Crítica | A Princesa da Yakuza

Engenharia do Cinema Filmado em 2019, “A Princesa da Yakuza” foi mais um filme do cineasta Vicente Amorim (“Corações Sujos“) que mesclou Brasil e Japão. Previsto para ser lançado nos cinemas pela Warner Bros, esta vendeu para a Netflix os direitos, que lançou a produção agora em sua plataforma. Inspirada na HQ de Danilo Beyruth, certamente esta obra foi bastante influenciada pelo cinema Yakuza (pelos quais fazem muito sucesso no Japão e costumam focar em guerras de gangues do país, com cenas regadas a bastante violência), só que acabou sendo uma cópia barata do estilo.  A história gira em torno de Akemi (MASUMI), que vive no bairro da Independência em São Paulo, no Brasil. Após ter seu caminho cruzado com um homem misterioso (Jonathan Rhys Meyers), ela percebe que é neta de um dos maiores nomes da Yakuza, e que terá de enfrentar vários membros dela que estão vindo do Japão.     Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) Apesar de estarmos falando de um dos protagonistas ser vítima de amnésia, o roteiro de Fernando Toste, Kimi Lee, Tubaldini Shelling e do próprio Amorim é totalmente confuso e amador. Mesmo com uma direção de arte que consegue captar o estilo Cyberpunk da noite paulistana (que é plausível para este tipo de gênero), a narrativa é bastante precária. Em momento algum conseguimos ter apreço pelos personagens (afinal, os atores estão bem canastrões), e tudo é simplesmente jogado na tela, com o intuito de apenas falar “olha como estamos homenageando o cinema japonês!”. Uma coisa curiosa é que realmente a narrativa é totalmente estranha ao abordar os idiomas nos locais. Em alguns momentos um mesmo personagem fala inglês e japonês em uma mesma frase, em uma conversa informal (claramente o intuito foi tentar vender a obra para os EUA, por conta da citação deste quesito também). Isso não acaba nem aproximando o espectador, pois não soa como natural (e sim, estranho). Para piorar a situação, a única escapatória acaba sendo as cenas de luta e violência, pelas quais não são bem filmadas (já que claramente não havia tempo para os atores treinarem as acrobacias, então o diretor escondeu isso com jogos de câmera). Saudades de um cinema do Kurosawa (“Os 7 Samurais”), nestas horas.  Em seu desfecho vemos que “A Princesa da Yakuza” foi realmente pensado para ser uma franquia pseudo japonesa/brasileira, mas acaba sendo totalmente clichê e forçado.

Quarta temporada de Stranger Things tem trailer revelado; assista!

A quarta temporada de Stranger Things teve seu trailer oficial revelado pela Netflix nesta terça-feira (12). Repleto de cenas de ação, o vídeo dá ótimas amostras do que está por vir. Os novos episódios vão estrear em 27 de maio. A sequência da temporada chega em 1 de julho. Seis meses se passaram da batalha de Starcourt, que deixou um rastro de terror e destruição em Hawkins. Enquanto continuam a lidar com as consequências, o grupo de amigos se separa pela primeira vez – e navegar pelas complexidades da escola não torna as coisas mais fáceis. Nesse momento tão vulnerável, uma nova ameaça sobrenatural ainda mais terrível surge, trazendo um grande mistério que, se resolvido, pode ser a chave para acabar com os horrores do Mundo Invertido.

Crítica | Anatomia de Um Escândalo

Engenharia do Cinema Séries cujo plano de fundo envolvem escândalos sexuais políticos, já se tornaram bastante rotineiras, independentemente da nacionalidade. Anatomia de um Escândalo realmente se encaixa neste parâmetro e mesmo sendo inspirado no famoso best-seller de Sarah Vaughan, não é sinal que estamos falando de algo inovador ou até mesmo bom. É nesta hora que a diretora S.J. Clarkson (Os Defensores) e os roteiristas Melissa James Gibson e David E. Kelley, entram para fazerem seu diferencial. A minissérie gira em torno do influente político britânico James Whitehouse (Rupert Friend), que é acusado de abuso sexual por uma ex-funcionária (Naomi Scott). Neste arco dividido em seis episódios, acompanhamos o julgamento na perspectiva da esposa de James, Sophie (Sienna Miller) e da advogada de acusação Kate Woodcroft (Michelle Dockery). Imagem: Netflix (Divulgação) Por mais que popular possa parecer esta premissa, confesso que a série só começa a engrenar mesmo após seu episódio piloto, por um simples motivo: não há nada de diferente e que consiga captar nossa atenção. E a situação ainda piora, pois durante boa parte dos episódios, além de acompanharmos as duas narrativas distintas, há vários flashbacks com o passado do casal (que acabam até mesmo se tornando cansativos, pois não havia a necessidade disso ser mostrado constantemente).    Mas o acerto começa a se dar pela dramaturgia ter se resumido em momentos chaves, apenas nos olhares de Miller e Dockery (ao invés de recursos pobres como flashbacks de cenas que já vimos). Certamente a dupla vai ser lembrada no Emmy e em outras premiações, por conta deste quesito. Porém, a série acaba perdendo um pouco do gás, ao relatar o arco envolvendo o tema principal. Não há mais acidez, muito menos momentos para refletirmos. Ao invés disso, vemos Evert brincando com os atores que fazem seus filhos (um recurso pobre, feito apenas para demonstrar que o personagem é sereno, fora da ação central). Apesar de habituais erros e ter uma boa narrativa, a minissérie Anatomia de um Escândalo certamente vai fazer apenas um sucesso momentâneo nos próximos dias e depois cairá no esquecimento dos usuários da Netflix.   

Crítica | A Bolha

Engenharia do Cinema Após termos passado o tremendo caos que foi a época da pandemia e lockdown, uma coisa era certa: o cinema iria começar a explorar esse quadro de diversas maneiras, em diversos filmes e séries. Em “A Bolha“, o cineasta Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos“) apela para uma das áreas mais afetadas pela situação, que foi a indústria cinematográfica. Com a paralisação das gravações de grande parte dos filmes e seriados, sua nova produção apela exatamente para uma grande minoria, que tentou realizar suas filmagens em meio ao caos mundial.    A história é centrada em um grupo de atores, pelos quais são contratados para fazer a continuação da famosa franquia “Feras no Abismo” (que é no estilo de “Jurassic Park“). Porém, como eles estão no meio de uma época de pandemia, devem ficar isolados em um hotel e realizar vários procedimentos para evitar o contágio. Só que obviamente, as coisas não dão certo.     Imagem: Netflix (Divulgação) O roteiro escrito pelo próprio Apatow com Pam Brady procura exatamente satirizar diversas situações que vemos diariamente acontecer na indústria cinematográfica ou até mesmo em nosso dia a dia, durante a época de lockdown. Seja por intermédio de celebridades e personalidades que não seguem as próprias instruções de prevenção, que vivem pregando na mídia; A indústria cada vez mais escolher seu elenco apenas pelo número de seguidores nas redes; Agregadores de notas decidirem o destino de alguns atores; Executivos dos estúdios literalmente tratarem os profissionais de forma desumana, só para concluir o filme e até mesmo a questão de que diversos executivos chineses estão cada vez mais envolvidos nas produções executivas de vários projetos, ultimamente.    Porém, vale ressaltar que estamos falando de uma comédia com estilo pastelão e um humor negro bem peculiar, ou seja, ela poderá dividir bastante as opiniões. Embora diversas cenas acabem sendo realmente engraçadas, e o roteiro também saiba trabalhar algumas participações especiais que ocorrem (inclusive algumas delas são hilárias). Com relação as piadas envolvendo alguns atores, muitas delas funcionam como forma de esquetes e percebemos que inclusive nomes como Karen Gillan, Iris Apatow, Pedro Pascal, Leslie Mann, David Duchovny e Keegan-Michael Key realmente estão se divertindo nesta proposta. Após um enorme hiato de filmes cômicos, “A Bolha” chega para quebrar isto e acaba divertindo por conta de ser uma sátira inteligente e divertida.

Crítica | Sorte de Quem?

Engenharia do Cinema Após ter dirigido o ator/roteirista Jason Segel (da série “How I Met Your Mother“) em “A Descoberta“, o cineasta Charlie McDowell retorna essa dobradinha com o mesmo em “Sorte de Quem?“. Novamente também sob o selo da Netflix, temos um suspense um tanto que melhor trabalhado e que consegue tirar suspense em arcos corretos. A história mostra um homem (Segel), que invade uma casa de veraneio e começa a usufruir da mesma. Eis que repentinamente os proprietários do local (Lily Collins e Jesse Plemons) chegam, e o fazem a ter de tomar algumas sérias medidas para sair da situação. Imagem: Netflix (Divulgação) O roteiro estabelecido por Justin Lader e Andrew Kevin Walker tem como escopo principal vender a clássica história de que “todo empresário é safado, explorador e machista”. Dependendo do ponto de vista, isso poderá ser um certo incômodo para o espectador, ainda mais também pelo fato de ainda venderem que o personagem de Segel seja um “pobre coitado e vítima da sociedade”. Isso apenas irá funcionar, de acordo com a perspectiva do público.     Independente dessa polêmica questão do roteiro, McDowell procura tirar cenas de suspense (inclusive de uma forma onde ficamos angustiados) em situações totalmente banais. Isso chega a funcionar, mesmo tendo estes descuidos do texto, graças a excelente atuação do trio central (pelos quais, às vezes, trabalham apenas com olhares e gestos, inclusive).  Apelando para a bandidolatria, longa “Sorte de Quem?” certamente chegou para polemizar o público da Netflix. Porém, o próprio não convence nem um pouco o público de sua mensagem.

Crítica | Ninguém Pode Saber

Engenharia do Cinema É inegável que ao ver o nome de Toni Collete estampando alguma minissérie da Netflix, sabemos que terá qualidade em alguma coisa. Seja nas atuações, roteiro e até mesmo no fator entretenimento. Após o sucesso de “Inacreditável” em 2019, ela retorna mais uma vez em uma produção da plataforma em “Ninguém Pode Saber“. Inspirado no livro de Karin Slaughter e dividida em oito episódios com cerca de 40 minutos cada, realmente estamos falando de uma minissérie que se encaixa nos padrões ditos. Imagem: Netflix (Divulgação) O enredo tem inicio quando Laura (Collete) impede que sua filha Andy (Bella Heathcote) seja assassinada em um repentino massacre em uma lanchonete, ao conseguir matar o próprio atirador. A atitude acabou provocando um espanto em todos ao seu redor, fazendo com que Andy comece a desconfiar que sua mãe lhe esconde algo bastante perigoso. A direção dos episódios são assinadas por Minkie Spiro, que está ciente do fato de termos um roteiro cuja premissa qualquer espectador consegue discernir seus desdobramentos. Eis que ela começa apelar para uma atmosfera de nos aproximarmos de alguns personagens, para podermos comprar sua história. Com constantes flashbacks da vida de Laura (agora vivida por Jessica Barden), começamos aos poucos a compreender o quebra-cabeças que está sendo feito. Não entrarei em território de spoilers, mas alerto que a fonte condiz e muito com o que estamos vendo em movimentos sociopolíticos.    Porém o que acaba deixando um pouco de lado é a própria trama central de Andy, que realmente é aproveitada por poucas vezes. Atmosferas de suspense em sua investigação, são jogadas de lado e temos a mesma em cenas de novela mexicana (que vão de discussões com padrasto, “ajudante na investigação” e até mesmo com a própria Laura). Faltou mais originalidade na atmosfera desta. Embora o show das atuações seja sobre Collete, Heathcote e Barden. Mesmo as vezes parecendo uma novela mexicana, “Ninguém Pode Saber” consegue entreter quem busca um suspense interessante na Netflix.

Crítica | Naquele Fim de Semana

Engenharia do Cinema Fazendo um enorme barulho por vários usuários da Netflix em seu lançamento, o suspense “Naquele Fim de Semana” pode-se definir como um “mais do mesmo” dentro de um arco que já foi inúmeras vezes mostrado nos cinemas. Mesmo apostando no talento da atriz Leighton Meester (da série “Gossip Girl“), dificilmente este filme conseguirá agradar aqueles que buscam um suspense mais complexo. Afinal, o mesmo se passa em Lisboa e sempre é bom vermos estes cartões postais em longas, não é verdade? Baseado no livro de Sarah Alderson (que também assina o roteiro do longa), a história gira em torno de Beth (Meester) que vai para Lisboa encontrar com sua amiga Kate (Christina Wolfe). Depois de uma noite de bebedeiras e farras, ela desaparece, fazendo com que Beth lhe procure por toda a cidade. Imagem: Ivan Sardi/Netflix (Divulgação) Se fosse uma comédia, claramente o primeiro filme que viria à cabeça ao ler a sinopse seria “Se Beber, Não Case!“. Mas como estamos falando de um drama com toques de suspense, a sensação que temos no longa é uma só: será que estamos certos ou errados sobre os rumos da narrativa. Sim, o escopo funciona perfeitamente neste tópico. Só que sempre quando temos um filme nesta temática, temos de saber trabalhar a quantidade de ploats e surpresas com o público.  Certamente esse cuidado básico não aconteceu aqui, pois o excesso de informações jogadas em tela e a forma como as mesmas são abordadas e encerradas, parecem ser feitas às pressas, pois não havia mais condições de gravar o longa em Lisboa. Por um breve momento, até parece que estamos vendo um filme com outra temática ao invés da proposta no segundo parágrafo.  “Naquele Fim de Semana” acaba sendo mais uma produção genérica da Netflix, que vai acabar mofando no catálogo já nas próximas semanas.

Crítica | O Projeto Adam

Engenharia do Cinema Pode-se dizer que “O Projeto Adam” é um dos primeiros grandes blockbusters do ano, na Netflix. Sendo estrelado por Ryan Reynods, Mark Ruffalo, Jennifer Garner, Zoe Saldana e Catherine Keener, o filme já se vende pelo nome dos quatro primeiros, além de ter na direção o cineasta Shawn Levy (que é conhecido por ter feito inúmeros filmes populares como “Uma Noite no Museu” e “Doze É Demais”). Com uma pegada de “De Volta Para o Futuro” com “Exterminador do Futuro”, confesso que mesmo possuindo uma trama interessante e bem encaminhada, certamente ocorreram vários problemas na pós-produção. A história gira em torno de Adam (Reynolds), que volta ao passado com o propósito de salvar sua então namorada (Saldana). Só que por um descuido, ele acaba voltando para a época onde ele tinha 12 anos (Walker Scobell) e nota que terá de salvar seu Pai (Ruffalo) de ser assassinado, para poder consertar toda a situação. Imagem: Netflix (Divulgação) Um dos grandes chamarizes em seus primeiros minutos é a verossimilhança entre Reynolds e Scobell, pois este se assemelha e muito com uma “versão criança do Deadpool”. O fato consegue arrancar boas risadas e interações entre os dois, só que o roteiro de Jonathan Tropper, T.S. Nowlin, Jennifer Flackett e Mark Levin parecem apenas jogar as situações e não acabam explorando as mesmas por completo.     Sem entrar no contexto de spoilers, a sensação que acabamos tendo é de que os produtores queriam uma metragem menor em relação ao corte final (que deveria ter tido 2h15, ao invés de 1h43 minutos). Então é perceptível que muitas cenas foram jogadas para escanteio e personagens centrais acabam sendo jogados para escanteio e até “sumindo” do enredo. Em contradição, posso assegurar que se tivéssemos o mesmo projeto concebido por outros atores e até mesmo diretor, não teria conseguido entreter o espectador, mesmo com esta estupenda quantidade de erros técnicos. “O Projeto Adam” acaba sendo uma produção que diverte apenas por ter conseguido escolher os atores e diretores certos, pois caso contrário teria sido mais uma bomba da Netflix.

Crítica | De Volta aos 15 (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Anunciada ha cerca de um ano, a série brasileira “De Volta aos 15” é mais uma adaptação da Netflix para um famoso livro da escritora de livros teens, Bruna Vieira. Estrelada por Maisa e Camila Queiroz, o mesmo se assemelha demais com o sucedido “De Repente 30“, mas de forma oposta. Só que mesmo com seus primeiros minutos mostrando uma enorme nostalgia para quem viveu os anos 2000, a qualidade do programa acaba decaindo bruscamente a medida que ele progride em seus seis episódios. A história gira em torno de Anita (Queiroz), que tem 30 anos e ainda vive com a cabeça no tempo da adolescência. Sem conseguir ter animo com nada que está acontecendo, ela acaba recordando de uma rede social que frequentava nos tempos de 2006. Ao fazer o Upload de uma foto no mesmo, Anita (agora vivida por Maisa) acaba voltando justamente para este ano citado, quando tinha 15 anos. Imagem: Netflix (Divulgação) Com diversas menções a situações que recordam ao melhor dos anos 2000, como locadoras de vídeo, comunidades do Orkut e músicas de bandas então que bombavam como Charlie Brown Jr. e Pitty, conseguimos em seus primeiros momentos comprar a premissa. Porém estamos falando apenas dos primeiros minutos do episódio piloto, e ainda restam mais cinco. É ai que está o principal problema. Mesmo com uma enorme semelhança física e nas feições de Maisa e Camila, o roteiro começa a cada vez menos aproveitar essas situações que ambas poderiam ter vivenciado. Ao invés de mirar no estranhamento da situação e até mesmo com algumas “consequências” que o fato promove, o enredo promove apenas um ativismo sócio-politico e deixa tudo que foi citado de lado. A começar que há episódios onde acompanhamos mais os dramas dos amigos de Anita, ao invés da própria. Mesmo tendo a possibilidade de explorar relações que seriam impossíveis quando esta está no corpo adulto, o roteiro direciona para arcos de personagens coadjuvantes chorando e vivenciando problemas amorosos e sexuais (inclusive, até esquecemos que estamos vendo uma série sobre “viagem no tempo”). Isso sem citar que são usadas diversas frases de efeito e músicas daquela época, com o único intuito de fazer com que a mesma seja compartilhada em redes sociais e trazer mais visibilidade para a série e a própria plataforma. Mesmo sendo vendida como a versão nacional de “De Repente 30“, a série “De Volta aos 15” nos promove uma versão pobre de “Malhação“