Última Vilinha Cultural teve Bola (da Zimbra), Helena Papini, Bruno Iodes e Alex Jandovi

Última Vilinha Cultural teve Bola (da Zimbra), Helena Papini, Bruno Iodes e Alex Jandovi

A derradeira edição da Vilinha Cultural aconteceu na última quinta-feira (28) e foi mais do que especial! Bola, frontman da banda Zimbra, Helena Papini, Bruno Iodes e Alex Jandovi se apresentaram no palco do Parque Cultural Vila de São Vicente e tornaram a noite fria caiçara, um pouco mais quente.

A princípio, o evento é promovido pelo Coletivo Sardinhada, movimento que fomenta a cultura e a cena musical na Baixada Santista. Aliás, além dos músicos ali presentes, a Vilinha Cultural também contou com artistas plásticos, que pintavam quadros durante o evento. Tinham quadros por todos os lados: na área livre e fechada do espaço.

A Vilinha Cultural ocorre, tradicionalmente, na última quinta-feira do mês. Então, já anote na agenda as próximas edições e fique de olho nas atrações. Vale ressaltar que o evento é gratuito e produzido de forma independente, sem qualquer incentivo do setor privado.

Essa edição foi idealizada pelos produtores culturais Sam Faiad e Gabriel Veturno. Eles pensaram em cada detalhe para tornar a noite agradável para o público e, claro, para os artistas. “O desafio de fazer esse rolê, sendo bem sincero, é grana. Somos um movimento totalmente independente, então toda a grana sai do nosso próprio bolso. Então, essa é a parte mais difícil. Mas é justamente através dessas dificuldades que a gente consegue conquistar coisas incríveis”, explica Sam.

E por falar em coisas incríveis, o convite para Helena Papini aconteceu bem longe do solo caiçara… Foi feito no Rio de Janeiro! Sam, que também é guitarrista, estava com a sua banda, O Último Banco do Bar, quando conheceu Helena. “Trocamos uma ideia, falei sobre a Vilinha Cultural e disse que seria muito legal ter a presença dela no palco, apresentando o seu disco novo. Ela prontamente aceitou!”.

Além disso, por coincidência, ambos trabalham com a mesma produtora, a Marã Música, de Henrique Garcia Roncoletta. Bola também trabalha com a Marã. Como dizem: Santos é um ovo. Desse modo, o convite para o vocalista da Zimbra foi feito. Além da banda, o artista também atua em carreira solo. E ele se apresentou nessa vibe: apenas voz e violão. Confira mais detalhes no texto!

Bola

Bola, nascido Rafael Costa, é conhecido como vocalista da Zimbra. A princípio, a banda santista está em turnê para comemorar os 10 anos de Azul, o segundo álbum lançado. Eles já se apresentaram no palco do Lollapalooza em 2015, assim como no Rock In Rio em 2019. Além disso, fizeram parte da trilha sonora da série Shippados (2019) da Globoplay, com a canção Me Mude.

No entanto, Bola também percorre uma carreira solo. Ao perceber que estava compondo letras muito semelhantes, mas que não se encaixariam aos moldes da Zimbra, se arriscou. E assim, em 2017, as letras se transformaram em seu primeiro álbum solo: Saudade. Dali em diante, o artista não parou mais. Em 2020, por exemplo, lançou o EP calma, não vamos falar da vida. E, no ano passado, lançou seu último álbum: Rafael.

Bola no palco da Vilinha Cultural.

Em um show intimista, Bola apresentou seu setlist, composto por músicas de sua carreira solo. Mas, claro, não deixou a Zimbra de fora. Cantou Eu Vi Tudo, em uma versão mais simples: apenas voz e violão.

“Quando eu estou sozinho, dá para ouvir quando eu erro. Já com a banda, não dá para ouvir nada, a galera me cobre [risos]. Acho que o show solo é muito mais intimista, onde talvez eu consiga me concentrar mais nas músicas, do que na interação com o público. É claro que eu me concentro nas músicas com a banda, mas a Zimbra tem uma atmosfera de show mais pra cima. Já o show solo é uma parada muito mais introspectiva. Eu fico na minha, tentando só passar a mensagem, porque eu sei que não é um show alto astral ou agitado”, comenta Bola sobre suas apresentações solo, como na Vilinha Cultural.

Helena Papini

Helena Papini coleciona uma carreira longa. A princípio, iniciou tocando baixo por volta de 2004. Já em meados de 2009, teve bandas nas quais era vocalista e baixista. E tudo isso em Santos! Em 2013, tocou baixo na banda A Banca, formada pelos membros do Charlie Brown Jr. após a morte de Chorão. E no mesmo ano, entrou como baixista na banda Francisco, El Hombre. Com o grupo, percorreu o mundo e lançou seis álbuns.

Se por um lado a Francisco, El Hombre está em hiato desde 2025, por outro, a carreira solo de Helena está palpitando. No ano passado, a artista lançou o álbum Tudo Eu?. Nele, além de cantar, ela é responsável por tocar todos os outros instrumentos presentes. E foi essa a obra que Helena levou ao palco da Vilinha Cultural.

“Quando eu venho me apresentar num show como esse, sinto como se estivesse me desnudando, sabe? Bem vulnerável, mesmo. Estou apresentando coisas para o público que, até então, não eram apresentadas na minha carreira. Porque as pessoas tinham uma imagem sobre mim, às vezes muito distinta de quem eu realmente sou. Então esse trabalho me coloca nesse lugar mais vulnerável e íntimo”.

Helena Papini apresenta álbum Tudo Eu? e canções inéditas na Vilinha Cultural.

Por fim, além do álbum novo, Helena aproveitou para cantar músicas que serão lançadas em seu próximo trabalho. Em primeira mão para o Vilinha Cultural! Aliás, com uma personalidade cativante, a artista fazia questão de incluir o público em sua performance. Incluindo as músicas novas. Ela ensinava o trecho e a galera cantava junto.

Bruno Iodes

Bruno Iodes também subiu ao palco da Vilinha Cultural. Além de ser vocalista e guitarrista de O Último Banco do Bar e vocalista da Guariba Elétrica, ele está se lançando em carreira solo. No ano passado, lançou o EP Abajur, composto por quatro faixas. No projeto solo, tem o apoio de Gutto Albuquerque no violão. Aliás, além da parceria nas composições e no palco, Gutto também é o seu produtor musical e está a frente do Sardinhada Records.

“Eu vejo nas canções que a gente levou para a Vilinha, que foi uma performance muito autêntica. Não haverá outra reprodução igual a essa. Isso é uma identidade única, de algo que funciona em conjunto [entre ele e Gutto]. Então a música é viva, é uma simbiose e se adapta as pessoas que estão a reproduzindo. Se você não respeitar a música como ela é, ou o que ela tem que ser, vai ser mais uma coisa rasa. E a gente não é raso. Temos muita coisa pra falar! A gente para o nosso mundo para fazer música. Eu não tenho vida, minha vida é a música. O resto, é algo a mais”, explica Bruno sobre sua performance, que em determinado momento o emocionou no palco.

Bruno Iodes e Gutto Albuquerque falam sobre parceria nas composições, nas gravações e no palco.

Bruno também atua como produtor cultural e está com o Coletivo Sardinhada desde quando foi criado, em 2019. Ele desabafa sobre os desafios de ser um artista independente na Baixada Santista. “O apoio, a força, a vontade de pessoas que querem consumir cultura é muito maior do que o dinheiro que movimenta o sistema público. E é isso que movimenta as coisas. Não o poder público, que questiona o que você vai fazer. A gente não questiona o que vai fazer, a gente faz acontecer.” Gutto complementa: “E não faltam artistas autorais de qualidade gigantesca em nossa região.”

Alex Jandovi

Alex Jandovi foi o responsável por abrir a noite! Primeiramente, o artista se lançou em carreira solo, com voz e violão, há dez anos. Porém, faz apenas três anos que começou a lançar músicas através do Spotify. Antes, divulgava suas músicas em seu canal do YouTube.

Além disso, atualmente também está trabalhando com a produtora Marã. Seu maior objetivo é fazer o máximo de shows que conseguir. E, claro, se apresentar mais vezes na Vilinha Cultural.

Alex Jandovi conversa com o Blog n’Roll e espera se apresentar mais vezes no palco da Vilinha Cultural.

“Foi maravilhoso, gostaria de repetir a experiência quantas vezes for possível. A minha intenção como artista é tocar o máximo que eu puder e mostrar para as pessoas o meu trabalho. Esse é o meu foco hoje”, comenta Alex.

Vilinha Cultural diante de um futuro incerto

O Parque Cultural Vila de São Vicente fica localizado no Centro Histórico, em frente à Igreja Matriz. Justamente no coração da cidade! O local foi inaugurado no dia 19 de julho de 2001 e conta com jardins e áreas para apresentações culturais, como a Vilinha Cultural.

A arquitetura do local é histórica, com casas inspiradas nas construções do XVI. Nessa casas, inclusive, ficam lojas de artesanatos e oficinas de pintura, teatro, capoeira, entre outras atividades. É importante ressaltar que há trabalhadores que necessitam, essencialmente, desse espaço.

No entanto, em junho, as coisas podem tomar um outro rumo. Isso porque a Prefeitura de São Vicente abriu um processo de concessão do Mercado Municipal, que está abandonado, e fica ao lado do Parque Cultural. E como contrapartida, a empresa vencedora ficará responsável pela revitalização do espaço. Ou seja, o local será entregue a iniciativa privada.

Isso significa que além da reforma, manutenção e segurança do espaço, a empresa também estará a frente das atividades culturais. Desse modo, o edital prevê concessão de 20 anos, com possibilidade de renovação e retorno do investimento em sete anos. Serão aproximadamente R$7 milhões investidos. Por fim, as propostas começam nesta terça-feira, 02 de junho.