Gilsons transforma Lollapalooza em fim de tarde na Bahia com hits de ‘Pra Gente Acordar’

Entre tantas guitarras distorcidas e batidas eletrônicas, o show dos Gilsons funcionou como um oásis. O trio (filhos e netos de Gilberto Gil) trouxe a brisa da MPB contemporânea para o palco principal, provando que o som orgânico tem, sim, espaço em megafestivais. O hit Várias Queixas foi cantado em uníssono, transformando o gramado em uma roda de samba gigante. Mas a força do show residiu nas faixas do álbum Pra Gente Acordar, como Proposta e a faixa-título, que misturam a sofisticação harmônica da família Gil com o pop radiofônico. Foi uma apresentação leve, solar e dançante, que serviu para “limpar o paladar” do público antes da maratona de rock que viria a seguir.
Pitty comanda coro de milhares e prova que o rock brasileiro tem dono (e é uma mulher)

Se havia alguma dúvida sobre a longevidade do rock nacional, Pitty tratou de dissipá-la. Com um dos maiores públicos do dia no Palco Adidas (que ficou visivelmente pequeno para ela), a baiana entregou um setlist “sem firulas”, focado na memória afetiva. A abertura com Ninguém é de Ninguém já mostrou a banda afiada, mas foi quando os acordes de Admirável Chip Novo e Máscara soaram que Interlagos tremeu. Pitty, regendo a massa com elegância, atualizou a letra de Na Sua Estante (trocando “cê acha que eu sou louca” por “não diga que eu sou louca”), um detalhe sutil mas poderoso. O encerramento com Me Adora não foi apenas um show; foi um grito de desabafo coletivo de uma geração que cresceu ouvindo essas músicas.
Medulla abre os trabalhos com “bicicletada” sonora e rock visceral em Interlagos
Abrir o palco principal (Chevrolet) é uma tarefa para poucos, e o Medulla fez isso com a urgência de quem tem algo a provar. Os gêmeos Keops e Raony trouxeram seu rock experimental e cheio de groove para um público que ainda chegava, mas que foi capturado pela energia de faixas como Faça Você Mesmo e Paralelo ao Chão. A banda apostou na intensidade física, compensando o sol forte com performance. O destaque ficou para Eterno Retorno e Um Leão Por Dia, músicas que ganharam peso extra na acústica aberta do autódromo. Entre discursos sobre liberdade e a estética urbana (com referências às bicicletas que são marca da banda), o Medulla fez um show curto, grosso e suado, honrando o rock independente nacional no mainstream.
Carol Biazin espanta o sol do meio-dia com R&B sensual e cover poderoso de Cássia Eller

Quem encarou o sol a pino das 13h no Palco Adidas não encontrou uma artista iniciante, mas uma popstar pronta. Carol Biazin trouxe para Interlagos a complexidade de seu álbum Reversa, dividindo o show em atos que narram as fases de um relacionamento. Apesar do horário ingrato, a cantora paranaense entregou visuais e coreografia de gente grande. A sequência Garota Infernal e Tentação mostrou que seu R&B pop tem “pegada” ao vivo. Mas o momento que furou a bolha dos fãs foi o cover de Malandragem (Cássia Eller). Com arranjo moderno e vocais rasgados, Carol provou que tem envergadura para dialogar com o rock nacional clássico, preparando o terreno para o hit Mala Memo. Foi uma apresentação curta, mas que deixou claro: o palco secundário já ficou pequeno para ela.
Yungblud faz show de corpo e alma no Cine Joia, em São Paulo

Atração do Lollapalooza 2023, o britânico Yungblud testou seu poder de fogo em São Paulo na última quinta-feira (23), no Cine Joia. Com a casa abarrotada, o artista de 25 anos mostrou que já tem uma fanbase poderosa no Brasil. Curioso notar o quão Yungblud tem crescido em popularidade em todo mundo. No segundo semestre de 2021, assim que os shows foram retomados na Europa, o Blog n’ Roll acompanhou uma das quatro noites de sold out no O2 Forum Kentish Town, em Londres. O giro pela América do Sul não tem sido diferente. Protagonizou shows incríveis no Chile e Argentina, ambos com muito apoio dos fãs também. No Cine Joia, Yungblud manteve o set que tem funcionado perfeitamente pelo mundo todo. O início é pulsante com 21st Century Liability,The Funeral e parents. Yungblud não para um segundo sequer. Pula, dança, vibra enquanto enfileira hits. Tissues, outro single marcante do terceiro álbum, homônimo, coloca ainda mais pilha no público, que permaneceu em perfeita sinergia com o artista do início ao fim. strawberry lipstick, do segundo álbum, weird! (2020), também virou sing along com o público do Cine Joia. A apresentação de Yungblud se mantém forte do início ao fim. Com o repertório na ponta da língua dos fãs e a energia inesgotável do britânico, fica até difícil elencar os pontos altos. No entanto, fleabag, California, I Think I’m Okay (feat com Machine Gun Kelly) e Loner conseguiram chamar ainda mais a atenção. Ao término da apresentação, o público aguardou o músico na porta do Cine Joia. E ele apareceu. Subiu em cima de um carro e vibrou muito com o carinho dos fãs. Se cumprir com a promessa, teremos Yungblud em São Paulo em 2024, 2025, 2026, e assim por diante.
Blues rock de alto nível em show histórico do Black Crowes em São Paulo

Foram necessários 27 anos para, enfim, o Black Crowes retornar ao Brasil. Até então, a banda havia se apresentado só uma vez no País, no Hollywood Rock 1996. Nessas quase três décadas seguintes, a banda viveu um hiato (2002-2005), um encerramento das atividades (2015-2019) e precisou adiar a turnê de reencontro, em 2020, em função da pandemia do coronavírus. Aliás, a pandemia atrasou a turnê que veio ao Brasil, a alusiva aos 30 anos do clássico álbum Shake Your Money Maker, lançado em 1990. Sorte nossa que os planos não foram alterados. Com show único no Espaço Unimed, em São Paulo, na última terça-feira (14), o Black Crowes mostrou que o tempo afastado fez muito bem. Diante de 6 mil pessoas, a banda mostrou técnica absurda em uma apresentação sem telões futuristas, efeitos especiais, chuva de papel picado ou bla bla bla desnecessário o público. A primeira parte foi toda dedicada ao Shake Your Money Maker, tocado na íntegra e em ordem, de Twice as Hard até Stare it Cold. Os irmãos Chris e Rich Robinson são as grandes estrelas, com um destaque maior para o primeiro. Aos 56 anos, Chris recuperou o vocal característico e os trejeitos de Mick Jagger, dançando o tempo todo durante as músicas. Aliás, vale destacar o quanto Rolling Stones influencia essa incrível banda. Não é apenas na sonoridade blues rock, mas também pelo visual e postura de Chris. Mas a adoração aos Stones foi deixada de lado no Brasil. Diferente do que vinha fazendo nos últimos shows, a banda não tocou o cover de Rocks Off. Uma pena. Mas a segunda parte da apresentação reservou outras boas surpresas do repertório extra Shake Your Money Maker: faixas dos álbuns The Southern Harmony and Musical Companion, Amorica e By Your Side. Em resumo, o Black Crowes tocou Sometimes Salvation, Wiser Time, Thorn in My Pride, Sting Me e o megahit Remedy, muita festejada pelo público. Por fim, a banda fez uma breve pausa e voltou com Virtue and Vice.
Lollapalooza divulga horários dos shows e a divisão por palcos

O Lollapalooza Brasil, marcado para os dias 24, 25 e 26 de março, acaba de divulgar os horários dos shows e as atrações divididas por palco, então o público já pode começar a se programar e fazer o roteiro para os três dias de evento, que, neste ano, recebe Billie Eilish, Lil Nas X, Twenty Øne Piløts, Tame Impala, Jane’s Addiction, Drake, Rosalía. O LollaBR anunciou também algumas atualizações no line-up: a banda de indie rock canadense Mother Mother entrou para a décima edição do festival e tocará no dia 24; enquanto o Almanac, projeto dos produtores musicais Dave e Lester, de Minas Gerais, foi confirmado para o dia 25. O cantor Fred Again.., por sua vez, teve a sua apresentação alterada de sábado para domingo, dia 26. Por último, Dominic Fike e 100 Gecs precisaram cancelar os seus shows pela América do Sul, o que inclui a passagem pelo Lollapalooza Brasil. Vale lembrar que ainda há ingressos nas modalidades Lolla Day, Lolla Comfort by next, e Lolla Lounge by Vivo disponíveis no site – com taxa) e na bilheteria oficial (sem taxa). Confira a programação do LollaBR dividida por palcos 24 de março, sexta-feira Palco Budweiser Aliados – 12:00 – 12:30 BABY – 13:20 – 14:05 ANAVITÓRIA – 15:00 – 15:45 Mother Mother – 16:55 – 17:55 Kali Uchis – 19:05 – 20:05 Billie Eilish – 21:15 – 22:45 Palco Chevrolet Brisa Flow – 12:30 – 13:15 Black Alien – 14:10 – 14:55 Modest Mouse – 15:50 – 16:50 Conan Gray – 18:00 – 19:00 Lil Nas X – 20:10 – 21:10 Palco adidas Gab Ferreira – 12:00 – 12:30 Planta & Raiz – 13:20 – 14:05 Suki Waterhouse – 15:00 – 15:45 Hot Milk – 16:55 – 17:55 Polo & Pan – 19:05 – 20:05 Rise Against – 21:15 – 22:15 Palco Perry’s by Johnnie Walker Blonde Curol – 12:00 – 12:30 Aline Rocha – 12:45 – 13:15 Madds – 13:30 – 14:15 Öwnboss – 14:30 – 15:15 Devochka – 15:30 – 16:30 Nora En Pure – 16:45 – 17:45 Pedro Sampaio – 18:00 – 19:00 John Summit – 19:15 – 20:15 Gorgon City 20:30 – 21:30 Claptone – 21:45 – 22:45 25 de março, sábado Palco Budweiser Mulamba – 12:00 – 12:30 Tássia Reis – 13:05 – 13:45 LUDMILLA – 14:40 – 15:35 Wallows – 16:45 – 17:45 The 1975 – 18:55 – 19:55 Twenty Øne Piløts – 21:30 – 23:00 Palco Chevrolet Medulla – 12:30 – 13:00 Gilsons – 13:50 – 14:35 YUNGBLUD – 15:40 – 16:40 Jane’s Addiction – 17:50 – 18:50 Tame Impala – 20:00 – 21:25 Palco adidas Ana Frango Elétrico – 12:00 – 12:30 Carol Biazin – 13:05 – 13:45 Pitty – 14:40 – 15:35 Filipe Ret – 16:45 – 17:45 Sofi Tukker – 18:55 – 19:55 Melanie Martinez – 21:35 – 22:35 Palco Perry’s by Johnnie Walker Blonde Valentina Luz – 12:00 – 12:30 Melanie Ribbe – 12:45 – 13:15 Binaryh – 13:30 – 14:15 D-Nox – 14:30 – 15:15 Eli Iwasa – 15:30 – 16:15 Almanac – 16:30 – 17:30 Liu – 17:45 – 18:45 Mochakk – 19:00- 20:00 Purple Disco Machine – 20:15 – 21:15 Jamie XX – 21:45 – 23:00 26 de março, domingo Palco Budweiser Larissa Luz – 12:40 – 13:20 Rashid – 14:15 – 15:15 WILLOW – 16:25 – 17:25 Tove Lo – 18:35 – 19:35 Drake – 21:00 – 22:30 Palco Chevrolet Number Teddie – 12:00 – 12:35 Tuyo – 13:25 – 14:10 Os Paralamas do Sucesso – 15:20 – 16:20 Aurora – 17:30 – 18:30 Rosalía – 19:40 – 20:55 Palco adidas Black Pantera – 12:40 – 13:20 O Grilo – 14:15 – 15:15 The Rose – 16:25 – 17:25 L7NNON – 18:35 – 19:35 Cigarettes After Sex – 21:00 – 22:00 Palco Perry’s by Johnnie Walker Blonde Carol Seubert – 12:00 – 12:30 Camilla Brunetta – 12:45 – 13:15 Deekapz – 13:30 – 14:15 Carola – 14:30 – 15:15 Santti – 15:30 – 16:15 Rooftime – 16:30 – 17:30 Dubdogz x KVSH – 17:45 – 18:45 Fred Again.. – 19:00 – 20:00 Alison Wonderland – 20:15 – 21:15 Armin van Buuren – 21:30 – 22:30
Def Leppard emociona com passeio pela discografia

Atração principal da World Tour, com o Mötley Crüe, no Allianz Parque, na terça-feira (7), a banda britânica Def Leppard comprovou mais uma vez que ainda tem lenha de sobra para queimar. Se alguém duvidava, bastava ver a recepção para Take What You Want, faixa do último álbum, Diamond Star Halos, lançado no ano passado, que abriu o show. Dona de um repertório extenso, festejado por público e crítica, a banda se deu ao luxo de passear por toda discografia sem medo. Funcionou bem. Se Take What You Want caiu bem logo de entrada, o que dizer de Let’s Get Rocked, do Adrenalize (1992), que veio na sequência? O Def Leppard não brinca em serviço. Joe Elliott que o diga. Diferente de boa parte dos vocalistas de bandas de hard rock dos anos 1970 e 1980, o músico consegue um ótimo desempenho aos 63 anos. Animal, do clássico Hysteria (1987), além de Foolin’ e Armageddon It foram bons exemplos, ainda na primeira etapa da apresentação. Entre baladas e hits, o Def Leppard conseguiu cativar como poucos. O momento acústico, com This Guitar e When Love and Hate Collide, conseguiu emocionar os mais sensíveis. Enquanto a instrumental Switch 625 veio para garantir o descanso merecido para a voz de Elliott. Foi a deixa para os brilhos de Phil Collen (guitarra) e Rick Allen (bateria), que mostraram as credenciais com solos impressionantes. A reta final, com Hysteria, Pour Some Sugar on Me, Rock of Ages e Photograph, veio para comprovar o que todos que já assistiram o Def Leppard sabem: é uma das melhores bandas ao vivo desde os anos 1980.
Mötley Crüe apaga má impressão de 2015 e entrega bom show em SP

A dobradinha Def Leppard e Mötley Crüe chegou a São Paulo, via Live Nation, na noite de terça-feira (7). No Allianz Parque, as bandas promoveram uma noite histórica para os fãs de hard rock. Edu Falaschi, ex-Angra, foi o responsável pela abertura da noite. Existia uma expectativa grande em cima do Mötley Crüe. Afinal, somente nos últimos anos, duas produções no streaming retrataram a banda (The Dirt, da Netflix) ou algum integrante (Pam & Tommy, da Star). Tais produções aumentaram o hype de uma banda que já estava muito longe do auge. Tommy Lee, Vince Neil e Nikki Sixx vieram acompanhados de John 5, que por muitos anos foi guitarrista da banda de Marilyn Manson e Rob Zombie. Ele substitui Mick Mars, que sofre há anos com a espondilite anquilosante. A boa notícia é que oito anos após a última passagem pelo Brasil, no Rock in Rio, o Mötley Crüe parece uma banda mais empolgada e tecnicamente melhor. Os integrantes pareciam felizes no palco. A clássica Wild Side para abrir o show foi um grande acerto. A canção caiu como uma luva para quem ainda tinha dúvidas de como o Mötley chegaria ao Allianz Parque. Se em 2015, Vince Neil foi alvo de críticas e piadas pela falta de fôlego, a situação, agora, mudou. Tal como o Guns fez com o Axl Rose, o Mötley tirou um pouco da velocidade das faixas clássicas para o vocalista poder entregar o melhor possível. E durante 1h30, o Mötley Crüe cumpriu com o que prometeu ao longo do show: diversão e faixas clássicas do início da carreira. Uma das novidades do set foi The Dirt (Est. 1981), trilha do filme da Netflix, que foi acompanhada por imagens do longa no telão. À vontade no palco, a banda também fez um medley curioso com Rock and Roll, Part 2 (Gary Glitter), Smokin’ in the Boys Room (Brownsville Station), Helter Skelter (Beatles), Anarchy in the U.K. (Sex Pistols) e Blitzkrieg Bop (Ramones). Isso mesmo, essa salada toda em sequência. Interação com o público Curioso notar que, um pouco antes do medley, Nikki Sixx puxou uma fã da plateia e deu um abraço, além de tirar uma selfie com ela. O gesto carinhoso rendeu muitos aplausos e gritos do público. Por fim, ele ainda perguntou se ela queria falar algo. A fã devolveu que queria o baixo dele. Não levou, mas tentou. Logo depois do medley, Tommy Lee resolveu mostrar suas credenciais. Foi até a passarela do palco e começou a provocar as fãs. Disse que gostaria muito de viver no Brasil, principalmente pela natureza e pelas mulheres. Não satisfeito, pediu que as mulheres subissem nos ombros dos companheiros para mostrar os seios. Algumas atenderam o pedido, ao passo que o baterista disse que havia visto as melhores “ta-tas” da América Latina. No piano, ele puxou a balada Home Sweet Home, com toda a banda na passarela. Foi a deixa para mais uma sequência de hits: Dr. Feelgood, Same OI’ Situation e Girls, Girls, Girls vieram em sequência. Em Girls, Girls, Girls, a banda entrou com duas bonecas infláveis gigantes para garantir a composição do palco, totalmente inspirada nos tempos áureos do Mötley Crüe. Primal Scream e Kickstart My Heart deram números finais ao show, mas não empolgaram tanto como Girls, Girls, Girls, o que rendeu uma Baixada nos ânimos da plateia. Apesar disso, o saldo foi muito positivo.