TBT – Dez anos sem Scott Weiland: relembre o show do Velvet Revolver em São Paulo

Scott Weiland, de 48 anos, ex-vocalista do Stone Temple Pilots e do Velvet Revolver, foi encontrado morto em 3 de dezembro de 2015, dentro do ônibus de sua banda, a Scott Weiland & the Wildabouts, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos. A causa da morte foi overdose. Hoje, dez anos após a morte do vocalista, relembramos o histórico show do Velvet Revolver no estádio do Morumbi, em São Paulo, quando abriu para o Aerosmith. A apresentação rolou em 12 de outubro de 2007. Velvet Revolver prova que supergrupos podem ter alma Quando as luzes do Morumbi se apagaram para a abertura, a sensação não era de um “show de aquecimento”, mas de um evento principal paralelo. O Velvet Revolver subiu ao palco trazendo a mística de ser a “banda mais perigosa do mundo” naquele momento. Scott Weiland, magro e com movimentos serpentinos que lembravam um lagarto elétrico, comandava a frente, enquanto a silhueta inconfundível de cartola e Gibson Les Paul à esquerda arrancava gritos de “Slash” da plateia. A chuva que caía não esfriou a recepção. A abertura com Let It Roll e a pesada Do It for the Kids mostrou que, apesar da acústica do Morumbi engolir um pouco a guitarra base de Dave Kushner, o entrosamento entre baixo (Duff) e bateria (Matt Sorum) continuava sendo uma parede de concreto. A banda sabia o que o público queria. Embora as músicas autorais como Sucker Train Blues fossem bem recebidas, o estádio veio abaixo quando o passado foi invocado. Os covers do Stone Temple Pilots, Vasoline e Interstate Love Song, serviram para lembrar a todos que Weiland era uma das maiores vozes dos anos 90. Sua performance era errática e hipnótica, contrastando com a solidez da banda instrumental. Mas foi o legado do Guns N’ Roses que gerou a catarse. It’s So Easy (com Duff nos vocais rasgados) e Mr. Brownstone transformaram o Morumbi em uma máquina do tempo. Ver Slash tocando esses riffs ao lado de Duff novamente foi, para muitos, o fechamento de um ciclo aberto desde 1993. Além da nostalgia O mérito do show, no entanto, foi provar que o Velvet Revolver tinha vida própria. Fall to Pieces foi o momento “isqueiros para o alto” (ou celulares, na época começando a dominar). O solo melódico de Slash sob a garoa fina foi uma daquelas cenas cinematográficas que só estádios proporcionam. A banda também testou material novo com She Builds Quick Machines (do disco Libertad, que sairia meses depois), mostrando que ainda havia gasolina no tanque criativo. O encerramento com Slither foi a prova definitiva de força. Com seu riff arrastado e refrão explosivo, a música já soava como um clássico instantâneo, equiparando-se aos covers tocados anteriormente. Scott Weiland, regendo a massa com seu megafone, saiu de cena deixando a impressão de que tínhamos visto uma das últimas grandes encarnações do rock and roll perigoso e visceral. O Aerosmith, que veio na sequência, teve trabalho para superar aquela energia. Edit this setlist | More Velvet Revolver setlists

Coldplay remarca shows no Brasil para março; SP tem novo local

O Coldplay anunciou as datas remarcadas para março de 2023 de seus shows no Rio de Janeiro e São Paulo, que foram adiados na semana passada. Em São Paulo, os shows serão transferidos do Allianz Parque para o Estádio do Morumbi devido à disponibilidade do local, e agora acontecerão nos dias 10, 11, 13, 14, 17 e 18 de março de 2023. Todos os ingressos para São Paulo continuam válidos, sem necessidade de trocá-los. As informações sobre a localização de novos assentos serão enviadas diretamente por e-mail aos portadores de ingressos. Os shows no Rio de Janeiro permanecerão no Estádio Nilton Santos Engenhão, nas novas datas de 25 e 26 de março de 2023. Os ingressos adquiridos anteriormente serão válidos para as novas datas, não sendo necessária nenhuma ação dos portadores de ingressos. Para mais detalhes sobre reembolsos e localização de assentos, os compradores podem visitar o site da Eventim. As alterações de datas são as seguintes Rio de Janeiro, Estádio Nilton Santos Engenhão 11 de outubro de 2022 > 25 de março de 2023 12 de outubro de 2022 > 26 de março de 2023 São Paulo, Estádio do Morumbi (novo local) 15 de outubro de 2022 > 10 de março de 2023 16 de outubro de 2022 > 11 de março de 2023 18 de outubro de 2022 > 13 de março de 2023 19 de outubro de 2022 > 14 de março de 2023 21 de outubro de 2022 > 17 de março de 2023 22 de outubro de 2022 > 18 de março de 2023

Metallica incendeia Morumbi em noite de nostalgia

Foram dois anos de espera até o Metallica, enfim, se apresentar no estádio do Morumbi, em São Paulo. O atraso causado pela pandemia, no entanto, não tirou o ímpeto da banda, muito menos dos fãs, que lotaram a casa do tricolor paulista em plena terça-feira. Aliás, quem comprou ingresso para ver o Metallica, ganhou dois shows incríveis de abertura: Ego Kill Talent e Greta Van Fleet, que iniciaram os trabalhos ainda no fim da tarde. Ego Kill Talent A primeira banda a subir ao foi o Ego Kill Talent, que recentemente fez um show tributo a Taylor Hawkins, do Foo Fighters, no Lollapalooza. A banda paulistana teve apenas 30 minutos para dar o recado, mas aproveitou muito bem o tempo, emendando um som atrás do outro sem enrolação e conversa fiada. Na bagagem, trouxe o excelente segundo álbum de estúdio, The Dance Between Extremes, lançado no ano passado. O set curto, com sete canções, equilibra bem um pouco de cada um dos dois álbuns de estúdio. E o mais legal foi ver a recepção e o carinho que o público teve com o grupo, que bom alcance internacional. Greta Van Fleet Logo depois, o Greta Van Fleet, a banda mais “ame ou odeie da atualidade”, apareceu. Em sua terceira apresentação em São Paulo (antes tocou no Lollapalooza e Lolla Parties de 2019), o grupo mostrou ainda mais consistência do que na primeira vez. Os irmãos gêmeos Josh Kiszka e Jake Kiszka, vocal e guitarra, respectivamente, estavam mais à vontade no palco. Logo nas duas primeiras canções conquistaram o público carrancudo do Metallica com o potente alcance vocal e solos absurdos de guitarra. The Battle at Garden’s Gate (2021) respondeu por metade do repertório, composto por apenas oito músicas em quase uma hora de apresentação. No entanto, foram duas canções do disco From The Fires que mais se destacaram no show: Black Smoke Rising logo no começo e Highway Tune, que encerrou a festa. Curioso notar que não somente as canções, mas o figurino e o próprio telão, o tempo todo em preto e branco, garantem um tom mais nostálgico para o show. Impossível não lembrar de Led Zeppelin, mas o Greta mostra que já conseguiu moldar essa influência para algo bastante original. Metallica Com 20 minutos de atraso, o Metallica colocou o Morumbi abaixo com uma estrutura absurda: cinco telões gigantes que revezavam imagens dos integrantes com animações incríveis, além de torres de fogo que esquentaram toda a plateia. Whiplash (Kill ‘Em All, de 1983) abriu a apresentação, tal como nos shows de Curitiba e Porto Alegre. O single de estreia da carreira do Metallica, no longínquo 1983, funcionou como um na porta para quem estava se queixando do pequeno atraso. O peso do início da carreira se manteve na sequência com Ride The Lightning, faixa-título do segundo disco do Metallica, de 1984. Aliás, quem teve a proeza de seguir passando frio após esse início absurdamente quente, esquentou com Fuel, do Reload (1997). Durante a execução, torres de fogo foram acesas no meio da pista e nos dois lados do palco. Conversando com pessoas que ficaram em setores diversos no estádio, ficou quente igual para todos. O repertório do Metallica seguiu muito nostálgico com a inclusão de Seek & Destroy, do álbum de estreia, entoada a plenos pulmões pelos fãs mais apaixonados. Nostalgia dá o tom do show do Metallica A trinca seguinte mostrou que o Metallica não estava disposto a tirar o pé do acelerador. Os dois anos de atraso, felizmente, deixaram os músicos ainda mais empolgados em cena. Em sequência vieram Holier Than Thou, One e Sad but True. A primeira e a terceira do campeão de vendas Black Album (1991) e a segunda do clássico …And Justice for All (1988), responsável pela primeira turnê do Metallica no Brasil, em 1989. Dirty Window (St Anger, 1999) e No Leaf Clover (S&M, 2003), em sequência, foram uma forma encontrada pelos músicos de não deixar passar em branco álbuns mais “recentes” da discografia. Porém, o que estava funcionando mesmo com os fãs e o Metallica conhece bem sua base em São Paulo eram os clássicos, a fase mais pesada da banda. For Whom the Bell Tolls e Creeping Death, do Ride Lightning, vieram em dobradinha, sucedidas por Welcome Home (Sanitarium) e Master of Puppets, do disco de 1986. Bis trouxe dois grandes clássicos A saída rápida do palco, antes do bis, não dá tempo nem de comprar uma bebida com os ambulantes. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo já retornaram antes de qualquer possibilidade de ação por parte dos fãs. E, aqui, vale ressaltar a disposição dos músicos no palco. Os shows já não têm mais três horas de duração (foram quase duas), mas a disposição de todos os integrantes no palco é impressionante. Todos parecem estar se divertindo o tempo todo. No encore, Spit Out the Bone, último single do álbum mais recente, Hardwired… to Self-Destruct, de 2016, foi a primeira, substituindo Battery, do Master of Puppets. Nothing Else Matters e Enter Sandman para encerrar o show nos remetem ao início dos anos 1990, quando em sua segunda turnê pelo Brasil, em 1993, o Metallica divulgava seu maior sucesso comercial, Black Album, e disputava o posto de maior banda de rock do mundo com o Guns n’ Roses. Enter Sandman, aliás, foi concluída com o estádio inteiro cantando junto, pulando em completo descontrole. A queima de fogos encerrou a noite nostálgica que certamente agradou em cheio os fãs mais antigos do Metallica. Que retornem pela décima vez e mais, se possível. Ninguém vai reclamar. Setlist do Metallica Whiplash Ride the Lightning Fuel Seek & Destroy Holier Than Thou One Sad but True Dirty Window No Leaf Clover For Whom the Bell Tolls Creeping Death Welcome Home (Sanitarium) Master of Puppets BIS: Spit Out the Bone Nothing Else Matters Enter Sandman

The Raven Age enfrenta o ‘Tribunal do Maiden’ no Morumbi e prova que há vida além do sobrenome Harris

Abrir para o Iron Maiden no Brasil é jogar no modo “Hard”. Abrir para o Iron Maiden sendo a banda do filho de Steve Harris é jogar no modo “Expert”. Quando o The Raven Age subiu ao palco do Morumbi ainda sob a luz do fim de tarde, a desconfiança era palpável. Seria apenas nepotismo ou havia substância ali? George Harris (guitarra) e seus companheiros trouxeram para São Paulo a turnê do álbum Conspiracy, apostando em um metalcore melódico e moderno, uma sonoridade que, ironicamente, destoa bastante do heavy metal clássico que os 60 mil presentes foram consumir. Metal moderno A banda não se intimidou. Após a introdução mecânica de Bloom of the Poison Seed, entraram com os dois pés no peito com Betrayal of the Mind. O som estava surpreendentemente nítido e alto para uma banda de abertura, favorecendo os riffs graves e a bateria precisa. Diferente do galope “cavalgado” do Maiden, o The Raven Age aposta em grooves quebrados e refrões radiofônicos, estilo Alter Bridge ou Trivium. Faixas como The Day the World Stood Still e Fleur de Lis mostraram que a banda tem composições sólidas, mesmo que genéricas para o ouvido mais exigente. Recepção do público O vocalista Matt James se esforçou para conectar com a multidão, correndo pelas passarelas laterais que seriam usadas por Bruce Dickinson horas depois. A resposta do público foi respeitosa: não houve vaias, mas também não houve a catarse vista em outros shows. O momento de maior conexão veio com Grave of the Fireflies, uma balada mais cadenciada que permitiu ao estádio respirar e apreciar a técnica dos músicos. George Harris, discreto e focado, evitou os holofotes, deixando claro que ali ele era apenas o guitarrista, não o “filho do dono”. O encerramento com Angel in Disgrace trouxe um pouco mais de velocidade e peso, garantindo aplausos educados ao final. O The Raven Age cumpriu sua função: aqueceu o sistema de som, testou a paciência dos puristas e entregou um show profissional.