Resenha – Jackals – Deathcrown

Deathcrown

Enquanto trabalha em seu full lenght, o quinteto americano de death metal Deathcrown soltou em janeiro último seu EP Jackals, sucessor de Living Hell (2016). Mike Parks (voz), Tommy Gunn e Jake Vanderband (guitarras), Anthony Gadzalski (baixo) e Robley Ball (bateria) sabem exatamente onde querem chegar com sua banda, ou seja, death metal old school. Com influências do lado americano mais brutal, como Monstrosity, e das melodias da Suécia, Jackals é um petardo facílimo de agradar aos fãs de metal extremo. Por ser um EP e conter apenas cinco faixas, é um daqueles trabalhos que nos fazem repetir a audição. A faixa-título abre o disco e traz riffs de guitarra com melodias mórbidas e uma bateria precisa e veloz, death metal puro! Of Blood And Iron começa direto com uma pancadaria pra lá de rápida, sendo a melhor música do EP, com toques de At The Gates. Baptized in Horror e Sermons of The Slaughter finalizam o massacre de maneira convincente, fazendo do Deathcrown mais um nome recomendável no disputadíssimo cenário death metal. Confira: JackalsAno de Lançamento: 2020Gravadora: Primitive Ways Records Faixas:1-Jackals2-Of Blood And Iron3-Hypnophonic Paralysis4-Baptized in Honor5-Sermon of The Slaughter

Resenha – At The Darkest Night – Evilcult

Evilcult

Formado no Rio Grande do Sul por Lucas “From Hell” (guitarra) e Blasphemer (bateria), o duo Evilcult estreou na cena em 2016 com o EP Evil Forces Command. At The Darkest Night, seu primeiro full lenght, chega à luz do dia agora em 2020, em meio ao caos mundial. Os mais atentos já sacaram qual é a do Evilcult, a começar pela capa e desembocando no pseudônimo dos músicos. Óbvio que se trata do mais puro speed/thrash/black oitentista, uma época que o metal extremo ainda não era dividido entre tantos subtítulos. Está tudo lá: os vocais guturais, mas que arriscam agudos no melhor estilo Tom Araya fase Show no Mercy; os riffs passando longe de efeitos mirabolantes ou afinações muito baixas; a bateria pulsante, firme e precisa. Bathory, Sodom, Sepultura (fase Morbid Visions) e até Hellhammer estão entre as influências aqui. A essa altura, quem é da época já ligou a guitarra invisível em sons certeiros como Sons of Hellfire, Noctural Attack, Army of The Dead, Burning Leather e Army of The Dead. A aura satânica do material também é digna de nota. Evidentemente, não espere pela invenção de um estilo novo, pois essa nem é a proposta da banda. Porém, é tudo tão bem feito, honesto e cativante que é impossível não lembrarmos o porque de curtimos metal, seja qual for sua vertente. Bangers, mãos (e ouvidos) à obra! At The Darknest NightAno de Lançamento: 2020 Faixas:1-Drunk By Goat´s Blood2-Sons of Hellfire3-Nocturnal Attack4-Eternal Cult of Darkness5-Burning Leather6-Army of The Dead7-Unholy Nights8-Necro Magic

Crítica| Os irmãos Willoughbys – desconstrução de estereótipo familiar

Os irmãos Willoughbys

Lançado nessa quarta-feira (22), a animação Os irmãos Willoughbys, de produção da Netflix, conta a história de quatro irmãos que tentam ficar órfãos para terem liberdade.  A história começa narrada por um gato mega sarcástico, dublado por Terry Crews. O gato dá um resumo sobre famílias, em especial da família de Tim, primogênito rejeitado pelos pais Willoughbys.   Após gerações da família Willoughby, os pais de Tim (Will Forte), Jane (Alessia Cara) e os gêmeos Barnaby (Seán Cullen), quebram bruscamente as tradições da família ao se mostrarem despreocupados com o amor, mostrando que só existe afeto entre o casal.  Com um bebê abandonado no portão, os irmãos Willoughbys são expulsos de casa. Eles então buscam um lar para a criança para que possam voltar ao seu. Mesmo fazendo o que lhes foi mandado, seguem sem receber amor. Portanto, elaboram uma viagem que resultaria na morte de seus pais, o que os deixariam órfãos e livres para fazerem o que antes não podiam. Com a chegada de uma babá, há relutância por Tim, que desconfia das boas intenções da moça. Entretanto, ele passa a enfim se sentir amado e protegido.  Desconstrução familiar  Com a chegada do conselho tutelar, as crianças são separadas e adotadas. Tim decide ir atrás de seus irmãos, para que possam ajudar a salvar seus pais, que mesmo salvos pelos filhos, seguem com a rejeição e desaparecem. O filme termina com a tristeza das crianças diante da situação, mas também com aceitação e positivismo para formarem suas próprias famílias com seus próprios valores.  Notas sobre os irmãos Willoughbys  Fator determinante para ter deixado o filme engraçado foi a narração do gato, que se envolve na trama. Tudo na animação é muito bem contextualizado, tem harmonia e contraste (colírio para os olhos).  O diferencial para outras animações é o jeito que retratam a história. Com foco principal no garoto problemático e desconfiado do amor, já que nunca o tinha recebido, não há um “felizes para sempre” em seu fim. O longa retrata problemas comuns envoltos a famílias reais. Desconstrói o conceito de que família é baseada na genética, mas que também pode ser construída com pessoas diferentes. Afinal, não há tipo sanguíneo para o amor. 

The English Game: a ascensão da classe operária e o futebol

Os fãs de esporte e história ganharam um novo atrativo na Netflix. No mês passado, a gigante do streaming lançou uma nova produção original, chamada The English Game. O longa mostra a ascensão da classe operária no futebol, que ainda era um esporte prematuro e dominado pela elite no final do século XIX. O ponto de partida é a chegada dos escoceses Fergus Suter (Kevin Guthrie) e Jimmy Love (James harkness) ao Darwen FC. O modesto clube do norte da Inglaterra chegava pela primeira vez às quartas de final da FA Cup, a copa da liga inglesa. Porém, como o futebol era considerado um esporte amador, jogadores não poderiam ser pagos, muito menos contratados por uma equipe. Por isso, James Walsh (Craig Parkinson), dono da equipe, contratou a dupla para trabalhar em sua usina de algodão como fachada para que pudessem jogar. A partir daí, a série mostra como Suter e Love implementam a técnica do futebol escocês e fazem o Darwen FC dar um “baile” no Old Etonians, time da elite. Eles quase se tornam a primeira equipe de operários a chegar na semifinal da copa. A série reforça como o futebol era – e ainda é – um dos poucos motivos de alegria dos mais pobres, que batalham todos os dias na luta contra a desigualdade e o preconceito. Assim, é possível observar os primórdios do que hoje conhecemos como sócio-torcedores, além de como o esporte pode mexer com os nervos de quem ama de verdade um clube. Outro ponto que a série retrata é o início das grandes rivalidades futebolísticas. Quando Suter troca o Darwen pelo rival Blackburn, por motivos financeiros, a mudança causa revolta em toda a cidade. Com isso, intensifica ainda mais o clima de tensão entre os clubes. Ainda que o futebol seja o tema central da história, a série peca e mostra pouco a bola rolando. Os takes de partidas são curtos e vagos, portanto, colocam em cheque temas importantes, como as próprias mudanças táticas trazidas por Fergus Suter e Jimmy Love. Desigualdade Apesar de falar sobre futebol, a trama da série vai muito além do esporte. A produção retrata com afinco a desigualdade social na Inglaterra. Além disso, mostra como o machismo interferia fortemente na vida das mulheres pobres e solteiras da época. Enquanto os times bancados pela elite conquistavam títulos todos os anos, as equipes de trabalhadores não tinham bons desempenhos. Isso não acontecia pela capacidade técnica inferior, mas sim pelas rotinas diferentes. Os operários faziam trabalhos braçais de segunda a sábado e tinham que jogar aos domingos, sem ao menos treinar. Entre confrontos de elite x nobreza, Suter e Love contam com ajuda de Arthur Kinnaird (Edward Holcroft). Juntos, transformam um pouco da sociedade e muito do futebol. Machismo Em uma história paralela, Alma Kinnaird (Charlotte Hope), esposa de Athur, sofre com a perda de seu filho. Entretanto, como forma de recuperação ao trauma, ela decide ajudar jovens mães solteiras a conseguirem um lugar na sociedade. Neste ponto, a série escancara como mães solteiras eram marginalizadas pela elite e mal conseguiam empregos por puro preconceito. A minissérie conta com apenas seis episódios, portanto é uma ótima pedida para maratonar. Confira o trailer de The English Game: