Entrevista | Lucifer – “Às vezes é difícil cantar uma música ao vivo porque me leva a momentos em que estava machucada”

A banda sueca Lucifer retorna ao Brasil em abril para uma série de oito apresentações que marcam mais um capítulo de sua relação com o público sul-americano. A nova turnê, que também passa por Argentina e Chile, chega em um momento especial da carreira do grupo, impulsionada pelo lançamento de Lucifer V, disco que consolidou a maturidade artística do projeto liderado pela vocalista Johanna Platow. No país, o ponto alto será a participação no Bangers Open Air, em São Paulo, além de um show solo no Hangar 110, oferecendo uma experiência mais completa fora do formato de festival. Formado em 2014, o Lucifer se firmou como um dos principais nomes do occult rock contemporâneo ao resgatar a essência do heavy metal dos anos 1970, com influência direta de bandas como Black Sabbath, Pentagram e Coven. Ao longo de cinco álbuns, a banda desenvolveu uma identidade própria, equilibrando peso e melodia com uma forte estética conceitual. Em Lucifer V, esse caminho atinge um ponto de síntese, com composições mais diretas, mas ainda carregadas de emoção, explorando temas como perda, espiritualidade e experiências pessoais. Em conversa ao Blog N’ Roll, Johanna falou sobre a fase atual da banda ao chegar a um grande festival no Brasil, refletiu sobre o processo emocional por trás de Lucifer V e comentou sua visão crítica sobre os rumos do metal contemporâneo. Vocês tocaram em locais menores nas passagens anteriores pelo Brasil. Como você enxerga a fase atual do Lucifer chegando ao Brasil em um grande festival como o Bangers? Estou muito animada, porque é o primeiro festival no Brasil que vamos tocar. Já fizemos turnês pela América Latina com o Lucifer, mas, pelo que me lembro, foram apenas shows em clubes. O último álbum Lucifer V é um disco emocional, pessoal e mais maduro. O que mudou em você durante esse processo? Não acho que tenha me mudado tanto assim. Acho que as mudanças vêm da vida. Você passa por coisas e vai mudando, e o álbum captura esse momento no tempo. Eu não costumo ouvir os discos do Lucifer, mas quando preciso, por exemplo para me preparar para um show, e escuto alguma música, ela me leva de volta para aquele período da minha vida. As letras são pessoais, então funcionam quase como uma fotografia daquele momento. Não vejo o processo de gravação como algo que me mudou, mas como um registro de quem eu era naquele momento. Você considera esse o disco mais pessoal da sua carreira? Todos são pessoais, porque eu sempre uso as letras quase como uma terapia quando estou passando por coisas na minha vida. Mas eu diria que nesse álbum eu me permiti ser mais emocional e mais aberta. Tem uma música, por exemplo, “Slow Dance in a Crypt”, que talvez eu não tivesse feito em discos anteriores. Então sim, Lucifer V é meu álbum favorito. E o que você vê de diferente do Lucifer V para os outros trabalhos? Acho que a produção é a melhor, tem mais variedade emocional e explora mais estilos. Também está mais sombrio novamente do que os dois ou três discos anteriores. O som do Lucifer conversa muito com o metal dos anos 70. Como você enxerga o rumo do metal mais moderno, com uso de elementos eletrônicos e mais experimentações? Eu não me interesso tanto pelo que é moderno. Eu amo música em geral, claro, mas quando o rock e o metal ficam genéricos demais, com todo mundo usando os mesmos efeitos, tudo muito polido, muito plástico, isso me incomoda. Falta algo orgânico, mais humano. Muitas bandas soam iguais hoje em dia, e isso é entediante. Quando eu cresci, nos anos 90, havia muito mais diversidade. Eu entrevistei recentemente o Crazy Lixx, que também estará no Bangers, e eles disseram que decidiram voltar a uma época em que o rock era bom e seguir dali. Você sente que o Lucifer cria como se estivesse na era do Black Sabbath? Sim, o Black Sabbath é minha banda favorita. Se você me obrigasse a escolher uma única banda para ouvir em uma ilha, seria Black Sabbath. É a principal influência do Lucifer, com certeza. Como foi o processo de transição da sonoridade doom para a atual, deixando o som mais acessível sem perder o peso? Uma coisa não exclui a outra. Você pode ser pesado e acessível ao mesmo tempo. O Black Sabbath é o melhor exemplo disso. Eles são extremamente pesados, mas têm uma sensibilidade pop muito forte, o que muita gente esquece. Algo melódico e acessível também pode ser pesado. Significa apenas que é uma boa melodia. Vocês parecem não se preocupar com o mainstream. Existe um limite que você não quer ultrapassar? Não tenho uma ideologia de precisar defender o underground. Não preciso provar nada para ninguém. Estou no rock e no metal desde os 13 anos. Para mim, o importante é que a música seja sincera e que você realmente ame o que está fazendo. Você cresceu em um ambiente religioso, certo? Como foi a transição para trabalhar com elementos do ocultismo? Foi muito fácil, porque cresci em um ambiente protestante na Alemanha, que é bem mais liberal do que o católico. Tenho vários pastores na família, mas nunca foi algo rígido. Quando eu tinha 14 anos, fui para minha confirmação com cabelo preto e usando uma cruz invertida, e minha mãe só pediu para eu esconder a cruz por baixo do vestido. Depois saí da igreja, mas nunca foi uma ruptura dramática. Crescer em Berlim nos anos 90 também ajudou, porque havia muitas livrarias com literatura ocultista, uma cena gótica forte, muitos cemitérios bonitos. Foi natural me conectar com isso. Vocês já têm um setlist definido para os shows no Brasil? O que os fãs podem esperar? Já temos um setlist, porque todos os integrantes moram em países diferentes e vamos nos encontrar em Barcelona para ensaiar antes da turnê. O público pode esperar clássicos do Lucifer, músicas do Lucifer V, algo bem antigo e até algo que não
Ana Cacimba mergulha na nova MPB com o single “Sereia”

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba apresenta o single “Sereia”, uma balada romântica que mistura elementos da nova MPB com referências da espiritualidade afro-brasileira, marcas recorrentes em sua trajetória artística. A faixa chega em parceria com PH Moraes, do duo Luau, e ganha um visualizer assinado por Ysis Policarpo. Em “Sereia”, Ana Cacimba constrói uma narrativa sobre um amor que não se projeta para o futuro, mas se intensifica no presente. A ideia do “eterno enquanto dure” conduz a letra, que encontra na figura da sereia uma metáfora para esse encontro passageiro. A personagem surge como uma espécie de bênção de Iemanjá, inserindo a canção em um cenário simbólico de liberdade, desejo e encantamento à beira-mar. A sonoridade acompanha essa proposta. Violões e tambores dialogam com beats eletrônicos, enquanto o asalato, instrumento africano de percussão presente no universo da artista, reforça a identidade rítmica da faixa. O resultado é uma atmosfera leve e envolvente, que remete ao clima de um luau ao entardecer. Com o lançamento, Ana Cacimba se posiciona dentro de uma cena contemporânea da música brasileira que aposta em sonoridades solares e híbridas. Nesse contexto, dialoga com nomes como Gilsons, Rachel Reis, Letícia Fialho, Benziê, Avuá e Amanda Magalhães. “Sereia” reforça essa conexão ao mesmo tempo em que amplia o repertório da artista, consolidando uma identidade que transita entre o íntimo, o espiritual e o contemporâneo.
Do contrabaixo à canção: Michael Pipoquinha inicia nova fase na carreira

Depois de consolidar seu nome como um dos principais contrabaixistas do país, Michael Pipoquinha inicia um novo momento na carreira. Conhecido pela atuação no universo instrumental, o músico cearense agora se aproxima da canção e passa a incorporar a própria voz como elemento central de sua criação. Nascido em Limoeiro do Norte, no Ceará, e radicado em São Paulo desde a adolescência, Pipoquinha construiu uma trajetória marcada pela excelência técnica e pela circulação em diferentes cenas musicais. Ao longo dos anos, dividiu palco com nomes como Djavan, Gilberto Gil, Hamilton de Holanda, Yamandu Costa, Ivan Lins, Elba Ramalho, Chico César, João Bosco e Toninho Horta, além de colaborações com Arismar do Espírito Santo e Pedro Martins. Sua atuação também ganhou projeção internacional, com apresentações em países da América do Sul e turnês pela Europa e Oriente Médio. No circuito global, dialoga com referências como Jacob Collier, Thundercat, John Patitucci e Victor Wooten, além de colaborar recentemente com Richard Bona. Seu trabalho também já recebeu reconhecimento de nomes como Stanley Clarke. A discografia acompanha essa trajetória, com álbuns como Cearencinho (2014), Lua (2017) e Um Novo Tom (2023), além de parcerias em projetos como Nosso Mundo e Cumplicidade. Em todos eles, o contrabaixo ocupa papel central, conduzindo a narrativa musical entre o jazz, a música brasileira e influências globais. “O baixo sempre foi o meu lugar de fala. Foi através dele que construí minha identidade”, explica o músico. Nos últimos anos, no entanto, esse eixo começou a se transformar. Sem abandonar o instrumento, Pipoquinha passou a investigar a canção como forma de comunicação mais direta, incorporando letra e voz ao processo criativo. A mudança ganhou força a partir da composição de “A Minha Pele”, momento que, segundo ele, marcou a virada. “Percebi que havia coisas que só poderiam existir com palavras. Foi ali que entendi que podia e precisava cantar”, afirma. A transição não representa uma ruptura com o passado, mas uma expansão de linguagem. A improvisação e a técnica seguem presentes, agora atravessadas por uma abordagem mais íntima e comunicativa. O foco se desloca do virtuosismo instrumental para a construção de um diálogo mais direto com o público. “Quero que minha música faça parte do cotidiano das pessoas. A canção me abriu essa possibilidade de identificação e troca”, resume. Reconhecido por diferentes gerações de músicos e com trajetória consolidada no instrumental, Michael Pipoquinha entra em uma fase em que escuta e expressão caminham lado a lado. Ao assumir a própria voz, o artista amplia seu campo criativo e aponta para novos desdobramentos de uma obra que segue em movimento.
Festival da Lua Cheia expande line-up com nomes emergentes da cena brasileira

O Festival da Lua Cheia anunciou uma nova leva de atrações para a sua 34ª edição, marcada entre os dias 4 e 7 de junho de 2026, no Hotel Fazenda Vale das Grutas, em Altinópolis, interior de São Paulo. Entre os nomes confirmados estão Rom Santana, Roça Nova e Furmiga Dub, reforçando a proposta do evento de apostar na diversidade e na renovação da música brasileira. Um dos destaques do anúncio é Rom Santana, artista baiano radicado no bairro do Bixiga, em São Paulo, que vem se consolidando como um dos nomes mais quentes da noite paulistana. Misturando arrocha, pagode baiano e piseiro, o cantor ganhou espaço com apresentações de forte apelo popular, marcadas pela energia e pela proximidade com o público, reunindo multidões em shows cada vez mais concorridos. Outra novidade no line-up é a banda Roça Nova, formada na Zona da Mata mineira. O grupo é responsável por desenvolver o chamado caipigroove, uma sonoridade que combina música caipira, ritmos afro-latinos e rock psicodélico com referências contemporâneas. A projeção nacional veio após a vitória no concurso de bandas do João Rock, consolidando o nome no circuito independente. Fechando o anúncio, o projeto Furmiga Dub leva ao festival a influência do reggae e da cultura sound system, ampliando o espectro musical da programação. A inclusão do trio de artistas reforça o olhar do festival para novas tendências e linguagens dentro da música brasileira. Segundo o curador Pedro Barreira, a proposta do Festival da Lua Cheia segue alinhada à descoberta de novos talentos. Rom Santana passa a integrar um conjunto de apostas ao lado de nomes como Melly, Mari Jasca, Núbia e O Cheiro do Queijo, apontados como possíveis surpresas desta edição. Com seis palcos espalhados pela fazenda e mais de 100 atrações confirmadas, o Festival da Lua Cheia 2026 mantém sua tradição de reunir diferentes gerações e estilos. A programação vai além dos shows, com mais de 300 atividades que incluem oficinas, vivências, intervenções artísticas e experiências coletivas ao ar livre, em um ambiente que privilegia o contato com a natureza e a convivência. Entre os artistas já anunciados estão Mano Brown, Céu, Russo Passapusso & Ministereo Público SoundSystem, Mari Jasca, Braza, Melly, ChicoChico, Funk Como Le Gusta, Zeca Baleiro, Edson Gomes, Maneva e Lamparina. O Festival da Lua Cheia reafirma, assim, sua identidade como um dos eventos mais plurais do calendário brasileiro, equilibrando nomes consagrados e novas apostas em uma programação que aposta na experiência completa do público. ServiçoFestival da Lua Cheia 2026Data: 4 a 7 de junho de 2026Local: Hotel Fazenda Vale das Grutas – Altinópolis (SP)Programação: mais de 100 atrações musicais, seis palcos, mais de 300 atividades, oficinas, vivências, intervenções artísticas e área de campingwww.festivaldaluacheia.com.br
Monica Casagrande transforma vozes femininas em ritual audiovisual no álbum Corpo Coral

A cantora Monica Casagrande apresenta Corpo Coral, um álbum audiovisual que transforma repertório feminino em um percurso sensorial e simbólico guiado pela voz. O projeto reúne releituras de compositoras brasileiras e internacionais em uma construção que atravessa diferentes estados emocionais, tratando a interpretação como gesto criativo e o corpo como elemento central da narrativa. Concebido como uma obra-chave em sua trajetória, o disco parte da ideia de que o corpo é atravessado por múltiplas vozes femininas. Cada faixa funciona como um ciclo dentro de um ritual de transformação não linear, em que desejo, resistência, entrega e renascimento se conectam como estados de passagem. A noção de “coral” aparece justamente como essa sobreposição de vozes que ganham unidade na interpretação da artista. Gravado em parte no Estúdio Kumbuka e com sessões audiovisuais realizadas na Bolha Films, Corpo Coral prioriza a presença da voz, da respiração e dos silêncios. Os arranjos atuam como suporte para a interpretação, evitando protagonismo instrumental. O resultado é um trabalho que transita entre jazz, MPB, soul, pop e blues, tendo o smooth jazz como eixo de unidade sonora, sem se prender a um gênero específico. O álbum conta com participações de Lan Lahn e Navalha Carrera, ampliando a presença feminina no projeto. A escolha das colaborações reforça o caráter coletivo do disco, que se constrói a partir de diferentes trajetórias e linguagens. O repertório percorre momentos distintos desse ritual simbólico. A emancipação aparece em “Don’t Let Me Be Misunderstood”, eternizada por Nina Simone; o desejo ganha movimento em “Fullgás”, de Marina Lima; a liberdade se afirma em “Agora Só Falta Você”, de Rita Lee; enquanto o autorreconhecimento se revela em “Suddenly I See”, de KT Tunstall. Já a ruptura e autonomia atravessam “You Don’t Own Me”, de Lesley Gore, enquanto a entrega emocional se aprofunda em “Amor, Meu Grande Amor”, de Angela Ro Ro. Na reta final, o disco caminha para a cura em “Put Your Records On”, de Corinne Bailey Rae, a maturidade em “At Last”, de Etta James, e o renascimento em “Baby”, associada à interpretação de Gal Costa. Longe de um tributo nostálgico, as versões funcionam como reinscrições dessas canções em um novo contexto corporal e vocal. Pensado desde o início como um projeto audiovisual, Corpo Coral chega acompanhado por uma série de videoclipes e conteúdos de bastidores. Os vídeos, com direção criativa de Di Tateishi e Nora Jasmin, expandem o conceito do álbum ao explorar arquétipos, atmosferas e estados corporais, evitando a reprodução literal das artistas homenageadas. A estética visual também reforça essa proposta. A capa apresenta a artista em camadas e fragmentações, sugerindo múltiplos estados internos e dialogando com símbolos de ciclicidade e transformação. Assim como o disco, a imagem não se fecha em uma única leitura, propondo movimento e desdobramento. Após quatro trabalhos centrados em composições próprias, Monica Casagrande desloca o foco para a interpretação como prática criativa. Corpo Coral marca uma nova fase em sua carreira ao transformar canções que atravessam gerações em um espaço de escuta, reconhecimento e reinvenção contínua.
Black Label Society mantém seu DNA e entrega disco intenso com Engines of Demolition

O Black Label Society lançou, hoje (27), o álbum Engines of Demolition, um trabalho que reforça a identidade construída por Zakk Wylde ao longo de décadas sem a preocupação de reinventar a própria fórmula. O disco chega como um retrato direto do momento vivido pelo guitarrista, equilibrando peso, melodia e um forte componente emocional, especialmente após a morte de Ozzy Osbourne, anos intensos de turnês e projetos paralelos. Desde as primeiras faixas, o álbum deixa claro seu caminho. Riffs densos, andamento cadenciado e uma forte influência do hard rock clássico moldam a espinha dorsal das composições. Há uma sensação de familiaridade que não soa acomodada, mas sim consciente. Wylde segue apostando naquilo que sempre funcionou, construindo músicas que partem do riff como elemento central e evoluem para melodias marcantes. Como ele próprio disse em entrevista ao Blog N’ Roll, “tudo começa com o riff” e, se a base estiver próxima daquele espírito de bandas como Black Sabbath ou Led Zeppelin, o caminho já está traçado. Entre os destaques, Name in Blood sintetiza bem a proposta do disco. A faixa traz peso e groove, mas também carrega um conceito direto, como explicou o guitarrista na mesma entrevista. “Isso significa compromisso total com o projeto. É como quando você decide dar o próximo passo em um relacionamento.” A música funciona como uma espécie de manifesto dentro do álbum, reforçando a entrega total que marca esta fase da banda. Mas é em Ozzy’s Song que Engines of Demolition encontra seu ponto mais forte e emocional. A faixa se destaca não apenas pela construção mais sensível, mas pelo peso simbólico que carrega. Trata-se de uma homenagem direta a Ozzy Osbourne, figura central na trajetória de Wylde. A música começa de forma contida e cresce gradualmente até chegar a um solo carregado de sentimento, funcionando como uma espécie de despedida traduzida em som. O próprio Zakk detalhou esse momento ao Blog N’ Roll, revelando o caráter íntimo da composição. “Eu estava na biblioteca de casa, com fones de ouvido, olhando um livro sobre o Ozzy. A melodia surgiu e eu escrevi a letra ali.” A escolha da guitarra também reforça esse simbolismo: o músico utilizou a lendária Grail, a mesma com a qual gravou suas primeiras músicas com Ozzy, fechando um ciclo dentro da própria carreira. O processo de criação do disco também ajuda a explicar sua sonoridade. Diferente de trabalhos anteriores, o álbum foi desenvolvido ao longo de anos, entre pausas e compromissos como a turnê de celebração do Pantera. Esse intervalo mais longo permitiu que Wylde acumulasse ideias e trabalhasse as composições com mais calma. “Dessa vez tivemos muito tempo entre um disco e outro… eu só continuei escrevendo”, afirmou. A consequência é um trabalho que soa mais orgânico, sem a urgência de prazos apertados. Outro ponto que se destaca é a ausência de pressão em relação à recepção do público. Wylde adota uma postura direta e despreocupada, focando apenas na própria satisfação artística. “Você tem que fazer o disco que ama fazer. Se você está feliz com isso, é o que importa”. Essa filosofia se reflete em um álbum que não busca tendências ou atualizações sonoras, mas sim reforça uma identidade consolidada. Com Engines of Demolition, o Black Label Society entrega um disco que não pretende surpreender, mas sim reafirmar. É um trabalho que aposta na consistência, no peso e na emoção como pilares principais. Em um cenário onde a novidade muitas vezes é supervalorizada, Zakk Wylde segue na contramão, mostrando que ainda há força em permanecer fiel à própria essência.
Entrevista exclusiva | Dr. Chud – “Estávamos todos no auge naquela fase do Misfits. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos”

O ex-baterista dos Misfits, Dr. Chud, confirmou sua volta ao Brasil com a turnê “South America/Italia Tour”, marcada para agosto. O músico se apresenta em São Paulo dia 16, no tradicional Hangar 110, espaço histórico da cena punk e hardcore nacional. A passagem marca o retorno do artista ao continente após anos afastado de turnês próprias. Conhecido por sua atuação em uma das fases mais populares dos Misfits, Dr. Chud promete um show voltado ao horror punk, com repertório que mistura clássicos da banda com composições autorais e material de seus projetos mais recentes. A proposta, segundo o próprio músico, é entregar uma apresentação energética e acessível, dialogando diretamente com o público que acompanhou sua trajetória desde os anos 1990 até sua fase atual. Dr. Chud participou de álbuns como “American Psycho” e “Famous Monsters”, além de registros como “Cuts from the Crypt”. Multi-instrumentista, produtor e compositor, ele também integrou bandas como Blitzkid e desenvolveu projetos autorais ao longo das últimas décadas. Sua formação inclui passagens por diferentes estilos e estudos aprofundados de percussão, o que ajudou a moldar sua identidade musical tanto na bateria quanto na composição. Em entrevista exclusiva para o Brasil, Dr. Chud fala com o Blog N’ Roll sobre os shows no país, o repertório da turnê e sua relação com o legado dos Misfits. O que vem a sua mente ao se preparar para voltar ao Brasil em agosto e reencontrar seus fãs? O Hangar 110 é uma espécie de CBGB brasileiro. Eu quero oferecer um show de horror punk acessível e incrível com a minha banda de horror punk. É algo que eu sempre quis fazer, levar minha banda internacionalmente e minha música para o mundo. Vai ser divertido e intenso. Eu tenho muitos amigos no Brasil, então vou me divertir bastante. Qual será a formação da sua banda nos shows no Brasil? Você vai cantar, tocar bateria ou ambos? Eu vou cantar o set inteiro. Talvez eu toque bateria em algumas músicas no final. Ainda faltam quatro meses, então estou trabalhando com muitas ideias diferentes. Mas sim, gostaria de ir para a bateria em algumas músicas. Eu nunca fiz isso antes. Sobre o repertório, você pretende focar apenas nos álbuns dos Misfits ou haverá surpresas? Eu tenho mais de 50 álbuns. Do Misfits eu participei de quatro álbuns: Cuts from the Crypt, Evil Eye II, Famous Monsters e American Psycho. Eu vou tocar as músicas que escrevi para esses álbuns. Vou tocar também coisas do X-Ward e outros álbuns que fiz, como Sacred Trash. Eu estive em muitas bandas, então vou escolher coisas aqui e ali. Mas principalmente quero tocar todo o meu álbum do X-Ward e talvez algumas músicas novas do X-Ward também. Mas sim, vai ter, talvez dez músicas dos Misfits. Mas eu escrevi todas elas, então vai ser divertido mostrar minha interpretação dessas músicas para pessoas que nunca ouviram, da forma como eu escrevi ou como eu mudei elas 30 anos depois. Isso é divertido. Você já tocou no Brasil com outros projetos? Eu toquei quando eu estava em turnê com o Blitzkid. Acho que essas foram as duas bandas com as quais estive aí, Misfits e Blitzkid. Você adapta sua performance para diferentes públicos dependendo da cidade que você vai se apresentar? Eu ainda não sei. Eu ainda não toquei pelo mundo todo com a minha banda atual. Eu gosto de mudar as coisas. Posso fazer sets acústicos em encontros com fãs. Gosto de mudar isso, talvez tocar quatro músicas. Mas o setlist provavelmente vai se manter o mesmo nesta turnê. Depois eu vou mudando conforme as turnês avançam e novas músicas são lançadas. Como foi entrar nos Misfits em um momento tão importante da banda? Pareceu natural. Foi uma boa combinação para mim. Eu me diverti muito. Eu pude escrever músicas para eles e tocar com eles. Eu honro esse período. E eu acabei de receber um disco de ouro por American Psycho. Como era o processo criativo e de gravação naquela época com essa nova formação? Foi incrível. Nós ensaiávamos muito e trabalhávamos nas músicas o tempo todo. Era uma máquina de composição. Todos escrevíamos músicas naquele período. Todos tinham uma parte igual nisso. Foi divertido e tudo aconteceu de forma bem tranquila. Foi mágico, na verdade. Um momento mágico. E esses álbuns vendem melhor hoje do que jamais venderam. Como você define seu legado nos Misfits? É o bom e velho rock and roll. Nós fizemos com intensidade. As melodias eram ótimas. Estávamos todos no auge. Tínhamos mais cinco discos dentro de nós. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos. Qual sua visão sobre as polêmicas políticas envolvendo Glenn Danzig e Michale Graves com o nazismo e fascismo? Isso pode afetar o legado dos Misfits? Eu não sei. Eu faço a minha própria coisa. Sempre fiz. Não sei. É a vibração deles. Eu estou em uma vibração diferente. Não falo com o Michale desde 2002. Então não sei o que ele está fazendo. E eu realmente não conheço o Glenn. Então não sei o que eles estão fazendo. Espero que estejam fazendo discos. Você mantém contato com algum integrante dos Misfits? Não, só para falar de negócios. Por que American Psycho e Famous Monsters têm uma qualidade de gravação muito superior aos demais trabalhos? Houve uma preocupação nesse sentido? Você está absolutamente certo, foi simplesmente melhor gravado. Tinha um orçamento maior também, a Geffen Records financiou o primeiro, acho que a Roadrunner fez o segundo. Eu gravei a minha vida inteira e também estou lá dando minhas ideias, pois tenho estúdio desde os 19 anos. Sempre gravei em casa, trabalhei com gênios da gravação e eu amo gravar. Amo todo o processo. Então sim, foi divertido gravar. Os álbuns têm muita energia. Eles eram gravados ao vivo ou por partes? Eu acho que gravávamos a banda inteira ao vivo. Depois o Doyle adicionava camadas de guitarra e fazíamos vocais de apoio. Era basicamente ao vivo. Quais foram suas principais influências na bateria? Eu sempre
Aléxia divulga capa do novo álbum Garra e se prepara para o Somos Rock 2026

A cantora Aléxia dá início a uma nova fase da carreira com o anúncio de Garra, seu álbum de estreia, e a revelação da identidade visual que acompanhará o projeto. A artista, confirmada no Somos Rock Festival, também divulgou a capa do trabalho e os primeiros detalhes do single “Seja Você”, que chega às plataformas digitais em 10 de abril, com clipe previsto para o dia 13. O disco completo será lançado em 30 de abril. Em setembro de 2025, a cantora e líder da banda falou com o Blog N’ Roll. Na época ela vivia a expectativa de abrir a turnê do The Calling e colhia os frutos do lançamento do single “Monstro”. Com quatro anos de trajetória e mais de 400 shows realizados, Aléxia consolida um momento de virada dentro da cena paulista. A presença no line-up do festival, marcado para 25 de abril, na Arena Anhembi, reforça esse avanço em meio a uma agenda que já inclui apresentações ao lado de nomes como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas, além do próprio The Calling. Transitando entre o rock alternativo, o metal moderno, o pós-grunge, o punk e o dark pop, Aléxia vem consolidando uma sonoridade própria que define como heavy pop. Em Garra, essa proposta se expande em 14 faixas que abordam temas como saúde mental, luto, medo, coragem, empoderamento e amor. O álbum funciona como um retrato de amadurecimento artístico e pessoal, transformando experiências intensas em linguagem musical. O primeiro recorte do projeto, “Seja Você”, sintetiza essa busca por autenticidade em meio ao caos. Com vocais marcantes e influências de hardcore e pop punk, a faixa antecipa a direção estética do disco, equilibrando peso e apelo melódico. A canção abre caminho para um trabalho que aposta na intensidade emocional sem abrir mão de estrutura e identidade sonora. A capa revelada para o single também introduz um dos principais eixos simbólicos de Garra. A imagem explora a dualidade do título ao apresentar a garra de um “monstro” que fere a artista. O elemento visual remete a marcas profundas deixadas por experiências passadas, mas que também ajudam a construir força e identidade. O conceito dialoga diretamente com a proposta do álbum, que transforma dor em afirmação e consolida a nova fase de Aléxia como um dos nomes em ascensão no rock nacional.
Entrevista exclusiva | The Casualties – “Ver o que acontece no Brasil e comparar com os EUA foi a forma como esse disco saiu”

O The Casualties lançou nesta sexta-feira (27) o álbum Detonate, reforçando sua posição como um dos principais nomes do street punk mundial. O disco chega às plataformas com a proposta de traduzir em som e atitude as tensões sociais e políticas atuais, mantendo a identidade agressiva e direta que marcou a trajetória da banda desde os anos 1990. Em Detonate, o The Casualties aposta em uma combinação de energia crua e senso de urgência, com letras que transitam entre revolta e consciência coletiva. A crítica internacional destaca o trabalho como um álbum que equilibra intensidade e reflexão, trazendo uma “explosão” que vai além do som e se conecta diretamente ao cenário global contemporâneo. Formado no início dos anos 1990 em Nova York, a banda se consolidou como referência dentro do street punk. Ao longo das décadas, eles passaram por mudanças importantes na formação, especialmente após a saída do vocalista Jorge Herrera. Desde então, David Rodriguez assumiu os vocais e ajudou a redefinir a identidade do grupo, trazendo novas influências sem romper com a base construída nos primeiros anos. Em entrevista exclusiva para o Brasil, o vocalista David Rodriguez fala com o Blog N’ Roll sobre o novo álbum, o tom político das composições, a relação com o público brasileiro e as transformações na dinâmica criativa da banda nos últimos anos. O título do álbum sugere uma explosão. O que exatamente está prestes a explodir? É algo interno, como uma combustão interna. Tudo o que está acontecendo no mundo faz a gente querer explodir. Nossos corações e mentes querem explodir de raiva, de tristeza, mas também com a ideia de que, juntos, podemos consertar isso. O disco tem um tom político muito forte. Quando você percebeu que esse seria o caminho? Eu sempre me senti assim, porque Estados Unidos e Brasil estão lidando com muitas questões, como Bolsonaro e Trump. E, pelo que foram esses últimos anos, eu sinto como se fosse quase uma ditadura, como se estivessem tentando chegar nisso. Então isso tem sido uma emoção muito forte desde o último disco, desde que entrei na banda. E vou te dizer também que estar no Brasil criou muito disso em mim. Eu consegui ver o que estava acontecendo no Brasil e comparar com o que estava acontecendo nos Estados Unidos, e isso teve muito a ver com a forma como esse disco saiu. Eu escrevi muito dele em Ubatuba e também em São Paulo. Como foi trabalhar neste álbum com a formação atual da Casualties? Eu estou na banda há oito anos, mas tenho uma relação com o The Casualties há uns 27 anos. Eu tinha uma banda chamada Crumb Bums, e lá por 2004 eles levaram a gente para uma turnê. Desde então sempre fomos amigos, sempre juntos. Eu, Jake e Meggers sempre estivemos muito próximos. A gente nunca tinha composto junto antes do último disco, mas foi muito natural escrever. Nós três escrevemos a maior parte desse álbum juntos aqui em Austin. Nosso baixista, Doug, é muito bom e trouxe o estilo dele para o que estávamos fazendo. Foi um processo muito natural. Com tudo o que está acontecendo no mundo, todos conseguimos nos expressar. Eu gosto muito desse disco. É, eu como baixista prestei bastante atenção nas linhas de baixo e é um destaque a parte. Existe uma faixa que melhor representa o espírito do disco? Cara, eu diria People Over Power. Eu acho que essa música representa quem a banda é. E também respeita quem a banda sempre foi antes de mim e quem somos agora. Dá pra ouvir o quanto o Jake evoluiu como guitarrista, o quanto o Meggers evoluiu, e dá pra ver do último disco pra esse o quanto eu também cresci. E é uma música simples. Tem aquela linha: “people over power”. É simples assim. Poder sobre as pessoas e a gente queima isso tudo. É uma música sobre união. Você acha que a sua entrada na Casualties trouxe uma nova dinâmica criativa? Sim, com certeza. E digo isso com respeito. Na internet, as pessoas gostam de falar mal. Ninguém chega pra dizer que você está bem, só querem dizer que você é ruim. Vão dizer que eu não pareço o Jorge. Ainda bem. Eu não quero soar como ele. Ele tem a identidade dele. Eu tenho a minha. Eu não estou aqui para substituir ninguém, estou aqui para ser eu mesmo. Tenho uma visão de mundo diferente. O que os fãs podem esperar da nova turnê do Casualties? Shows mais rápidos e pesados do que nunca. Espero que as pessoas escutem o álbum com atenção, leiam as letras e absorvam a mensagem. Não é um álbum para você ouvir e ficar fazendo outras coisas, precisa de concentração. Há planos de trazer a nova turnê do Casualties para o Brasil? Com certeza nós vamos voltar. Queremos tocar mais. Infelizmente perdemos o show de Curitiba devido ao mau tempo, o avião não podia levantar voo. Então queremos compensar o que perdemos e viver mais experiências por aí. Como marido de uma brasileira, como foi tocar no Brasil no ano passado? Me diverti muito, porque tudo o que minha esposa, Renata, tinha me contado sobre os shows era verdade. Todo mundo fazendo a dança punk em São Paulo, todo mundo cantando. Eu podia jogar o microfone e o público cantava. Eles conheciam o disco que gravei e também as músicas antigas. Eu sinto muita saudade (fala em português). E você sabia que a palavra saudade só existe em português? É isso. Não dá pra explicar, só sentir. Como você compara o público da América do Sul com o dos EUA e Europa? O público sul-americano é muito mais selvagem, muito mais divertido. Existem bons shows nos Estados Unidos, mas quase todo show na América do Sul é incrível. Muito mais energia, muito mais entrega. Quais foram as suas melhores memórias do Brasil? Ver todo mundo cantando junto e poder me jogar na multidão. É uma conexão única. Você nem pensa em cair porque