Entrevista | Boston Manor – “Vamos tocar músicas que há muito tempo não tocamos”

Pela primeira vez no Brasil, o Boston Manor desembarca no país com a expectativa de retribuir o carinho de uma base de fãs que, há anos, insiste para que a banda venha tocar por aqui. Com uma carreira de pouco mais de dez anos, a banda britânica se consolidou como um dos nomes mais inventivos da cena alternativa, transitando do pop punk para um som mais sombrio e melancólico, sem se prender a rótulos. A apresentação em São Paulo acontece no dia 14 de setembro, no City Lights. Ainda há ingressos à venda na plataforma Fastix. O vocalista Henry Cox contou ao Blog n’ Roll sobre essa estreia, a evolução musical da banda, lembranças de festivais e os próximos passos em estúdio. O que você já sabia sobre os fãs brasileiros antes de confirmar este show? Henry Cox: Temos um fã-clube incrível, o Boston Manor Brasil, que nos acompanha há anos. Sempre recebemos mensagens nas redes sociais pedindo para virmos ao Brasil. Na nossa última turnê americana, alguns fãs levaram uma bandeira enorme do Brasil e reforçaram ainda mais essa vontade. Queríamos ir há muito tempo, mas foi caro e difícil de organizar. Agora finalmente deu certo e estamos muito animados para tocar pela primeira vez aí. O que o público pode esperar do setlist em São Paulo? Serão cerca de 15 músicas ou teremos surpresas? Henry Cox: Sabemos que faz muito tempo que as pessoas esperam ver a banda ao vivo, então pensamos em algo especial. Vamos tocar músicas antigas, de meio de carreira e também as mais novas. Será um setlist bem eclético, incluindo faixas que não apareciam há bastante tempo. A ideia é fazer um show intenso, emocionante e divertido. Queremos que seja caótico, no melhor sentido, que seja insano para todo mundo. E fora do palco, há planos para conhecer São Paulo? Henry Cox: Infelizmente, por causa do ritmo da turnê, estamos em um país diferente todos os dias, então não teremos muito tempo para explorar. Basicamente só terei o dia do show. Mas se alguém tiver dicas de lugares interessantes e que fiquem até uma hora do local, adoraria conhecer. Como foi a transição do pop punk para um som alternativo? Henry Cox: A mudança foi bem gradual, feita ao longo de alguns álbuns. No início, principalmente na América, parte do público estranhou, mas aos poucos fomos conquistando ainda mais fãs. Nos últimos dois discos, por exemplo, conhecemos muitas pessoas que diziam ter adorado o primeiro álbum, mas não tinham acompanhado os seguintes. Agora, com os trabalhos mais recentes, esse público voltou para a banda. Foi legal ver esse movimento. Vocês ainda se sentem parte da cena pop punk? Henry Cox: Hoje isso importa menos do que antes. O streaming abriu muito o gosto musical das pessoas. Antigamente, se você curtia punk, era só punk. Ou metal, só metal. Agora os fãs ouvem de tudo, e isso é ótimo. Já dividimos turnê com bandas muito diferentes entre si, como Knocked Loose ou Hot Mulligan, e os públicos curtem igualmente. Dez anos atrás, seria uma questão não ter um rótulo definido, mas agora isso pesa bem menos. Algumas pessoas ainda nos veem como pop punk, o que é engraçado, mas não nos preocupa. Qual música do catálogo ainda é especial para você? Henry Cox: Depois de dez anos e vários álbuns, é normal olhar para trás e pensar em mudanças que faria. Algumas músicas já não representam tanto o que somos hoje, mas continuam como uma fotografia de quem éramos na época. Do nosso primeiro álbum, por exemplo, tem faixas que considero muito confusas, cheias de elementos, mas também há coisas que ainda fazem sentido. “Kill Your Conscience” é uma delas, poderia estar em um disco novo. Outras soam muito juvenis, mais pop punk, quase infantis. É como ver uma foto antiga de você mesmo, mas ao mesmo tempo é uma cápsula do tempo, parte da história. O álbum Glue tem essa melancolia por fruto da pandemia ou já era um caminho natural? Henry Cox: Acho que já vínhamos nessa direção, mas a pandemia intensificou. O disco anterior, Welcome to the Neighbourhood, tinha tido muito sucesso e ficamos quase dois anos em turnê sem parar, dez meses por ano na estrada. Estávamos exaustos, mas mesmo assim começamos a escrever um novo álbum. Hoje vejo que talvez devêssemos ter esperado um pouco mais. Em Glue dá para sentir essa exaustão, a frustração e a tensão daquele momento. Isso deu autenticidade, mas não estávamos no melhor espaço mental para gravar. Você coloca muitas experiências pessoais nas letras? Henry Cox: Sim, bastante. Às vezes são experiências pessoais, outras vezes são observações sobre o mundo ao meu redor. Tento escrever de forma mais aberta, quase enigmática, para que cada um possa se identificar à sua maneira. Não gosto de deixar óbvio “essa música é sobre isso”, prefiro dar espaço para interpretação, mantendo um pouco de mistério. Sei que é cedo, mas há um novo álbum a caminho? Henry Cox: Sim, já começamos a compor e a fazer demos. Provavelmente entraremos em estúdio no ano que vem, mas sem pressa. Desde a pandemia lançamos dois discos e um EP, então foi bastante coisa. Agora me sinto pronto, criativo e com muito a dizer. Vivemos tempos malucos e sinto que há muito material para transformar em música. Quais artistas te influenciam nos dias de hoje? Henry Cox: No início eram bandas como Taking Back Sunday, som alternativo e mais eletrônico, além de Nine Inch Nails e, claro, Deftones, que sempre foram referência para mim, Mike e Dan. Hoje não escuto tanta música de guitarra quanto antes, o que é bom porque me influencia menos diretamente. Mas sinto vontade de fazer um álbum mais cru, agressivo, punk, e espero que as demos sigam esse caminho. Qual festival foi marcante na carreira? Henry Cox: O Download Festival, sem dúvida. Tocamos no palco principal no dia em que lançamos “Halo” e aquilo mudou nossa trajetória. Recentemente voltamos e tocamos para 80 mil pessoas, foi

Entrevista | Pedro de Luna – “Champignon não aguentava mais a pressão e o assédio dos haters”

Champignon faleceu dia 9 setembro de 2013, aos 31 anos, justamente o mês agora associado à campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio e à saúde mental. A biografia de Pedro de Luna mostra não apenas o legado musical de Champignon, mas também os problemas de depressão, ansiedade e pressões financeiras que ele enfrentava, lembrando que por trás do talento e da fama existiam batalhas silenciosas que merecem atenção, compreensão e diálogo. Luna mergulhou na vida do baixista em um relato detalhado sobre sua trajetória pessoal e artística. Afinal, Luiz Carlos Leão Duarte Júnior, o Champignon, foi um dos nomes mais emblemáticos do rock brasileiro, reconhecido pelo trabalho com o Charlie Brown Jr. e por projetos como Revolucionnários, Nove Mil Anjos e A Banca. Com talento, carisma e presença de palco, ele marcou gerações, mas também enfrentou desafios pessoais e emocionais complexos que moldaram sua história. Você teve a impressão de que o Champignon era a segunda cara do Charlie Brown Jr., quase um “segundo em comando”, quando escreveu a biografia? Pedro de Luna: Sim, tive essa impressão, como se ele fosse o segundo em comando. O Dom Quixote e o Sancho Pança. É engraçado você falar isso, porque tem uma passagem no livro em que, se não me engano foi o Thiago (Castanho) ou o Marcão, contou numa entrevista que eles estavam em um evento e viram o Champignon e o Chorão andando de costas. A pessoa comentou: “Cara, até andar igual eles andavam”. Essa simbiose foi muito intensa. O Champignon tinha 12 anos quando conheceu o Chorão, que já tinha seus 20 anos e um filho. Essa convivência influenciou muito, principalmente o mais novo. O Chorão era o dono da banda, o porta-voz nas entrevistas, mas o Champignon, de alguma forma, era o segundo em comando. Como foi o processo de viabilizar o livro via crowdfunding, ainda mais durante a pandemia? Pedro de Luna: Não foi o primeiro livro que fiz por financiamento coletivo. Já tinha feito, por exemplo, a biografia de outro baixista, o Speed (parceiro do Black Alien), e também outros livros por venda antecipada. Mas no caso do Champignon foi desanimador no início, porque a primeira campanha não bateu a meta. Pensei: “Não é possível que as pessoas não tenham interesse em saber sobre ele”. Foi uma decepção, mas tentamos novamente. Na segunda campanha começamos com uma meta mais alta, depois reduzimos, e aí conseguimos bater e bancar a primeira tiragem praticamente no zero. O grande desafio mesmo foi a pandemia. Eu gosto de fazer entrevistas pessoalmente, e naquele momento não dava. A única pessoa que exigiu o encontro presencial foi uma das irmãs do Champignon, a Dani, a caçula. Nos encontramos em um lugar aberto, com todos os cuidados, e foi ótimo. Ela contribuiu muito, assim como a Eliane, a irmã mais velha, que ajudou com fotos e material de acervo pessoal. Mas foi a única entrevista que consegui fazer presencialmente. Isso dificultou bastante o processo. Os fãs ajudaram a escolher a capa do livro. A disputa foi acirrada ou houve um consenso? Pedro de Luna: Foi apertada, mas no fim a capa vencedora ganhou com folga. Essa foto acabou virando a principal e a camisa ficou com a Dani, irmã mais nova do Champignon. A outra opção era uma foto de 1998, dele bem jovem com um macacão bordado com “Charlie Brown”, que acabou indo para a contracapa. A escolha da capa foi simbólica também porque a foto é do Marcos Hermes, um grande fotógrafo e amigo meu. Nós moramos juntos quando me mudei para São Paulo em 1998, então ter uma foto dele no livro foi especial. Você entrevistou músicos de outras bandas como CPM 22 e NX Zero, que tiveram relações com o Charlie Brown Jr. Como você viu essa influência e convivência entre eles e o Champignon? Pedro de Luna: É interessante, porque o Chorão sempre foi um ponto de tensão com outras bandas, mas o Champignon era o oposto: um cara muito boa praça, que se dava bem com todo mundo. O Marcelo D2, por exemplo, sempre foi amigo do Chorão, e o Planet Hemp foi fundamental na trajetória do Charlie Brown, já que foi o D2 quem sugeriu que o Chorão cantasse em português. Sobre a geração seguinte NX Zero e CPM 22 e até o Raimundos, da mesma geração, era natural a convivência. Nos anos 90 e 2000 havia muitos festivais de rádio, aniversários de emissoras, e quem estava no topo eram as bandas dessa geração. O Charlie Brown ainda era um finalzinho dos 90, antes da ascensão do emo, e dividiu muito palco com todos eles. A famosa “treta” com o CPM surgiu de uma entrevista boba publicada na Capricho, mas na prática os caras eram próximos. Há vídeos de turnês nos EUA com Champignon, Badaui e Japinha juntos, super amigos. O NX Zero nunca teve treta nenhuma, pelo contrário: Di Ferrero participou de shows com o Champignon em sua fase fora do Charlie Brown, e vice-versa. O Raimundos também sempre abriu espaço, o Digão chamou o Champignon para apresentações e ajudou bastante. Eu tenho muito cuidado como biógrafo: não coloco fofoca nem rumores. Só relato coisas já publicadas em entrevistas, matérias de TV e revistas. Não escrevo livro para criar desavenças, e sim para contar histórias de forma honesta e respeitosa. E eu vi que você teve dificuldade também de encontrar matérias, entrevistas e alguns materiais com o Champignon. Como é que foi que você se enfrentou esse tipo de dificuldade para encontrar material? Pedro de Luna: Cara, a pesquisa é sempre a parte mais difícil do livro. Escrever já está no automático, mas a pesquisa, até antes das entrevistas, eu tenho que fazer uma boa pesquisa. No caso do Charlie Brown, e na verdade com muita gente, as informações que estão na internet ou não são fiéis, ou estão com datas erradas. Até mesmo vídeo, encontrei pessoas que postavam muitos vídeos e depois, fazendo uma pesquisa, vi que o ano estava errado,

Entrevista exclusiva | Supercombo conta todos os detalhes sobre o álbum Caranguejo

O Supercombo lançou ontem (15/08) a primeira parte do álbum Caranguejo. O trabalho demorou cerca de um ano para ficar pronto, porém caiu nas graças dos fãs e ativou a curiosidade de pessoas que haviam perdido contato com a banda (leia o review do álbum aqui). Conversamos de maneira exclusiva com Léo Ramos, Paulo Vaz, Carol Navarro e André Dea que deram todos os detalhes sobre o trabalho, incluindo um faixa a faixa com o significado de cada letra. Vocês fizeram um evento com os fãs mais assíduos para a audição do álbum. Como foi ver, em tempo real, a reação das pessoas durante o evento de audição? Léo Ramos: Pô, foi muito lindo. Passamos tanto tempo na caverna com o disco, só a gente escutando e sem saber como o público reagiria. Ver que as pessoas se emocionaram nas mesmas músicas e sentiram o peso das mais pesadas foi muito gratificante. Parece um sonho ver esse trabalho finalmente no mundo, ainda mais naquele momento da audição. Foi muito massa. Sobre esse disco ter ficado guardado um tempo, quanto tempo ele ficou na “caverna”? Léo Ramos: Com certeza mais de um ano. Tentamos primeiro a fórmula do “Remédios” (último disco, lançado em 2023) , todo mundo tocando ao vivo, fazendo jams no estúdio. Algumas músicas nasceram daí, como “Piseiro Black Sabbath” e outras que vão para a parte dois. Depois pegamos material antigo, fizemos umas novas, reunimos 40, 50 músicas. Com a ajuda do Rafael Ramos (produtor e diretor da DeckDisc), filtramos esse repertório e escolhemos o que faria sentido. Aí resolvemos lançar em duas partes. Foi um processo de mais de um ano de pensar, criar e elaborar. E “Piseiro Black Sabbath”? Como tem sido a recepção ao vivo? Léo Ramos: Nossa primeira apresentação dela foi no metrô, com um palquinho na estação, versão acústica roots com o Pindé (André Dea) na vassourinha, eu no violão, Paulinho com teclado. Foi absurdamente incrível. Quando tocamos num festival grande depois, foi ainda mais. A gente já sabia que daria certo. Ela é quase uma isca e o público canta com a mesma força de clássicos como “Sol da Manhã” e “Piloto Automático”. É impressionante. E como foi a participação do Jotta na produção deste álbum? Léo Ramos: O Jotinha a gente já admirava. Ele tem bom gosto nas produções, pós, timbres, perfumaria, que dá um tchan nas músicas. Convidei ele pra colaborar, ele topou e foi além. Ele esteve presente nas gravações com bateria, baixo, guitarra, dava direcionamento quando eu saía. Foi incrível tê-lo com a gente no Caranguejo. A parte dois chega no ano que vem. Vai ter o mesmo número de músicas? Léo Ramos: Vai ter uma a mais, serão oito no total. O nome Caranguejo veio de uma piada interna, mas caiu muito bem para resumir a banda, que sempre buscou várias direções. Vocês chegaram a adaptar letras ou estética visual depois dessa ideia do nome do álbum? Léo Ramos: Um pouco das duas coisas. É como uma massinha de modelar que vai se ajustando. A parte 1 acabou ganhando considerações de identidade na reta final, mexi em letras, visual, mitologia do caranguejo. A parte 2 está ainda mais conectada ao conceito e vai fazer muito sentido com a primeira parte. No release, o Paulo fala “somos uma banda de rock e gostamos de riff de guitarra”. Mas senti uma faceta mais pesada no disco. O que motivou esse peso maior? Paulo Vaz: Quando começamos a conceber o disco, quisemos retomar uma raiz mais pesada, algo presente em Sal Grosso e Amianto. Com Remédios, gravado ao vivo, começamos a tocar diferente. Trouxemos uma bateria mais pesada e um baixo com muito drive, pensando também no ao vivo, que já soa mais agressivo. A reação na audição foi intensa, muitos se emocionaram… A bateria do Pindé é como locomotiva, corpo e força que carregam o disco. Com produção cuidadosa e o Jottinha ao lado, este é o disco mais bem produzido da nossa carreira. E com essa identidade do álbum, mais pesado, denso e produzido, onde ele se situa na evolução da banda? O que vem depois? Léo Ramos: Caranguejo é o disco que soa melhor, mais pesado, denso e grandioso. A gente sempre manteve nossa identidade, mas esse tem muitas camadas, efeitos, perfumaria, ao contrário dos discos mais secos do passado. Gostei tanto do resultado que ainda não sei o que vem depois. Talvez Lagosta ou um Megazord (risos), mas abriu novas portas que certamente vão influenciar produções futuras. Escolhemos aqui a melhor pergunta enviada pelos nossos seguidores. Ela veio do Ivan Gutisan que gostaria de saber o que vocês querem atingir com esse novo álbum, mais produzido. Paulo Vaz: Acho que são duas coisas. Primeiro, entender e agradar o público que já é nosso, mas também alcançar quem ainda não nos conhece. Quando participamos de festivais com outros estilos, percebemos que a aceitação da nossa música é grande. Hoje não existe mais um mainstream único, mas vários. Queremos ampliar nosso público e fazer com que mais gente conheça não só o novo disco, mas também a nossa discografia. É um processo de se estabelecer cada vez mais no cenário e mostrar que cabemos em diferentes universos musicais. Nosso objetivo é atingir também o público do hip-hop, trap, pop, rock, até do sertanejo. Queremos levar o nosso som para quem quiser ouvir, sem nos limitar a um único espaço. Por isso o disco tem contrastes: músicas pesadas como “A Transmissão”, faixas emocionais como “Testa” e misturas rítmicas como “Piseiro Black Sabbath”. A ideia é continuar cativando quem já caminha com a gente, mas também ampliar o alcance e conquistar novos ouvintes. Ping Pong Descontraído: Paulo Vaz: Pra mim, é Kill Bill, tem o sangue, o visual amarelo. É isso. Léo Ramos: Eu vejo A Chegada, do Denis Villeneuve. Uma coisa meio cósmica, quase Lovecraft. André Dea: Eu imagino um filme de um ser vindo de outro lugar, não precisa ser do espaço, mas de um lugar que

Entrevista | Epica – “Não queremos que as pessoas sintam que esquecemos nossa história”

A banda holandesa Epica retorna ao Brasil em setembro com uma turnê que promete momentos inéditos para os fãs. Ao todo, serão seis shows no país, passando por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília. Esta nova visita integra a turnê mundial de divulgação do álbum Aspiral, lançado em abril. Com mais de 20 anos de carreira, o Epica mantém uma relação especial com o público brasileiro, conhecido pela energia e paixão em frente ao palco. Para esta série de apresentações, o grupo traz como convidado especial o Fleshgod Apocalypse, reforçando a promessa de noites intensas e inesquecíveis para os fãs de metal sinfônico. Conversamos com Mark Jansen, guitarrista e fundador da banda, sobre a expectativa para a turnê, os bastidores da escolha das músicas e curiosidades sobre a conexão com o Brasil. O Brasil está no radar da banda desde os primeiros dias, e agora vocês voltam para seis shows. O que os fãs podem esperar desta nova visita? Mark Jansen: Para cada turnê que fazemos com um novo álbum, mudamos a lista de músicas. Então, haverá surpresas. Se alguns fãs conferirem setlists de outras turnês, verão que esta será diferente. Inclusive, vamos tocar uma música que nunca apresentamos ao vivo antes. É assim que gostamos: manter interessante para os fãs e também para nós mesmos. O Fleshgod Apocalypse será o ato de abertura. Como surgiu o convite? Mark Jansen: Nós já os conhecemos bem, são grandes amigos e ótimos músicos. Já tocamos juntos no passado e até gravamos uma música no Alchemy Project. Quando surgiu a opção, fomos direto com eles. Vi um spoiler do Setlist FM e percebi que o setlist está bem diversificado entre os álbuns. E agora, vocês estarão em Brasília pela primeira vez, como é tocar em cidades novas, mesmo após tantos anos de estrada? Mark Jansen: É sempre emocionante, especialmente quando nunca tocamos em uma cidade. Há fãs que não conseguem viajar para outros lugares, então você acaba alcançando pessoas que nunca te viram. Além disso, é a chance de conhecer um lugar totalmente novo. Gosto de aproveitar para andar pela cidade e ver coisas diferentes. É uma combinação de emoção pelo show e pela descoberta. No setlist atual há músicas de quase todos os álbuns. Como vocês equilibram clássicos e novidades? Mark Jansen: É difícil agradar a todos. Procuramos equilibrar a promoção do novo álbum com músicas clássicas, inclusive dos primeiros discos, que muitos fãs amam. Não queremos que as pessoas sintam que esquecemos nossa história. Vocês levam em conta dados de plataformas como Spotify e YouTube para montar o repertório? Mark Jansen: Sim, às vezes. Nosso empresário envia relatórios, e também fazemos enquetes no Epica Universe com os fãs mais dedicados. No fim, buscamos um setlist que agrade tanto os mais antigos quanto quem está nos vendo pela primeira vez. Depois de mais de 20 anos de banda, ainda se surpreende com a reação dos fãs? Mark Jansen: Sim. Continuo curioso para saber o que as pessoas pensam, mas hoje não me deixo afetar emocionalmente por críticas. Aprendi a ler, processar e seguir em frente. O novo álbum Aspiral foi pensado para ser ouvido do início ao fim. Qual a ideia por trás disso? Mark Jansen: Queríamos criar uma jornada musical, com as faixas na ordem certa para manter o fluxo. É a experiência ideal, embora cada um possa ouvir como preferir. Para encerrar, tem alguma história curiosa sobre o Brasil? Mark Jansen: Lembro de um show em São Paulo em que havia muito mais público do que o esperado. O promotor ficou tão feliz que fez uma festa particular no escritório e saiu sorrindo de orelha a orelha. Foi inesquecível. Datas da turnê do Epica no Brasil06/09 – Porto Alegre (Bar Opinião)07/09 – Curitiba (Ópera de Arame)09/09 – Belo Horizonte (Grande Teatro BeFly Minas Centro)11/09 – Brasília (Toinha)13/09 – Rio de Janeiro (Sacadura 154)14/09 – São Paulo (Terra SP) Ingressos em: http://www.fastix.com.br/

Entrevista | Cícero – “Pode começar o disco pela quinta música que vai fazer sentido do mesmo jeito”

No ano em que encerra um hiato de cinco anos sem inéditas, Cícero está de volta com Uma Onda em Pedaços, álbum lançado na última quinta-feira (7) que mergulha em fragmentações pessoais, estéticas e existenciais. O trabalho, o sexto de sua carreira solo, chega meses após Concerto 1, disco lançado em janeiro com releituras da carreira, e confirma a fase mais prolífica do cantor e compositor carioca. Pela primeira vez, ele entrega dois álbuns num mesmo ano, reflexo de um período marcado por recolhimento, recomeços e inquietações criativas. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Cícero detalhou como atravessou os últimos anos, da pandemia, que o forçou a adiar turnês e lidar com perdas pessoais, à retomada dos palcos com novos formatos de show. Também revelou como o conceito de fragmentação não apenas nomeia o disco, mas estrutura seu conteúdo e sua forma de narrar: canções que funcionam como peças soltas, com diferentes sons, histórias e possibilidades de leitura. Musicalmente, Uma Onda em Pedaços é plural. Vai do forró ao jazz, passando por rap, indie rock e MPB experimental. Essa diversidade é acentuada pelo fato de que, desta vez, Cícero cedeu espaço para que músicos convidados contribuíssem com ideias próprias nos arranjos — imprimindo uma estética mais orgânica e colaborativa. As participações de Duda Beat, Tori e Vovô Bebê também ajudam a ampliar o espectro sonoro e afetivo do trabalho. Além do álbum, Cícero também vai excursionar pelo Brasil a partir de outubro. E espera vir a Santos pela primeira vez. Confira abaixo a entrevista completa. Foram quase cinco anos desde seu último álbum de inéditas. Como foi esse período pra você? Chegou a colaborar com outros artistas, ficou mais recluso ou já vinha trabalhando nesse disco?  Foram as três coisas que você falou. Nesses últimos cinco anos fiquei mais recluso no período da pandemia, um pouco depois também, porque foi difícil pra todo mundo, tive perdas familiares. Arrastou também um tempo de luto, e após isso comecei a tocar, fiz a turnê do disco que lancei na pandemia (Cosmo, de 2020), saiu no dia do lockdown. Estava planejado para 2019, mas por força do destino caiu do disco ser lançado no mês que a pandemia estourou, e a turnê toda que estava marcada para 2020 foi cancelada. Adiada, depois adiada de novo, depois adiada de novo, até que foi cancelada. Então só fui fazer o show dessa turnê no final de 2022. Ou seja, já foram dois anos aí que comeu de vida total, porque a gente ficou no modo bunker, tentando entender o que estava acontecendo, eu pelo menos fiquei.  Depois disso teve essa turnê de 2022, e uma outra em 2023 com uma ideia de tocar as músicas no formato live pra câmera na época da pandemia, projetados numa parede. Pensei assim: ‘e se a gente ficar trancados para sempre em casa? Como é que será o show? Vai ser tudo via transmissão online. Essa ideia começou a nascer, de projetar sei lá, uma orquestra na parede, tocar na frente e tal. Quando a pandemia abriu em 2023, decidi levar essa ideia para os palcos. Aí fiz o Concerto 1, que era eu tocando violão com uma orquestra projetada num telão atrás, tocando os arranjos. Acabou que a galera gostou muito do show e permaneceu. Em 2024 comecei a fazer o disco, porque tinha ficado um bom registro, e lancei no início deste ano. Só que quando acabei o Concerto 1, também vi que  já tinha um apanhado muito grande de músicas novas e senti que já tinha um motivo ali, o álbum já existia, a ideia. Acabei lançando dois discos num ano, nunca tinha feito isso.  O título do álbum sugere fragmentação. De que forma você se sentiu “em pedaços” e como isso influenciou a composição das músicas? Tinha um projeto de mim muito central. O que queria fazer, onde queria chegar, o que queria construir, o que queria executar, uma relação com a sua vida como se fosse um projeto mental seu. Da pandemia pra cá, as circunstâncias se mostraram muito mais fortes no que é o eu e a minha vida do que as minhas decisões.  As minhas decisões se mostraram menores do que as circunstâncias. Por exemplo, uma pandemia, um parente que morre, enfim, as circunstâncias. E aí comecei a ver que existem fragmentos de vida, que você consegue organizar eles de alguma forma, mas eles são fragmentados em um caos. Tem o você jornalista, tem o você filho, tem o você amigo, tem o você cidadão, tem o você namorado, tem vários vocês, né? E você toma algumas decisões em relação a essas pessoas, mas as circunstâncias definem também muito para onde essas pessoas vão. Acho que o disco fala disso. Ele é um disco que não tem uma narrativa central, um projeto central de história, ou um começo, meio, fim, ou não fala uma… São fragmentos, pedaços de narrativas soltas que você pode organizar da forma que você quiser. Você pode começar o disco pela quinta música e ele vai fazer sentido do mesmo jeito. O disco tem muitas referências e estilos diferentes: forró, rap, jazz, música eletrônica, experimental. Como essas influências surgiram no processo de criação? Foi algo planejado ou mais intuitivo? Isso é uma evolução meio que do que venho fazendo desde o meu primeiro disco, só que acho que dessa vez, o diferencial é a ideia de que cada música tem uma natureza diferente. De ter uma música que é um baião, um forró, uma eletrônica, uma é um indie rock, a outra é uma marchinha, isso já vinha. Mas nesse disco sinto que isso ficou mais ressaltado porque chamei pessoas para terem as ideias delas para os arranjos da música num lugar muito de criação.  Por exemplo, o pianista tocou o piano que ele pensou ali na hora conhecendo a música, o baixista criou a linha de baixo ouvindo a música, o baterista idem, entendeu? Chamei pessoas que tinha muita admiração, carinho e amor para que elas

Entrevista | Cachorro Grande – “É bacana perceber que esse amor antigo ainda sobrevive”

No ano em que completa 25 anos de fundação, a formação clássica do Cachorro Grande volta a se reunir para uma série de comemorações. A banda, que encerrou oficialmente suas atividades em 2019, está de volta aos palcos com uma turnê especial que passa por diversas capitais brasileiras. Em São Paulo, o quarteto se apresenta nesta sexta-feira (8), no Carioca Club, a partir das 20h. Ainda há ingressos à venda. O guitarrista Marcelo Gross, um dos fundadores e figura central na história do Cachorro Grande, conversou com o Blog n’ Roll sobre o retorno da banda, a química que se mantém intacta após tantos anos e a forma como essa reunião reacendeu não só a relação entre os integrantes, mas também a conexão com o público. Na entrevista, Gross comentou a possibilidade de novas músicas do Cachorro Grande, analisou o atual cenário do rock no Brasil e no mundo e relembrou histórias de bastidores que vão desde improvisos de palco até o dia em que abriram para os Rolling Stones no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Confira a íntegra da entrevista abaixo. Quando a banda entrou em hiato em 2019, vocês imaginavam que a reunião aconteceria tão cedo? A gente não imaginava que fosse ser tão cedo. Quando a gente anunciou o hiato, baixamos a cabeça e começamos a trabalhar nos nossos projetos individuais, mas veio a pandemia, que exacerbou um pouco a vontade da gente estar no palco de novo, de estar junto, tocar para a galera.  Logo depois da pandemia, a gente fez um show de reunião para matar a saudade, depois daqueles dois, três anos de isolamento social. Depois que a gente fez esse show, que foi tão bacana, resolvemos fazer um evento anual de reunião da banda, que aconteceu em 2024 e 2025. A gente decidiu fazer essa turnê por conta que os shows estavam muito bons, tinha uma demanda muito grande de público para assistir a gente, então acho que foi a hora certa para se reunir, comemorar os 25 anos e quem sabe ainda o que vem pela frente, né?  Acredito que a gente está no momento em que o rock está voltando, a galera está cansada dessa coisa pré-fabricada e também isso parece ser uma coisa que está rolando no mundo inteiro: essa demanda pelo bom e velho rock and roll desgraçado.  Há chances de o Cachorro Grande lançar músicas ou um álbum novo, mesmo com todos focados nos projetos solo? Estamos bastante envolvidos com os nossos projetos solos, e a gente foi vendo até onde a gente podia ir com esse lance da Cachorro Grande. Os shows anuais sempre foram muito legais, tudo ocorreu de uma maneira muito tranquila e agradável. As feridas da banda se cicatrizaram.  Durante esse um ano que a gente está fazendo a turnê de 25 anos, fomos mandando músicas novas e tem um material que poderia ser gravado, então existe essa possibilidade. Como a gente está se dando bem, a turnê está indo bem, é provável que no futuro lance alguma coisa, dê uma pausa nas carreiras solo para lançar algo novo. O que mudou na relação entre vocês desde a separação até agora? O problema de quando a gente acabou é que passamos muito tempo juntos, então precisava respirar um do outro, fazer novos projetos, outras coisas, para dar uma arejada na cabeça. Agora está sendo muito bacana, acho que a nossa relação está melhor do que nunca. Os shows têm sido musicalmente muito bons, isso é importante. E é isso, a gente também tem o carinho do público, a galera mais velha que tem essa memória afetiva com a gente, que está levando os filhos, tem uma geração mais nova que não tinha assistido a banda. Tudo isso sensibiliza a gente e faz com que façamos tudo com muito carinho e valorize a presença um do outro. Apesar de termos vivido tanto tempo com muita intensidade juntos, o pessoal está na casa dos 50 anos, a gente já não sabe mais até quando vamos estar por aí, então é bacana perceber que esse amor antigo ainda sobrevive. Na sua opinião, o que torna a formação clássica do Cachorro Grande tão especial para o público? Acho que é uma coisa que a gente mesmo sentiu nos primeiros ensaios lá em 1999, quando reuniu eu, o (Gabriel) Boizinho e o Beto (Bruno). O Boizinho batendo forte na bateria, eu tocando os four chords na guitarra, o Beto com aquela característica da voz dele, depois se juntou o Pedro nos teclados.  Como disse antes, não tem como não reconhecer que a química causa na gente e nas pessoas uma fagulha, uma energia que é especial. É a música que a gente faz junto, a característica pessoal de cada um, que cada um tem quando vai tocar, provoca uma mistura que é a Cachorro Grande. Como foi pensado o repertório do show de 25 anos do Cachorro Grande em São Paulo? Como é uma comemoração de 25 anos da banda, ele quase se faz sozinho. Brinco com os guris, o set se faz sozinho porque são quase dez discos, vários hits, clipes que ficaram na memória das pessoas na época da MTV, então se tu botar só as músicas que não poderiam faltar no show, já dá o show. A gente sempre brincou com improvisos no meio do show, a banda se solta ali em vários momentos. Cada show será um show único.  O público pode esperar todos os grandes sucessos nesse show? Sim. Não vai faltar nenhuma das favoritas. Os lados B a gente deixa mais para o futuro. Claro que tem uma ou outra coisa, mas é um show essencialmente de hits. Como foi assistir novamente ao documentário A Última Banda de Rock após o retorno da banda? Assisti quando saiu, há um ano, e só fui assistir novamente agora, quando rolou no festival In-Edit, aqui em São Paulo. A gente reuniu a banda para assistir. Lembro a primeira vez que assisti e fiquei meio tenso:

Entrevista | Late Night Drive Home – “É uma carta de amor à internet”

Com uma sonoridade que flerta com o indie rock, o garage e até o lo-fi de quarto, o Late Night Drive Home vem chamando atenção com letras que refletem as contradições de uma geração moldada pela internet. Formada em El Paso, no Texas, a banda ganhou destaque após o sucesso de Stress Relief em 2021 e agora estreia com o primeiro álbum completo da carreira, As I Watch My Life Online, um trabalho conceitual e maduro que mira diretamente na vida digital. O disco nasceu da vontade de aprofundar o discurso artístico em um mundo que prioriza os singles e os vídeos virais. Com produção iniciada há mais de dois anos, As I Watch My Life Online é uma espécie de “carta de amor crítica” à internet, nas palavras do grupo. As faixas exploram a presença digital, a busca por conexão real e a constante fusão entre o mundo online e a experiência física. Destaque do álbum, a faixa day 2 fala sobre a tentativa de desconectar dos celulares e recuperar um senso de humanidade — um tema que a banda conhece de perto, já que boa parte das conexões e amizades mais profundas dos integrantes surgiu justamente no ambiente virtual. Essa dualidade permeia todo o disco, que equilibra produção analógica e digital como um reflexo sonoro da vida contemporânea. Nesta entrevista ao Blog n’ Roll, Andre Portillo (vocalista e guitarrista), Freddy Baca (baixista) e Brian Dolan (baterista) falaram sobre o conceito do novo álbum, o impacto das redes sociais, as influências que moldaram sua trajetória, entre outros assuntos. Confira a íntegra abaixo. * As I Watch My Life Online é o primeiro álbum de vocês. Como foi o processo de criar um disco de estreia em um mundo onde quase tudo acontece pela internet e as bandas preferem focar em singles ao invés de álbum cheio? Andre – Bem, pensamos muito durante o processo de produção deste álbum. Ele está em produção há uns dois anos, acho que três. E foi bem fácil chegar à conclusão de que queríamos lançar um álbum. E com base em tudo o que estávamos vivenciando na época, tudo online e a presença da nossa banda online, achamos que era um conceito muito legal e seguimos em frente. O disco é descrito como uma coletânea de “perspectivas meta sobre a vida online”. Como vocês definiriam a mensagem central do álbum? Andre – Acho que a mensagem central do álbum é como uma crítica sobre como as pessoas interagem online e como é crescer na internet. Sim, gosto de interpretar como uma carta de amor à internet. A faixa day 2 fala sobre se desconectar dos celulares para viver uma conexão real. Essa experiência já aconteceu com vocês? De onde veio a inspiração para essa música em específico?  Andre – Sim. Acho que todos nós já passamos por isso de alguma forma. Quer dizer, é principalmente uma música sobre se conectar com pessoas online e experimentar um senso de comunidade e uma sensação de recuperar as pessoas online te ajudando a recuperar aquela autoimagem de si mesmo. Mas sim, nós já passamos por isso também. Fizemos muitos amigos online nessa época, e até mesmo muitos bons amigos online também, o que é bem interessante porque você pode simplesmente pular a parte em que se conhece pessoalmente e se conectar com alguém instantaneamente. Desde o primeiro EP até agora, com turnês importantes e contrato com a Epitaph, como vocês enxergam a evolução do Late Night Drive Home?  Andre – O que você acha, Brian? Brian – Não sei. Começou como um som meio lo-fi de quarto e, com o tempo, acho, especialmente neste álbum, nós realmente mostramos o quão longe chegamos como músicos. Definitivamente, passamos por muitas fases em nosso som. E ficou no rock alternativo e indie. Mas sinto que naquela época tínhamos muito mais sintetizadores e elementos eletrônicos, mas meio que nos afastamos disso à medida que fomos apresentados aos estúdios e técnicas de gravação mais profissionais e coisas do tipo. E tínhamos um som mais de garage rock. Então, à medida que exploramos mais nossa música, aprendemos que é legal combinar os dois e ter sons profissionais de estúdio com sons analógicos que são meio estranhos e cheios de bugs e coisas assim. E mudar nosso som e meio que mesclar esses dois sons. Acho isso legal porque é uma espécie de testemunho da mensagem do álbum, que é como a vida real e a internet se fundindo e se tornando quase uma coisa só, indistinguíveis uma da outra. Realmente antecipo que nosso som mudará o tempo todo, a cada momento. É só uma questão de capturar aquele momento sonoramente e compartilhar com o mundo o que estávamos pensando naquele momento específico. O sucesso de Stress Relief em 2021 trouxe bastante atenção para o Late Night Drive Home. Como lidaram com a pressão e as expectativas depois desse hit?  Andre – Especialmente da nossa parte, fomos quase colocados sob essa luz, por todas as pessoas que ouvem nossa música. E é como se houvesse uma pequena pressão quando você está sob essa luz, um pouco de incerteza sobre o que as pessoas pensariam da sua jornada como músico. Porque, como dissemos antes, nossos sons estão sempre evoluindo. E até mesmo a maneira como tocamos no palco, sinto que evolui a cada turnê. Foi meio difícil imaginar as expectativas dos ouvintes e dos nossos fãs. Mas acho que, com isso, aprendemos a aceitar o fato de que somos músicos em constante evolução. E se as pessoas gostam da nossa música, elas sempre vão gostar, não importa como as toquemos. A turnê do novo álbum vai passar por 22 cidades e termina em El Paso, cidade natal o Late Night Drive Home. Tem planos de trazer essa turnê para o Brasil?  Brian – Ah, para o Brasil? Ah, espero que sim. No momento, não tenho ideia, mas sei que já tocamos no assunto de talvez fazer uma turnê por diferentes partes do mundo também.

Há 15 anos, Zander derrubava um streaming inteiro com lançamento do Brasa

O Zander iniciou uma turnê temática tocando seu álbum de estreia, Brasa, na íntegra. Em 2010, os tempos eram outros e as bandas independentes lançavam suas músicas na plataforma Trama Virtual, que resistiu até 2013 com a ascensão do Spotify. Quem conta a história do disco é Gabriel Zander, vocalista, guitarrista e fundador da banda. “Foi nosso primeiro álbum cheio, e foi a partir do Brasa que a galera começou a encher os shows e acompanhar a banda”, relembra. Ele completa dizendo que o Zander estava no lugar certo e na hora certa para o lançamento do disco. “A gente achou que o site tinha saído do ar bem no dia do lançamento, aí ligamos para lá e eles disseram que caiu porque estava muita gente baixando e o site não aguentou.” No último sábado (26), o Zander foi headliner do Santos Criativa Rock ao lado do Bayside Kings e tocou o álbum Brasa na íntegra, além de hits que marcaram a carreira da banda. Voltar à cidade tem um gosto especial e nostálgico para Gabriel. A primeira vez que o vi em ação, ele ainda era o Bil do Noção de Nada, abrindo para o CPM 22, antes da fama. Ele conta que esse foi seu primeiro show em Santos e se empolgou com a casa lotada, mesmo que o saudoso Armazém 7 mal comportasse 100 pessoas. “Depois, quando voltamos para Santos, nosso show estava bem mais vazio, e aí entendemos que não estávamos com aquela bola toda. Mas era uma época boa, a gente dormia na casa da galera, passava a semana toda aqui. São boas lembranças”, completa. Próximos Shows da Turnê do Brasa:31/07 – São Paulo/SP01/08 – Americana/SP02/08- Curitiba/PR – Com Rancore e Hateen03/08- Santo André/SP

Bayside Kings convida ex-integrantes em busca de sua obra prima

O Bayside Kings está comemorando 15 anos da melhor forma possível: em estúdio, gravando o novo álbum “Modo de Sobrevivência”. Em busca de sua obra-prima, a banda convidou dois ex-integrantes emblemáticos para o processo de composição e pré-produção. Marcão, hoje na Apnea, integrou os discos Resistance (2016) e Yin Yang (2018), enquanto Léo, atualmente no Surra, participou da era Warship (2013) e Waves of Hope (2015). No último sábado (26/07), a banda se apresentou com Marcão na guitarra — foi a primeira vez com cinco integrantes nos últimos sete anos. O show aconteceu durante o Santos Criativa Rock, evento anual em homenagem ao mês do rock. Em entrevista ao Blognroll, o vocalista Milton Aguiar contou que a ideia dessa nova formação é tornar a banda mais “palpável”, sem perder o DNA selvagem que sempre marcou o Bayside Kings. O álbum está em estágio de pré-produção, com quase 20 faixas compostas, e a previsão é lançar um single ainda em 2025. A temática de Modo de Sobrevivência gira em torno do cotidiano e das batalhas diárias do cidadão comum. E um dos focos dessa nova fase é se consolidar de vez com letras em português. “No início, todas as nossas referências cantavam em inglês, então foi um caminho natural”, explica Milton. “Se naquela época a gente decidisse criar em português, soaria muito parecido com o Dead Fish — que é uma banda que eu gosto muito. Mas depois que criamos nossa identidade e muita gente começou a pedir músicas em português, resolvemos seguir esse caminho. Todo mundo abraçou, e foi um baita acerto”, conclui.