Muse anima fãs com clima futurístico em São Paulo

Muse faz show futurista em São Paulo

A mudança de lugar não foi suficiente para conter a imensa produção do Muse. Com estilo retrô-futurista, a banda agradou os oito mil presentes no Ginásio do Ibirapuera com sua Simulation Theory World Tour. Semelhante ao concerto apresentado no Rock in Rio, que encerrou o festival no último domingo (6), a apresentação fluiu bem. O enredo do show se dividiu em duas partes: uma fase conceitual e performática de Simulation Theory; outra agitada e popular, resgatando os principais hits do Muse. Com 24 canções, o repertório do show foi equilibrado, contemplando vários momentos de sua discografia. Não delimitadas, as duas fases se intercalavam pelo set, portanto muitas vezes quebravam a narrativa principal da tour. Entre os álbuns em destaque, estão Absolution (2003), Black Holes and Revelations (2006) e The 2nd Law (2012). Megaprodução O principal acerto da Simulation Theory World Tour está na estrutura de palco. Os disparos de luzes coloridas, sempre constantes, sustentam a atmosfera futurista. Câmeras espalhadas pelo palco faziam takes imediatos do show, que então apareciam no telão com efeitos visuais e insertes geométricos. O palco em T com elevador permitiu ao vocalista Matt Bellamy surpreender o público, viajando de uma ponta a outra durante a apresentação. O frontman se movimentou bastante, percorrendo todos os cantos do palco, enquanto seus colegas de banda ficaram mais tímidos. Contudo, um único trânsito do trio em conjunto aconteceu próximo ao fim do show. Inspirações no Eddie gigante do Iron Maiden? Talvez. Mas o fato é que o enorme esqueleto tentando capturar Bellamy durante o mashup final de hits é um espetáculo. A sequência Stockholm Syndrome / Assassin / Reapers / The Handler / New Born ganhou força com uma mãozinha do esqueleto (ou melhor, com uma mãozona). Balões, chuva de papéis coloridos e serpentinas, fumaça… Todos os efeitos possíveis foram aproveitados. Não por falta de espaço, o Muse trouxe seu maquinário completo para uma performance visual que excede as expectativas. Simulation Theory A apresentação da tour começa com Algorithm, num clima de realidade alternativa com direito a dançarinos. As coreografias se voltam às músicas do novo álbum, pontuando quais momentos fazem parte da nova fase. Sempre com figurinos temáticos, os performers trazem robôs, armas de gelo seco e até um futuro pós-apocalíptico ao palco. Propaganda e Plug in Baby são a combinação mais explosiva, com riffs velozes. Matt Bellamy desacelera o ritmo ao entoar Pray (High Valyrian), sua canção solo que serviu de trilha durante a parte final de Game of Thrones. Outro momento mais leve é com Dig Down, que tem uma pegada synth mais teatral. Na volta ao palco após uma breve pausa, trazem Madness, uma das canções mais mornas do álbum. Mesmo assim, ela rende um momento introspectivo movido a danças lentas. Algorithm também encerra o ciclo de Simulation Theory, sendo a penúltima música tocada. Em performance num “Bellamy-verso”, imagens ao vivo do show convergem com uma realidade alternativa de fotos distorcidas do vocalista. Tudo é orientado à máquina arcade no centro do palco, que quando desplugada por Bellamy, encerra as luzes do palco e dá fim às sequências temáticas. Muse foca nos graves O grande segredo da banda está no peso. Com fortes marcações de ritmo na bateria e riffs icônicos no baixo, o grave se destaca constantemente. A guitarra de Bellamy é apagada em muitos momentos, até quando decide embalar efeitos à la Tom Morello. Mesmo que Christopher Wolstenholme não seja o mais simpático dos baixistas, sua presença é crucial para que a magia aconteça. Com trocas de instrumento a cada canção, ele atrai o público, mas não corresponde. Na introdução dedilhada de Hysteria, gera uma verdadeira histeria entre os fãs, e mesmo assim mantém-se firme à sua postura. Outros hits da banda, como Supermassive Black Hole e Knights of Cydonia, concentram toda sua energia no baixista. Old school Muse A sinergia com o público só acontece de fato com os singles mais antigos. Mercy e Time Is Running Out, por exemplo, emendam um momento brilhante junto a Prelude e Starlight, sendo a última a canção mais próxima de uma balada romântica. A agitação realmente acontece com Psycho e Uprising. O momento mais surpreendente vem então com Showbiz, parte do disco homônimo de estreia da banda, de 1999, que não constava no setlist do Rio. Durante a canção, o Muse tem seu momento mais rock n’ roll, apresentando uma performance mais crua e carregada. O último bloco é composto por um mashup de riffs mais conhecidos: Stockholm Syndrome / Assassin / Reapers / The Handler / New Born. Nesse momento, o público dança sem parar a cada minuto. No entanto, o ápice da apresentação é Knights of Cydonia, single icônico que nunca perde seu charme. Confira o setlist completo do show: Algorithm (Alternate Reality Version) Pressure Psycho Break It to Me Uprising Propaganda Plug In Baby Pray (High Valyrian) The Dark Side Supermassive Black Hole Thought Contagion Interlude Hysteria Showbiz (com riff de Ashamed) The 2nd Law: Unsustainable Dig Down (Acoustic Gospel Version) Madness Mercy Time Is Running Out Prelude Starlight Algorithm Stockholm Syndrome / Assassin / Reapers / The Handler / New Born Knights of Cydonia

Kaiser Chiefs faz set animado e conquista público em SP

Kaiser Chiefs faz show breve e animado em São Paulo

A abertura do Muse em São Paulo contou com o charme do Kaiser Chiefs. Em um breve set de 10 músicas, a banda deu todo o gás em sua apresentação. Mesmo tímidos, moveram um show com alto astral, marcado pela presença de palco de seu vocalista. Com pontualidade britânica, o Kaiser Chiefs subiu ao palco às 19h45. A recepção foi branda, mas aos poucos conseguiram aquecer o público. O ginásio não demorou para se render às brincadeiras do frontman, respondendo às canções e entoando junto os principais hits do grupo. Ruby, I Predict a Riot e Oh my God foram os pontos mais altos. Mas mesmo nas canções não tão populares, a banda conseguiu bons aplausos. Com atitude, o grupo também conquistou pontos com sua qualidade técnica e atenção às escolhas do set. Boa parte desse sucesso se deve à performance calorosa do vocalista Ricky Wilson, cuja forte presença de palco emana energia. Contudo, sem o frontman, a banda não teria o mesmo sucesso. E quem sabe, não teria aquecido tão bem uma noite de tanta energia e música. Confira o setlist do Kaiser Chiefs: People Know How to Love One Another Everyday I Love You Less and Less The Factory Gates Ruby Hole in My Soul Record Collection Never Miss a Beat I Predict a Riot The Angry Mob Oh My God

The Raven Age enfrenta o ‘Tribunal do Maiden’ no Morumbi e prova que há vida além do sobrenome Harris

Abrir para o Iron Maiden no Brasil é jogar no modo “Hard”. Abrir para o Iron Maiden sendo a banda do filho de Steve Harris é jogar no modo “Expert”. Quando o The Raven Age subiu ao palco do Morumbi ainda sob a luz do fim de tarde, a desconfiança era palpável. Seria apenas nepotismo ou havia substância ali? George Harris (guitarra) e seus companheiros trouxeram para São Paulo a turnê do álbum Conspiracy, apostando em um metalcore melódico e moderno, uma sonoridade que, ironicamente, destoa bastante do heavy metal clássico que os 60 mil presentes foram consumir. Metal moderno A banda não se intimidou. Após a introdução mecânica de Bloom of the Poison Seed, entraram com os dois pés no peito com Betrayal of the Mind. O som estava surpreendentemente nítido e alto para uma banda de abertura, favorecendo os riffs graves e a bateria precisa. Diferente do galope “cavalgado” do Maiden, o The Raven Age aposta em grooves quebrados e refrões radiofônicos, estilo Alter Bridge ou Trivium. Faixas como The Day the World Stood Still e Fleur de Lis mostraram que a banda tem composições sólidas, mesmo que genéricas para o ouvido mais exigente. Recepção do público O vocalista Matt James se esforçou para conectar com a multidão, correndo pelas passarelas laterais que seriam usadas por Bruce Dickinson horas depois. A resposta do público foi respeitosa: não houve vaias, mas também não houve a catarse vista em outros shows. O momento de maior conexão veio com Grave of the Fireflies, uma balada mais cadenciada que permitiu ao estádio respirar e apreciar a técnica dos músicos. George Harris, discreto e focado, evitou os holofotes, deixando claro que ali ele era apenas o guitarrista, não o “filho do dono”. O encerramento com Angel in Disgrace trouxe um pouco mais de velocidade e peso, garantindo aplausos educados ao final. O The Raven Age cumpriu sua função: aqueceu o sistema de som, testou a paciência dos puristas e entregou um show profissional.