Explicando o longa “Não Olhe Para Cima”

Engenharia do Cinema Quando sai da sala de exibição do longa Não Olhe Para Cima (sim, este filme passou nos cinemas brasileiros), no começo de dezembro, uma coisa era certa: galera iria polemizar este filme, sem sequer dar ao trabalho de entender o verdadeiro motivo de sua narrativa. Lançado pela Netflix em seu catálogo em 24 de dezembro, muitos debates têm sido feitos até então, com relação ao fato da produção escrita e dirigida por Adam McKay (O Âncora) ser feita apenas para um “nicho de espectador” e que principalmente “foi feita para atacar o governo brasileiro” (sim, este absurdo vem sido citado por várias pessoas). Anunciado no início de 2020 (como você pode ver a noticia publicada por nós aqui, foi antes da pandemia), Não Olhe Para Cima começou contratando Jenniffer Lawrence e originalmente seria lançada em 2020. Mas por conta da pandemia, acabou sendo jogada para este ano. Mas em recentes entrevistas durante a divulgação e campanha para o Oscar 2022 (que possivelmente veremos a produção em várias categorias), o próprio McKay garantiu que o escopo da produção é uma sátira que demonstra o comportamento do ser humano em relação ao aquecimento global. A história gira em torno dos astrólogos Dr. Randall Mindy (DiCaprio) e Kate Dibiasky (Lawrence), que acabam descobrindo a existência de um cometa que está prestes a colidir com a terra. Com um prazo de seis meses até o impacto, vemos a trajetória de ambos, ao tentar convencer o mundo que ele está cada vez mais perto do fim. Em meio a esse processo o longa nos apresenta várias situações distintas, como se fossem verdadeiras esquetes sobre os mais diversos comportamentos humanos. Imagem: Netflix (Divulgação) A começar pelo grande interesse da sociedade em se ligar mais para a vida amorosa de celebridades, do que o fato do mundo estar prestes a acabar. Quando a classe política coloca as mãos na situação, o longa se torna uma crítica mais séria e mostra por vários ângulos que o ser humano não está preparado para lidar com este tipo de situação. Todos acabam defendendo mais o próprio ego, ao invés do iminente fim do planeta terra. Isso é apresentado em diversas cenas, seja pela celebridade (vivida por Chris Evans) que apoia uma causa que não entende (como até membros do elenco deste filme o fazem), a mídia jornalística fazendo pouco caso da situação, comentários em redes sociais, memes e até mesmo algoritmos de dispositivos eletrônicos que “escondem” os fatos para mostrarem coisas supérfluas. Inclusive alguns personagens são subornados por de baixo dos panos, para adequar algumas opiniões para a sociedade, com o linguajar de bom samaritano (como ocorreu com o cientista vivido por DiCaprio). Vale ressaltar e deixar claro que em momento algum é citado posicionamentos políticos ou algo do tipo, apenas como o ser humano é ignorante como um todo. Tudo é apenas em prol do próprio ego, e em momento algum paravam para analisar o que estava ocorrendo (tanto que a decisão de explorar recursos do cometa, sequer foi analisada por especialistas da área e sim por “algoritmos de computadores”, ou seja, iria dar errado). E como estamos vivendo um contexto de pandemia, muitas pessoas estão interligando com situações aos quais vivenciamos e automaticamente “rotulando” o filme como uma espécie de “divertimento gourmet” ou até mesmo “se você é de ‘x’ pensamento, não é um filme para você”. Agora pegue e reflita: o que acabei de citar no último paragrafo, realmente não acabou mostrando tudo isso que o espectador está fazendo? Lembrando que estamos falando de um filme cuja premissa já foi apresentada inúmeras vezes em diversos longas metragens como Dr. Fantástico, Armageddon e por ai vai. No desfecho de Não Olhe Para Cima vemos que realmente não há um retrato satírico da humanidade, mas sim uma imagem verdadeira do que está ocorrendo atualmente em nosso planeta.
Crítica | Comemoração dos 20 Anos de Magia: Harry Potter De Volta A Hogwarts

Engenharia do Cinema Após o tremendo sucesso que foi o relançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal nos cinemas nacionais e mundiais, a HBO Max anunciou que iria lançar no primeiro dia de 2022 o especial Comemoração dos 20 Anos de Magia: Harry Potter De Volta A Hogwarts. Ele contaria com o reencontro do elenco principal de todos os filmes e seus diretores, comentando sobre como foi o processo de realizarem a franquia durante exatos 10 anos. Apesar de alguns erros como “trocar” a foto de Emma Watson pela de Emma Roberts na infância, e também o nome dos personagens dos atores James Phelps e Oliver Phelps (intérpretes dos personagens George e Fred Weasley), pode-se dizer que foi algo emocionante para se iniciar o ano. Com uma abertura remetendo a icônica cena de “recebimento da carta de Hogwarts”, sendo guiadas por Watson, vemos aos poucos vários atores que marcaram aquele universo como Gary Oldman, Helena Bohan Carter, Robbie Coltrane e Mark Williams se preparando para irem até o salão oval. Momento pelo qual causará até arrepios nos fãs mais ávidos da franquia, criada por J.K. Rowling (que por conta de várias polêmicas em relação ao politicamente correto, acabou se desligando do projeto, aparecendo apenas por vídeos de arquivo). Imagem: HBO Max (Divulgação) Dividida em quatro capítulos, com dois filmes cada um, as principais entrevistas são guiadas pelos próprios Daniel Radcliffe e Emma Watson, aos quais acabam tirando memórias e ótimas situações que se passaram nos bastidores. Como estamos falando de uma produção de 100 minutos, que resume-se mais de 10 anos, obviamente muitas coisas iriam estar de fora (por isso, muitos fãs podem se chatear por conta deste quesito). Porém relatos de cineastas que comandaram os filmes como Chris Columbus, Afonso Cuaron, Mike Newell (cujas histórias rendem vários risos) e David Yates (que inclusive comanda até os filmes do spin-off “Animais Fantásticos”). Com relação aos atores que já se foram, a homenagem se resume apenas aos quatro importantes nomes de todos os filmes que foram Richard Harris, Richard Griffiths, Alan Rickman, Helen McCrory e John Hurt (que mesmo tendo uma breve cena como o Senhor Olivaras, carregou um enorme carinho por ser o responsável por conduzir a marcante cena de Harry escolhendo a sua varinha). Mas a carga emocional acaba sendo enorme, pois são selecionados para falar nomes que estavam mais próximos aos mesmos, durante a realização da franquia. No final das contas, este especial de Harry Potter acaba sendo tão emocionante como o de Um Maluco no Pedaço, que foi feito exatamente da forma que os fãs esperavam e enalteceu os responsáveis por uma das melhores obras da história do cinema.
Crítica | Encanto

Engenharia do Cinema Inspirada em uma ideia do cineasta e dramaturgo Lin-Manuel Miranda (que se tornou um dos principais nomes da indústria do cinema nos últimos dois anos), a nova animação da Disney “Encanto” mostra que realmente este possui um talento híbrido para teatro, filmes, séries e agora animações. Se passando em um cenário fictício da Colômbia (embora tenha embasamento em alguns fatos reais ocorridos por lá), temos uma situação que bate literalmente com a nova premissa do estúdio, que é conduzir histórias sem doses de romance, mas sim sobre o amadurecimento de seus protagonistas. A história gira em torno de Mirabel, que mesmo com toda sua família e suas irmãs Luisa e Julieta tendo poderes mágicos, a mesma ainda não teve sua habilidade despertada. Mas após descobrir uma lenda antiga contada por sua avó, ela resolve ir atrás de suas verdadeiras origens familiares. Mesmo que para isso ela tenha que se conectar com membros desligados da mesma. Imagem: Walt Disney Pictures (Divulgação) Começo enfatizando que nos primeiros minutos de projeção, embora Miranda esteja envolvido apenas na escrita das músicas e no escopo da história, sua imagem está presente em boa parte da animação. Seja por intermédio do visual bastante colorido, as canções são perfeitamente casadas com os clipes musicais (seja por um andar do personagem, dança e até mesmo ritmo) e principalmente a questão da família ser muito próxima (como ocorre em todas as suas obras originais). Realmente, a sensação otimista acaba rolando durante boa parte da animação, e isso acaba conquistando tanto crianças como adultos. Só que por se tratar de uma animação que beira mais para o musical, os diretores Jared Bush, Byron Howard e Charise Castro Smith realmente não conseguem trabalhar neste quesito. Já que se você gostar deste tipo de produção, vai ter comprado a mesma, agora caso contrário, não conseguirá se assemelhar com o universo criado. Porém este é o grande problema de um filme comandado por três diretores, onde certamente rolou alguma discussão séria sobre essa tonalidade problemática. “Encanto” facilmente pode-se dizer que é um acerto da Disney em sua nova abordagem de roteiros, aos quais procuram explorar mais o lado pessoal e familiar dos personagens.
Confira todas as estreias de janeiro na Amazon Prime Video

O Prime Video anunciou os lançamentos de destaque no Brasil em janeiro. Alguns deles já estão disponíveis na plataforma. Aliás, o calendário do mês inclui a estreia do filme original The Tender Bar, com Ben Affleck, e o filme de animação original da plataforma, Hotel Transilvânia: Transformonstrão. PRIME VIDEO After – Depois do Desencontro — filme (After We Fell, 2021) Data de lançamento: 1º de janeiro Sinopse: After – Depois do Desencontro retrata o impacto das decisões de Tessa em seu relacionamento com Hardin. Os dias vão passando e Tessa vê sua vida mudar completamente. As revelações sobre sua família e a de Hardin vão colocar em xeque tudo o que eles sabiam, com a possibilidade de um futuro cada vez mais incerto para seu tórrido e apaixonado relacionamento. Elenco: Josephine Langford, Hero Fiennes Tiffin, Louise Lombard e Chance Perdomo Direção: Castille Landon Clube do Terror Temporada 2 — série (Are You Afraid of the Dark?, 2021) Data de lançamento: 1º de janeiro Sinopse: Uma série de antologia que segue os diferentes capítulos da Midnight Society, um grupo de adolescentes que se encontram à meia-noite para contar histórias assustadoras, como o Carnaval da Perdição e a Maldição das Sombras. Elenco: Bryce Gheisar, Malia Baker, Beatrice Kitsos e Parker Queenan Direção: Jeff Wadlow e Mathias Herndl Caillou Temporada 1 — série de animação (Caillou, 1997) Data de lançamento: 1º de janeiro Sinopse: Um menino de quatro anos com imaginação fértil aprende lições de vida e descobre coisas novas com seus amigos e familiares. Elenco: Evan Smirnow, Jennifer Seguin, Merlee Shapiro e Pat Fry Direção: Jean Pilotte Economia Doméstica Temporada 1 — série (Home Economics, 2021) Data de lançamento: 1º de janeiro Sinopse: A série mostra três irmãos adultos que vivem em níveis de segurança financeira muito diferentes uns dos outros: um rico, um classe-média e uma com dificuldades financeiras. Elenco: Topher Grace, Caitlin McGee, Jimmy Tatro e Karla Souza Sonic, o Ouriço – série de animação (Sonic The Hedgehog, 1993) Data de lançamento: 1º de janeiro Sinopse: No planeta Móbius, Sonic usa sua velocidade supersônica e irreverência adolescente para se opor ao malvado Dr. Robotnik. Seu amigo, Tails, o acompanha em todas as suas frenéticas aventuras. Elenco: Jaleel White, Charlie Adler, Jim Cummings e Bradley Pierce Direção: Dick Sebast The Tender Bar — filme Original Amazon (The Tender Bar, 2021) Data de lançamento: 7 de janeiro Sinopse: The Tender Bar é um drama dirigido por George Clooney a partir de um roteiro de William Monahan. O filme é uma adaptação do livro de memórias homônimo de J. R. Moehringer, e narra sua vida enquanto crescia em Long Island. É estrelado por Ben Affleck, Tye Sheridan, Daniel Ranieri, Lily Rabe e Christopher Lloyd. Elenco: Ben Affleck, Tye Sheridan, Daniel Ranieri, Lily Rabe e Christopher Lloyd Direção: George Clooney No Ritmo do Coração — filme (CODA, 2021) Data de lançamento: 7 de janeiro Sinopse: Ruby é a única pessoa que ouve em sua família surda. Quando o negócio de pesca da família é ameaçado, Ruby fica dividida entre seguir o seu amor pela música e o medo de abandonar seus pais. Elenco: Emilia Jones, Troy Kotsur, Daniel Durant e John Fiore Direção: Sian Heder Do Re & Mi Temporada 1 — série de animação Original Amazon (Do Re & Mi, 2022) Data de lançamento: 14 de janeiro Sinopse: Do Re & Mi é uma série de animação Original Amazon para crianças em idade pré-escolar que gira em torno das aventuras musicais de três passarinhos melhores amigos, dublados por Kristen Bell, Jackie Tohn e Luke Youngblood. Apresentando aventuras deliciosas e canções originais emocionantes que abrangem vários gêneros, a série leva os pequenos em uma jornada onde eles vão descobrir novos sons e melodias, mover-se no ritmo e ver como a música ajuda a resolver todos os problemas. Elenco: Kristen Bell, Jackie Tohn, Luke Youngblood e Will Collyer Criação: Michael Scharf e Jackie Tohn Direção: Fabien Ouvrard Hotel Transilvânia: Transformonstrão — filme de animação Original Amazon (Hotel Transylvania: Transformania, 2022) Data de lançamento: 14 de janeiro Sinopse: Neste longa, Drac e o bando estão de volta para uma aventura totalmente nova, com sua tarefa mais aterrorizante até agora. Quando a misteriosa invenção de Van Helsing, o “Raio Monstrificador”, fica descontrolada, Drac e seus amigos monstros são todos transformados em humanos, e Johnny se torna um monstro. Em seus novos corpos incompatíveis – Drac, destituído de seus poderes, e Johnny amando a vida como um monstro – o grupo de Drac contará com a ajuda de Mavis para correr ao redor do mundo e encontrar uma cura antes que a mudança se torne permanente – e antes que eles enlouqueçam um ao outro. Elenco: Brian Hull, Andy Samberg, Selena Gomez, Kathryn Hahn e Steve Buscemi Direção: Derek Drymon e Jennifer Kluska Oh My Dog – filme (Oh My Dog, 2021) Data de lançamento: 14 de janeiro Sinopse: O filme é baseado na ligação emocional entre um menino e um cachorro e seu amor e afeição um pelo outro. Elenco: Arun Vijay e Arnav Vijay Direção: Sarov Shanmugam All Things Valentine — filme (All Things Valentine, 2016) Data de lançamento: 15 de janeiro Sinopse: Avery, uma blogueira que sempre teve azar no Dia dos Namorados, está pronta para desistir do amor quando conhece o belo veterinário Brendan. Quando Avery descobre que Brendan culpa seu blog por seu recente rompimento e é ele quem está deixando seus comentários furiosos, ela começa a questionar se o vínculo que começaram a construir é uma verdadeira história de amor ou não. Elenco: Sarah Rafferty, Sam Page, Jeremy Guilbaut e Heather Doerksen Direção: Gary Harvey Home By Spring — filme (Home By Spring, 2018) Data de lançamento: 15 de janeiro Sinopse: Quando uma ambiciosa planejadora de eventos consegue uma oportunidade que não pode recusar, ela se disfarça como seu chefe e retorna para sua cidade natal. Com a ajuda de sua família e do homem que ela deixou para trás, ela consegue o retiro de primavera perfeito, mas será que ela
Turma da Mônica – Lições estreia nesta quinta-feira

Estreia nesta quinta-feira (30), Turma da Mônica – Lições, o aguardado filme com as aventuras da turminha do Bairro do Limoeiro. Programa imperdível nas férias escolares e para curtir com toda a família, o live-action traz ainda mais emoção para toda a família, além de novos e queridos personagens do universo Mauricio de Sousa. O filme é dirigido por Daniel Rezende (Turma da Mônica – Laços, Bingo, o Rei das Manhãs, Ninguém Tá Olhando), produzido pela Biônica Filmes, em coprodução com Mauricio de Sousa Produções, Paris Entretenimento, Paramount Pictures e Globo Filmes. A Paris Filmes e a Downtown Filmes assinam a distribuição. Na última quinta-feira (23), em parceria inédita feita especialmente para Turma da Mônica – Lições, as cantoras Duda Beat e Flor Gil lançaram a faixa Que Som é Esse?, tema original do filme, que já está disponível em todas as plataformas. A letra diz: “Ninguém vai se entristecer/pulando pra todo mundo ver que eu quero é dançar com você”. A música ganhou uma dança exclusiva no TikTok produzida pelos coreógrafos Fabriccio Andrade e Thales Matias. No longa, Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) se esquecem de fazer o dever de casa e fogem da escola. Mas nem tudo sai como esperado e os pais de Mônica decidem mudá-la de colégio. Mesmo fazendo novos amigos – Marina (Laís Vilella), Milena (Emilly Nayara), Humberto (Lucas Infante) e Do Contra (Vinícius Higo), a turminha sente saudade de estar sempre junta. Nessa nova e emocionante aventura, Cebolinha resolve bolar um plano infalível com Magali e Cascão para trazer a Dona da Rua de volta, mesmo que para isso precise recuperar o coelhinho Sansão para a amiga. Será que dessa vez o plano vai dar certo? No elenco também estão Monica Iozzi e Luiz Pacini vivendo os pais de Mônica, e Paulo Vilhena e Fafá Rennó interpretando os pais de Cebolinha. Além das participações especiais de Malu Mader como a professora da classe de Mônica, Isabelle Drummond dando vida à Tina e Augusto Madeira que será um professor de natação. O primeiro longa live-action, Turma da Mônica – Laços, levou mais de 2 milhões de espectadores ao cinema. O filme é inspirado na graphic novel homônima, escrita e desenhada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi.
Crítica SEM SPOILERS | Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Falar sobre Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, se abstendo de spoilers é uma tarefa bastante difícil. Seja por conta dos vários mistérios envoltos na trama, ou até mesmo por vários rumores constantes. Independentemente, posso garantir que estamos entrando em 2022, ano onde o primeiro longa do personagem fará 20 anos e certamente este filme serve como uma grande homenagem para a importância do herói nestes últimos tempos. A história começa no exato ponto onde parou Homem-Aranha: Longe de Casa, com o mundo descobrindo que Peter Parker (Tom Holland) é o Homem-Aranha. Tendo de lidar com às consequências disso e por ter sido acusado de terrorismo e assassinato por Mysterio (Jake Gyllenhaal), ele resolve pedir ajuda ao Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch) para que todos esqueçam que ele é o herói. Só que após o mesmo dar errado, vários vilões de outros universos do Homem-Aranha, entram em sua própria linha do tempo. Entre todos os personagens que estão de volta, o roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers sabe explorar muito bem os pontos positivos que eles possuem em suas produções e nas HQs. Por tanto, acabamos vendo novas feições de personagens como Electro (Jamie Foxx) e Lagarto (Rhys Ifans) que não haviam funcionado adequadamente da saga O Espetacular Homem-Aranha, quanto Homem de Areia (Thomas Haden Church) Octopus (Alfred Molina) e o Duende Verde (Willem Dafoe) estão com a mesma feição que nos filmes da primeira trilogia, comandada por Sam Raimi. Imagem: Sony Pictures/Marvel Studios (Divulgação) Só que como estamos falando de uma produção com vários vilões de peso, realmente vemos que Dafoe consegue ser um dos maiores vilões na história dos filmes de heróis. Ele só não rouba a cena em boa parte da projeção, como também ainda possui o semblante do icônico Norman Osborn (pelos quais já estávamos sentindo falta). Seu retorno foi honrado com sucesso, enquanto Molina nos apresenta uma outra versão de Octopus, pelos quais passamos a ver o mesmo com outros olhares (lembrando que junto do citado, ele também foi considerado um dos maiores vilões da Marvel, nos cinemas). Tudo soa como natural, e nada acaba sendo forçado. Com relação aos outros personagens, todos possuem seus momentos e alguns até conseguem possuir boas esquetes, vide o companheirismo entre Ned (Jacob Batalon) e MJ (Zendaya). Mas entre os coadjuvantes, o que consegue roubar a cena e causar momentos bem hilários, é o veterano J.K Simmons (que repete seu icônico papel do jornalista J. Jonah Jameson). Mas não podia deixar de citar a atuação de Tom Holland, que possui aqui seu papel mais dramático sobre o traje do herói, afinal foram várias situações vivenciadas que finalmente a ficha caiu sobre suas responsabilidades verdadeiras. Agora mesmo possuindo um roteiro bastante plausível e cheio de fan-services de primeira, uma coisa que pecam bastante é na inserção dos efeitos visuais, pois em determinadas cenas é nítida sensação de estarmos vendo uma “tela verde” ou até mesmo um “acessório” levantando determinado ator (o que é uma pena, pois isso não chegou a ocorrer na primeira trilogia, que até levou um Oscar em seu segundo filme). Mas como temos um texto bom, isso acaba sendo irrelevante na hora de determinadas cenas de ação. Termino essa análise de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, dizendo que se fosse vivo, Stan Lee estaria bastante feliz e emocionado com tamanho trabalho para homenagear o seu personagem mais querido de toda a Marvel. Engenharia do Cinema
História do rock em Praia Grande é contada em documentário

Fãs da cena rock da Baixada Santista, e em especial da Praia Grande, terão a oportunidade única de assistir, no cinema, um documentário sobre as histórias e bandas locais nesta terça-feira (14). Da farofa ao Rock and Roll – A história visceral do Rock em Praia Grande cobre histórias das décadas de 1970, 1980, 1990, 2000, 2010 e a década atual, tentando também fazer uma previsão de como será a cena de rock local no futuro. Entre as vertentes do gênero abordadas no filme, estão o metal, classic rock, punk rock, rock alternativo e pop rock. A produção foi feita pela banda Cidadão Blindado, que já é tradicional de Praia Grande. Mike Vitor, guitarrista da banda e idealizador do documentário, conta que a banda iniciou este trabalho entrevistando amigos conquistados em seus 20 anos de estrada. “Foram entrevistados diversos personagens da cena do rock de Praia Grande – artistas, donos de bares, de lojas de instrumentos, produtores musicais, entre outros”. Ao todo, foram captadas mais de 20 horas de entrevista, que resultaram no documentário de duas horas. Mike adianta que, posteriormente, a banda irá lançar na internet um curta-metragem que conta a história da banda Cidadão Blindado. “Registrar o passado, celebrar o presente e imaginar o futuro do rock em nossa cidade são as nossas motivações”. Mike Vitor, guitarrista da banda Coração Blindado e idealizador do documentário O objetivo do documentário, conta Mike, é registrar e trazer mais visibilidade à cena de Praia Grande, que como ele conta, é muito rica. “Muitas vezes, os fatos estão ocorrendo do nosso lado e não nos damos conta disso. Praia Grande teve um crescimento exponencial em todos os sentidos nos últimos 50 anos, e com o rock não foi diferente. Registrar o passado, celebrar o presente e imaginar o futuro do rock em nossa cidade são as nossas motivações”, diz. Praia Grande tem, de fato, história no rock, com nomes de destaque pelo Brasil que tem raízes na cidade. “O Vulcano, uma das bandas mais tradicionais do metal brasileiro teve diversos integrantes de Praia Grande em suas primeiras formações. Temos na cidade músicos que participaram de eventos em rede nacional de televisão, como o Ton Cremon. O Maurício Nogueira, guitarrista de várias bandas renomadas do rock brasileiro, como Matanza e o Krisiun. Ele já foi eleito um dos maiores guitarristas do Brasil e e que já tocou nos maiores festivais de rock do mundo, como o Rock in Rio”, descreve o guitarrista. A sessão do documentário é única, e os ingressos podem ser adquiridos através do link. A transmissão será feita às 20h, no Cinesystem de Praia Grande, e não há previsão para novas sessões. Posteriormente, o documentário será disponibilizado em outras plataformas, ainda sem data ou plataforma definida.
Crítica | Resident Evil: Bem Vindo a Raccon City

Engenharia do Cinema Após o desfecho da cinessérie de “Resident Evil”, a Sony viu que era a hora de começar do zero e mirar mais no enredo dos jogos criados pela Capcom. Então sob produção executiva do responsável pela franquia original, Paul W. S. Anderson (sim, eles não aprendem), mas agora com direção e roteiro de Johannes Roberts (“Predadores Assassinos”), eles aproveitaram o embalo do sucesso dos remakes do segundo e terceiro games da série, mesclaram uma trama que mostra a história de ambos (o que era possível, pois eles se passam na mesma madrugada, mas em lugares distintos) e fizeram “Resident Evil: Bem Vindo a Raccon City“. Só que como diz o ditado “a pressa é inimiga da perfeição”. A história mostra Claire Redfield (Kaya Scodelario) indo se reencontrar com seu irmão Chris Redfield (Robbie Amell) na abandonada cidade de Raccon City. O local ficou totalmente devastado após vários experimentos farmacêuticos terem dado errado e transformado a população em zumbis. Ao chegar no local, ela acaba esbarrando com o policial Leon (Avan Jogia) e acaba partindo com ele à procura de Chris. Porém este está com Jill (Hannah John-Kamen) e outros policiais, no outro lado da cidade, indo procurar outro policial que está desaparecido. Imagem: Sony Pictures (Divulgação) Os fãs da franquia ficarão totalmente apaixonados pelo design de produção, que realmente se assemelha ao jogo, assim como alguns “flashes” que são realmente idênticos a estes. Porém o roteiro de Roberts é bastante problemático ao tentar mesclar ambos enredos citados. De fato, o enredo dos games não era nenhuma obra prima, mas em ambos havia um enorme cuidado em abordar aquele universo e detalhar a história de diferentes pontos de vista. Só que agora ele parece buscar por soluções “simples” para juntar as tramas. Seja por “aparições” repentinas ou até mesmo situações que só surgem para facilitar isso, e acaba realmente chamando o espectador de burro. Isso não ocorre apenas neste quesito, mas também há alguns arcos com personagens que não fazem sentido algum (afinal, não adianta você estar com uma arma dentro de uma cela e não atirar na tranca ou em um zumbi que vai te atacar. São coisas neste nível). Mas mesmo tendo esse roteiro bastante problemático, o longa possui um CGI até que considerável (já agora ficou notório que a Sony realmente não tinha concluído ao filme, quando lançou seus primeiros trailers) e muitas cenas de violência (algo que estava extinto do cinema, mas não chega a ser muito impactante). Mas devo ressaltar que estamos falando de uma produção com um orçamento pequeno, ou seja, os recursos eram usados no máximo. “Resident Evil: Bem Vindo a Raccon City” acaba sendo um filme apressado e nitidamente vemos que a Sony quer desesperadamente criar uma nova franquia para este universo, mesmo não tendo uma qualidade plausível.
Crítica | A Crônica Francesa

Engenharia do Cinema Existem certas produções onde renomados cineastas parecem não estar em seus melhores dias, e “A Crônica Francesa” se encaixa neste quesito. Realizado pelo renomado Wes Anderson (“O Grande Hotel Budapeste“) a produção sofreu vários adiamentos por conta da pandemia e finalmente chegou aos cinemas mundiais em uma estreia bastante morna e sem muito alarde. Certamente os envolvidos na mesma estavam cientes que não possuíam o melhor trabalho de Anderson, e que no máximo ele poderia render algumas indicações em aspectos técnicos (por isso que ele foi lançado no Festival de Cannes, e agora nesta época de “possíveis indicados ao Oscar“). Apenas digo que ele conseguiu reunir um renomado elenco, por conta da enorme amizade que ele tem dos mesmos, pois realmente se fosse feito por outro diretor, não teria nem saído do papel neste projeto. A história se passa durante os anos 60/70, quando o editor-chefe de uma famosa revista francesa, Arthur Howitzer Jr. (Bill Murray) vem a óbito, os jornalistas e funcionários resolvem escrever o obituário do mesmo. Em intermédio a isso, acompanhamos três histórias distintas de matérias que irão para a última edição da revista. A primeira mostra um presidiário (Benicio Del Toro), que acaba conseguindo sucesso mundial com suas pinturas da carcereira (e também sua amante) Simone (Léa Seydoux); A segunda mostra o estudante viciado em xadrez, Zeffirelli (Timothée Chalamet), que entra em constantes conflitos sociopolíticos com Juliette (Lyna Khoudri); A terceira e última mostra o filho de um importante comissário (Mathieu Amalric), que foi sequestrado e acaba mobilizando todo o pelotão de política e até um chef de cozinha (Steve Park), para ajudar no resgate. Imagem: 20th Century Studios (Divulgação) Com uma abertura deixando bastante clara sua premissa, vemos que Anderson estava em sua zona de conforto. Com cenários sendo concebidos em stop-motion e com uma tonalidade forte de surrealismo (para apresentar a fictícia cidade francesa onde se passa o longa), nada foge do padrão habitual do diretor. Mas quando ele anuncia ao público “este filme conterá a exibição de três histórias”, vemos que ele já estava preparando o espectador para a futura “confusão” que ele havia armado. Apesar dele ter apresentado três histórias relativamente interessantes em seu escopo, em nenhuma delas sentimos uma emoção ou até mesmo preocupação com algum dos personagens. Parece que estamos vendo algo bastante caricato e nada fizesse termos um certo interesse em nos absorver naquelas histórias. Afinal, após uma cena de abertura mostrando uma edição com atores como Bill Murray, Owen Wilson, Elizabeth Moss, Tilda Swinton, Frances McDormand e Jeffrey Wright, facilmente ele poderia ter explorado estes personagens em si, ao invés das histórias contadas por eles (que são estranhas e sem vida, como o próprio personagem de Murray diz em determinado ponto, para um dos personagens). Mas como nem tudo é uma bomba, o aspecto técnico do filme é um dos grandes destaques. Seja a trilha sonora de Alexandre Desplat (constante parceiro de Anderson), a fotografia de Robert D. Yeoman (cujas tomadas que se assemelham com moldes 3D, estão realmente bem feitas) e até mesmo o design de produção (afinal, estamos falando de uma cidade francesa fictícia) e figurino, merecem um certo detalhe de atenção do espectador. “A Crônica Francesa” é sem dúvidas um dos mais fracos filmes do cineasta Wes Anderson, e mostra que o mesmo realmente não estava em seus melhores dias nos últimos anos.