Entrevista | Rogério Skylab: “Eu nunca tive tesão por bolhas”

Ele tem mais de 30 anos de estrada, uma personalidade cirurgicamente provocativa e adotou como sobrenome artístico uma nave espacial estadunidense que orbitava a Terra sem que ninguém soubesse direito onde iria cair. Rogério Skylab, batizado Rogério Tolomei Teixeira, é dono de uma das discografias mais extensas, complexas e intrigantes da música brasileira. São mais de 30 álbuns lançados desde 1992, sendo o denso Mesa de Dissecação (2025) o seu trabalho mais recente. E fica o primeiro spoiler: o músico já está debruçado na produção de um novo disco durante suas madrugadas em claro. Prestes a desembarcar na Baixada Santista, Skylab está cruzando o país com a turnê que celebra os 20 anos do emblemático álbum Skylab IV. Nesta sexta-feira (29), será a vez de Santos receber o espetáculo no palco do Arena Club. Já separou o seu maço de cigarro? O segundo spoiler é que, sim: além de executar o clássico disco de 2006 na íntegra, Skylab incluirá no repertório os maiores sucessos de sua trajetória, como a indefectível Tem Cigarro Aí? Em um papo que transita entre Charles Baudelaire, a ilusão do circuito underground, obsessões artísticas e a busca pelo grande público, confira abaixo a entrevista completa de Rogério Skylab ao Blog n’ Roll! Você tem uma ligação muito forte com o Programa do Jô. Afinal, foram dez anos fazendo o lançamento dos seus álbuns no talkshow: do Skylab I ao Skylab X. Mesmo que atualmente a internet e as redes sociais sejam mais fortes do que a TV, você ainda considera programas de entrevista importantes para o artista independente? Para o artista independente, tudo é importante. Eu te confesso que não faço diferença entre podcasts e televisão aberta, entendeu? Não faço diferenciação, para mim, é tudo veículo de divulgação e de informação. Então, acho que para o artista independente tudo é válido e ele não tem que ficar escolhendo ou fazendo distinção. Isso é o que penso. E falando em programa de TV, você teve o seu. O Matador de Passarinhos foi transmitido no Canal Brasil entre 2010 e 2013, e recebeu nomes como Elza Soares e Rita Cadillac. Você faria algo parecido nos dias de hoje, como em um canal do YouTube, por exemplo? Confesso que, hoje em dia, não me interessa não. Atualmente, estou mais interessado em participar deles, em receber convites e ir como convidado. Prefiro dessa forma do que dirigir o meu próprio programa, porque isso requer muito tempo e o meu trabalho com a música, seja em estúdio gravando ou na estrada com os shows, já me ocupa um espaço imenso na agenda. Então, hoje não me interessaria em fazer um programa nos moldes do Matador de Passarinhos. É por uma questão de tempo mesmo, eu não tenho mais essa disponibilidade que tinha antigamente (risos). Então é isso, não faria. Você apresentava um podcast no Spotify ao lado de Marcos Lacerda, o Contemporâneos. Nele, vocês analisavam discos da música contemporânea brasileira lançados dos anos 2000 para cá. Queria saber quais os discos contemporâneos brasileiros que mais te surpreenderam (não precisa necessariamente ter sido analisado no podcast). De fato, eu fazia esse programa com o Marcos Lacerda, que é um sociólogo, professor e escreveu alguns livros excelentes sobre a canção, um sobre o Vitor Ramil e outro sobre o Ronaldo Bastos. Ele também é uma pessoa que, como eu, se preocupa muito com a construção da canção. Para mim, foi fundamental fazer esse projeto. Nós estruturamos uma série: relacionamos vários artistas e vários discos compreendendo esse período de tempo de 2000 até os dias de hoje. Gravamos uma boa parte, mas infelizmente, por questão de agenda dos envolvidos (inclusive a minha), tivemos que interromper o programa. Foi uma pena, porque tínhamos uma longa lista a fazer. Desses discos analisados, eu destaquei algumas bandas e artistas. Por exemplo, o Cidadão Instigado, que tem um disco cujo título é uma língua estranha, UHUUU! [risos], e que me chamou muita atenção. São tantos que eu não conseguiria listar todos os que me impressionaram, mas o Lucas Santana, com o álbum Sem Nostalgia, é outro belíssimo, inclusive pelas questões que suscita. A música popular brasileira é palpitante, borbulhante. Quem diz que hoje em dia não se produzem mais artistas como antigamente são pessoas extremamente nostálgicas e preguiçosas [risos], que não gostam de pesquisar. A internet está aí, fornecendo uma relação imensa de novos nomes muito importantes. Falamos de música contemporânea… agora, vamos voltar um pouquinho no tempo. Recentemente, você disse em uma entrevista que a sua origem é a MPB, ou seja, você consumia muita MPB, sobretudo na época em que a vertente “dominava” o país. E foi só a partir dos anos 1990 que você passou a ouvir rock. Como começou essa transição? Quais foram as bandas e artistas que mais te chamaram atenção? De fato, a minha origem é a MPB. Se você ouvir o meu primeiro disco, Fora da Grei, vai ver que ele se banha totalmente na tradição da MPB. Hoje, se você assistir ao show que eu venho fazendo, ele está intimamente ligado ao rock. É uma porradaria [risos], digamos assim. Mas essa virada foi nos anos 1990, justamente no período em que comecei artisticamente. Meu debut foi em 1992 e, naquele momento, passei a me interessar pelo rock. Talvez o Nirvana tenha sido o primeiro estalo, mas eu gostava mesmo era do rock experimental: Captain Beefheart, Frank Zappa e, um pouco mais moderno, o John Zorn. São todos ligados a essa vertente experimental que sempre me interessou. O Nirvana era um pouquinho menos experimental, mas esses outros nomes representam essa corrente que me pegou. Em uma entrevista ao Jô, em 2003, ele perguntou o que leva você a fazer músicas. E você disse que é uma questão de obsessão. Hoje, 23 anos depois, o Skylab daria uma resposta diferente para essa pergunta? Lamento informar que a minha resposta hoje seria exatamente igual [risos muito sinceros]. Idêntica! É isso, porque quando você pensa em arte, você tem que saber na marra

KM2 DE LUXO TOUR: Ebony entrega show extraordinário em Santos

A KM2 DE LUXO TOUR finalmente chegou a Santos! Ontem (22), a carioca Ebony pisou no palco do Arena Club e entregou um show com performance, estética, coreografias e figurinos que tornaram a noite de sexta-feira mais do que especial. Vale ressaltar que a rapper cantou as músicas da era KM2 na íntegra. Além das músicas do primeiro álbum (KM2), lançado em maio de 2025, o show também contou com a versão estendida do álbum: o KM2 (de luxo), lançado em abril deste ano. Ebony é muitas em uma só. E KM2 é a prova disso! Isso porque a cantora escancara assuntos que vão desde a complexidade e potência de ser uma mulher jovem negra no Brasil, liberdade sexual, até a violência no estado do Rio de Janeiro. Não é à toa que quatro faixas emplacaram na parada Viral Brasil do Spotify: Vale do Silício, Gin com Suco de Laranja, KIA e Extraordinária. De Visão Periférica a KM2 (de luxo) Se o público vibrou e cantou cada música do KM2 em coro, não foi diferente com as músicas dos álbuns anteriores. O setlist também incluiu faixas de Terapia (2023), Visão Periférica (2021) e hits como Espero Que Entendam. Inclusive, o freestyle viralizou por Ebony ter alfinetado rappers masculinos, como Filipe Ret, L7NNON e Djonga. Setlist cuidadoso, presença de palco surreal de Ebony… será que dá para melhorar? Dá sim! O show também contou com quatro dançarinas em coreografias marcantes, figurinos incríveis e, claro: um público com energia de sobra. Aliás, ao longo da noite, não faltaram interações de Ebony com a plateia. Em um dos momentos, por exemplo, a artista pegou no palco um artigo escrito sobre ela, e não economizou no agradecimento à fã que escreveu. “Esses momentos de reconhecimento são muito importantes”, disse com carinho. Por fim, a KM2 DE LUXO TOUR é um marco importante para Ebony. O show já passou por cidades como São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Afinal, finaliza a era de KM2, álbum que expandiu a carreira de Ebony no Brasil (e no mundo) e mostra a originalidade, a potência e o talento dessa mulher de apenas 26 anos. Da Baixada Fluminense para o mundo! Adicione o texto do seu título aqui

7ª edição do Rolê das Tribos acontece nesta sexta-feira (1)

Rock, pop, reggae e muita brasilidade: assim vai ser o Rolê das Tribos! A 7ª edição do evento acontece nesta sexta-feira (1) a partir das 20h no Mangute Lounge e promete agitar do início ao fim. A primeira atração da noite é a DZ ROCK, banda de grunge caiçara. Além de músicas autorais, o repertório também contará com o melhor do pop e rock (nacional e internacional). Vale ressaltar que o vocalista Roger DZ é, também, o fundador do evento. “Eu sempre gostei muito de rock n’ roll, mas também sempre gostei de outros estilos musicais. Eu gosto de música! Então eu sempre tive vontade de idealizar um evento com essa mescla. E o Rolê das Tribos veio com essa ideia: de trazer diversidade musical”, explica Roger. Em seguida, Diego Alencikas sobe ao palco com MPB, brasilidades e forró. O momento perfeito para arriscar dançar um xote ou pé de serra, quem sabe? A apresentação terá participação especial de Gibi Wagner. Por fim, para fechar o Rolê das Tribos com chave de ouro, a SKASU fará um show com músicas autorais e muito pop reggae. A cantora independente Anne Marie, ex-participante do programa The Voice Brasil, é convidada da banda. Rolê além da música Agora, se você gosta de exposições fotográficas, está aí mais um motivo para você não ficar de fora do Rolê das Tribos. Afinal, o evento contará com obras de Tiago Cardeal, fotógrafo que registra o cotidiano de Santos de forma sensível e única. E por último, o público também poderá fazer flashes tattoos disponíveis no local. Os ingressos estão a venda pelo site da Articket. Como minha banda pode participar da próxima edição? Se você é cantor(a) ou tem uma banda e quer participar do próximo Rolê das Tribos, basta entrar em contato através do perfil oficial do evento. Em seguida, envie o seu material completo e, pronto: é só aguardar a curadoria de Roger DZ e sua equipe.

Entrevista | DZ Rock – “Nossas letras conseguem trazer um tom desse lance caiçara que o grunge não explora”

Eu já tinha finalizado a entrevista e fechado o meu caderno, quando comentei com Roger DZ e Gabriel Panza (vocalista e baterista da DZ ROCK, respectivamente) que o segundo álbum da banda de grunge caiçara, A Vida é um Rolê dos Bons me lembrava o som do Charlie Brown Jr. Foi instantâneo: Panza riu olhando para Roger, que fazia uma espécie de negação com a cabeça, brincando. “É que a gente não gosta muito de ser comparado ao Charlie Brown Junior, a gente tenta não ir por esse caminho”, disse Roger. Mas, se você é caiçara – ou apenas um(a) grande admirador(a) de Charlie Brown Jr -, calma! Os veteranos são uma das maiores inspirações para a DZ Rock (leia até o final do texto, e você vai ver). Afinal, é possível admirar e querer seguir uma outra direção, não é mesmo? Com dois álbuns lançados, shows que agitam a cena noturna de Santos e região e projetos solos que estão a caminho, confira abaixo a entrevista de Roger DZ e Gabriel Panza para o Blog n’Roll. Voilà: Grunge Caiçara A DZ Rock é formada por Roger DZ (vocal), Júlio Peruca (guitarra), Julio Navajas (guitarra), Wagner Miyashiro (baixo) e Gabriel Panza (baterista e produtor). Autodenominada grunge caiçara, a banda nasceu em 2020, em plena pandemia. Segundo Panza, o logo apresenta um símbolo de radioatividade porque surgiu naquele período, portanto, “todas as pessoas eram radioativas demais pra estarem perto uma da outra”. Por muito tempo, Roger deixou na gaveta (literalmente) letras que nunca saíram dali. Porém, estava na hora delas serem materializadas em músicas e apresentadas ao mundo. E foi logo depois de sua união com Gabriel Panza que tudo começou. Além de baterista, Panza também é proprietário do Estúdio Wave, que atualmente fica localizado no Gonzaga, coração de Santos. Em seguida, os outros integrantes chegaram para formar a DZ Rock e, em 2022, o primeiro álbum independente da DZ era lançado: “Não Confie em Tudo Mas Não Duvide de Nada”. “Eu acho o primeiro álbum muito mais grunge do que o segundo. A Música ‘Quem Errou’ é introspectiva, fala de alguém que passou na sua vida, pisou na bola e é bom reconhecer o erro. Ali é o grunge do grunge, bebido na fonte. Do primeiro álbum, essa é a música que eu mais gosto”, comenta Roger. E Panza complementa: “Nossas letras conseguem trazer um tom desse lance do caiçara que o grunge não explora”. A Vida é um Rolê dos Bons Lançado em novembro de 2025, A Vida é um Rolê dos Bons tem 11 faixas autorais e músicas mais enérgicas, como “Feinho Nota 10” e “Grunge Caiçara”. “Além do grunge, a gente tem muita coisa do hardcore, do new metal, que sempre foram fontes que a gente bebia, mas não conseguia trazer pro nosso som. Então nesse segundo álbum, a gente se sentiu um pouco mais livre pra trazer essas canções que são mais enérgicas e têm até um pouco de humor em alguns casos. Então conseguimos trazer essa nova ‘cara’ pra banda”, explica Panza. Das 11 músicas, duas contam com participações; “Coletividade é a Evolução”, juntamente com a SKASU, e “Suor e o Dom” com a Dinossaurus. E para futuros projetos, podemos esperar por muitas collabs com bandas caiçaras: “Eu pago pau pra galera da região, não tem jeito. Adoraria gravar com o Fildzz [Aliados], BaySide Kings e até artistas de outras vertentes que eu admiro, como o Diego Alencikas [forró e MPB]”, diz Roger. DZ Rock em festivais? A DZ Rock agita a noite santista e já se apresentou em diversas casas de show. Além disso, a banda também já se apresentou na capital de São Paulo, abrindo shows para bandas como CPM 22. Quando questionados se sentem vontade de tocar em festivais, Panza diz que adoraria estar no line-up de eventos como Lollapalozza, Rock in Rio e João Rock; “A gente sabe montar um show pra festival”. Por outro lado, Roger não descarta a possibilidade da criação de um festival com bandas autorais e independentes da região. Inclusive, ele é o fundador do Rolê das Tribos, evento que fomenta a cena caiçara com apresentações de bandas e artistas regionais. E a próxima edição já está chegando: acontecerá na sexta-feira (01), feriado. Projetos solos O álbum acústico Paz de Espírito será o primeiro projeto solo de Roger e está na reta final de produção. Com 8 faixas ao todo, a obra mesclará rock, reggae e samba. De antemão, ele adianta: “não tem nada a ver com a DZ Rock”. Antes de tudo, diferente do que costuma ser feito, o artista não lançará single por single. Assim, o álbum será lançado de uma só vez e chega às plataformas digitais no dia 05 de junho. E não é só o vocal da DZ que tem um projeto paralelo! Gabriel Panza está a frente do Água e Sal junto com a sua irmã, Isabela Panza. Os irmãos tocam o projeto com cuidado, propósito e não cedem à pressa do mercado para produzir suas canções: “Temos de 3 a 4 músicas para serem lançadas em 2026 e existe todo um contexto audiovisual, com significado”, conta Panza. Entre as músicas, estão Amor de Irmãos, em colaboração com o cantor Gabriel Elias, e uma nova versão da música Desacelera – dessa vez mais zen, com instrumentos de meditação. 1 álbum pelo resto da vida Finalmente, vamos as referências da dupla entrevistada. Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Puddle of Mudd, Tad e Gruntruck entram nessa lista. E claro: muita veia de música caiçara! “Se vocês pudessem escolher apenas um álbum para ouvir pelo resto da vida, qual seria?”, perguntei. Roger respondeu Audioslave (2002), álbum homônimo de estreia da banda, e Preço Curto, Prazo Longo (1999) do Charlie Brown Jr. E Charlie Brown Jr. também foi a escolha nacional de Panza, com o álbum Transpiração Continua Prolongada (1997). Já para álbum internacional, o baterista e produtor musical respondeu Dookie (1994), da banda Green Day. Por fim, a DZ Rock se apresenta na próxima

Entrevista | Abraskadabra – “A única exigência era que o rosto do fuleiro na presidência não aparecesse”

Lançado no último dia 2, o videoclipe Cattle Life é o último trabalho da banda de ska-punk Abraskadabra. A princípio, os curitibanos denunciam a atual gestão do governo Bolsonaro, por meio de uma letra cirúrgica, uma melodia marcante e uma animação potente. Em suma, Cattle Life integrará o novo álbum da banda, intitulado Make Yourself at Home, que será disponibilizado em 24 de setembro. Com direção de Guilherme Lepca e produzida pela Smart/Bamba, a animação é composta por diversas colagens. Em resumo, além dos lyrics, o trabalho reúne manchetes de jornais e características que fazem parte do universo bolsonarista, como por exemplo: o negacionismo a ciência, a adoração por armas, o alto preço dos alimentos e a adição da religião na política. Por outro lado, Cattle Life também apresenta esperança por dias melhores – sobretudo para as minorias sociais –, com imagens de protestos anti-bolsaristas. “Música foi feita com muita raiva, tanto sonora como na letra, tudo a flor da pele. É um recado para as pessoas que votaram nele que vão pagar, aliás, todos nós estamos pagando pelo voto nesse cara”, comenta Du, vocalista do Abraskadabra. Aliás, nos próximos dias, o Abraskadabra deve soltar mais um single com videoclipe. A faixa escolhida é Set Us Free. Por fim, em entrevista ao Blog n’ Roll, Du conta mais detalhes sobre Cattle Life e também, claro, sobre Make Yourself at Home. Vale ressaltar que o álbum será lançado pela Bad Time Records, uma gravadora americana especializada em ska-punk. Além de ser disponibilizado no streaming, o selo também fará o lançamento da obra em vinil colorido (serão quatro versões diferentes do disco, com distribuição nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Brasil). Confira! Além das negligências do governo Bolsonaro, como ocorreu o processo criativo do videoclipe de Cattle Life? O crédito total do clipe vai para o nosso amigo Guilherme Lepca e toda a equipe da Smart Diseños, provavelmente o estúdio de animação mais cabuloso do Brasil hoje em dia. A gente basicamente passou a letra pra eles e falamos pra seguirem ela como um roteiro mesmo, sem censura. Tanto é que só vimos o clipe depois de pronto. A única exigência – que foi inclusive decidida em comum acordo com a SD – era que o rosto do fuleiro na presidência não aparecesse no clipe. Não gostaríamos de manchar um trabalho fino desse com aquela cara horrenda. Do We Need a Sign e Cattle Life são músicas que carregam mensagens diferentes e passam sensações distintas uma da outra. O que podemos esperar de Make Yourself at Home? Aliás, como foi a produção do álbum? Olha, como temos três compositores nesse álbum, os temas variam, naturalmente. Então vão ter mais músicas de protesto, de amor, de reflexão e por aí vai. A gente já vinha compondo desde a metade de 2020; ficamos 20 dias em uma chácara de um amigo nosso em dezembro de 2020, gravamos o álbum e dois videoclipes. A mix e master levaram uns três meses pra ficarem prontas, então somando todo o processo desde a gravação até a finalização foram três meses. Apesar de ser uma banda brasileira, vocês fazem composições em inglês. Na opinião do Abraskadabra, artistas brasileiros que (também) atuam no exterior têm o dever de expor a atual crise política do país para os fãs gringos? Achamos que sim, até porque estamos vivendo uma situação insustentável hoje em dia. Uma mistura de incompetência com sadismo, uma combinação mortal, literalmente. Então é mais um desabafo natural que vai reverberar pela música, do que uma obrigação de mostrar para o mundo o que está acontecendo aqui. Mas ao mesmo tempo, por que não explicar a situação para pessoas alheias a nossa realidade? Acho que o mundo deve entender a gravidade da nossa situação, já que ainda existe gente aqui no Brasil que não entendeu. Existem muitas diferenças entre os públicos brasileiro e gringo? A nossa postura é sempre a mesma, procuramos entregar 100% nos shows e na interação com a galera. Obviamente existem diferenças culturais, mas fomos muito bem recebidos nos EUA, eles têm um senso de comunidade na cena musical muito elevado, estão sempre prontos pra ajudar. O mosh pit é menos violento e mais dançante por lá. E como aqui, sempre rola aquele papo bom na barraca do merch tomando aquela gelada pós-show. Com o avanço da vacinação, artistas estão retornando aos palcos. Como está a agenda de vocês? Pretendem voltar a se apresentar em breve? Nossa agenda está zerada, não temos nem previsão para voltarmos aos palcos aqui no Brasil. Temos ouvido de produtores que provavelmente os shows voltem somente ano que vem, para o fim do primeiro semestre. A gente torce pra que as coisas melhorem antes disso porque está sendo torturante ficar sem tocar. Além de Cattle Life, e do lançamento de Make Yourself at Home, quais são os próximos passos do Abraskadabra? Pretendem lançar mais videoclipes ainda em 2021? A gente tem mais alguns videoclipes engatilhados e algumas surpresas pra esse ano ainda, que infelizmente não podemos revelar! Mas fiquem ligados que vem coisa boa por aí!

Lana Del Rey lança videoclipe de Arcadia e revela data do álbum Blue Banisters

Dia feliz para os fãs de Lana Del Rey! Nesta quarta-feira (8) a cantora lançou o tão esperado videoclipe de Arcadia, além de anunciar a data para o lançamento do seu próximo álbum, Blue Banisters, que chega às plataformas em 22 de outubro. Confira as informações abaixo! Arcadia combina afeto com uma pitada de ironia Delicado, linear e pacato: assim é novo videoclipe de Lana Del Rey. À primeira vista, a cantora usa uma regata e um cardigan na cor amarelo pastel, uma calça jeans destroyed e um chocker que mistura pérolas e miçangas coloridas, remetendo à vibe praiana – que é uma de suas marcas registradas. Ao longo do videoclipe, Lana canta ao mesmo tempo em que dança lentamente, em uma casa de decoração boho. Além disso, o ambiente é completamente iluminado pelas luzes do sol, que trazem ainda mais calma para o trabalho. Na metade do clipe, a cantora aparece imersa em seus pensamentos e seu corpo é ocupado por lembranças de lugares afetivos para ela. No entanto, nem só de doçura vive a artista. Em um trecho de Arcadia, Lana Del Rey agradece ao ódio que recebe constantemente. “Rumo ao oeste, mais o ódio que eles deram. A propósito, obrigada por isso, no caminho vou rezar por você. Porque você precisa de um milagre, América”. Blue Banisters is coming! Por fim, Lana também publicou hoje, no Instagram, a data de estreia de seu próximo álbum. Intitulado Blue Banisters, a obra será lançada no dia 22 de outubro, sendo que algumas faixas já foram disponibilizadas, como por exemplo: Text Book e Wildflowers. Este será o segundo álbum da cantora em 2021, já que Chemtrails Over The Country Club foi lançado em março.

Entrevista | Blind Pigs – “São Paulo Chaos já tinha letras que atacavam a extrema-direita”

Na última sexta-feira (3), o Blind Pigs anunciou o relançamento de São Paulo Chaos, primeiro álbum de estúdio da banda de punk rock. Há 25 anos, o disco foi lançado pela gravadora Paradoxx Music e produzido por Jay Ziskrout, ex-baterista do Bad Religion. Além disso, a obra também foi distribuída pelo selo Grita! nos EUA, Europa e Japão. A princípio, a banda era composta por Henrike, Gordo, Mauro, Fralda e Arnaldo e, para ambos, o lançamento do álbum foi uma experiência única e um divisor de águas em suas carreiras, já que pela primeira vez, os paulistas entravam em um estúdio para trabalhar com um produtor experiente. E para celebrar os 25 anos desse disco tão importante, São Paulo Chaos ganhou uma edição limitada de 250 cópias. Em resumo, a nova versão conta com vinil colorido, capa gatefold, encarte com fotos inéditas da época do lançamento e, também, masterização do Jay Ziskrout. Desta vez, o lançamento é assinado pela gravadora norte-americana Pirates Press Records. Além disso, a banda também lançou um cartão postal que toca a faixa Verão de 68, que aborda os tempos de luta contra a ditadura militar brasileira. Para falar mais sobre o relançamento de São Paulo Chaos, o Blog n’ Roll conversou com o vocalista da Blind Pigs, Henrike Baliú. Além do LP, o artista também relembrou momentos especiais da trajetória da banda paulista, além de comentar sobre a banda Armada. Por fim, Henrike também lamentou a atual situação política brasileira e deixou um recado: “Fora Bolsonaro”. São Paulo Chaos permanece um álbum provocativo, mesmo 25 anos após o seu lançamento. Em tempos de um Brasil que flerta com o fascismo, é possível afirmar que a obra é ainda mais provocativa hoje, do que em 1996? Eu considero sim várias músicas do São Paulo Chaos super atuais, apesar de terem sido feitas há 25 anos. Você pega, por exemplo, Conformismo e Resistência e é uma música que sempre será atual, já começa por aí. E você vê também que no São Paulo Chaos, a banda já tinha letras que atacavam a extrema-direita. Aliás, o disco já começa com Fuck The TFP (Foda-se a TFP, sociedade brasileira em defesa da tradição, família e propriedade). Então desde a época das demos do Blind Pigs, eu já escrevia letras que atacavam o neofascismo brasileiro. Então sim, todos os discos do Blind Pigs têm um “quê” de atualidade. São músicas que você vai poder tocar toda hora e elas sempre vão ser atuais. Quais foram os aprendizados mais valiosos ao longo desta trajetória? O Blind Pigs não existe mais desde 2015, mas é engraçado que a formação que gravou o São Paulo Chaos (eu, Gordo, Fralda, Mauro e Arnaldo), quando o Blind Pigs chegou ao fim, na formação estávamos eu Gordo, Mauro e o Arnaldo. Então foi legal que a Blind Pigs acabou com quatro integrantes que gravaram o São Paulo Chaos, que foi o primeiro álbum da banda. Cada integrante deve ter aprendido alguma lição (risos). Não sei que lição aprendi, talvez musicalmente falando, aprendi a abrir um pouco mais os horizontes musicais, escutar outras coisas (não só o punk rock) e até flertar com outros estilos, assim como hoje faço com o Armada. Os processos criativos e produtivos passaram por alterações com a maturidade dos integrantes? Atualmente, de que forma ocorrem esses processos (composição, gravação, produção) em seus projetos solos? Dentro do Blind Pigs variava muito. Ou o Gordo vinha com um riff, uma melodia pra eu colocar a letra em cima. Ou eu vinha com uma letra já inteira pronta, pra ele colocar uma música em cima. De vez em quando o Mauro vinha com uma música e uma letra mais ou menos pronta e eu inseria a letra. Depende, a gente nunca seguiu uma linha de composição, como por exemplo: “tem que ser assim, assim que nós fazemos músicas”. Não, sempre foi diferente, cada um sempre teve a sua doideira. A letra de Verão 68 relata as vivências de Margô, uma jovem de classe média que decide lutar na guerrilha urbana contra a ditadura militar brasileira. Qual é a sua sensação ao se deparar com os eleitores fanáticos do presidente Jair Bolsonaro reivindicando pela volta da ditadura, em pleno 2021? Acho um extremo absurdo, patético e ao mesmo tempo assustador, ver pessoas flertando com esse neofascismo tupiniquim. Achei que a ditadura tinha ficado para trás, né? Tanto é que em 2000, o Blind Pigs lançou a música Órfão da Ditadura, que também é super atual. Então, acho assustador e ao mesmo tempo patético, é uma mistura de emoções. Vamos ver o que o 7 de setembro aguarda pra nós, brasileiros. Já existem projeções para um retorno aos palcos em 2022? E um possível show especial para celebrar o LP comemorativo de 25 anos do primeiro álbum? Como a banda não toca desde 2015, não existem planos para fazer nenhum show comemorativo do Blind Pigs, nem nada assim. Por enquanto, a gente só está conversando entre si sobre esses lançamentos, que estão sendo bem bacanas. Mês que vem a Pirates Press Records lança mais um disco do Blind Pigs; vai ser um picture disk do Blind Pigs bem bacana chamado The Last Testament [O Último Testamento]. Mas a Blind Pigs não tem planos de ressuscitar, por enquanto. São Paulo Chaos foi responsável por tornar a Blind Pigs reconhecida não só no Brasil, mas também em outros países. Qual é a relação de vocês com o público estrangeiro? Eu lembro que quando saiu o São Paulo Chaos em CD pelo Grita!, no mundo inteiro, foi muito interessante, porque no CD tinha o endereço da caixa postal do Blind Pigs E aí eu ia toda semana lá na caixa postal e estava sempre abarrotada de cartas do mundo inteiro. Então era muito louco. Uma vez eu recebi uma carta de um detento americano no Texas, que tinha o CD. Recebi algumas cartas de Cuba, olha que interessante! Também recebi muitas cartas de países da América Latina, especialmente do

Entrevista | Superbrava – “Hoje em dia nós já sabemos um caminho a seguir em relação à musicalidade”

Lançado na segunda quinzena de junho, o EP Natural é o mais novo trabalho da Superbrava. Em resumo, o material é composto por cinco faixas que mergulham nas situações e sensações do cotidiano, com um olhar sensível, leve e vulnerável. Com influências de bandas como Garage Fuzz, Noção de Nada, Samiam (cuja uma das músicas deu origem ao nome da banda Superbrava), Sense Field e Farside, o grupo está na ativa com seu segundo registro. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista Rodrigo Dido entrega mais detalhes sobre a produção de Natural, além de comentar a nova fase do quinteto e os próximos passos da banda santista. Novo EP e videoclipes As canções de Natural são capazes de gerar identificação de forma fácil, afinal, foram inspiradas em situações que ocorrem com frequência no dia-a-dia. Cinco faixas integram o repertório: Ininterrupto, Peso de Tudo, Natural, Pílula e Trilha. “Apesar do infame trocadilho, as composições surgiram de maneira bem natural mesmo, com base no que vemos e vivemos diariamente, seja sobre situações corriqueiras que tanto nós, quanto amigos e pessoas do dia-a-dia vivemos”, explica Dido. Gravado e produzido por Nando Basseto (guitarrista do Garage Fuzz) e também pela Superbrava entre março e novembro de 2020, no Estúdio Play Rec, em Santos, o novo EP faz uma imersão entre o emo, pop punk e hardcore melódico. A faixa-título já recebeu um lyric vídeo antes do EP ser lançado e a banda já está com outros lançamentos no forno: “temos sim intenções de lançar mais um dois videoclipes, tendo um inclusive já pronto e prestes a ser lançado em breve”. Produção do Superbrava na pandemia O setor musical, assim como diversos outros setores, precisou se adaptar em tempos de pandemia. E com Superbrava não foi diferente. Dido comenta sobre os desafios de produzir um EP completo sem o contato físico dos cinco integrantes. “A pior parte de se produzir na pandemia, apesar de todas as faculdades tecnológicas de produzir de maneira remota, é justamente a falta de contato físico, o olho no olho, aquela emoção e feeling de se encontrar e pré-produzir o material. Mas mesmo com todos esses empecilhos, conseguimos nos empenhar bastante (muita coisa já tínhamos quase que pronto)”. Contudo, foi neste cenário de mudanças que mais um integrante chegou à Superbrava: o guitarrista Vinicius Frutuoso. “A entrada do Vini nas guitarras agregou muito, pois ele já conhecia a banda. Já tínhamos uma sintonia muito boa, e ele só somou com todo seu talento e musicalidade dentro das músicas do EP Natural”, comenta Dido. Coletivo Sardinhada e apresentações do Superbrava Em fevereiro, a Superbrava realizou uma apresentação para a primeira edição online do Coletivo Sardinhada, que também contou com apresentações das bandas O Último Banco do Bar e A Casa Imaginária. Em conclusão, a ação foi realizada com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc e foi o único evento no qual a banda se apresentou. “Fizemos apenas uma apresentação para o Coletivo Sardinhada (coordenado por amigos de algumas bandas de São Vicente), e desde então nunca mais nos encontramos fisicamente, seja para ensaio e conversas sobre a banda”. Apesar vacinação em massa, Rodrigo Dido acredita que ainda é cedo para pensar em apresentações ou shows. “Acredito que até que a última pessoa seja vacinada, não podemos nos comprometer em fazer pequenas ou grandes aglomerações em casas de show. Ou seja, até que esse vírus seja totalmente esvaecido. Mas talvez façamos alguma coisa em questão de apresentação, talvez outra live. São ideias que ainda estão bem verdes pra gente”, finaliza. Todas as Cores Em junho de 2019, a Superbrava lançou o seu primeiro EP, intitulado Todas As Cores. Em síntese, o trabalho foi produzido pela Seein Red Records, com gravação, mix e masterização de Nando Basseto, no Playrec Estudio. Composto por sete músicas, o EP aborda temas como diversidade, empatia e acolhimento. Passados dois anos desde o primeiro registro da banda, hoje a Superbrava é musicalmente mais madura e sabe quais caminhos percorrer. “A diferença de Todas as Cores pra Natural é que hoje em dia nós já sabemos um caminho a seguir em relação à musicalidade. Aliás, tem também a responsabilidade de sermos uma banda da qual as pessoas já esperam alguma coisa, eu acho. Todas as Cores foi quase uma brincadeira de amigos que pra nós deu muito certo; Natural é a consolidação de uma musicalidade que estamos construindo nesse caminho até esse momento”, afirma Dido.

Pharrell Williams e Jay-Z lançam videoclipe potente; conheça Entrepreneur

Na sexta-feira (21), Pharrell Williams e Jay-Z lançaram um videoclipe potente, emocionante e necessário. Em resumo, Entrepreneur contempla os empreendedores negros dos Estados Unidos.  O trabalho reúne, ao mesmo tempo, diversas histórias inspiradoras e conta um pouco sobre a ascensão de cada pessoa mencionada. O clipe foi dirigido por Calmatic, por meio da Prettybird Production.  Ademais, a canção transmite coragem para dar o primeiro passo, em uma sociedade imersa no racismo estrutural. “Nesta posição sem escolha, um sistema aprisiona meninos negros. Distraia com ruído branco, os que sofreram lavagem cerebral tornaram-se garotos exagerados”, diz um trecho da música. A faixa foi produzida por The Neptunes.   Os empresários apresentados em Entrepreneur são: Issa Rae, Nipsey Hussle, Tyler, The Creator, Robert Hartwell, Six Sev, TyAnthony Davis (fundador da Vox Collegiate Junior High), Vincent Williams (fundador da Honey’s Kettle), Iddris Sandu, Beatrice Dixon (fundador da Honey’s Pot), Arthell & Darnell Isom (fundador da D’ART Shtajio), Neighbors SkateShop, Alrick Augustine, Denise Woodard (fundador da Partake Cookies),Chace Infinite (fundador da Harun Coffee Shop), Chef Alisa (fundador My Two Cents), Debbie Allen (fundador da Tribe Midwifery), Angela Richardson (fundador da PUR Home), Miss Bennett Fitness, Black and Mobile, Trill Paws Dog Accessories, Third Vault Yarns, e Nicholas Johnson, “O Primeiro Orador da Turma Negro da Faculdade de Princeton”.  Por fim, esta parceria entre Pharrell e Jay-Z é inédita. Anteriormente, Pharrell participou de APESHIT, música de Beyoncé e Jay-Z no álbum Everything Is Love, de 2018.  Projetos Pharrell também colaborou para a renomada revista norte-americana TIMES. O cantor trabalhou na curadoria do projeto The New American Revolution, composta por diversos artigos e entrevistas com líderes negros. O material tem como objetivo abordar o passado (e presente) opressor dos Estados Unidos, além de reunir projeções para um futuro melhor.   O projeto está disponível no site da revista, de forma bastante organizada. O The New American Revolution inclui perspectivas de Kenya Barris, Imara Jones, Naomi Osaka, Tyler, the Creator, entre outros. Para potencializar o diálogo, Pharrell incluiu entrevistas com Yara Shahidi e Angela Davis.