Strung Out retorna visceral, pesado e sombrio em Dead Rebellion

A banda californiana Strung Out lançou o décimo álbum de estúdio, Dead Rebellion (Fat Wreck Chords). A boa notícia é que aos 35 anos de carreira, o grupo segue mostrando que tem lenha demais para queimar. Dead Rebellion é o primeiro disco do Strung Out desde Songs Of Armor And Devotion, de 2019, além de debut com o novo baterista Daniel Blume. Pesado, sombrio e visceral, Dead Rebellion é definitivamente um álbum do Strung Out que contém todas as características pelas quais a banda é famosa. Quem escuta Dead Rebellion consegue identificar um pouco de influência de outros álbuns deles em cada faixa.
Fresno celebra carreira com o álbum Eu Nunca Fui Embora – Parte 1

A Fresno lançou a primeira parte do novo álbum, Eu Nunca Fui Embora. Ao longo de sete faixas, o décimo trabalho de estúdio aborda as diferentes facetas de relacionamentos e recebe Pabllo Vittar como participação especial em Eu Te Amo / Eu Te Odeio (Iô-Iô). “Não tenho dúvida de que este é o disco da nossa carreira”, sentencia Lucas. Pode até parecer exagerada, mas esta afirmação chega em um dos melhores momentos da história da banda. A maturidade deles também se reflete em como trabalham cada disco: Lucas, Vavo e Guerra criam os próprios padrões dentro da indústria musical. Assim como fizeram com o projeto INVentário (2021) — lançamento de uma série de singles que aqueceram os fãs para a chegada do disco Vou Ter Que Me Virar (2021) —, eles optaram por dividir o novo álbum em duas partes. “Foram muitas horas preparando um negócio que queremos que seja tão marcante quanto inspirador, e, se a gente soltasse tudo de uma única vez, ninguém ia ter ‘memória RAM’ pra processar tudo. Nem a gente”, comenta Lucas. A segunda parte está prevista para o meio deste ano, junto ao início da nova turnê. A Fresno mescla o factual com o imaginário em Quando o Pesadelo Acabar, que conta com uma crítica aos resquícios do último governo e acordes pesados. “É uma reflexão sobre a época do governo anterior, mas acho que é bem atemporal no sentido de que, às vezes, sem perceber, mostramos para o mundo só o pior de nós”, sintetiza Lucas. Me and You (Foda Eu e Vc), por sua vez, parte de um simples questionamento: ‘por que não escrever sobre relacionamentos que deram certo?’. O resultado é uma canção dançante que não dá espaço para tristeza. Na sequência vem Eu Te Amo / Eu Te Odeio (Iô-Iô), composição baseada no single Io-Io, do Trem da Alegria com a Xuxa, de 1988. Ela traz a participação de Pabllo Vittar e foi criada depois de um sonho do vocalista. “Estava na hora de termos uma parceria com a Pabllo e assim que comecei produzir esse som, entendi que seria perfeito para ela”, explica Lucas, que completa: “é uma música um pouco mais bem-humorada do que o normal da Fresno, mas ao mesmo tempo pesada e sensual”. Já Camadas e Pra Sempre abordam questões da vida adulta e de um relacionamento amoroso com maturidade. “Elas têm o drama, a beleza, a coisa suave e as contemplações”, conta Lucas. O encerramento da primeira parte de Eu Nunca Fui Embora fica a cargo de Interlude, um poema musicado com samples de todas as canções do álbum. “Conta um pouco sobre o que é nunca ir embora e tem participação de nós três nos vocais. É um poema relacionado com a história da Fresno e como a gente se enxerga como pessoas”, finaliza Lucas. Anteriormente, o grupo já tinha apresentado a faixa-título, Eu Nunca Fui Embora. Os lançamentos da Fresno se desdobram para além da música: o novo momento do trio apresenta uma identidade visual renovada, inspirada no final da década de 1970. O processo de impressão adotado para os materiais de Eu Nunca Fui Embora é a risografia — algo equivalente a uma xerox colorida com quatro cores que dá um aspecto de bolinhas e tem cores vibrantes, semelhante a uma foto de revista. “Sempre buscamos essa estética manual, não é apenas um filtro de Photoshop”, afirma Lucas. Sucessor de sua alegria foi cancelada (2019) e Vou Ter Que Me Virar (2021), responsáveis por ressignificar a Fresno e sua trajetória, Eu Nunca Fui Embora mostra como Lucas, Vavo e Guerra conseguem se reinventar e entregar composições atuais mesmo com o passar dos anos. “São as melhores canções de toda a nossa carreira”, conclui o vocalista.
Rebeca assume a composição em Espiral, novo álbum lançado pela Deck

Por meio de um mergulho criativo de escrita diária, a niteroiense Rebeca começou a escrever, ainda na pandemia, as canções que integram agora Espiral, o seu segundo álbum solo, lançado pela Deck. “Antes eu tinha uma abordagem mais tímida, criava com base nas letras de outros compositores. Decidi então descobrir a minha identidade musical, sem me ‘esconder’ atrás de outras composições”, divide a cantora, que contou com a parceria da artista Manny Moura durante essa escrita. Gravado entre 2020 e 2024 em Niterói, Rio de Janeiro, São Paulo, Boston e Los Angeles, o disco tem produção musical assinada por Rebeca e Rodrigo Martins, indicado ao Grammy Latino por seu trabalho com o cantor Rubel. “O conceito das músicas evoluiu muito durante a produção, refletindo minha busca para entender quem sou e explorando meus relacionamentos, não apenas amorosos. Abordei minhas reações diante de frustrações, reconhecendo-as e recalculando a rota. Falo sobre medo, desejo, vulnerabilidade, desistência e o espaço para o novo. É uma fase de transição entre os meus 24 e 28 anos, vivendo em três cidades: Niterói, São Paulo e Rio”, compartilha a artista que tem – só no Spotify – mais de 600 mil ouvintes mensais e ficou conhecida por participar do The Voice em 2015, além das performances e canções pela banda Gragoatá e feats com Rubel, Julio Secchin, entre outros. A sonoridade das faixas traz influências de artistas ouvidas por Rebeca durante a construção do trabalho, como Joni Mitchell, Phoebe Bridgers, Lana Del Rey, Bjork, Clairo, Adrianne Lenker (Big Thief) e Adriana Calcanhoto. De caráter confessional, as músicas trazem a voz como ponto central para expressar os sentimentos retratados nas composições. “Meus arranjos vocais são elementos fundamentais na identidade das minhas músicas. A voz, para mim, é mais do que a melodia principal, é meu instrumento principal de expressão por meio do qual exploro noções rítmicas e harmônicas”, conta Rebeca.
Ruby lança seu primeiro álbum, “Atitude”; ouça!

Conhecida pelo seu talento e empoderamento, Ruby lançou Atitude, o primeiro álbum da carreira. O novo projeto é autoral e traz toda a versatilidade artística da cantora, que entrega neste projeto sensualidade, reflexão, representatividade e ancestralidade. Como as facetas de uma pedra preciosa, Ruby mostra nesse álbum sua verdade, toda a sua pluralidade musical e também sua visão social, demonstrando o poder da mulher negra através de sua arte. Aliás, esse é um tema que a artista faz questão de trazer em seus projetos. Em seu último EP, 5quenta Tons da Preta, ela trouxe em suas faixas temas como autoestima e empoderamento. Com 11 músicas inéditas, o álbum traz um conceito mais urbano, misturando o afrobeat, com funk, pop e rap. O repertório do novo álbum foi escolhido minuciosamente e visa apresentar todos os aspectos dessa multitalentosa artista. O single Tudo Meu, com participação do rapper Rincón Sapiência, já foi apresentado no mês passado como aquecimento. Agora, o público também pode se preparar para ouvir o projeto completo, com destaque para o feat entre Ruby e o cantor IZRRA, na faixa Brinca Comigo. A faixa, que tem uma letra apimentada e dançante, também chega acompanhada de um clipe especial com a mesma pegada. Além de protagonizar as cenas do videoclipe de Tudo Meu e Brinca Comigo, a artista ainda participou de todos os processos envolvidos no projeto, como o roteiro e a direção, juntamente com Renan 1RG, e a confecção dos looks utilizados. O álbum ainda tem a masterização pelo renomado produtor americano Obie Bryan, que produziu grandes nomes da música internacional, como Bon Jovi. “Estou muito feliz com o resultado desse trabalho. Precisei de muita atitude para produzir esse álbum, no qual participei de cada detalhe e tem minha assinatura em tudo. São onze faixas inéditas, cada uma com sua respectiva relevância na sociedade e na vida das mulheres. Foi uma honra poder contar com a participação do Rincón Sapiência e do IZRRA, dois artistas que tanto admiro e me inspiram”, comenta Ruby. Ouça Atitude, de Ruby Tracklist álbum Atitude BesteirinhaEu não vou te darSuperaTodo diaTomaPosso FilmarDeixa eu te machucarBrinca Comigo feat com IZRRACalcinha de pedraTudo Meu feat com Ricon SapiênciaBaby Boy
Tuyo transforma o comum em extraordinário em “Paisagem”

Uma nova paisagem está prestes a surgir no horizonte do universo musical da Tuyo. Tendo a contemplação do comum como tema central, a banda lançou o álbum Paisagem, que reúne participações de Arthur Verocai, Luedji Luna e Joca. Aliás, no disco o soul clássico consegue encontrar o hiperpop, o R&B culmina no house e o xote encontra o Jersey Club com naturalidade. “Paisagem começa nesta ação de pedir calma com pressa, pedir silêncio gritando”, sintetiza Lio. Como um convite para ver o conhecido sob uma nova perspectiva, o disco dissolve as fronteiras entre os gêneros e dá destaque à música preta. “Por ter nascido num período de movimento migratório da banda, ele ganha essas imagens de linhas meio disformes, levemente tortas de um mapa, mas que ao olhar de cima, a gente sabe que leva pra algum lugar e consegue decidir pra onde”, completa a cantora. Devagar, escolhida para abrir o trabalho, é um feat com Joca e funciona quase como um aviso ao ouvinte do tema que cerceia o álbum e um pedido para absorver o que está por vir nos próximos minutos. Ela traz uma conversa sobre velocidade e aceleração com uma lírica que pede calma e atenção aos detalhes. “Esse cabo de guerra entre velocidade e serenidade faz com que Paisagem comece dinâmico, já propondo questões atemporais e colocando o ouvinte como interlocutor”, conta Lio. A faixa foco Apazigua, por sua vez, mescla a sonoridade clássica do maestro carioca Arthur Verocai com a do beatmaker, produtor e DJ mineiro VHOOR. Com uma mistura de elementos tradicionais da música brasileira, citação à O Xote das Meninas, de Luiz Gonzaga, e tendências contemporâneas, a obra resulta em um som que é familiar e, ao mesmo tempo, inovador, em uma narrativa sobre encontrar paz além da dor. “Pra mim foi um prazer trabalhar com essa banda que faz música com o coração”, comenta Verocai. O desenrolar deste encontro é documentado no clipe que acompanha o disco e tem direção de Laís Dantas. Me Distraí, Dentro Dessa Noite e O que Você Quer oferecem uma rica experiência de sons e sensações. A primeira mergulha em uma mescla de house, amapiano (gênero originário da África do Sul) e afrohouse, tecendo uma metalinguagem que reflete sobre o processo criativo, as pausas necessárias e a alegria de compor; já a segunda explora ritmos do reggaeton. “Ela carrega o contraste entre a vontade de sair e o medo de ficar”, conta Lio. Além de Lucs Romero e da banda, esta música tem produção de JLZ, assim como em Escuro Total, que adiciona uma camada extra de introspecção ao álbum ao abordar a metalinguagem e a liberdade de expressão, com toques de chill baile e charme. O que Você Quer adentra um universo de electro pop, lo-fi, ambiente e trip hop ao questionar a própria relevância e as inseguranças do dia a dia. Última música de Paisagem, Tudo Volta serve como uma ponte que liga o presente ao passado e honra as influências que moldaram a sonoridade da Tuyo desde a adolescência. Dinho Almeida, dos Boogarins, contribui com a canção com sua marca registrada: as guitarras psicodélicas. Esta colaboração enriquece a faixa e aborda sobre a lei do retorno e a natureza cíclica do tempo, e sugere que a contemplação e a disposição para encarar desafios são essenciais para o renascimento e o início de novas fases. “Tudo Volta não é apenas um final para Paisagem, mas também um convite à reflexão e reforça a ideia de que os finais podem ser os prelúdios de novos começos”, conclui Lio. Paisagem se desdobra ainda em uma turnê, que estreia em São Paulo, na Audio, no dia 17 de maio; e depois segue para o Rio de Janeiro, no Circo Voador, em 31 de maio; Porto Alegre, no Opinião, no dia 15 de junho e Vitória, no Festival MovCidade, em 17 de agosto. Novas datas e locais serão anunciados em breve. Ouça Paisagem, de Tuyo
Albatroz: álbum de estreia aposta no minimalismo selvagem dos anos 90

A verve crua do rock da década de 1990 dá a tônica do álbum de estreia do powertrio Albatroz, de Porto Alegre, produzido no mítico estúdio Toca do Bandido (RJ). O lançamento é do selo Toca Discos. Formada em 2021, com nome inspirado em um icônico poema francês – pai do simbolismo – Charles Baudelaire, a Albatroz une a experiência do baterista Mumu (El Negro e Veraloca) com músicos da nova geração do rock sulista, Henrique Albani (guitarra e vocal), José Otávio Larrea (baixo). O debute, homônimo, com produção de Felipe Rodarte, é um prato cheio de ironia e sujeira. Traz 11 faixas que remetem ao grunge e ao rock alternativo noventista eternizado por Nirvana, Pixies e Leonard Cohen. São músicas que apostam no minimalismo selvagem do rock de guitarra, baixo e bateria, sem overdubs e apenas com poucos backing vocals. Possuem riffs, vocais e batidas rasgadas, carregando a rebeldia simplória e estimulante do rock perpetrado nos anos 90. A faixa de abertura, Flor de Liz, apresenta momentos limpos que de repente ganham uma abismal sujeira. Na música seguinte, Thorazine, o peso encorpado é latente, que remete também aos petardos do Stone Temple Pilots. Albatroz é um enorme pássaro cego de um olho em ruas gritantes, pragmático, Albatroz é William Burroughs almoçando nu, em busca de respostas. Albatroz é, ainda, uma cicatriz pútrida da infância.
Gary Clark Jr reúne Stevie Wonder e George Clinton em novo álbum; ouça!

JPEG RAW, quarto álbum de estúdio de Gary Clark Jr., está entre nós. Aliás, vem com vários convidados especiais, como a cantora e compositora Valerie June, a vocalista Naala, o trompetista de jazz Keyon Harold, o lendário Stevie Wonder e o padrinho do funk, George Clinton. Entre os destaques do disco estão Don’t Start, feat com Valerie June, This is Who We Are, com Naala compartilhando o vocal principal com Clark, além de What About the Children, com Stevie Wonder assumindo a linha de frente. A divertida Funk Witch U conta com George Clinton improvisando nos backing vocals. Mas, claro, com Gary Clark Jr dando um show à parte na guitarra.
Mad Caddies revela Arrows Room 117, o primeiro álbum desde 2018

O Mad Caddies lançou o oitavo álbum de estúdio, Arrows Room 117, o primeiro desde 2018. O sucessor de Punk Rocksteady, que trouxe versões em ska de Bad Religion, Nofx, Lag Wagon, entre outras bandas, conta com 12 músicas em 41 minutos. Com a reconhecida mistura de reggae, rock, ska e um pouco de country, o Mad Caddies fez um disco que funciona como uma apresentação de dor, amor e recomeços. “É definitivamente o mais pessoal para mim. A história do álbum é sobre mim e minhas viagens pela Califórnia para ver meu filho em Lake Tahoe, que está prestes a completar nove anos”, comentou o vocalista e guitarrista, Chuck Robertson, em entrevista ao Los Angeles Daily News. A faixa-título, aliás, foi escrita no quarto 117 do hotel onde ele fica quando vai ver o filho. Mas é mais sobre o drama e as fofocas de uma pequena cidade do que sobre seu filho. “Viemos de uma cidade pequena, Solvang, e ainda moro lá. E as pessoas em cidades pequenas falam”, comentou Robertson. Ele também presta homenagem à namorada no single Green Eyes, uma canção de amor reggae desencadeada por suas viagens. O som traz o acordeão de Brian Mann, que já tocou em discos de Oingo Boingo, Kenny Loggins e David Lee Roth. A outra canção de amor da banda é para seu estado natal, a Califórnia, intitulada Palm Trees and Pines. “É a música quintessencial da Califórnia. Sabemos o que é o nosso estado e como ele é bonito, mas outras pessoas no mundo pensam que a Califórnia é apenas Los Angeles e São Francisco. Mas não, temos as palmeiras e os pinheiros, temos as belas florestas, os lagos, os rios, os desertos, temos tudo”, disse ele.
Os Grammys são dela! Beyoncé impressiona no álbum Cowboy Carter

O oitavo álbum de estúdio de Beyoncé está disponível em todo o mundo agora. Act II: Cowboy Carter chega após o lançamento bem-sucedido de dois singles, Texas Hold ‘Em e 16 Carriages, em 11 de fevereiro, no Super Bowl. Texas Hold ‘Em alcançou nove paradas de gêneros musicais diferentes nos EUA, incluindo Pop, Hot AC, Country, Rítmica, Urbana e R&B, e fez história com Beyoncé se tornando a primeira artista negra feminina a alcançar o primeiro lugar na parada Hot Country Songs e o primeiro lugar na parada Hot 100 com uma música country. Também passou quatro semanas no topo das paradas de música do Reino Unido. Cowboy Carter, produzido executivamente por Beyoncé, trata de gêneros, todos eles, enquanto está profundamente enraizado no country. Este é o trabalho de uma artista que prospera em sua liberdade para crescer, expandir e criar sem limites. Não pede desculpas e não busca permissão para elevar, amplificar e redefinir os sons da música, enquanto desmantela normas falsas aceitas sobre a cultura americana. Presta homenagem ao passado, honrando os pioneiros musicais no country, rock, clássico e ópera. Álbum vai do country ao black folk, passando por blues O álbum é uma cornucópia de sons que Beyoncé adora e cresceu ouvindo, entre visitas e eventualmente performances no Houston Rodeo – country, rhythm & blues original, blues, zydeco e black folk. O álbum se envolve em pura instrumentação em um autêntico e celebratório gumbo de sons, utilizando, entre outros, o acordeão, gaita, washboard, violão acústico, ukulele baixo, guitarra pedal steel, um Vibra-Slap, bandolim, violino, órgão Hammond B3, piano de tachas e banjo. Também há muitas palmas, passos de ferradura de cavalo, batidas de botas no chão de madeira e sim, essas são as unhas de Beyoncé como percussão. “A alegria de criar música é que não há regras,” diz Beyoncé. “Quanto mais vejo o mundo evoluindo, mais sinto uma conexão mais profunda com a pureza. Com inteligência artificial, filtros digitais e programação, eu queria voltar aos instrumentos reais, e usei alguns muito antigos. Eu não queria algumas camadas de instrumentos como cordas, especialmente guitarras e órgãos perfeitamente afinados. Mantive algumas músicas cruas e mergulhei no folclore. Todos os sons eram tão orgânicos e humanos, coisas do dia a dia como o vento, estalos e até o som de pássaros e galinhas, os sons da natureza.” Lembrança do Oeste E a inspiração também leva em conta a cultura do Sul e do Oeste além da música, o Rodeio, filmes do Oeste e as histórias dos cowboys originais do Oeste. Foi no Rodeio onde ela primeiro viu diversidade e camaradagem entre pessoas que amam a música country e um estilo de vida americano, enraizado na comunidade, na oferta culinária, nos churrascos e nas roupas do Oeste. E era para todos. Entre as multidões estavam cowboys negros, hispânicos e nativos americanos, que fizeram suas valiosas e autênticas contribuições para a cultura. Suas histórias são sinônimas da história americana. A música é envolta por uma torrente de narrações apaixonadas e audaciosas que cativam o ouvinte com a voz poderosa e familiar de Beyoncé no centro. Suas vocalizações lançam uma luz cegante sobre uma narrativa imersa na verdade, revelando histórias ocultas e se deleitando em toda a magia que se busca ao fazer uma jornada intencional de volta às raízes. Beyoncé impressiona com mergulho na história Beyoncé é uma estudante de história e ela continua a masterclass da música americana que começou com o Act I Renaissance em 2022, que foi uma imersão profunda na música de dança e seus criadores, e a celebração daqueles que viveram com alegria apesar de se sentirem como excluídos. Em Cowboy Carter, o trabalho de uma artista que criou em seus próprios termos, na ausência de regras, persiste ousadamente. As músicas acariciam, embalam e incentivam a curiosidade do ouvinte através de 27 presentes de surpresas revolucionárias, apagando as limitações impostas à música baseada em gênero. Como produtora, Beyoncé explora e experimenta mudanças de acordes e tonalidades misturando gêneros com facilidade, dobrando e mesclando o inesperado para derrubar todas as barreiras do confinamento musical. É um trabalho raro que pode hospedar tão facilmente remakes de clássicos como Blackbird dos Beatles e Jolene de Dolly Parton com criações sonoricamente diversas como Sweet Honey Buckin, Riiver Dance e Il Most Wanted. “Meu processo é que normalmente tenho que experimentar”, diz Beyoncé. “Gosto de estar aberta para ter a liberdade de colocar para fora todos os aspectos das coisas que amo, então trabalhei em muitas músicas. Gravei provavelmente 100 músicas. Depois disso, consigo montar o quebra-cabeça e perceber as consistências e os temas comuns, e então criar um trabalho sólido.” Cowboy Carter traz inspiração de filmes O álbum é de fato uma experiência. Cada música é sua própria versão de um filme Western reimaginado. Ela se inspirou em filmes como Five Fingers For Marseilles, Urban Cowboy, Os Oito Odiados, Cowboys do Espaço, The Harder They Fall e Os Assassinos da Lua das Flores, muitas vezes tendo os filmes passando em uma tela durante o processo de gravação. Alguns aspectos da percussão foram inspirados na trilha sonora de O Brother, Where Art Thou?, onde era mais bluegrass. Este conjunto de trabalhos oscila entre o cowboy cantor e o Blaxploitation até os Spaghetti western e a fantasia, com Beyoncé tecendo entre experiências pessoais, homenageando a história negra, até a construção de personagens exagerados. A edição limitada do vinil retrata um microfone em forma de arma, à la Thelma e Louise fugindo da lei, mas a arma é invisível, uma realidade hiper-exagerada. Nascimento de Cowboy Carter O personagem, Cowboy Carter, nasceu dessas experiências e foi inspirado nos cowboys negros originais do Oeste Americano. A palavra cowboy em si era usada de forma pejorativa para descrever os ex-escravos como “meninos”, que eram os mais habilidosos e tinham os trabalhos mais difíceis de lidar com cavalos e gado. Ao destruir a conotação negativa, o que resta é a força e resiliência desses homens que eram a verdadeira definição de fortitude ocidental. Enquanto Renaissance era