Supergrupo mineiro Capsula une membros do Skank e Penélope no single “Dopamina”

O supergrupo Capsula lançou o seu primeiro single, Dopamina, via OneRPM. A banda reúne figuras carimbadas do mainstream e do indie nacional: Érika Martins (voz, ex-Penélope), Fernando Americano (guitarra, ex-thesurfmotherfuckers e Penélope), Haroldo Ferretti (bateria, ex-Skank) e Lelo Zaneti (baixo, ex-Skank). Conexão de estúdio nas montanhas de Nova Lima O início da banda se deu de forma quase acidental, típica dos encontros orgânicos de Belo Horizonte. Um almoço de família e conexões informais entre vizinhos e músicos que frequentavam os mesmos círculos há décadas, mas que nunca haviam dividido um estúdio, geraram o convite simples: “vamos fazer um som?”. Em vez de correr para o estúdio comercial, os quatro integrantes decidiram trabalhar em silêncio. Durante um ano inteiro, o quarteto se reuniu de forma descompromissada no Estúdio Bamboo, espaço montado na casa do baterista Haroldo Ferretti, cercado pelas montanhas de Nova Lima (MG). Longe das pressões do mercado, eles passaram noites e madrugadas desmontando, experimentando timbres e reconstruindo arranjos. O foco do grupo foi preservar a crueza dos instrumentos gravados por mãos humanas, abraçando as imperfeições naturais que dão alma ao rock de garagem. Crônica digital de “Dopamina” O resultado dessa calmaria é uma sonoridade madura que caminha entre o pop rock, o pós-punk, o dub e o reggae. O primeiro cartão de visitas dessa fase, Dopamina, é uma verdadeira crônica da exaustão urbana contemporânea. Liricamente, a faixa aborda a nossa ansiedade digital, a hiperconexão, as relações líquidas e a dependência química que desenvolvemos pelas notificações e validações instantâneas dos ecrãs de nossos telemóveis. É o balanço perfeito entre a cozinha rítmica clássica de Haroldo e Lelo, as texturas espaciais das guitarras de Fernando e a interpretação densa e magnética que sempre foi marca de Érika Martins.

Com integrantes do Skank e Jammil, Trilho Elétrico aposta em mix de gêneros; leia entrevista

Depois de décadas como baixista do Skank, Lelo Zaneti resolveu embarcar em um novo desafio musical com a banda Trilho Elétrico. O grupo, que mistura influências de MPB, rock, reggae e pop, reúne músicos experientes de diferentes vertentes, como integrantes do Jammil e da cena do reggae baiano. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Lelo falou sobre a formação da banda, a sonoridade e os planos para o futuro. Formada pelos mineiros Lelo e Rodrigo Borges (herdeiro e atual representante do Clube da Esquina) e os baianos Manno Góes (Jammil e Uma Noites) e Lutte (ex-vocalista da Mosiah), a banda Trilho Elétrico tem como objetivo criar um som que transite em diferente gêneros. Até o momento já lançou um álbum (homônimo, de 2023) e alguns singles. “Acho que tem algumas pontas que se conectam. Por exemplo, quando ensaiamos músicas do Jammil para um show, percebi que a condução do baixo poderia remeter a algo meio Paralamas do Sucesso. Esse ensaio nos levou a resultados muito interessantes, onde você se pergunta: ‘Isso é Jammil, Paralamas ou Skank?’. São linguagens que acabam se aproximando naturalmente”, explicou o baixista. A forte conexão da banda com a cena musical da Bahia também é um diferencial. Segundo Lelo, o Skank já participou de muitos eventos de axé e sempre teve afinidade com o ritmo. Além disso, o Trilho Elétrico tem integrantes que vêm do reggae baiano, como Lutte, da Mosiah, um fenômeno local. “A Bahia é um celeiro musical muito poderoso. Lá, a gente vê o brilho nos olhos das crianças quando elas enxergam algo relacionado à música. Tocamos no Carnaval de rua e nas praças do Pelourinho, onde há uma circulação forte de estrangeiros e do público jovem. Então, houve toda uma pesquisa e experimentação para chegarmos na identidade do Trilho Elétrico.” “Plot Twist” e a nova fase da Trilho Elétrico O primeiro single do Trilho Elétrico em 2025, Plot Twist, já começou a ganhar destaque, entrando em playlists editoriais do Spotify. A canção traz uma mescla de pop, reggae e MPB, refletindo a diversidade sonora do grupo. “O arranjo da música foi feito com muito cuidado. Gravamos no estúdio do Chico Neves, que trabalhou com Paralamas, Skank e até Peter Gabriel. Ele conseguiu tirar um som incrível. No final, percebemos que Plot Twist nasceu de forma muito natural, parecia que já estava dentro de nós”, contou Lelo. A estratégia da banda para os próximos lançamentos segue uma tendência do mercado digital: em vez de lançar um álbum completo de uma vez, o grupo pretende soltar singles ao longo do ano. “A leitura do digital hoje é essa: lançar quatro ou cinco singles por ano. Isso mantém o público sempre com novidades e favorece o engajamento nas plataformas. Nos anos 60, os Beatles impulsionaram o formato de singles. Depois, o Led Zeppelin veio e resgatou a força dos álbuns. Agora, voltamos a uma era onde os singles dominam de novo. A música precisa se adaptar ao tempo”, refletiu. Com uma forte presença em festivais e no circuito independente, o Trilho Elétrico quer expandir ainda mais seu alcance. Segundo Lelo, um dos objetivos é entrar em circuitos como o do Sesc, que oferece estrutura e visibilidade para artistas de diversos gêneros. “A gente tem que entrar em circuitos que mostram o trabalho para um outro público. O Sesc, por exemplo, é um espaço que permite um amadurecimento do som. O Emicida fez isso muito bem. É um projeto de longo prazo, mas estamos no caminho certo”, afirmou. Enquanto isso, o Trilho Elétrico já está de olho nos próximos lançamentos e até em colaborações especiais. “Estamos prospectando convidados para o próximo single e a ideia é seguir nessa linha do Plot Twist, algo que o brasileiro tem na veia. O primeiro disco teve um som mais aberto, com participações de Daniela Mercury, Tony Garrido e Luiz Caldas. Agora, queremos consolidar essa identidade pop rock e seguir lançando novas faixas ao longo do ano.”