Lendário Fishbone vem para São Paulo em outubro

O Fishbone confirmou uma apresentação única em São Paulo para o dia 31 de outubro de 2026 (sábado), ocupando o palco do Fabrique Club, na Barra Funda. O show, realizado pela produtora Maraty, será uma verdadeira celebração da cultura de rua, do ativismo e da miscigenação musical. Para deixar a noite ainda mais especial, a abertura ficará por conta do excelente septeto paulistano de ska feminino Maga Rude. Quatro décadas de resistência sem filtros Com mais de 40 anos de estrada, o Fishbone construiu uma trajetória impecável ao recusar qualquer tipo de rótulo ou suavização em seu discurso político e social. Fundada no final dos anos 1970 em Los Angeles, a banda foi a pioneira em fundir as guitarras sujas do punk rock com o balanço do funk metal, a energia acelerada do ska e a alma do soul. Essa mistura única de metais estridentes, baixo estalado e vocais viscerais serviu de fundação para o que se tornaria o rock alternativo dos anos 90, influenciando diretamente bandas do calibre de Red Hot Chili Peppers, Jane’s Addiction, No Doubt e Primus. Retorno ao estúdio com “Stockholm Syndrome” O show em São Paulo acontece em um momento crucial de retomada para o grupo. Em 27 de junho de 2025, o Fishbone quebrou um jejum de mais de 20 anos sem um disco cheio de inéditas com o lançamento de Stockholm Syndrome, o nono álbum de estúdio de sua carreira. O trabalho resgata a urgência rítmica e o comentário político afiado que sempre acompanharam a banda, abordando temas como a sobrevivência urbana, as tensões raciais contemporâneas e a redenção. O grande abre-alas do álbum é a feroz Racist Piece of Shit (também conhecida como “RxPxOxS”), lançada como single em novembro de 2024 como uma crítica contundente ao racismo global. “A música é um alerta para que a humanidade reconheça o ponto de ruptura que está dilacerando a alma deste país e do mundo”, define o tecladista e trombonista original Christopher Dowd. Outro grande momento do disco é Last Call in America, faixa composta pelos membros originais Christopher Dowd e Walter “Dirty Walt” Kibby que conta com a participação lendária de George Clinton, o pai do funk psicodélico e líder do Parliament-Funkadelic. A colaboração de Clinton sela a conexão histórica do Fishbone com a tradição do groove norte-americano. Força da reinvenção do Fishbone Embora a banda tenha enfrentado mudanças drásticas em sua formação em 2024, com as saídas amigáveis dos membros fundadores Norwood Fisher e Walter Kibby, a chama do grupo continua sendo mantida com maestria. A formação atual, que se apresentou com grande destaque em festivais como o Warped Tour 2025 e em turnês ao lado do Primus e Less Than Jake, traz o carismático membro fundador Angelo Moore (voz e saxofone), acompanhado por Christopher Dowd (teclado, trombone e voz), James Jones (baixo), Hassan Hurd (bateria), John “JS” Williams II (trompete) e o retorno virtuoso do guitarrista Tracey “Spacey T” Singleton. Serviço: Fishbone em São Paulo Horários do evento
Balaclava Fest 2026 confirma dois dias de shows e 16 atrações no Tokio Marine Hall

O Balaclava Fest 2026 chega à sua 16ª edição com o dobro do tamanho: serão dois dias de festival, nos dias 26 e 27 de setembro (sábado e domingo), ocupando o Tokio Marine Hall, em São Paulo. O festival foi desenhado com uma estrutura inteligente para o público aproveitar ao máximo. Serão dois palcos com oito shows por dia, em horários não conflitantes. Ou seja, você não vai precisar escolher entre ver a sua banda favorita e descobrir um som novo: dá para assistir a absolutamente tudo. Sábado, 26 de setembro Domingo, 27 de setembro Ingressos para o Balaclava Fest 2026 Os ingressos para cada dia e o passaporte promocional já estão disponíveis na plataforma Ingresse.com. Modalidade Setores disponíveis Vantagens Ingresso diário Pista, Camarote, Frisas e Cadeiras Altas Entrada para o sábado OU domingo. Balaclava combo Pista (Acesso aos dois dias) Desconto no valor das duas datas, entrada prioritária sem filas no festival, cupom de desconto em merch do selo e e-mails com acessos exclusivos para festas de aquecimento. Ponto de venda físico (sem taxa de conveniência) Se você estiver em São Paulo ou quiser economizar na taxa do site, a venda física oficial acontece no charmoso Takkø Café, localizado na região central da Capital. Serviço: Balaclava Fest 2026
Mariah Carey confirma show de Natal inédito no Brasil em novembro

Quando o calendário vira de outubro para novembro, a cultura pop mundial entra instantaneamente em modo natalino. É o momento exato em que a diva norte-americana Mariah Carey “descongela” em suas redes sociais com o seu tradicional e estridente grito de “IT’S TIIIIIIIME!”. Mas em 2026, os brasileiros vão poder montar a árvore de Natal e acender as luzes muito mais cedo. A “Rainha do Natal” acaba de confirmar que trará ao país, pela primeira vez na história, o aclamado espetáculo Mariah Carey’s Christmas Time. As apresentações estão confirmadas para o dia 17 de novembro (terça-feira), no Allianz Parque, em São Paulo, e no dia 21 de novembro (sábado), na Área Externa da Farmasi Arena, no Rio de Janeiro. A realização dos espetáculos é assinada pela produtora 30e e apresentada pela plataforma Itaú Live, trazendo benefícios para os clientes do banco. Fenômeno de “All I Want for Christmas Is You” A relação de Mariah Carey com as festas de fim de ano tornou-se um pilar da cultura pop em 1994, com o lançamento do álbum Merry Christmas. Foi ali que ela imortalizou All I Want for Christmas Is You, canção que já foi regravada mais de 400 vezes por diferentes artistas e se transformou na trilha sonora oficial de dezembro ao redor do globo. Curiosamente, a faixa só alcançou o topo da Billboard Hot 100 pela primeira vez em 2019, mas desde então retorna anualmente ao primeiro lugar, quebrando recordes de streaming e desafiando analistas da indústria a explicarem o tamanho desse fenômeno. O show temático de Natal virou tradição na agenda da “Mimi” (apelido carinhoso da cantora) em 2014, celebrando as duas décadas daquele álbum. De lá para cá, o concerto ganhou traços de superprodução. O espetáculo atual é dividido em três atos teatrais, trazendo um corpo de bailarinos, coro completo, efeitos visuais mágicos e figurinos exclusivos de alta costura para embalar clássicos como Silent Night, Joy To The World e, claro, o hino natalino principal. Conexão emocional com o Brasil Não é de hoje que a cantora se derrete pelo público brasileiro. Em sua última passagem por São Paulo, em 2025, ela realizou o maior show solo de sua carreira, cantando para mais de 50 mil pessoas. A sintonia foi tão intensa que a diva quebrou o protocolo e retornou ao palco descalça para um bis improvisado, interpretando I Want to Know What Love Is em coro com a arena. “A conexão da cantora com o público brasileiro é tão forte que ela voltou ao palco descalça para um bis que não estava previsto. A expectativa é que a emoção se repita, ainda mais em se tratando de um espetáculo de Natal inédito no país”, revela Carol Pascoal, VP de Marketing e Comunicação da 30e. Ingressos O fã que comprar com cartões de crédito Itaú terá direito a uma pré-venda exclusiva com 30% de desconto (válido apenas para ingressos inteira, limitado a 4 ingressos por CPF). O parcelamento pode ser feito em até 3x sem juros para qualquer cartão Itaú. SÃO PAULO (Allianz Parque – 17/11) Setor Inteira Meia-Entrada Desconto Itaú (30%) Cadeira Superior R$ 395,00 R$ 197,50 R$ 276,50 Cadeira Silver R$ 595,00 R$ 297,50 R$ 416,50 Cadeira Inferior Sul R$ 595,00 R$ 297,50 R$ 416,50 Cadeira Gold R$ 795,00 R$ 397,50 R$ 556,50 Cadeira Inferior Oeste R$ 895,00 R$ 447,50 R$ 626,50 Cadeira Inferior Leste R$ 895,00 R$ 447,50 R$ 626,50 Cadeira Diamond R$ 1.295,00 R$ 647,50 R$ 906,50 Hot Seat Oeste R$ 1.295,00 R$ 847,50 R$ 906,50 Hot Seat Leste R$ 1.295,00 R$ 847,50 R$ 906,50 Cadeira Orange R$ 1.995,00 R$ 997,50 R$ 1.396,50 Cadeira Platinum Personnalité R$ 3.995,00 R$ 1.997,50 R$ 2.796,50 Platinum – 5ª Fileira R$ 4.495,00 R$ 2.497,50 R$ 3.146,50 Platinum – 4ª Fileira R$ 4.995,00 R$ 2.997,50 R$ 3.496,50 Platinum – 3ª Fileira R$ 5.995,00 R$ $3.997,50 R$ 4.196,50 Platinum – 2ª Fileira R$ 7.995,00 R$ $5.997,50 R$ 5.596,50 Platinum – 1ª Fileira R$ 9.995,00 R$ $7.997,50 R$ 6.996,50 RIO DE JANEIRO (Área Externa da Farmasi Arena – 21/11) Setor Inteira Meia-Entrada Desconto Itaú (30%) Pista R$ 495,00 R$ 247,50 R$ 346,50 Pista Premium Personnalité R$ 895,00 R$ 447,50 R$ 626,50 Pacote VIP Itaú Super Fã R$ 1.895,00 R$ 1.447,50 — Cronograma de vendas Pré-venda clientes Itaú Unibanco: Venda geral:
No C6 Fest, Cameron Winter faz de sua estreia no Brasil o devaneio de um louco

O silêncio falou tão alto quanto o piano ou o potente barítono de Cameron Winter em sua estreia no Brasil, no Auditório Ibirapuera, na noite do último domingo (24). Com os ingressos limitados vendidos separadamente, o show fez parte da programação do C6 Fest, que ocupou o parque paulistano no último fim de semana. Cerca de 800 pessoas assistiram ao nova-iorquino que viu, no último ano, tanto o seu trabalho solo quanto a sua banda do ensino médio, o Geese, estourarem e serem incensados por crítica, público e seus pares. Em Try As I May, segunda música do show e primeira tirada do disco Heavy Metal, único registro solo completo do cantor, Winter descreve, com a sua lírica característica, o que parece ser uma relação romântica. Tal qual a sua voz, que sempre parece embriagada, as composições vão de um mundano que não passa longe das palavras de um lunático até o sublime, muitas vezes no mesmo verso. “Você estava destinada a assistir às minhas cerimônias privadas, todas nos cantos escuros de quartos”, ele canta. Se em disco e no papel parece claro que fala sobre a intimidade de um casal, no Auditório, em versão arrebatadora que chega a tornar difícil retornar para a gravação de estúdio, as palavras ganham outro sentido. O show parece mesmo uma cerimônia privada. O posicionamento do piano, na diagonal, faz com que boa parte do público consiga ver apenas as costas do cantor. Mesmo nos melhores lugares, seu rosto segue oposto à plateia. Em toda a noite, se dirige à audiência apenas uma vez, com um “obrigado” em português ao fim da última música, quase como se estivesse tocando sozinho em seu quarto e todo mundo só pudesse contemplar o artista trabalhando. No palco, além do piano, só a luz: ora do holofote, ora do canhão posicionado atrás do instrumento, ora um calor amarelado que desfaz, por alguns instantes, as sombras, e ora a escuridão. Quando não emenda uma música na outra, as pausas são para arrumar o banco, tomar um gole de água, arrumar o cabelo ou ajeitar as mangas da jaqueta, antes de se curvar novamente sobre o instrumento. Ao invés de prejudicar o show, a postura dá força a ele. Se engana quem pensa que Winter faz o que faz porque ignora ou público ou, pior, porque se coloca em um pedestal muito acima dos meros mortais que pagaram por um ingresso. Pelo contrário, como quem diz muito com pouco, a todo momento ele joga com as expectativas e encontra caminhos diferentes dentro de seu próprio repertório. É assim em “Drinking Age”, por exemplo, que aparece ainda mais cadenciada que em estúdio, com longas pausas propositais que fazem com que quem assiste tenha vontade de prender até a própria respiração antes de a canção chegar em seu grandioso e anticlimático refrão: “hoje eu conheci quem eu vou ser daqui pra frente e ele é um merdinha”. A linha tênue entre a loucura e a iluminação está presente o tempo todo, tendo o seu clímax em um dos momentos em que o público se permite irromper em aplausos e gritos, durante a canção “$0”, quando, no que parece um rompante de alguém que acorda de um sonho febril, Winter declara que Deus existe: “Eu não estou brincando dessa vez, eu não faria piada com isso”. Não é à toa que o artista já tenha levado o seu show para os salões de diversas igrejas durante a sua turnê, ou que muitos chamem a experiência de vê-lo ao vivo de “transcendental”. Houve quem ainda arriscasse um ou outro grito fora de hora, inclusive pedindo por alguma música do Geese. Foram poucos, mesmo com o peso da grande expectativa para a estreia brasileira do músico. No geral, Cameron Winter veio, tocou, cantou e se calou. O público o ajudou com um silêncio entrecortado por soluços e pausas pontuais para aplausos.
Fausto Fawcett apresenta o espetáculo “Animakina” no Blue Note com Edgard Scandurra

O bardo do cyberpunk nacional, o homem que transformou Copacabana e o subúrbio carioca em uma distopia de ficção científica nos anos 1980, está de volta a São Paulo. Nesta quinta-feira (28), Fausto Fawcett sobe ao palco do Blue Note, na Avenida Paulista, para apresentar o espetáculo Animakina. Muito além de um show convencional de rock, a apresentação é uma performance que funde literatura falada (spoken word), música eletrônica pesada e artes visuais em tempo real. Para tornar a noite ainda mais histórica, o palco paulistano receberá a participação especial de uma das guitarras mais inventivas do país: Edgard Scandurra (Ira!). Retorno do “Cabaré Cyberpunk” Famoso por hinos oitentistas como Kátia Flávia (A Godiva do Irajá) e Rio 40 Graus, Fausto Fawcett sempre usou o palco como uma trincheira de experimentação. Em Animakina, clássicos de sua discografia reaparecem reconfigurados sob uma estética industrial e eletrônica contemporânea. A engrenagem sonora do espetáculo é comandada por Paulo Beto (produtor do projeto Anvil FX) nas guitarras e teclados, acompanhado pelo peso do baixo, sax e voz de Mari Cristani. A imersão visual fica a cargo do pioneiro do videomapping Jodele Larcher e do artista Igor Peticov, que controlam projeções ao vivo que transformam o palco em uma verdadeira instalação de arte tecnológica. Parceria com Edgard Scandurra A presença de Edgard Scandurra adiciona uma voltagem extra ao espetáculo. O guitarrista do Ira! dividirá as seis cordas com a banda em três canções. O grande destaque do encontro é o resgate de Louco, Doido Varrido, uma raridade de Scandurra que estava guardada há anos e que agora retorna aos palcos em sua máxima potência rítmica. Para Scandurra, trabalhar ao lado do cronista carioca é um rito de purificação artística: “Quando sou convidado pelo Fausto Fawcett para qualquer projeto, sinto que subo alguns degraus na minha evolução como artista, porque ele é um cara que faz a sua arte do jeito que eu acho corretíssimo. Sem alarde, publicidades exageradas, apenas poesia. Apenas arte. Isso é maravilhoso!”, elogia o guitarrista. * Serviço: Fausto Fawcett – “Animakina”
Robert Plant encerra C6 Fest com show irretocável focado no folk e resgate sutil do Led Zeppelin

Ficou para Robert Plant, lendário vocalista do Led Zeppelin, o encerramento da noite de domingo (24) na Arena Heineken, o palco principal montado do C6 Fest no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Há muito tempo distante dos gritos explosivos que o transformaram em uma das vozes mais emblemáticas da história do rock, o britânico vive, desde os anos 1990, uma fase totalmente voltada à exploração de sonoridades que genuinamente dialogam com seu atual momento artístico. Ao lado da cantora Suzi Dian e de sua banda de apoio, a Saving Grace, Plant agora mergulha em sonoridades muito mais suaves, explorando de forma profunda influências da música americana, da tradição celta e do folk britânico, em um álbum justamente batizado de Saving Grace. Coube à capital paulista receber o último show da turnê de divulgação desse projeto. Conhecido historicamente como o “Deus Dourado”, Plant subiu ao palco pontualmente às 20h30 e mostrou exatamente porque o apelido ainda faz todo sentido. Com a serenidade de quem atravessou o auge da música popular e não demonstra interesse em reviver o passado a qualquer custo, o cantor deixou claro logo na abertura do show, com a faixa The Very Day I’m Gone, que sua antiga persona rockeira ficou definitivamente para trás. Maturidade e a contenção vocal Normalmente, artistas que construíram suas carreiras inteiras apoiados na potência vocal do rock clássico acabam enfrentando o peso do tempo de forma evidente e prejudicial. Não é o caso de Robert Plant. O músico britânico encontrou uma nova maneira de cantar, sem exageros ou tentativas frustradas de alcançar notas altas que já não pertencem mais à sua voz atual, transformando justamente essa contenção técnica em sua principal força no palco. Sua interpretação no C6 Fest remeteu muito mais às baladas calmas do Led Zeppelin do que aos momentos mais explosivos da banda setentista, mas agora carregada pela maturidade de alguém que entende exatamente os limites e as reais possibilidades da própria voz. Outro sinal claro de sua “divindade” artística esteve na forma magnética como Plant conduziu o público paulistano ao longo de toda a apresentação, amparado apenas por sua presença imponente e carismática. Em músicas como It’s a Beautiful Day Today, o silêncio absoluto entre uma nota e outra era perfeitamente audível no Parque do Ibirapuera, mesmo diante de uma imensa multidão. Todos permaneciam quietos, compenetrados e atentos a cada nota do dueto afinado entre Plant e Suzi Dian. Generosidade e simplicidade no palco Apesar dessa aura quase mística que carrega no palco, impressiona a generosidade que Robert Plant demonstra com o público e com seus companheiros de banda. Essa postura ficou evidente em diferentes momentos da noite no Ibirapuera: Nem mesmo a tentativa de uma fã, que tentou invadir o palco para abraçá-lo à força, tirou a calma e a humildade que o lendário frontman demonstrou durante toda a apresentação no festival. Legado do Led Zeppelin reimaginado Talvez como o maior defensor moral de todo o espólio do Led Zeppelin, Plant não deixou a história de lado e tocou versões de músicas de sua antiga banda, porém todas completamente adaptadas à sua nova maneira de cantar e explorar sua musicalidade folk. Assim, os clássicos históricos: Todas elas ganharam versões novas e suaves, que remetem perfeitamente às suas formas originais de estúdio, mas agora com a graça e a leveza que o nome de sua banda atual, Saving Grace, ostenta. “Faz muito tempo desde que eu toquei um rock and roll.” Com uma performance considerada irretocável do início ao fim, Robert Plant escolheu justamente o clássico Rock and Roll para encerrar sua apresentação no C6 Fest. E aqui, no Parque do Ibirapuera, a letra desse clássico ganhou outro significado na atual fase de vida do cantor: “Faz muito tempo desde que eu toquei um rock and roll”. E tudo bem, Robert Plant. Essa sua nova forma de existir e criar na música contemporânea também tem muito a oferecer.
Beirut aposta em chamber pop e versão de Caetano Veloso para aquecer C6 Fest

Dando sequência às atrações da Arena Heineken no domingo (24), o segundo dia do C6 Fest, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, foi a vez dos americanos do Beirut se apresentarem ao público brasileiro. Liderado por Zach Condon, o grupo opera no palco quase como uma pequena orquestra, combinando com maestria os gêneros do chamber pop e do folk lo-fi em canções conhecidas por sua atmosfera melancólica e delicada. O som da banda é construído minuciosamente a partir de instrumentos de sopro e cordas, como o ukulele e o violão, que se entrelaçam em arranjos suaves. Desafios do som e a apoteose em português Prejudicado pelo volume excessivamente baixo do palco principal do C6 Fest, o Beirut enfrentou dificuldades e demorou para criar a atmosfera necessária para que sua música de tons sutis envolvesse um público numeroso como o de um festival de grande porte. Em uma apresentação inicialmente morna por conta das condições técnicas, a empolgação da plateia paulistana cresceu de verdade apenas nos momentos finais do show. O ápice foi impulsionado pela bela versão de Leãozinho, clássico de Caetano Veloso, que foi cantada por Zach Condon em um português impecável, garantindo a conexão final com o público no Ibirapuera.
Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi fazem encontro histórico no C6 Fest

No cenário principal do C6 Fest, a Arena Heineken recebeu no domingo (24), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, um encontro de gigantes da música brasileira. Os cariocas dos Paralamas do Sucesso dividiram o palco com os pernambucanos da Nação Zumbi. De início, os Paralamas apresentaram clássicos incontestáveis de sua discografia, como Lanterna dos Afogados e Uma Brasileira, cantadas espontaneamente por um público que já incorporou essas composições ao inconsciente popular. No palco, Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro estavam acompanhados pelos tradicionais instrumentos de sopro, que enriquecem o consagrado rock com ska da banda. União dos ritmos no Ibirapuera O ponto alto da apresentação, porém, foi a entrada da Nação Zumbi. Após uma introdução sólida, Paralamas e Nação se uniram para apresentar versões pesadas e grooveadas de: A combinação funcionou de maneira totalmente natural. As sonoridades das duas bandas convergiram no palco principal, e a plateia respondeu com muito entusiasmo. Depois de mais uma sequência de músicas dos Paralamas sozinhos, a Nação Zumbi retornou ao palco para executar, ao lado da banda carioca, os hits O Calibre e Manguetown, ambas potencializadas pela bateria sempre certeira e marcante de João Barone. Equívoco da produção no encerramento A única mancha da apresentação veio de um equívoco direto da produção do festival, que desligou o microfone de Herbert Vianna antes que ele pudesse se despedir do público e comentar o encontro histórico proporcionado pelo C6 Fest no Parque do Ibirapuera. Herbert Vianna e os demais músicos no palco mereciam, sem dúvida, um encerramento melhor.
Benjamin Clementine traz poesia, spoken word e conexão com o público no C6

Cada vez mais consolidado entre os grandes festivais de música do país, o C6 Fest teve sua edição de 2026 encerrada neste domingo (24), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O evento se destaca pelo DNA de sua curadoria corajosa em plena evidência, unindo nomes da velha guarda a artistas que despontam em cenas menos populares da música contemporânea. Sem apostar nas atrações mais populares do rock e do pop atual, como fazem Lollapalooza e Rock in Rio, por exemplo, o C6 Fest mira artistas em ascensão e veteranos que seguem influenciando e reverberando na música de hoje. Trata-se de um “lado B” que tem muito a oferecer. Naturalmente, isso causa estranhamento em quem olha o cartaz do festival e desconhece boa parte dos nomes presentes ali. Ainda assim, é justamente essa disposição do C6 em fugir do óbvio que o transforma em um dos festivais mais relevantes do circuito brasileiro. Experiência sonora com Benjamin Clementine na Tenda MetLife Entre os artistas que passaram pela Tenda MetLife no domingo (24), durante o segundo e último dia do festival no Parque do Ibirapuera, esteve o britânico Benjamin Clementine, dono de uma sonoridade difícil de rotular. Suas composições, centradas no piano, remetem ao soul de Nina Simone, mas filtradas por batidas eletrônicas e por um vocal que, por vezes, se aproxima do spoken word. Extremamente participativo com o público, Benjamin demonstrou gratidão pelos aplausos efusivos vindos da plateia paulistana. Seja sentado ao piano, seja de pé conduzindo o microfone, o artista entregou uma apresentação sóbria, que exigia do público imersão para absorver a poesia e a sutileza de faixas como Toxicaliphobia e Condolence. Esta última, inclusive, contou com o refrão adaptado para o português e foi inteiramente acompanhada em coro pela plateia presente no Ibirapuera.