Selo Risco une Jonnata Doll e YMA em novo EP

À primeira vista, a combinação poderia soar improvável. De um lado, o punk urbano, visceral e cru da banda cearense Jonnata Doll e os Garotos Solventes. Do outro, o indie repleto de atmosferas oníricas e suspensas da cantora paulistana YMA. No entanto, é exatamente nas diferenças e na complementaridade que nasce a genialidade do Residência Risco #01. O projeto inaugural do conceituado Selo Risco tem a proposta de promover encontros criativos e intensivos entre artistas do seu catálogo que ainda não haviam colaborado. Influências e dinâmica sonora entre YMA e Jonnata Doll Gravado no Estúdio Canoa (com produção musical de YMA e Loro Sujo, e direção de Gui Jesus Toledo), o trabalho de três faixas revela uma convergência surpreendente. Ambos os projetos dividem uma forte influência da cultuada banda Cidadão Instigado, especialmente na forma como articulam o cotidiano, a tensão e o deslocamento nas letras. Nesse terreno comum, as guitarras dos Garotos Solventes dialogam perfeitamente com os pianos e sintetizadores de YMA. Confira o raio-x sonoro das três faixas que compõem o EP: Faixa Atmosfera Destaque “Cuidado” Delírio e estado de alerta. A estrutura cresce em tensão e acúmulo de camadas instrumentais pesadas. “Domingo” Suspense onírico. Conduzida por YMA, abusa de sintetizadores e jogos fonéticos geniais (como “chiclete de gilete”). “Calçadas” Rock base cru e direto. A aproximação melódica de Jonnata aliada a coros que ampliam a narrativa. Surrealismo em 16mm e identidade visual A estética do projeto é um show à parte. A identidade visual, assinada por Maria Cau Levy, traz traços construtivistas e utiliza fotografias em formato Polaroid para unificar a série. Mas o grande impacto visual chega com o videoclipe de Cuidado. Dirigido por Izabela Silva (Cuy Filmes) e filmado em película de 16mm, o vídeo é uma viagem lúdica e provocadora. Na tela, YMA e Jonnata Doll surgem transformados em bizarras criaturas caninas vagando pelas ruas de São Paulo, remetendo diretamente a mutantes que poderiam ter escapado da clássica Ilha do Dr. Moreau.

No Fun At All e Authority Zero anunciam turnê conjunta pelo Brasil

Os suecos do No Fun At All se unem aos norte-americanos do Authority Zero para uma turnê explosiva que passará pelo Brasil com cinco datas confirmadas entre o final de setembro e o início de outubro de 2026. Os shows acontecem em Porto Alegre (RS), Cricíuma (SC),Florianópolis (SC), Curitiba (PR) e São Paulo (SP). Os ingressos já estão à venda na 101 Tickets. No Fun At All Surgido em 1993 na pequena cidade de Skinnskatteberg, na Suécia, o No Fun At All (nome que brinca com as bandas Sex Pistols e Sick Of It All) foi um dos grandes responsáveis pela explosão do punk e hardcore sueco que invadiu o mundo nos anos 90. Acelerando riffs e refrões melódicos em clássicos absolutos como os álbuns No Straight Angles (1994) e Out Of Bounds (1995), a banda provou que o punk europeu tinha força de sobra para bater de frente com a cena da Califórnia. Hoje, o grupo liderado por Micke Danielsson é uma verdadeira máquina de matar nos palcos, entregando shows frenéticos e nostálgicos. Authority Zero Para deixar o pacote ainda mais imperdível, o Authority Zero desembarca no Brasil celebrando nada menos que 30 anos de estrada. Liderados por Jason DeVore, a banda do Arizona aproveitará a turnê para divulgar seu mais recente EP, 30 Years: Speaking to the Youth. Escrito e gravado no calor do Arizona, o novo trabalho reflete sobre a jornada da vida e a importância de lutar pelo que se acredita. “É essencialmente sobre acreditar em si mesmo e lutar pelo que você crê. É a gente conversando com nós mesmos quando éramos crianças e com as gerações futuras” explica DeVore. 🎫 Serviço: Turnê NFAA + Authority Zero no Brasil (2026) Ingressos: As vendas para todas as datas no Brasil já estão abertas através da plataforma [101 Tickets].

Ícone do rock alternativo dos anos 90, Buffalo Tom anuncia primeiros shows no Brasil

O Buffalo Tom, uma das bandas mais respeitadas e centrais da formação sentimental do rock alternativo norte-americano, fará a sua aguardada estreia no Brasil. A turnê inédita, realizada pela Maraty, acontecerá em fevereiro de 2027, com duas paradas confirmadas: Curitiba (25/02, no Jokers) e São Paulo (27/02, no Cine Joia). Muito além da nostalgia Em um circuito onde muitas reuniões de bandas vivem estritamente do passado, o Buffalo Tom ocupa um lugar de raridade e prestígio. Em atividade contínua desde 1986, o grupo mantém até hoje a sua formação original: Bill Janovitz (guitarra e voz), Chris Colbourn (baixo e voz) e Tom Maginnis (bateria). Além da longevidade invejável, o trio segue extremamente produtivo. Em 2024, eles lançaram o elogiado Jump Rope, seu décimo álbum de estúdio, que reafirmou a consistência estética e a carga melódica que sempre foram a assinatura da banda. Legado do “college rock” Surgido no ambiente universitário de Massachusetts, o Buffalo Tom ajudou a redesenhar o rock americano no fim dos anos 80. O apadrinhamento inicial veio de ninguém menos que J Mascis (do Dinosaur Jr.), que produziu os dois primeiros e ruidosos discos do grupo. A virada melódica e a consagração vieram com o clássico absoluto Let Me Come Over (1992), álbum que abriga o hino emocional Taillights Fade. Com passagens pela MTV, rádios alternativas e pela trilha sonora da icônica série My So-Called Life (Minha Vida de Cão), a banda envelheceu com extrema dignidade artística, sendo frequentemente apontada pela crítica como uma das formações mais subestimadas e brilhantes da sua geração. 🎫 Serviço: Buffalo Tom pela primeira vez no Brasil Curitiba (PR) São Paulo (SP)

Stray Cats anuncia turnê de verão nos Estados Unidos para 2026

O lendário trio norte-americano The Stray Cats anunciou uma extensa turnê de verão pelos Estados Unidos em 2026. A série de shows promete celebrar a essência pura e crua do rockabilly que consagrou a banda nos anos 80. A turnê começa no dia 24 de julho, em Las Vegas (Nevada), e cruza o país até meados de agosto, com encerramento previsto para a costa leste, em Nova Jersey. Retorno de Brian Setzer A notícia chega com um sabor especial de vitória. Após enfrentar desafios de saúde no passado, o frontman e genial guitarrista Brian Setzer celebrou o anúncio com entusiasmo e deixou claro que a energia no palco será a mesma de sempre. “É muito bom estar saudável e forte novamente. Há algo no som único do The Stray Cats que continua me atraindo. A guitarra Gretsch, o baixo acústico e a bateria tocada em pé ainda soam puros e frescos hoje. Venham se divertir com a gente neste verão”, declarou Setzer. * 🎫 The Stray Cats (US Tour 2026) A pré-venda para fãs (mediante cadastro na newsletter da banda) começa nesta terça-feira, 10 de março. Já a venda geral para o público abre na sexta-feira, 13 de março, às 10h (horário local de cada cidade).

Balance and Composure anuncia show inédito e único no Brasil

A espera foi longa, mas finalmente acabou. O Balance and Composure, um dos nomes mais cultuados e influentes da safra do emo e post-hardcore dos anos 2010, confirmou a sua estreia em solo brasileiro. A banda fará uma apresentação única em São Paulo, no Cine Joia, no dia 16 de maio (sábado), em uma realização conjunta da New Direction Productions, Áldeia Produções e do próprio Cine Joia. Formado em 2007 em Doylestown, na Pensilvânia (EUA), o grupo construiu um currículo irretocável ao longo de quase duas décadas. Suas canções são conhecidas por alternar com maestria entre a delicadeza cristalina e a explosão de guitarras, criando uma tensão que sempre desemboca em refrões de apelo imediato. Retorno e a profundidade de “With You in Spirit” Após um período de pausa nas atividades, a banda não apenas retomou a agenda de shows, mas voltou aos estúdios de forma magistral. O momento atual é impulsionado pelo lançamento de With You in Spirit, o quarto álbum da carreira e o primeiro material inédito em oito anos. Produzido por Will Yip, um verdadeiro toque de Midas do peso, responsável por discos de nomes como Turnstile, Code Orange e Underoath, o álbum é denso e atmosférico. Liricamente, o vocalista e guitarrista Jon Simmons entrega um recorte íntimo e vulnerável, abordando temas pesados como luto antecipado, mortalidade e responsabilidades familiares. Legado na cena Na discografia, a banda cravou seu nome na história com o excelente Separation (2011) e furou a bolha com The Things We Think We’re Missing (2013), que chegou a estrear na cobiçada parada Billboard 200, um feito raro para o nicho. Nos anos 2010, o Balance and Composure ajudou a definir o eixo do estilo, dividindo turnês históricas com gigantes como Title Fight e Circa Survive. Mais recentemente, voltaram a cruzar a estrada ao lado de expoentes como Turnover, Tigers Jaw e Citizen. Para o setlist no Brasil, clássicos absolutos como Quake, Tiny Raindrop, Reflection e Notice Me são presenças garantidas. * 🎫 Serviço: Balance and Composure em São Paulo Os ingressos já estão disponíveis. Como se trata de um show único de uma banda que os fãs brasileiros aguardam há muito tempo, a pista promete encher rápido.

Hirax confirma turnê pelo Brasil em julho com dez shows

Formado em 1984 no sul da Califórnia, o Hirax retorna ao Brasil em julho para uma nova série de apresentações. A turnê, realizada pela Xaninho Discos em parceria com a Caveira Velha, passará por dez cidades brasileiras entre os dias 3 e 18, incluindo as capitais Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Liderada desde o início pelo vocalista Katon W. De Pena, a banda surgiu no mesmo circuito underground que revelou nomes como Metallica, Slayer e Exodus, quando o thrash metal ainda consolidava sua identidade nos Estados Unidos. Desde então, o Hirax construiu uma trajetória marcada pela fidelidade ao estilo e pela reputação sólida dentro do metal extremo. Os primeiros lançamentos ajudaram a estabelecer esse status. O álbum de estreia Raging Violence, de 1985, e o EP Hate, Fear and Power, lançado no ano seguinte pela Metal Blade Records, se tornaram cultuados entre fãs de thrash e speed metal. Em 2025, a banda lançou Faster Than Death, celebrando quatro décadas de atividade. A história do grupo também se cruza com momentos importantes do underground. O Hirax participou da coletânea Metal Massacre VI com a faixa “Bombs of Death”, uma das vitrines mais relevantes para bandas de metal nos anos 1980. O grupo também aparece em Anglican Scrape Attic, apontado pela própria banda como o primeiro lançamento da Earache Records e que contava com o Hirax como único representante norte-americano. Nos palcos, a reputação segue intacta. Resenhas recentes da imprensa especializada destacam apresentações intensas, repertório que mistura clássicos com material recente e a forte presença de palco de Katon W. De Pena. Mesmo em sets mais curtos, o grupo costuma ser descrito como uma atração capaz de dominar o palco com energia de headliner. Na discografia, Raging Violence ainda é lembrado pela agressividade direta e pelas músicas curtas e velozes, enquanto Immortal Legacy, de 2014, foi apontado pela crítica como um trabalho que resgata com convicção o espírito do thrash dos anos 1980. Já o recente Faster Than Death reforça essa permanência, mantendo a sonoridade old school que acompanha o Hirax desde sua origem. Com quatro décadas de estrada e um catálogo respeitado dentro do metal underground, o retorno da banda ao Brasil reforça a conexão duradoura do Hirax com o público local. Serviço 03/07 • Belo Horizonte/MG — Caverna04/07 • Rio de Janeiro/RJ — Areninha Hermeto Pascoal05/07 • São Paulo/SP — local a ser anunciado 07/07 • Ponta Grossa/PR — Capivaras BarIngressos: https://101tickets.com.br/events/details/Hirax-em-Ponta-Grossa 08/07 • Curitiba/PR — BasementIngressos: https://101tickets.com.br/events/details/Hirax-em-Curitiba 09/07 • Florianópolis/SC — Célula ShowcaseIngressos: https://101tickets.com.br/events/details/Hirax-em-Florianopolis 10/07 • Porto Alegre/RS — Espaço MarinIngressos: https://101tickets.com.br/events/details/Hirax-em-Porto-Alegre 11/07 • Belém/PA — Teatro GasômetroIngressos: https://101tickets.com.br/events/details/Hirax-em-Belem 13/07 • Macapá/AP — programação do Dia Mundial do Rock 18/07 • Limeira/SP — Mirage

Bryan Adams transforma Vibra SP em imenso karaokê com maratona de hits, baladas e muito carisma

Aos 66 anos, Bryan Adams sabe exatamente como prender a atenção de uma casa lotada logo no primeiro acorde. Na noite deste sábado (7), com o Vibra SP completamente lotado, o astro canadense escolheu iniciar as 2h10 ininterruptas de show de uma forma surpreendentemente intimista. Acompanhado apenas de violão e gaita, Adams surgiu em um palco secundário, bem próximo ao público das cadeiras inferiores. Foi ali que ele abriu a noite com uma trinca acústica de peso: Can’t Stop This Thing We Started, Straight From the Heart e Let’s Make a Night to Remember. A conexão foi instantânea. Carismático, ele brincou com a plateia do setor, perguntando se poderia, afinal, ir para o palco principal, sob diversos pedidos bem-humorados para que continuasse onde estava. ‘Punch’ elétrico e a máquina de hits de Bryan Adams Quando a banda completa assumiu seus postos (guitarra, bateria e teclado), com Bryan Adams fazendo as vezes de baixista, o show ganhou sua voltagem elétrica com Kick Ass. A partir daí, a pegada rock and roll tomou conta do Vibra. Run to You manteve a energia lá no alto, enquanto Somebody provocou o primeiro grande coro generalizado da noite. A Roll With the Punches Tour faz jus ao nome não apenas pela música, mas pelo espetáculo visual. Durante a faixa-título, uma luva de boxe gigante e inflável sobrevoou a pista, dando um tom lúdico à apresentação. Mais tarde, na ensolarada So Happy It Hurts, a cena se repetiu: desta vez, um carro inflável idêntico ao do videoclipe flutuou sobre as cabeças dos fãs. Humor, dança e um mar de luzes Entre uma música e outra, Adams provou ser um anfitrião formidável. Antes de tocar This Time (faixa de 1983), o telão exibiu o clipe original da canção. O cantor não perdeu a chance de fazer piada consigo mesmo, pedindo aos fãs que não rissem do seu cabelo da época, arrancando gargalhadas do público ao confirmar que o vídeo era antigo, mas a execução ali seria muito viva. A diversão continuou em You Belong to Me. O canadense propôs um desafio: o cinegrafista focaria nos fãs que estivessem dançando, transformando o telão num videoclipe improvisado ao vivo. “Dancem! Se não souberem, batam o pezinho. Por fim, se nem isso conseguirem, tirem a camisa e rodem o máximo que puderem”, brincou. Para coroar o momento descontraído, ele emendou trechos de Blue Suede Shoes (de Carl Perkins) e a clássica Twist and Shout, elevando a temperatura da pista. O visual também foi um espetáculo à parte. Durante a execução de Shine a Light, o público, munido de pulseiras iluminadas no melhor estilo das apresentações do Coldplay, transformou o Vibra SP em uma galáxia cintilante, criando a atmosfera perfeita para a noite. A reta final com o encerramento perfeito A habilidade de Adams em intercalar rock de arena (18 Til I Die) e baladas rasgadas (Please Forgive Me, Heaven) fez com que o longo setlist passasse voando. Sem pausas ou o tradicional intervalo para o “bis”, a reta final foi uma verdadeira surra de clássicos absolutos. A sequência matadora com (Everything I Do) I Do It for You, Back to You e Summer of ’69 quase colocou o teto do Vibra abaixo, com o público cantando forte e vibrando do início ao fim. Após Cuts Like a Knife, Adams apresentou sua banda, que deixou o palco sob fortes aplausos. Sozinho novamente, sob a luz de um refletor, o canadense encerrou a noite do mesmo jeito que começou: na voz e no violão, embalando os corações paulistanos com a emocionante All for Love. Uma verdadeira aula de rock, nostalgia e entretenimento. Agora, Bryan Adams segue para mais dois shows no Brasil: Curitiba (Live Curitiba, na segunda-feira) e Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna, na quarta-feira). Setlist – Bryan Adams no Vibra SP (07/03/2026)

Entrevista | Pennywise – “Muitas pessoas usam Bro Hymn em funerais e nem precisa ser punk para se conectar com ela”

A edição de 2026 da We Are One Tour chega à América do Sul com o Pennywise como um de seus grandes protagonistas. Referência absoluta do skate punk e do hardcore melódico desde os anos 1990, a banda californiana lidera a turnê ao lado do Millencolin e Mute em uma sequência de shows que passa por cinco cidades brasileiras após iniciar a rota em Santiago e Buenos Aires. Em São Paulo, a procura foi tão grande que a primeira apresentação esgotou em apenas três dias, levando ao anúncio de uma data extra na Audio, no dia 31 de março. O line-up ainda conta com a banda paulistana The Mönic na abertura. O Pennywise ainda retorna em maio para o Porão do Rock em Brasília. Formado em 1988 em Hermosa Beach, na Califórnia, o Pennywise se consolidou como uma das forças do skate punk nos anos 1990, ao lado de nomes como Bad Religion, NOFX e The Offspring. Com riffs rápidos, refrões feitos para o coro coletivo e letras que misturam atitude positiva e crítica social, o grupo construiu uma carreira de mais de três décadas. A formação atual reúne Jim Lindberg (vocal), Fletcher Dragge (guitarra), Byron McMackin (bateria) e Randy Bradbury (baixo). Antes da passagem pelo país, o guitarrista Fletcher Dragge conversou com o Blog n’ Roll sobre a evolução do Pennywise desde os primeiros shows em festas de quintal na Califórnia, comentou o peso político do clássico “Fuck Authority” no atual cenário dos Estados Unidos e relembrou o impacto de “Bro Hymn”, homenagem ao baixista Jason Thirsk que se transformou em um dos maiores hinos do punk. A entrevista encerra a série especial do Blog n’ Roll com os headliners da We Are One Tour 2026. Anteriormente falamos com o Mute e o Millencolin. Pennywise tem mais de três décadas de história. Como você vê a evolução da banda de Hermosa Beach para palcos ao redor do mundo? Uau! Sim, muita história. Obviamente começamos em Hermosa Beach, uma pequena cidade da Califórnia. Surfávamos, nadávamos e o punk rock chegou por volta de 1979, 1980. Tínhamos bandas como Black Flag, Red Cross, Descendents e Circle Jerks tocando na nossa cidade, muitas vezes em festas de quintal. Crescer vendo essas bandas nos primeiros anos da nossa adolescência foi muito legal. Quando começamos o Pennywise, também tocávamos em festas de quintal. Depois fomos tocar no Arizona, depois em Tijuana. Ai lançamos nosso disco e alguém disse para irmos para a Europa. Então fomos para a Europa, depois para a Austrália e para a América do Sul. Foi tudo muito rápido, né? Foi louco perceber que nossa música estava indo para fora de Los Angeles. Quando começamos a ver fãs em lugares como Brasil, América do Sul, Austrália, Europa e Japão, graças à Epitaph Records e a bandas como Bad Religion abrindo caminho, foi surreal. Pensar que alguém no Brasil estava ouvindo um disco do Pennywise e dizendo “vocês precisam vir tocar aqui”. Demorou muito tempo para chegarmos ao Brasil, e eu nunca fiquei feliz com essa demora. Sempre havia planos, mas a vida acontecia. Quando finalmente fomos, foi incrível. As pessoas sabiam todas as letras, estavam enlouquecidas. Isso mostra o quanto a música é poderosa. É, o Brasil é muito intenso nos shows… Exatamente. E eu sempre falo que às vezes você pergunta a um garoto qual é sua banda favorita e ele responde Slayer. Aí você pergunta quem é o vice-presidente dos Estados Unidos e ele não sabe. Muitas vezes a música é mais importante para os jovens do que política ou escola. As bandas se tornam parte da identidade deles. Então ter influência no mundo todo, inclusive no Brasil, e ouvir pessoas dizendo que a música ajudou em momentos difíceis da vida, é algo enorme. Quando alguém diz que estava passando por um momento muito duro e que um disco do Pennywise ajudou a seguir em frente, isso é uma evolução gigantesca para nós como músicos. É uma honra saber que pessoas em todo o mundo se conectam com o que fazemos. Vocês sempre trouxeram política para a música. Como é ter o hino “Fuck Authority” em um cenário atual de tendências autoritárias nos Estados Unidos? É incrível, porque você pode subir ao palco e dizer “foda-se essa administração, foda-se Trump, foda-se o ICE” e tocar “Fuck Authority”. O público sabe exatamente o que fazer. Essa música foi escrita sobre um sistema policial abusivo em Los Angeles que estava envolvido em corrupção, assassinatos e tráfico de drogas. Quando isso veio à tona, foi a inspiração para a música. Todos ajudaram a escrever, mas a ideia começou ali. No fim das contas, todos têm alguém abusando de autoridade. Pode ser polícia, pais, professores ou governo. Muitas pessoas usam o poder que têm para explorar os outros, e é disso que a música fala. Agora, com o que está acontecendo nos Estados Unidos, a música parece ainda mais relevante. É como “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Essas músicas continuam importantes porque sempre haverá pessoas lutando contra abuso de poder. Realmente é muito atual, minha irmã também mora na Califórnia e ela está bem preocupada com a atuação do ICE. Olha, eles falam sobre pegar criminosos e estupradores e toda essa merda. Primeiro de tudo, nem todos são criminosos e nem todos são estupradores. É assim que o Trump tenta classificar todo mundo e isso é besteira. Ninguém vai reclamar se você pegar criminosos. Mas quando você pega o cara que trabalha na construção, o cara que trabalha no restaurante, as mulheres que trabalham em hotéis ou os caras que trabalham no campo, aí estamos falando de pessoas muito trabalhadoras. Eu cresci na construção civil e metade dos trabalhadores comigo eram indocumentados. E eles eram as melhores pessoas: ótimos pais de família, pessoas muito honestas. São trabalhadores muito fortes. Atacar essas pessoas na rua é doentio. É simplesmente doentio. É fascista. Se você vier na minha casa, bater na minha porta usando máscara e sem identificação, vai ter

Entrevista | Kadavar – “Eu só quero ser um som. Não quero ser um personagem público. Prefiro apenas ser um som”

O Kadavar retorna ao Brasil neste mês trazendo no setlist seus dois últimos álbuns lançados no ano passado. Será show único no país, dia 21, no Carioca Club em São Paulo. A realização é da Agência Sobcontrole. Os ingressos estão à venda no Clube do Ingresso. Formada em Berlim em 2010, a banda alemã construiu uma trajetória marcada pelo resgate da estética do rock setentista, combinando riffs pesados, psicodelia e uma abordagem fortemente inspirada na gravação analógica. Com o passar dos anos, porém, o grupo ampliou seu alcance sonoro, incorporando novas texturas e explorando caminhos mais experimentais dentro do rock. Ao longo de mais de uma década de carreira, o Kadavar passou de uma promessa da cena stoner e retrô para um nome consolidado no circuito internacional. Álbuns como Abra Kadavar e Berlin ajudaram a definir a identidade inicial da banda, enquanto trabalhos mais recentes mostram um grupo disposto a expandir suas referências e testar novas direções criativas. Essa evolução também aparece no palco, onde o quarteto costuma equilibrar peso, psicodelia e longas improvisações. Em conversa com o Blog n’ Roll, o guitarrista Jascha Kreft e o baixista Simon Bouteloup falaram sobre o processo que levou à criação de dois discos em sequência, a origem da frase “I Just Want To Be A Sound” e a relação da banda com redes sociais e algoritmos. Acaba de completar quatro meses desde o lançamento do último álbum. Como foi a recepção do público até agora? Foi a reação que vocês esperavam enquanto gravavam o álbum? JASCHA KREFT: Nós estávamos em uma situação muito oportuna de trazer esse álbum com a gente em uma turnê antes do seu verdadeiro lançamento. Tocamos muitas músicas ao vivo, então foi muito legal experimentá-las dessa forma e ver as pessoas segurando o álbum nas mãos antes mesmo de ele estar oficialmente disponível. E eu acho que o público também ficou feliz em levar para casa algo que ainda não estava disponível nos serviços de streaming. Quando vocês perceberam que tinham material suficiente para dois discos diferentes? E por que decidiram lançar separadamente em vez de fazer um álbum duplo? JASCHA KREFT: Nós terminamos o álbum I Just Want To Be A Sound, que levou bastante tempo. Acho que algo como um ano e meio, ou dois anos, trabalhando nela quase constantemente. Depois disso, a máquina da criatividade começou a funcionar e sentimos vontade de continuar. Estávamos em um momento em que ainda havia algumas músicas que sobraram das sessões de I Just Want To Be A Sound. Ao mesmo tempo, continuávamos gravando por conta própria e ficamos surpresos com o quão fluido o processo estava. Então chegamos a um ponto em que percebemos que estávamos praticamente terminando outro álbum. Também tivemos a sorte de ter o apoio do nosso selo para fazer algo assim, o que nem sempre é comum. Eu estou aqui com o autor da frase “I Just Want To Be A Sound”. Essa frase é muito poderosa. Quando ela surgiu e quando você percebeu que poderia virar o título de um álbum? SIMON BOUTELOUP: Acho que essa frase apareceu cerca de dez anos atrás. Um antigo baterista me perguntou por que eu não estava nas redes sociais. E ainda não estou. Eu disse a ele diretamente que, se pudesse escolher, preferiria não estar. Eu só quero ser um som. Não quero ser um personagem público. Prefiro apenas ser um som. Então foi assim que surgiu. Durante o processo do álbum, ela apareceu novamente e naquele momento simplesmente ressoou com todos nós e com o que queríamos fazer com o disco. Ela apareceu dessa forma e todos concordamos com a ideia de que primeiro seria uma música e depois um tema para o álbum. Tem uma frase parecida do Jaron Lanier, que trabalha na Microsoft. Ele disse: “Eu evito as redes sociais assim como evito as drogas”. SIMON BOUTELOUP: Essa é boa. Sim, é verdade. Também pode ser muito viciante. Hoje muitos artistas pensam primeiro em singles e playlists antes de pensar em um álbum. Para vocês, o formato do álbum ainda é essencial para contar uma história? JASCHA KREFT: Definitivamente. Eu acho que escolher qual música será um single ou não é algo secundário. Primeiro existe o álbum, e tudo vem depois. Para nós isso é algo muito natural. Também não fazemos edições de singles para aumentar as chances de entrar em playlists. A maioria dos nossos singles ainda tem quatro minutos ou mais. E, na maioria das vezes, os algoritmos não gostam muito disso. A banda começou muito associada ao revival do rock dos anos 70. Em que momento vocês perceberam que precisavam ir além dessa identidade? JASCHA KREFT: Eu não acho que precisávamos necessariamente ir além disso. A banda também poderia ter continuado fazendo isso e alguns fãs ficariam felizes. Talvez outros fãs também gostassem de ouvir o mesmo álbum repetidamente. Falando sobre o público de rock, ele costuma reagir muito quando uma banda muda de som. Como foi lidar com a recepção de fãs mais conservadores durante essa evolução? JASCHA KREFT: Acho que sempre estivemos muito conscientes de que isso poderia acontecer e de que alguns fãs mais conservadores talvez não gostassem. E acho que isso também é completamente normal. Obviamente você acaba vendo algumas reações ou comentários. Mas eu acho que não há razão para ser rude ou muito agressivo. Às vezes isso acontece, mas faz parte. A última visita da banda ao Brasil foi em 2018. Nessa nova turnê, o setlist vai misturar material clássico com músicas recentes, certo? Vocês podem dar algum spoiler sobre o que os fãs brasileiros podem esperar? SIMON BOUTELOUP: Nós sempre tentamos incorporar todos as fases da banda no setlist, especialmente quando temos tempo para isso. Em um show completo você consegue desenvolver um pouco mais toda a discografia. Com certeza vamos tocar algumas músicas novas, talvez cinco ou seis, mas também as antigas e algumas coisas mais psicodélicas. JASCHA KREFT: Também temos uma versão de 15 minutos de Purple Sage, que fecha o