Entrevista | Tom Speight – “É um álbum pessoal que carrega muita emoção”

O cantor e compositor britânico Tom Speight inicia nesta quinta-feira (15) uma mini tour pelo Brasil. A primeira apresentação será no Blue Note São Paulo, a partir das 22h30. Na bagagem ele traz singles do álbum Perfect Strangers, que será lançado em 26 de setembro. Ainda há ingressos disponíveis para o show. Na sexta-feira (16), Tom Speight se apresenta no Hard Rock Café Curitiba, enquanto no sábado (17) o show será no Blue Note Rio de Janeiro. Em cada apresentação, Tom Speight levará ao palco a delicadeza de seu folk-pop acústico, conhecido por suas melodias cativantes e letras emocionantes. Ao seu lado, estará a renomada vocalista Lydia Clowes, que já trabalhou com artistas como U2, Fred Again e Amber Run, enriquecendo ainda mais a experiência musical com harmonias envolventes e interpretações memoráveis. Tom Speight conversou com o Blog n’ Roll sobre os shows no Brasil, identificação com o público brasileiro, além do álbum novo. Confira a íntegra abaixo. O que mais te empolga nesse reencontro com o público brasileiro? O Brasil é um lugar incrível para se apresentar. A energia é incomparável, e estou ansioso para me reconectar com os fãs daqui mais uma vez. O álbum Perfect Strangers é o foco da turnê. Como você descreveria esse trabalho em comparação com os seus lançamentos anteriores? Perfect Strangers provavelmente é o mais próximo de Collide no sentido acústico e nas vibrações cruas e honestas. É um álbum pessoal que carrega muita emoção. A faixa-título é um dueto com Lydia Clowes, que também estará na turnê. Como surgiu essa parceria e o que ela trouxe de novo para a sua música? Lydia e eu cantamos juntos há mais de dez anos, e ela é como uma irmã de canto para mim. A voz dela traz uma profundidade única à música, e cantar com ela é algo que acontece de forma muito natural. Quais músicas do novo álbum você está mais ansioso para tocar ao vivo nessa turnê pela América do Sul? Estou especialmente empolgado para tocar Perfect Strangers e Higher ao vivo pela primeira vez. Tem algo de muito especial em apresentar músicas novas — sempre parece fresco e empolgante. Seus shows no Blue Note (São Paulo e Rio de Janeiro) terão uma atmosfera mais intimista. Quais mudanças você costuma fazer quando o ambiente é mais acústico e próximo do público? Tudo gira em torno da conexão. Em um ambiente intimista, consigo me conectar melhor com o público, e realmente foco na emoção pura da apresentação. Suas letras costumam abordar emoções profundas e conexões humanas. Como foi o processo de composição de Perfect Strangers nesse sentido? O fio condutor do álbum é a conexão humana — seja em um término ou em uma história de amor, trata-se dessa ligação emocional com outra pessoa. É um álbum muito pessoal para mim. Você costuma lançar EPs e álbuns com bastante frequência. De onde vem essa consistência criativa? Existe alguma rotina ou hábito que te ajuda a manter a inspiração? Eu simplesmente amo compor. É tão simples quanto isso. Quanto mais eu escrevo, mais me inspiro — e isso vira um ciclo criativo. Para quem vai te ver ao vivo pela primeira vez no Brasil, o que você gostaria que levassem dessa experiência? Quero que sintam essa conexão. É isso que eu mais valorizo — criar um espaço onde todos possamos compartilhar juntos a música e a energia. Quais três álbuns mais influenciaram sua carreira? E por quê? (What’s the Story) Morning Glory?, do Oasis, teve uma enorme influência. Abbey Road, dos Beatles, pela sua atemporalidade. E O, do Damien Rice, pela emoção crua e composição das músicas.

Entrevista | Toby Morrell (Emery) – “Eu sou o maior fã do Emery e realmente sou”

Após cerca de 17 anos, o Emery retorna ao Brasil para uma série de quatro shows no Festival “Emo Vive”. O evento é uma verdadeira máquina do tempo e que faz algo disruptivo aqui no Brasil. De maneira corajosa, o lineup terá também Anberlin e Mae tocando seus álbuns mais icônicos, além do Fresno revivendo os 3 primeiros discos da banda e o Hateen que vai ter sets especiais em português e inglês. O Festival “Emo Vive” é uma realização da Polifonia e será realizado em junho em Porto Alegre (04), Rio de Janeiro (06) e São Paulo (07 e 08). Os ingressos estão à venda no site https://www.festivalpolifonia.com.br/ Confira a entrevista completa com Toby Morrell abaixo. Tenho que iniciar com essa pergunta, como vocês enxergam o meme “Come to Brazil” ai nos Estados Unidos? Bem, é empolgante. Às vezes a gente posta um vídeo nosso em show aqui em Seattle e as pessoas já vão logo comentando “Come To Brazil”. Então, estamos bem felizes em voltar e atender os fãs. Vocês vieram ao Brasil em 2008, também para um festival (ABC Pro HC). Quais são as suas memórias dessa turnê e se teve alguma história curiosa? Parecia que a gente estava tocando em casa. Os fãs brasileiros realmente são apaixonados e cantam todas as músicas e isso foi muito gratificante. Me recordo muito do momento que chegamos perto do aeroporto e vimos São Paulo, não lembro de ter visto uma cidade tão grande quanto essa. O mais curioso foi ver que é uma cidade que não dorme nunca. Não importa o horário, haviam comércios abertos, pessoas na rua se divertindo. Isso foi muito curioso para nós. É a primeira vez de vocês no Rio de Janeiro e Porto Alegre. Vocês já tem planos ou algum lugar que queiram conhecer? Tenho muita saudade da comida do Brasil, que é deliciosa. Bem, sobre os passeios, temos que ver como estará nossa agenda, quanto tempo teremos, se estaremos cansados e tudo mais. Mas um lugar que temos curiosidade de visitar é o Jesus Cristo, sempre vemos fotos na Internet e gostaríamos de ver isso ao vivo. Gostaríamos de voltar mais vezes, nosso grande problema é a distância. Tanto Brasil quanto Austrália leva quase um dia inteiro de viagem e isso dificulta um pouco para todos. Party Song é a minha música favorita do Emery e vi que vocês tocaram recentemente a pedido de um fã. Os últimos shows da banda são comemorativos do The Question, então gostaria de saber se vão tocar Party Song ou algo especial aqui no Brasil. Spoiler da Setlist? Não posso dar spoiler, mas vou falar com os caras da banda para ver se incluímos Party Song ai também. Bom, a setlist atual está em torno da comemoração de 20 anos do The Question, porém vamos tocar os clássicos que os fãs querem ouvir como Walls e The Ponytail Parades. Aproveitando que falamos do The Question, qual a sua relação com esse álbum hoje em dia? Onde a gente toca e alguém fala que é o maior fã do Emery eu interrompo e falo: “Eu sou o maior fã de Emery”. E realmente sou. Muitos artistas passam a não gostar tanto dos seus primeiros trabalhos, mas eu gosto bastante, coloco no carro para ouvir, ouço em casa e isso me faz conectar com o momento, lembrar de algumas coisas da composição. Por isso para mim continua sendo gratificante tocar todas essas músicas 20 anos depois. Vocês são uma banda com três vocalistas e multi instrumentistas. Como é o processo de composição e como vocês definem quem vai cantar? É algo muito natural para nós. Geralmente quem escreve a letra, não necessariamente a música, mas a letra em si é quem canta. Então para mim é bem natural assumir o baixo e deixar o Devin cantar. O mais curioso é que muita gente não sabe que temos mais de um vocalista e fica surpresa nos shows. Eu não acho nossas vozes parecidas, mas é engraçado que muita gente ache que é uma pessoa só. Emeryland é um projeto fascinante de comunidade. Como tem sido criar músicas com os fãs envolvidos em todo processo? O Emeryland é algo muito importante para nós porque conseguimos enxergar coisas que não vemos nas nossas músicas ou composições. Bem, nós gravamos um álbum com a ajuda do financiamento deles. Então essa comunidade nos traz um olhar verdadeiro sobre como os fãs veem o Emery de uma maneira individual. Isso nos dá confiança também para experimentar e criar coisas novas. Para finalizar, separei duas perguntas de fãs do Emery. A primeira delas vem da Viviane Moreira e ela gostaria de saber mais sobre a inspiração e letras do “Rub Some Dirt On It” Bacana, sobre o “Rub Some Dirt On It”. É um álbum mais experimental. As músicas falam bastante sobre momentos difíceis e como isso de alguma forma molda nosso caráter. As letras abordam a força de enfrentar adversidades e sobre como sempre nós somos mais fortes do que pensamos. E não nos podamos na hora de criar, falamos sobre traição, dor, decepção com líderes religiosos, abusos dentro da igreja… Foi tudo resultado de lutas internas e percepções dos integrantes da banda. E a segunda pergunta vem do Pablo Sarmento. É sobre a conexão cristã da banda e como vocês enxergam outras bandas falando sobre sua religiosidade como Underoath, The Devil Wears Prada e Paramore? Acho que a espiritualidade individual é também uma questão de amadurecimento. Quando ficamos mais velhos, nós carregamos mais bagagens como divórcio, brigas, momentos bons, ruins e cada um se agarra na sua fé nessas horas. Então, independentemente de religião, falar sobre fé é algo que acredito que conecta as pessoas. As letras pode oferecer tantas coisas às pessoas, como experiências, ajudas. Então, no fim, tudo tem a ver com fé.

Entrevista | Dope Lemon – “Sinto que Golden Wolf parece realmente meio ensolarado e divertido”

O músico australiano Angus Stone está de volta com um novo capítulo de seu alter ego sonoro, o Dope Lemon. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, Stone falou sobre o lançamento do álbum Golden Wolf, uma obra que marca não apenas uma evolução musical, mas também uma nova fase estética e conceitual do projeto. Gravado em seu recém-inaugurado estúdio Sugarcane Mountain Studios, uma mansão dos anos 70 com vista para campos de cana-de-açúcar, o álbum reflete um mergulho ainda mais profundo em atmosferas cinematográficas e existenciais. A faixa-título, Golden Wolf, foi o ponto de partida criativo do disco e, segundo ele, é uma meditação sobre mortalidade, legados e o que levamos, ou deixamos, ao fim da vida. O contraste entre grooves ensolarados e atmosferas mais introspectivas, marca registrada do Dope Lemon, permanece presente, mas agora com uma nova maturidade lírica e sonora. E para os fãs brasileiros, há boas notícias: o Dope Lemon pretende incluir o país na próxima turnê. “Já estive no Rio de Janeiro quando tinha 16 anos e foi mágico. Espero voltar em breve. Me digam pra onde devemos voar, porque queremos estar aí.” Confira entrevista com Dope Lemon na íntegra Como você definiria essa nova fase sonora e estética do projeto?  É um trabalho de amor e cada disco é algo que você está constantemente aprendendo e crescendo. E esse disco para mim é isso. Parece apenas o próximo nível em que você está refinando seu conjunto de habilidades e as letras para mim são meu foco principal. Acabei de adquirir um novo estúdio de gravação aqui na Austrália chamado Sugarcane Mountain Studios. É uma mansão grande e linda dos anos 70 com vista para os campos de cana-de-açúcar. Parece que você está entrando em uma cápsula do tempo. E algo sobre isso para mim é ter um espaço onde parece que você está entrando em outro mundo, é como o que a música faz por mim. E imagino o que ela faz por outras pessoas quando você ouve uma música. Espero que ela te leve para longe e este espaço, faz isso por mim. Como foi o processo criativo de Sugarcat? Essa música surgiu antes ou depois do conceito de Golden Wolf? Tudo começou com Golden Wolf. Acho que essa música foi o catalisador para o que esse disco se tornou e se abriu para esse grande e lindo projeto que continuei e me certifiquei de ver até o fim. Seu álbum anterior, Kimosabè, refletia muito sobre sua juventude. Como foi essa transição de olhar para o passado para agora focar no futuro? Golden Wolf é sobre mortalidade e como eventualmente toda a nossa vida chegará ao fim. E acho que a música em si é sobre o que você faz quando chega lá e as coisas que você levará com você para o outro lado, quem é que o levará até lá, o que você deixará para trás. Para mim, é sobre essa transição para tentar fazer o melhor desta vida que podemos. E sim, espero que a próxima também.  Seu projeto solo tem uma identidade visual bem definida. Qual é o papel da estética e dos videoclipes na construção do universo do Dope Lemon? Quando era mais jovem, sonoramente, fui inspirado por um certo artista e isso afetou minha música. Mas mais agora, me tornei mais uma pessoa visual de certa forma. Quando escrevo, parece que estou caindo em um filme, sendo o protagonista. É tudo sobre filmes agora. Quando assisto algo, sou inspirado por cair naquele universo do que alguém criou visualmente. Você pensa em fazer um filme? Às vezes fazemos esses videoclipes realmente divertidos e a qualidade deles é realmente muito especial. E às vezes, obviamente, você tem apenas três minutos e meio a quatro minutos para contar uma história e geralmente você apenas se diverte com isso. Mas às vezes penso sobre como seria superdivertido talvez contar uma história que seja um longa-metragem. Ao longo da sua carreira, você trabalhou com nomes como Winston Surfshirt, Will Ferrell e Adam McKay. Existe alguma colaboração dos sonhos que ainda deseja realizar?  As colaborações têm sido uma jornada tão divertida. Toquei com Post Malone e Dua Lipa duas noites atrás. Ela me convidou para subir no palco e não sei, sinto que tem sido tão legal, que a música tem essa maneira linda de conectar as pessoas. E quando você é convidado para dividir o palco e colaborar com pessoas assim, isso realmente muda. Parece que o mundo é menor do que você pode imaginar e estamos todos conectados e a música tem uma maneira linda de unir as pessoas. O Dope Lemon sempre transitou entre um som mais ensolarado e grooves noturnos. Como você encontra esse equilíbrio dentro dos álbuns? Acho que cada disco muda de gênero, o clima também. Eles podem mudar bastante dramaticamente e também sutilmente, mas sinto que este parece realmente meio ensolarado e divertido. Isso me dá uma emoção quando o ouço. Seus fãs parecem ter uma conexão forte com o universo que você cria. Como você percebe essa relação e a maneira como sua música impacta as pessoas?  É muito legal quando alguém se aproxima de você na rua, um estranho, e ele te conta sobre como a música o afetou. É muito lindo para alguém compartilhar o que passou, seja triste ou cheio de alegria. Acho que é outro daqueles momentos em que você percebe o quão especial é que todos nós podemos nos conectar em uma coisa, que é a música. É uma espécie de linguagem universal que une todo mundo. Há planos para uma turnê internacional com esse novo álbum? O Brasil pode esperar uma visita em breve?  Sim, com certeza. Nós voamos ao redor do mundo no mês passado e fizemos alguns shows secretos. Agora estamos marcando datas para todos os lugares restantes. Espero que possamos ir para a América do Sul e outros lugares que já viajamos antes. Julia e eu já viajamos para lá antes e adoraríamos receber um

Entrevista | Machine Girl – “Estamos vivendo uma época muito distópica”

O duo novaiorquino Machine Girl se apresenta pela primeira vez no Brasil neste sábado (26), a partir das 18h, no Hangar 110, em São Paulo. Liderado por Matt Stephenson, o grupo promete um show intenso e caótico, que reflete sua sonoridade explosiva e difícil de categorizar. Ainda há ingressos disponíveis para a apresentação. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Matt Stephenson contou que prefere não criar expectativas sobre a estreia em solo brasileiro. “Sempre que vamos para uma cidade nova como esta, é emocionante para nós estar em um lugar novo. Tento não ter expectativas porque cada show pode ser muito diferente”, explicou. O Machine Girl surgiu como um projeto pessoal paralelo enquanto Matt Stephenson ainda fazia parte de outra banda. Após a dissolução do grupo, o projeto tomou forma e se expandiu, mas sem perder sua essência independente. “Sempre houve uma hesitação em deixar mais pessoas participarem, mas também é um alívio envolver mais gente e ter mais ajuda”, comentou. A estética sonora do Machine Girl mistura punk, hardcore eletrônico, breakcore, noise e metal, criando uma identidade única. Stephenson descreve o processo criativo como algo natural: “Gosto de encontrar onde me sinto dentro desses gêneros que às vezes se sobrepõem e tentar fazer algo novo e único”. O álbum MG Ultra, trabalho mais recente do duo, reflete o caos da sociedade contemporânea e busca, mais do que denunciar, traduzir sensações. “Não tentei fazer os sons refletirem temas específicos, mas o caos presente em nossas músicas é um reflexo da cultura do TDAH nas redes sociais”, comentou Stephenson. Durante a entrevista, Matt Stephenson também revelou sua admiração pelo funk brasileiro, que chegou com força aos Estados Unidos. “A música fica tão distorcida que beira o noise, e ainda assim é algo mainstream no Brasil”. Confira a entrevista completa abaixo. Como estão as expectativas para o show?  É emocionante para nós estar em um lugar novo. E, além disso, tento não ter nenhuma expectativa de como será o show, porque pode ser tão diferente de um lugar para outro.  O Machine Girl surgiu como um projeto profundamente pessoal, quase como uma hiperfixação. Como esse impulso inicial evoluiu ao longo dos anos até se tornar esse universo sonoro tão expansivo e coletivo? Sim, começou só comigo e foi quase um projeto paralelo meu enquanto estava em outra banda. Quando essa banda acabou, Machine Girl se tornou meu projeto principal. Mas sempre quis expandi-lo para onde está agora.  No entanto, queria meio que levar meu tempo fazendo isso e, em vez de me apressar para adicionar mais duas pessoas ao grupo, ir mais devagar.  Como você disse, é definitivamente um projeto pessoal, sempre houve um pouco de hesitação da minha parte em deixar mais pessoas participarem, mas também é meio libertador. De certa forma, é um alívio envolver mais pessoas e ter mais ajuda e tudo mais.  Vocês trabalham com uma estética sonora que desafia classificações. Como é o processo de criar algo tão caótico e, ao mesmo tempo, tão coeso? Acho que tudo vem do mesmo lugar para mim, e gosto de encontrar onde me sinto, embora alguns desses gêneros se sobreponham, e aprimorar esses elementos e tentar fazer algo novo e único é o objetivo.  A cultura DIY parece estar no DNA do Machine Girl. De que forma esse espírito “faça você mesmo” ainda guia suas escolhas criativas e de produção? Fui influenciado por muitos artistas de subculturas “faça você mesmo” que vieram antes da Machine Girl. E isso me inspirou a sentir que não preciso esperar por uma gravadora ou por alguém que venha me ajudar a concretizar minha visão. Acredito que com o poder do seu laptop, você pode fazer praticamente qualquer coisa agora. Isso tem sido basicamente verdade nos últimos 15 anos, mais ou menos, quando comecei a mexer com música eletrônica. “Faça você mesmo” nem era uma escolha. Era simplesmente a única opção para começar a fazer música.  MG Ultra é descrito como uma “antítese surrealista” da sociedade atual. Como vocês traduzem essas ideias complexas, como tecno-feudalismo, vida algorítmica ou pós-verdade, para o som? Essa é uma boa pergunta. Não diria que necessariamente tentei fazer os sons em si refletirem esses temas específicos, além talvez do caos que isso envolve, como algumas das músicas do MG Ultra, que são loucas e confusas.  Acho que é um reflexo da cultura do TDAH nas redes sociais à qual todos estamos sujeitos. Em algum nível, como alguém que tem TDAH, no geral, foi meio fácil para mim fazer música muito louca e caótica. O álbum novo tem um lado quase distópico, mas também soa como uma forma de resistência ou catarse. Você enxerga a música de vocês como uma espécie de “arma” contra o colapso mental e social do presente? Não sei se a descreveria como uma arma. Mas acho que definitivamente não é um remédio, mas algo que pode aliviar alguns dos sintomas de viver. Estamos vivendo uma época muito distópica, cada vez mais distópica. Acho que, no mínimo, esse era meu objetivo.  Estava um pouco hesitante em fazer algo totalmente específico como o Rage Against the Machine, com exatamente os problemas que tinha e como lidar com eles, como uma espécie de apelo à ação.  Estava mais tentando pintar um quadro e criar um sentimento que acho que a maioria das pessoas tem no momento. Mesmo seis meses depois que o disco foi lançado, as coisas ficaram ainda mais loucas. Nem sei se o MG Ultra está à altura ou a par de como, pelo menos na América, as coisas estão meio sombrias atualmente.  O Machine Girl parece operar como um portal de universos paralelos, palavras discretas onde é possível escapar da vigilância e do controle. Como você visualiza esse mundo na prática? Você quer dizer como se um mundo melhor fosse possível? Espero que sim. Não sei se haverá um longo período de dificuldades antes de chegarmos a esse momento melhor, mas parece que muito do que está acontecendo no mundo é um ataque a velhas

Entrevista | Rodrigo Lima (Dead Fish) – “Tocar para a garotada pop é um desafio bom. Não me intimida”

Em turnê celebrando 34 anos de história, o Dead Fish foi escolhido como headliner do maior festival da cena hardcore do país: o Arena Hardcore. São sete bandas renomadas do cenário nacional se apresentando em três cidades. Após o sucesso da edição de Santos, realizada no último dia 13 de abril, a trilogia terá Piracicaba (1 de junho) e Guarulhos (17 de agosto) com o mesmo line-up. “Serão somente estas três edições com as mesmas bandas”, afirma Daniel Azevedo, organizador do evento. Mas quem vê o Dead Fish como banda principal em meio a moshes e stage dives, nem imagina que a banda se apresentou no Lollapalooza para uma plateia que não os conhecia. Abrindo o palco principal do primeiro dia do evento, o público era formado por adolescentes que guardavam um local para o show de Olivia Rodrigo. Em entrevista ao blognroll, logo após seu show no Arena Hardcore, Rodrigo Lima conta como foi essa experiência inusitada, além de relatar seu primeiro contato com o Lollapalooza e escolher o melhor álbum da história do Dead Fish. Confira a entrevista completa com Rodrigo Lima abaixo. Como foi para você tocar para uma plateia jovem fã de pop music? Dead Fish no Lollapalooza 2025. Foto por Hyndara Freitas Cara, eu gosto. Me sinto desafiado. Tocar para os Black Metal ou para a garotada do pop é um desafio bom. Não me intimida em momento nenhum. É até divertido, mesmo que eu seja vaiado ou que joguem alguma coisa em mim. Essas coisas podem acontecer e é tão divertido quanto. Eu não tenho mais medo, mas a gente tem que ser respeitoso com as plateias que estão na nossa frente. Não que eu seja uma pessoa super respeitosa, às vezes sou mais provocador do que respeitoso. Mas, na minha visão, se eu estou provocando é porque eu estou me importando com eles. E eu gostei das crianças, achei eles fofos, divertidos e muito educados. Alguns ficaram com cara de tédio, outros ficaram curiosos. Ali era um corpo de 52 anos e eles estavam lá para ver uma menina de 22 anos. Eu adorei a estrutura do Lollapalooza, eu nunca tinha ido. Só achei tudo muito longe e molhado por causa da chuva, mas gostei muito do festival. Depois de andar um pouco, eu vi uma banda de jazz que me teletransportou para a única parte boa do Texas. Parecia que eu estava assistindo Frank Zappa. Lógico, o evento tem essa coisa de marcas, logos e consumo dessa geração que está há 30 anos vivendo esse liberalismo louco e intenso. Mas eu adorei, gostei muito mesmo. A Seven está organizando a turnê de 34 anos do Dead Fish e eu queria fazer um jogo rápido para saber qual o melhor álbum da banda nessas mais de três décadas de história. Vou falar dois álbuns e você escolhe um para prosseguir. Começando: Ponto Cego ou Labirintos da Memória? Ponto Cego Ponto Cego ou Contra Todos? Ponto Cego Ponto Cego ou Zero e Um? Zero e Um Zero e Um ou Sonho Médio? São os meus dois preferidos. Por uma questão história, Zero e Um. Mas, por uma questão local, Sonho Médio.

Mark Hoppus abre coração e relembra momentos marcantes em show autobiográfico

Emoção, risos e nostalgia marcaram o lançamento do livro Fahrenheit-182 (Harper Collins), a autobiografia do baixista, vocalista e cofundador do Blink-182, Mark Hoppus, em Somerville, nos arredores de Boston, no último dia 10. An Evening With Mark Hoppus, que teve apenas sete datas nos EUA entre os dias 9 e 20 de abril, foi um espetáculo de 1h30 de duração no qual o músico, acompanhado do coautor do livro, Dan Ozzi, respondeu perguntas ensaiadas do amigo, sem qualquer filtro. Dentre os assuntos principais, Mark Hoppus falou sobre como conheceu os companheiros Tom DeLonge e Travis Barker, a saída de Scott Raynor, a escolha por Matt Skiba para o lugar de Tom, além da luta contra o câncer. Em outros momentos, Mark Hoppus também brincou que foi o responsável por ajudar na captura de Saddam Hussein, por ter dado a dica fundamental para um almirante da Marinha após um show do Blink-182 para as forças armadas dos EUA. Tudo que Mark Hoppus respondia para Dan Ozzi no palco vinha acompanhado de vídeos ou fotos que comprovavam o que ele havia acabado de falar.  O Blog n’ Roll acompanhou o evento em Somerville e destaca abaixo alguns dos melhores momentos apresentados por Mark Hoppus no evento. A descoberta do câncer Estava jogando Ghost of Tsushima, um jogo incrível, e estendi a mão e pensei: “Bem, que caroço estranho!”. Não me lembro de ter visto isso antes. E o que você faz quando encontra um caroço de um lado? Você pensa: “Bem, ele deveria estar ali?” E você sente o outro lado, certo? Bem, esse lado não tem um caroço. Então, pensei: “Preciso falar com a minha manager sobre isso”. Minha esposa também achou estranho. Logo depois, ligamos para a nossa médica, e ela disse: “entre”. Fui ao consultório dela, que olhou e disse: “Não gosto da aparência desse caroço”. E ela me mandou fazer um raio-X, e o técnico do raio-X me mandou fazer um exame de sangue. A pessoa que fez o exame de sangue me mandou fazer uma ressonância magnética, e a pessoa que fez a ressonância me mandou fazer biópsias com agulha grossa, no qual eles pegam uma agulha oca e a enfiam na pele umas 20 vezes, e retiram toda a pele.  Diante disso, fui ao consultório da minha terapeuta para conhecê-la pessoalmente. Entro e digo: “É um prazer conhecê-la”. Não deu nem tempo de falar e recebi um telefonema. Era meu oncologista. Só consegui falar: “Ok, entendi. Obrigado”. Voltei para a sala, sentei e disse à minha terapeuta: “Ei, acabei de descobrir que tenho linfoma, então acho que sei do que estamos falando hoje”.  Todos os cânceres são medidos pelo tamanho de uma fruta. Eu tinha um tumor do tamanho de um limão no ombro, um tumor do tamanho de uma uva no pescoço. E tinha um monte de caquis espalhados pelo meu tronco e abdômen inferior, que também tinha um monte de passas. E então incontáveis ​​flocos de câncer por todo o meu sangue. Eu era apenas um arranjo comestível de tumores. O que eu tinha era linfoma difuso de grandes células B tipo IV-A. O único tratamento para isso é uma quimioterapia chamada Archon, o que é ótimo porque não precisei ficar pensando duas vezes. Devo fazer cirurgia primeiro? Devo tentar radioterapia? Existe algum novo medicamento experimental? É só Archon. R-C-H-O-P. Uma das coisas mais difíceis de fazer quimioterapia com Archon é que quando você vê escrito, parece que alguém está falando do Red Hot Chili Peppers.  Mas meu médico me ligou e disse: “Tenho uma ótima notícia”. Você tem 60% de chance de sobreviver e nunca mais ter que lidar com isso. A má notícia é que esta é uma das quimioterapias mais difíceis que alguém pode se submeter. E ele estava certo. Mas gosto dessas chances. E gosto do fato de não haver escolha. Então comecei a quimioterapia. Ele estava certo. É uma merda. Eles me davam uma dose gigante de esteroides, que me levavam à lua, apenas pulsando, vibrando e tremendo. Mas, ao mesmo tempo, eles me injetavam substâncias químicas que queimavam cada célula de crescimento rápido do meu corpo. Meus glóbulos vermelhos sumiam. Subia as escadas para o meu estúdio e ficava completamente sem fôlego. Todo o meu cabelo caía. Lembro que tudo aconteceu em um dia.  Estava sentado na nossa fogueira com a minha esposa e arrancando tufos gigantes de cabelo e jogando-os no chão. E estava ventando um pouco, e os cabelos estavam voando para dentro da piscina. E ela disse: “Você pode parar com isso? Está espalhando cabelo pela piscina toda”. Então comecei a puxar meu cabelo e jogá-lo no fogo, o que também não ajudou muito. No dia seguinte, estava no chuveiro, e ainda tinha merda caindo da minha cabeça. Estava me lavando, e de repente, tinha tufos enormes de pelos pubianos na minha mão. Me lembro de sair do chuveiro, com cabelo caindo da minha cabeça, cabelo grosso caindo da minha mão, todo molhado, nu, rindo histericamente do absurdo de ter que tirar meus pelos pubianos e dar descarga no vaso sanitário para que não entupissem o ralo do chuveiro. Divulgação do câncer Não contei a ninguém que tinha câncer, exceto para minha família e meus amigos mais próximos. E não contei a ninguém porque pensei que as pessoas iriam rir quando descobrissem. Porque senti que estava atrapalhando. Senti que tinha chegado a hora. Fui tão abençoado a vida toda. Estou em uma banda incrível. Nossa banda conseguiu fazer coisas que nenhuma banda no mundo consegue fazer. Já pisei em todos os continentes do planeta Terra. Tenho uma esposa e um filho incríveis. A piscina no meu quintal parece um pinto. É verdade. Eu comprei assim, não projetei. E pensei: “Você já está bem há tanto tempo, a outra bomba vai cair. Você assistiu Os Bons Companheiros? Eventualmente, o maldito helicóptero vai chegar e você vai ficar tentando fazer um espaguete e tudo vai dar errado. Então literalmente pensei, quando as pessoas descobrirem, vão rir. 

Entrevista | Richie Faulkner (Judas Priest) – “Todos do Europe pareciam mulheres lindas”

Prestes a subir ao palco do Monsters of Rock neste sábado (19), no Allianz Parque, em São Paulo, o guitarrista Richie Faulkner conversou com o Blog n’ Roll sobre a expectativa de mais uma turnê do Judas Priest no Brasil, país que, segundo ele, sempre rende boas histórias e memórias inesquecíveis.  “O público brasileiro é apaixonado por música e heavy metal, e adora se divertir. Sempre sabemos que vamos ter uma plateia incrível”, comentou. Além de relembrar passagens marcantes pelo país, como shows ao lado de Kiss e Ozzy Osbourne, Faulkner adiantou o que os fãs podem esperar do show no festival. Segundo ele, a banda vai equilibrar as faixas do novo álbum Invincible Shield com clássicos e músicas mais profundas da carreira. “Tentamos cobrir tudo e, com sorte, deixar todo mundo feliz”, disse. A tour pelo Brasil teve início na última quarta-feira (16), em Brasília. Além do Monsters of Rock, a banda também fará um side show em São Paulo, no domingo (20), no Vibra. Ainda há ingressos para os dois shows na capital paulista. Confira a entrevista completa abaixo. O Judas Priest já veio ao Brasil várias vezes. O que você mais gosta no público brasileiro? O público brasileiro é louco, eles são apaixonados por música e heavy metal, e adoram se divertir, e nós adoramos isso quando viemos ao Brasil. Conhecemos as pessoas, a comida, o país. E quando tocamos no Brasil, seja no Rio, em São Paulo, em Belo Horizonte, em Brasília, onde quer que seja, sabemos que vamos ter uma plateia incrível. Estamos tão animados quanto vocês para esses shows.  Você tem boas lembranças do Judas Priest no Brasil?  Tenho milhões! Me lembro, acho que foi em 2014 ou 2015, viemos e tocamos duas noites, uma com o Kiss e outra com o Ozzy. E todas as noites havia uma festa no hotel, e era simplesmente fantástico rever alguns amigos, fazer novos amigos. Mas são sempre ótimas lembranças. Sempre que viemos ao Brasil há algo novo para ver ou fazer. É emocionante porque sempre criamos novas memórias.  O que você pode nos contar sobre o show no Monsters of Rock? Vocês vão priorizar o álbum mais recente da banda, Invincible Shield, ou vão se concentrar mais nos clássicos do Judas Priest?  Nós faremos as duas coisas, na verdade. Obviamente, é a turnê do Invincible Shield, então estamos apresentando algumas músicas do álbum. Mas sabemos que temos muitos fãs que estão na ativa há muito tempo com o Priest. Então, tentamos fazer um pouco de tudo, um pouco de coisas novas, um pouco de coisas antigas, um pouco de clássicos, um pouco de raridades. Tentamos cobrir tudo e, com sorte, deixar todo mundo feliz.  Quais são os planos para o resto do ano? Há algum álbum novo sendo preparado ou o foco será em turnê?  Nenhum álbum este ano, embora saiba que se lançássemos outro disco, seria o número 20 da banda. É um bom número. Entende o que quero dizer? 20 álbuns parece uma coisa boa, mas não este ano. Este ano estamos nos concentrando em turnê. Depois da América do Sul, voltamos para a Europa no verão para a turnê Shield of Pain, que é tanto o Invincible Shield quanto a celebração do Painkiller, que completa 35 anos em 2025. Depois, talvez mais algumas turnês. Mas talvez em um futuro próximo, façamos outro álbum.  Você se juntou ao Judas Priest no lugar de K.K. Doning. Imagino que tenha sido uma grande responsabilidade na época. Você conversa com ele? Vocês são amigos? Foi uma grande responsabilidade e ainda é. Acho que ainda é uma responsabilidade tocar as músicas dele e as minhas para representar o Priest da melhor maneira possível. Ainda acho que é uma responsabilidade por causa do legado que os caras, incluindo o Ken, deixaram. Então, é preciso honrar essa responsabilidade.Daqui para frente também.  Conversamos de vez em quando. A última vez que o vi foi há pouco tempo, no Rock & Roll Hall of Fame, em Los Angeles. E nos demos muito bem. Foi ótimo conhecê-lo. De vez em quando, conversamos por e-mail. E está tudo bem.  Eu e o Ken não temos problemas, na verdade. Sabemos que houve alguns problemas entre o Ken e a banda. Mas isso não é meu… Isso foi antes de eu chegar. Espero que possamos vê-lo no futuro.  Richie, você gostaria de jogar um joguinho rápido sobre as bandas de Monsters of Rock?  Claro! Eu digo os nomes do lineup e você os define em uma palavra.  Scorpions – Lendário Opeth – Eu ainda não vi o Opeth, mas estou ansioso para ver. A palavra seria animado. Animado para ver o Opeth. Europe – Quando era jovem, ouvi The Final Countdown no single de disquinho. Achava que elas eram lindas. Quer dizer, eles meio que pareciam mulheres na época. John Norum parecia uma mulher bonita, Joey Tempest também. Todos eles parecem mulheres lindas. Ficava um pouco confuso quando era jovem, mas estava focado na The Final Countdown. Quer dizer, The Final Countdown é enorme. Existe uma música de rock maior do que essa? Então resumiria o Europe como enorme.  Stratovarius – Ainda não vi o Stratovarius, mas a música é fantástica. Tocar guitarra nessa banda é coisa de outro mundo. Fenomenal cai bem para eles. Queensrÿche – Eles são bons amigos. Fizemos uma turnê com eles por algumas regiões do mundo em 2022. Amigos é uma boa palavra. Você gostaria de nos contar alguma história que tem com uma dessas bandas?  Tem algumas que não posso te contar. Se eu te contasse, teria que te matar. (risos) Quais são os três álbuns que mais te influenciaram na carreira? Essa é uma ótima pergunta. Diria que Iron Maiden – Somewhere in Time ou Live After Death pode ser um deles. O Live After Death foi meio que um cruzamento de músicas diferentes de álbuns diferentes, obviamente. Mas Somewhere in Time foi o primeiro álbum que comprei do Maiden. Então, diria Somewhere in Time, do Iron Maiden,

Monsters of Rock | Stratovarius – “Já começamos a escrever o novo álbum”

Pela primeira vez em sua longa carreira, o Stratovarius vai se apresentar no lendário festival Monsters of Rock, que acontece no próximo dia 19 de abril no Allianz Parque, em São Paulo. A estreia na edição brasileira do evento é vista como um sonho realizado pelos músicos: “É como um sonho se tornando realidade. É lendário. É melhor que o Wacken”, afirmou o vocalista Timo Kotipelto com entusiasmo. A relação do grupo com o Brasil é de longa data. Desde 1997, a banda finlandesa acumula passagens pelo país e lembra com carinho da energia do público brasileiro.  “As pessoas cantam junto, sorriem, jogam os punhos para o alto. É uma troca de energia fantástica”, disse o tecladista Jens Johansson, acrescentando que clima, comida e bebidas também tornam a experiência ainda mais especial. Sobre o repertório para o festival, a Stratovarius ainda não definiu o setlist, mas garante que clássicos não vão faltar. “Tem muita gente que conhece as faixas mais famosas, e outros que talvez estejam nos vendo pela primeira vez. Vamos tentar agradar a todos com um pouco de tudo da discografia”, explicaram, revelando que ainda não sabem quanto tempo terão de palco. Kotipelto também revelou que o Stratovarius já começou a compor o sucessor de Survive (2022). Mesmo com o cenário musical atual favorecendo singles e EPs, a banda segue fiel ao formato tradicional. “Para nós, ainda é prioridade lançar um álbum completo. É mais coeso e mais prático até do ponto de vista financeiro”, argumentou Jens. Confira a entrevista completa com a Stratovarius abaixo. Como está a expectativa para o Monsters of Rock em São Paulo? Timo Kotipelto – É como um sonho se tornando realidade tocar neste festival. É lendário, sempre sonhei com isso. Muitas bandas sonham em tocar no Wacken um dia, mas fizemos isso várias vezes, mas nunca aqui com o Monsters of Rock. E por que você acha que o Brasil é tão especial?  Timo Kotipelto – Começamos em 1997 e estamos tocando há uns 30 anos no Brasil, então é desde o começo que há algo entre nós. As pessoas são cheias de energia quando vêm ver os shows, cantam junto. É incrível ver as pessoas jogando os punhos para o alto e cantando junto. A comida é boa, algumas bebidas também, além do clima.  Como será a apresentação do Stratovarius? Pretendem focar em algum álbum ou será um pouco de tudo da discografia? Timo Kotipelto – Acho que um pouco de tudo. É um festival, vai ter muita gente que não está tão familiarizada com nossas músicas. Mas vai ter muita gente que conhece algumas de nossas faixas clássicas. Ainda não sabemos o setlist, porque ainda estamos em turnê na Finlândia, com um setlist diferente. Nem sabemos por quanto tempo podemos tocar. Se for 30 minutos, podemos tocar cinco músicas e meia, talvez cinco. O Stratovarius já trabalha no sucessor de Survive (2022)? Ou pretende trabalhar com singles e EPs? Timo Kotipelto – Já começamos a escrever o novo álbum, mesmo sem definir o nome. Mas acho que vai levar mais algum tempo até que realmente terminemos. Mas já começamos. E quem sabe como vai ser? Nós somos meio que de mente aberta, só jogando umas coisas por aí. O conceito de álbum cheio ainda é algo prioritário para vocês? Hoje muitas bandas estão com foco apenas em singles e EPs. Timo Kotipelto – Ainda é uma prioridade fazer um álbum completo, porque é conveniente de certa forma, você divide o lançamento neste álbum completo. Acredito que todas as pessoas que lidam com você, como a gravadora, esse tipo de coisa, lida com o álbum como um conceito completo. Também diria que é mais barato gravar umas dez músicas ao mesmo tempo do que gravar apenas uma música e depois a próxima um ano depois ou meio ano depois. Então acho que continuaremos fazendo isso como um pedaço de dez músicas sendo um álbum. Qual é o segredo para manter uma voz tão potente após anos de carreira? O que você acredita ser essencial para isso? Timo Kotipelto – Por algumas razões, nos últimos anos, cantar é realmente mais fácil para mim do que dez anos atrás. Difícil dizer o motivo. Talvez tenha aprendido alguma nova técnica secreta. É como se quanto mais velho fico, melhor sei como usar minha voz. Tenho estudado alguns vocais de vez em quando. Mas foi especialmente difícil no final de 2000, quando estávamos em turnê com o Helloween. E o último show foi em algum lugar no Leste Europeu, não lembro em qual país. Peguei a campylobacter (bactéria retorcida), que destruiu minha voz completamente. Não conseguia cantar nada parecido com uma nota em um mês e meio, tudo isso no meio da turnê. E tive que me forçar a cantar. E isso basicamente destruiu minha voz por alguns anos. Mas agora, felizmente, ela voltou. Tenho algumas das minhas técnicas, mas aqueço quando necessário e tento dormir o suficiente. E não bebo para priorizar minha voz até a morte. Vamos colocar dessa forma.  Deuses do metal melódico é um termo muito usado para se referir ao Stratovarius. Como você lida com isso? É muita pressão para manter o nível ou é algo natural e resultado da dedicação da banda? Timo Kotipelto – Acho que não é muita pressão. As pessoas, naturalmente, ficam muito animadas porque amam música. Não acho que sejamos particularmente ótimos ou ruins, algo assim. Mas as pessoas dizem coisas como: ‘oh, vocês são como deuses’. Você não pode pensar que eles são sérios. Você só tem que fazer o melhor trabalho que puder, dadas as circunstâncias e seu nível de cansaço e abordagem geral da vida. Então, isso fala mais sobre o poder geral da música. Nós não somos realmente deuses, estamos longe disso, muito longe. Vou citar alguns vocalistas e gostaria que você os comentasse. Topa? Timo Kotipelto: Vamos lá! Bruce Dickinson – Incrível. James Hetfield – Posso dizer único? Porque essa não é a palavra certa. Mas acho que é

Monsters of Rock | Europe – “O público nos dá energia e nós devolvemos”

Europe

Prestes a desembarcar no Brasil para participar do Monsters of Rock, em 19 de abril, no Allianz Parque, em São Paulo, Joey Tempest, vocalista do Europe, falou com o Blog n’ Roll sobre o momento atual da banda e o que os fãs podem esperar da apresentação.  Na entrevista, o músico revelou detalhes sobre o aguardado novo álbum de estúdio, que já está em andamento e deve ser lançado em 2026. “É como um álbum de estreia, quase. Temos ótimas ideias e uma conexão com o passado, mas também algumas surpresas”, adiantou. Joey Tempest também comentou sobre o documentário que contará a trajetória do grupo sueco, com imagens raras desde os anos 1980, e participações de nomes como Benny Andersson (Abba), Tobias Forge (Ghost) e Mikael Åkerfeldt (Opeth). “Vai ser uma história incrível da banda que saiu de Estocolmo para o mundo”, afirmou. Com mais de 40 anos de estrada, o vocalista refletiu sobre a longevidade da Europe e a importância de manter a união. “Estamos no melhor lugar agora. Ainda sentimos aquela emoção toda vez que subimos ao palco, principalmente no Brasil, onde sempre fomos muito bem recebidos”. Confira a entrevista com Joey Tempest, do Europe, na íntegra abaixo. Hold Your Head Up foi uma ótima amostra de como o Europe continua com um trabalho forte e consistente. Por outro lado deixou os fãs ainda mais ansiosos por um novo álbum. Vocês já iniciaram as gravações? Tem uma previsão de lançamento? Estamos trabalhando muito duro nisso agora. Acho que estamos na metade, temos algumas ótimas faixas. Já faz um tempo desde o último álbum, mas de certa forma isso é bom porque parece que estamos quase começando de novo, como um álbum de estreia quase. É novo e temos ótimas ideias. Vamos para o estúdio no outono (entre setembro e dezembro, no hemisfério norte) e haverá novas músicas no ano que vem e todo mundo está escrevendo. Estamos enviando ideias uns aos outros, está sendo bom, temos algumas coisas boas acontecendo.  O que você pode adiantar sobre esse álbum? Qual será a principal característica do álbum? E como ele se diferencia dos outros trabalhos da banda? Gostaríamos de ter uma aventura com cada novo álbum, sonoramente e melodicamente. Mas acho que há uma conexão com o passado neste melodicamente que também estamos explorando. E seria um álbum europeu com algumas surpresas, mas também uma conexão com o passado. Há alguns riffs excelentes, algumas melodias excelentes e um ótimo refrão vindo aí. Estou escrevendo com Mic (Michaeli, tecladista), Levén (John, baixista), Norum (John, guitarrista) e em breve vamos nos juntar e tentar algumas dessas ideias. Mas temos algumas demos excelentes circulando e mal podemos esperar. Junto com o documentário, vai ser uma época bem louca nos próximos anos. Você pode falar algo sobre o documentário? Pode falar mais alguma coisa?  Estamos trabalhando nele há uns cinco ou seis anos, acho, porque tínhamos essa equipe nos seguindo pelo mundo, nos filmando ao vivo porque queríamos fazer um filme do tipo tour mundial. Mas durante a covid começamos a pensar, espere um segundo, temos alguma coisa antiga? Podemos fazer esse documentário agora? Talvez seja a hora. E encontramos essa caixa velha com fitas VHS conosco festejando em quartos de hotel no Japão. Depois, estávamos nos bastidores em Estocolmo, no começo da carreira. Acho que você pode ver o cenário do Wings of Tomorrow pela primeira vez no chão, então isso é 1984, 1983. E há muitas filmagens que ninguém nunca viu. Então juntamos tudo e montamos a história dessa banda que veio de Estocolmo para o mundo e então o grunge veio e derrubou tudo. Depois construímos tudo de novo para chegar onde estamos hoje. Temos vários convidados, como  Benny (Abba), Mikael (Opeth) e Tobias (Ghost). Já são mais de 40 anos desde o início do Europe. O que mais motiva vocês a seguirem tocando, excursionando e gravando álbuns? Imaginava que duraria décadas quando formou o grupo? Não! Quando você é mais jovem, você não vê o futuro, realmente. Você vê duas semanas, duas semanas à frente, mas agora você meio que planeja dois anos à frente porque o tempo passa de forma diferente agora que você está mais velho. Meio que passa mais rápido e você tem que se adaptar. Mas nunca imaginei estar 40 anos depois aqui.  No ano passado, na turnê de 40 anos, foi tão emocionante estar no palco com os mesmos caras, olhando ao redor do palco com pessoas que conheci quando tinha 14, 15 anos. Somos os mesmos caras há anos. E essa emoção ainda está lá quando tocamos. Não são muitas bandas que conseguem fazer isso. Tivemos nossas brigas, mas a questão é que agora não queremos balançar o barco. Temos um ótimo trabalho, não vamos brigar por coisas pequenas. Vamos tocar música, nos conectar com os fãs. The Final Countdown já foi tocada em diversos eventos esportivos, comerciais, filmes, séries, entre outras atividades. Qual foi a marcante para você? Por que? São tantas memórias com essa música. É difícil dizer o que amo sobre The Final Countdown. Ela reúne pessoas de todas as esferas da vida, onde quer que estejamos, seja um festival de metal, pop, familiar ou de death metal. O público nos dá energia e nós devolvemos, tornando isso em algo especial. Você vive e se isola do resto do mundo e está nesse espaço e é o tempo que ninguém pode tocar. Esses momentos são para sempre.  E agora, o que dizer do oposto? Alguma vez te irritou ver The Final Countdown em um lugar inapropriado?  Houve alguns covers engraçados e coisas assim, mas é tudo isso que realmente não importa. Houve um tempo em que queríamos escrever para nos afastar um pouco da música. Mas sempre ficou lá, e nos últimos anos, significa mais do que aquela música. Lembro-me de quando éramos crianças, íamos ver bandas como Scorpions e eles costumavam tocar uma balada de vez em quando no set. Eu era uma criança muito nova assistindo isso. E