Samiam lota Hangar 110 com show intenso

Samiam lota Hangar 110 com show intenso

O Samiam retornou a São Paulo após três anos para uma apresentação com ingressos esgotados na última sexta-feira (25), no Hangar 110. O quinteto californiano, pioneiro do emo e do hardcore melódico, fez uma apresentação que passeou pelos mais de 35 anos de história. Mas, antes do espetáculo principal, os goianos do Burning Rage e os santistas do Garage Fuzz deram o start. Confira um pouco de como foram as apresentações:

Este texto foi escrito pelo jornalista Lupa Charleaux com fotos de Marcela Mattos

De Goiânia: Burning Rage

Os goianos do Burning Rage foram os responsáveis por iniciar a noite de hardcore melódico no Hangar 110. Com bastante velocidade e energia, o quinteto apresentou músicas do EP “Outra Porta”, entre elas “Acordar” e “Velha História”.

Realizando o sonho de tocar no tempo do underground paulista, como os membros falaram diversas vezes, a banda executou alguns singles, como “Falsas verdades” e “Acorrentados”. O set ainda incluiu a nova música “Aprisionados”, que estará no próximo EP do quinteto.

Da Califórnia brasileira (Santos): Garage Fuzz

Lendas do hardcore nacional, o Garage Fuzz fez uma apresentação compacta que cobriu todas as fases dos 35 anos de estrada. Os santistas iniciaram o show com “Powerplant”, faixa-título do mais recente EP, mas não demorou para dominar o Hangar 110.

Canções mais famosas, como “Shore of Hope”, “Dear Cinnamon Tea” e “A Mutt Running Where”, traziam um coro que às vezes encobria a voz de Victor Franciscon. Essa troca de energia fazia a banda seguir se divertindo no palco.

Obviamente, o set ainda incluiu clássicos como “Embedded Needs”, sendo finalizado com “When All the Things”. Mesmo com um show mais curto, o Garage Fuzz conseguiu mostrar porque é uma das entidades supremas do hardcore brasileiro.

Da Califórnia original (Berkeley): Samiam

Após quase um dia inteiro de dúvida, o show do Samiam em São Paulo finalmente aconteceu. Na noite anterior (24), a banda precisou cancelar a apresentação em Goiânia por conta da saúde do vocalista Jason Beebout. E a espera do público paulista foi bem recompensada.

Antes das cortinas do Hangar 110 se abrirem, já era possível ouvir as guitarras de “Lake Speed”, música do álbum mais recente “Stoneway” (2023). Mas bastou tocarem “Clean Up The Mess” e “Dead”, ambas do álbum “Trips” (2011), para os fãs se entregarem por completo, com vários stage dive e mosh.

A maior parte do setlist foi baseada nas faixas do disco clássico “Astray” (2000). Então, Beebout pode até poupar um pouco a voz e deixar o público fazer sua parte em faixas como “Super Brava”, “Birth Bath” e “Mexico”.

O Samiam deu uma leve desacelerada no início da segunda parte do set, trazendo músicas com uma vibe mais de “Midwest Emo”, como “Dull”, “Mud Hill” e “El Dorado”. Apesar de serem faixas mais lentas, os fãs conseguiram sustentar a energia ao som das guitarras distorcidas e “reflexivas”.

No entanto, a banda retornou ao clima de hardcore melódico e “dançante” na sequência final do show. “Sunshine” e “She Found You” levantaram a bola para o encerramento com “Capasized” e “Full On”.

Com o fim do show, todos puderam respirar aliviados de que ele realmente aconteceu. Apesar das interações bem pontuais, o Samiam entregou o que o público que esgotou os ingressos do Hangar 110 realmente queria: um show intenso, suado e divertido.