Tuyo aprofunda as raízes na soul music e se une à Luedji Luna em Paisagem

A convergência entre a sensação de (finalmente) alcançar a completude e viver uma imersão com ricas trocas musicais foi o guia para a criação do novo single de Tuyo, Paisagem. Além de Lio, Lay e Machado, a faixa conta com a participação da cantora baiana Luedji Luna. O resultado é um mergulho nas influências da soul music. “Sinto que é um chamado para pausarmos a correria do dia a dia e contemplarmos tudo o que já conquistamos até aqui”, sintetiza Lio. Paisagem ressalta a maturidade musical e a disposição do trio em explorar sem receio novos territórios sonoros, como a possibilidade de visitar outros balanços e timbres a partir do chill baile — movimento que trouxe uma nova roupagem para o funk. O produtor e DJ VHOOR, conhecido por hits como Se Ta Solteira e De Kenner, fez as primeiras provocações no que se tornou um estudo maior, envolvendo ainda o produtor musical Lucs Romero na condução, que já trabalhou anteriormente com Tuyo e nomes como Junior Lima, Marissol Mwaba e Franky Hill. Como de costume, os integrantes da banda também assinam a faixa que dá nome ao álbum. Em mais uma parceria do grupo com a diretora Laís Dantas, o videoclipe dá forma ao panorama que a Tuyo busca refletir em Paisagem. “A composição parte desse campo visual com alegorias que se multiplicam, mas que não podem ser descritas do mesmo jeito por pessoas diferentes. Cada um em cena faz a mesma coisa, mas à sua maneira”, explica Lio. Desde o primeiro momento, a banda teve a certeza de que este era o som ideal para uma colaboração com Luedji Luna. “Paisagem é sobre comunidade e afeto, e ter um dos nossos era necessário”, comenta Lio, que completa: “chegávamos a ouvir a voz da Luedji na nossa cabeça ainda nas primeiras versões”. A partir disso, o trio fez o convite que foi prontamente aceito. “A Lio me mandou uma mensagem quilométrica — como costuma fazer — para gravar essa canção, que é muito bonita. Amei fazer parte, escrever e responder ao tema da música. É uma banda que eu admiro, pra mim uma das mais modernas do país. Uma honra fazer parte desse novo álbum”, sintetiza Luedji. Este encontro deu tão certo que se tornou peça fundamental na narrativa que a Tuyo está construindo com os últimos lançamentos. “Ela ocupa o coração do disco”, resume Lio. Paisagem foi escolhida para nomear o próximo trabalho de estúdio da banda e é o último capítulo antes do lançamento do álbum, previsto para abril. O disco já lista Maravilha e Infinita. Ele ainda se desdobra em uma turnê que estreia no dia 17 de maio, na Audio, em São Paulo. “Buscamos oferecer uma inspiração que, embora pareça pertencer à ficção, acontece fora dos sonhos, na vida real”, finaliza Lio.

Emicida sorri com uma ponta de dor na música “Acabou, mas tem…”

Tom Jobim dizia que a música brasileira é aquela que ri e que chora. Este é um bom ponto de partida para abordar a nova música de Emicida, Acabou, Mas Tem…, uma canção que sorri com uma ponta de dor. A faixa, que tem produção assinada por Emicida e Damien Seth, carrega um pranto e um lamento emoldurados por uma harmonia que provoca esperança – algo que, de certa forma, reflete a dualidade do título do single. Quando lançou AmarElo (2019), Emicida usou o termo “neo samba” para definir a sonoridade presente no trabalho. Dessa forma, ele propôs criar algo novo, poeticamente bonito e liricamente empolgante, contudo, tendo como guia a renovação de um gênero originalmente brasileiro. Acabou, mas tem… chega como o encerramento do ciclo de AmarElo e também como evolução da incursão do artista pelo neo samba. “O ápice dos gêneros passa. É efêmero. Mas os artistas que têm substância se mantêm. Eu acho que encontrei a linguagem da minha música, tenho me sentido instigado por esse exercício de criação”, ele comenta. Ao iniciar aulas de flauta transversal, o rapper adicionou uma nova camada para o desenvolvimento dessa construção. “A minha música é ancorada na palavra e estudar um instrumento tem servido pra me libertar de umas amarras bobas que eu mesmo criei, fugindo de uns estereótipos e caindo em outros. Essa coisa de neo samba é uma responsa, por isso fui estudar sério. Quero criar algo musical que dê orgulho aos meus ídolos”, complementa. Com direção de Pedro Conti e Diego Maia, o videoclipe de Acabou, mas tem… reforça a dualidade ao representar a música por meio de uma animação, contrastando a suavidade do som com a dureza da letra. Ouça Emicida, Acabou, Mas Tem…

Charli XCX revela primeira prévia de Brat; ouça single Von Dutch

A cantora Charli XCX lançou, nesta quinta-feira (29), o single Von Dutch, primeira faixa do seu aguardado álbum Brat. Produzido por Easyfun, Von Dutch é um retorno ousado e cheio de sintetizadores da artista. O álbum Brat é uma continuação de Crash, de 2022, que alcançou o primeiro lugar na parada oficial de álbuns do Reino Unido, e promete ser um disco club emocionante construído em torno de referências artísticas e comentários sociais. Na última semana, Charli lançou um importante Boiler Room – uma apresentação intimista em que o público fica ao redor do artista, sem a necessidade de palco, geralmente comandado por DJs, muito comum em Londres – no Brooklyn, em Nova York, para anunciar sua nova campanha com A. G. Cook, George Daniel, EASYFUN e Doss. O show quebrou o recorde de maior número de confirmações de presença para um evento do Boiler Room, com mais de 40 mil pessoas se inscrevendo para participar. Trazendo participações especiais de nomes como Addison Rae e Julia Fox, o show se tornou facilmente um dos momentos virais do ano. Junto com seu novo álbum, Charli tem trabalhado em vários projetos de cinema e TV, após o grande sucesso de sua contribuição para a trilha sonora da Barbie, Speed Drive, no ano passado. Ela é co-produtora executiva da trilha sonora do filme A24 Mother Mary, com Jack Antonoff, e também produz música original para a série Overcompensating, de Benito Skinner, no Prime Video. Além disso, a artista estrelará ainda o remake de Daniel Goldhaber do filme de terror cult de 1978, Faces of Death. Ouça Von Dutch, de Charli XCX

A Olívia prepara ambicioso EP com o lançamento do single Lobo Guará

A Olívia prepara o lançamento do EP Selva Rock Brasileira. O EP traz a identidade brasileira de forma pouco óbvia, através dos elementos nos arranjos, das escolhas de melodia e da temática socioambiental do último single Lobo Guará, que chegou ao streaming na última sexta-feira (23). Lobo Guará cativa com sua autenticidade, riff hipnotizante e letra provocativa. Um verdadeiro mergulho no rock pop que remete à vibração dos anos 80 e 90, com referências icônicas de bandas como Midnight Oil e Echo and The Bunnymen. A música também presta homenagem aos grandes refrões do rock brasileiro, enquanto levanta questões ambientais em sua narrativa, destacando-se no cenário musical contemporâneo. Louis Vidall, vocalista da A Olívia, afirma que “cada música desse EP foi feita com muito cuidado. Desde as escolhas dos bichos que estampam as capas, até as temáticas das letras. Algumas brincam com os instintos, outras com um sentimento de liberdade. No caso de Lobo Guará, a mais intensa do projeto, estamos falando de um animal muito representativo da fauna sul-americana, bastante identificado com o cerrado brasileiro e que foi o último escolhido para estampar uma nota, a de R$ 200,00.” “Essa foi a primeira parceria que Louis e eu fizemos. Ao mesmo tempo que é uma letra irreverente, é bastante explícita. Quando questionamos se o lobo é bicho ou nota, estamos na verdade questionando até que ponto a humanidade será capaz de provocar tanta destruição, ameaçando até mesmo a sua própria sobrevivência, só para manter intactos determinados interesses”, diz Marcelo Rosado, guitarrista.

Ju Dourada faz viagem pessoal pelo Rio São Francisco no single Filha de Iemanjá

Depois de mergulhar nos relacionamentos obsessivos no clipe Voltas, a cantora e compositora Ju Dourada mostra outro lado de suas canções com Filha de Iemanjá, uma música poética que busca na água a força e a potência do feminino. A faixa celebra a vivência das populações barranqueiras e ribeirinhas do sertão norte-mineiro, e canta os caminhos que levam o Rio São Francisco até o mar. A composição é uma consequência do mergulho pessoal de Ju Dourada em sua própria espiritualidade, em busca de novos caminhos e autoconhecimento. Embora não pratique uma religião específica, a artista abraça o sincretismo, já presente em suas origens católicas, sem se limitar a credos ou crenças. Umbanda, budismo e astrologia fazem parte de suas convicções, de onde a cultura dos orixás desponta como uma importante fonte de conexão. “Filha de Iemanjá nasceu da minha ligação com a água, com o mar, que sei é de outras vidas. A melodia me veio quando eu olhava as ondas dentro do mar da Bahia. Muito tempo depois, eu comecei a letra, durante a pandemia de 2020, onde eu vivia um processo de introspecção e resgate da minha espiritualidade. A inspiração veio das lembranças de várias pessoas amigas que cultuam os orixás, que me diziam, do nada: acho que você é Filha de Iemanjá. Pra mim, fez todo sentido, ainda mais da minha ligação com a água. Só tenho paz perto da água. Seja um banho quente, um rio ou o balanço do mar. Como filha do Velho Chico e de Maria Alice, minha mãe (in memorian), incluí o sincretismo das Nossas Senhoras e o nome de minha mãe”, Ju explica. A influência dos sons, ritmos e cores do norte de Minas Gerais é palpável tanto na música quanto no clipe, gravado nas águas do Velho Chico. Para isso, Dourada contou com cineastas barranqueiros – Gleydson Mota, Nan Ferrési, Lucas Almeida -, cuja vivência às margens do rio é essencial para retratar essa conexão. A fotografia e edição são de Túlio Gustavo e Éric Almeida e a produção teve participação Coletivo de Cinema Cine Barranco, que já faz um trabalho para popularização do cinema no sertão norte-mineiro. “Um dos meus maiores sonhos é morar pertinho do mar, o que também é expresso na música. Trabalhando esse sentimento de volta pra casa, gravei o clipe no rio que corre em minhas veias e dá a cor parda de minha pele, o São Francisco, que banha minha terra natal. No videoclipe, relembro que o Velho Chico é minha casa mãe, e, seguindo seus fluxos, um dia chegarei ao meu destino, o mar”, resume Ju Dourada, parafraseando o encerramento do clipe. A produção da música é de Thuyan Santiago e Lauro Santana, que captaram a vibração de leveza e fluidez da música, embalada por elementos que fazem uma ponte de Minas à vizinha Bahia, chegando ao mar e cruzando o oceano até a África. Tudo isso para dar forma a uma jornada profundamente pessoal para a artista. “A música foi meu único alimento quando nada me descia pela garganta. Começar a compor foi a salvação de minha alma, e essa música, em especial, me mostrou que a arte, gigante como o mar, é o meu verdadeiro lar. É a celebração do arquétipo de Vênus através da cultura afro-brasileira dos orixás. É a água que representa as emoções, as origens, o abraço materno e a fluidez da alma. O arquétipo da sereia também existe na cultura barranqueira, como a Sereia Iara, cujo Salve IARA na música também deixa clara essa união”, completa Ju.

Mattmatize retorna projeto solo com single inédito com Luiza Quental

Mattmatize está pronto para mostrar novos matizes, tons e cores de seu projeto solo, a começar pelo single The One with the Spider. A canção inédita é uma parceria com a cantora Luiza Quental que leva o som do músico carioca Matt Da Silva para novos territórios, aproximando-o do math rock e progressivo. O lançamento dá sequência às canções autorais de um multi instrumentista que se recusa a limitar-se a gêneros musicais, estilos ou linguagens. Conhecido por participar de bandas como Contando Bicicletas, onde exercita sua conexão com o indie rock e a música brasileira, e Bug Bite, um ousado projeto de jazz que explora seus limites, vem mostrando aos poucos o que pode oferecer enquanto artista solo. Em suas composições, explora as raízes latino-americanas, apresentando faixas dançantes e vibrantes, mesmo que, do ponto de vista lírico, estas sejam melancólicas e altamente pessoais. Essas múltiplas vertentes já apareciam, de alguma forma, nos singles I Need My Rest (2019) e My Share of Waiting (2022). Em ambos os casos, Matt mostrou uma profunda conexão com o seu tempo e os desejos compartilhados de toda uma geração. Enquanto na faixa de estreia, ele cantava a necessidade de descansar naquele que seria o prenúncio do fim de um período de liberdade para um de recolhimento e solidão, em My Share of Waiting Matt se mostrava já cansado da inércia. Em The One with the Spider, ele abarca outras possibilidades sonoras. “A música foi criada a partir de um riff que escrevi anos atrás, em meados de 2014, ouvindo muito a banda de math rock TTNG (antiga This Town Needs Guns). Esse riff, que é a melodia principal na primeira metade da música, ficou na minha cabeça e nos arquivos do meu telefone durante anos até eu pensar em finalmente escrever uma música em torno dele. Esse mesmo riff inspirou o ritmo que o baixo e a bateria fazem em cima – um ritmo frenético e animado, com pausas inesperadas (muito comum no math rock)”, resume Matt. A inspiração intensificou-se a partir desse ponto, onde a fonte de influência expandiu-se para além dos sons da TTNG, caracterizados por compassos quebrados, uma melodia vocal e uma melodia rítmica que, apesar de distintas, se complementam harmoniosamente, incluindo influências do rock progressivo evidenciadas em suas diversas seções. “Através das minhas letras, quero compartilhar minha experiência com ansiedade, solidão, saúde mental e os altos e baixos do amor, e abordar esses temas em um som positivo e descontraído; no final, quero que soe positivo, feliz, romântico e esperançoso”, entrega Matt.

Norah Jones solta mais uma prévia de Visions; ouça Staring At The Wall

A cantora Norah Jones, nove vezes ganhadora do Grammy, lançou o single Staring At The Wall. A canção dá sequência ao lançamento de Running, primeira música apresentada do novo álbum da cantora, Visions. O novo trabalho chega aos aplicativos de música em 8 de março e sua versão física está disponível para pré-venda na UMusic Store. Visions será o primeiro álbum de estúdio de Norah em três anos e encontra a estrela cantando sobre sentir-se livre e encontrar aceitação do que a vida traz. Norah também lançou recentemente seus Spotify Singles, que incluíram uma versão de Change, da Big Thief, com Remi Wolf.