Entrevista | Pingguim – “Trabalhar com o Rick Bonadio hoje é uma realização”

Aos 18 anos ele montou uma banda e hoje, aos 32, ele trabalha com um dos produtores musicais mais renomados do país. Conheçam o Pingguim! Este ano, o cantor deu um passo importante em sua carreira: lançou seu primeiro EP, Volte a Viver, pela Midas Music. A princípio, a obra contempla quatro faixas inéditas, e marca o pontapé inicial de sua parceria com Rick Bonadio, que é CEO da gravadora. Pingguim escreve e canta sobre recomeços. E, mais do que isso, sobre a coragem de “resetar” e seguir em frente, quando as coisas não estão tão bacanas assim. Aliás, foi exatamente isso o que ele fez. Após passar pela ruptura de sua antiga banda, Lo Ramma, e enfrentar um período difícil entre 2020 e 2025, compor o EP foi o que lhe permitiu voltar a viver. E por falar em vida, as faixas de Volte a Viver são super enérgicas. A obra conta com Me Faz Melhor, em colaboração com Bruna Magalhães, O Tempo e a Distância, Volte a Viver e …Boa Noite Pra Nós. Inclusive, O Tempo e a Distância ganhou um videoclipe em uma pegada urbana, com takes de Pingguim andando de skate pela cidade e, claro, cantando. Vale ressaltar que o cantor mescla rock, hip hop e reggae. Nesse sentido, suas maiores influências são Charlie Brown Jr, O Rappa e Natiruts. Por fim, se é pra falar em recomeço… não dá para deixar os shows de fora. Pingguim e sua banda já estão ensaiando e o artista espera voltar aos palcos ainda em junho, para apresentar seu EP de estreia. Leia a entrevista na íntegra! Esse ano, você começou a produzir com o Rick Bonadio, e o primeiro lançamento dessa colaboração foi o single “O Tempo e a Distância”. Queria saber como aconteceu essa parceria. No ano passado, eu entrei em contato com a Midas Music e conversei com o Matheus. Ele é familiar do Rick e fez essa ponte. Então, em menos de uma semana o Rick Bonadio me respondeu e quis conhecer o meu material. E por falar em “O Tempo e a Distância”, a canção conta com um videoclipe, que foi dirigido e produzido por Leo Placucci. Nele, você aparece compondo músicas, cantando com a banda e andando de skate. É possível dizer que esse clipe resume, de certa forma, a sua vida? É uma parte dela. Digamos que compor, cantar e andar de skate sejam as minhas atividades principais na vida. Mas eu também gosto muito de outras coisas, como praticar musculação, por exemplo. E também gosto de esportes aquáticos, como o wakeboard. Tem uma represa perto da minha casa, então de vez em quando, vou até lá praticar. De forma geral, eu gosto de me cuidar. Também curto a natureza. É praticamente impossível falar em skate e música e não lembrar do Chorão. O Chorão te inspira? Sim, ele é uma das minhas principais inspirações. O Chorão é uma referência importantíssima! Recentemente, você lançou o EP “Volte a Viver”, pela Midas Music. Por que escolheu lançar um EP e não um álbum? Acho que o EP fazia mais sentido para esse momento. Pensar em um álbum, agora, nos faria perder o timing de lançar algo especial, que é o que aconteceu com as quatro músicas do Volte a Viver. Então fomos por esse caminho. Além disso, o último single que divulgamos, Me Faz Melhor, tem repercutido super bem em termos de streaming e aceitação do público. Então não vemos sentido em lançar músicas novas, se essa está indo bem por ora, sabe? Aliás, o EP Volte a Viver fala muito sobre recomeços. O que te inspirou, na sua vida, a compor esse trabalho? Eu passei por algumas situações bastante difíceis, relacionadas a ansiedade e depressão. Fiquei cinco anos com a saúde mental prejudicada, de 2020 para cá. E o que me ajudou a retomar a minha vida, foi justamente compor músicas. Então o EP Volte a Viver nasceu justamente naquele momento. As suas maiores inspirações são Charlie Brown Jr, O Rappa e Natiruts. Como você classifica o seu som, Pingguim? Classifico como rock, hip hop e reggae, uma mistura de tudo [risos]. O próprio Chorão fazia bastante isso, O Rappa também faz. Já o Natiruts nem tanto, porque no caso deles, é só reggae mesmo. Eu acredito que se alguém chegar e perguntar “Ah, o Pingguim toca o que?”, provavelmente a pessoa responda rock. E às vezes, no processo de composição, cada integrante da banda sugere uma referência. Por exemplo, enquanto o baterista está fazendo um pop, o baixista chega com funk. Mas, de forma geral, acaba se tornando rock mesmo, se formos definir em apenas um gênero. Agora, Pingguim… da onde vem o seu nome artístico? Engraçado, eu tenho esse apelido há 25 anos [risos]. Hoje estou com 32. Quando eu era criança, havia um skatista que estava em ascensão na carreira. O nome dele é Ricardo Pinguim. Por coincidência, o meu nome de batismo também é Ricardo [risos]. Então eu chegava, pequenininho, com meu skate gigante, e os caras falavam: “Óh lá, parece um pinguinzinho mesmo”. E aí o apelido pegou! Pra finalizar: você começou a divulgar suas músicas aos 18 anos. Naquela época, imaginava que hoje estaria trabalhando com um dos produtores musicais mais renomados do país? Não imaginava, mas idealizava. É algo que eu sempre quis. Eu cresci escutando produções do Rick Bonadio, como Planta e Raíz e Mamonas Assassinas, por exemplo. Então, trabalhar com ele hoje é uma realização. Eu comecei tocando em uma banda chamada Lo Ramma, que não existe mais. Mas somos todos amigos, até hoje. Inclusive, nesse exato momento, um deles está me mandando mensagem, para me ensinar sobre alguns acordes de violão [risos]. Aos 18 anos, eu comecei a escrever e queria transformar as minhas composições líricas em músicas, de fato. Aí chegou o guitarrista, o baixista… Até formarmos uma banda. Na época. nós conseguimos tocar nossas músicas em rádios conhecidas, como a Guarujá FM. Inclusive, um dos motivos que me deixou

Entrevista | Limmbo – “Eu não preciso escolher uma das duas coisas, posso ser as duas”

Limbo. A palavra limbo é derivada do latim “limbum,i”, que significa orla, borda, barra de vestido. Limbo a gente consegue encontrar no dicionário… Limmbo, não. Nascido Enzo Borges, o santista Limmbo de 25 anos, acaba de trocar a sua assinatura. Se no dicionário, limbo remete a extremidades, Limmbo escolheu esse nome para mostrar que é possível ser mais de um só. Na mesma pessoa. No mesmo artista. Dualidades que coexistem, e não se anulam. Ele é fascinado por aeroportos e estradas, e os não-lugares sempre foram sinônimo de conforto para ele. “Eu realmente sou uma pessoa muito imaginativa… Posso ficar o dia todo olhando para o céu, imaginando coisas”. E toda essa criatividade não é de hoje. Aos 12 anos, ganhou o seu primeiro violão e, antes mesmo de aprender a tocá-lo, começou a compor canções. Não podia ser diferente: tornou-se artista. Seu último lançamento foi a canção ON MY OWN, com produção da banda carioca Sound Bullet. No ano passado, lançou o álbum i care about what you think of me, composto por dez faixas. Aliás, a obra contempla o single dancing with wolves, que conta com um videoclipe no qual Limmbo protagoniza e faz assistência de direção, uma vez que é formado em Cinema e Audiovisual. Anteriormente, lançou o álbum Nineteen (2021), que ganhou versão deluxe em 2023, e o EP A Few Thoughts In a New Year’s Eve (2019), projeto composto majoritariamente por voz e ukulele. Vale ressaltar que esses três primeiros lançamentos de Limmbo ocorreram de forma independente. No entanto, este ano, o músico assinou com a Casalogo Records, um selo musical especializado em música indie e brasilidades. De fato, com o passar dos anos, muitas coisas mudam. Hoje, Limmbo tem uma nova assinatura e está prestes a lançar músicas novas no segundo semestre do ano. Mas, algumas coisas, permanecem essencialmente iguais: ele, seu quarto, seu violão e o seu computador. Sendo o Enzo. Mas também sendo o Limmbo. Por que não os dois? Leia a entrevista de Limmbo ao Blog n’Roll e descubra mais sobre o artista! Queria que você começasse falando sobre essa mudança importante de nome artístico: por que Limmbo? A mudança acabou acontecendo antes da minha parceria com o selo Casalogo Records. Eu sempre ficava refletindo se as pessoas viam alguém de 20 anos chamada Enzo e pensando “nossa, não vou levar a sério”. E aí, ao conversar com a Casalogo Records, o próprio pessoal do selo comentou que, caso eu quisesse, seria interessante mudar de nome. E aí, fazendo brainstorming de ideias, veio o Limmbo. Eu queria algo que fizesse sentido pra mim como pessoa e como artista. Principalmente porque as minhas músicas geralmente são muito pessoais. E aí, acho que para mim fazia sentido, esse lugar de dualidade. Sobretudo quando eu cheguei na vida adulta. Eu fui percebendo o quão fascinado eu sou com coisas que muitas vezes são entendidas como opostas, mas que conseguem coexistir. Em muitas áreas da minha vida eu me senti assim. Uma pessoa bissexual, birracial… E, ao mesmo tempo, também sempre me senti muito confortável em lugares que são pontes para outros lugares, como aeroporto e estrada. Sempre foram momentos que para mim eram tão divertidos quanto as próprias viagens, por exemplo. E daí veio a ideia do nome Limmbo. Ao mesmo tempo, pode ser a ponte entre dois lugares, mas é uma coisa por si só. “Sempre fui muito sonhador e imaginativo, e sentia um intenso senso de conforto em ‘lugares-não lugares’, como estradas ou aeroportos. Aquele meio do caminho, em que você não tem a responsabilidade de ser qualquer coisa, justamente te faz ser o que você quiser”. Na sua opinião, o pertencimento mora nos caminhos? Acho que sim. E eu acho, sobretudo, que é sobre o que a gente faz no caminho. Principalmente quando chegamos na vida adulta, naquela hora em que todo mundo à sua volta acaba te cobrando sobre o que você quer ser e o que quer fazer. Seja no trabalho, na vida pessoal, nas suas relações ou nas suas não-relações. E aí eu sempre senti esse senso de liberdade muito forte nesses lugares. Porque eu acho que o peso dessa responsabilidade (de ter que ser alguma coisa para as outras pessoas), não precisava ser nada. Eu só tinha que existir ali, naquele momento. Aquilo sempre foi muito confortável para mim. Eu tenho memórias na estrada, por exemplo. Lembro de ficar imaginando coisas no caminho, como o personagem voando comigo. Era a música no talo, e eu lá, imaginando… Então, eu acho que através disso, consegui encontrar o meu senso do meu eu mesmo. E me entendendo. Até na questão das dualidades. Eu sinto que sou uma pessoa muito alegre, mas ao mesmo tempo muito melancólica. Para muitas coisas [risos]. Então, eu acredito que esses lugares tenham um pouco de agridoce, que me fazem entender um pouco mais de quem eu sou. E me fazem entender que eu não preciso escolher uma das duas coisas, eu posso ser as duas e está tudo bem. Os seus primeiros álbuns, Nineteen (incluindo a versão deluxe) e I Care About What You Think Of Me foram feitos em processos de DIY. Você mesmo gravou, produziu, mixou e masterizou suas músicas. Agora que você vai assinou com a Casalogo Records, como passam a funcionar as suas produções? O que muda no seu fazer artístico nesse momento? Em relação à produção das músicas, não vai ter alteração. Eu vou continuar fazendo tudo da forma como eu já venho fazendo. Claro, agora vou estudar cada vez mais e colocar em prática o que aprendi com os trabalhos passados. Mas o processo do DIY, de fazer as coisas em casa, permanece o mesmo. O selo é como um parceiro, no sentido de ajudar as minhas canções a chegarem em mais pessoas. Existia, sim, a possibilidade de gravar com a Casalogo. Mas o próprio pessoal do selo falou que gostava das minhas produções e que seria interessante manter o meu fluxo de trabalho dessa forma. Então,

Última Vilinha Cultural teve Bola (da Zimbra), Helena Papini, Bruno Iodes e Alex Jandovi

A derradeira edição da Vilinha Cultural aconteceu na última quinta-feira (28) e foi mais do que especial! Bola, frontman da banda Zimbra, Helena Papini, Bruno Iodes e Alex Jandovi se apresentaram no palco do Parque Cultural Vila de São Vicente e tornaram a noite fria caiçara, um pouco mais quente. A princípio, o evento é promovido pelo Coletivo Sardinhada, movimento que fomenta a cultura e a cena musical na Baixada Santista. Aliás, além dos músicos ali presentes, a Vilinha Cultural também contou com artistas plásticos, que pintavam quadros durante o evento. Tinham quadros por todos os lados: na área livre e fechada do espaço. A Vilinha Cultural ocorre, tradicionalmente, na última quinta-feira do mês. Então, já anote na agenda as próximas edições e fique de olho nas atrações. Vale ressaltar que o evento é gratuito e produzido de forma independente, sem qualquer incentivo do setor privado. Essa edição foi idealizada pelos produtores culturais Sam Faiad e Gabriel Veturno. Eles pensaram em cada detalhe para tornar a noite agradável para o público e, claro, para os artistas. “O desafio de fazer esse rolê, sendo bem sincero, é grana. Somos um movimento totalmente independente, então toda a grana sai do nosso próprio bolso. Então, essa é a parte mais difícil. Mas é justamente através dessas dificuldades que a gente consegue conquistar coisas incríveis”, explica Sam. E por falar em coisas incríveis, o convite para Helena Papini aconteceu bem longe do solo caiçara… Foi feito no Rio de Janeiro! Sam, que também é guitarrista, estava com a sua banda, O Último Banco do Bar, quando conheceu Helena. “Trocamos uma ideia, falei sobre a Vilinha Cultural e disse que seria muito legal ter a presença dela no palco, apresentando o seu disco novo. Ela prontamente aceitou!”. Além disso, por coincidência, ambos trabalham com a mesma produtora, a Marã Música, de Henrique Garcia Roncoletta. Bola também trabalha com a Marã. Como dizem: Santos é um ovo. Desse modo, o convite para o vocalista da Zimbra foi feito. Além da banda, o artista também atua em carreira solo. E ele se apresentou nessa vibe: apenas voz e violão. Confira mais detalhes no texto! Bola Bola, nascido Rafael Costa, é conhecido como vocalista da Zimbra. A princípio, a banda santista está em turnê para comemorar os 10 anos de Azul, o segundo álbum lançado. Eles já se apresentaram no palco do Lollapalooza em 2015, assim como no Rock In Rio em 2019. Além disso, fizeram parte da trilha sonora da série Shippados (2019) da Globoplay, com a canção Me Mude. No entanto, Bola também percorre uma carreira solo. Ao perceber que estava compondo letras muito semelhantes, mas que não se encaixariam aos moldes da Zimbra, se arriscou. E assim, em 2017, as letras se transformaram em seu primeiro álbum solo: Saudade. Dali em diante, o artista não parou mais. Em 2020, por exemplo, lançou o EP calma, não vamos falar da vida. E, no ano passado, lançou seu último álbum: Rafael. Em um show intimista, Bola apresentou seu setlist, composto por músicas de sua carreira solo. Mas, claro, não deixou a Zimbra de fora. Cantou Eu Vi Tudo, em uma versão mais simples: apenas voz e violão. “Quando eu estou sozinho, dá para ouvir quando eu erro. Já com a banda, não dá para ouvir nada, a galera me cobre [risos]. Acho que o show solo é muito mais intimista, onde talvez eu consiga me concentrar mais nas músicas, do que na interação com o público. É claro que eu me concentro nas músicas com a banda, mas a Zimbra tem uma atmosfera de show mais pra cima. Já o show solo é uma parada muito mais introspectiva. Eu fico na minha, tentando só passar a mensagem, porque eu sei que não é um show alto astral ou agitado”, comenta Bola sobre suas apresentações solo, como na Vilinha Cultural. Helena Papini Helena Papini coleciona uma carreira longa. A princípio, iniciou tocando baixo por volta de 2004. Já em meados de 2009, teve bandas nas quais era vocalista e baixista. E tudo isso em Santos! Em 2013, tocou baixo na banda A Banca, formada pelos membros do Charlie Brown Jr. após a morte de Chorão. E no mesmo ano, entrou como baixista na banda Francisco, El Hombre. Com o grupo, percorreu o mundo e lançou seis álbuns. Se por um lado a Francisco, El Hombre está em hiato desde 2025, por outro, a carreira solo de Helena está palpitando. No ano passado, a artista lançou o álbum Tudo Eu?. Nele, além de cantar, ela é responsável por tocar todos os outros instrumentos presentes. E foi essa a obra que Helena levou ao palco da Vilinha Cultural. “Quando eu venho me apresentar num show como esse, sinto como se estivesse me desnudando, sabe? Bem vulnerável, mesmo. Estou apresentando coisas para o público que, até então, não eram apresentadas na minha carreira. Porque as pessoas tinham uma imagem sobre mim, às vezes muito distinta de quem eu realmente sou. Então esse trabalho me coloca nesse lugar mais vulnerável e íntimo”. Por fim, além do álbum novo, Helena aproveitou para cantar músicas que serão lançadas em seu próximo trabalho. Em primeira mão para o Vilinha Cultural! Aliás, com uma personalidade cativante, a artista fazia questão de incluir o público em sua performance. Incluindo as músicas novas. Ela ensinava o trecho e a galera cantava junto. Bruno Iodes Bruno Iodes também subiu ao palco da Vilinha Cultural. Além de ser vocalista e guitarrista de O Último Banco do Bar e vocalista da Guariba Elétrica, ele está se lançando em carreira solo. No ano passado, lançou o EP Abajur, composto por quatro faixas. No projeto solo, tem o apoio de Gutto Albuquerque no violão. Aliás, além da parceria nas composições e no palco, Gutto também é o seu produtor musical e está a frente do Sardinhada Records. “Eu vejo nas canções que a gente levou para a Vilinha, que foi uma performance muito autêntica. Não haverá outra reprodução igual a essa. Isso

Rogério Skylab celebra os 20 anos de Skylab IV em show marcado por um mar de cigarros, em Santos

Cigarros arremessados no palco, uma voz em coro gritando “lindo, tesão, bonito e gostosão” por diversas vezes, e um público que ansiava sempre pela próxima música. Essas foram só algumas das características do show de Rogério Skylab em Santos, nessa sexta-feira (29). O carioca de 69 anos está viajando pelo Brasil com a turnê que comemora os 20 anos de Skylab IV, um de seus álbuns mais emblemáticos. Dessa vez, ele subiu ao palco do Arena Club para celebrar essa obra importante. Aliás, essa foi a oportunidade perfeita para os fãs da Baixada Santista que nunca viram o artista ao vivo. É o caso do mecânico Bruno Ayala, 31, que acompanha o trabalho de Skylab há mais de uma década. “Eu o conheci por meio de uma roda de amigos. Além das músicas, também acompanhava o seu podcast Contemporâneos e, claro, as entrevistas em que ele participa. Estou esperando ver toda aquela loucura do Skylab no palco!”, comentou, minutos antes do show começar. Se a promessa era uma homenagem ao Skylab IV… Foi cumprida com êxito! Afinal, Skylab executou todas as 15 faixas do álbum. O repertório começou com IML e terminou com Por dentro, por fora. Enquanto isso, o público cantava junto e já arremessava alguns cigarrinhos. Um ou outro… por enquanto. Assim, Skylab apresentou uma obra constituída essencialmente por rock, mas que também bebe da fonte da MPB. Aliás, o público tem a sua preferida e a cantou bem alto, em contraste com aquele sonzinho de bossa nova. Você já sabe qual é, né? Logo depois do Skylab IV, o carioca apresentou músicas de suas obras mais recentes. Tivemos, por exemplo, as faixas Fui por Aí, da Trilogia da Putrefação – Volume 1 e Alguém Como Nós, de seu último álbum lançado, Mesa de Dissecação. “Essa turnê conta com todo o repertório do disco Skylab IV, e também conta com músicas dos meus trabalhos mais novos. Pra vocês verem como foram feitas em momentos diferentes”, explicou Rogério Skylab no palco. Afinal, como ele comentou em entrevista recente ao Blog n’Roll, suas obras não são monotemáticas. Em seguida, aconteceu aquele momento que talvez seja o mais esperado pelos fãs. Skylab começou a cantar Tem Cigarro Aí e imediatamente provocou uma chuva de cigarros. Tinha muito cigarro. Muito mesmo. Bastante. O palco ficou completamente inundado por eles, se assim podemos dizer. Um mar de nicotina. Durante mais de oito minutos, o público lançou cigarros em direção ao palco e cantou todos os trechos junto com Skylab. Era nítido que boa parte das pessoas presentes aguardava ansiosamente por esse momento. Outros clássicos de sua carreira, que já conta com mais de três décadas, foram incluídos no setlist. Fátima Bernardes Experiência, por exemplo, é uma delas. Depois, a performance de Matador de Passarinhos também era claramente aguardada pelos fãs. Esse, inclusive, teve direito a um mosh pit e tirou todo o Arena Club do chão. Aliás, essa música deu nome ao seu antigo programa de entrevistas no Canal Brasil, que foi transmitido entre 2010 e 2013. Por fim, acompanhado de uma banda talentosa e entrosada, Rogério Skylab cantou a clássica Você Vai Continuar Fazendo Música?. Com uma letra que expõe as diversas tentativas de desestimular a sua arte, ele mostra que não ouviu aqueles “incentivos”. Ele continuou, sim, fazendo música. Continua com a sua turnê. E vai continuar fazendo música nova: ele já está trabalhando no seu novo álbum, em suas madrugadas produtivas e silenciosas.

Entrevista | Rogério Skylab: “Eu nunca tive tesão por bolhas”

Ele tem mais de 30 anos de estrada, uma personalidade cirurgicamente provocativa e adotou como sobrenome artístico uma nave espacial estadunidense que orbitava a Terra sem que ninguém soubesse direito onde iria cair. Rogério Skylab, batizado Rogério Tolomei Teixeira, é dono de uma das discografias mais extensas, complexas e intrigantes da música brasileira. São mais de 30 álbuns lançados desde 1992, sendo o denso Mesa de Dissecação (2025) o seu trabalho mais recente. E fica o primeiro spoiler: o músico já está debruçado na produção de um novo disco durante suas madrugadas em claro. Prestes a desembarcar na Baixada Santista, Skylab está cruzando o país com a turnê que celebra os 20 anos do emblemático álbum Skylab IV. Nesta sexta-feira (29), será a vez de Santos receber o espetáculo no palco do Arena Club. Já separou o seu maço de cigarro? O segundo spoiler é que, sim: além de executar o clássico disco de 2006 na íntegra, Skylab incluirá no repertório os maiores sucessos de sua trajetória, como a indefectível Tem Cigarro Aí? Em um papo que transita entre Charles Baudelaire, a ilusão do circuito underground, obsessões artísticas e a busca pelo grande público, confira abaixo a entrevista completa de Rogério Skylab ao Blog n’ Roll! Você tem uma ligação muito forte com o Programa do Jô. Afinal, foram dez anos fazendo o lançamento dos seus álbuns no talkshow: do Skylab I ao Skylab X. Mesmo que atualmente a internet e as redes sociais sejam mais fortes do que a TV, você ainda considera programas de entrevista importantes para o artista independente? Para o artista independente, tudo é importante. Eu te confesso que não faço diferença entre podcasts e televisão aberta, entendeu? Não faço diferenciação, para mim, é tudo veículo de divulgação e de informação. Então, acho que para o artista independente tudo é válido e ele não tem que ficar escolhendo ou fazendo distinção. Isso é o que penso. E falando em programa de TV, você teve o seu. O Matador de Passarinhos foi transmitido no Canal Brasil entre 2010 e 2013, e recebeu nomes como Elza Soares e Rita Cadillac. Você faria algo parecido nos dias de hoje, como em um canal do YouTube, por exemplo? Confesso que, hoje em dia, não me interessa não. Atualmente, estou mais interessado em participar deles, em receber convites e ir como convidado. Prefiro dessa forma do que dirigir o meu próprio programa, porque isso requer muito tempo e o meu trabalho com a música, seja em estúdio gravando ou na estrada com os shows, já me ocupa um espaço imenso na agenda. Então, hoje não me interessaria em fazer um programa nos moldes do Matador de Passarinhos. É por uma questão de tempo mesmo, eu não tenho mais essa disponibilidade que tinha antigamente (risos). Então é isso, não faria. Você apresentava um podcast no Spotify ao lado de Marcos Lacerda, o Contemporâneos. Nele, vocês analisavam discos da música contemporânea brasileira lançados dos anos 2000 para cá. Queria saber quais os discos contemporâneos brasileiros que mais te surpreenderam (não precisa necessariamente ter sido analisado no podcast). De fato, eu fazia esse programa com o Marcos Lacerda, que é um sociólogo, professor e escreveu alguns livros excelentes sobre a canção, um sobre o Vitor Ramil e outro sobre o Ronaldo Bastos. Ele também é uma pessoa que, como eu, se preocupa muito com a construção da canção. Para mim, foi fundamental fazer esse projeto. Nós estruturamos uma série: relacionamos vários artistas e vários discos compreendendo esse período de tempo de 2000 até os dias de hoje. Gravamos uma boa parte, mas infelizmente, por questão de agenda dos envolvidos (inclusive a minha), tivemos que interromper o programa. Foi uma pena, porque tínhamos uma longa lista a fazer. Desses discos analisados, eu destaquei algumas bandas e artistas. Por exemplo, o Cidadão Instigado, que tem um disco cujo título é uma língua estranha, UHUUU! [risos], e que me chamou muita atenção. São tantos que eu não conseguiria listar todos os que me impressionaram, mas o Lucas Santana, com o álbum Sem Nostalgia, é outro belíssimo, inclusive pelas questões que suscita. A música popular brasileira é palpitante, borbulhante. Quem diz que hoje em dia não se produzem mais artistas como antigamente são pessoas extremamente nostálgicas e preguiçosas [risos], que não gostam de pesquisar. A internet está aí, fornecendo uma relação imensa de novos nomes muito importantes. Falamos de música contemporânea… agora, vamos voltar um pouquinho no tempo. Recentemente, você disse em uma entrevista que a sua origem é a MPB, ou seja, você consumia muita MPB, sobretudo na época em que a vertente “dominava” o país. E foi só a partir dos anos 1990 que você passou a ouvir rock. Como começou essa transição? Quais foram as bandas e artistas que mais te chamaram atenção? De fato, a minha origem é a MPB. Se você ouvir o meu primeiro disco, Fora da Grei, vai ver que ele se banha totalmente na tradição da MPB. Hoje, se você assistir ao show que eu venho fazendo, ele está intimamente ligado ao rock. É uma porradaria [risos], digamos assim. Mas essa virada foi nos anos 1990, justamente no período em que comecei artisticamente. Meu debut foi em 1992 e, naquele momento, passei a me interessar pelo rock. Talvez o Nirvana tenha sido o primeiro estalo, mas eu gostava mesmo era do rock experimental: Captain Beefheart, Frank Zappa e, um pouco mais moderno, o John Zorn. São todos ligados a essa vertente experimental que sempre me interessou. O Nirvana era um pouquinho menos experimental, mas esses outros nomes representam essa corrente que me pegou. Em uma entrevista ao Jô, em 2003, ele perguntou o que leva você a fazer músicas. E você disse que é uma questão de obsessão. Hoje, 23 anos depois, o Skylab daria uma resposta diferente para essa pergunta? Lamento informar que a minha resposta hoje seria exatamente igual [risos muito sinceros]. Idêntica! É isso, porque quando você pensa em arte, você tem que saber na marra

KM2 DE LUXO TOUR: Ebony entrega show extraordinário em Santos

A KM2 DE LUXO TOUR finalmente chegou a Santos! Ontem (22), a carioca Ebony pisou no palco do Arena Club e entregou um show com performance, estética, coreografias e figurinos que tornaram a noite de sexta-feira mais do que especial. Vale ressaltar que a rapper cantou as músicas da era KM2 na íntegra. Além das músicas do primeiro álbum (KM2), lançado em maio de 2025, o show também contou com a versão estendida do álbum: o KM2 (de luxo), lançado em abril deste ano. Ebony é muitas em uma só. E KM2 é a prova disso! Isso porque a cantora escancara assuntos que vão desde a complexidade e potência de ser uma mulher jovem negra no Brasil, liberdade sexual, até a violência no estado do Rio de Janeiro. Não é à toa que quatro faixas emplacaram na parada Viral Brasil do Spotify: Vale do Silício, Gin com Suco de Laranja, KIA e Extraordinária. De Visão Periférica a KM2 (de luxo) Se o público vibrou e cantou cada música do KM2 em coro, não foi diferente com as músicas dos álbuns anteriores. O setlist também incluiu faixas de Terapia (2023), Visão Periférica (2021) e hits como Espero Que Entendam. Inclusive, o freestyle viralizou por Ebony ter alfinetado rappers masculinos, como Filipe Ret, L7NNON e Djonga. Setlist cuidadoso, presença de palco surreal de Ebony… será que dá para melhorar? Dá sim! O show também contou com quatro dançarinas em coreografias marcantes, figurinos incríveis e, claro: um público com energia de sobra. Aliás, ao longo da noite, não faltaram interações de Ebony com a plateia. Em um dos momentos, por exemplo, a artista pegou no palco um artigo escrito sobre ela, e não economizou no agradecimento à fã que escreveu. “Esses momentos de reconhecimento são muito importantes”, disse com carinho. Por fim, a KM2 DE LUXO TOUR é um marco importante para Ebony. O show já passou por cidades como São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Afinal, finaliza a era de KM2, álbum que expandiu a carreira de Ebony no Brasil (e no mundo) e mostra a originalidade, a potência e o talento dessa mulher de apenas 26 anos. Da Baixada Fluminense para o mundo! Adicione o texto do seu título aqui

7ª edição do Rolê das Tribos acontece nesta sexta-feira (1)

Rock, pop, reggae e muita brasilidade: assim vai ser o Rolê das Tribos! A 7ª edição do evento acontece nesta sexta-feira (1) a partir das 20h no Mangute Lounge e promete agitar do início ao fim. A primeira atração da noite é a DZ ROCK, banda de grunge caiçara. Além de músicas autorais, o repertório também contará com o melhor do pop e rock (nacional e internacional). Vale ressaltar que o vocalista Roger DZ é, também, o fundador do evento. “Eu sempre gostei muito de rock n’ roll, mas também sempre gostei de outros estilos musicais. Eu gosto de música! Então eu sempre tive vontade de idealizar um evento com essa mescla. E o Rolê das Tribos veio com essa ideia: de trazer diversidade musical”, explica Roger. Em seguida, Diego Alencikas sobe ao palco com MPB, brasilidades e forró. O momento perfeito para arriscar dançar um xote ou pé de serra, quem sabe? A apresentação terá participação especial de Gibi Wagner. Por fim, para fechar o Rolê das Tribos com chave de ouro, a SKASU fará um show com músicas autorais e muito pop reggae. A cantora independente Anne Marie, ex-participante do programa The Voice Brasil, é convidada da banda. Rolê além da música Agora, se você gosta de exposições fotográficas, está aí mais um motivo para você não ficar de fora do Rolê das Tribos. Afinal, o evento contará com obras de Tiago Cardeal, fotógrafo que registra o cotidiano de Santos de forma sensível e única. E por último, o público também poderá fazer flashes tattoos disponíveis no local. Os ingressos estão a venda pelo site da Articket. Como minha banda pode participar da próxima edição? Se você é cantor(a) ou tem uma banda e quer participar do próximo Rolê das Tribos, basta entrar em contato através do perfil oficial do evento. Em seguida, envie o seu material completo e, pronto: é só aguardar a curadoria de Roger DZ e sua equipe.

Entrevista | DZ Rock – “Nossas letras conseguem trazer um tom desse lance caiçara que o grunge não explora”

Eu já tinha finalizado a entrevista e fechado o meu caderno, quando comentei com Roger DZ e Gabriel Panza (vocalista e baterista da DZ ROCK, respectivamente) que o segundo álbum da banda de grunge caiçara, A Vida é um Rolê dos Bons me lembrava o som do Charlie Brown Jr. Foi instantâneo: Panza riu olhando para Roger, que fazia uma espécie de negação com a cabeça, brincando. “É que a gente não gosta muito de ser comparado ao Charlie Brown Junior, a gente tenta não ir por esse caminho”, disse Roger. Mas, se você é caiçara – ou apenas um(a) grande admirador(a) de Charlie Brown Jr -, calma! Os veteranos são uma das maiores inspirações para a DZ Rock (leia até o final do texto, e você vai ver). Afinal, é possível admirar e querer seguir uma outra direção, não é mesmo? Com dois álbuns lançados, shows que agitam a cena noturna de Santos e região e projetos solos que estão a caminho, confira abaixo a entrevista de Roger DZ e Gabriel Panza para o Blog n’Roll. Voilà: Grunge Caiçara A DZ Rock é formada por Roger DZ (vocal), Júlio Peruca (guitarra), Julio Navajas (guitarra), Wagner Miyashiro (baixo) e Gabriel Panza (baterista e produtor). Autodenominada grunge caiçara, a banda nasceu em 2020, em plena pandemia. Segundo Panza, o logo apresenta um símbolo de radioatividade porque surgiu naquele período, portanto, “todas as pessoas eram radioativas demais pra estarem perto uma da outra”. Por muito tempo, Roger deixou na gaveta (literalmente) letras que nunca saíram dali. Porém, estava na hora delas serem materializadas em músicas e apresentadas ao mundo. E foi logo depois de sua união com Gabriel Panza que tudo começou. Além de baterista, Panza também é proprietário do Estúdio Wave, que atualmente fica localizado no Gonzaga, coração de Santos. Em seguida, os outros integrantes chegaram para formar a DZ Rock e, em 2022, o primeiro álbum independente da DZ era lançado: “Não Confie em Tudo Mas Não Duvide de Nada”. “Eu acho o primeiro álbum muito mais grunge do que o segundo. A Música ‘Quem Errou’ é introspectiva, fala de alguém que passou na sua vida, pisou na bola e é bom reconhecer o erro. Ali é o grunge do grunge, bebido na fonte. Do primeiro álbum, essa é a música que eu mais gosto”, comenta Roger. E Panza complementa: “Nossas letras conseguem trazer um tom desse lance do caiçara que o grunge não explora”. A Vida é um Rolê dos Bons Lançado em novembro de 2025, A Vida é um Rolê dos Bons tem 11 faixas autorais e músicas mais enérgicas, como “Feinho Nota 10” e “Grunge Caiçara”. “Além do grunge, a gente tem muita coisa do hardcore, do new metal, que sempre foram fontes que a gente bebia, mas não conseguia trazer pro nosso som. Então nesse segundo álbum, a gente se sentiu um pouco mais livre pra trazer essas canções que são mais enérgicas e têm até um pouco de humor em alguns casos. Então conseguimos trazer essa nova ‘cara’ pra banda”, explica Panza. Das 11 músicas, duas contam com participações; “Coletividade é a Evolução”, juntamente com a SKASU, e “Suor e o Dom” com a Dinossaurus. E para futuros projetos, podemos esperar por muitas collabs com bandas caiçaras: “Eu pago pau pra galera da região, não tem jeito. Adoraria gravar com o Fildzz [Aliados], BaySide Kings e até artistas de outras vertentes que eu admiro, como o Diego Alencikas [forró e MPB]”, diz Roger. DZ Rock em festivais? A DZ Rock agita a noite santista e já se apresentou em diversas casas de show. Além disso, a banda também já se apresentou na capital de São Paulo, abrindo shows para bandas como CPM 22. Quando questionados se sentem vontade de tocar em festivais, Panza diz que adoraria estar no line-up de eventos como Lollapalozza, Rock in Rio e João Rock; “A gente sabe montar um show pra festival”. Por outro lado, Roger não descarta a possibilidade da criação de um festival com bandas autorais e independentes da região. Inclusive, ele é o fundador do Rolê das Tribos, evento que fomenta a cena caiçara com apresentações de bandas e artistas regionais. E a próxima edição já está chegando: acontecerá na sexta-feira (01), feriado. Projetos solos O álbum acústico Paz de Espírito será o primeiro projeto solo de Roger e está na reta final de produção. Com 8 faixas ao todo, a obra mesclará rock, reggae e samba. De antemão, ele adianta: “não tem nada a ver com a DZ Rock”. Antes de tudo, diferente do que costuma ser feito, o artista não lançará single por single. Assim, o álbum será lançado de uma só vez e chega às plataformas digitais no dia 05 de junho. E não é só o vocal da DZ que tem um projeto paralelo! Gabriel Panza está a frente do Água e Sal junto com a sua irmã, Isabela Panza. Os irmãos tocam o projeto com cuidado, propósito e não cedem à pressa do mercado para produzir suas canções: “Temos de 3 a 4 músicas para serem lançadas em 2026 e existe todo um contexto audiovisual, com significado”, conta Panza. Entre as músicas, estão Amor de Irmãos, em colaboração com o cantor Gabriel Elias, e uma nova versão da música Desacelera – dessa vez mais zen, com instrumentos de meditação. 1 álbum pelo resto da vida Finalmente, vamos as referências da dupla entrevistada. Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Puddle of Mudd, Tad e Gruntruck entram nessa lista. E claro: muita veia de música caiçara! “Se vocês pudessem escolher apenas um álbum para ouvir pelo resto da vida, qual seria?”, perguntei. Roger respondeu Audioslave (2002), álbum homônimo de estreia da banda, e Preço Curto, Prazo Longo (1999) do Charlie Brown Jr. E Charlie Brown Jr. também foi a escolha nacional de Panza, com o álbum Transpiração Continua Prolongada (1997). Já para álbum internacional, o baterista e produtor musical respondeu Dookie (1994), da banda Green Day. Por fim, a DZ Rock se apresenta na próxima

Entrevista | Abraskadabra – “A única exigência era que o rosto do fuleiro na presidência não aparecesse”

Lançado no último dia 2, o videoclipe Cattle Life é o último trabalho da banda de ska-punk Abraskadabra. A princípio, os curitibanos denunciam a atual gestão do governo Bolsonaro, por meio de uma letra cirúrgica, uma melodia marcante e uma animação potente. Em suma, Cattle Life integrará o novo álbum da banda, intitulado Make Yourself at Home, que será disponibilizado em 24 de setembro. Com direção de Guilherme Lepca e produzida pela Smart/Bamba, a animação é composta por diversas colagens. Em resumo, além dos lyrics, o trabalho reúne manchetes de jornais e características que fazem parte do universo bolsonarista, como por exemplo: o negacionismo a ciência, a adoração por armas, o alto preço dos alimentos e a adição da religião na política. Por outro lado, Cattle Life também apresenta esperança por dias melhores – sobretudo para as minorias sociais –, com imagens de protestos anti-bolsaristas. “Música foi feita com muita raiva, tanto sonora como na letra, tudo a flor da pele. É um recado para as pessoas que votaram nele que vão pagar, aliás, todos nós estamos pagando pelo voto nesse cara”, comenta Du, vocalista do Abraskadabra. Aliás, nos próximos dias, o Abraskadabra deve soltar mais um single com videoclipe. A faixa escolhida é Set Us Free. Por fim, em entrevista ao Blog n’ Roll, Du conta mais detalhes sobre Cattle Life e também, claro, sobre Make Yourself at Home. Vale ressaltar que o álbum será lançado pela Bad Time Records, uma gravadora americana especializada em ska-punk. Além de ser disponibilizado no streaming, o selo também fará o lançamento da obra em vinil colorido (serão quatro versões diferentes do disco, com distribuição nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Brasil). Confira! Além das negligências do governo Bolsonaro, como ocorreu o processo criativo do videoclipe de Cattle Life? O crédito total do clipe vai para o nosso amigo Guilherme Lepca e toda a equipe da Smart Diseños, provavelmente o estúdio de animação mais cabuloso do Brasil hoje em dia. A gente basicamente passou a letra pra eles e falamos pra seguirem ela como um roteiro mesmo, sem censura. Tanto é que só vimos o clipe depois de pronto. A única exigência – que foi inclusive decidida em comum acordo com a SD – era que o rosto do fuleiro na presidência não aparecesse no clipe. Não gostaríamos de manchar um trabalho fino desse com aquela cara horrenda. Do We Need a Sign e Cattle Life são músicas que carregam mensagens diferentes e passam sensações distintas uma da outra. O que podemos esperar de Make Yourself at Home? Aliás, como foi a produção do álbum? Olha, como temos três compositores nesse álbum, os temas variam, naturalmente. Então vão ter mais músicas de protesto, de amor, de reflexão e por aí vai. A gente já vinha compondo desde a metade de 2020; ficamos 20 dias em uma chácara de um amigo nosso em dezembro de 2020, gravamos o álbum e dois videoclipes. A mix e master levaram uns três meses pra ficarem prontas, então somando todo o processo desde a gravação até a finalização foram três meses. Apesar de ser uma banda brasileira, vocês fazem composições em inglês. Na opinião do Abraskadabra, artistas brasileiros que (também) atuam no exterior têm o dever de expor a atual crise política do país para os fãs gringos? Achamos que sim, até porque estamos vivendo uma situação insustentável hoje em dia. Uma mistura de incompetência com sadismo, uma combinação mortal, literalmente. Então é mais um desabafo natural que vai reverberar pela música, do que uma obrigação de mostrar para o mundo o que está acontecendo aqui. Mas ao mesmo tempo, por que não explicar a situação para pessoas alheias a nossa realidade? Acho que o mundo deve entender a gravidade da nossa situação, já que ainda existe gente aqui no Brasil que não entendeu. Existem muitas diferenças entre os públicos brasileiro e gringo? A nossa postura é sempre a mesma, procuramos entregar 100% nos shows e na interação com a galera. Obviamente existem diferenças culturais, mas fomos muito bem recebidos nos EUA, eles têm um senso de comunidade na cena musical muito elevado, estão sempre prontos pra ajudar. O mosh pit é menos violento e mais dançante por lá. E como aqui, sempre rola aquele papo bom na barraca do merch tomando aquela gelada pós-show. Com o avanço da vacinação, artistas estão retornando aos palcos. Como está a agenda de vocês? Pretendem voltar a se apresentar em breve? Nossa agenda está zerada, não temos nem previsão para voltarmos aos palcos aqui no Brasil. Temos ouvido de produtores que provavelmente os shows voltem somente ano que vem, para o fim do primeiro semestre. A gente torce pra que as coisas melhorem antes disso porque está sendo torturante ficar sem tocar. Além de Cattle Life, e do lançamento de Make Yourself at Home, quais são os próximos passos do Abraskadabra? Pretendem lançar mais videoclipes ainda em 2021? A gente tem mais alguns videoclipes engatilhados e algumas surpresas pra esse ano ainda, que infelizmente não podemos revelar! Mas fiquem ligados que vem coisa boa por aí!