Crítica | Casal de Fachada

Engenharia do Cinema Se existe alguma comédia romântica recente que consegue explorar uma premissa conhecida de forma diferente, e ainda tirar boas risadas, esta é “Casal de Fachada“. Realizada pela Lionsgate, foi vendida para a Hulu nos EUA e na América Latina pelo Star+. Embora em um primeiro momento se assemelhe com a ideia do recente “Case Comigo“, estamos falando de uma produção que não só respeita a origem latina dos atores (pelos quais possuem diálogos constantes em espanhol), como também o próprio espectador que está cansado do “mais do mesmo”. Inspirado no longa “La doublure“, de Francis Veber, a história gira em torno do manobrista Antonio (Eugenio Derbez), que após sofrer um acidente, acaba esbarrando com a famosa celebridade Olivia (Samara Weaving) e seu amante Vicent (Max Greenfield), que é um influente político e empresário de Los Angeles. Porém, como este é casado ele lhe propõe uma situação inusitada para ele esconder a situação: lhe pagar para fingir ser o novo namorado de Olivia. Imagem: Pantelion Films (Divulgação) Apesar de em um primeiro momento termos a sensação constante de estarmos vendo um “mais do mesmo”, o carisma de Derbez e Weaving consegue ir mais além do que poderia ter sido uma premissa banal. E isso também é graças ao roteiro de Bob Fisher e Rob Greenberg, que explora exatamente o que deveria ser extraído da dupla (rendendo várias piadas sensacionais e hilárias), a química da dupla convence o espectador facilmente em comprarmos a premissa (algo que está decaindo demais no cinema). Embora a diversão seja ótima, estamos falando de um filme com uma metragem de quase 130 minutos (e isso é totalmente desnecessário para este gênero). E alguns espectadores podem se cansar quando estamos chegando aos 80 minutos (já que no escopo do mesmo, a narrativa fica um tanto que mais lenta e plantando mais “dúvidas” em nossas mentes). Em uma época onde os serviços de streaming estão cada vez mais reduzidos à estreias questionáveis, “Casal de Fachada” consegue se estabelecer como uma das mais divertidas produções lançadas no formato, neste ano.

Crítica | Top Gun: Maverick

Engenharia do Cinema Este sem dúvidas é um dos filmes mais aguardados, nos últimos anos. Mesmo tendo suas gravações concluídas em 2019, “Top Gun: Maverick” teve uma complexa pós-produção e foi jogado para 2020. Mas a situação global acabou fazendo o longa estrelado por Tom Cruise ser jogado para este ano de 2022, exatamente 36 anos depois da estreia do original. Honestamente, este não era o exemplo de qualidade (afinal, além de Cruise estar em seu começo de carreira, o mesmo podia se dizer de um então desconhecido diretor Tony Scott) e se conquistou no coração dos espectadores graças às constantes reprises televisivas.      A história tem início com Maverick (Cruise) vivendo como um verdadeiro lobo solitário, e após conseguir mostrar seus talentos como piloto para um novo comandante (que acreditava no fato dos drones serem melhores que os pilotos reais), acaba sendo encarregado de ressuscitar uma nova equipe no programa de pilotos “Top Gun“. Apesar de não querer fazer isso, ele se vê obrigado a entrar como professor destes e realizar uma operação para acabar com mísseis russos.    Imagem: Paramount Pictures (Divulgação) Certamente este era um filme que foi feito para todos os espectadores que estavam com saudades do estilo “brucutu” , nos cinemas. Seja pelo fato de Cruise realizar manobras arriscadas sem dublês, não ligar para consequências de seus atos, até mesmo não deixou sua persona se render a pensamentos depressivos e que façam ser um mero carácter em “desconstrução” (como muitos filmes recentes tem feito, e os resultados não estão sendo satisfatórios). Ele realmente deu um tiro de doze em longas como “Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” e “Matrix Ressurrections” (que serviram para estragar as figuras dos seus protagonistas), e nos faz ter uma sensação gostosa de acompanhar a sua trajetória depois de um enorme hiato.     As cenas de ação conduzidas por Joseph Kosinski (que já trabalhou com Cruise em “Oblivion“) realmente impressionam, pois o aspecto de captação das cenas dos caças e a tamanha atmosfera que ele cria (inclusive são bastante notadas quando você confere ao mesmo em uma sala com tecnologia IMAX) consegue prender a atenção do espectador à todo momento (fazendo as duas horas de duração, não serem sentidas). Vale destacar que os efeitos visuais apelaram para o CGI apenas em tomadas necessárias, e todos estes foram feitos de forma prática (outra coisa que está ficando extinta no cinema). Com relação a retratação do elenco nesta narrativa, eles são aplicados da devida forma. Embora nomes como Jennifer Connelly, Jon Hamm, Ed Harris estejam em papéis secundários (que funcionam dentro da proposta), a menção especial fica por conta da aparição de Val Kilmer (cuja homenagem poderá emocionar a muitos, mas não entrarei em território de spoilers). Já Cruise consegue ter um ótimo contratempo com Miles Teller (pelo qual depois de “Whiplash“, tem conquistado ótimos papéis), que consegue até mesmo se assemelhar com o ator Anthony Edwards (intérprete de seu Pai, Goose no original)   “Top Gun: Maverick” certamente é um dos melhores filmes já realizados nos últimos anos, e mostra que para se fazer um bom filme de ação e aventura, não se deve apelar para o politicamente correto.

Crítica | Tico e Teco: Defensores da Lei

Engenharia do Cinema Parece extrema ironia o que irei falar, mas enquanto a Disney fez diversas apostas grandiosas em produções como “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” e “O Cavaleiro da Lua“, o estúdio do Mickey acabou deixando na fila do pão “Tico e Teco: Defensores da Lei“, que é uma das melhores coisas feitas por eles, em anos. Tudo o que fãs de clássicos como “Space Jam“, “Uma Cilada Para Roger Rabbit” e dos próprios “Tico e Teco” queriam ver em um longa-metragem, viram nesta produção. A história se passa exatamente anos depois da icônica série da Disney “Tico e Teco: Defensores da Lei” ter chego ao final, e a dupla ter tomado caminhos distintos em suas vidas. Mas após um velho amigo ter sido sequestrado por uma perigosa e misteriosa gangue, eles têm de se unir para poder encontrar o mesmo.     Imagem: Walt Disney Pictures (Divulgação) Vindo de programas televisivos como “Saturday Night Live“, o diretor Akiva Schaffer realmente sabe como lidar com o espectador. Tendo em mente este seu potencial, é nítido que o grande foco desse filme seria os próprios personagens Tico e Teco (tanto que não há quase importância os personagens humanos), e é exatamente isso que é feito. E com este ponto de partida, temos inúmeras referências, citações e até mesmo presenças de vários personagens icônicos de outros estúdios que não são da própria Disney (muito além do “Sonic Feio”, cujas piadas são as melhores do filme).    Isso sem citar que o roteiro ainda consegue buscar soluções bastante plausíveis para arcos que justificam algumas “mudanças”, na situação dos protagonistas como alguns serem feitos em CGI e outros na animação convencional, até mesmo o fato do seriado animado dos anos 90 ter acabado cedo (e resultando em diversos souvenires, pelas quais muitas crianças dos anos 80/90 possuem até hoje e são mostradas no filme). Porém, isso pode ser prejudicial para as crianças muito novas, pois a maioria das piadas e referencias são totalmente voltadas para o público que possuem uma bagagem na cultura pop. “Tico e Teco: Defensores da Lei” acaba sendo uma das maiores surpresas da Disney nos últimos anos e, exemplifica o fato do estúdio não estar sabendo divulgar massivamente suas melhores produções originais.

Crítica | Chamas da Vingança (2022)

Engenharia do Cinema Sabe quando nós pegamos um filme que gostamos bastante, e resolvemos apenas selecionar algumas cenas (como se fossem esquetes) para rever? Foi essa a sensação que tive ao conferir este remake “Chamas da Vingança“, que realmente se parece ter sido feito por esta situação pela Blumhouse e a Universal Pictures. Inspirado na obra de Stephen King (“It – A Coisa”), certamente vemos mais um notório caso de que pegaram apenas a ideia do livro, e distinguiram apenas com os “melhores momentos” do mesmo. A história gira em torno de Charlie McGee (Ryan Kiera Armstrong), que começa a perceber que possui poderes paranormais, ao soltar fogo em situações esporádicas ou quando sente medo. Só que ela não imaginava que seu Pai, Andy (Zac Efron) foi cobaia de uma companhia que estudava poderes paranormais em seres humanos. O que fará a dupla ter de fugir da organização, quando esta descobre que ambos ainda estão vivos. Imagem: Ken Woroner/Universal Pictures (Divulgação) Realmente este filme possui vários problemas, que os fazem ser ruim em diversos aspectos. Seja pela porca edição, que não se deu ao trabalho de explorar a fluidez de algumas cenas (inclusive o diretor Keith Thomas não é bom, pois ele constantemente apelava em focar na cara dos atores para “tirar” olhares dramáticos), ou até mesmo a trilha sonora mal executada de John Carpenter (que chegou a dirigir uma boa parte da produção dos anos 80, mas largou o trabalho por divergências criativas), que executa melodias pobres e clichês para as cenas chave (inclusive, ele deve ter topado apenas por conta do cachê).    Isso porque não entrei ainda no mérito dos efeitos visuais, cujas tomadas envolvendo alguns personagens pegando fogo, são nítidas que eles estavam usando uma roupa especial para este intuito (já que eles não se movem, e ficam apenas sempre fazendo o mesmo movimento). Com uma atenção breve, é nítido que quaisquer espectadores notaram isso. Pior, que a atriz mirim Ryan Kiera Armstrong tenta se esforçar (e realmente ela manda bem) mesmo ciente que ela não tinha um material bom em mãos.     Afinal de contas, o roteiro de Scott Teems não se preocupa em detalhar ou até mesmo criar atmosferas para termos empatia com Charlie e Andy. E isso faz com que quaisquer chances de possíveis arcos de suspense, sejam jogados no lixo. Isso sem citar, que às vezes Efron parece uma versão imbecil do Professor Xavier (não estou brincando), combatendo um vilão (Michael Greyeyes) que parece ter saído de uma novela mexicana ou até mesmo da icônica novela da Record, “Os Mutantes”. Em seu desfecho, “Chamas da Vingança” mostra que a protagonista deveria ter tacado fogo no próprio filme, de tão vergonhosa que se torna esta produção.

Crítica | Até o Fim

Engenharia do Cinema Já não é novidade que a atriz Megan Fox (“Transformers“) está há um certo tempo focada em realizar produções no cinema mais independente. “Até o Fim” é mais um deste título focado neste tipo de filme, e certamente fará com que muitos se recordem do recente “Jogo Perigoso” (inspirado no suspense de Stephen King, e lançado pela Netflix). Só que agora, temos uma premissa que facilmente poderia ter sido resolvida com uma pausa para pensar e em cinco minutos (poupando quase uma hora de projeção).   A história gira em torno de Emma (Fox), que está vivendo uma enorme crise no casamento e ciente disso seu marido Mark (Eoin Macken) a leva para uma casa totalmente isolada no campo, para terem uma noite romântica. Quando ela acorda, o mesmo se suicida em sua frente e lhe deixa presa consigo através de uma algema. Só que ela não imaginava que dois bandidos estariam indo para o local.  Imagem: Califórnia Filmes (Divulgação) Começo enfatizando que embora o roteiro de Jason Carvey possua uma premissa muito embasada com o título de King, ele não parou para analisar as possíveis soluções que a protagonista poderia ter tomado, nos primeiros minutos que ela estava na escabrosa situação. Mesmo com Fox convencendo no papel de protagonista (afinal, ela já está se tornando uma boa atriz de ação), o roteiro não acaba colaborando para ela jogar um maior potencial.    Pensem em todas as situações clichês possíveis (que vão desde um terceiro personagem que aparece apenas para ser morto, até mesmo feridas profundas que fazem a protagonista sair andando sem dificuldades), agora coloque isso em um cenário com todas as possibilidades que poderiam ter sido feitas, de forma direta e mais realista.  Embora o diretor S.K. Dale tenha conseguido criar uma atmosfera de suspense, e conseguimos comprar a tensão, isso acaba caindo por terra a partir do momento que as situações se soem burras demais (já que tudo poderia ter sido resolvido em menos de 10 minutos).     Suspense estrelado por Megan Fox tem boa execução e atuação desta, mas roteiro peca decisões bastante questionáveis.

Crítica | De Volta ao Baile

Engenharia do Cinema Originalmente realizado pela Paramount Pictures, a comédia “De Volta ao Baile” acabou sendo vendida para a Netflix, com o intuito de ser lançada mundialmente pela plataforma. Pegando carona com os sucedidos “De Repente 30” e “Quero Ser Grande“, certamente este tipo de humor escrito por Andrew Knauer, Arthur Pielli e Brandon Scott Jones poderá causar um certo desconforto nos espectadores aderentes ao politicamente correto e humor mais “certinho”, uma vez que a protagonista (quando então encarnada por Rabel Wilson) faz diversas piadas criticando este tipo de pensamento (o que justifica este público estar odiando a produção). A história tem início em 2002, quando a então líder de torcida Stephanie (então vivida por Angourie Rice) acaba sofrendo um acidente durante uma apresentação e entra em coma durante 20 anos. Após acordar em 2022 (agora vivida por Wilson), ela começa não apenas a ter um choque com a grande alteração na sociedade, como também ela acaba voltando para a mesma escola, apenas com o intuito de conseguir finalizar com colegial sendo a Rainha do Baile.     Imagem: Netflix (Divulgação) Em menos de 15 minutos de projeção, já conseguimos ver que a atriz Angourie Rice realmente estudou os trejeitos de Rabel Wilson, pois ela realmente conseguiu encarnar uma versão totalmente adolescente desta (semelhante ao que foi visto em “O Projeto Adam“). Mas, a graça não está neste quesito e sim quando esta entra em cena. Começamos a ver que a comediante tira piadas em momentos totalmente certos (como no discurso da personagem Martha (Mary Holland), explanando para ela que não pode falar determinadas palavras por serem “ofensivas” e ela começa a tirar onda da situação). Só que algumas coisas acabam sendo pouco exploradas, como o fato do número de seguidores no Instagram mover a sociedade atualmente (isso é explorado positivamente, mas faltou uma consequência mais ácida e até mesmo um demérito disto), e até mesmo a ausência de algumas coisas muito usadas no passado e hoje deixadas de lado (como o Pai de Stephanie trabalhar em um primeiro momento na Blockbuster, e posteriormente em uma loja de departamentos; Ou por aquela possuir uma coleção enorme de revistas e ela vendo que isso já está ficando cada vez mais extinto também. Não ocorre este estranhamento da personagem). “De Volta ao Baile” acaba sendo uma divertida produção que mostra o quão nossa sociedade está ficando chata, à medida que os anos avançam e que ainda é possível achar graça em coisas específicas na ficção.

Crítica | O Pentavirato

Engenharia do Cinema Realmente o humor de Mike Myers (criador de personagens como Austin Powers) não é feito para todos (já que muitos costumam não entender ou até mesmo gostam de humor nonsense com pastelão). Após um grande hiato neste estilo de produção, ele voltou a interpretar este estilo de personagens na sua nova minissérie para a Netflix, “O Pentavirato“. Interpretando vários personagens englobando populares “teorias de conspiração”, estamos falando de mais um produto da plataforma que acaba se prejudicando por conta de suas mensagens em prol de “ideologias” e jogam tudo que estava sendo proposto para escanteio. A história gira em torno do jornalista canadense Ken Scarborough (Myers), que após ter sido ameaçado em perder o seu emprego resolve se unir a cinegrafista Reilly Clayton (Lydia West), para tentar encontrar algo de interessante na convenção de teorias de conspiração. No local, ele se da conta do grupo “Pentavirato” que é responsável por influenciar em vários acontecimentos da humanidade. Imagem: Netflix (Divulgação) Só que como ele não usufruiu apenas deste quesito para criar seu roteiro, ele erra a mão quando acaba colocando piadas para os personagens coadjuvantes. Participações de nomes como Debi Mazar, Keegan-Michael Key (que realmente está fazendo quase todas as produções da Netflix) e Ken Jeong soam como forçadas e cansativas (já que eles teclam sempre na mesma piada, mesmo que ela não tenha funcionado). Diferente do veterano Jeremy Irons (“Casa Gucci“), que é escalado para narrar as aberturas dos episódios e acaba fazendo as mesmas serem interessantes a ponto de não pularmos a mesma (um dos grandes problemas que a maioria das séries enfrentam).  Com relação a outros graves erros do roteiro (que certamente deve ter sido a famosa “intervenção da Netflix”), é quando eles resolvem discutir assuntos como racismo, homofobia e até mesmo feminismo. O próprio enredo não havia criado estas situações em seu primórdio, e isso soa totalmente como jogado na tela e esfregado na cara do espectador de forma forçada (o que fará muitos acabarem odiando os arcos finais da mesma). Em seu desfecho, “O Pentavirato” acabará dividindo o espectador, pois desde o principio vemos que se trata de uma produção feita para, e apenas, fãs do comediante Mike Myers.  

Crítica | The Morning Show (2ª Temporada)

Engenharia do Cinema Sendo uma das primeiras séries a oficialmente paralisarem suas gravações por conta da pandemia, em 2020, a segunda temporada de “The Morning Show” foi nitidamente uma das mais afetadas por conta desse imprevisto. A começar que o roteiro foi modificado em partes, para apresentar o problema dentro do universo da mesma. Isso acabou sendo mostrado de forma plausível, e só acabou sendo prejudicado “um pouquinho”, nesta temporada.     Ela tem inicio exatamente na virada de 2019/2020, com a emissora da UBS totalmente revigorada após os escândalos mostrados na última temporada. Com Mitch Kessler (Steve Carell) vivendo na Itália e Alex Levy (Jennifer Aniston) fora do programa “The Morning Show” para cuidar da sua saúde mental, o mesmo agora é encabeçado por Bradley Jackson (Reese Witherspoon) e enfrenta novos grandes problemas. Seja por conta de consequências de atos passados, até mesmo pelo comportamento temperamental da diretora da atração Mia Jordan (Karen Pittman). Imagem: Apple TV+ (Divulgação) Enquanto no primeiro ano da série estávamos sendo apresentados ao trio protagonista vivido por Aniston, Witherspoon e Carell, neste segundo vemos eles lidando com vários poréns na sociedade atual. Seja contra a cultura do cancelamento, até mesmo polêmicas criadas nos próprios bastidores por conta de decisões amorosas e profissionais (calma, não entrarei em spoilers). Isso nos faz ficar mais próximos destes personagens, pois sentimos que isso realmente ocorre no mundo real e não apenas nos bastidores de um programa televisivo. Agora com mais destaque nos coadjuvantes como o CEO da emissora, Cory Ellison (Billy Crudup, em uma das melhores atuações na carreira), o assistente de Alex, Chip Black (Mark Duplass) e o co-apresentador do Morning Show, Yanko Flores (Nestor Carbonell), o trio ganha um arco mais centralizado e certamente foram os principais responsáveis para a guinada neste novo ano. Isso sem citar do acréscimo da atriz italiana Valeria Golino, que vive a cinegrafista Paola Lambruschini e consegue trazer para a narrativa o lado humano de Mitch. Só que já adianto que por mais que esta nova temporada parecer excelente, ela demora um pouco para começar a funcionar. Uma vez que os dois primeiros episódios sirvam apenas para começar a construir o que veremos nos próximos oito capítulos (e certamente deixarão muitos espectadores com pouco interesse no programa). E são justamente nestes, que pequenas “esquetes” sobre o COVID-19 são apresentadas. Algumas encaixam plausíveis, já outras são ditas e simplesmente somem da narrativa (afinal, o mundo estava centrado apenas nas eleições dos EUA, e pouco ligando para a doença, como mostra o universo da série).  A segunda temporada de “Morning Show“, chegou na hora certa e nos faz refletir até onde a cultura do cancelamento pode ser prejudicial para o ser humano e a sociedade.

Crítica | O Peso do Talento

Engenharia do Cinema Certamente este projeto já nasceu sendo um marco na carreira do ator Nicolas Cage, pois estamos falando de um filme onde além dele interpretar ele mesmo, é feita uma sátira aos seus últimos anos na indústria do cinema. Desde seus tempos de auge em longas como “A Outra Face“, até aos dias atuais, onde ele faz diversas produções aleatórias apenas para pagar suas dívidas milionárias. “O Peso do Talento” trata-se deste escopo, onde certamente fará com que você se recorde dos clássicos como “Trovão Tropical“, “É o Fim” e até mesmo o recente “A Bolha“.    Tendo a premissa citada como ponto inicial, o empresário de Cage, Richard (Neil Patrick Harris) lhe consegue uma oportunidade de ouro: marcar presença no aniversário do magnata Javi Gutierrez (Pedro Pascal), na Espanha, com um cachê de US$ 1 milhão de dólares. Ao chegar no local, ele acaba sendo interceptado pelos agentes da CIA Vivan (Tiffany Haddish) e Martin (Ike Barinholtz), que lhe fazem se transformar em um agente e investigar um esquema de corrupção global e sequestro da filha de um candidato a presidência, ordenados pelo próprio Javi. Imagem: Paris Filmes (Divulgação) É nítido que os roteiristas Tom Gormican (que também é responsável pela direção) e Kevin Etten são grandes fãs de Cage, pois realmente conhecem detalhes de sua carreira e tiques que poderiam ser explorados em cena (vide os diálogos “artísticos” executados de forma aleatória e até mesmo problemas com álcool, que fizeram o mesmo a terem cenas bizarras pela imprensa). E nitidamente o próprio Nick (como é citado no longa), aceitou entrar na brincadeira e realmente se divertiu durante a execução desta produção. Ainda mais quando ele acaba contracenando com Pascal (que também está bem à vontade no papel). Só que a produção começa a pecar demais, no quesito de “soluções rápidas demais”. Em determinado ponto, vemos que as sequências são aceleradas para chegar ao desfecho (principalmente no último ato), fazendo com que tudo ocorra com diversas pontas soltas (inclusive, alguns personagens somem e reaparecem do nada). Tanto que nomes como Neil Patrick Harris, Tiffany Haddish e Sharon Horgan (Olivia, a ex-esposa de Cage), são porcamente explorados. Mas o fator favorável para este estilo de filme é que em determinado ponto, Pascal e Cage começam a “encenar um filme”, e por isso, durante boa parte da metragem nos questionamos sobre tudo e todos os atos mostrados (se eles vão ser prejudiciais ou não). “O Peso do Talento” acaba sendo uma divertida homenagem satírica à carreira do grandioso ator Nicolas Cage, e nos faz refletir que realmente ele é um dos maiores atores da história do cinema.