Livremente Sounds estreia com o clipe inspirador de “Solaris”

A banda paulista Livremente Sounds lançou o seu single de estreia, Solaris, que já está disponível nas principais plataformas digitais. A faixa conta com a produção caprichada de Bruno Dupre, integrante do grupo Brasativa. Composta pelo vocalista Caio antes mesmo de a banda ter sua formação completa, Solaris é, em sua essência, um hino sobre sentir-se vivo e não ter medo de encarar os desafios diários. “É sobre darmos a cara para bater e ter fé, independente da realidade que vivemos. Acreditamos que seja uma canção de esperança por um olhar mais maduro e menos utópico”, revela o cantor. Sombra do CBJR e do reggae A sonoridade da faixa nasceu de forma orgânica. Durante as sessões para criar a melodia, os integrantes estavam imersos no som do grupo norte-americano SOJA, o que naturalmente empurrou a música para uma cadência mais reggae. Mas a grande surpresa veio no ápice da composição. A banda percebeu que a explosão de esperança no final da música carregava uma influência muito direta e visceral de um dos maiores hinos do rock caiçara: “Lugar ao Sol”, do Charlie Brown Jr. “Foi uma influência que aconteceu, não pensamos nisso no primeiro momento, apenas percebemos ao terminar a canção”, afirma Caio. Essa mistura que bebe na fonte do reggae, passa pela energia do hardcore e culmina na atitude rock tem conexão direta com o DNA sonoro que sempre ferveu na Baixada Santista. Mergulho na natureza de São Paulo Para acompanhar o lançamento, a Livremente Sounds também disponibilizou um videoclipe oficial dirigido por Danilo Costa. Com roteiro assinado pelo próprio vocalista, as gravações aconteceram no distrito de Marsilac, no extremo sul de São Paulo, retratando os músicos num dia de folga em total imersão com a natureza — um contraste visual perfeito para a selva de pedra paulistana. Identidade e propósito da Livremente Sounds Formada em 2025 por Caio (voz), Dudu (guitarra), Tufê (baixo) e Funga (bateria), a banda não tem medo de rótulos, mas sabe exatamente onde quer pisar. Eles definem sua sonoridade como um rock com total abertura para experimentações. “Em nossas músicas vai ter rap, reggae, ska, punk rock, hardcore, e no final tudo é rock”, crava o vocalista. Em um cenário musical cada vez mais dominado por lançamentos acelerados e descartáveis, a banda surge com a proposta de construir uma trajetória sólida, focada no longo prazo e na conexão real com o ouvinte.

União de Aurora e Tom Rowlands libera o hipnótico single Somewhere Else

O universo da música eletrônica e da pop alternativa ganhou um novo e poderoso capítulo com o mais recente single do duo Tomora, o ambicioso projeto que une a artista norueguesa Aurora a Tom Rowlands, a mente brilhante dos eternos The Chemical Brothers. A nova faixa, intitulada Somewhere Else, já se encontra disponível em todas as plataformas de streaming, acompanhada por um videoclipe oficial impressionante realizado por Adam Smith e S T A R T. Essência pura de Aurora e Tom Rowlands em “Somewhere Else” A canção apresenta os Tomora na sua forma mais pura e destilada: uma síntese perfeita de mensagem, melodia e potência sonora. A música arranca com uma linha vocal etérea e quase extraterrestre, canalizada de forma sublime por Aurora. Aos poucos, a base rítmica de Rowlands entra em cena, conjugando uma atmosfera contemplativa com uma batida intensa. É o som do pop do século 21: íntimo, mas simultaneamente desenhado para ecoar em grandes recintos. “Somewhere Else é uma das primeiras canções que escrevemos como Tomora. E ela abriu uma grande porta para nós, para dentro do nosso próprio mundo”, comenta Aurora. Tom Rowlands acrescenta: “Desde que a Aurora cantou esta melodia para mim, ela ficou a rodar na minha cabeça e a iluminar os meus dias. Tocámos uma versão inicial no Festival de Glastonbury e foi mágico. Poder partilhá-la agora é uma alegria enorme.” Do Coachella ao álbum “Come Closer” A especulação em torno do duo começou a ganhar força quando o enigmático nome Tomora surgiu no cartaz do festival Coachella 2026. O véu começou a levantar-se com o aclamado single de estreia Ring the Alarm. A parceria, no entanto, não é fruto do acaso. A semente criativa foi plantada durante as sessões de No Geography (2019), dos The Chemical Brothers, e floresceu com a colaboração de Rowlands no álbum de Aurora, What Happened to the Heart? (2024). Agora, preparam-se para editar o seu primeiro longa-duração, Come Closer, com data de lançamento global agendada para 17 de abril de 2026 (via Fontana). Ao longo de 12 faixas, o duo constrói uma viagem que vai da psicadelia dos anos 60 ao futurismo imaginado para 2060. * 💿 Come Closer

Nanda Moura lança a visceral “Sempre Não é Todo Dia”

Após o excelente lançamento de Louca, a cantora e guitarrista Nanda Moura, uma das vozes mais marcantes e autênticas do blues rock contemporâneo brasileiro, disponibilizou o seu novo single: Sempre Não é Todo Dia. A faixa é uma releitura ousada e criativa da composição original de Oswaldo Montenegro e Mongol (que integrou a peça Aldeia dos Ventos nos anos 80 e ganhou fama na voz de Zizi Possi). Nas mãos de Nanda, a música é reconduzida por caminhos muito mais ásperos e intimistas. Desafio de Nanda Moura de reinventar um clássico Munida de um violão resonator e do clássico slide, a interpretação de Nanda assume os contornos poeirentos do blues do Mississippi, reforçando a visão da artista de que a essência da canção “é, naturalmente, um Blues”. A letra narra o amanhecer de uma mulher que percebe que nem todo dia é possível manter a postura impecável e “principesca” que a sociedade espera dela. Criar uma versão própria para uma obra tão consolidada exigiu cautela e coragem. “A maior dificuldade que eu tive foi de não cantar imitando o estilo do Oswaldo. Ele tem uma identidade muito forte”, confessa Nanda Moura. O esforço, no entanto, foi recompensado da melhor forma possível. Ao ouvir a releitura minimalista e crua, o próprio Oswaldo Montenegro reagiu com entusiasmo absoluto: “Fiquei muito honrado com sua versão. Quero muito que todo mundo ouça o que eu ouvi aqui!”. >> LEIA ENTREVISTA COM NANDA MOURA Desvio para o vermelho A faixa chega acompanhada de um belíssimo vídeo-conceito, que estreia simultaneamente no canal oficial da artista no YouTube. A produção mantém o fundo infinito branco que já havia sido apresentado no clipe de Louca, mas agora introduz o vermelho como uma nova e intensa camada simbólica. Espelhos, objetos de cena e a própria maquiagem rompem a neutralidade visual da imagem. “Cildo Meireles foi uma inspiração, especialmente na ideia do desvio para o vermelho”, explica a cantora. O lançamento marca o segundo capítulo de uma tríade audiovisual que vai culminar em um terceiro vídeo (totalmente imerso na cor), concluindo o seu aguardado EP.

Entrevista | Story of The Year – “O mais legal é ver os fãs crescendo junto conosco. Essa é uma das coisas mágicas da música”

Duas décadas depois de se firmar como um dos nomes mais marcantes do post-hardcore dos anos 2000, o Story of the Year segue ativo e conectado com sua base de fãs. A banda voltou ao radar do público brasileiro após a passagem pelo país em 2025, quando realizou dois shows em menos de 24 horas em São Paulo: Tokio Marine Hall e I Wanna Be Tour no Allianz Parque. A recepção intensa do público reforçou a relação histórica com os fãs brasileiros. Esse novo momento também acompanha o lançamento de A.R.S.O.N. (All Rage Still Only Numb), álbum que mantém a identidade sonora do Story of the Year ao mesmo tempo em que aprofunda temas como frustração, desgaste emocional e autoconhecimento. O disco marca novamente a parceria com o produtor Colin Brittain, atual baterista do Linkin Park, que já havia trabalhado com a banda no álbum anterior. Entre os primeiros cartões de visita do novo trabalho estão os singles Gasoline e Disconnected, músicas que apresentam o peso, a urgência e o lado emocional que definem a sonoridade da banda. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista Dan Marsala e o guitarrista Ryan Phillips falaram sobre o processo criativo do novo álbum do Story of the Year, a relação da banda com o próprio legado e deixam claro que não devem retornar ao Brasil tão cedo. Qual é a história por trás de A.R.S.O.N. e o que esse título significa para o Story Of The Year? DAN MARSALA: O título surgiu a partir de uma linha da música Gasoline, que abre o álbum. Eu canto “here for the arson” e aquilo ficou na cabeça da gente. Como acontece na maioria das vezes com o Story of the Year, nós só decidimos o nome do disco no final. Primeiro olhamos para a coleção de músicas e tentamos entender qual é a sensação geral daquele conjunto. A palavra ARSON parecia forte e estava muito presente naquele momento. Então voltamos um passo e pensamos no que o acrônimo poderia significar. As palavras Rage e Numb apareceram logo de cara e fizeram muito sentido para todos nós. No fim chegamos a “All Rage Still Only Numb”. Isso resume bem o sentimento do álbum. Existe muita raiva ali, muitas letras introspectivas, sombrias e um pouco caóticas. Pareceu o nome certo para o disco. O disco parece mais intenso e direto em muitos momentos. Essa agressividade foi uma decisão consciente ou algo que aconteceu naturalmente durante a composição? DAN MARSALA: Não houve muito planejamento. A gente simplesmente entra em uma sala, começa a tocar e tenta fazer músicas que realmente gostamos. O objetivo sempre é criar algo que nos empolgue de verdade. Quando percebemos, as músicas já estão tomando forma e seguimos esse caminho. RYAN PHILLIPS: Honestamente, quase nada nesse disco foi planejado. Eu parei de tentar forçar a barra quando estou escrevendo. Não fico pensando “hoje vou fazer uma música pesada” ou “vou escrever algo mais rápido ou mais lento”. Eu simplesmente sento, toco e deixo as ideias fluírem. Quando chega a hora de escrever as letras, o processo é parecido. Foi um fluxo muito natural. As músicas se tornaram o que deveriam ser. Não foi uma decisão consciente de deixar o disco mais agressivo. Foi simplesmente o que saiu da gente naquele momento. No início da carreira vocês falavam muito com adolescentes. Hoje as letras abordam temas da vida adulta, família e responsabilidades. Como foi envelhecer junto com o público? DAN MARSALA: Isso aconteceu de forma muito natural. Nós ficamos mais velhos e nossos fãs também cresceram com a gente. Você escreve sobre aquilo que conhece e sobre o que é pessoal naquele momento da sua vida. Então as letras acabam refletindo isso. O mais legal é ver os fãs crescendo junto conosco. Muitos deles agora têm filhos e levam as crianças para os shows. Nós meio que crescemos juntos. Essa é uma das coisas mágicas da música. RYAN PHILLIPS: Seria muito estranho se ainda estivéssemos escrevendo do ponto de vista de um adolescente (risos). Nós fazemos arte e ela precisa vir de um lugar autêntico. Hoje estamos em um momento completamente diferente da vida. Também é curioso perceber como as letras mudam de significado com o tempo. Às vezes escuto músicas que escrevemos há 20 anos e elas me atingem de uma forma totalmente diferente, quase como se fosse outra banda. Nós mudamos como pessoas e como banda. E é muito legal encontrar fãs que dizem que escutam a banda desde a escola, que se casaram ouvindo nossas músicas ou que tocaram Story of the Year no casamento. Poder fazer isso por tanto tempo é muito especial. Já que vocês falaram sobre autenticidade, a música 3AM aborda temas bem íntimos. Como a vida na estrada, conciliando com família e filhos, impactou essa composição? DAN MARSALA: Acho que, coletivamente, essa é uma das nossas músicas favoritas do disco, principalmente pelas letras. Esse tema é muito real para nós. Eu, o Ryan e o Josh temos filhos e famílias em casa. Sair em turnê por um mês para tocar música é incrível, porque temos a sorte de viver disso, mas ao mesmo tempo é muito difícil deixar os filhos e a família. 3AM nasceu muito dessa sensação. É uma música muito pessoal e provavelmente uma das minhas preferidas do álbum. RYAN PHILLIPS: Para mim também é a melhor música do disco, principalmente por causa da letra. Elas realmente me impactam. Eu sinto algo forte sempre que escuto essa faixa. DAN MARSALA: Nós já tentamos escrever músicas sobre esse tema antes, mas por algum motivo 3AM conseguiu capturar exatamente essa sensação. Existe uma mistura de felicidade, saudade e peso emocional. Essa estranheza caótica de estar feliz com o que faz, mas ao mesmo tempo sentir o peso da distância. Acho que essa música traduz muito bem isso. Relembre aqui a entrevista com o Story of The Year antes da vinda ao Brasil Hoje alguns artistas já não priorizam o YouTube como principal plataforma de lançamento. A

Memphis May Fire e Blessthefall confirmam três shows no Brasil em agosto de 2026

Memphis May Fire e Blessthefall, dois nomes consolidados do metalcore e do post-hardcore norte-americano, voltam ao Brasil em agosto de 2026 para uma série de três apresentações. A turnê passa por Belo Horizonte no dia 27, em São Paulo no dia 29 e termina em Curitiba no dia 30. A realização é da Liberation MC. A passagem das bandas pelo país acontece em momentos diferentes de suas carreiras, mas ambos relevantes dentro das respectivas discografias. O Memphis May Fire chega embalado pela fase do álbum Shapeshifter, enquanto o Blessthefall apresenta material de Gallows, trabalho lançado em 2025 que marcou o retorno do grupo ao estúdio após um hiato de sete anos. Os shows também marcam as primeiras apresentações do Blessthefall na América do Sul desde o lançamento de Gallows. O disco foi impulsionado pelos singles “mallxcore”, “Wake The Dead” e “Drag Me Under”, reforçando o retorno da banda ao circuito de turnês. Antes desse trabalho, o grupo já havia alcançado bons resultados nas paradas norte-americanas, com dois álbuns seguidos no Top 25 da Billboard 200, Hollow Bodies e To Those Left Behind. Memphis May Fire No caso do Memphis May Fire, a nova visita ao Brasil também chama atenção pelo intervalo desde a última passagem pelo país, que aconteceu em agosto de 2014. Desde então, o grupo manteve a identidade baseada na combinação de peso e melodias marcantes, fórmula que ajudou a banda a liderar a parada Hard Music Albums da Billboard e alcançar o Top 20 da Active Rock no rádio. Lançado em 28 de março de 2025 pela Rise Records, Shapeshifter é o oitavo álbum de estúdio do Memphis May Fire. O trabalho foi apresentado ao público ao longo de uma sequência de singles, com faixas como “Chaotic”, “Paralyzed”, “Necessary Evil”, “Infection”, “Hell Is Empty”, “Overdose” e “The Other Side”. As músicas mais recentes foram produzidas e mixadas pelo guitarrista Kellen McGregor, um dos fundadores da banda. A base rítmica formada pelo baixista Cory Elder e pelo baterista Jake Garland completa a estrutura do grupo, enquanto os vocais de Matty Mullins tiveram produção de Cameron Mizell, que já havia trabalhado com a banda no álbum Unconditional, de 2014. Segundo Mullins, a proposta das novas músicas passa pela conexão direta com o público. O vocalista afirma que a ideia é criar canções que possam acompanhar diferentes momentos do dia a dia, seja em casa, no carro ou durante um treino, mantendo a identificação com quem acompanha a banda desde o início. Blessthefall O Blessthefall também chega ao Brasil em uma nova etapa da carreira. O grupo já havia retomado o contato com o público brasileiro em maio de 2024, quando realizou apresentações em Curitiba e São Paulo, também organizadas pela Liberation. Agora, com Gallows, a banda retorna à estrada com um novo capítulo na discografia e leva esse repertório para os palcos brasileiros. Serviço Memphis May Fire + Blessthefall em Belo HorizonteData: 27 de agosto de 2026Local: Mister RockEndereço: Av. Tereza Cristina, 295, Prado, Belo Horizonte (MG)Ingressos: www.clubedoingresso.com/evento/memphismayfire-blessthefall-bh Memphis May Fire + Blessthefall em São PauloData: 29 de agosto de 2026Local: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros, São Paulo (SP)Ingressos: www.clubedoingresso.com/evento/memphismayfire-blessthefall-sp Memphis May Fire + Blessthefall em CuritibaData: 30 de agosto de 2026Local: Tork n’ RollEndereço: Av. Marechal Floriano Peixoto, 1695, Curitiba (PR)

Ludovic solta o visceral e reflexivo single “Pedestal”

Se existe um nome que evoca shows lendários, catarse coletiva e letras que são verdadeiros socos no estômago dentro do cenário independente brasileiro dos anos 2000, esse nome é Ludovic. E para a alegria (e melancolia) dos fãs, o quarteto paulistano acaba de dar mais um passo rumo ao seu aguardado novo disco. Nesta sexta-feira (6 de março), a Ludovi liberou nas plataformas digitais o single Pedestal. A faixa é a segunda amostra do próximo trabalho de estúdio do grupo, previsto para sair ainda neste semestre pela Balaclava Records, quebrando um jejum histórico de vinte anos desde o último álbum cheio da banda. Peso da paixão e o fim das idealizações da Ludovic Sucedendo a excelente e calorosa recepção do single anterior, Desde que eu morri, a nova faixa consegue balancear perfeitamente a sonoridade visceral, caótica e característica do Ludovic com elementos surpreendentemente novos, como harmonizações vocais elaboradas e passagens rítmicas complexas. Liricamente, o vocalista e compositor Jair Naves continua afiado. A canção aborda o perigo e a inevitabilidade das idealizações românticas que a paixão cega traz consigo. Formação de peso Citados frequentemente como influência direta por diversas bandas da nova geração, o Ludovic prova que o tempo só afiou suas garras. A formação que entra em estúdio para consolidar esse novo capítulo reúne gigantes da nossa cena alternativa:

Tom Ribeira encanta com o lançamento do seu primeiro EP, “Pedaço”

Uma das vozes mais promissoras e cativantes da nova cena musical brasileira, Tom Ribeira lançou nesta sexta (6) o seu primeiro EP de estúdio, batizado de Pedaço. Com mais de 400 mil seguidores nas redes sociais e uma comunidade digital extremamente fiel, o cantor e compositor de 24 anos entrega um recorte íntimo e plural que traduz a sua geografia do afeto. O trabalho tem a MPB como fio condutor, mas passeia com maestria por paisagens sonoras contemporâneas desenhadas com samba, bossa nova, pop e forró. De Botucatu para os palcos de Paris A jornada de Tom é digna de filme. Nascido em Botucatu, no interior de São Paulo, ele evoca em seu lirismo a simplicidade e o apreço por suas raízes. A faixa Botucatu, por exemplo, é uma celebração poética da terra natal, citando o Rio Lava-Pés e a Cuesta, mas expandindo o sentimento para a universalidade da experiência latino-americana. Essa quebra de fronteiras não é apenas poética. Em 2022, o artista deixou o interior paulista para fazer um mochilão na Europa e, poucos meses depois, já estava se apresentando em palcos históricos de Paris, como o La Cigale e o L’Elysée Montmartre. Sua sonoridade remete à tradição de mestres como Dorival Caymmi e Cartola, flertando com a suavidade de Gal Costa e o experimentalismo de Itamar Assumpção. Faixa a faixa de “Pedaço”, do Tom Ribeira Gravado após um ano de intensa imersão criativa e produzido por Breno Viricimo, o disco traz composições que transitam entre o particular e o universal:

Juvi lança o denso álbum “O Sonho da Lagosta”

Quem conheceu Juvi apenas pelos seus vídeos virais nas redes sociais está prestes a ser atropelado por uma avalanche sonora de altíssima qualidade. A cantora, compositora e multi-instrumentista consolida de vez o seu nome na cena musical brasileira com o lançamento do álbum de estúdio O Sonho da Lagosta, via gravadora Deck. O projeto marca uma ruptura brutal, e muito bem-vinda, em relação aos seus trabalhos anteriores. Sai o humor como fio condutor e entra uma sonoridade orgânica, crua e levada a sério. Complexo de lagosta e a atitude punk de Juvi O conceito por trás do disco é fascinante. O título é inspirado no “complexo de lagosta”, uma metáfora da psicanálise que traça uma analogia sobre a vulnerabilidade e a transformação. Assim como o crustáceo precisa quebrar e abandonar o próprio exoesqueleto apertado (ficando totalmente exposto) para conseguir crescer, o ser humano também precisa de rupturas para evoluir. O álbum é exatamente sobre isso: recomeços. E Juvi não poupa ninguém. Com um discurso que beira a acidez do punk, ela disseca relacionamentos amorosos, dramas familiares e as complexidades das amizades. “É um álbum em que eu me mostro como guitarrista e vocalista. Toquei todos os instrumentos, tem menos efeitos na voz e muitos arranjos instrumentais. É um disco mais sério, o humor aparece como um acidente, não como fio condutor”, afirma a artista. Caldeirão psicodélico Musicalmente, O Sonho da Lagosta é uma viagem. Juvi misturou a grandiosidade do rock psicodélico de lendas como Pink Floyd, Frank Zappa e Cream, com referências quentes da música latina, que vão desde a loucura de Ca7riel & Paco Amoroso até a genialidade de Tom Zé e Fito Páez. O resultado é um disco com forte presença de percussão, efeitos analógicos e delays imersivos. O trabalho, que já havia sido antecipado em janeiro pelo ótimo single tá na hora de terminar, guarda ainda uma surpresa de peso no repertório: uma releitura visceral de Essa Noite Não (clássico de Lobão), a única faixa do disco que não leva a assinatura autoral de Juvi.

Adrian Younge lança o imersivo single “Visual Assault”

O genial compositor, produtor e multi-instrumentista de Los Angeles, Adrian Younge, entregou uma verdadeira obra de arte em formato de áudio. Ele liberou nas plataformas digitais o intenso single Visual Assault. A faixa é uma das peças centrais que antecipam o seu aguardado novo álbum, batizado simplesmente de YOUNGE, com lançamento mundial marcado para o dia 17 de abril de 2026 pelo selo Linear Labs. Hip hop encontra a música clássica Totalmente instrumental e gravado de forma orgânica em fita analógica, o novo projeto se apresenta como a magnum opus de Younge: um manifesto orquestral inteiramente pensado a partir da lógica de batidas e samples do hip hop. Escrito sob a perspectiva de um produtor contemporâneo, mas com a disciplina e o rigor da música clássica e cinematográfica, o disco YOUNGE funde orquestrações expansivas, seções rítmicas ao vivo e guitarras estouradas em fuzz. Arranjado e regido pelo próprio artista, o álbum combina uma orquestra de 30 músicos com sua banda base. O resultado evoca a tradição de lendas como Ennio Morricone e Lalo Schifrin, soando exatamente como uma trilha sonora perdida de um filme policial dos anos 1970, mas reimaginada para os ouvidos atuais. Tensão de Adrian Younge em “Visual Assault” O novo single, Visual Assault, abre-se como um confronto direto. A introdução traz uma bateria sincopada, baixo pesado e um synth cortante, estabelecendo uma atmosfera de absoluta inquietação enquanto os metais e as cordas trocam frases curtas. No meio da música, a estrutura sufocante se rompe e se expande em uma passagem melódica em tom maior, um momento de clareza que logo é engolido novamente pela tensão, reforçando o contraste arquitetônico da faixa.