Entrevista | Venom – “Temos 13 faixas matadoras das quais estamos muito satisfeitos”

Entrevista | Venom – “Temos 13 faixas matadoras das quais estamos muito satisfeitos”

O Venom retorna com força total em seu novo álbum, “Into Oblivion”, que será lançado nesta sexta (01/05). O trabalho amplia os limites da fase recente da banda sem abrir mão da essência que a transformou em referência do metal extremo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o baterista Dante destacou que o disco apresenta uma sonoridade mais diversa, com experimentações que passam por atmosferas densas, elementos próximos do progressivo e momentos de forte identidade clássica.

Mantendo o som cru e sombrio que consolidou sua trajetória, a banda liderada por Cronos aposta agora em uma produção mais refinada, sem perder a “sujeira” característica do Venom. Dante também relembrou sua entrada em 2009, quando fez sua primeira turnê justamente pela América do Sul, encerrando a passagem em São Paulo, experiência que ele definiu como decisiva para entender a dimensão histórica do grupo e a paixão do público brasileiro.

Into Oblivion | Expansão sem perder a essência

Segundo Dante, o novo trabalho mostra uma banda disposta a experimentar mais do que nos discos anteriores. O baterista destacou que houve maior liberdade para explorar texturas, ambiências e diferentes estilos dentro do próprio universo do Venom, sem romper com a identidade clássica que os fãs reconhecem imediatamente.

Faixas como “As Above So Below” e “Unholy Mother” foram citadas como exemplos desse novo momento, enquanto músicas como “Kicked Out of Hell”, “Death the Leveler” e “Lay Down Your Souls” carregam o DNA mais direto e agressivo do grupo.

O impacto da estreia na turnê América do Sul

Ao lembrar de sua chegada ao Venom, Dante apontou a primeira turnê sul-americana em 2009 como um divisor de águas. Foi nesse momento, ao testemunhar a reação intensa do público brasileiro, que ele percebeu a dimensão histórica da banda e o tamanho de sua responsabilidade dentro do grupo.

Como você compara o novo álbum com os trabalhos mais recentes do Venom?

Acho que, falando dos álbuns em que eu toquei, este é o quarto agora, obviamente, para mim é o melhor. E não estou dizendo isso só porque é o nosso disco novo, porque todo mundo costuma falar isso quando está lançando um álbum, mas eu realmente amo esse trabalho. Sinto que todos nós expandimos um pouco os limites, tanto na forma de tocar quanto na composição. Acho que estamos tocando em outros estilos também, há um pouco de progressivo em algumas músicas, especialmente em faixas como “As Above So Below”, que é muito diferente e bastante atmosférica. Em “Unholy Mother”, por exemplo, o início parece um teclado, mas não é, são vozes com reverbs e delays. Experimentamos muito mais neste álbum do que nos anteriores. No fim, temos 13 faixas matadoras das quais estamos muito, muito satisfeitos.

Você citou experimentação, né? Existe alguma música em que você sente que conseguiu expandir mais seus limites?

Existem algumas, porque o álbum é muito diverso. Há faixas com uma pegada mais tribal, outras com um clima galopante, e também aquelas músicas mais clássicas do Venom, bem na cara, como “Death the Leveler”, “Kicked Out of Hell” e “Lay Down Your Souls”. Mas, para mim, a minha favorita é “As Above So Below”, justamente porque ela é muito diversa. Além disso, neste álbum foi a primeira vez que eu e Rage cantamos em músicas do Venom. Estamos fazendo backing vocals e até alguns gang chants. Nessa faixa em específico, estamos cantando em latim, então há muita coisa diferente acontecendo.

Sabemos que os fãs de metal são muito exigentes e apaixonados. Como vocês trabalharam o equilíbrio entre manter a essência clássica do Venom e trabalhar as experimentações?

Ah, ainda tem muito daquela vibe old school, sem dúvida. Acho que o lado atual vem mais pela produção, que hoje é um pouco mais refinada, mas sem perder aquela sujeira. Se você voltar aos primeiros álbuns, a produção era muito primitiva, porque era o que se tinha na época. Hoje temos recursos como Pro Tools e trabalhamos bastante para acertar o som. Mesmo assim, não superproduzimos nada, porque queremos manter esse som cru e sujo, que é a marca do Venom. E tem outra coisa: quando o Cronos abre a boca, você sabe imediatamente que é Venom.

Como foi entrar em uma banda com um legado tão forte?

Foi incrível. Aquilo foi em 2009, mais ou menos nessa época do ano, em maio. Fui chamado para uma audição, passei, começamos a ensaiar e eu tive que aprender o repertório rapidamente porque já havia uma turnê pela América do Sul marcada para o fim daquele ano. Meus primeiros shows foram justamente aí, perto de você. Fizemos México, Colômbia, Chile, Argentina e terminamos em São Paulo, o que foi imenso. Claro que eu já conhecia o nome Venom, quem não conhece? Mas acho que eu ainda não tinha entendido a magnitude colossal do status da banda, especialmente na América do Sul. Os fãs daí são os mais apaixonados do mundo, sem dúvida.

Nota da Redação: O show do Venom foi, na verdade, no Victoria Hall em São Caetano no dia 12 de dezembro de 2009. A apresentação de Dante em São Paulo foi como baterista da banda de Tony Martin no dia 06 de setembro na casa Blackmore Rock Bar.

Há alguma lembrança que tenha te marcado especialmente?

Acho que toda vez que vamos ao Brasil é uma experiência incrível. Os fãs são sempre muito barulhentos, muito apaixonados, é algo realmente especial. Já toquei no Brasil antes mesmo de entrar no Venom, em lugares como Rio e Brasília, mas vir com o Venom foi algo imenso.

Em que momento você sentiu que se tornou parte da história do Venom?

Acho que foi já nessa primeira turnê. Ver a reação dos fãs e perceber o quanto a banda significa para as pessoas foi algo muito marcante. Lembro de um show em que o promotor organizou concursos em revistas de rock para que alguns fãs ganhassem equipamentos assinados, álbuns e camisetas. Encontrar essas pessoas e ver algumas delas quase em lágrimas por estarem na mesma sala com Cronos, Rage e comigo foi algo muito emocionante e humilde ao mesmo tempo. Foi ali que caiu a ficha.

Quando você foi estudar a banda, quais discos do Venom mais te impactaram como músico?

Antes de entrar na banda, preciso admitir que eu não era um fã gigantesco. Eu conhecia algumas coisas, claro, mas minhas influências vinham mais do rock dos anos 70, como Deep Purple, Rainbow, Led Zeppelin, além de bateristas como Cozy Powell, Ian Paice, John Bonham e Tommy Aldridge. Depois que entrei no Venom, mergulhei mais fundo no catálogo e passei a admirar muito discos como Resurrection e Calm Before the Storm, que considero subestimado.

Já que você falou bastante do Brasil, vocês têm planos de trazer a nova turnê para cá?

Adoraríamos. Acho que já faz cerca de dois anos desde a última vez que estivemos no Brasil. Esperamos que a situação mundial fique mais tranquila para que possamos voltar logo e tocar para vocês de novo, porque é algo que realmente amamos fazer.

Álbum sendo lançado, quais são os próximos passos?

Temos feito muitas entrevistas, como esta, para diferentes plataformas, sites, revistas e rádios. Também teremos listening parties em vários lugares do mundo, inclusive em São Paulo. Depois disso, vamos para Londres para uma sessão de autógrafos e, em seguida, partimos para os festivais de verão. A nova parceria com a BMG tem sido fantástica em toda essa promoção.