“Fogo” no Bar do 3: a antológica passagem do Agent Orange por Santos, em 1997

O ano de 1997 foi, indiscutivelmente, um divisor de águas para a cena underground da Baixada Santista. Apenas dois meses após a lendária passagem do NOFX por Santos, o público santista provou que a engrenagem das turnês internacionais estava girando a todo vapor. No dia 27 de maio daquele ano, a lenda viva Agent Orange desembarcou na “Califórnia Brasileira”. O evento reuniu uma das maiores concentrações de surfistas e skatistas por metro quadrado já vistas na região, atraídos pelos verdadeiros pais do surfcore californiano. O palco escolhido para essa festa foi o Bar do 3, uma casa que surpreendeu o público e a crítica da época. O que poucos sabiam, no entanto, era o peso histórico daquela noite: tratava-se do primeiro show da história do Agent Orange no Brasil. A viabilização financeira ficou a cargo de Marcelo Bastos, da produtora Anorak, a mesma parceria que, mais tarde, traria Rhythm Collision e Millencolin para a cidade. Cola de farinha, tensão e a escalação local Apesar do suporte financeiro, o trabalho nas ruas foi puramente “Faça Você Mesmo”. João Veloso Jr., baixista do White Frogs (uma das bandas de abertura) e produtor local do evento, relembra o corre frenético e a ansiedade de produzir a primeira gig de uma gigante americana na cidade. “Às vezes as pessoas falam de banda de abertura, mas ninguém tem ideia do corre. Eu e o Fefe (Sociedade Armada) fomos pra rua colar cartaz em Santos inteiro, com cola de farinha e água”, conta João. “Todo show dá aquela tensão do evento não dar certo. Vamos lembrar que era uma garotada saindo pra colar cartaz na cidade e lotou o Bar do 3”. Foi exatamente essa parceria no trabalho braçal que definiu o line-up da noite. A Sociedade Armada, banda de Fefe, foi escolhida para dividir o palco com o White Frogs por um motivo simples e leal: “Na hora do corre, era eu e o Fefe que íamos colar cartazes. Sempre rolava essa coisa de você buscar quem ajuda”. A Sociedade Armada subiu ao palco ainda com a casa enchendo, entregando um set curto, mas de arrepiar. Embora o público não tenha agitado tanto no início, a banda compensou a ausência de faixas esperadas, como Mídia e Chega de Utopia, com uma saraivada de clássicos do CD 400% HC, como Miséria Total, Treta e Juventude Transviada. Logo depois, o White Frogs assumiu os instrumentos. Presença carimbada na cena, o grupo fez o que sabia de melhor: “Nada muda, tudo igual, eles novamente detonaram, simplesmente é muito bom assistir essa excelente banda novamente”, registrou o fanzine Surfcore na época. Praia, bate-papo e zero estrelismo do Agent Orange A tensão dos organizadores logo se dissipou graças à atitude dos gringos. “A lembrança mais marcante é como a banda era acessível, sem estrelismo. Eles chegaram mais cedo e viram os shows de abertura”, recorda João. O clima praiano de Santos contagiou os californianos, felizes por estrearem no Brasil em uma cidade litorânea. O baixista da banda americana, Sam Bolle, passou o dia caminhando pela praia e conversando com os produtores locais. “Ficamos trocando ideia o dia inteiro sobre como baixistas são pessoas estranhas”, diverte-se o músico santista. Mike Palm: cerveja, clássicos e fogo no palco Após uma pausa para a troca de equipamentos e passagem de som, a espera foi recompensada com juros. O Agent Orange iniciou a apresentação a mil por hora com Voices in the Night, abrindo sorrisos na plateia. A noite foi dominada de forma absoluta por Mike Palm. Único remanescente da formação original e carregando mais de 18 anos de estrada nas costas na época, o frontman sentiu-se em casa. O relato do Surfcore descreve uma performance incendiária, literalmente: Palm pulou, tocou muito, conversou com o público, cuspiu cerveja e chegou a cuspir fogo no palco! O setlist embalou a rapaziada com clássicos como Everything turns Grey, Tearing Me Apart e This Is Not The End, além de faixas mais recentes como Electric Song. Após cerca de uma hora de apresentação frenética, a banda encerrou com o bis de The Last Goodbye. “Disneylândia Punk”, elogios ao Green Day e farpas no Offspring Para entender o peso da atitude de Mike Palm no palco do Bar do 3, é preciso olhar para o que o vocalista pensava na época. Durante a passagem da turnê pelo país, Palm concedeu uma entrevista franca à Folha de S. Paulo, onde deixou claro que o Agent Orange não tinha interesse em seguir a cartilha comercial que explodia na MTV naqueles anos. “Nós nunca quisemos ser milionários”, afirmou Palm. “Nós gostamos de tocar, somos uma banda para fazer shows em clubes, agitar. Nós somos underground e estamos bem assim”. O vocalista também não teve papas na língua ao analisar a nova geração da Califórnia. Se por um lado disse ter orgulho de ser fonte de inspiração para bandas mais jovens como o Green Day, por outro, sobrou um ataque direto para um dos maiores fenômenos daquele momento. “O Offspring, diferentemente do Green Day, não tem originalidade, não traz surpresa alguma. Eu não gosto deles”, disparou. A aura de diversão refletia as influências declaradas do guitarrista em nomes como Dick Dale, Ramones, Germs e X, exatamente o que ele entregou aos santistas. “A única função da minha música é divertir as pessoas, fazer com que elas passem algumas horas agradáveis, cheias de energia”, resumiu. Um show de prateleira, TV Mar e o retorno em 2012 Para os autores do zine Surfcore, o impacto foi definitivo: a passagem do Agent Orange foi eleita o melhor show daquele ano e colocada no mesmo patamar de genialidade de uma apresentação do Fugazi. Além dos relatos escritos, o espetáculo foi eternizado em vídeo. João Veloso Jr., que trabalhava na TV Mar na época, conseguiu cópias das fitas com as gravações feitas pela emissora, material que hoje sobrevive nos arquivos do YouTube para os mais saudosistas. O gosto amargo de “quero mais” foi tanto que o fanzine chegou a recomendar aos faltosos a audição do CD

Jonas Brothers anunciam megashow da turnê “Jonas20” no Allianz Parque

Após arrastarem multidões pela América do Norte, os Jonas Brothers confirmaram que a gigantesca turnê comemorativa Jonas20: Greetings From Your Hometown passará pelo Brasil. O trio fará uma apresentação única no Allianz Parque, em São Paulo, no dia 13 de maio de 2026 (quarta-feira). Maior celebração da carreira do Jonas Brothers Para quem acompanhou o fenômeno dos irmãos desde a era do Disney Channel até o amadurecimento musical recente, esse show é um prato cheio. A turnê celebra os 20 anos de trajetória da banda, passando por hinos absolutos como Year 3000 até as faixas do mais recente álbum do grupo, Greetings From Your Hometown (lançado em agosto de 2025). A proposta da Jonas20 é ser o show ao vivo mais ambicioso da banda até hoje. Cada noite homenageia os diferentes capítulos que formam a história dos irmãos, incluindo os projetos paralelos: Nick Jonas & the Administration, a consolidada carreira solo de Nick, os hits do DNCE (liderado por Joe) e até a nova era solo de Kevin Jonas. O tom da turnê foi dado logo no show de abertura em Nova Jersey (EUA), que contou com participações especiais de peso que destravaram memórias de toda uma geração, como Demi Lovato, Jesse McCartney, JoJo e Switchfoot. 🎫 Serviço e venda de ingressos Prepare os alarmes e os cartões de crédito, pois a maratona de vendas começa já na semana que vem. Todas as vendas (pré-venda e geral) abrem sempre às 10h online (via Ticketmaster) e às 11h na bilheteria oficial (sem taxa). Cronograma de vendas 💰 Tabela de preços Informações importantes

Lvcas abre turnê nacional do EP “amnd” nesta sexta em SP

O multi-instrumentista, compositor e criador do gigante canal Inutilismo, LVCAS, sobe ao palco da Audio, em São Paulo, para o show de estreia de sua turnê nacional. A apresentação celebra o lançamento do seu aguardado EP de estreia, amnd (abatido mas não derrotado). Evolução: metal, trap e hardcore Lvcas vem se firmando rapidamente como um dos nomes mais promissores da nova geração do rock brasileiro. Fugindo de rótulos fáceis, ele encontrou sua própria linguagem através de um metal alternativo pesado e moderno, recheado de influências de trap, hip hop e hardcore. O EP amnd representa a evolução natural de um artista que construiu um império na internet e que agora está pronto para escrever um novo (e barulhento) capítulo. No repertório da noite, os fãs poderão conferir o EP na íntegra, incluindo as faixas: Além das inéditas, Lvcas também apresentará sucessos que já estavam na boca do público, como Tão Perto, Inabalável e No Foco. Banda e a rota da turnê Para traduzir a energia do estúdio para o som ao vivo, Lvcas (vocal) não estará sozinho. Ele montou um time de peso que conta com Isadora Sartor (guitarra), Gabriel Bruce (bateria), Marcelo Braga (baixo) e Ronan Tárrega (pick-ups), garantindo a fusão perfeita entre os riffs pesados e as batidas eletrônicas. Após a estreia explosiva em São Paulo, a turnê segue rasgando o Brasil: 🎫 Serviço: LVCAS – Turnê “amnd” em São Paulo Onde comprar

DPR Cream e DPR Artic anunciam show único em São Paulo

O hip-hop e o R&B sul-coreano continuam provando sua força monumental no Brasil. Os artistas DPR Cream e DPR Artic, membros fundamentais de um dos coletivos mais criativos e influentes da Ásia, o Dream Perfect Regime (DPR), acabam de confirmar seu retorno ao país com a DPR Cream & DPR Artic Latam Tour. A apresentação única acontece no dia 16 de agosto de 2026 (domingo), na Audio, em São Paulo. O histórico do coletivo por aqui não deixa margem para dúvidas: todas as passagens anteriores do grupo pelo Brasil tiveram ingressos esgotados, o que exige agilidade dos fãs para garantir um lugar. Era “No Drugs” e a força do coletivo A atual turnê carrega a energia e o espírito rebelde do EP conjunto No Drugs, lançado em maio de 2025. O projeto, concebido durante a Dream Reborn Tour 2024, incorpora influências de diversas subculturas e transita de forma fluida por múltiplos gêneros, evidenciando o compromisso do DPR em ultrapassar fronteiras criativas. A prova desse impacto global é que a dupla desembarca no Brasil após incendiar palcos de peso ao redor do mundo, incluindo festivais como Coachella, Lollapalooza Paris e o Heads In The Clouds (LA), além de uma passagem elogiada por grandes capitais europeias. Quem são os astros da noite? Fundado em 2015, o DPR não é apenas uma gravadora independente, mas um coletivo audiovisual que dirige e edita os próprios projetos, criando uma assinatura estética imersiva. Nesta turnê, os holofotes se dividem entre dois pilares desse universo: 🎫 Serviço: DPR Cream & DPR Artic na Audio

The Pretty Reckless aquece público do AC/DC com hard rock visceral no Morumbis

Para aquecer o Morumbis, a missão ficou a cargo do The Pretty Reckless, que acompanha o AC/DC em toda a turnê latino-americana. Liderada pela carismática Taylor Momsen, a banda trouxe um hard rock visceral e bluseiro que se provou a ponte perfeita para preparar a multidão antes do furacão australiano tomar conta da noite. Em um setlist direto e sem respiros, o grupo nova-iorquino desfilou dez pedradas. A abertura com a faixa-título Death by Rock and Roll já ditou o peso, seguida por Since You’re Gone e Follow Me Down. A banda mesclou muito bem a fase recente com sucessos que furaram a bolha na última década, executando a pesada Only Love Can Save Me Now e a sombria Witches Burn. Entre elas ainda teve espaço para uma estreia, For I Am Death, single lançado no ano passado e que nunca havia sido tocado ao vivo. A reta final da apresentaçãodo The Pretty Reckless foi desenhada para ganhar de vez os fãs da velha guarda que aguardavam ansiosamente pelos donos da casa. Eles enfileiraram os maiores hits da carreira: a clássica Make Me Wanna Die, na qual foi possível ouvir muita gente cantando, a explosiva Going to Hell, o hino de arena Heaven Knows (que sempre rende boa interação) e encerraram os trabalhos com a cadenciada Take Me Down. A banda cumpriu seu papel com maestria, deixando o palco e a plateia do Morumbis devidamente aquecidos.

Angra anuncia show histórico com a formação “Nova Era” em SP

O que parecia impossível finalmente vai acontecer. Celebrando os 25 anos de Rebirth, o álbum que redefiniu o destino da banda e marcou uma geração inteira do metal brasileiro e mundial, o Angra acaba de anunciar um show histórico e exclusivo no Espaço Unimed, em São Paulo, no dia 29 de abril de 2026. Esta será a única apresentação da aclamada formação “Nova Era” fora do festival Bangers Open Air. 19 anos de espera e um encontro de gerações Para se ter ideia do peso deste anúncio, a última vez que o quinteto formado por Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester dividiu o palco para um show completo foi em 2007, no encerramento da turnê de Aurora Consurgens. Essa longa ausência de 19 anos ganha contornos ainda mais épicos: o evento reunirá também os atuais integrantes do Angra, Alírio Netto, Marcelo Barbosa e Bruno Valverde. Será um verdadeiro encontro de eras e talentos, simbolizando a força de um legado construído ao longo de três décadas. O que esperar do setlist? O espetáculo será apresentado em formato ampliado. O prato principal é a execução completa do álbum Rebirth, mas o repertório foi desenhado para ser uma viagem por todas as fases decisivas da banda: 🎫 Serviço e ingressos: Angra Reunion (Espaço Unimed) Prepare o alarme, pois os ingressos vão evaporar. As vendas começam nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, às 10h (online) e às 11h (bilheteria oficial). 💰 Tabela de preços (1º Lote) Setor Meia-Entrada / Ingresso Solidário* Inteira Pista R$ 175,00 R$ 350,00 Pista Premium R$ 280,00 R$ 560,00 Mezanino R$ 300,00 R$ 600,00 Camarote B R$ 325,00 R$ 650,00 Camarote A R$ 350,00 R$ 700,00 *Ingresso solidário disponível mediante doação de 1kg de alimento não perecível (campanha #corridacontrafome). Onde comprar:

A Fantástica Festa Pro Clemente: ícone do punk nacional ganha homenagem e show especial em SP

Nesta quinta-feira (26), a Red Star apresenta um evento especial em São Paulo: A Fantástica Festa Pro Clemente. A noite será uma grande celebração à trajetória e à importância fundamental de Clemente Nascimento, fundador dos Inocentes e atual membro da Plebe Rude, para a construção e sobrevivência do punk rock no Brasil. Uma noite entre amigos e fãs Com a presença ilustre do próprio Clemente já confirmada, o evento promete ser um verdadeiro encontro de gerações. Amigos de longa data, músicos da cena e fãs devotos estarão reunidos na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, para uma noite regada a muito som, histórias e reverência a um dos caras mais autênticos da nossa música. O detalhe mais importante: toda a renda arrecadada com a bilheteria será revertida diretamente para o Clemente, transformando a festa não apenas em uma homenagem em vida, mas em uma demonstração de força e união da comunidade roqueira. O evento conta com o apoio oficial da marca JBL Professional. 🎫 Serviço: A Fantástica Festa Pro Clemente O local escolhido é estratégico e de facílimo acesso. Se você é da Baixada Santista e vai subir a serra para prestigiar o ídolo após o expediente, o trajeto é simples: descendo no Terminal Jabaquara, basta pegar a Linha 1-Azul do Metrô, fazer baldeação na estação Paraíso para a Linha 2-Verde e descer na estação Clínicas. A Red Star fica a poucos passos de distância. Ingressos: Não deixe para comprar na porta, garanta o seu antecipado para fortalecer a causa!

Como o All You Can Eat abriu as portas do hardcore internacional em Santos, em 1995

O Rollins Band pode ter sido o primeiro nome gringo punk ou de hardcore de peso a pisar em Santos, em 1994, mas o contexto era outro: um megafestival gratuito nas areias da praia. Quando falamos do verdadeiro “marco zero” do underground, do espírito do it yourself (faça você mesmo) operando na raça e inaugurando a rota das turnês independentes na Baixada Santista, a história aponta para o dia 4 de novembro de 1995. Nesta data, a banda californiana All You Can Eat desembarcou no Teatro de Arena (canal 1), para um show histórico com ingressos a módicos R$ 5. Com produção local encabeçada por Fabrício Souza, baixista do Garage Fuzz, e apoio do Safari Hamburguers e da Secretaria de Cultura, o evento foi a faísca que faltava. “Foi um dos meus primeiros shows como produtor de eventos”, relembra Fabrício. “Representou o potencial para o estilo que a região tinha, abrindo as portas da cidade para várias outras turnês de punk e hardcore que vieram a acontecer. Foi um divisor de águas”. Conexão do All You Can Eat com Santos: fanzines, Ratos de Porão e Fat Mike A vinda do All You Can Eat para o Brasil não envolveu grandes agências corporativas, mas sim selos postais e fanzines. Devon Morf, vocalista da banda, trabalhava com as icônicas publicações americanas Maximum Rocknroll e Flipside. “Eu lia muitas cartas deles e fiz muitos pen pals (amigos por correspondência) em todos os continentes”, conta Devon. A paixão pela cena nacional surgiu através do escambo. “Fiz conexão com um cara no Brasil e trocávamos discos de punk brasileiro por discos de metal dos EUA. Isso me tornou um grande fã das bandas brasileiras. Ratos de Porão, até hoje, é uma das minhas bandas favoritas”. Essa imersão no underground rendeu frutos históricos. Devon estudou com Fat Mike (do NOFX) em São Francisco e trabalhou na lendária gravadora Fat Wreck Chords quando ela ainda funcionava em uma casa. “Muitas pessoas no Brasil perguntavam quando o NOFX viria. Eu contei ao Mike o quão animados eram os fãs brasileiros”, revela o vocalista. Embora o NOFX só tenha conseguido descer para a América do Sul algum tempo depois, a semente californiana já estava plantada. Caos na Arena e a invasão do público O local escolhido para a gig santista foi o Teatro de Arena (hoje conhecido como Teatro Rosinha Mastrângelo). Segundo resenha da época publicada no fanzine Surfcore, de Marco Casado e Victor Martins, o espaço era “bem pequeno, mas com uma acústica incrível”. O local ficou completamente lotado, deixando muita gente do lado de fora. A escalação de peso contava com o Garage Fuzz, que, segundo o fanzine, foi “matador” e fez todo mundo pular. A outra banda local foi o Safari Hamburguers, que na opinião da publicação estreava uma formação “cabulosa” com Fabião nos vocais. Quando o All You Can Eat, formado por Devon (vocais), Danny (guitarra), Craig (baixo) e Seth (bateria), começou a tocar, a configuração do teatro em formato de arena (sem um palco elevado) garantiu uma proximidade perigosa e divertida. O Surfcore relatou a típica catarse da época: “Sempre aparecem aqueles atravessados que vão lá, abraçam o guitarrista e enchem o saco da banda, não deixando os caras tocarem direito”. Mas o caos era parte intrínseca do espetáculo. O fanzine descreve que o show foi maravilhoso, “com o vocalista subindo pelas colunas e fazendo macaquices, e o baterista que deixava o prato cair em cima de toda música que acabava, pulava com o bumbo, batia no prato”. Skates, Pelé, capoeira e a “Califórnia Brasileira” Fora do palco, a turnê sul-americana, que passou por cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Curitiba e Buenos Aires, teve momentos de turismo afetivo. O roadie da banda, Todd, era fanático por Pelé desde a infância e ficou maravilhado por estar na cidade onde seu herói viveu e reinou. A cultura urbana santista também impressionou os gringos. Antes da turnê, o baterista Seth visitou a redação da renomada revista Thrasher, que abasteceu a banda com camisetas e bonés para distribuírem no Brasil. “Ficamos maravilhados com todos os skatistas no Brasil”, recorda o vocalista. A performance insana no palco também rendeu histórias inusitadas nos bastidores. O curioso termo “macaquices”, usado pelo fanzine Surfcore para descrever os pulos de Devon no Teatro de Arena, foi confirmado pelo próprio músico em um relato recente. “Depois do show, uma mulher muito legal disse que gostou da apresentação e que eu me movia e pulava como um ‘Macaco’”, diverte-se. A conversa com a fã revelou uma conexão transcultural: “Ela disse que fazia capoeira, e acabou que eu estava fazendo aulas de capoeira na faculdade em San Francisco. Ela queria se encontrar para jogar na praia de manhã, mas o All You Can Eat ia partir para Curitiba naquela mesma noite”. A vontade de aproveitar a praia santista, no entanto, foi cobrada anos mais tarde. Devon retornou à cidade em uma turnê com a banda What Happens Next?. “O Boka nos disse que poderíamos surfar, mas acabou não tendo ondas. Estava um dia lindo e quente, e eu só tinha surfado com roupas de borracha na fria San Francisco. Infelizmente, perdi alguns momentos na Califórnia Brasileira!”, relembra o vocalista, citando o famoso apelido da região. O saldo da passagem do All You Can Eat em 1995 vai muito além dos 5 reais cobrados na porta do Teatro de Arena. O show provou que a Baixada Santista tinha força motriz, bandas de altíssimo nível para segurar um line-up e um público sedento por energia. Foi a noite em que Santos confirmou, com suor, fanzines e stage dives improvisados, que estava pronta para abraçar de vez a sua vocação underground.

Axty abre show histórico do Alesana em São Paulo

Faltando menos de duas semanas para uma noite de pura nostalgia e peso no Carioca Club, o line-up ficou ainda mais poderoso. A banda brasileira Axty, que vive o momento mais importante de sua carreira, foi confirmada como a atração de abertura para o show dos norte-americanos do Alesana, no dia 28 de fevereiro (sábado). O evento marca a celebração de 15 anos do clássico álbum The Emptiness, uma obra seminal do post-hardcore/screamo. Axty é potência internacional A escolha da Axty para aquecer o público não poderia ser mais acertada. O grupo paulista, formado em 2021, acaba de retornar de sua primeira turnê pelos Estados Unidos ao lado do gigante Born of Osiris. E não para por aí: a banda assinou recentemente com a poderosa gravadora austríaca Napalm Records e já tem datas marcadas para dividir o palco com Lacuna Coil e Escape the Fate. Com uma sonoridade que funde metalcore, deathcore e melodias modernas, a Axty vai apresentar o repertório que conquistou milhões de streams e pavimentou o caminho para seu quarto álbum de estúdio, previsto para sair ainda este ano. Alesana e o conceito de “The Emptiness” Após a abertura de peso, o Alesana sobe ao palco para tocar na íntegra o álbum The Emptiness. Lançado originalmente em 2010, o disco é uma ópera-rock baseada no poema “Annabel Lee”, de Edgar Allan Poe. Espere ouvir clássicos como “The Thespian” e a épica “Annabel”, com aquela mistura característica de vocais rasgados, refrões melódicos e narrativas dramáticas que definiram uma geração. 🎫 Serviço: Alesana + Axty em São Paulo Os ingressos já estão no 3º lote. Se você quer presenciar o encontro de uma lenda do screamo com a nova força do metal brasileiro, a hora é agora. Ingressos: