Crítica | Arremessando Alto

Engenharia do Cinema Realmente quando o astro Adam Sandler se aventura em produções mais sérias e com pouco humor, ele consegue tirar sempre ótimas performances e nos entrega ótimos filmes (vide “Jóias Brutas” e “Homens, Mulheres e Filhos“). Em “Arremessando Alto“, ele só não consegue colocar sua paixão pelo basquete em cena, como nos entrega um dos melhores filmes do assunto, nos últimos anos (lembrando que estamos falando de um projeto feito para a Netflix). Aqui ele interpreta o olheiro Stanley Sugerman, que trabalha há anos para um popular time de basquete da NBA. Em uma de suas viagens, ele conhece Bo Cruz (Juancho Hernangomez) que se mostra um ótimo jogador da modalidade e aquele tentará a todo custo lhe transformar em um dos maiores jogadores da liga. Imagem: Netflix (Divulgação) Embora o roteiro de Will Fetters e Taylor Materne tenha um escopo totalmente previsível e um “mais do mesmo”, é o carisma de Sandler e o fato de terem chamados jogadores reais de basquete (incluindo o próprio Hernangomez) para estrelarem o filme, que fizeram ser diferente. Apesar de muitos destes não serem atores profissionais, o diretor Jeremiah Zagar soube dosar exatamente a maneira de como eles deveriam retratar suas cargas dramatúrgicas. E ficou tão bom, que quando vemos muitos deles dividindo a cena com Sandler, Queen Latifah e Ben Foster, parece que estamos falando de atores reais (principalmente Anthony Edwards, que é um dos “vilões” da narrativa). E é perceptível que todos estão a vontade no longa, pois a atmosfera criada por Zagar se assemelha como um cenário real de anos. E isso foi auxiliado graças ao fato de que Sandler é fã de basquete (tanto que quando possível, ele encaixa a modalidade em seus filmes) e, vemos que quando ele está no meio dos jogadores, ele realmente parece um profissional de anos deste setor. Em seu desfecho vemos que “Arremessando Alto” é uma grata surpresa apresentada por Adam Sandler, e provavelmente será um dos grandes filmes da Netflix, neste ano.

Crítica | A Hora do Desespero

Engenharia do Cinema Normalmente suspenses estrelados por dois ou um único personagem central, costumam dar certo se você compra a perspectiva do diretor e o carisma do mesmo. Existem casos de sucesso como “Enterrado Vivo“, “Oxigênio” e “Gravidade“, enquanto outros se tornam piada como o recente “O Culpado“. Em “A Hora do Desespero” posso dizer que se encaixa no meio termo, pois a atriz Naomi Watts (“Impossível”) consegue ter carisma para segurar o espectador durante quase 80 minutos. Só que o diretor Phillip Noyce (“Salt”) parece estar trabalhando para um jornal sensacionalista. A história gira em torno de Amy (Watts) que sai para correr após acordar o seu filho Noah (Colton Gobbo) para ir até a escola. Só que durante seu percurso ela recebe uma mensagem no celular que está ocorrendo um massacre na escola deste, fazendo com que ela entre em uma corrida contra o tempo para conseguir ter uma informação sobre o mesmo. Imagem: Paris Filmes (Divulgação) O roteiro de Christopher Sparling nos apresenta um cenário bastante complicado, pois ele é regado apenas por uma personagem, munida de um celular no meio de uma floresta (que notoriamente foi cuidada para receber práticas esportivas). A imersão neste projeto funciona apenas se você se desligar totalmente de todas as distrações possíveis (seja comentários de terceiros ao seu lado, e constantes olhadas no celular), e focar apenas na tensão de Amy. Ele consegue não só aproveitar o carisma da atriz, como realizar diversas situações possíveis e plausíveis dentro do contexto da trama (que é sobre a perspectiva de uma mãe, durante um massacre de uma escola). Sim, Watts possui um carisma para este tipo de produção e consegue se mostrar realmente como uma mãe preocupada com seu fruto. Só que o diretor Phillip Noyce extrapolou um pouco ao procurar balançar demais a câmera e entupir de cortes grotescos entre as cenas (que acaba beirando mais um sensacionalismo de um Datena, ao invés de uma construção de uma atmosfera de suspense). Acredito que iria pegar mais o espectador, até mesmo se ele fosse filmado em plano sequência (que é difícil, mas havia vários meios para serem trabalhados como cortes nas cenas focadas no celular e quando Amy passava por árvores e arbustos).  “A Hora do Desespero” acaba sendo apenas uma genérica produção de suspense, que consegue divertir e entreter apenas se você ficar focado totalmente nesta narrativa.

Crítica | Interceptor

Engenharia do Cinema Certamente estamos falando de um dos mais vergonhosos projetos lançados pela Netflix, neste ano de 2022. Tendo como protagonista a esposa do ator Chris Hemsworth (que faz uma ponta neste filme, como um vendedor de televisão), Elsa Pataky (da franquia “Velozes e Furiosos“), “Interceptor” é o típico longa cuja proposta é vender que uma “mulher pode ser mais inteligente e durona que todos os homens em sua volta” e acaba falhando miseravelmente por conta de vários erros esdrúxulos do roteiro. A história tem início com a Capitã J. J. Collins (Pataky) sendo colocada em uma base dos EUA, em meio ao oceano. Embora tudo pareça normalmente calmo, o local acaba sendo dominado por uma equipe de terroristas russos, que planeja lançar vários mísseis contra os EUA. O que faz Collins ter de proteger a sala de comando central do local, do grupo.    Imagem: Netflix (Divulgação) Já começo enfatizando que o roteiro de Matthew Reilly (que também assina a direção) e Stuart Beattie tem o único propósito de tentar vender a protagonista como a única pessoa inteligente do filme e todos os outros (especialmente os homens) são burros. A começar que mesmo ela protegendo a porta da sala, há uma “saída de emergência” com a porta aberta o tempo todo (inclusive, em uma hora, surge dali um oriental aleatoriamente para lutar com ela). Os terroristas são vendidos como inteligentes, mas em momento algum cogitaram entrar massivamente por lá, também? (sim, isso me incomodou bastante). Isso sem citar que a direção é péssima, e parece ter apenas dito para os atores “decorem suas falas e repitam para a câmera” (já que todos os atores estão péssimos). Chega a ser vergonhoso até mesmo a fotografia de Ross Emery se assemelhar com uma produção totalmente caseira, com preocupação zero ao pelo menos criar alguma tonalidade nas cenas de suspense (afinal, estamos falando de um filme onde era necessário isso). “Interceptor” acaba sendo uma das mais vergonhosas produções da Netflix, cujo o único propósito é vender uma protagonista feminista e independente, se esquecendo totalmente dos furos exorbitantes do roteiro.

Crítica | Jurassic World: Domínio

Engenharia do Cinema Certamente este foi um dos projetos mais aguardados há tempos, pois trata-se do “desfecho” (digo assim, pois provavelmente vão haver mais filmes ou até mesmo séries da franquia) de “Jurassic Park“/”Jurassic World“. Programado para chegar aos cinemas no último ano, o projeto foi um dos que mais sofreram por conta da pandemia (inclusive, os sets foram fotografados totalmente desertos durante o lockdown), inclusive serviu como inspiração para o recente “A Bolha“.  A história se passa quatro anos depois do desfecho do último longa, com os dinossauros vivendo com os humanos no mundo todo. Neste cenário caótico e inusitado, Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard), vivem em uma cabana isolada da grande cidade e escondem a existência de Maise (Isabella Sermon). Ao mesmo tempo, os renomados cientistas Ellie Sattler (Laura Dern), Alan Grant (Sam Neill) e Ian Malcolm (Jeff Goldblum), se reúnem mais uma vez após vários anos, para investigar o que realmente está acontecendo neste cenário todo.     Embora a narrativa homenageie o clássico dos anos 90, já que em todo momento possível o roteiro de Emily Carmichael e Colin Trevorrow (que também assina a direção) procura criar uma atmosfera de ação e suspense. Isso consegue captar a atenção do espectador e fazer o mesmo se assemelhar com o estilo de produção estabelecido por Steven Spielberg, nos primeiros dois títulos da franquia. Há dinossauros, cenário caótico e várias possibilidades que poderiam ser feitas, criadas (algo que não conseguiram fazer na recente franquia de “Godzilla“, por exemplo). Isso sem citar que os efeitos visuais são muito bem conduzidos (com exceção de uma tomada envolvendo Howard, que parece ter sido feita nas costas e não casa com nada que estava sendo visto). Imagem: Universal Pictures (Divulgação) Só que como nem tudo é às mil maravilhas, o texto acaba deixando um pouco de lado o escopo do cientista Lewis Dodgson (Campbell Scott), que acaba sendo mais um vilão genérico mostrado de forma totalmente descartável. O mesmo pode-se dizer da construção do arco final, que mais parece se preocupar em estabelecer uma atmosfera para uma amplitude da franquia, do que para um encerramento.   Agora, ele acerta ao conduzir as subtramas dos personagens protagonistas, pois há momentos chaves para todos eles brilharem e terem sua importância (o mesmo pode ser dito das curtas aparições de Omar Sy e Justice Smith, que acabam fazendo sentido serem implementadas). Mesmo sendo glorificante vermos novamente Dern, Neill e Goldblum juntos depois de quase 30 anos, o filme acaba deixando mais uma porta aberta para eles voltarem, ao invés de explorar ainda mais este reencontro. “Jurassic World: Domínio” certamente consegue entreter dentro de sua proposta, e se destaca por ser um entretenimento pipoca com diversas cenas de ação divertidas.

Crítica | Quatro Amigas Numa Fria

Engenharia do Cinema Realmente o cinema nacional nos últimos anos está se tornando uma piada pronta, no quesito de “programar suas estreias”. Depois de “Medida Provisória” ter sido lançado junto do terceiro “Animais Fantásticos“, a Disney literalmente programou a comédia “Quatro Amigas Numa Fria” para o mesmo fim de semana de “Top Gun: Maverick“. Com a maioria das salas destinadas para este, provavelmente este longa será visto e comentado apenas quando chegar no Star+. Lembrando que este filme está pronto desde 2019, ou seja, tempo para ser lançado não faltou (e isso é um péssimo sinal). A história gira em torno das amigas Daniela (Maria Flor), Karen (Fernanda Paes Leme), Ludmila (Micheli Machado) e Josie (Pri Assum), que decidem tirar uma temporada de férias em Bariloche. Só que elas não imaginariam os imprevistos que iriam viver no local, e que eles afetariam suas vidas como um todo. Imagem: Buena Vista Internacional (Divulgação) Certamente estamos falando de uma comédia que aparentemente sofreu demais na sala de pré-produção, pois o roteiro de Paulo Cursino (constante colaborador do diretor Roberto Santucci), Caio Gullane, Gabriel Lacerda, Taísa Lima, Juliana Soares e Sergio Virgilio (para uma comédia com menos de 90 minutos, não havia necessidade de tantos envolvidos na função), parece ter sido concebido com vários ponto de vistas diferentes. Enquanto alguns apresentam piadas geniais como o fato de Josie parecer o Kenny do “South Park” (que me tirou gargalhadas no cinema), outros já miram em mensagens feministas e de empoderamento (pelas quais acabam surgindo de forma jocosa). Este quesito não nos faz criar uma familiaridade com o quarteto, mas sim um péssimo entendimento de onde este filme quer chegar. Tudo acaba beirando para uma bagunça total, e chegamos até a mentalizar que o quarteto protagonista, está interpretando uma versão satírica de seus próprios ideais (basta olhar às redes sociais delas, para notar). Embora o escopo tenha claramente se inspirado na comédia “Missão Madrinha de Casamento” (que inclusive, foi indicada ao Oscar de roteiro original), não sentimos aquela “mão” ideal nesta roupagem.     “Quatro Amigas Numa Fria” termina como uma comédia que há pouca graça e mais lições de moral, com embasamento em personagens pouco interessantes.

Crítica | Luta Pela Fé – A História do Padre Stu

Engenharia do Cinema Aqui temos um claro exemplo de como um ator consegue levantar projetos de forma independente. “Luta Pela Fé – A História do Padre Stu” foi levado para grande maioria dos estúdios de cinema por Mark Walhberg (que quando não está atuando, é um respeitado produtor cinematográfico) e nenhum deles quis bancar o projeto (sendo adquirido pela Sony, apenas quando ele se encontrou pronto). Então ele literalmente se juntou ao amigo Mel Gibson, que colocou sua noiva Rosalind Ross para dirigir, roteirizar o projeto e produzir o longa. O resultado foi um filme totalmente com ares pessoais, pois o escopo engloba o lado conservador-católico de Walhberg e Gibson (que são conhecidos por serem praticantes). Baseado em fatos reais, a história mostra o falido lutador de Boxe Stuart Long (Walhberg), que resolve se mudar para Los Angeles e investir na carreira de ator. Mas após ele conhecer a latina Carmen (Teresa Ruiz), ele sente uma paixão enorme pela mesma, que lhe faz ingressar na igreja católica. Porém, logo após um ocorrido ele percebe que deverá se tornar um Padre. Imagem: Sony Pictures (Divulgação) Realmente estamos falando de um filme cuja temática pode gerar muitas polêmicas, devido ao seu assunto ser tratado com bastante tabu pela indústria cinematográfica e por vários pseudo-intelectuais (o que vem fazendo a qualidade de muitos filmes caírem, gradativamente). Não vemos pautas humanitárias, muito menos discussões ideológicas sendo jogadas na pauta. Apenas vemos a realidade de uma família que realmente foi afetada por conta da fé em Deus, e como um homem pode evoluir diante da presença do mesmo. Sim, isso deve ser destacado, pois vem sumindo do cinema há tempos.     Já adianto, que se você não comprar o que foi dito no parágrafo anterior, não estamos falando de um filme para você. Embora estejamos falando da história de um Padre, a narrativa realmente se mostra bastante pessoal por conta dos fatos que englobam a vida pessoal de Walhberg e Gibson (que no passado já tiveram problemas com álcool e confusões). Vivendo Pai e Filho mais uma vez nos cinemas (depois do divertidíssimo “Pai em Dose Dupla 2“), os caracteres de ambos a todo momento remetem experiências passadas deles (tanto que é nítido que eles entraram de cabeça nas interpretações).    Mas como nem tudo é perfeito, há uma certa rapidez para mostrar o arco de Stu se tornado Padre e uma maior ênfase quando ele estava tendo uma vida boêmia. Faltou mostrar em cena ainda mais a importância que o mesmo teve para os moradores de sua cidade (já que isso ficou resumido em uma cena de cinco minutos). E nestes momentos, a maquiagem usada para vermos uma versão obesa de Walhberg consegue ser mais bizarra que a mostrada em Chris Hemsworth (o Thor), em “Vingadores Ultimato“.  Isso sem citar que a diretora Rosalind Ross estava claramente com certo receio em assumir a função (e obviamente contou com a ajuda de Gibson, em algumas tomadas), pois alguns recursos ela literalmente se assemelhou como um diretora amadora (como por exemplo, em uma simples conversa ela foca no rosto dos atores, no ambiente e ainda balança a câmera). Uma lástima, pois este detalhe pesou no resultado final. “Luta Pela Fé – A História do Padre Stu” vale ser conferido como um mero entretenimento gospel, e se você for fã de Mark Walhberg e Mel Gibson.

Crítica | The Boys (3ª Temporada) – Sem Spoilers

Engenharia do Cinema Uma semana depois de “Stranger Things” ter abalado a internet com sua quarta temporada, a Amazon resolveu competir a altura lançando a terceira temporada de “The Boys“. Mesmo não sendo a última temporada da sucedida série, o serviço apostou no marketing que este seria o ano mais violento e maluco da mesma. E com toda certeza, embora tenham cumprido esta promessa, não podemos dizer que isto é suficiente para os oito episódios deste terceiro ano, serem bons. A história começa exatamente quando a antecessora parou, com Homelander (Antony Starr) e Billy Butcher (Karl Urban) com sangue nos olhos para se gladiarem. Ao mesmo tempo, Hughie (Jack Quaid) e Starlight (Erin Moriarty) vivem uma verdadeira crise se o relacionamento deles ainda poderá dar certo (afinal, ela é uma super-heroína e ele um homem normal). Imagem: Amazon Studios (Divulgação) Realmente, esta temporada opta pelo impacto de suas cenas para causar a sensação e curiosidade do espectador para onde vai sua direção. Com mortes regadas a muito sangue (e de forma cartunesca), cenas que extrapolam o normal (realmente não posso entregar, se não cairei em território de spoilers) e até mesmo falas hilárias, este novo ano só consegue se segurar nestes três fatores para conseguir segurar o espectador até o clímax da temporada (que realmente demora um pouco para acontecer).     Mesmo com o fato de que o foco agora é totalmente em Homelander x Billy, a temporada realmente opta por não desenvolver muito bem seus outros personagens (fazendo até mesmo, nós nos perguntarmos o “porque eles ainda estão na série”). Para se ter uma ideia, existem episódios que realmente se prendem apenas aos fatores citados no parágrafo antecessor, apenas para “encher a linguiça” e dar a metragem necessária por conta do contrato com a Amazon.     E isso acaba sobrando até mesmo na inserção dos novos personagens (cujo marketing se concentrou bastante nos últimos meses) que são o Soldier Boy (Jensen Ackles, que está bem à vontade no papel e entra no clima satírico da série) e Crimson Countess (Laurie Holden, que está bem no automático). Com notórias sátiras aos heróis da Marvel, Capitão América e Feiticeira Escarlate, somente quem realmente conhece estes, vai achar divertida a “homenagem”.     O terceiro ano de “The Boys” demora um pouco para decolar, mas quando ele começa a andar, abre portas para várias polêmicas e teorias do seu quarto ano.

Crítica | Spree

Engenharia do Cinema Já virou algo bastante comum e um tanto peculiar (em um submundo da internet, na maioria das vezes), algumas pessoas transmitirem crimes em chats on-line. A atitude pode parecer bastante doentia, mas acaba rendendo frutos financeiros para muitos (estou falando sério). E em cima desta situação bizarra, é que foi concebido o longa “Spree“.     A história gira em torno do influenciador Kurt Kunkle (Joe Kerry), que após uma grande queda no número de visualizações em suas redes sociais, onde apresentava o vlog “O Mundo de Kurt“, ele resolve apelar para algo totalmente diferente: começa a registrar suas rotinas como motorista na plataforma “Spree“, e à cada novo passageiros, ele vai cometendo diversos crimes totalmente bizarros. Imagem: SuperBloom Films (Divulgação) Começo enfatizando que a direção de Eugene Kotlyarenko (que também assina o roteiro com Gene McHugh), procura gravar a produção como se realmente fosse um registro de blogueiro. Seja por intermédio das janelas de chat, câmeras no carro e até mesmo câmeras de segurança das ruas por onde o Kurt trafega. Isso é meramente proposital, pois funciona como uma mera atmosfera para estarmos dentro daquele mundo de redes sociais que se estabelece o filme.     Embora o intuito não seja criarmos um certo vínculo com nenhum dos personagens, a ideia de colocar Kerry como protagonista deste tipo de produção foi por conta de sua imagem no cinema (do cara legal e amigo das crianças de “Stranger Things”). E em “Spree” acabamos tendo uma enorme desconstrução deste perfil, em menos de 10 minutos. E com direito a muito sangue! Porém, o filme acaba perdendo um pouco da sua atmosfera, quando procura focar na humorista Jessie Adams (Sasheer Zamata), que certamente acabou tendo seu arco totalmente forçado e repleto de clichês (quem viu o longa, sabe o que estou falando). “Spree” acaba sendo uma grata surpresa no catálogo do HBO Max, mas ao mesmo tempo nos faz refletir o quão o ser humano está ficando pior para conseguir conquistar números altos, em redes sociais.

Crítica | Stranger Things (4ª Temporada – Parte 1)

Engenharia do Cinema Após quase três anos em produção (pelos quais foram bastante prejudicados por conta do quadro da pandemia), a quarta temporada de “Stranger Things” acabou se tornando a última da série. Originalmente prevista para ter cerca de seis temporadas, acabou sendo reduzida para nove episódios (pelos quais os vindouros dois últimos possuem cerca de duas horas e meia, cada um) neste encerramento. Porém, muitos se questionaram se eram necessários episódios com uma metragem bastante extensa (afinal, estamos falando de capítulos com cerca de 75 minutos cada), e afirmo que sim! Era necessário. O novo ano começa exatamente cerca de um ano depois do encerramento da última temporada, com Eleven (Millie Bobby Brown) e seus amigos tentando se adaptar a nova rotina em sua escola. Ao mesmo tempo, o grupo acaba descobrindo novas ameaças, e tentarão descobrir como parar tudo. Sim, não irei adentrar no contexto da trama, pois seria território de spoilers (já que muitas coisas mostradas, são praticamente inesperadas). Imagem: Netflix (Divulgação) Começo enfatizando que esta nova temporada busca apresentar um contexto novo, e aproveitar a extensa metragem dos capítulos para criar uma atmosfera de suspense. Embora já conheçamos o grupo de protagonistas, há alguns novos personagens que ainda terão sua importância para a história (por isso, ocorrem algumas subtramas com estes). O recurso funciona de forma positiva, e ainda desperta nossa curiosidade para o que virá além, nos próximos episódios (tanto que facilmente se conseguirá maratonar esta nova temporada, em um único dia).    Mas como estamos falando episódios que beiram mais para o suspense, realmente o roteiro optou por ter uma base mais centrada em obras populares de Stephen King (como “Carrie a Estranha” e “Chamas da Vingança“), e por isso podemos esperar sequências mais impactantes de terror e violência. Sim, há um breve espaço para o alivio cômico (mas agora é bem breve mesmo) por intermédio dos personagens Steve (Joe Keery) e Robin (Maya Hawke, que realmente ganhou uma importância maior no programa). Inclusive, a dupla presta uma divertida homenagem para às extintas vídeo-locadoras (pelos quais os filmes citados por eles, farão alguns buscarem os mesmos para conferir).    A primeira parte do final de “Stranger Things” consegue mostrar que a série está chegando ao seu desfecho na hora certa, e ainda nos deixa com uma ótima atmosfera para o seu grande final.