Entrevista | Dirty Honey – “Se as músicas estiverem prontas, apresentaremos material inédito”

O rock and roll clássico encontrou um novo fôlego na última década, e o Dirty Honey é, sem dúvida, um dos protagonistas dessa revitalização. Liderada pelo carismático vocalista Marc LaBelle, a banda californiana finalmente desembarca no Brasil em abril para uma sequência de shows. A jornada começa em São Paulo, no dia 2 de abril, com um show íntimo na Audio ao lado da banda Jayler. Poucos dias depois, no dia 4, eles encaram a imensidão do Allianz Parque como uma das atrações do prestigiado festival Monsters of Rock, que terá o Guns n’ Roses como headliner. Para encerrar a passagem, o grupo desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril, dividindo o palco do Qualistage com Jayler e as lendas do Lynyrd Skynyrd. Em conversa via Zoom com o Blog n’ Roll, Marc LaBelle não escondeu o entusiasmo. Direto da Califórnia, o vocalista revelou que a expectativa para tocar na América do Sul é antiga, alimentada por relatos de bandas amigas como Guns N’ Roses e Black Crowes sobre a energia surreal do público brasileiro. “Eles dizem que é um dos melhores do mundo”, afirmou Marc, que já está até tentando arriscar algumas palavras em português para as apresentações. Além da ansiedade pela estreia, a banda traz novidades na bagagem. Atualmente em estúdio trabalhando no sucessor do elogiado álbum Can’t Find the Brakes (2023), LaBelle sugeriu que o público brasileiro pode ser o primeiro no mundo a ouvir composições inéditas ao vivo. Para ele, o palco é o lugar onde a verdade da música aparece, longe da perfeição estéril dos computadores e da inteligência artificial. A paixão de Marc, no entanto, não se restringe apenas aos palcos. Durante a entrevista, o músico traçou paralelos interessantes entre a disciplina necessária no rock e sua dedicação aos esportes, como o hóquei no gelo e o surfe. Essa mentalidade de “atleta” se traduz em uma performance vigorosa e em um respeito profundo pelas instituições do gênero, como o próprio Lynyrd Skynyrd, com quem ele está ansioso para dividir a noite no Rio. Leia entrevista completa abaixo. Esta é a primeira vez do Dirty Honey no Brasil e vocês têm uma agenda cheia: Monsters of Rock, show solo em São Paulo e um show com o Lynyrd Skynyrd no Rio. O que você ouviu de bandas amigas, como Guns N’ Roses ou Black Crowes, sobre o público brasileiro? Que eles são incríveis e alguns dos melhores do mundo. Então, sim, estamos super empolgados para descer e vivenciar isso por nós mesmos e, finalmente, tocar na América do Sul. Demorou muito e estava na nossa lista de desejos há bastante tempo. Eles te deram alguma dica? Acabei de receber uma hoje cedo: começar a aprender um pouco de português. Tipo “olá, como vai você?”. Eu sei essas, claro. Preciso descobrir como apresentar algumas músicas em português ou dizer algo como “é um prazer estar aqui”, algo bom. Vamos bolar algo legal. E com três shows em formatos diferentes, um festival enorme e duas casas menores, como vocês planejam o setlist? Tem espaço para surpresas no show do Dirty Honey? Sim, bem, estamos trabalhando em um novo álbum desde que terminamos a turnê em outubro, então esperamos que as músicas estejam prontas quando chegarmos aí. Estaremos no estúdio praticamente todo esse tempo antes do festival. Se as músicas estiverem prontas e nos sentirmos confiantes para tocá-las, apresentaremos material inédito. Então os brasileiros podem ser os primeiros a ouvir? Pode ser, sim. Só espero que fiquem prontas a tempo. No Rio, vocês dividem o palco com o Lynyrd Skynyrd. Sendo o Dirty Honey uma banda que revitaliza o classic rock, como é dividir o cartaz com uma das maiores instituições do gênero? Já teve chance de falar com o Johnny Van Zant sobre essa parceria? Não, ainda não. Será a primeira vez que tocaremos especificamente com eles. Somos grandes fãs de Skynyrd, obviamente. É uma formação diferente da banda dos anos 70, mas acho que será incrível. Eles têm tantas músicas fundamentais do rock and roll. É louco pensar que tocaremos com dois gigantes (Skynyrd e Guns N’ Roses no Monsters). Estou animado para ver o show deles como fã. Vocês já abriram para KISS, Guns N’ Roses e Slash. Qual foi a lição mais valiosa que você aprendeu observando esses veteranos da lateral do palco todas as noites? Acho que todos esses caras são apaixonados pela carreira, pela música e pela performance. Se você faz pelas razões certas, porque ama, o sucesso te encontra. Vejo o mesmo nos esportes. Eu jogo muito hóquei aqui na Califórnia e surfo. O sucesso encontra os atletas que são mais apaixonados pelo jogo, eles não praticam incessantemente só porque amam praticar, mas porque querem melhorar no jogo que tanto amam. É o mesmo com a composição. Slash ama tocar guitarra, é o verdadeiro amor dele. Chris Robinson ama cantar e fazer turnê. Para ter longevidade, não dá para fingir. Gene Simmons ama ganhar dinheiro (risos), ele vai continuar lá enquanto puder. Já que mencionou esportes, vi nas redes sociais que você foi para Milano Cortina (Jogos Olímpicos de Inverno). Você gosta tanto de esportes quanto de música? Eu cresci em Nova York, perto de Montreal, e joguei hóquei a vida toda. Tenho amigos que jogaram nas Olimpíadas. Foi uma experiência única assistir ao jogo da medalha de ouro, que acabou sendo lendário. E eu amo a Itália, morei lá no passado e volto várias vezes por ano. Foi a união de duas paixões: hóquei e Itália. Meu empresário também é fã de hóquei e fomos juntos. Eu já fui aos EUA, mas nunca vi hóquei, apenas NBA, NFL, UFC e beisebol. Meus dois esportes favoritos de ver ao vivo são hóquei e futebol. Beisebol é um pouco lento. O futebol americano também é lento e muito interrompido pelos comerciais da TV. Acho que a cultura sul-americana e europeia gostaria muito de hóquei no gelo porque é muito rápido e agressivo. Tem semelhanças com o futebol

Entrevista | Millencolin – “Se não fosse o skate, eu não estaria tocando música. Isso mudou minha vida”

O nome do Millencolin voltou a ganhar força no Brasil em 2026 integrando o lineup do We Are One Tour. Com show esgotado em apenas três dias na capital paulista, uma nova data foi confirmada, ampliando a expectativa em torno do reencontro com o público brasileiro. O festival conta também com Pennywise, Mute e The Mönic. O evento desembarca no Brasil no dia 24 de março, em Porto Alegre, no URB Stage. Depois segue para Florianópolis, dia 25, no Life Club, Curitiba, dia 27, no Piazza Notte, São Paulo, dia 28, no Terra SP, Rio de Janeiro, dia 29, no Sacadura 154, e encerra com o show extra na capital paulista, dia 31, na Audio. Antes da chegada da We Are One Tour ao país, conversamos com o guitarrista do Millencolin Mathias Färm, peça fundamental na construção do som melódico e acelerado que marcou gerações desde os anos 90. A entrevista integra a série especial do Blog n’ Roll dedicada ao festival e é a segunda publicada. A primeira foi com a banda Mute. Sobre o Millencolin Fundada em Örebro em 1992, a banda atravessou décadas mantendo a formação clássica e consolidando um repertório que ultrapassou o rótulo de skate punk. Entre álbuns como Life on a Plate e For Monkeys, foi com Pennybridge Pioneers que o grupo ampliou seu alcance internacional e se tornou referência dentro do hardcore melódico europeu. A banda passou pelo Brasil pela primeira vez em 1998 e foi um dos primeiros capítulos de shows de hardcore internacionais. A primeira vez que o Millencolin veio ao Brasil foi em 1998 e foi uma espécie de caos, certo? Brigas, falta de equipamentos no rider… O que você se lembra daquela experiência? Foi algo muito especial para nós vir ao Brasil. É muito longe da Suécia, mas foi incrível. Tenho muitas boas lembranças e também muito caos. Minha guitarra quebrou em dois pedaços durante aquele primeiro show porque um cara a jogou para longe. Foi punk rock de verdade, com muita intensidade. Mesmo assim, foram momentos incríveis. Nós amamos o Brasil e a América do Sul. Sou de Santos e dizem que foi o show mais tranquilo daquela turnê do Millencolin. Quais são suas lembranças da cidade? Para ser honesto, eu não me lembro muito de Santos naquela primeira vez, porque isso foi há quase 30 anos. Naquela turnê, eu realmente não sabia em que cidade estava, eu apenas tocava. Tenho muitas lembranças daquela passagem, mas não consigo associá-las exatamente a cada cidade. Todos os lugares que visitamos no Brasil são ótimos. Mas quando você está em turnê é difícil lembrar de tudo, porque quase sempre estamos atrasados, tocamos todos os dias e não temos muitos dias livres. Mesmo assim, voltamos para Santos outras vezes, isso eu lembro. Ainda falando sobre 1998 vocês jogaram futebol em Copacabana contra um combinado de outras bandas de hardcore e assistiram a algumas partidas nos estádios. Vocês ainda mantém essa ligação com o futebol? Sim. Acho que o Nikola é quem mais gosta de futebol, mas todos nós gostamos. Temos uma ligação forte com isso. Nosso time local é o de Örebro, e até fizemos uma música para eles. Na Suécia, futebol e hóquei no gelo são os maiores esportes. Imagino que hóquei não seja tão popular em Santos (risos), mas o futebol é incrível. Na Suécia, praticamente todo mundo já jogou em algum time quando era jovem. Falando em Suécia, no último show do Millencolin lá no ano passado, vocês tocaram músicas menos comuns no setlist, como Black Gold e That’s Up on Me. Estão preparando alguma surpresa para o Brasil? Claro que sim. Temos muitas músicas para escolher ao tocar ao vivo. Normalmente sabemos quais são as que o público quer ouvir, então tentamos tocar os clássicos e misturar com algumas que não tocamos com tanta frequência. É difícil agradar todo mundo, porque cada pessoa tem suas favoritas, mas tenho certeza de que será um ótimo show e que o público ficará feliz. Teremos algumas surpresas. Existe alguma música subestimada do Millencolin que você gostaria que tivesse mais reconhecimento? Sempre há algumas. No Life on a Plate, há uma chamada Dr. Jackal & Mr. Hyde. Acho uma música muito boa, especialmente considerando que a escrevemos há tanto tempo. Às vezes nem entendo como conseguimos fazer aquilo naquela época. Ela tem uma vibração mais emocional. Talvez essa seja uma boa escolha. Está completando dez anos do clipe de True Brew. Como surgiu a ideia de gravar no Brasil, especialmente no Nordeste? Nós fizemos a música primeiro em inglês e gravamos um vídeo. Depois queríamos fazer uma versão em sueco também. Um amigo nosso que estava em turnê conosco sugeriu gravar no Brasil. Era inverno na Suécia e tudo estava muito depressivo, então queríamos sol no vídeo. No Brasil há sol, boa vibração, clima incrível e uma atmosfera fantástica nas cidades. Foi a combinação perfeita para nós. Recentemente entrevistei o The Hives e eles citaram vocês como a maior banda da cena sueca nos anos 90 que mostrou ser possível alcançar o mercado internacional. Como você vê essa relação com eles hoje? É ótimo. Eu gravei a primeira demo do The Hives, lá na década de 90. Conhecemos esses caras há mais de 30 anos. Temos uma ótima relação com eles. São pessoas muito legais. Nós dois fizemos parte da Burning Heart Records quando o selo ainda existia. Tocamos muito juntos na Suécia no passado. É uma relação de amizade de longa data. Life on a Plate está completando 30 anos. Há planos para algum relançamento em vinil ou cd? Preparamos, na verdade, tocar o álbum inteiro em um festival no Canadá, no fim de maio. Pode ser que façamos mais apresentações assim, mas por enquanto é isso. Precisamos reaprender algumas músicas, porque algumas não tocamos há muito tempo. Vai ser divertido. Muitas músicas nasceram com riffs seus. Como funciona seu processo criativo? No passado, cada um escrevia suas ideias em casa e levava para o ensaio. Hoje não moramos todos

Entrevista | Lynyrd Skynyrd – “Vamos garantir que as pessoas saibam que estivemos aqui e carregar o legado”

Com mais de meio século de estrada, o Lynyrd Skynyrd transcendeu o rótulo de pioneiros do southern rock para se tornar uma verdadeira instituição da música mundial. Liderada há quase quatro décadas por Johnny Van Zant, irmão do saudoso vocalista original, Ronnie Van Zant, e contando com a energia do veterano Rickey Medlocke, a banda carrega a responsabilidade e a honra de manter vivo um legado inabalável.  Mesmo após a partida do guitarrista Gary Rossington, o último membro da formação clássica, o grupo prova que a alma de hinos como Free Bird e Sweet Home Alabama segue pulsando forte, embalando gerações com apresentações 100% ao vivo, sem o uso de qualquer base pré-gravada. É exatamente essa autenticidade crua que o público brasileiro poderá presenciar muito em breve. O Lynyrd Skynyrd desembarca no Brasil para uma série de apresentações em abril. O giro começa no dia 1º de abril, em Curitiba (Live Curitiba); segue para São Paulo no dia 4 de abril, como um dos grandes destaques do festival Monsters of Rock (Allianz Parque); desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril (Qualistage, com o Dirty Honey como convidado especial); e encerra a passagem pelo país no dia 7 de abril, em Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna). A escalação do Skynyrd no Monsters of Rock, evento com DNA fortemente enraizado no heavy metal e no hard rock, promete ser um dos momentos mais catárticos do festival. Dividindo o line-up com nomes como Guns N’ Roses, Extreme e Halestorm, Johnny enxerga a mistura de gêneros com naturalidade e muito entusiasmo.  Relembrando o sucesso da banda em festivais pesados como o Hellfest, na França, o vocalista reforça o poder de conexão de sua música e revela a expectativa de cruzar com Slash nos bastidores para agradecê-lo pessoalmente pelo tributo feito a Gary Rossington nos Estados Unidos. Durante este bate-papo com o Blog n’ Roll, Johnny abriu o coração sobre a decisão de continuar na estrada após a perda de Gary. Longe de ser apenas para “pagar as contas”, ele encara a turnê como uma missão quase espiritual de honrar a memória de seu irmão e de seus antigos companheiros. A entrega no palco é um compromisso inegociável para a banda, que faz questão de explodir a cabeça do público, especialmente em países como o Brasil, onde os fãs esperaram décadas por uma turnê mais extensa. Além de celebrar a emoção de tocar para a quarta geração de admiradores e observar que a paixão dos fãs permanece a mesma de 50 anos atrás, o vocalista revelou que o baú da banda ainda guarda surpresas. Existem composições inéditas escritas por ele, Rickey e Gary “na lata”, aguardando o momento certo para verem a luz do dia. Contudo, o foco do momento é celebrar o catálogo histórico e a conexão visceral com a plateia. Confira a seguir a entrevista completa. Na última vez que nos falamos, o foco foi principalmente em São Paulo. Desta vez, a turnê se expandiu para Rio, Curitiba e Porto Alegre. Depois de 50 anos, como é a sensação de ainda estar descobrindo novas cidades e sentindo a energia de públicos que esperaram décadas por este momento? Na primeira vez que fomos, fizemos São Paulo, apenas um show, e pensamos: “uau, isso não é nada. Vamos voltar e fazer mais”. Aí, na segunda vez, acho que fizemos uns três ou quatro. Nem tenho certeza. Talvez dois. Mas desta vez são quatro. Então, na próxima serão cinco, dez, 11, 12. Precisamos fazer uma turnê completa por aí, para ser sincero.  Nós nos divertimos muito na última vez que estivemos aí. Conhecemos muita gente incrível. Todos os fãs que conhecemos estavam tão felizes por estarmos lá. E, acredite ou não, assim que saímos daí, já estávamos tipo: “precisamos voltar”. Então é questão de tentar organizar tudo, fazer os promotores agirem e vamos lá, fazer de um jeito que todos possamos ir, pagar as contas e ver os fãs. Incrível. E o Brasil é enorme. Está empolgado para o Monsters of Rock? Sim, com certeza. Estou ansioso pelo Monsters of Rock. Vai ser muito interessante tocar com todas as bandas. Nós nunca fizemos um show com o Guns N’ Roses, então será ótimo. O Slash fez um tributo aqui nos Estados Unidos depois que o Gary Rossington faleceu, e eu nunca consegui apertar a mão dele. Então, espero conseguir apertar a mão dele e agradecê-lo por ter feito aquilo por nós. Incrível. Vai ser muito emocionante. Sim, vai ser divertido. Falando sobre o Monsters of Rock em São Paulo, o evento tem um DNA enraizado no heavy metal e no hard rock. Como o southern rock do Skynyrd se conecta com esse público mais “pesado”? Como isso acontece? Sabe de uma coisa? Eu estava dizendo a outras pessoas hoje: anos atrás, fomos para a Europa e fizemos um evento chamado Hellfest, na França. E eram todas aquelas bandas de heavy metal, bandas realmente pesadas. Todo mundo lá no mosh pit. E eu pensei: “como vamos nos encaixar nisso? Como vamos nos encaixar em todo esse gênero?”. E foi incrível. Já fizemos esse festival umas três vezes agora. E acho que a música do Skynyrd… sabe, o Metallica gravou Tuesday’s Gone. E um senhor me disse hoje que o Axl Rose é um grande fã de Skynyrd. Então, é incrível para mim como toda essa música meio que se encaixa. E estou ansioso por isso. Vai ser divertido para nós. Eu estou sorrindo, então, sempre que estou sorrindo, é algo bom. E além do Lynyrd Skynyrd, o festival conta com Guns N’ Roses, Extreme, Helloween, Deep Purple, Dirty Honey, você está familiarizado? Você já nos contou sobre o Guns N’ Roses. Sim, Extreme, claro. Sabe, alguns deles eu não conheço. Odeio dizer isso, mas não conheço, mas vou vivenciar no dia. Serei um fã. Então isso será bom. Sem membros originais na formação atual, a responsabilidade de manter a banda tão viva recai pesadamente sobre você e o Rickey (Medlocke). Como vocês

Entrevista | Angra – “Estou muito curioso para ver como será eu, o Aquiles e todo mundo junto no Bangers”

O Bangers Open Air terá um dos momentos mais aguardados do heavy metal nacional em 2026. O Angra sobe ao palco do festival em um formato especial que marca uma reunião histórica de integrantes ligados à fase clássica da banda. O encontro promete celebrar diferentes eras do grupo em uma apresentação pensada exclusivamente para o evento. Além do festival, o Angra também realiza um sideshow especial da turnê Nova Era no Espaço Unimed, ampliando a celebração para o público paulistano. A apresentação paralela reforça o peso do reencontro e cria um fim de semana dedicado à trajetória da banda, reunindo fãs de diferentes gerações. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o baterista Bruno Valverde, que também estará no festival com o Smith/Kotzen, conta como será o formato exclusivo preparado para o Bangers Open Air e explica como funcionará a dinâmica dividida com Aquiles Priester no palco. Como é a preparação física para aguentar uma jornada dupla no domingo com Smith/Kotzen e Angra? Olha, vamos ver o que vai acontecer, mas com certeza é comer muita carne para ter bastante proteína e energia também. Eu faço um ensaio no dia anterior com o Angra e pretendo passar o setlist umas três ou quatro vezes no dia, para ficar com a mão praticamente sangrando, justamente para saber que tem bastante energia para o dia seguinte. Vai ser um dia muito intenso. Provavelmente na passagem de som eu já vou estar com meus dois kits separados. Não vou usar o mesmo kit para as duas bandas, então vai ser uma coisa bem intensa. Vou estar com o meu drum tech lá, que está muito preocupado. Aliás, vai ser a primeira vez que eu vou usar a Tama. O meu próprio kit no Brasil está chegando agora, então é tudo novo nesse sentido. Que bacana, a estreia vai ser aqui? Exatamente. A estreia dos meus novos kits da Tama será no Brasil, especificamente no Bangers Open Air. Mas você não vai tocar o show inteiro do Angra, ou vai? Tem essa vantagem, porque o show do Angra é muito intenso, geralmente tem duas horas ou um pouco mais. Se fosse um show completo comigo tocando tudo, eu ficaria um pouco mais preocupado. Mas como vai ter basicamente uma hora, uma hora e pouco, depois o show do Angra será dividido em três partes. Eu toco a primeira parte, depois entra o Aquiles e, no final, a gente toca junto. Então não vai ser aquela coisa extremamente louca de se fazer, mas vai ser emocionante. Estou muito curioso para ver como vai ser ver todo mundo junto lá. Muita gente que comprou ingresso para o Bangers tem dúvida sobre o formato e a exclusividade do show. No Porão do Rock, por exemplo, foi anunciado somente o Kiko. Qual é a diferença entre as propostas? No Porão do Rock vai estar o Kiko como participação especial. Não vai ter o Edu nem o Aquiles, então a proposta é totalmente diferente. Será um show muito mais parecido com o que a gente já faz, mas com a participação do Kiko. Obviamente vai ter músicas diferentes por causa disso. Também vai ser um show grande, porque a gente será headliner do Porão. Vai ser um showzaço. Da minha parte, vai ter um bate e volta. Esse show acontece no dia 22 de maio. Eu chego no dia, toco e vou embora na madrugada, porque tenho um projeto acontecendo em Los Angeles. Então será bem intenso. Sair do avião e tocar duas horas como um maníaco. E você se prepara fisicamente em Los Angeles? Sim, me preparo bastante. Para o show do Angra, começo a me preparar pelo menos três semanas a um mês antes, com intensidade física mesmo.

Entrevista | Smith/Kotzen – “Estamos todos contando os minutos para tocar no Bangers Open Air”

O Bangers Open Air recebe neste ano um encontro que une peso, groove e história no rock. O Smith/Kotzen desembarca no festival, dia 26 de abril, trazendo ao Brasil a parceria entre dois guitarristas de trajetórias consagradas. De um lado, Adrian Smith, integrante do Iron Maiden e responsável por alguns dos riffs mais emblemáticos do heavy metal. Do outro, Richie Kotzen, multi-instrumentista com passagens por Poison, Mr. Big, The Winery Dogs e uma sólida carreira solo marcada por blues, soul e improvisação. No palco, a dupla é sustentada por dois brasileiros de trajetória internacional: a baixista Julia Lage, que construiu carreira nos Estados Unidos e já integrou a banda Vixen, e o baterista Bruno Valverde, atual baterista do Angra, conhecido por sua versatilidade e intensidade técnica. Em entrevista ao Blog N’Roll, a dupla brasileira, responsável pela cozinha do projeto, falou sobre como surgiu o convite para integrar a banda, a possibilidade de mudanças no setlist no Brasil e a expectativa para o Bangers Open Air. Como foi o convite para vocês integrarem o Smith/Kotzen? E como aconteceu a coincidência de os dois serem brasileiros? Bruno Valverde: Fui tocar em um bar de fusion em Los Angeles chamado Baked Potato, com o guitarrista brasileiro Rafa Moreira. A Júlia e o Richie foram assistir ao show e eu estava na bateria. Já tínhamos nos encontrado antes em Los Angeles, mas ali trocamos contato. O Richie me viu tocando e, cerca de quatro ou cinco meses depois, perto de dezembro, a Júlia me ligou dizendo que ele queria falar comigo. Ele comentou que tinha um projeto com o Adrian Smith e que começariam os ensaios na semana seguinte. Mandou quatro ou cinco músicas e, na outra semana, já estávamos ensaiando para a turnê de 2022. Foi tudo muito direto. Júlia Lage: No meu caso foi algo bem orgânico. Todo fim de ano o Richie fazia uma festa na casa dele em Malibu, que sempre terminava em jam session. No final, ficavam Richie e Adrian tocando por horas. Quando surgiu a necessidade de montar a banda ao vivo, a esposa do Adrian, que inclusive foi quem conectou os dois, sugeriu meu nome. Depois chamaram o Bruno também, colocaram todo mundo no estúdio para testar e tocamos quatro ou cinco músicas. Deu liga. É um ambiente muito familiar. O fato de sermos brasileiros também facilitou a conexão cultural entre nós. O Richie, como multi-instrumentista, é muito exigente ou deixa vocês mais livres? Bruno Valverde: O Richie é um grande músico, com uma cabeça muito voltada tanto para o artista quanto para o instrumentista. Ele gosta muito de música e de improvisar. Na turnê solo dele, há músicas que chegam a 10 ou 15 minutos porque ele gosta de jam, de trocar ideias entre os instrumentos. Ele não limita suas ideias, mas você precisa entender o formato do projeto e agir como profissional. Não é sair ultrapassando limites. Ele sabe o que quer ouvir, mas gosta que você traga algo. É uma construção orgânica. Júlia Lage: Ele gosta que você contribua, mas é preciso entender a música. Existem partes que precisam ser executadas exatamente como são. Ele é aberto, gosta da parte criativa, mas sempre dentro do contexto da canção. Mas, Júlia, como é sustentar a base para o Adrian Smith? Há momentos em que você precisa segurar a mão para deixar ele brilhar? Júlia Lage: Com qualquer artista você precisa entender de quem é o momento. Como baixista, minha função é sustentar o groove. Se há espaço para um detalhe, faço, mas preciso compreender meu papel e o tipo de show que estamos fazendo. No solo de “Wasted Years”, por exemplo, eu executo exatamente como no disco, porque aquele momento é dele. É uma questão de bom senso musical. Bruno Valverde: Estamos ali para servir a música. Não é sobre alguém brilhar mais que o outro, mas sobre criar o ambiente para que cada momento aconteça. Esse projeto é diferente porque todos são muito apaixonados por música. Não é apenas performance, é troca real. Eu ia perguntar, mas já que você mencionou, The Wasted Years vai rolar no Brasil? Júlia Lage: Ainda não discutimos o que será tocado na América do Sul. Provavelmente será muito parecido com o que temos feito, mas, por ser festival e ter menos tempo, talvez algumas músicas sejam cortadas. Bruno Valverde: Existe possibilidade, mas ainda não está definido. E como o Adrian e o Richie enxergam o público brasileiro? Bruno Valverde: É quase unanimidade entre artistas que tocam na América do Sul que o público é muito intenso. É uma energia humana muito forte. Não tem como não ser alimentado por isso. Em alguns lugares da Europa o público é mais contido. No Brasil é uma loucura do começo ao fim. Júlia Lage: Os dois já tocaram muito no Brasil e sabem o que esperar. Estamos todos contando os minutos para tocar na América do Sul e no Bangers. A energia é diferente e isso impacta diretamente o show. Como vocês enxergam a participação no Bangers Open Air, um festival tradicionalmente ligado ao metal, tocando um som mais próximo ao hard rock? Júlia Lage: Será a primeira vez que tocaremos nesse festival com essa banda, então vamos descobrir. Mas o show é energético. Mesmo sendo mais hard rock e blues em alguns momentos, há intensidade. Existe ação o tempo todo no palco. Bruno Valverde: A expectativa do público é grande, mesmo conhecendo o setlist. A gente faz o que precisa fazer no palco e entrega energia. O que vocês têm ouvido atualmente no fone de vocês? Bruno Valverde: Nada, silêncio (risos). Existe uma característica comum entre nós de evitar música de fundo. Estamos todos os dias tocando na estrada, sempre com muito som ao redor. Precisamos de silêncio para descompressão. Júlia Lage: Às vezes escuto algo bem tranquilo para dormir e baixar a adrenalina do pós-show. Depois de horas de intensidade no palco, é importante equilibrar.

Entrevista | The Maine – “O Brasil sabe o quanto amamos tocar aí e com certeza levaremos a Joy Next Door para aí”

Quase duas décadas de estrada e uma conexão inabalável com os fãs marcam a trajetória do The Maine. Agora, a banda do Arizona se prepara para um de seus marcos mais significativos: o lançamento de seu décimo álbum de estúdio, Joy Next Door, com previsão de chegada para abril. O novo trabalho promete mostrar uma faceta mais madura e despida de artifícios de um grupo que soube crescer e evoluir junto com o seu público ao longo dos anos. Batizado pelos próprios integrantes como a “era verde” da banda, o disco aposta em uma instrumentação mais orgânica e faz questão de abraçar imperfeições propositais. Em uma conversa exclusiva com o Blog n’ Roll, o vocalista John O’Callaghan refletiu sobre essa mudança de sonoridade. Segundo ele, a proximidade da “meia-idade” e a vontade de não se esconder mais atrás de grandes produções de estúdio foram fundamentais para que a banda buscasse esse som mais cru e honesto na nova fase. Mas a honestidade de Joy Next Door vai muito além dos arranjos. Durante o bate-papo, John revelou de forma vulnerável que este foi um dos álbuns mais difíceis de produzir até hoje. As letras nasceram de um conflito interno entre a gratidão por uma vida privilegiada e a dificuldade real de estar “totalmente presente” no dia a dia. O resultado, como o próprio músico define, não traz uma solução mágica, mas serve como um empurrãozinho para tentar desacelerar e fazer cada momento valer a pena. Para os fãs brasileiros, a entrevista traz ainda um gostinho especial. A banda guarda com muito carinho as memórias da passagem pelo país no ano passado, durante a I Wanna Be Tour, destacando a experiência inesquecível de tocar em um estádio pela primeira vez. E, para alívio de quem já está com saudade, a promessa de um retorno está no radar: eles garantem que trarão a nova turnê para cá assim que possível, ansiosos para reencontrar a energia frenética que só o público brasileiro possui. Confira abaixo, na íntegra, a nossa entrevista exclusiva com o The Maine sobre os bastidores do novo disco, a evolução de quase 20 anos de carreira, memórias marcantes do Brasil e as grandes influências musicais do vocalista. John, você mencionou que este foi um dos álbuns mais difíceis de fazer até hoje, lidando com o conflito pessoal entre ter uma vida privilegiada e a luta para estar “totalmente presente”. Como transformar esse conflito interno em música o ajudou a processar esses sentimentos? O álbum oferece alguma resolução para esse conflito? Certamente tenho consciência de quão sortudo sou por poder chamar esse dilema de “problema”, mas, no fim das contas, a minha realidade é tudo sobre o que posso falar com honestidade. Os sentimentos que tive em torno dessa luta foram fáceis de sentir, mas difíceis de me conformar em compartilhar; no entanto, acho que escrevê-los ajudou a trazer a percepção de que a única coisa que se pode fazer é tentar. Tentar estar aqui. Tentar desacelerar. Tentar fazer valer a pena. Este álbum não oferece nada além de um empurrãozinho para tentar. O Pat (Kirch, baterista) mencionou que cada álbum do The Maine tem uma cor, e Joy Next Door é a “era verde”, refletindo uma instrumentação mais orgânica e imperfeições propositais. O que levou a banda a buscar esse som mais cru e natural nesta fase da carreira de vocês? Foi uma reação à produção dos álbuns anteriores? Acredito que tudo o que fazemos é uma reação a algo que já fizemos. Isso se aplica a querer tirar um pouco daquele brilho que nossos ouvintes e nós mesmos talvez tenhamos nos acostumado a esperar. Acho que a idade também teve muito a ver com a decisão. Nos aproximarmos da “meia-idade” teve um efeito profundo em mim e no que queremos das nossas composições e de ser uma banda neste momento. No passado, acho que quase nos escondíamos atrás de algumas das nossas escolhas de produção, e Joy definitivamente não usa tanta maquiagem quanto alguns dos nossos outros discos. Chegar ao décimo álbum é um marco incrível para qualquer banda. Olhando para trás, como você vê a evolução de Can’t Stop Won’t Stop para Joy Next Door? O que permaneceu na essência do The Maine e o que mudou drasticamente ao longo do caminho? Com o luxo de quase 20 anos a nosso favor, vejo agora que cada disco foi mais um ponto de virada do que uma evolução. A cada passo do caminho, posso dizer com toda a sinceridade que acreditamos, de todo o coração, no capítulo em que estávamos. Mudanças maiores e mais óbvias, como ter filhos e construir famílias, agora fazem parte da essência da nossa inspiração para qualquer caminho que venha a seguir, e estamos apenas agradecendo aos céus por as pessoas ainda se importarem com a nossa música. Vocês anunciaram o álbum com um show de drones no Arizona, o que foi visualmente impressionante. De onde surgiu essa ideia e qual é a importância de sempre buscar maneiras criativas e diferentes de se conectar com os fãs a cada novo ciclo de álbum? Somos sempre tão apaixonados e empolgados com novos discos, e damos o nosso melhor para expressar às pessoas o quanto nos importamos. Ninguém nunca vai se importar tanto com a sua arte quanto você mesmo, então, quando você tem orgulho de algo, por que não fazer um grande evento em cima disso? O show de luzes surgiu por acaso, e temos muita sorte de que novas oportunidades como essa continuem aparecendo para nós. The Maine tocou no Brasil no ano passado durante a I Wanna Be Tour. Quais lembranças você tem daqueles shows? Teve algum momento específico, dentro ou fora do palco, que marcou a banda durante essa última visita? Várias coisas se destacam, especificamente o fato de que eu, Pat e Garrett (Nickelsen, baixista) quase perdemos nosso voo para São Paulo por causa do clima. Coincidentemente, aquele show foi a nossa primeira vez tocando em um estádio (risos). Só me lembro

Entrevista | Nile – “Estamos tocando um monte de coisas que não tocamos em anos”

Menos de um ano após incendiar o público no Bangers Open Air, realizado em maio de 2025, em São Paulo, o Nile confirma seu retorno ao Brasil em março de 2026 para três apresentações: dia 20/03 em Brasília, 21/03 em Fortaleza, e 22/03 em São Paulo. A nova passagem marca mais um capítulo da turnê de divulgação de The Underworld Awaits Us All (2024), décimo álbum de estúdio do grupo. Formado em 1993, nos Estados Unidos, o Nile construiu uma identidade singular ao unir death metal técnico, velocidade extrema e rigor histórico, com letras inspiradas no Antigo Egito e em culturas do Oriente Médio e da África. Ao longo de mais de três décadas, lançou álbuns fundamentais como Black Seeds of Vengeance e Annihilation of the Wicked, consolidando seu nome como uma das forças mais respeitadas do metal extremo mundial. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Karl Sanders fala sobre a cena death metal dos anos 90, a recepção da nova formação no Brasil e os paralelos entre história antiga e política contemporânea. Como era a cena de death metal nos Estados Unidos quando o Nile surgiu, em 1993? Acho que estava entre o que eu chamo de a primeira onda e a segunda onda. Death Metal tinha chegado e o Black Metal estava fazendo um barulho. Ai tem New Wave, depois Nu Metal, Metalcore, e toda aquela merda que era popular. Então foi um pouco difícil conquistar espaço, mas nós não nos importávamos, nós amávamos o Death Metal, nós íamos tocar Death Metal, não importava se era modesto ou não, nós íamos fazer. Quais bandas foram influências fundamentais naquele início? As bandas de metal antigas, como Gorfest, Entombed, Left Hand Path, Clandestine, Early Morbid Angel, as músicas antigas do Black Sabbath, mais um monte de coisas antigas e clássicas no começo. Mas também teve uma influência de trilha sonora. Eu estava particularmente fã da trilha sonora de Exorcista 2, tem um monte de coisa boa lá dentro. Depois de apresentar o novo álbum no Brasil, inclusive no Bangers Open Air, qual peso este disco terá na atual turnê? Definitivamente vamos tocar uma mistura de tudo. Nós estamos tocando algumas coisas do novo álbum, mas também um monte de clássicas antigas. Eu acho que essa será a primeira tour em muitos anos que nós tocamos Cast Down the Heretic, de Annihilation of the Wicked, e tocamos isso há uns 10 anos. Também estamos tocando um monte de outras coisas que não tocamos em anos. Tem Ithypallic, Hittite Dung Incantation, um monte de coisas clássicas. Você sentiu uma boa recepção das novas músicas no Brasil? Sim, eu acho que toda vez que chegamos ao Brasil, na história da banda, os fãs de metal do Brasil foram incríveis. É um dos meus lugares favoritos para estar. E como foi a recepção da nova fase com Adam no Brasil? Bem, eu acho que foi muito boa. A audiência foi ótima. Eles nos trataram maravilhosamente. Não podemos ser gratos o suficiente. Estamos muito orgulhosos dessa nova fase. Temos alguns caras realmente talentosos. Eles estão trabalhando muito duro. Eles só querem tocar metal. E eu acho que o público percebe isso. As pessoas sentem quando o coração está no lugar certo, quando você está ali pelas razões certas. O Brasil tem uma das cenas mais intensas do mundo. Em que se diferencia o público brasileiro? Eu acho que a herança do metal é um fator importante. O Brasil tem grandes bandas. Somos bons amigos do Krisiun. Fizemos turnês com eles muitas vezes ao longo dos anos, especialmente nos anos 2000. E eu sinto que o metal está no sangue de vocês. Está na alma. Está no coração. Os fãs brasileiros têm esse coração e essa alma do metal. Isso está no sangue. E como você vê a evolução da base de fãs do Nile no Brasil ao longo dos anos? Nós só viemos ao Brasil uma vez por ano, às vezes nem isso. Então eu não acompanho de perto o que acontece o tempo todo. Mas toda vez que venho, vejo uma ótima audiência. Para mim, sempre foi assim. Por isso é difícil avaliar a evolução. Do meu ponto de vista, sempre foi um público forte. Falando sobre as composições, de onde surgiu a abordagem lírica baseada no Egito Antigo e culturas do Oriente Médio e da África? Foi algo que sempre nos interessou. Algo de que gostamos. O autor Samuel Clemens, mais conhecido como Mark Twain, disse uma vez: escreva sobre o que você conhece. Escreva sobre o que você gosta. Acho que esse é um bom conselho. Você deve criar sobre aquilo que realmente te interessa. Se você gosta de carros esportivos, então escreva sobre carros esportivos. Em algumas letras é possível notar paralelos entre eventos históricos e o sistema político atual dos Estados Unidos. Como você constrói essas metáforas? Eu acho que as pessoas continuam sendo as mesmas. A tecnologia avança. A civilização avança. Mas os seres humanos continuam basicamente os mesmos de milhares de anos atrás. É aí que vejo os paralelos. Quando vejo governos fazendo coisas terríveis, isso não é nada novo. Isso sempre aconteceu. É uma parte triste da condição humana, a forma como as pessoas se tratam. Depois de mais de três décadas de carreira, qual foi o momento decisivo da banda? Eu diria que foi quando fizemos nosso primeiro grande álbum. Houve um momento na primeira grande turnê que fizemos pelos Estados Unidos. Estávamos abrindo para o Morbid Angel. Viajávamos em uma van pequena, puxando um trailer pequeno, mas tínhamos atravessado o país inteiro. Eu já tinha ido para o outro lado dos Estados Unidos antes, mas nunca como banda. Quando estávamos olhando para o oceano, perto de Seattle, percebi que nossa música tinha nos levado até o outro lado do continente. Aquilo foi profundo. Pensei: o que mais podemos fazer? Há mais continentes para conquistar. Foi um momento muito marcante. Sim, é possível. Pode ser feito. Você tem alguma história curiosa ou engraçada no Brasil?

Entrevista | Joyce Manor – “Não tenho desejo de fazer curvas bruscas rumo ao épico”

O Joyce Manor consolidou-se na última década como uma das vozes mais autênticas do cenário punk/indie mundial. Recentemente, a banda de Torrance, Califórnia, lançou seu nono trabalho de estúdio, I Used To Go To This Bar, reafirmando a habilidade única de transformar angústias cotidianas em hinos curtos, rápidos e extremamente viscerais. O álbum mantém a essência “direto ao ponto” que os consagrou, mas traz camadas de maturidade sonora que mostram um grupo ainda disposto a experimentar. Em entrevista ao Blog n’ Roll, os integrantes (vocalista Barry Johnson, o guitarista Chase Knobbe e o baixista Matt Ebert) abriram o jogo sobre os bastidores da produção e a dinâmica de estúdio. Um dos pontos centrais da conversa foi a influência do lendário produtor Brett Gurewitz (Bad Religion), que desafiou a banda a equilibrar as novas tendências mais melódicas do indie rock com a energia explosiva e veloz que define o DNA do Joyce Manor desde o início da carreira. Durante o papo, Barry revelou uma honestidade desarmante ao falar sobre o conceito de amadurecimento. Ao contrário do clichê de “sabedoria adquirida com a idade”, Barry reflete sobre como se sente deslocado em relação aos próprios fãs que cresceram e assumiram responsabilidades adultas, enquanto ele permanece imerso na mesma rotina e espírito criativo de vinte anos atrás. A entrevista também mergulha nos detalhes técnicos e nas participações de peso, como a colaboração com o baterista Joey Waronker. A banda detalhou como foi a experiência de tocar com o atual baterista do Oasis, e como a presença dele ajudou a elevar a autoconfiança durante as sessões de gravação. Para a alegria dos fãs, o Joyce Manor deixou claro que, embora ainda não haja um plano concreto para este ano, o retorno aos palcos sul-americanos está no topo da lista de desejos para 2027. Barry, você mencionou que o Brett (Gurewitz, produtor e dono da Epitaph) insistiu em músicas mais rápidas quando você estava tendendo para um som mais indie. Como foi ceder a essa visão e como você vê o equilíbrio entre as raízes punk e a evolução indie da Joyce Manor neste disco? Barry Johnson: Quando estou escrevendo, foco em uma música por vez. No início, não penso no álbum como um todo; apenas vejo o que me inspira ou o que ando ouvindo. Estávamos gravando sessões de uma ou duas músicas e, na terceira sessão, o Brett notou que havia muitas faixas com sonoridade indie rock. Ele disse algo como: “acho que já cobrimos essa parte. Temos os momentos indie, mas seria bom equilibrar com momentos de alta energia”. Sinceramente, não aceitei muito bem no começo. Achei irritante. Pensei: “podemos simplesmente fazer um disco mais indie, não é obrigatório ser rápido”. Mas eu sabia que a motivação dele era tornar o álbum mais instigante. Não foi algo cínico do tipo “seus fãs vão gostar mais se for rápido”, mas sim a visão de um fã que queria ouvir faixas mais energéticas. Aquilo mexeu comigo. Comecei a escrever pensando se havia uma forma de apresentar as ideias de um jeito mais “para cima”. Fui um pouco mimado no início, mas depois passou e acho que o álbum ficou melhor por causa disso. Na faixa-título e em I Know Where Mike Chen Lives, há um olhar muito honesto sobre o passado sem romantizar o abuso de substâncias. Como foi revisitar essas memórias agora que você está em uma fase mais estável e sóbria? Barry: Eu não estou (sóbrio). Quer dizer, bebo um pouco menos e talvez use um pouco menos de drogas do que antes, mas não é uma diferença tão grande assim. Eu costumava ser jovem e bêbado, agora sou velho e bêbado (risos). Não estou olhando para o passado de um lugar de sabedoria ou aprendizado. Não houve aprendizado, não há um novo contexto ou perspectiva adquirida. Está tudo igual. O álbum traz elementos diferentes, como gaita e até uma vibe “cowpunk”. Como essas influências externas surgiram no som? Matt Ebert: O Chase tinha aquela gaita no bolso de trás, literalmente. Mas não acho que tenha relação com o “cowpunk”.  Chase Knobbe: Para mim, a gaita soa mais como The Clash ou The Libertines, que é o estilo que eu gosto. Eu não estava morrendo de vontade de usar uma gaita, apenas achei que ficaria legal naquela música específica. Acabei comprando uma depois de ter a ideia, não tinha nenhuma por perto. Sobre as diferentes instrumentações, muito veio do Brett. Em All My Friends Are So Depressed, há uma guitarra barítono no trecho instrumental. Ele sugeriu isso porque sentiu que a música precisava de um novo instrumento para quebrar a monotonia. Isso me fez pensar que não deveríamos ter medo de testar instrumentos que nunca usamos. Mas a gaita é algo fácil, palatável. Não é como se tivéssemos apelado para um keytar ou uma tuba. Joey Waronker (baterista do Oasis na turnê mais recente) tocou na faixa The Opossum. O que a presença dele trouxe para a energia da Joyce Manor no estúdio? Matt Ebert: Conhecendo o currículo dele, foi interessante chegar e perguntar: “você quer tocar essa música meio psychobilly com a gente?”. O estilo dele não é agressivo ou pesado, ele toca de forma suave e deliberada. Ele é um baterista incrível, mas não é de “perder o controle”. Vê-lo destruir naquela música foi muito legal.  Barry: Acho que ele se divertiu mais do que nas outras, porque raramente o chamam para tocar punk rápido. No estúdio, depois que a fita parava, você ouvia ele gritando: “acertei!”. Eu confesso que fiquei intimidado. Quando ele comentou que depois dali faria shows com o Oasis, minha síndrome de impostor bateu forte. Mas estou superando isso. Ele tocou com Paul McCartney, Roger Waters e Beck… e agora tocou com a gente. Poder dizer isso sem fazer uma piada autodepreciativa é bom para a minha autoestima. O disco é curto e direto, fiel à ética da banda. Você sente que a mensagem do Joyce Manor só funciona com essa urgência ou se vê escrevendo

Entrevista | Halestorm – “Se dependesse de mim, eu iria para o Brasil todo mês”

A contagem regressiva para a tão esperada volta do Halestorm ao Brasil já começou! Em abril, a banda desembarca no país com a turnê do aclamado álbum *Everest*, prometendo shows inesquecíveis. Arejay Hale, o carismático baterista, compartilha histórias hilárias dos bastidores, sua paixão pela perfumaria e a conexão especial que sente com o Brasil. Ele revela: “Se dependesse de mim, eu iria para o Brasil todo mês!” Prepare-se para uma conversa cheia de energia, música e a expectativa de um festival histórico ao lado de lendas do rock. Não perca!