Entrevista | Dre Araújo – “Sem cultura, comunidades não teriam força”

A rapper Dre Araújo, 24 anos, será uma das artistas que vai se apresentar na ação Juntos Pela Vila Gilda no Bloco do Rap neste sábado (25), a partir das 22h30. Ela que desde criança gostava de rimar, se encontrou nas disputas de 2015, na Batalha da Conselheiro, em Santos. “Foi aonde eu falei: isso que eu quero fazer da vida!”, explica.  Dre lembra de pessoas que a fizeram acreditar em seu potencial. “Eu vou para cima. Tive todo o apoio do Jota, também dos meninos da organização, do Cres e o Azul. Isso para mim foi maravilhoso, porque eu consegui me manter firme. Com medo lógico, muito, mas sempre com o pé no chão confiante da minhas rimas e foi essa força que me trouxe até aqui”. Sobre ser uma das referências de mulheres que batalharam em Santos, Dre comenta.  “As batalhas da Baixada Santista têm sempre um lugar muito especial no meu coração. Foi onde tudo começou, foram as pessoas que me apoiaram, são especiais para mim.  A maioria são meus amigos, gente que estudou comigo na mesma escola como a Thammy Iannuzzi, que é uma mina que admiro muito e conheço há  muitos anos. Me sinto muito feliz muito lisonjeada por ter gente assim do meu lado, por ter gente que que realmente me apoia e se espelha no meu corre para fazer o seu corre virar também. Então, isso para mim é maravilhoso”. A batalha continua… Atualmente, a artista se encontra em Itajaí, Santa Catarina, mostrando que realmente leva jeito pra coisa. Dentre várias batalhas que já participou, ela cita a seletiva classificatória do regional 2018 como a mais marcante.  “Ganhei e fui defender o estado de Santa Catarina lá no Rio Grande do Sul, que foi onde eu perdi para o Pedrinho. Mas eu consegui mesmo assim ir para o nacional representar o estado e toda essa trajetória.  Aprendi que a persistência e o foco te levam a lugares que você nem poderia imaginar. Então, essa batalha me deixou inspirada para a vida, porque foi ali que começou mais uma etapa do meu sonho”.   Dre Araújo Para suas próximas batalhas, Dre vai participar da Guerra dos Campeões neste domingo (25), por transmissão online no Youtube, às 16h. “É uma batalha da América Latina. São batalhas com etapas diferentes daquelas que estamos acostumados, tem temas, regras, modalidades. Vou adorar participar”.  Produções musicais Para os próximos lançamentos, Dre está trabalhando na produção musical do EP Cíclico. “ Terão seis músicas. Estou trabalhando duro nele. Sempre me dediquei mais às batalhas de rima, mas agora me sinto mais à vontade com meu lado musical. Nele, eu coloco muito do que tenho vivido ultimamente. Acredito que seja o que a maioria tá vivendo e essa identificação é o que me impulsiona. A conexão com histórias reais baseada em coisas que realmente tá no nosso cotidiano”. Nessa pandemia, Dre diz que tem conseguido compor, mesmo com o mundo mudando.  “A pandemia trouxe um caos pelo mundo inteiro e entre casa e trabalho, sala e cozinha, eu escrevo coisas do meu dia a dia. Esse cotidiano ultimamente tem sido o dia a dia de quase todo mundo né? Geral com sensação de medo, e as paralisações das atividades causou bastante turbulências emocionais, e de alguma forma isso inspira a escrever”. Dre Araújo no Juntos Pela Vila Gilda Dre ressalta a importância de somar ao festival Juntos Pela Vila Gilda neste sábado (25), que visa arrecadar 2 mil cestas básicas aos moradores da região.  “É importante o fortalecimento das instituições e dos movimentos, que de alguma forma fortalecem a cultura e as comunidades. Sem a cultura, as comunidades não teriam ritmo, não teriam força. A importância disso é incalculável, porque pode ajudar muita gente e isso me deixa feliz. Fazer parte disso para mim é muito bom agradeço o convite”. Dre Araújo

Entrevista | Coruja BC1 – “Só passaremos dessa fase de mãos dadas”

O rapper Coruja BC1 será uma das atrações do festival online Juntos Pela Vila Gilda, neste sábado (25). O artista, uma das referências do rap nacional, vai compor o Bloco do Rap, que tem início às 22h30. A iniciativa conta com mais de 200 artistas para arrecadar cestas básicas aos moradores da maior favela sobre palafitas do Brasil, a Vila Gilda, em Santos.  “É importante não só a mobilização dos artistas e cantores, mas da sociedade como um todo. Estamos atravessando um dos períodos mais sombrios que já vivemos em todos os sentidos, seja pelo fato de estarmos passando pela pandemia ou pelo abismo da necropolítica que foi institucionalizada. Só passaremos dessa fase de mãos dadas!”  Coruja BC1 Versatilidade é um ponto forte de Coruja Coruja tem dois álbuns lançados, No Dia dos Nossos (2017) e Psicodelic (2019), as mixtape Até Surdo Ouvir (2012) e A Voz do Coração (2014), além de singles. Em maio deste ano, ele soltou o EP Antes do Álbum. E dessa produção, recentemente liberou o videoclipe da faixa Baby Girl feat Cazz Prod. Grou e Som de Fazer Pivete feat Késia Estácio e Prod. Dj Will.  Músicas como Modo F., NDDN, Apócrifo e Fogo, expressam uma sonoridade bem pesada, crua e com letras muito bem elaboradas. Assim, Coruja consegue expressar as injustiças sociais e raciais da nossa sociedade. Mas a versatilidade é uma habilidade de Coruja, que consegue trazer, por exemplo, lovesongs únicas como Éramos Tipo Funk e Dopamina, presentes na produção Psicodelic.   A música Ressaca, também uma lovesong, que saiu no primeiro semestre de 2020, tem uma estética e sonoridade bem diferente das produções anteriores de Coruja. Sobre essas diferenças, ele afirma que sempre procura explorar novas possibilidades. “Estou sempre buscando sair de minha zona de conforto, sempre mantendo a rédea dos meus trabalhos. Explorar novas possibilidades sonoras é o que os músicos que eu mais admiro fazem. Me enxergo e me encontro nessa mesma lógica”. Cara de Hit Sobre os próximos lançamentos, Coruja afirma que está com trampo novo e parece que vem com tudo. “Tem sim, só não tenho data ainda. Mas essa tá com cara de hit, palavras de um amigo meu”. Em seu próximo álbum a ser lançado Brasil Futurista, ele também promete surpreender. Segundo ele, podemos aguardar “uma musicalidade diferente de tudo que está acontecendo na cena”.  Falta da presença do público Durante a pandemia de Covid-19, Coruja afirma não ter tido dificuldade para criar, mas sim se adaptar à nova realidade. “Confesso que ainda não me acostumei com esse lance de live. Sinto muita falta do público, na verdade é o público que nos move. Sobre compor, não tive dificuldade ainda para criar, embora esse período tenha trazido um certo desconforto e exaustão mental pra mim”.

Entrevista | Thiago Espírito Santo: “Todos os artistas devem se unir”

Com mais de 20 anos de carreira, o instrumentista Thiago Espírito Santo vem acumulando conquistas em seu portfólio. O musicista, que já se apresentou em mais de 10 países, já colaborou com grandes artistas da música brasileira, como Toquinho, Maria Bethânia e O Teatro Mágico. Ademais, o músico é um dentre os 200 artistas que participará do Juntos Pela Vila Gilda. Thiago é conhecido por suas composições. Ele compõe a partir de solos de guitarras, ou em violão, onde dedilhar e cantarolar são suas maiores fontes criativas. “Minhas inspirações e ideias não tem um método exclusivo, mas viso estar sempre buscando harmonia entre as melodias. Minha última música foi composta em menos de um dia”. “No dia da super-lua, fiquei olhando para ela no céu e realmente estava incrível. A partir dessa inspiração consegui compor de uma vez”, conta. Conciliando duas profissões Thiago também trabalha como mentor musical. E em tempos de pandemia, ser professor tem sido sua maior fonte de renda. “Sou filho de uma professora, então a música está presente em minha vida desde sempre. Trabalho como professor há 22 anos, e sempre considerei o ensino muito importante; quanto mais eu ensino, mais aprendo, então é sempre muito prazeroso”. “Atualmente tem sido de extrema importância, tem sido minha entrada principal de renda. Tenho ocupado meu tempo como mentor e dando aula; não tem sido complicado porque eu falo sobre o que vivo”. Thiago teve muitos projetos interrompidos devido a pandemia. Assim como ele, outros artistas não poderão seguir com a agenda profissional. “Muitos amigos meus também tiveram os compromissos interrompidos; foi um verdadeiro baque. Minha sorte é que eu dou aula há bastante tempo, e sempre investi nisso”. Dicas para novos artistas O músico deixou um recado para pessoas que sonham em viver de arte, mas que tem medo entrar nesse mundo: Manter a cabeça e o coração aberto é a primeira regra. Não há certo e nem errado, melhor ou pior. Quem hoje está se apresentando em grandes palcos, tem uma trajetória e uma história por trás. Não é fácil. Se você está começando, não olhe para algum artista achando que você vai conseguir ser igual. Admire, se inspire nele, e a partir disso crie seu próprio estilo. Nunca será possível copiar alguém; cada um tem sua essência. Respeite o próximo e o seu tempo. Vai dar certo! Thiago Espírito Santo Juntos pela Vila Gilda Thiago Espírito Santo é presença confirmada no Juntos Pela Vila Gilda, que ocorrerá neste fim de semana. Para ele, é fundamental ajudar as pessoas neste período de incertezas. “Vivo de música há mais de 26 anos; já estou dentro do mercado há muito tempo. Reconheço meus privilégios, mas infelizmente nem todos possuem oportunidades, deixando de ter acesso ao básico de higiene, alimentação, saúde. Muitas pessoas não conseguem acesso aos cuidados mínimos. É uma situação muito delicada”. “Todos os artistas devem se unir para ajudar as pessoas que vivem em uma realidade diferente. É uma honra poder contribuir com minha música e poder participar desse movimento que visa levar mais alegria pras pessoas”, conclui Thiago.

Entrevista | Thiago Espírito Santo – “Todos os artistas devem se unir”

Thiago Espírito Santo

Com mais de 20 anos de carreira, o baixista Thiago Espírito Santo vem acumulando conquistas em seu portfólio. O musicista, que já se apresentou em mais de dez países, colaborou com grandes artistas da música brasileira, como Toquinho, Maria Bethânia e O Teatro Mágico. Ademais, o músico é um dentre os 200 artistas que participará do Juntos Pela Vila Gilda. Thiago é conhecido por suas composições. Ele compõe a partir de solos de guitarras, ou em violão, onde dedilhar e cantarolar são suas maiores fontes criativas. “Minhas inspirações e ideias não tem um método exclusivo, mas viso estar sempre buscando harmonia entre as melodias. Minha última música foi composta em menos de um dia”. “No dia da super-lua, fiquei olhando para ela no céu e realmente estava incrível. A partir dessa inspiração consegui compor de uma vez”, conta. Conciliando duas profissões Thiago também trabalha como mentor musical. E em tempos de pandemia, ser professor tem sido sua maior fonte de renda. “Sou filho de uma professora, então a música está presente em minha vida desde sempre. Trabalho como professor há 22 anos, e sempre considerei o ensino muito importante; quanto mais eu ensino, mais aprendo, então é sempre muito prazeroso”. “Atualmente tem sido de extrema importância, tem sido minha entrada principal de renda. Tenho ocupado meu tempo como mentor e dando aula; não tem sido complicado porque eu falo sobre o que vivo”. Thiago teve muitos projetos interrompidos devido a pandemia. Assim como ele, outros artistas não poderão seguir com a agenda profissional. “Muitos amigos meus também tiveram os compromissos interrompidos; foi um verdadeiro baque. Minha sorte é que eu dou aula há bastante tempo, e sempre investi nisso”. Dicas para novos artistas O músico deixou um recado para pessoas que sonham em viver de arte, mas que tem medo entrar nesse mundo: Manter a cabeça e o coração aberto é a primeira regra. Não há certo e nem errado, melhor ou pior. Quem hoje está se apresentando em grandes palcos, tem uma trajetória e uma história por trás. Não é fácil. Se você está começando, não olhe para algum artista achando que você vai conseguir ser igual. Admire, se inspire nele, e a partir disso crie seu próprio estilo. Nunca será possível copiar alguém; cada um tem sua essência. Respeite o próximo e o seu tempo. Vai dar certo! Thiago Espírito Santo Juntos pela Vila Gilda Thiago Espírito Santo é presença confirmada no Juntos Pela Vila Gilda, que ocorrerá neste fim de semana. Para ele, é fundamental ajudar as pessoas neste período de incertezas. “Vivo de música há mais de 26 anos; já estou dentro do mercado há muito tempo. Reconheço meus privilégios, mas infelizmente nem todos possuem oportunidades, deixando de ter acesso ao básico de higiene, alimentação, saúde. Muitas pessoas não conseguem acesso aos cuidados mínimos. É uma situação muito delicada”. “Todos os artistas devem se unir para ajudar as pessoas que vivem em uma realidade diferente. É uma honra poder contribuir com minha música e poder participar desse movimento que visa levar mais alegria pras pessoas”, conclui Thiago.

Entrevista | Diego Alencikas – “A música salva!”

Diego Alencikas

Diego Alencikas é um dos representantes do MPB na Baixada Santista. Autor do single Um Barraquinho, ele apresenta composições poéticas, capazes de encantar a todos os apreciadores de arte popular. O artista tem aproveitado a quarentena para compor ainda mais e continuar se apresentando por meio de lives. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Diego comentou a cena do MPB na Baixada, os efeitos da pandemia e seus projetos futuros. Você é uma figura conhecida na cena musical santista. Como avalia o atual cenário do MPB? Diego Alencikas: Vejo gente muito boa, fazendo música brasileira, esse caldeirão, essa mistura de influências que chamamos de MPB. Porém, você dificilmente vai ouvir esses artistas nas rádios e/ou grandes mídias, e eles provavelmente terão números menores de visualizações, seguidores e “likes”, esses tão valorizados hoje em dia. Já pra quem valoriza a nossa riquíssima cultura, tem muita coisa boa sendo produzida sim. Como você tem apresentado seu trabalho nessa pandemia? Acredita que as plataformas de streaming estão fazendo a diferença? Diego Alencikas:  Eu quis investir mais no audiovisual, que eu já vinha estudando e me aprimorando há alguns meses. Produzir bons vídeos, que antes poderia ser considerado como um diferencial, hoje se tornou algo fundamental para o artista. Primeiro eu lancei uma série de vídeos chamada #CadaUmNaSua, onde postava toda segunda-feira vídeos tocando versões de músicas. Cada músico gravou seu instrumento na sua casa, com seu celular, e eu fiquei responsável pelas edições. Depois realizei algumas lives através das minhas redes sociais e também de algumas casas parceiras, na mesma data em que tinha show marcado, sempre pensando na melhor maneira de entregar essas apresentações. Tive cuidado com o áudio, vídeo, cenário, iluminação, além do que sempre será o primordial e principal, a música. Atualmente, estou finalizando as gravações de três canções autorais que serão lançadas com videoclipe, tudo gravado dentro de casa, com as ideias e soluções criativas que o momento exige. As plataformas de streaming permitem a distribuição de todo esse material produzido. Com certeza estão tendo mais procura e auxiliando muitas pessoas nesse momento, tanto artistas quanto público. As pessoas consomem arte como uma forma de “remédio” e a música tem esse poder terapêutico, transformador. Quais são seus projetos futuros? No segundo semestre farei lançamentos de novas músicas autorais e videoclipes, tudo gravado dentro de casa. E assim que for seguro, pretendo realizar mais lives, porém com meus companheiros músicos participando, o que optei por não fazer até agora em respeito ao isolamento social. Juntos pela Vila Gilda O cantor Diego Alencikas é uma das atrações confirmadas no evento Juntos pela Vila Gilda, que acontece no dia 25 de julho. Diego já participou do arraial do Arte no Dique, e diz que sua participação é um pequeno ato, uma contribuição musical simples. Entretanto, quando somado a todos os outros artistas envolvidos, com certeza fará a diferença, além de ser um evento muito prazeroso. “Eu sempre me apresentei em outros eventos da comunidade e sempre fui muito bem recebido pelos moradores, tenho muito carinho por todos”. “Eventos como este mostram que a música salva! Que juntos somos capazes de fazer, pelo menos, uma pequena diferença na vida de pessoas que infelizmente estão passando necessidade devido aos efeitos da pandemia e de um problema ainda maior que é a desigualdade social do nosso país”, conclui.

Entrevista | Beline – “A música em prol de alguém, se torna algo muito maior”

O Juntos Pela Vila Gilda irá reunir diversos artistas em prol de uma única causa: ajudar o próximo. Entre eles, estão os caras da Beline. Nando (guitarra e vocal), Erick (baixo) e Matheus Oliveira (bateria), não carregam apenas o mesmo sobrenome, como também, a paixão pela música. O nome da banda faz referência ao renascentista Bellinni e isso não é em vão. Após um período sem tocar, decidiram se juntar em um projeto que seria para eles como uma forma de renascer. “A Beline veio como uma luz, trazendo à tona nossos sentimentos que foram avivados com tudo o que temos hoje”, diz Nando. Essa experiência faz com que a banda transmita ao público, através de seu trabalho, a mensagem de reinvenção e ressignificados, além do autoconhecimento que para eles não é algo efêmero, mas sim um processo. “Queremos que as pessoas se tornem cada vez melhores através deste processo. Que sejam mais felizes com o que fazem e com quem elas são”, comenta o vocalista. Beline no 16º Curta Santos Em outubro de 2018, a Beline conquistou o prêmio Videoclipe Caiçara no 16º Festival Curta Santos com seu clipe de estreia, Intangível. “Nós tínhamos gravado o nosso primeiro clipe e vimos a oportunidade de participar do evento”, relembra Nando. “Fizemos a inscrição e, de repente, recebemos a notícia de que estávamos entre os dez, então fomos a voto popular e acabamos ganhando”. Em síntese, o clipe dirigido por Matheus Correia e finalizado por Bruno Canuto levou o troféu com 1.500 votos. “Santos certamente é a casa de muitos artistas como nós e ficamos felizes pelo reconhecimento do nosso trabalho. E é claro, ver nosso clipe em uma tela de cinema foi muito legal”, brinca. O encontro do ser no Elemento Sorte O EP Elemento Sorte (2019) veio como um complemento do EP Experimental (2018), que fala sobre o autoconhecimento através de erros e acertos. “Elemento Sorte é uma segunda etapa do processo de busca do autoconhecimento. É quando você vivencia algo que conquistou durante este trajeto”, explica Nando. O trabalho possui quatro faixas e entre elas está o single Somos Vidas, lançado em dezembro do ano passado. O clipe gravado no antiquário, em Santos, traz o encontro do passado com o presente, bem como a música que carrega consigo a mensagem deste encontro. “Somos Vida, é como olhar para o espelho e falar: ‘não desista dos seus sonhos e das suas convicções’, porque eu sou feito deles, e se eu não estou crente disso, eu trilho um caminho oposto ao que acredito e logo, deixo de viver”, diz Nando. “Afinal, para mim, ter vida é ser alegre, feliz, completo”. Se reinventando em meio ao coronavírus Que a pandemia causada pelo novo coronavírus afetou todo o cenário artístico, não é novidade. Com a Beline, não foi diferente. A banda tinha diversos projetos e lançamentos para este ano, que tiveram que ser replanejados, bem como shows adiados. Entretanto, Nando vê a situação como uma oportunidade para se reinventar, afinal, este é o lema da Beline. “Nós estamos exercendo a Beline e nos reinventando em meio a este caos. Vejo como um momento de reflexão, de planejamento, não só profissional, como também artístico”, diz. “Estamos aprendendo coisas novas, inovando e buscando a melhora do nosso trabalho”. Para Nando, é importante vermos o copo mais cheio do que vazio. Beline no Juntos pela Vila Gilda Para o evento, a Beline separou seus dois singles: Intangível e Somos Vida, que serão apresentados por Nando. A banda acredita na importância da mobilização das pessoas e que há uma aproximação com o público, mesmo que à distância. “No momento em que temos a oportunidade de usar nosso trabalho para ajudar as pessoas, tudo faz mais sentido. Tudo se torna mais especial e isso nos dá força pra continuar”, diz. “E quando você usa a música em prol de alguém, ela se torna algo muito maior”, conclui o vocalista.

Entrevista | Zebra Zebra – “O artista tem sensibilidade para transformar o mundo”

Parte do lineup do Juntos Pela Vila Gilda, a Zebra Zebra não se reúne presencialmente desde o começo do ano, devido à pandemia. Os membros estão seguindo rigorosamente às orientações da OMS. Paralelamente, a banda também passa por uma mudança de formação, já que o guitarrista Eric foi morar no Canadá. Cada integrante tem produzido e gravado remotamente, experimentando a captação feita em casa pelo celular. Isso inclui um projeto paralelo chamado MAPA: Música Atemporal Para Aliviar, com intuito de passar mensagens positivas e fazer as pessoas se sentirem bem durante a quarentena através da música, em versões cover. O projeto é de integrantes da banda com outros artistas. O último lançamento oficial da banda foi o single Regra, Sermão e Temaki, de 2016. O single sucessor precisou ser “modificado” por conta da pandemia. Segundo o vocalista Kennedy Lui, tiveram que readaptar a ideia do lançamento de um clipe inédito. “Estamos no processo de finalização, acredito que esteja 70% pronto”. Lições da pandemia e o futuro do mundo Entre as lições da pandemia, o vocalista cita que “o ser humano precisa se compreender melhor, já que essa [pandemia] é uma resposta do meio ambiente para a nossa ação humana desregrada. Com a pandemia, aprendemos a diferenciar quem está de fato disposto a pensar no coletivo e quem só pensa no individual”. Segundo ele, isso se aplica à classe artística também: “o artista tem uma sensibilidade maior para transformar o mundo em um lugar melhor, seja por reflexão ou entregando alegria por meio de músicas felizes”. Kenney, inclusive, reclama da falta de noção de alguns músicos, principalmente da cena mainstream, em meio ao isolamento social. “São artistas cheios de dinheiro já, querendo fazer live sem necessidade. Outros nem ganham nada. Fazem a live no condomínio só por fama”, explica. Para o artista, não existe um ‘protocolo respeitado’ sem o confinamento e testagem de vírus de todos os integrantes e pessoas envolvidas na produção de uma live. Sobre o futuro, Kennedy imagina uma reestruturação de espaços públicos, com provas de que os ambientes culturais, especialmente bares e teatros, estejam bem higienizados e esterilizados. “Para que as pessoas se sintam mais confortáveis e cuidadas em um evento”, contou. Críticas políticas No Carnaval de 2019, a Zebra Zebra lançou o clipe de uma marchinha, intitulada Marchinha do Laranja. Ela fazia uma crítica ao ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. A música teve uma altíssima repercussão durante o carnaval, mas a banda sentiu um impacto: os seguidores que apoiavam o Bolsonaro diminuíram, mas Kennedy garante que o acontecimento foi positivo. “Estamos num momento que a banda não compactua com nenhuma ideia que ele tenha, então fico até feliz que essas pessoas saíram da nossa vida”, contou Kennedy. Esse ano, a banda lançou a Marchinha da Fartura, que era uma crítica ao esquema de rachadinha de Flávio Bolsonaro. Porém, segundo o vocalista, a música não obteve tanto sucesso por também criticar o governo PT. Juntos Pelo Vila Gilda Para a Zebra Zebra, existe o desafio de ter a saída de um integrante e não conseguir ensaiar com o novo membro. Mas isso não atrapalhará o evento: “o convite foi muito agradável, estamos preparando a releitura de uma música do nosso primeiro disco, e se tivermos tempo entregaremos também uma música inédita especial para a live”, conta o músico. Segundo ele, é ótimo ajudar da maneira que eles fazem melhor, que é tocando, por uma causa que é fundamental. “Acho maravilhosa a iniciativa, é um marco histórico dentro da música da nossa região, estou muito feliz de fazer parte disso”.

Entrevista | 2DE1 – “Precisamos nos unir para construir uma rede de apoio”

O gêmeos do 2DE1 posam para foto.

A vida dos santistas Felipe e Fernando Soares se cruzou na barriga da mãe. Até o sétimo mês da gestação, ela acreditava que em seu ventre havia um único bebê. Os dois corações se sincronizavam, ecoando uma mesma batida. Com esta simbologia, surgiu assim o nome da dupla: 2DE1. A carreira começou no quadro infantil Novos Talentos, do programa televisivo de Raul Gil em 2007. Com 13 anos, os gêmeos cantaram a canção Que Nem Maré, de Jorge Vercillo. Retornaram ao programa com 15, fazendo várias aparições por um ano e meio e alcançando uma boa visibilidade. Posteriormente, em 2014, se lançaram como 2DE1 com um EP homônimo de seis faixas, que foi inserido na trilha sonora da websérie “O Lar de Todas as Cores”. Iniciaram seu som no black music e no R&B, mas foram se moldando com o tempo (e com os discos). Suas influências são Amy Winehouse, Silva, Tulipa Ruiz, The Weekend e Cauby Peixoto. Em seu perfil no Spotify, ainda criaram duas playlists recheadas de canções originais: Fazendo o secso com amorzinho e Lidando com a Ferida. No palco, os dois fazem uma bela apresentação performática. Fernando se torna a drag queen Triz e toca violão e sintetizador. Felipe também não deixa de lado a maquiagem e os figurinos exóticos, tocando vários intrumentos, como guitarra e piano. Ao lado de um baterista e backing vocals, o 2DE1 não desfoca o espetáculo visual. Transe Com o selo da produtora musical Freak, o disco de estreia foi lançado em 2017. Transe é composto por canções de autoaceitação, afeto, amor e liberdade, com um toque de eletrônica e pop. Sua divulgação foi criativa: a agência AKQA – SP, ao lado da dupla e da Freak, cuidou da identidade visual e da panfletagem de Transe. Nos folhetos, haviam trechos das canções do álbum e um link que levava o usuário a tirar uma selfie, podendo assim ouvir as canções e descobrir a fonte de inspiração para as frases da campanha. O sistema exibia uma imagem dividida com a foto de outro usuário que acessou a mesma mensagem. Para ressaltar o discurso do álbum, a ação atingia pessoas que se identificassem com o desejo de liberdade pessoal, incluindo no amor e no sexo. Como resultado, mostravam que independente de qual seja a sua orientação sexual, você nunca estará sozinho. Esqueça isso de que amor livre é putaria ou bacanal, a gente está falando da liberdade de amar, quem, como, quantas pessoas quiser. Liberdade de ser. 2DE1 Ferida Viva Influenciado ainda mais pelo R&B, o último álbum do 2DE1 foi lançado em 25 de outubro de 2019 e simboliza a nova fase da dupla. Com os sentimentos expostos, Ferida Viva traz mais do que nunca a conexão entre os irmãos. Suas canções abordam “do medo à ansiedade, dos romances à solidão”, sendo inteiramente produzido por Felipe. Já a direção criativa ficou por conta de Fernando. O disco conta com parcerias como Jup do Bairro na faixa Caju e Natália Noronha, vocalista da banda Plutão Já Foi Planeta, cantando na faixa Desencontro.  Em entrevista ao Blog n’ Roll, o 2DE1 comenta sua evolução musical, principais desafios da carreira e sua participação no Juntos Pela Vila Gilda. Mesmo parecidos fisicamente, isso ocorre nos gostos e personalidade também? Quais as principais distinções entre vocês? Nós temos muito mais similaridades do que diferenças. Morar juntos, trabalhar juntos, sair juntos e a forma de enxergar a vida fazem com que nos pareçamos muito. De qualquer forma, temos sim nossas diferença. O Fernando por exemplo é o letrista da banda, o Felipe o produtor musical, a gente acaba dividindo bem as funções no que cada um faz melhor. Ou até mesmo a diferença na orientação sexual, por exemplo. Fernando é gay, Felipe hétero. Sentiram alguma dificuldade em crescer musicalmente na Baixada Santista? Se sim, qual? Santos é nossa cidade natal, onde aprendemos muito e crescemos como artistas, mas ainda assim é uma cidade com menos recursos e mais distante de lugares que precisamos conviver no dia-a-dia para a construção da nossa carreira. Por isso estamos em São Paulo. Por ser uma capital, permite um maior volume de contatos. A menor distância de estúdios, produtoras e eventos facilita que a gente more aqui. Durante a pandemia, vocês lançaram o clipe de Beijo Grego e Vício Desmedido em parceria com Ton Alves. Além disso, como têm se reinventado nesta época? Confessamos que está bem complicado lidar com a pandemia, não conseguimos tirar muita inspiração desse momento que é definitivamente ruim. Então temos nos dado um tempo pra produzir as coisas com calma e paciência, respeitando nosso tempo de criação. Mas o fato é que estamos em casa, juntos, e disso acabam surgindo algumas ideias, como o clipe de Beijo Grego, ou a série #BrisaNossaSessão. Tudo isso pra tentar desafogar um pouco dessa sensação ruim que a pandemia e o isolamento social proporcionam. O 2DE1 irá participar do Juntos Pela Vila Gilda. Como vocês enxergam a importância de projetos beneficientes para a Baixada Santista? A gente acredita que a pandemia acaba por acentuar as situações de vulnerabilidade das pessoas, e precisamos nos unir para construir uma rede de apoio, como o projeto Juntos Pela Vila Gilda. Projetos como esse permitem uma ajuda paliativa para esses momentos de aprofundamento da crise. Queremos sim falar sobre o futuro próximo, sobre mudanças no sistema, que é o que a gente vem bradando e lutando para, mas pra falarmos sobre futuro é preciso também estarmos vivos. Por isso esses projetos são tão relevantes em momentos como esse.

Entrevista | Julio Igrejas – “A música tem um poder transformador”

A banda gaúcha Julio Igrejas foi criada em dezembro de 1995. Entretanto foi apenas em 1997 que fez seu primeiro show e gravou sua primeira fita demo. Em resumo, 1996 foi destinado para a criação de músicas, ensaios e testes de formação. “Nessa época era muito difícil gravar músicas, ao contrário de hoje, que praticamente todo mundo consegue gravar em casa e com qualidade muito boa”, diz o vocalista, Christian Satã. Duas décadas é muito tempo, e de lá pra cá, muitas coisas mudaram no cenário musical. Desde a tecnologia ao marketing de divulgação, e para Christian a segunda é a mais significativa. “O final dos 1990 e o início dos anos 2000 foram maravilhosos para o cenário underground, nessa época tínhamos shows sempre lotados e um público muito sedento por novidade, o que nos dias atuais infelizmente não acontece”, comenta. “Entre as mudanças mais significativas colocaria a forma como a música é divulgada. Nós começamos com a fita cassete Demo Ska Punk (1997), passamos pelo CD-r caseiro, Músicas de Amor (2002), pelo CD-r industrial, Perfil (2006), pelo CD prensado, Descongelando Corações (2014) e chegamos à era digital com O Último Álbum (2019)”, completa. Além de Christan Satã (guitarra e vocal), a banda também conta com o talento de Luan Sanchotene (baixo e vocais) e Arthur Pitt (bateria). A era digital e O Último Álbum A princípio o nome O Último Álbum foi dado ao CD porque, provavelmente, será o último álbum lançado em mídia física. “Logo após o lançamento do Descongelando Corações, começamos a compor músicas novas para o próximo trabalho”, comenta o vocalista. Entretanto, durante o processo criativo, a banda passou por uma troca de baterista, fazendo com que oito músicas fossem arquivadas. “Depois que o baterista novo estava completamente entrosado com a banda, começamos a trabalhar naquelas oito músicas e mais algumas novas. Em 2018 entramos em estúdio para gravar as 15 músicas que estão no CD”. Além da primeira explicação para o nome do álbum, há mais uma, segundo Christian. “Decidimos fazê-lo como se fosse última coisa das nossas vidas, ou seja, com uma dedicação total”. Ska Punk Talk Show na quarentena Ska Punk Talk Show nasceu de uma brincadeira do Rafael e o Giordano, da banda Estragonoff. Antes do início da pandemia as bandas estavam preparando um show conjunto. “Queríamos fazer um evento diferente, tínhamos várias ideias”, diz Satã. Neste ínterim, veio a pandemia e o show foi adiado, mas eles não desistiram de trabalhar juntos. Então combinaram de fazer uma live em conjunto, que seria conduzida por Christian. “A ideia inicial era uma hora com cada um. Mas o papo rendeu, pessoal que estava acompanhando curtiu muito e acabamos fazendo duas horas com cada, totalizando quatro horas de live”. Infelizmente a primeira hora da live não foi gravada, entretanto um amigo percebeu e logo após gravou as horas que sucederam, se tornando o responsável pela captação e edição do programa. “Se não fosse ele, Ska Punk Talk Show seria só uma live pra quem viu na hora”. Devido à propagação do novo coronavírus, outros trabalhos da banda também precisaram de adaptação. Julio Igrejas no Juntos Pela Vila Gilda “Eu acredito que a função mais importante de uma banda é participar de ações sociais, tanto que sempre que somos convidados a participar de eventos como o Juntos Pela Vila Gilda, fazemos questão de nos envolvermos”. “Ter a possibilidade de ajudar pessoas que passam por necessidades é o mínimo que podemos fazer. A gente sempre tenta passar a ideia de alegria e de amor. Acredita que a música tem um poder transformador”, finaliza. Por fim, a banda decidiu fazer surpresa e não revelar o nome das músicas que irão apresentar, mas deixaram o spoiler: são duas músicas d’O Último Álbum.