Entrevista | The Inspector Cluzo – “É com menos que você consegue expressar mais”

A dupla francesa The Inspector Cluzo, formada por Laurent (guitarra e voz) e Mathieu (bateria), está de volta com Less Is More, seu décimo álbum de estúdio. Conhecidos por unir rock enérgico com crítica social e uma postura radicalmente independente, os músicos também são agricultores orgânicos e vivem da própria produção em uma fazenda no sul da França. Em sua nova obra, eles aprofundam a relação entre música, ecologia e autossuficiência. O conceito de “menos é mais”, que dá título ao álbum, sintetiza a filosofia de vida da dupla. Em tempos de crise climática, consumo desenfreado e greenwashing, The Inspector Cluzo opta por viver e produzir de forma sustentável — uma prática que não se limita ao discurso: todos os videoclipes do disco foram gravados na fazenda, que também equilibra a pegada de carbono gerada pelas turnês. Inspirados por pensadores como Guy Debord e Henry David Thoreau, The Inspector Cluzo transforma filosofia crítica em rock direto, contestador e provocativo. A faixa As Stupid As You Can, por exemplo, mergulha nas ideias do livro A Sociedade do Espetáculo para refletir sobre como a verdade e o falso se misturam em uma sociedade guiada pelo marketing e pelo consumo. Thoreau, por sua vez, é celebrado não apenas pela crítica ao materialismo, mas por ter sido um dos primeiros a praticar o que hoje chamamos de pós-crescimento: ele foi morar sozinho numa floresta no século 19, longe da sociedade industrial, e escreveu obras que influenciaram desde Gandhi até Martin Luther King. Para os franceses, sua visão é mais atual do que nunca. Nesta entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, a dupla The Inspector Cluzo falou sobre o novo álbum, as críticas sociais que permeiam suas composições, a importância da vida rural, a independência artística e os desafios reais de enfrentar a crise climática sem hipocrisia. “Não estamos pregando nada”, dizem. “Mas estamos tentando mostrar que há caminhos possíveis.” Less Is More é o décimo álbum da carreira de vocês. Que tipo de mensagem ou sentimento vocês buscaram transmitir com esse trabalho? Laurent: A mensagem está no próprio título do álbum: Less is More. E queremos falar sobre o crescimento pós-crise, que gira em torno dessa mensagem, porque acreditamos que, para enfrentar as mudanças climáticas que estamos enfrentando agora, essa é uma forma e uma solução que aplicamos na fazenda, como ser autossuficiente, autofinanciado e independente.  Então, através das músicas, essa é uma mensagem que você pode levar, por exemplo, e nós a chamamos de terceiro caminho que você pode explorar para enfrentar essas mudanças climáticas.  O single As Stupid As You Can tem uma carga crítica e provocativa. O que motivou essa faixa do The Inspector Cluzo? Laurent: Ele está falando sobre um livro escrito em 1967 por um filósofo francês, um dos maiores filósofos franceses do século 20, chamado Guy Debord. Se você não sabe, ele escreveu um livro filosófico muito, muito famoso chamado La Société du Spectacle. É um livro sobre uma crítica à França e a todos os países ocidentais que se voltaram para o consumismo, o consumo e o materialismo em 1967. E ele disse que, se a consequência disso, com marketing, narrativas, mentiras, etc., for que, a longo prazo, viveremos em uma sociedade invertida, onde a verdade é apenas um momento do falso, ok. E isso é engraçado porque é exatamente a sociedade em que vivemos. Ele explicou que isso demonstra que estamos muito imersos no materialismo e na sociedade consumista. Então, usamos a expressão americana “o mais estúpido possível” para dizer isso, porque é mais fácil e as pessoas entendem. Mas é uma música sobre isso. Então não é sobre ironia. É só porque ele me fez demonstrar que, se você se envolve muito com o consumo e tudo mais, não faz nenhuma diferença entre a verdade e o falso.  Além de Guy Debord, vocês citam Henry David Thoreau como inspiração para esse disco. Como esses pensadores influenciaram a criação do álbum? Laurent: David Henry Thoreau foi o primeiro cara a falar sobre o pós-crescimento. Ele é considerado o primeiro ecologista de todos os tempos. Ele é do século 19, um filósofo naturalista americano. Thoreau foi para uma floresta para abandonar o consumismo.  Veja, ele estava no século 19, como você pode imaginar. Acho que se ele estivesse vivo hoje, cometeria suicídio imediatamente. Então ele foi para uma floresta e foi morar sozinho, nós temos uma cabana e tudo mais. Ele escreveu um livro porque era o tipo de pessoa que aplicava a si mesmo sua convicção, não pregando e forçando o outro a fazer como ele. O segundo livro que ele escreveu é muito famoso, chama-se Desobediência Civil. Isso influenciou Martin Luther King, Gandhi e a causa. É uma maneira de rejeitar algo com o qual você discorda, mas pacificamente. Ele inspira muita gente. Sabe, o menos é mais no crescimento pós-crise é o David Henry Thoreau. Todo mundo está se perguntando como podemos lidar com a mudança climática. O que podemos fazer com a mudança climática? Quer dizer, exceto pessoas como nós, que cultivam uma fazenda porque estamos fazendo algo concreto. Mas quando você mora em uma cidade, em qualquer lugar, as pessoas se perguntam como podem fazer isso, o que é normal. E David Henry Thoreau é parte da resposta. E ele é muito interessante e já respondeu a essa pergunta no século 19. Ele está voltando, é um cara que usa a expressão “menos é mais” para se informar. É por isso que fizemos uma música sobre ele. Mudando um pouco de assunto, o videoclipe foi filmado na fazenda de vocês, certo? Qual é a importância deste lugar na estética e mensagem da banda?  Laurent: Para este álbum, queríamos fazer alguns videoclipes aqui na fazenda porque este ambiente era perfeito para este tipo de álbum, Less is More. E trouxemos nosso amigo do Chile, Lorenzo de la Masa, com quem trabalhamos no álbum People of the Soil. Nós amamos a maneira dele de ver as coisas, especialmente em relação à agricultura. Nós

Entrevista | Mike Hranica (The Devil Wears Prada) – “Vem um novo álbum da banda, vamos anunciar em breve”

Após pouco mais de uma década, o The Devil Wears Prada retorna ao Brasil para uma série de dois shows em São Paulo e Curitiba. E tive a oportunidade de bater um papo com o vocalista Mike Hranica sobre as lembranças do último show no país e também os planos para o futuro. Confira a entrevista completa com Mike Hranica abaixo. Uma pergunta curiosa: Como a produção do filme Diabo Veste Prada 2 afeta o The Devil Wears Prada nas buscas do Google ou algoritmo do Instagram? Mike Hranica – Ah, a gente faz piadas com isso. Um amigo meu me mandou mensagem ontem fazendo piadas. Mas não presto muita atenção nisso. Estava ouvindo uma banda chamada “Shiner” e quando jogo ela no Google aparece sobre uma cerveja Shiner, que é uma cerveja do Texas. Mas, eu não sei. As pessoas podem achar a gente se elas quiserem. Faz 13 anos do último show do The Devil Wears Prada no Brasil que, inclusive, foi no mesmo local. Quais são as lembranças que você tem dessa época? Mike Hranica – Excelentes memórias. Esta será a nossa terceira vez no país. A primeira vez foi muito louca, a segunda foi incrível. E agora, depois de tanto tempo, estamos voltando. Olhando para trás, realmente foi bem divertida a nossa primeira passagem. O mais engraçado é que fomos tratados meio que uma “boy band”. As pessoas ficaram malucas em ver a gente no Brasil. Geralmente nos outros lugares a gente é reconhecido, mas de uma maneira normal. Mas no Brasil a gente parece celebridades. Tem alguma coisa muito louca que aconteceu aqui? Mike Hranica – Nós tivemos no Brasil com o Whitechapel e tivemos um grande problema no hotel. Acho que bebemos demais. Não quero falar muito sobre isso (risos). Mas nós nos divertimos muito. Ninguém estava armado ou quebrou nada. E o que motivou o Devil Wears Prada voltar agora? Mike Hranica – Nós só aproveitamos a oportunidade. A logística para ir para ai é bem difícil comparado a ir para a Europa ou para girar aqui na América do Norte. Mas dessa vez as coisas deram certo e estamos muito felizes em voltar. Você tem notícias de como está o público brasileiro hoje em dia? Alguma expectativa? Mike Hranica – Espero o mesmo nível de entusiasmo. Vi o que o Bring Me The Horizon fez ai e foi totalmente insano. Certamente não espero nada menos do que a energia que recebemos das últimas vezes. Nessa nova fase agora, depois de 13 anos, Ritual e For You mostram um lado diferente da banda. Como vocês definem o atual momento do Devil Wears Prada? Mike Hranica – Eu digo que é um momento crucial. As músicas que tocávamos da última vez eram diferentes do que estamos fazendo agora com a fase Color Decay. Estou bem animado que as pessoas vão ver nossa evolução em relação às músicas antigas. Posso chamar a For You de uma música de amor? Mike Hranica – Certamente não é uma música de amor feliz, mas conta sobre a história de uma relação que não deu certo, onde um lado não fez sua parte tão bem para tudo funcionar. Essas músicas farão parte de um novo álbum do Devil Wears Prada ou serão apenas singles individuais? Mike Hranica – Elas serão parte de um novo álbum. Sei que estamos um pouco atrasados desde que começamos a lançar músicas novas, mas vamos fazer um anúncio oficial em breve. Ritual tem uma energia bem interessante. Ela foi feita pensando na atmosfera do show ao vivo? Mike Hranica – Sim e a reação tem sido maravilhosa. Nós estamos tentando melhorar ainda mais isso. Estamos o verão inteiro tocando Ritual e For You, tem sido incrível. O The Devil Wears Prada surgiu no boom do metalcore dos anos 2000. Como você vê a cena hoje em dia? Mike Hranica – Vejo maior do que nunca. Pensando em 25 anos atrás com bandas como Killswitch Engage estava tentando descobrir um caminho e isso tudo chegou ao mainstream. O fato é que as bandas que “gritam” e fazem “breakdowns” estão na rádio. É como se uma maré alta levasse todos os navios ao mesmo tempo. Eu, como adolescente, só queria ouvir as músicas mais pesadas possíveis e é ótimo que essas bandas estejam hoje no mainstream. Tem alguma coisa de metal moderno que te inspira nesse momento? Mike Hranica – Acredito que sim, essa é uma pergunta para o John que produz as nossas músicas e cria várias letras. E como o que ele tem ouvido e o que ele tem trazido para o cenário. Eu, particularmente, tenho ouvido bastante Killswitch Engage e Beartooth agora. Também ouço bastante Parway Drive, I Prevail, Alpha Wolf e Amity Affliction. Procuro ver outras bandas que me inspiram. A energia que o Caleb traz ao Beartooth é realmente muito inspiradora. Então, isso realmente me ajuda quando estou criando ou escrevendo Muita gente tem percebido um revival do emo e rock dos anos 2000. Você tem percebido isso também? Mike Hranica – Com certeza. Assim como percebi um crescimento da cena metalcore, também percebi um crescimento das músicas dos anos 2000 pós pandemia. Nós ficamos um período privados de ver e ouvir o que amamos. Não que eu agradeça por isso, mas eu estou bem agradecido de onde a cena está agora. A covid tirou nossa liberdade e agora nós apreciamos ter isso de volta e podemos viver tudo com mais intensidade. E você acha que essa onda de nostalgia tem trazido novos ouvintes para a banda? Mike Hranica – Acho que o revival de Nu Metal com bandas como Deftones, Korn e Limp Bizkit tem feito um bom trabalho hoje em dia. Elas fizeram parte de uma geração de bandas que ouvia quando era mais novo. Então, sim, acho que essa onda de nostalgia está gigante para todos os cenários. O próprio emo, vejo o My Chemical Romance lotando estádios e é tudo muito louco. Como tem sido o

Entrevista | Eu Galhardo – “A ideia era colocar essas composições para fora”

Rafael Galhardo, o Eu Galhardo, estreia em carreira solo com o álbum Eu. O trabalho marca um ponto de virada na trajetória do cantor, músico e produtor, que já colaborou com nomes como Elza Soares, Cidade Negra e Ponto de Equilíbrio. O disco reúne composições acumuladas ao longo dos anos e mergulha em temas como identidade, propósito e sensibilidade artística, em um processo de autoconhecimento. Com uma sonoridade que mescla rock pop, reggae e nova MPB, Eu Galhardo apresenta 11 faixas autorais, que nasceram no violão e ganharam arranjos em estúdio com a colaboração de músicos convidados. O repertório passeia por reflexões existenciais, afetos, espiritualidade e críticas. Ao longo do álbum, o artista convida o ouvinte a percorrer o mesmo caminho que trilhou para chegar até o produto final. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Rafael Galhardo falou sobre o processo de criação do álbum, o desejo de promover conexões por meio da música e sua visão crítica sobre o cenário atual dos shows ao vivo. Por que agora foi o momento certo para lançar seu primeiro álbum solo? Estou no universo da música há muitos anos, já tive banda e trabalhei com produção. Compus essas músicas ao longo da minha vida e, com a pandemia, pensei: “cara, vou gravar minhas músicas, vou fazer um disco.” Talvez um pouco antes disso. A ideia era colocar essas composições para fora, tornar público algo que sempre foi muito íntimo. Tanto que o seu álbum se chama “Eu”, né? O que esse título representa para você? Exatamente! As músicas são sobre mim, são leituras de como vejo a vida, de como sinto as relações entre as pessoas e tudo o que nos cerca. É a maneira como enxergo o amor, como percebo o outro na minha vida, tudo a partir da minha perspectiva. São músicas que venho compondo há muitos anos. Algumas têm mais de 20 anos. Eu as tocava em casa, no violão e tudo mais. Como foi revisitar composições antigas e transformá-las em um álbum com cara de presente? Na verdade, elas existiam apenas em voz e violão. Então, a construção do álbum começou com a gravação dessas versões simples, como elas sempre foram. A partir disso, comecei a adicionar elementos: uma guitarra aqui, chamei um amigo para gravar a bateria, na verdade, dois amigos participaram, aí vieram os beats… Mas toda a estrutura se manteve exatamente como há 20 anos, do jeito que foram criadas. A estrutura, a métrica, a maneira como elas acontecem. Todas as músicas seguiram esse mesmo caminho. Tem alguma delas que você considera especial? Que tenha um carinho maior ou considere mais íntima e reveladora? Eu considero a última faixa do disco uma música mais introspectiva, que fala de um momento difícil, de solidão, de reflexão. É a faixa que mais retrata isso, é um pouco mais densa, talvez. Cada música tem uma história especial pra mim. Eram composições que sempre ficaram ali, só pra mim, nesse universo “eu”, e acabaram virando o foco, o tema deste álbum, que é o primeiro.Quero fazer mais, quero criar outras coisas. Gostei da ideia. E você tem uma longa trajetória como produtor. Depois desse projeto tão pessoal, pensa em continuar solo ou quer voltar a produzir para outros artistas? Trabalho com várias vertentes da música. Também sou engenheiro de áudio, mixo alguns artistas ao vivo e toco com outros. Então, a música acaba estando presente em vários setores da minha vida. A ideia é conciliar, fazer o que tiver vontade naquele momento. Agora, estou curtindo a ideia de tocar essas músicas, tentar fazer alguns shows, criar novas canções. Esse momento está sendo super especial, e novas músicas também estão surgindo. Então, nesse instante, estou priorizando essas composições em especial. O disco mistura pop, rock, reggae e MPB. Foi uma escolha consciente ou natural? Eu acho que essas influências que você mencionou estão todas presentes. Tem até um xote no meio de um reggae. Elas surgiram de forma espontânea, são coisas que vão te atravessando, que conquistam um lugar no seu imaginário. As músicas acabaram nascendo assim. Não existiu uma busca por seguir uma tendência. Foi do jeito que elas foram surgindo, como eu imaginava que cada uma deveria soar. O balanço de cada faixa teve muito dessas influências, mas tudo aconteceu de forma natural. Não teve essa coisa de: “vou fazer um reggae”, “vou fazer isso ou aquilo”. Falando em influências, você trabalhou com artistas grandes. Mas você, Rafael como artista: que artistas e músicas te influenciaram na sua carreira? Muita coisa. Tenho um fascínio por aquele som do início dos anos 1980. Quando penso em bandas brasileiras, lembro de Paralamas do Sucesso, do Lulu Santos daquela fase inicial… Beatles, que é um clássico para todo mundo. Novos Baianos também é algo que me chama muita atenção, me intriga bastante pela diversidade que acontece ali. Sempre ouvi de tudo. Nunca fui de me prender a um estilo só. Ouvir as músicas, entender… claro, tem coisas que você gosta mais, outras menos, mas nunca me impede de escutar algo por ser diferente. Então, tem muita coisa que me atravessou nesse meio do caminho também. Teve algum artista que você admirava muito e já conseguiu trabalhar com ele? A Blitz foi uma artista bacana com quem tive a oportunidade de fazer a mixagem de um show. Eu era guri e via a Blitz rolando, então trabalhar com eles foi incrível. Depois de um tempo, comecei a entender o artista de uma outra forma. Isso é até uma discussão que precisa existir hoje: sobre a vida do artista e tudo mais. Quando a gente é mais novo, acha que é uma vida como qualquer outra, e, com o tempo, essa visão foi mudando pra mim. Aquela vontade de “ser aquilo ali” já não é mais tão presente. É porque é uma imagem irreal, que hoje acaba sendo reforçada por essa cultura dos influencers, como se vendessem uma vida perfeita. Tem umas frases do Pedro Cardoso que falam muito bem disso. No

Entrevista | The Main Squeeze – “Queríamos fazer um álbum que soasse como atual”

Em sua primeira apresentação no Brasil, no último dia 13, no Bourbon Street, em São Paulo, a banda norte-americana The Main Squeeze mostrou não só sua energia no palco, mas também seus bastidores criativos. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o guitarrista Maximillian Newman, o Max, compartilhou detalhes do álbum Panorama, descrito como o mais ambicioso da carreira.  “Queríamos um disco atual, que soasse moderno e transmitisse uma vibe”, contou, ao explicar como buscaram equilibrar inovação com a essência da The Main Squeeze. Um dos marcos dessa nova fase foi a performance audiovisual gravada no deserto de Mojave, inspirada em registros como Pink Floyd: Live at Pompeii. Para Max, unir música e paisagem em um vídeo com clima cinematográfico foi uma forma de se conectar com os fãs do YouTube e alcançar novos públicos. “Foi tão especial que queremos repetir esse formato no futuro”, revelou. Musicalmente, o grupo ousou ao incorporar elementos de psicodelia ao seu tradicional soul, funk e rock. Max citou Beatles, Hendrix e Tame Impala entre suas influências pessoais e destacou um novo processo criativo adotado neste álbum, no qual os integrantes compuseram partes separadamente antes de se reunirem no estúdio. “Trabalhar sozinhos juntos foi libertador”, disse. Confira a entrevista completa abaixo. O Panorama é descrito como o álbum mais ambicioso da carreira do The Main Squeeze. O que mudou na abordagem criativa e musical neste novo trabalho? Acho que é o nosso quarto ou quinto álbum, dependendo se você contar certos EPs e coisas do tipo. Então, quando você está constantemente tentando se redefinir, mantendo-se fiel ao que seus fãs amam em você, certo? No nosso caso, a musicalidade, a verdadeira paixão pela energia ao vivo. Mas queríamos fazer um álbum que soasse como atual, não soasse antigo. E queríamos fazer um álbum que as pessoas pudessem simplesmente colocar para tocar, e que ele tocasse em segundo plano. Pode exigir sua atenção, mas também cria uma vibe, porque acho que, nos dias de hoje, a vibe é muito importante na música. As pessoas realmente só querem uma vibe. Então, tentamos fazer um álbum que transmitisse a vibe, talvez seja a melhor maneira de dizer. Mas sim, quando você faz isso há tanto tempo quanto nós, tipo uns dez anos, você tem que continuar se desafiando para evoluir, enquanto se mantém fiel ao mesmo tempo. Então, é um desafio, mas realmente acredito que este álbum foi o melhor exemplo disso que já alcançamos. Estamos muito animados por ele ter sido lançado mundialmente. A performance gravada no deserto de Mojave gerou grande repercussão antes mesmo do lançamento do álbum. Como surgiu a ideia de unir música e paisagem nesse projeto audiovisual do The Main Squeeze? Essencialmente, houve alguns exemplos que diria que foram muito influentes para nós. Provavelmente o mais influente foi o Pink Floyd Live at Pompeii, um filme de show inacreditável, e ambientado em um cenário incrível, simplesmente insano. Então tivemos até alguns outros que vimos no YouTube, como esse cara, Yannick, algo assim, não me lembro. Mas vi vários vídeos de músicos tocando em lugares lindos. E acho que, para nós, o YouTube sempre foi algo muito importante, algo muito importante para os nossos fãs. Foi uma grande conquista para nós, novos fãs, ao longo dos anos. E queríamos compartilhar as músicas novas, as originais também, com a base de fãs do YouTube. Mas queríamos fazer algo realmente especial que chamasse a atenção deles. Sabe o que quero dizer? Então, primeiro, fazer ao ar livre, em um cenário incrível na Califórnia, onde moramos, e depois fazer um vídeo longo, quase como um filme. Esses são os elementos que queríamos ver acontecer. Então, estamos muito animados com isso. Honestamente, correu tão bem que acho que tentaremos fazer isso cada vez mais no futuro. A mistura de psicodelia com soul, funk e rock trouxe novas camadas ao som da banda. Como foi explorar essas texturas modernas e ainda manter a identidade do The Main Squeeze? Foi ótimo, muito libertador e muito divertido explorar um novo lado de nós mesmos. A música psicodélica sempre foi um gênero importante para mim. Sou um grande fã dos Beatles e Jimi Hendrix e de muita coisa daquela época, mas também de música psicodélica ainda mais moderna, como Tame Impala, que é uma grande influência. Então, houve diferentes influências com as quais conseguimos nos conectar em músicas que realmente amamos. Foi simplesmente incrível poder explorar isso. E acho que outra coisa que fizemos de diferente foi que, em cada álbum, nos sentávamos juntos em uma sala, os cinco, e começávamos a criar isso. E isso aconteceu com algumas das músicas, mas apenas algumas. Desta vez, tentamos algo novo, onde eu criava algo sozinho no meu próprio quarto, no meu próprio ambiente de gravação, não uma música inteira, mas apenas um esboço. E então enviava isso para o Rob, nosso baixista, e ele adicionava mais. Depois, ele enviava para o Smiley, nosso tecladista, e ele adicionava mais. E, por fim, o Ruben tocava a bateria, e então nos reuníamos e compúnhamos uma música para acompanhar a faixa. Só depois íamos para o estúdio e gravávamos tudo juntos novamente. Mas esse processo de trabalhar sozinhos juntos foi realmente libertador e divertido. E acho que é sempre importante, como disse, continuar tentando coisas novas para que não fique estagnado. E todos vocês moram na Califórnia?  Sim, então na época todos nós morávamos na Califórnia, exceto o Rob, que está em Nevada, é bem perto, umas três horas de carro. Eventualmente, o Corey também se mudou para Nevada. Então é como se todos morássemos muito perto, mas ainda fazia sentido ficar trocando ideias. Isso acabou sendo uma força e um presente, porque era o que precisávamos para encontrar algo novo.  A química entre vocês é frequentemente citada como uma das forças do grupo. Como essa conexão se desenvolveu desde os tempos de universidade até os grandes palcos de hoje? O nosso segredo é que somos boas pessoas. Nós nos importamos uns com os outros como

Entrevista | Ziggy Alberts – “Yago Dora é meu surfista favorito”

Pela primeira vez no Brasil, o músico australiano Ziggy Alberts sobe ao palco do Cine Joia, em São Paulo, neste sábado (28), às 20h, para um show único e intimista. Conhecido por suas canções que misturam folk, surf music e mensagens ambientais, o artista desembarca no país diretamente do México e promete uma noite repleta de boas vibrações. Ainda há ingressos disponíveis. “Minha expectativa é de muita dança, muita música, muitas vibrações positivas”, resume Ziggy, bem-humorado, apesar do cansaço da longa viagem. “Dormimos umas duas horas desde que chegamos. Mas espero ter a melhor noite de sono da minha vida hoje à noite”, brinca o cantor, que passou o dia em entrevistas e, mesmo exausto, já teve tempo de experimentar um autêntico churrasco brasileiro. Na conversa com o Blog n’ Roll, Ziggy Alberts compartilhou que, embora ainda não tenha explorado a cidade, já teve boas experiências gastronômicas e espera por mais aventuras nas próximas 24 horas. Ligado ao Brasil também por amizades, o músico revelou que mantém contato com o cantor Vitor Kley e já teve a oportunidade de cantar ao lado de outra artista brasileira, Tainá, atualmente radicada em Lisboa. Confira a íntegra da entrevista de Ziggy Alberts abaixo. Como está a expectativa para o show em São Paulo? Minha expectativa é que eu tenha a melhor noite de sono da minha vida hoje à noite, porque dormimos umas duas horas desde que chegamos. Pegamos o avião, tiramos um cochilo e passamos o dia inteiro em entrevistas. Então, minha expectativa é uma boa noite de sono. No sábado (hoje), minha expectativa é de muita dança, muita música, muitas vibrações positivas.  Você veio direto da Austrália ou estava em outro país?  Viemos do México, Cidade do México. Mas voamos à noite, quando deveríamos dormir, mas com o voo, já era de manhã quando chegamos. Então, simplesmente dissemos que não dormiríamos. Então você não teve a chance de explorar a cidade?  Ainda não, mas comemos um churrasco muito bom. Minha exploração já começou, tivemos uma grande aventura e talvez possa ter ainda mais aventuras gastronômicas nas próximas 24 horas.  Na nossa última entrevista, você me disse que é amigo do Vitor Kley. Ele te apresentou a outros músicos brasileiros?  Ainda não. Ainda não, mas tem uma garota que mora em Lisboa agora e o nome dela é Tainá. Ela parece estar fazendo um enorme sucesso, o que é muito bom para ela. E ela é brasileira. Eu a conheci por estar em Portugal. E cantamos juntos no palco. Então, obviamente, estou muito feliz em conhecer mais músicos brasileiros também. Você vê algum paralelo entre o Brasil e a Austrália? Na sua opinião, onde as duas culturas se cruzam?  Oceano, sol, comida, socialização. É, eu acho que são realmente a mesma coisa, a mesma coisa, mas diferentes, sabe? E o Brasil e a Austrália têm compartilhado alguns rios icônicos para o surfe nos últimos anos. Você acompanha o circuito mundial de surfe? Tem algum atleta favorito?  Acho que meu atleta brasileiro favorito é provavelmente o Yago Dora. Acho que ele está no circuito mundial agora e tem um desempenho muito bom. Ele é um ótimo agente livre, mas também está tendo muito sucesso diante de seus competidores. Então, se eu escolher um, esse é meu surfista favorito. Você consegue surfar durante seu tempo livre?  Tento surfar o máximo que posso durante meu tempo livre. Até tive a sorte de surfar em um rio no Canadá. Pegamos um jet ski e fomos para uma onda secreta louca. E foi muito divertido surfar em uma corredeira. Se você fosse montar uma banda dos sonhos, quem você escolheria para vocal, guitarra, baixo e bateria? Matt Corby para vocal (descoberto no Australian Idol), James Bay na guitarra, Paulie Bromley, o Paulie B (The Beautiful Girls), que é meu colega, no baixo, e o meu amigo Nick Saxon na bateria. Quais são os três álbuns que mais moldaram sua música e o que os torna tão impactantes?  Every Kingdom, de Ben Howard, mudou minha visão. Telluric, de Matt Corby, é outro álbum marcante. Hosea, do Hosea, fecha essa lista.

Entrevista | Rubel – “Não tem como passar por algo tão intenso e sair igual do outro lado”

Novo álbum de Rubel, intitulado de Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?, marca um retorno introspectivo do artista carioca às suas raízes musicais, após a experimentação plural de seu trabalho anterior, As Palavras Vol. 1 & 2. Este quarto disco é composto por nove faixas que exploram temas como tempo, amor, amizade, espiritualidade e a dualidade entre vida e morte. Rubel descreve o título como uma frase em movimento, aberta a múltiplas interpretações, refletindo a complexidade e as incertezas da existência. Entre os destaques do álbum estão Pousada Paraíso, Ouro, com influências de Jorge Ben e Marvin Gaye, e Azul, Bebê, uma canção de amor que combina elementos de hip hop e MPB. O álbum também inclui uma versão em português de A la ventana, Carolina, do mexicano El David Aguilar, intitulada A Janela, Carolina, além de uma reinterpretação de Reckoner, do Radiohead, encerrando o disco com uma homenagem às influências internacionais de Rubel. Complementando o lançamento, um filme de seis minutos dirigido por Larissa Zaidan foi disponibilizado simultaneamente. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Rubel contou sobre inspirações, evolução na carreira e uma possível vinda para Santos com sua próxima turnê. Aliás, a turnê do novo álbum de Rubel tem início nos dias 21 e 22 de junho, com dois shows no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Até dezembro, o artista ainda passa por todas as capitais do Brasil, Europa e Japão. Como você chegou nesse título para o álbum e como ele te guiou ao longo da trajetória de gravação e de composição? Queria um título que fosse provocativo, estranho, que despertasse algum sentimento de… ‘O que é isso, afinal?’ Algo que deixasse as pessoas curiosas e instigadas a querer entender e escutar. Agora, sinceramente, eu não lembro se o título veio antes ou depois das composições. Acho que o disco já estava mais ou menos pronto quando o título apareceu. Ele acabou sendo um resultado do próprio trabalho finalizado. Amarrava conceitualmente o que o disco representava, porque é um trabalho meio estranho, que faz muitas perguntas, bastante aberto à interpretação. Tem também esse caráter literário — estamos falando de um álbum que brinca bastante com as palavras — e eu acho que esse título ajuda a dar o tom de estranheza, mas também de algo um pouco pop, que o disco carrega. Você fala muito que é um tom de estranheza, mas pra você, o que é esse tom de estranheza? Não é muito comum um título de disco vir com uma pergunta, ou trazer duas frases — sendo que o ponto final ali marca a transição de uma pra outra. E também não é comum um título tão grande assim. Então, só por isso ele já me soa meio esquisito. Mas “esquisito”, pra mim, é um adjetivo mais elogioso do que pejorativo. Eu realmente acho esse título esquisito — e gosto disso. Você veio agora com uma pegada mais intimista, à base de voz e violão, que é o contrário do seu último álbum, As Palavras Vol. 1 & 2. O que motivou esse retorno ao estilo? Acho que não teve nenhum acontecimento pessoal específico que tenha me guiado nessa trajetória. Foi muito pela própria jornada profissional e musical mesmo. Comecei num lugar muito íntimo, no primeiro disco, depois fui explorando uma sonoridade mais de banda, com beats, dialogando com o hip hop… e no terceiro disco fui ainda mais longe, experimentando muitas sonoridades — pagode, funk. Então, me pareceu natural que em algum momento voltasse para o início. Mas não é um retorno igual. Esse disco remete ao meu trabalho inicial, sim, mas ele já está muito afetado por tudo o que vivi nos outros projetos. Carrega influências do estudo da música brasileira que aprofundei em As Palavras, da produção que explorei em Casas… então, acho que é um caminho natural dentro da minha própria evolução musical. Depois de um disco tão grandioso e cheio de camadas, me deu saudade de fazer algo mais amarrado, com uma única cara. Quis um álbum que soasse como se fosse uma música só, desmembrada em nove faixas. Eu sentia falta dessa produção menor, mais artesanal. É como voltar pra casa — mas voltar um pouco diferente. A casa pode até ser a mesma, mas eu mudei um pouquinho. Quais artistas te influenciaram na produção desse disco e no seu conteúdo como artista mesmo? Esse disco tem uma inspiração muito forte na MPB dos anos 1960 e 1970. João Gilberto é, sem dúvida, a referência central — por essa estrutura minimalista de voz e violão que ele domina como ninguém. Ele é o mestre absoluto desse formato. Além dele, tem o Caetano Veloso, Jorge Ben Jor, a teatralidade do Gilberto Gil, Chico Buarque… São figuras fundamentais. É quase impossível não se apoiar neles quando se busca beleza e profundidade na canção. Eles moldaram o que há de mais sofisticado e expressivo na música brasileira. Foram esses nomes que mais influenciaram a estética do disco — tanto na escolha das harmonias quanto na forma de construir as letras. Existe um diálogo direto com esse universo sonoro mais clássico da MPB, que sempre me encantou. Mas não foi só a sonoridade que me tocou. A postura artística também me inspirou muito, especialmente a do João Gilberto. Ele tinha uma relação muito íntegra com a própria arte — não se deixava guiar por modismos ou expectativas de mercado. E eu quis adotar esse mesmo espírito aqui. Não fiz esse álbum pensando se ele ia estourar ou não, se estaria de acordo com o que está em alta ou com o que vende mais. Segui minha intuição, meu ouvido, meu coração. Acho que essa liberdade criativa é algo que une todos esses artistas que mencionei. E João, mais do que ninguém, sustentava isso com coragem. Ele fazia o que acreditava, com identidade e profundidade, mesmo que isso não o tornasse comercial. É claro que eu torço para que o disco alcance muita gente — todo artista quer

Entrevista | Sami Chohfi – “Fazer música independente é uma luta”

Neste sábado (17), o palco do Brazilian Bacon Day, em Uberlândia, será tomado por uma descarga de rock alternativo vindo direto de Seattle. O cantor e compositor Sami Chohfi faz sua estreia na cidade com um show intenso, emocional e cheio de personalidade, ao lado do baterista Marco Bicca e do baixista Anderson Formaggini. Com raízes brasileiras (é filho de pai brasileiro e casado com uma brasileira), Sami Chohfi traz na bagagem uma trajetória que passou por Estados Unidos, Costa Rica, Sudeste Asiático e Índia, reunindo influências que vão do grunge dos anos 90 ao rock melódico dos anos 2000. O show promete mesclar novos singles, favoritas dos fãs e releituras impactantes de clássicos do rock. “Não é só mais um show em festival. É daqueles momentos que ficam na memória”, diz o artista. Sami é o nome internacional da edição 2025 do evento, que também contará com apresentações de nomes consagrados do rock nacional, como Charlie Brown Jr., Biquíni e Ira!. Além da apresentação, Sami vem divulgando seu novo clipe, Enemy, uma produção familiar que emocionou até o diretor. O vídeo conta com a participação de seu sobrinho Logan, de apenas 10 anos, que surpreendeu ao entregar uma performance intensa em todas as cenas logo na primeira tomada. “Ele é natural. Interpretou um lado sombrio de si mesmo com uma entrega que nem adultos conseguiriam”, comenta Sami. A metáfora visual do clipe de Enemy aborda temas como saúde mental, autoconhecimento e superação. “Mostramos crianças enfrentando seus próprios ‘eus’ negativos. Todos nós temos esse lado sombrio. A mensagem é que podemos nos curar”, explica. Com um toque de simbolismo e emoção, o vídeo ainda traz a participação de sua irmã Tiffany — musicista como ele — e de uma de suas alunas de canto, Piper, que também surpreendeu como atriz. A composição da música que dá origem ao clipe também carrega peso emocional. Escrita no violão acústico, como todas as suas canções, a faixa surgiu em um momento de dúvidas pessoais e profissionais. “Fazer música independente é uma luta. Às vezes, você se pergunta se é bom o bastante. Essa música é sobre calar essas vozes internas”, revela Sami Chohfi. ServiçoBrazilian Bacon DayData: 17 de maio de 2025 (sábado)Local: Camaru – Av. Juracy Junqueira de Rezende, 100 – Uberlândia, MG Abertura dos portões: 14hClassificação: 18 anos Ingressos• R$ 150 – Área Premium Open Bar (4º lote – individual)• R$ 270 – Área Premium Open Bar (4º lote – combo 2 pessoas) Vendas online: Showpass

Entrevista | Tom Speight – “É um álbum pessoal que carrega muita emoção”

O cantor e compositor britânico Tom Speight inicia nesta quinta-feira (15) uma mini tour pelo Brasil. A primeira apresentação será no Blue Note São Paulo, a partir das 22h30. Na bagagem ele traz singles do álbum Perfect Strangers, que será lançado em 26 de setembro. Ainda há ingressos disponíveis para o show. Na sexta-feira (16), Tom Speight se apresenta no Hard Rock Café Curitiba, enquanto no sábado (17) o show será no Blue Note Rio de Janeiro. Em cada apresentação, Tom Speight levará ao palco a delicadeza de seu folk-pop acústico, conhecido por suas melodias cativantes e letras emocionantes. Ao seu lado, estará a renomada vocalista Lydia Clowes, que já trabalhou com artistas como U2, Fred Again e Amber Run, enriquecendo ainda mais a experiência musical com harmonias envolventes e interpretações memoráveis. Tom Speight conversou com o Blog n’ Roll sobre os shows no Brasil, identificação com o público brasileiro, além do álbum novo. Confira a íntegra abaixo. O que mais te empolga nesse reencontro com o público brasileiro? O Brasil é um lugar incrível para se apresentar. A energia é incomparável, e estou ansioso para me reconectar com os fãs daqui mais uma vez. O álbum Perfect Strangers é o foco da turnê. Como você descreveria esse trabalho em comparação com os seus lançamentos anteriores? Perfect Strangers provavelmente é o mais próximo de Collide no sentido acústico e nas vibrações cruas e honestas. É um álbum pessoal que carrega muita emoção. A faixa-título é um dueto com Lydia Clowes, que também estará na turnê. Como surgiu essa parceria e o que ela trouxe de novo para a sua música? Lydia e eu cantamos juntos há mais de dez anos, e ela é como uma irmã de canto para mim. A voz dela traz uma profundidade única à música, e cantar com ela é algo que acontece de forma muito natural. Quais músicas do novo álbum você está mais ansioso para tocar ao vivo nessa turnê pela América do Sul? Estou especialmente empolgado para tocar Perfect Strangers e Higher ao vivo pela primeira vez. Tem algo de muito especial em apresentar músicas novas — sempre parece fresco e empolgante. Seus shows no Blue Note (São Paulo e Rio de Janeiro) terão uma atmosfera mais intimista. Quais mudanças você costuma fazer quando o ambiente é mais acústico e próximo do público? Tudo gira em torno da conexão. Em um ambiente intimista, consigo me conectar melhor com o público, e realmente foco na emoção pura da apresentação. Suas letras costumam abordar emoções profundas e conexões humanas. Como foi o processo de composição de Perfect Strangers nesse sentido? O fio condutor do álbum é a conexão humana — seja em um término ou em uma história de amor, trata-se dessa ligação emocional com outra pessoa. É um álbum muito pessoal para mim. Você costuma lançar EPs e álbuns com bastante frequência. De onde vem essa consistência criativa? Existe alguma rotina ou hábito que te ajuda a manter a inspiração? Eu simplesmente amo compor. É tão simples quanto isso. Quanto mais eu escrevo, mais me inspiro — e isso vira um ciclo criativo. Para quem vai te ver ao vivo pela primeira vez no Brasil, o que você gostaria que levassem dessa experiência? Quero que sintam essa conexão. É isso que eu mais valorizo — criar um espaço onde todos possamos compartilhar juntos a música e a energia. Quais três álbuns mais influenciaram sua carreira? E por quê? (What’s the Story) Morning Glory?, do Oasis, teve uma enorme influência. Abbey Road, dos Beatles, pela sua atemporalidade. E O, do Damien Rice, pela emoção crua e composição das músicas.

Entrevista | Toby Morrell (Emery) – “Eu sou o maior fã do Emery e realmente sou”

Após cerca de 17 anos, o Emery retorna ao Brasil para uma série de quatro shows no Festival “Emo Vive”. O evento é uma verdadeira máquina do tempo e que faz algo disruptivo aqui no Brasil. De maneira corajosa, o lineup terá também Anberlin e Mae tocando seus álbuns mais icônicos, além do Fresno revivendo os 3 primeiros discos da banda e o Hateen que vai ter sets especiais em português e inglês. O Festival “Emo Vive” é uma realização da Polifonia e será realizado em junho em Porto Alegre (04), Rio de Janeiro (06) e São Paulo (07 e 08). Os ingressos estão à venda no site https://www.festivalpolifonia.com.br/ Confira a entrevista completa com Toby Morrell abaixo. Tenho que iniciar com essa pergunta, como vocês enxergam o meme “Come to Brazil” ai nos Estados Unidos? Bem, é empolgante. Às vezes a gente posta um vídeo nosso em show aqui em Seattle e as pessoas já vão logo comentando “Come To Brazil”. Então, estamos bem felizes em voltar e atender os fãs. Vocês vieram ao Brasil em 2008, também para um festival (ABC Pro HC). Quais são as suas memórias dessa turnê e se teve alguma história curiosa? Parecia que a gente estava tocando em casa. Os fãs brasileiros realmente são apaixonados e cantam todas as músicas e isso foi muito gratificante. Me recordo muito do momento que chegamos perto do aeroporto e vimos São Paulo, não lembro de ter visto uma cidade tão grande quanto essa. O mais curioso foi ver que é uma cidade que não dorme nunca. Não importa o horário, haviam comércios abertos, pessoas na rua se divertindo. Isso foi muito curioso para nós. É a primeira vez de vocês no Rio de Janeiro e Porto Alegre. Vocês já tem planos ou algum lugar que queiram conhecer? Tenho muita saudade da comida do Brasil, que é deliciosa. Bem, sobre os passeios, temos que ver como estará nossa agenda, quanto tempo teremos, se estaremos cansados e tudo mais. Mas um lugar que temos curiosidade de visitar é o Jesus Cristo, sempre vemos fotos na Internet e gostaríamos de ver isso ao vivo. Gostaríamos de voltar mais vezes, nosso grande problema é a distância. Tanto Brasil quanto Austrália leva quase um dia inteiro de viagem e isso dificulta um pouco para todos. Party Song é a minha música favorita do Emery e vi que vocês tocaram recentemente a pedido de um fã. Os últimos shows da banda são comemorativos do The Question, então gostaria de saber se vão tocar Party Song ou algo especial aqui no Brasil. Spoiler da Setlist? Não posso dar spoiler, mas vou falar com os caras da banda para ver se incluímos Party Song ai também. Bom, a setlist atual está em torno da comemoração de 20 anos do The Question, porém vamos tocar os clássicos que os fãs querem ouvir como Walls e The Ponytail Parades. Aproveitando que falamos do The Question, qual a sua relação com esse álbum hoje em dia? Onde a gente toca e alguém fala que é o maior fã do Emery eu interrompo e falo: “Eu sou o maior fã de Emery”. E realmente sou. Muitos artistas passam a não gostar tanto dos seus primeiros trabalhos, mas eu gosto bastante, coloco no carro para ouvir, ouço em casa e isso me faz conectar com o momento, lembrar de algumas coisas da composição. Por isso para mim continua sendo gratificante tocar todas essas músicas 20 anos depois. Vocês são uma banda com três vocalistas e multi instrumentistas. Como é o processo de composição e como vocês definem quem vai cantar? É algo muito natural para nós. Geralmente quem escreve a letra, não necessariamente a música, mas a letra em si é quem canta. Então para mim é bem natural assumir o baixo e deixar o Devin cantar. O mais curioso é que muita gente não sabe que temos mais de um vocalista e fica surpresa nos shows. Eu não acho nossas vozes parecidas, mas é engraçado que muita gente ache que é uma pessoa só. Emeryland é um projeto fascinante de comunidade. Como tem sido criar músicas com os fãs envolvidos em todo processo? O Emeryland é algo muito importante para nós porque conseguimos enxergar coisas que não vemos nas nossas músicas ou composições. Bem, nós gravamos um álbum com a ajuda do financiamento deles. Então essa comunidade nos traz um olhar verdadeiro sobre como os fãs veem o Emery de uma maneira individual. Isso nos dá confiança também para experimentar e criar coisas novas. Para finalizar, separei duas perguntas de fãs do Emery. A primeira delas vem da Viviane Moreira e ela gostaria de saber mais sobre a inspiração e letras do “Rub Some Dirt On It” Bacana, sobre o “Rub Some Dirt On It”. É um álbum mais experimental. As músicas falam bastante sobre momentos difíceis e como isso de alguma forma molda nosso caráter. As letras abordam a força de enfrentar adversidades e sobre como sempre nós somos mais fortes do que pensamos. E não nos podamos na hora de criar, falamos sobre traição, dor, decepção com líderes religiosos, abusos dentro da igreja… Foi tudo resultado de lutas internas e percepções dos integrantes da banda. E a segunda pergunta vem do Pablo Sarmento. É sobre a conexão cristã da banda e como vocês enxergam outras bandas falando sobre sua religiosidade como Underoath, The Devil Wears Prada e Paramore? Acho que a espiritualidade individual é também uma questão de amadurecimento. Quando ficamos mais velhos, nós carregamos mais bagagens como divórcio, brigas, momentos bons, ruins e cada um se agarra na sua fé nessas horas. Então, independentemente de religião, falar sobre fé é algo que acredito que conecta as pessoas. As letras pode oferecer tantas coisas às pessoas, como experiências, ajudas. Então, no fim, tudo tem a ver com fé.