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Skank promove viagem no tempo com “Os Três Primeiros”; confira entrevista

Neste sábado (12), quando a banda mineira Skank subir ao palco do Mendes Convention Center, em Santos, o público será transportado de forma imediata ao início dos anos 1990. E fará uma viagem cronológica até os dias atuais. Essa é a proposta da turnê Os Três Primeiros, na qual os músicos apresentam as canções dos discos Skank (1993), Calango (1994) e O Samba Poconé (1996).

“É interessante revisitar esses discos icônicos, mostra a nossa transição do independente para a Sony Music. É algo que estamos fazendo há um tempo. Lançamos o Skank 91, que foi o nosso primeiro show, depois rolaram algumas apresentações dos 15 anos do Calango e uma versão tripla do disco O Samba Poconé, que comemorou 20 anos. A proposta da turnê Os Três Primeiros começou com a gravação no Rio. Existe uma expectativa incrível do público. Música é memória e os fãs trazem isso com muito amor, carinho, força e respeito”, comenta o baixista Lelo Zaneti, que concedeu entrevista exclusiva para o Blog n’ Roll, por telefone.

E, diferentemente de outros artistas marcantes da música brasileira, o Skank não fará grandes adaptações em seus clássicos.

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“Estamos jogando luz nas canções, mas também dando um tapinha aqui e ali. O set é feito de forma cronológica, mas com algumas vinhetas no meio. No fim, quando já estamos no bis, entram algumas mais recentes. O primeiro disco aparece com um pouco menos de músicas, os outros dois entram com uma média de cinco a seis faixas. Esse show tem uma duração de 1h30, 1h40. É bem abrangente”, explica.

Como o Skank mudou completamente o seu trabalho autoral a partir do álbum Siderado (1998), é comum pensarmos que as faixas dos primeiros discos não despertem grande paixão pelos músicos. Mas Lelo afasta essa possibilidade e defende com muito carinho toda a obra dos mineiros.

“As pessoas vão para o show cantar as músicas populares. Não tem motivo para não tocar os nossos principais sucessos. E fomos fiéis em manter a estrutura original. O nosso repertório é imenso e vasto, não agrada todo mundo. Eu fui um dos primeiros a pensar nesses projetos de revisitar nossa obra. Um Homem que Sabia Demais é muito moderna”.

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“Santos é um polo de formadores de música, entretenimento. Temos fortes lembranças do público interagir. Nós sempre admiramos o Paralamas. Existe um vínculo forte entre as duas bandas. Eles possuem uma história muito linda. Repetimos essa dobradinha, recentemente, em Brasília. É sempre bom quando nos encontramos”.

E um dos assuntos mais presentes no dia a dia e canções do Skank surgiu justo enquanto conversávamos sobre Santos. “Não tem como não amar a Cidade. É a cidade do Santos Futebol Clube, do Pelé. Ele é um cara que mudou muito o Brasil. Sou muito fã dele”.

Questionado se está confiante com a participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, que tem início em junho, na Rússia, Lelo mostrou otimismo. “A equipe não é só Neymar mais. Tem mais maturidade, acabou o oba oba publicitário que tinha ali, o técnico encaixou bem. É algo como aconteceu na Copa de 1950, depois na de 1958. Pode até não ganhar, mas fará bonito, ainda mais se não tiver dispersão”.

Serviço: o show do Skank acontece amanhã, a partir das 23h, no Mendes Convention Center (Av. Francisco Glicério, 206). Os ingressos custam entre R$ 90,00 e R$ 160,00. ingressonanet.com

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Os três primeiros do Skank por Lelo Zaneti

O baixista do Skank, Lelo Zaneti, comentou um pouco sobre os três primeiros álbuns da banda, que dão base para o repertório do show em Santos: Skank(1994), Calango (1995) e Samba Poconé (1996).

Skank (1993)

“O primeiro é muito intenso, tínhamos uma vontade de fazer algo bastante ligado ao reggae. Gostávamos muito de dancehall e raggamuffin. Além disso, queríamos pegar músicas conhecidas e fazer algumas brincadeiras. Tocávamos com bateria eletrônica, gravamos um baixo eletrônico, usamos alguns samples, algo bem caseiro, mas sempre mantendo a ligação com a música jamaicana.

Na época, vivíamos a mudança do vinil para o CD, então queríamos lançar já no formato novo. Conversamos com o pessoal da Cogumelo Records, que já estava acostumada a lançar as bandas nesse formato. Divulgar o nosso álbum em CD era um facilitador.

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Outra característica legal de destacar do primeiro disco era a nossa ligação com Belo Horizonte. Esse álbum é muito home made, é a cara de BH. Foi depois que começamos a chegar em outras cidades, inclusive Santos, que foi uma das primeiras a receber a nossa banda”.

Calango (1994)

“Dentro da turnê do primeiro álbum, já estávamos preparando canções para o Calango. Tínhamos umas três ou quatro faixas que foram feitas entre um show e outro. O Calango nos levou para outro patamar. Tocamos no Hollywood Rock, com a Fernanda Abreu, Jorge Ben Jor e a Whitney Houston. Lembro como se fosse hoje quando abrimos o show com Homem que Sabia Demais.

Depois, a Xuxa nos chamou para tocar uma música no programa dela, éramos bem desconhecidos, mas a coisa começou a mudar. O primeiro disco tinha vendido 100 mil cópias em um ano.

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Ainda brincávamos com as músicas dos outros – aqui com a É Proibido Fumar – mas o trabalho autoral foi ficando mais forte. Te Ver, por exemplo, tocou no Brasil inteiro. Era um período promissor, início do Plano Real, vários fatores eram positivos. O Calango vendeu em um ano cerca de 1,2 milhão de cópias”.

O Samba Poconé (1996)

“Abrimos mão de algumas coisas no Brasil, com o Samba Poconé. Os programas só queriam falar de coisas banais. Foi quando partimos para a Europa. Ficamos lá entre 1996 e 1997, foram dois anos bem intensos de shows e divulgação do nosso trabalho. E não nos arrependemos dessa escolha.

Alcançamos o primeiro lugar na Billboard da Espanha, tocamos em vários países, Garota Nacional ganhou versões. A sequência do Samba Poconé trouxe um ar novo para não entrarmos na massificação do nosso som.

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Fizemos um redirecionamento com o Siderado (1998) e ficou mais evidente com o Maquinarama (2000). Gravamos no Abbey Road, buscamos mergulhar no rock britânico, tocar Beatles mesmo. Foi tudo uma decisão nossa.

O Paul Ralphes e o John Shaw (UB40) nos perguntaram: ‘vocês querem manter o som ou seguir nessa linha mais clássica?’ Ou seja, o Samba Poconé é um marco, o início de uma virada.

É interessante que no período que ficamos na Europa, tocavámos vários lados B do Samba Poconé, algumas coisas do Manu Chao também. O público conhecia Garota Nacional só, o resto tínhamos essa liberdade, podíamos testar outras faixas. E agora estamos colocando algumas dessas canções no repertório da turnê dos Três Primeiros”.

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