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Não é fácil subir ao palco depois de Slash tocar clássicos do Guns N’ Roses com o Velvet Revolver, mas o Aerosmith tem 30 anos de estrada a mais para garantir a confiança. E a expectativa era grande, afinal a banda não vinha a São Paulo desde 1994. Às 22h, quando a cortina caiu e o riff de Love in an Elevator explodiu no Morumbi, ficou claro: a noite pertencia aos “Bad Boys de Boston”. Steven Tyler, vestido com seu tradicional arsenal de lenços e brilhos, parecia imune à idade (e à gravidade). Correndo pela passarela que avançava sobre o público encharcado, ele gritou, rodopiou e cantou com uma potência que desafiava a medicina. Ao seu lado, Joe Perry mantinha a postura “cool” e infalível, soltando riffs gordurosos em Same Old Song and Dance. Máquina de hits O show foi desenhado para agradar a todos. Para a geração MTV, a sequência Cryin’ e Jaded foi um presente. Ver o Morumbi inteiro cantando os refrões sob a garoa fina criou aquele clima de “karaokê gigante” que só bandas desse porte conseguem. Em Livin’ on the Edge, a banda mostrou peso. O som estava alto e nítido, permitindo ouvir o trabalho de baixo de Tom Hamilton (que teve seu momento de brilho na introdução de Sweet Emotion). A chuva, que incomodava no começo, virou cenário: em I Don’t Want to Miss a Thing, as luzes do palco refletiam nas gotas, criando uma atmosfera cinematográfica para a balada que, gostem ou não os puristas, é o hino romântico definitivo da banda no Brasil. Raízes do blues Mas o Aerosmith brilha mesmo quando revisita suas origens. A execução de Baby, Please Don’t Go (cover de Big Joe Williams) e Hangman Jury trouxe o clima dos bares enfumaçados para o estádio. Tyler na gaita e Perry no slide guitar lembraram a todos que, antes das baladas pop, eles eram uma banda de blues rock sujo e perigoso. Seasons of Wither foi um presente para os fãs “die-hard”, um momento de respiro psicodélico e sombrio no meio da festa. A reta final foi uma surra de clássicos. Dream On trouxe Tyler ao piano (ou pelo menos à frente dele) para atingir aquelas notas agudas que parecem impossíveis, seguidas pelo groove hipnótico de Sweet Emotion. Para o bis, não houve invenção: Walk This Way. Com Tyler e Perry dividindo o microfone no centro da passarela, a banda encerrou a noite com a energia lá no teto. O Aerosmith provou que, mesmo com a concorrência de peso na abertura, eles ainda eram os donos do circo. Saíram do Morumbi deixando 60 mil pessoas molhadas, exaustas e com a certeza de terem visto uma das maiores duplas da história do rock em ação. Edit this setlist | More Aerosmith setlists
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Se na primeira noite (quarta-feira) havia nervosismo, no sábado (27) o Titãs subiu ao palco do Morumbi com a autoridade de quem conhece cada centímetro daquele concreto. A banda, então formada pelo quarteto Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto (com o reforço luxuoso de Beto Lee e Mário Fabre), não precisou de muito para ganhar o público que já lotava o estádio sob a garoa fina de São Paulo. A estratégia foi clara: peso e hits. O som, mais sujo e direto influenciado pela turnê do disco Nheengatu, casou perfeitamente com a proposta rock n’ roll da noite. Setlist de ataque A abertura com Lugar Nenhum já colocou a plateia para pular, espantando o frio. Diferente de bandas de abertura internacionais que sofrem com a indiferença, os Titãs tinham o Morumbi na mão. AA UU e Flores foram cantadas em uníssono, provando que o repertório da banda envelheceu como vinho. Mas o momento de catarse, e que definiu a apresentação, foi político. Com o Brasil em ebulição, a execução de Vossa Excelência funcionou como um grito de desabafo. Paulo Miklos, com sua performance teatral e agressiva, regeu um coro de xingamentos aos políticos que ecoou com força assustadora pelo estádio. Consagração A banda soube dosar a agressividade punk de Polícia e Bichos Escrotos com o pop nostálgico de Sonífera Ilha. Ver marmanjos fãs de Rolling Stones dançando o passo clássico da música foi a prova de que a missão estava cumprida. O encerramento com Aluga-se (cover de Raul Seixas) e a reprise de Bichos Escrotos selou a noite. Os Titãs não foram apenas um “aperitivo”; foram um prato cheio de rock nacional, servido com a urgência e a competência de quem tem 30 anos de estrada. Eles deixaram o palco ovacionados, entregando a bola redonda para Mick Jagger chutar para o gol logo em seguida.
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