Ethan: Eu simplesmente acreditava muito na minha música. Com a ajuda do meu diretor criativo, Eric, montamos um material completo: cinco músicas, fotos para a imprensa e um manual da marca com todas as referências. Enviei para 30 gravadoras independentes sem esperar nada, mas sabendo que o material era bom. Recebi a resposta da Rough Trade no dia seguinte. Tem sido surreal, mas não acho que seja desmerecido, temos trabalhado duro por muito tempo. Como o The Sophs conseguiu manter a urgência e a energia espontânea das demos ao gravar o álbum final em estúdio? Ethan: Na verdade, o álbum final foi gravado antes de assinarmos o contrato. A maior parte do que você ouve são gravações de primeira tomada, feitas no mesmo dia. Queríamos manter aquela energia impulsiva do começo ao fim, sem perder o frescor das ideias originais. A música Goldstar fala sobre a busca por validação externa. É uma crítica à necessidade moderna de aprovação ou algo mais pessoal? Ethan: É um pouco dos dois. É uma versão dramatizada de mim mesmo. Percebi minha tendência a buscar validação e culpar o mundo em vez de assumir a responsabilidade. Escrevi a partir dessa perspectiva, mas acho que acabo falando sobre a maioria das pessoas, porque no fundo não somos tão diferentes assim. Vocês mencionaram a ideia de “roubar” e plagiarizar artisticamente. Qual foi a coisa mais inusitada que vocês pegaram emprestado para este disco? Ethan: A estética country em Sweetiepie é bem singular, usamos até uma harpa de boca para criar aquele som. E o final de Blitzed Again tem um canto eslavo completo. Ter essas duas coisas no mesmo disco mostra a nossa versatilidade. O som de vocês varia do pop punk ao funk e blues. Qual é o segredo do The Sophs para essa mistura não parecer desconexa? Sam: O fator principal que une tudo é a narrativa das letras do Ethan. Como ela é consistente, nos permite explorar gêneros como o blues de 12 compassos ou melodias eslavas sem perder o foco. Além disso, somos nós que tocamos tudo, então cada música tem nosso toque pessoal, o que garante a coesão. De onde vieram as influências latinas e os toques de flamenco na faixa Goldstar? Ethan: Eu estava ouvindo muito o álbum Artaud, do Pescado Rabioso (projeto do argentino Luis Alberto Spinetta). Ao mesmo tempo, eu e o Sam estávamos ouvindo Paint It Black, dos Rolling Stones. Sam: Decidimos colocar aquele padrão de dedilhado em cima da batida dos Stones e criou algo dinâmico que nunca tínhamos ouvido antes. Como vocês traduzem a dinâmica entre o silêncio e a explosão para os palcos de grandes festivais? Ethan: Muito volume! (risos). Mas, sério, todos na banda têm um conhecimento profundo da parte técnica e de engenharia de som. Sabemos quais pedais e instrumentos funcionam melhor em cada contexto. É o resultado de sermos apaixonados pelos nossos instrumentos, o que nos permite ter bom gosto e criar o show perfeito. O álbum questiona se ser uma boa pessoa pelos motivos errados diminui nossa bondade. Você já encontrou essa resposta? Ethan: Ainda não. Escrevi um álbum inteiro sobre isso e não consegui uma resposta definitiva. Espero que, quando o mundo ouvir, talvez alguém me dê essa resposta. Com a turnê de 2026 confirmada, existem planos para o Brasil? E o que vem à mente quando pensam no país? Ethan: Adoraríamos ir ao Brasil! Assim que tivermos a oportunidade, ficaremos muito felizes em nos apresentar aí. Cole: Pensamos em praias bonitas, clima bom, futebol, Pelé, e, claro, o Cristo Redentor. Eu sou de Santos, a cidade onde o Pelé surgiu para o mundo. Aqui tem um museu dele, vocês precisam conhecer. Cole: Eu irei, com certeza! Para fechar, quais os três álbuns que mais influenciaram

Entrevista | Black Label Society – “Usei a The Grail em Ozzy’s Song. Foi a primeira guitarra que gravei com ele”

O Black Label Society retorna ao Brasil como uma das atrações do Bangers Open Air, com show marcado para o dia 25 de abril. Liderada pelo guitarrista e vocalista Zakk Wylde, a banda é conhecida por misturar riffs pesados, grooves inspirados no heavy metal clássico e uma forte identidade sonora construída ao longo de mais de duas décadas. O grupo se consolidou como um dos projetos mais consistentes do metal moderno, com uma base de fãs fiel em todo o mundo e uma relação histórica com o público brasileiro. A apresentação acontece poucas semanas após o lançamento de Engines of Demolition, novo álbum de estúdio da banda, previsto para 27 de março. O disco marca o primeiro trabalho inédito do grupo em alguns anos e reúne músicas escritas ao longo de diferentes períodos de turnê. Segundo Wylde, o tempo maior entre gravações acabou permitindo que ele continuasse desenvolvendo riffs e ideias até chegar a um resultado que o deixou plenamente satisfeito. A trajetória de Zakk Wylde também ajuda a explicar o peso do nome Black Label Society no cenário do rock. O guitarrista ganhou projeção mundial ao integrar a banda de Ozzy Osbourne no fim dos anos 1980, participando de discos clássicos e se tornando um dos músicos mais associados ao vocalista. Ao longo da carreira, Wylde também se envolveu em diversos projetos paralelos, incluindo o tributo Zakk Sabbath e a atual turnê de celebração do Pantera, tocando as músicas do amigo e guitarrista Dimebag Darrell. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Zakk Wylde falou sobre o novo álbum Engines of Demolition, sua relação com o público brasileiro e as histórias envolvendo Ozzy Osbourne ao longo da carreira. Ele confirmou que o “Madman” queria gravar mais um álbum. Você está mais animado para ver o público brasileiro do palco ou para ir a uma churrascaria por aqui? Eu adoro comida brasileira, cara. Não tem como perder isso, é a melhor coisa. Acho que estamos aqui agora na estrada e mais tarde vamos acabar indo em uma churrascaria brasileira. E quando chegarmos mais ao sul provavelmente vamos fazer isso de novo. O público brasileiro é conhecido por ser um dos mais intensos do mundo. Você sente essa diferença quando toca aqui? Eu acho que sempre que tocamos na América do Sul as pessoas têm uma paixão enorme pela vida em geral. Sabe o que quero dizer? E isso acaba se refletindo no amor pela música e simplesmente no amor pela vida. Você gosta da ideia de tocar músicas novas do Black Label Society em um festival como o Bangers, onde o público é bem diverso? É uma boa forma de testar a reação das pessoas? Para mim isso realmente não faz diferença. Nós apenas subimos no palco e fazemos o nosso trabalho da melhor forma possível. Quando você vem ao Brasil, além das churrascarias, o que costuma tentar fazer fora dos shows? Na maioria das vezes não temos muito tempo livre porque geralmente é um dia de viagem, então você acaba não vendo muita coisa. Mas quando temos um dia de folga tentamos sair pela cidade, ir até a praia ou algo assim. Só relaxar, curtir um pouco e passar um bom tempo. As pessoas aqui são sempre ótimas, todo mundo é muito positivo. Falando sobre o novo álbum do Black Label Society, ele chega depois de alguns anos. O que você acha que define esse disco? Esse foi o primeiro álbum do Black Label Society em que tivemos tanto tempo entre um disco e outro. Normalmente tudo acontece muito rápido. A gente grava, os caras saem em turnê e pronto. Mas dessa vez gravamos algumas coisas, depois saímos para a celebração do Pantera, voltamos para casa, saímos de novo. Isso durou uns três anos e meio. Então eu pensei que simplesmente continuaria escrevendo. Em vez de lançar um disco e não poder sair em turnê com ele, eu só continuei compondo. No final fiquei muito feliz com o resultado. Quais são suas expectativas para a reação do público ao novo álbum? Você ainda fica nervoso antes de um lançamento? Hoje em dia não mais. No passado você sempre esperava que todo mundo gostasse, mas acho que você não pode pensar assim. Você precisa fazer o disco que ama fazer. Não importa se é a sua banda ou se é Led Zeppelin, Black Sabbath, Elton John ou Billy Joel. Você tem que fazer aquilo que te deixa feliz. Se você está satisfeito com o resultado, é isso que importa. Depois é só esperar que as pessoas embarquem na viagem com você. Muitas músicas foram escritas ao longo de vários anos. Você acha que isso deixa o álbum mais diverso? Não necessariamente. Quando tocamos músicas como Stillborn ou Suicide Messiah, que foram escritas lá atrás, elas ainda têm impacto hoje. Se uma música funciona e as pessoas gostam, não importa quando ela foi escrita. A música Name in Blood foi um dos singles escolhidos para divulgação e já é uma das minhas favoritas do Black Label Society. Existe alguma história por trás da letra? Que bacana. Bom, isso significa compromisso total com o projeto. É como quando você tem uma namorada e decide dar o próximo passo e casar. Você está comprometido com aquilo. É disso que Name in Blood fala. Esse é seu momento romântico então? Com certeza, cara. Com certeza. E quando você escreve um riff, já imagina como ele vai soar ao vivo? Não, nunca penso nisso. Tudo começa com o riff, principalmente nas músicas mais pesadas. Se o riff está naquele código de Sabbath, Zeppelin ou Deep Purple, que para mim são o Monte Rushmore dos riffs, então estamos no caminho certo. Depois disso geralmente surge a melodia e, por último, a letra. Muita gente pergunta sobre guitarras, mas quais foram suas inspirações para cantar? Meus cantores favoritos sempre foram Ozzy e Gregg Allman. Essas são provavelmente minhas duas maiores influências vocais. Mas também adoro Joe Cocker, Paul Rodgers, Elton John e Neil Young. Ainda ouço esses

Athletico Paranaense e 30e instalam 1ª arquibancada retrátil do país para conciliar shows e jogos

A disputa de calendário entre o futebol e as turnês musicais ganhou uma solução estrutural em Curitiba. O Club Athletico Paranaense e a produtora 30e anunciaram um projeto conjunto para a Arena da Baixada: a instalação da primeira arquibancada retrátil em um estádio brasileiro. As intervenções estruturais ocorrem entre abril e agosto de 2026. O modelo de negócio adotado, dentro do contrato firmado entre as partes em 2025, permite a execução da obra sem a imobilização de recursos financeiros por parte do clube. Como funciona a estrutura criada pela parceria entre Athletico Paranaense e 30e A obra será concentrada no Setor Cel. Dulcídio Inferior, com o objetivo de criar uma área específica para a montagem de palcos fora da área do gramado. Para isso, a atual arquibancada de concreto será demolida. Em seu lugar, será implantada uma arquibancada metálica com sistema motorizado de abertura e fechamento (acionamento hidráulico), que reaproveitará as cadeiras originais do setor. Os módulos metálicos já estão em fase de produção na cidade de Piracicaba (SP). Logística e aumento de público A principal finalidade da obra é permitir que a Arena da Baixada sedie jogos de futebol mesmo durante os dias de montagem e desmontagem das megaestruturas de shows. A alteração arquitetônica também trará um impacto direto no tamanho dos eventos. Com a implementação de novas rotas de fuga a partir do gramado, a capacidade de público nos shows realizados no estádio será ampliada em aproximadamente 20%. “A parceria da 30e com a Arena da Baixada vai além da gestão de agenda. Temos o cuidado de investir na infraestrutura das casas em que somos parceiros, com previsão de aprimoramento da estrutura de som e da operação”, aponta Claudio Macedo, vice-presidente sênior da 30e. 📋 Serviço: Impacto para sócios do Athletico-PR Durante o período de obras (abril a agosto de 2026), a logística para os associados do clube sofrerá alterações:

Danko Jones retorna a São Paulo com a turnê do álbum “Leo Rising”

O hard rock sem concessões do trio canadense Danko Jones tem data marcada para voltar ao Brasil. O grupo confirmou uma apresentação em São Paulo no dia 21 de maio (quinta-feira), no Fabrique Club, sob a realização da Powerline Music & Books em parceria com a Heart Merch. O show faz parte da turnê de divulgação de Leo Rising, o 12º álbum de estúdio da banda, lançado em novembro de 2025. A apresentação também marca a celebração das três décadas de atividade do grupo na cena independente global. 30 anos de estrada e a conexão com Lemmy Na ativa desde 1996, o trio formado por Danko Jones (voz e guitarra), John “JC” Calabrese (baixo) e Rich Knox (bateria) construiu sua reputação com base em turnês constantes e uma discografia de rock direto. A crueza do som do grupo chamou a atenção de pares de peso ao longo dos anos. Lemmy Kilmister, saudoso líder do Motörhead, foi um mentor declarado de Danko, enxergando no canadense a mesma postura de palco e a dedicação ao rock and roll que definia sua própria trajetória. Fómula de ‘Leo Rising’ Lançado no final do ano passado, o álbum Leo Rising mantém a estrutura de riffs e refrões imediatos que consolidou a identidade da banda. O disco conta com 11 faixas curtas, destacando-se músicas como What You Need e o power pop de Everyday Is Saturday Night. A faixa Diamond In The Rough traz ainda a participação do guitarrista Marty Friedman (ex-Megadeth). Sobre o novo trabalho, o vocalista é categórico: “Eu poderia te dar algumas respostas prontas sobre nosso processo de composição, experimentações e tudo mais. Mas a verdade é que isso é apenas mais uma porção de hard rock, servido por baixo, bateria, guitarra e vocais. Sem firulas, só música carne e batata, feita para colocar um sorriso satisfeito no seu rosto.” 🎫 Serviço: Danko Jones em São Paulo Os ingressos já estão disponíveis e contam com a opção de Meia Solidária, que exige a doação de 1kg de alimento não perecível na porta do evento.

Getúlio Abelha lança a versão expandida do álbum “Autópsia+” e faz show hoje em São Paulo

O cantor e performer Getúlio Abelha disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Autópsia+, uma versão expandida do seu último projeto de estúdio. Para marcar a chegada do disco, o artista sobe ao palco da Casa Natura Musical, em São Paulo, na noite de hoje. O novo material aprofunda o universo apresentado na primeira parte do trabalho (lançado em 2025 e eleito um dos melhores álbuns do ano pela APCA). Novas faixas e mistura sonora de Getúlio Abelha Autópsia+ adiciona cinco faixas inéditas ao repertório: O Corte, Brincadeira do Ossinho, Zé Pinguelo, Espantalho (composição em parceria com Alice Caymmi e Helô Duran) e A Cova. O disco também traz duas faixas bônus: o single Ranço e Caranguejeira Satanista. Liricamente, o álbum aborda relações desgastadas, vínculos quebrados e dores que não se resolvem com o tempo. As letras usam imagens ligadas ao corpo e à decomposição para tratar de emoções em colapso. O disco parte da ideia de que muita coisa morre enquanto ainda está viva, e que o reconhecimento e o cuidado costumam chegar tarde demais. Sonoramente, Getúlio continua empurrando os limites do forró para territórios inusitados. A produção musical, assinada por Glhrmee (com coprodução do próprio Getúlio), promove a convivência entre o forró eletrônico, punk, jazz, rock, psicodelia e o piseiro. O novo trabalho apresenta arranjos com mais guitarras e mudanças bruscas de estilo, além de exigir novos registros vocais do intérprete. 🎫 Serviço: show de lançamento – Autópsia+ A nova turnê conta com direção reformulada pelo próprio artista em parceria com a diretora de movimento Fernanda Fiuza.

Kadavar confirma Hammerhead Blues e Espectro para abertura de show em São Paulo

A produtora Agência Sobcontrole confirmou os grupos paulistas Hammerhead Blues e Espectro como bandas de abertura para a apresentação dos alemães do Kadavar, no dia 21 de março (sábado), no Carioca Club, em São Paulo. O evento marca o retorno do Kadavar à capital paulista após um intervalo de oito anos, trazendo na bagagem uma fase de reinvenção sonora e mudanças na formação. Retorno ao stoner rock Hoje atuando como um quarteto — com a adição de Jascha Kreft —, o Kadavar chega ao Brasil promovendo a turnê do álbum K.A.D.A.V.A.R. (Kids Abandoning Destiny Among Vanity and Ruin), lançado em novembro de 2025. O trabalho representa uma volta às raízes para a banda. Após um período de experimentações nos discos anteriores, o grupo resgatou a estética analógica, a energia crua do rock dos anos 70 e a força do stoner rock que os projetou na década de 2010. Faixas como “Lies”, “Stick It” e “Total Annihilation” mostram um foco renovado em riffs pesados e groove pulsante. >> LEIA ENTREVISTA COM KADAVAR Peso da cena nacional Para preparar o palco, a curadoria do evento selecionou dois nomes ativos no underground de São Paulo: 🎫 Serviço: Kadavar em São Paulo Os ingressos já estão disponíveis e a opção de meia-entrada solidária exige a doação de 1kg de alimento não perecível no dia do evento.

Entrevista | Felipe Andreoli (Angra) – “Não é um renascimento, é um reencontro”

O ano de 2026 já está marcado como um dos mais importantes na cronologia do metal brasileiro. Após 19 anos de espera, o Angra confirmou o que muitos julgavam impossível: o reencontro da icônica formação “Nova Era”. Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester dividirão o palco novamente para celebrar os 25 anos de Rebirth, o álbum que não apenas salvou a banda em um momento de incertezas, mas redefiniu o power metal mundial no início dos anos 2000. O reencontro terá dois capítulos monumentais. O primeiro acontece no domingo, 26 de abril, como um dos grandes headliners do Bangers Open Air, no Memorial da América Latina. O segundo, um sideshow estendido e exclusivo, será realizado no Espaço Unimed, no dia 29 de abril. Esta apresentação em São Paulo promete ser ainda mais imersiva, com a execução na íntegra do disco Rebirth e um setlist que abraça todas as fases do grupo, contando inclusive com a participação dos atuais integrantes, Alírio Netto, Marcelo Barbosa e Bruno Valverde, em um verdadeiro “encontro de eras”. Para entender os bastidores dessa união, o Blog n’ Roll conversou com o baixista Felipe Andreoli. No papo, ele revela como está o clima entre os músicos, a responsabilidade de revisitar clássicos com a maturidade de hoje e o que esperar dessas apresentações que prometem ser únicas. Como foi o primeiro contato entre vocês cinco (Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Aquiles Priester e você) para selar esse reencontro após quase 20 anos? Na verdade, o reencontro físico dos cinco ainda não aconteceu, vai rolar na semana do festival, quando vamos ensaiar. Mas temos nos falado muito para combinar tudo. Foi um processo muito tranquilo. Sinto que todos compartilham o sentimento de que isso é legal e bom para todo mundo. Esse projeto coloca no passado qualquer problema que tenhamos tido. Vejo todos muito a fim de que dê certo e de que a gente saia de lá com uma sensação boa. Como anfitriões, nós do Angra puxamos a responsabilidade de criar esse ambiente seguro e confortável para que todos tenham suas necessidades atendidas. O Rebirth foi o álbum que te introduziu ao Angra. Qual é o sentimento pessoal de, hoje como um pilar da banda, revisitar esse repertório com os companheiros que dividiram aquele “renascimento” com você em 2001? É sempre muito legal, porque essa época foi de muita transformação, aprendizado e crescimento na minha vida. Fizemos o Rebirth na íntegra em 2022, na volta da pandemia, e foi incrível. Nunca tínhamos tocado o disco inteiro antes, Visions Prelude, que encerra o álbum, jamais tinha sido tocada ao vivo. Mas acho que será ainda mais especial com os membros originais. O Aquiles saiu em 2007 e o Edu em 2012; já faz 19 anos que os cinco não sobem juntos ao palco. Vai ser muito significativo. O show em São Paulo será a única apresentação dessa formação fora do festival Bangers Open Air. O que o público pode esperar de diferente no setlist do Espaço Unimed em comparação ao festival? O repertório foi muito bem pensado para contemplar toda a carreira da banda e comemorar os 35 anos do Angra. É um ano emblemático: são 25 anos de Rebirth, 30 de Holy Land e 35 da banda. O show do Espaço Unimed terá o Rebirth na íntegra, algo que não acontece no festival, mas ambos vão revisitar todas as nossas fases. “Não é um renascimento, é um reencontro. Temos a flexibilidade de fazer o Angra da maneira como quisermos no momento, seja com os caras ou sem eles.” Além de tocar, quais shows você está mais ansioso para assistir no Bangers Open Air? Quero muito ver o Nevermore com a formação nova. Também quero ver Fear Factory e Arch Enemy. O Nevermore é especial porque os vi há mais de 20 anos, em 2000, quando eles vieram a um festival e eu nem conhecia a banda direito. É como se eu não tivesse visto de verdade, então estou bem ansioso por eles. Tocar o repertório do Rebirth hoje, com a maturidade que você adquiriu, muda a forma como você interpreta aquelas linhas que gravou quando era mais jovem? Não sou fã de mudar o que fiz no passado. Aquilo era o que eu tinha para oferecer na época e quero respeitar quem eu era. Não curto essa coisa “egóica” de querer refazer só porque hoje toco melhor. É claro que, 25 anos depois, o timbre muda, tem novas manias e pegadas, mas o corpo da obra tem que ser executado da maneira que os fãs lembram. Se eu fosse compor hoje, faria diferente, mas ao tocar o que já está gravado, tento respeitar o disco. >> LEIA TAMBÉM ENTREVISTA COM O BATERISTA BRUNO VALVERDE Você e o Rafael Bittencourt são o “núcleo duro” da banda. Qual é o segredo para manter a essência viva após tantas trocas? É muito natural. Eu estou na banda há 25 anos e o Rafa há 35. O que a gente faz é o Angra. Não precisamos de esforço para isso. É divertido porque temos a liberdade de moldar essa essência de acordo com o que vivemos. Do Holy Land para o Fireworks a formação era a mesma, mas os discos são totalmente diferentes. A essência está lá porque é o que nós somos. Para fechar, quais os três álbuns que mais te influenciaram na carreira? SERVIÇO: ANGRA EM SÃO PAULO 1. Bangers Open Air 2026 Angra Reunion: headliner do dia 26 de abril (domingo) Local: Memorial da América Latina – SP Destaques do dia: Within Temptation, Smith/Kotzen, Winger e Nevermore. Ingressos: Clube do Ingresso 2. Sideshow: Angra Reunion (Rebirth) Data: 29 de abril de 2026 (quarta-feira) Local: Espaço Unimed (Rua Tagipuru, 795) Horários: Portões às 19h | Show às 21h Ingressos: Clube do Ingresso

“Queen II” ganha box luxuoso com mixagem inédita e raridades

Cinquenta e dois anos após o seu lançamento original, a obra que reescreveu o manual de regras do rock clássico está de volta, maior, mais limpa e muito mais ambiciosa. No dia 27 de março, o imponente segundo álbum do quarteto britânico, Queen II (1974), ressurge em edições remixadas e remasterizadas, encabeçadas por uma luxuosa caixa Collector’s Edition. Com Brian May e Roger Taylor atuando como produtores executivos, o material ganhou uma nova e impressionante mixagem realizada pela equipe de confiança da banda (Justin Shirley-Smith, Joshua J. Macrae e Kris Fredriksson), a mesma responsável pela aclamada reedição de Queen I. Queen II, a obra mais pesada da realeza Para muitos fãs devotos, e astros do calibre de Axl Rose (Guns N’ Roses), Queen II é, de longe, o álbum mais pesado e fascinante da banda. Em vez da divisão tradicional, o disco original foi conceitualmente separado em Side White (Lado Branco, dominado pelas composições de Brian May) e Side Black (Lado Preto, dedicado às excursões musicais complexas de Freddie Mercury). O álbum traz clássicos estrondosos como Ogre Battle e Father To Son, além da colossal The March Of The Black Queen, um mini-épico que apontava diretamente para o futuro glorioso do grupo. “Acho que March Of The Black Queen é muito precursora de Bohemian Rhapsody. A complexidade dela é enorme. Você tem pequenos momentos teatrais, coros, trechos de guitarra, partes pesadas, partes delicadas. Está tudo lá”, reflete o guitarrista Brian May. O que traz a “Collector’s Edition”? Para os colecionadores, a caixa com 5 CDs, 2 LPs e um livro de 112 páginas (repleto de fotos inéditas de Mick Rock, letras manuscritas e páginas de diário) é um verdadeiro Santo Graal. O material escancara o processo criativo da banda no lendário Trident Studios. Confira o raio-x do conteúdo dos discos: Disco Conteúdo O que esperar CD 1 2026 Mix O álbum original com uma mixagem que revela camadas e clareza antes ofuscadas pelas limitações tecnológicas de 1974. CD 2 Sessions Um tesouro de outtakes, vocais guia, erros e conversas de estúdio. Inclui a faixa inacabada e inédita Not For Sale (Polar Bear). CD 3 Backing Tracks As bases instrumentais puras, evidenciando a técnica absurda de May, Taylor e do baixista John Deacon sem os vocais. CD 4 At The BBC Sessões gravadas para a rádio BBC entre o fim de 1973 e início de 1974, além do show no Golders Green Hippodrome. CD 5 Live Apresentações viscerais da turnê captadas no lendário Rainbow Theatre (março de 1974) e no Hammersmith Odeon (dezembro de 1975).

Asfixia Social lança o explosivo single “Revolutionary Rapport”

Em um mundo que flerta diariamente com o colapso social, político e ambiental, o silêncio deixou de ser uma opção. É com esse senso de urgência absoluta que a banda paulista Asfixia Social lançou o contundente single Revolutionary Rapport. A faixa é a terceira amostra do aguardado álbum Mess Bigger (com lançamento previsto para maio de 2026 via Nikita Music) e funciona como uma transmissão direta do underground, convocando o ouvinte para a resistência e a organização coletiva. Produção de peso e crossover urbano Musicalmente, Revolutionary Rapport é uma porrada que reafirma a identidade única do Asfixia Social. A banda funde com maestria o hardcore-punk, o funk e o rap em um crossover urbano brutal. Riffs de guitarra pesadíssimos dividem espaço com um naipe de metais rasgado e letras afiadas em ritmo de confronto. Para garantir que a mensagem batesse com o peso certo nas caixas de som, a banda recrutou um time de primeira linha: na produção, Pedro Garcia (o lendário baterista do Planet Hemp), além das participações especiais de Erick Jay nos toca-discos e as texturas imersivas de Carlos PXT nos sintetizadores. Diário visual da Asfixia Social na Europa A faixa não chegou sozinha. O Asfixia Social também liberou um videoclipe incrível que traduz a vivência visceral da banda durante a sua bem-sucedida turnê europeia de 2025. Dirigido pela própria banda em parceria com o produtor Luis Lopes, o material audiovisual é um verdadeiro diário de estrada. As imagens captadas conectam os palcos de grandes eventos, como o gigantesco Rebellion Festival (Inglaterra) e o Festival Rock im Daal (Alemanha), aos registros suados e caóticos em bunkers, squats (ocupações) e casas históricas do circuito alternativo da França, Portugal, Holanda e Luxemburgo.