Entrevista | Coruja BC1 – “Só passaremos dessa fase de mãos dadas”

O rapper Coruja BC1 será uma das atrações do festival online Juntos Pela Vila Gilda, neste sábado (25). O artista, uma das referências do rap nacional, vai compor o Bloco do Rap, que tem início às 22h30. A iniciativa conta com mais de 200 artistas para arrecadar cestas básicas aos moradores da maior favela sobre palafitas do Brasil, a Vila Gilda, em Santos. “É importante não só a mobilização dos artistas e cantores, mas da sociedade como um todo. Estamos atravessando um dos períodos mais sombrios que já vivemos em todos os sentidos, seja pelo fato de estarmos passando pela pandemia ou pelo abismo da necropolítica que foi institucionalizada. Só passaremos dessa fase de mãos dadas!” Coruja BC1 Versatilidade é um ponto forte de Coruja Coruja tem dois álbuns lançados, No Dia dos Nossos (2017) e Psicodelic (2019), as mixtape Até Surdo Ouvir (2012) e A Voz do Coração (2014), além de singles. Em maio deste ano, ele soltou o EP Antes do Álbum. E dessa produção, recentemente liberou o videoclipe da faixa Baby Girl feat Cazz Prod. Grou e Som de Fazer Pivete feat Késia Estácio e Prod. Dj Will. Músicas como Modo F., NDDN, Apócrifo e Fogo, expressam uma sonoridade bem pesada, crua e com letras muito bem elaboradas. Assim, Coruja consegue expressar as injustiças sociais e raciais da nossa sociedade. Mas a versatilidade é uma habilidade de Coruja, que consegue trazer, por exemplo, lovesongs únicas como Éramos Tipo Funk e Dopamina, presentes na produção Psicodelic. A música Ressaca, também uma lovesong, que saiu no primeiro semestre de 2020, tem uma estética e sonoridade bem diferente das produções anteriores de Coruja. Sobre essas diferenças, ele afirma que sempre procura explorar novas possibilidades. “Estou sempre buscando sair de minha zona de conforto, sempre mantendo a rédea dos meus trabalhos. Explorar novas possibilidades sonoras é o que os músicos que eu mais admiro fazem. Me enxergo e me encontro nessa mesma lógica”. Cara de Hit Sobre os próximos lançamentos, Coruja afirma que está com trampo novo e parece que vem com tudo. “Tem sim, só não tenho data ainda. Mas essa tá com cara de hit, palavras de um amigo meu”. Em seu próximo álbum a ser lançado Brasil Futurista, ele também promete surpreender. Segundo ele, podemos aguardar “uma musicalidade diferente de tudo que está acontecendo na cena”. Falta da presença do público Durante a pandemia de Covid-19, Coruja afirma não ter tido dificuldade para criar, mas sim se adaptar à nova realidade. “Confesso que ainda não me acostumei com esse lance de live. Sinto muita falta do público, na verdade é o público que nos move. Sobre compor, não tive dificuldade ainda para criar, embora esse período tenha trazido um certo desconforto e exaustão mental pra mim”.
Entrevista | Wufologos – “Temos que fazer para os nossos!”

O grupo de rap Wufologos, da Baixada Santista, tem uma longa caminhada na cena. Criado em 1997, com 23 anos de estrada, conta na formação atual com Mysthério, 48 anos, Athayde Muñez, 27, e DJ Ice Boy, 44. Eles serão uma das atrações no Juntos Pela Vila Gilda, que acontece neste fim de semana. Mysthério, no entanto, é o único integrante da formação original do grupo. O artista conta como era fazer rap naquela época, quando as condições eram outras. “Quando começamos era tudo diferente. Não tinha internet, era mais complicado até para gravar, não tinha tanto estúdio igual tem hoje. Atualmente, as coisas são bem mais fáceis”. A voz do povo O grupo gosta de trazer retratos das desigualdades sociais, racismo e formas de preconceito em suas letras. Isso porque querem dizer o que o povo tem vontade de falar. “Queremos ser a voz do povo de verdade, o que eles gostariam de falar, mas não têm como. Então é como se estivessem falando por nós. Somos contra as coisas erradas do governo, do sistema que nos oprime. Escrevemos e transformamos isso em versos e rimas”, afirma Mysthério. Para seus próximos trabalhos, no entanto, o grupo cogita organizar uma produção com todas as parcerias internacionais que já fizeram. Os trabalhos já estão disponíveis no YouTube, mas eles pretendem fazer algo melhor com o material. Durante a pandemia, o grupo preza pelos ensaios solos, lives, estudos sobre produções musicais e assuntos relacionados a outros trabalhos e ações. Mysthério, por exemplo, mantém o canal Hip Hop Information Zero13, no qual entrevista rappers da Baixada Santista e de outras regiões do Brasil. Como é fazer rap na Baixada? Mysthério fala sobre a questão da localidade. “O desafio que a gente enfrenta é fazer rap na Baixada Santista, porque onde se respira o rap mesmo é na Capital. E é muito prazeroso pra gente quando artistas de lá comentam sobre a gente, é sinal que estamos no caminho certo”. O DJ Ice Boy aponta para a falta de investimento e mídia para os grupos e artistas da região. “Cada local tem sua linha e forma de fazer rap. A Baixada Santista tem uma característica diferente, o que falta muito é investimento, rádio aberta, mídia, organização”. “O público daqui também precisa fazer mídia, pois precisamos sair da fase de começo e ir para uma fase mais profissional. Produzir clipes, shows e começar a desenvolver o trabalho, tirar dinheiro do que se faz”. “A maioria dos grupos em São Paulo, por exemplo, já viraram marcas. Os grupos daqui precisam partir para esse campo. É desenvolver o mercado da Baixada Santista e começar a sobreviver do que produz”, conclui. Athayde Muñez, de São Vicente, ressalta a falta de público: Fazer rap na Baixada Santista é um desafio; é complicado, escasso. O pessoal meio que se divide e ainda tem aquele preconceito. A maior dificuldade de fazer rap aqui é a falta de público. A maioria das pessoas nos eventos são aquelas que vão cantar, poucos são plateia. Às vezes, são 15 artistas e eles são a própria plateia, e isso atrapalha bastante. Athayde Muñez “Também há falta de recursos pra ficar indo pra outros lugares. Mesmo assim a gente não para por nada, isso faz parte da nossa vida!”, enfatiza. Wufologos no Juntos Pela Vila Gilda Os integrantes comentam a importância de sua participação no evento. O grupo se apresenta no primeiro dia de festival (25), portanto, acompanha outros rappers da região, o Facção Caiçara. É muito importante, eu tenho alguns conhecidos na Vila Gilda, só que nunca tive a oportunidade de participar de uma ação como essa. A Vila Gilda pode contar com o Wufologos quando precisar. É um povo guerreiro, batalhador, povo que trabalha, que luta. Temos que fazer para os nossos, isso é muito importante! Mysthério DJ Ice Boy comenta a necessidade de organização política. “Pessoalmente, não conheço a Vila Gilda, pois estou há dois anos aqui na região. Sei que é uma comunidade que passa pela carência do Estado e de políticas públicas, como a maioria das comunidades da Baixada Santista e São Paulo. Cabe a população se organizar, saber lutar pelos seus direitos e cobrar do poder público”, destaca.
Batalha de versos vai revelar novos talentos na cena independente do rap nacional

As plataformas Fluve e TuneTraders se uniram para uma ação inédita que visa descobrir novos talentos na cena do rap nacional. Em resumo, a ação será uma batalha de versos feito focada na participação de artistas independentes. Ademais, cinco artistas serão escolhidos. O prêmio inclui um pacote completo de investimentos para produção, lançamento, execução e rentabilidade de uma faixa, através de crowdfunding de capital artístico, distribuição digital e campanha de mídia online. A iniciativa visa ainda movimentar o cenário do rap nacional, abrindo mais espaços e oportunidades. As incrições para a batalha de versos devem ser realizadas entre os dias 20 e 31 de julho. Para participar, o artista deve possuir uma página oficial no Instagram e já ter lançado pelo menos uma faixa nas plataformas digitais. Depois das inscrições, os versos são postados no Instagram da TuneTraders para a votação. Os cinco posts mais curtidos levam os prêmios. O anúncio do resultado tem data prevista para o dia 10 de agosto.
Entrevista | Facção Caiçara – “O rap precisa estar em prol desta causa”

O Facção Caiçara será uma das duplas de rap presentes no Juntos Pela Vila Gilda. O projeto formado por Yakuza Mc, 22 anos, e Lemo$ Mc, 19 anos, representa a cena santista. A dupla se conheceu em um ambiente de trabalho e o rap sempre foi o principal assunto em comum entre os dois. Por isso, criaram o Facção Caiçara, no final de 2018. Eles já estão com novos singles programados e têm conseguido compor nesse período de quarentena, tanto para o Facção Caiçara quanto para trabalhos solos. “Esse tempo tá servindo pra gente ler um pouco mais, variar o repertório. As coisas continuam fluindo” afirma Yakuza. Na noite desta quarta-feira (15), foi lançada a CYPHER SGC – IRAQUE com feat do Facção Caiçara, Big G & Badezir. O clipe foi gravado no Mangue Seco, na Zona Noroeste, e retrata vivências de pessoas de regiões periféricas, injustiças sociais, raciais e afins. Nas composições do Facção Caiçara podemos encontrar letras de protesto, que falam sobre minorias, comunidades e injustiças sociais. Eles têm como inspiração o grupo de rap Facção Central, só que com músicas mais modernizadas, com temas atuais. Entretanto, o repertório do grupo não se restringe a isso, podendo variar para uma lovesong, por exemplo. Juntos Pela Vila Gilda Sobre a participação no evento Juntos Pela Vila Gilda, eles afirmam ter aceitado o convite de prontidão com o maior prazer. É muito importante! Tanto que a gente viu o convite e aceitou na hora, porque algo beneficente e social é sempre muito importante, principalmente quando a gente faz rap e está no meio da cultura hip hop. É uma cultura que visa ajudar as pessoas que mais precisam e o rap precisa estar em prol desta causa. Ainda mais quando são lugares que a gente está perto, nesse caso da Baixada Santista. Assim, podemos fazer alguma coisa. A participação do artista em projetos assim é essencial. Yakuza MC O duo se apresenta no primeiro dia de evento, dia 25 de julho. Confira o lineup completo!
Entrevista | Nasi (Ira!) – “essa é a melhor formação do Ira!”
1038: Augusto Pakko canta a realidade da Zona Noroeste de Santos
Budweiser convoca live com grandes rappers neste domingo

Programação da Budweiser inicia a partir das 15h30 e tem Drik Barbosa, Rashid, Marcelo D2, Rincon Sapiência, BK, Karol Conká, Emicida e o rapper norte-americano Ludacris Nomes de peso do rap nacional vão fazer live neste domingo (26) a convite da Budweiser. São eles: Drik Barbosa, Rashid, Marcelo D2, Rincon Sapiência, BK, Karol Conká e Emicida. O rapper norte-americano Ludacris também foi confirmado. As lives são para incentivar doações para quem está na linha de frente no combate ao Covid-19 no Brasil. Segundo a marca, haverá doações de kits de proteção pessoal para apoiar o trabalho dos Médicos Sem Fronteiras no combate à Covid-19. Os interessados também podem doar qualquer valor. Todas as doações serão revertidas para o Fundo de Crise Coronavírus dos Médicos Sem Fronteiras. A organização está na linha de frente ajudando milhares de vidas em mais de 50 países. O festival será transmitido pelo canal do YouTube da Budweiser Brasil. Nas demais redes, a marca promove ações interativas com os fãs. No Instagram, por exemplo, serão promovidas interações com os fãs, enquanto pelo Zoom, rola um “after party” com os artistas. Confira os horários das apresentações organizadas pela Budweiser: 15h30- Drik Barbosa 16h15- Rashid 17h- Marcelo D2 17h45- Rincon Sapiência 18h30-BK 19h15- Karol Conká 20h- Emicida 21h15-Ludacris
Rapper santista Augusto Pakko lança Marcha na Amarok

O rapper Augusto Pakko soltou o som Marcha na Amarok na sexta-feira (17). A música retrata a vivência de boa parte da população brasileira, que mora em áreas marginalizadas. Pois, a sociedade e principalmente a polícia não aceitam ver a ascensão desse povo. Pakko é da Zona Noroeste de Santos e afirma que “mesmo com toda desigualdade continuaremos persistindo e metendo marcha na Amarok e indo do lixo ao luxo!”. “Então Vem que é o toque, vem que é o toqueNa contensão do walkie-talkieNa blitz passamo a mil meu bonde é marcha na Amarok” Trecho da música Marcha na Amarok A música por enquanto está disponível no Youtube. Na terça-feira (21), estará disponível nas demais plataformas digitais. Ficha técnica da música: Marcha na Amarok Designer da Capa: @luiis.khalifa Produção Instrumental: @beatsbybrak Mixagem e Masterização: @beatsbybrak Acompanhe o trabalho do artista pelas redes sociais: @augustopakkoContato: augusto.pakko@gmail.com
MC Cres e Tubarão retratam vitória do morador de quebrada em Joga pra Vencer