Súper Terror, novo álbum do El Mató a un Policía Motorizado, chega ao streaming

Após vencer o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em 2022, a banda argentina El Mató a Un Policía Motorizado lançou o álbum Súper Terror, a décima produção deste quinteto que é uma das principais e mais reconhecidas formações da música alternativa da América do Sul. Súper Terror é o esperado sucessor de La Síntesis O’Konor, álbum que marcou uma época para a banda e que também funciona como um gatilho para um novo caminho musical, com novas buscas por completas sonoridades renovadas que continuam a expandir o universo sonoro de El Mató. Composto por dez músicas, entre elas os quatro singles do disco (Tantas Cosas Buenas, Medalla de Oro, Diamante Roto e El Universo), Súper Terror foi gravado e mixado no Sonic Ranch Studios no Texas, Estados Unidos, pelo vencedor do Grammy Eduardo Bergallo. O álbum tem um percurso heterogêneo, sem deixar de se manifestar nas suas formas e registrar um momento especial da banda: o pós-pandemia. A partir daí, inevitavelmente, uma nova rede de significados se conecta: um futuro incerto, rupturas e recomeços, com cada cena contada a partir da poesia certeira de Santiago Motorizado. Alimentado e completado pelas melodias épicas e cativantes que são uma marca registrada do estilo clássico da banda, Súper Terror tem ainda novos paradigmas: novas missões para completar aqueles sons que continuam a expandir o universo musical de El Mató A Un Policía Motorizado. Cada cena é contada com a poesia certeira de Santiago Motorizado, que nos oferece novas músicas para uma nova era, para um novo futuro onde o tempo deixa de ser linear para começar a ser circular, estranho, novo e, às vezes, até perturbador. “Este é um disco que levou muito tempo para ser trabalhado. Para começar, envolveu três viagens ao estúdio Sonic Ranch, e embora tivéssemos um norte, o álbum estava saindo durante as sessões de gravação. Súper Terror tem uma ideia sonora inédita. Musicalmente, poderíamos dizer que tem uma mistura daquela coisa luminosa que a gente ouvia na rádio da época de meninos, nos anos 80, e também do que descobrimos depois, esse outro mundo, alternativo e dark, quando adolescentes”, diz Santiago. Enquanto isso, os argentinos, vencedores do Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em 2022 se preparam para uma turnê que os levará ainda em 2023 pela América Latina, como diversos Primavera Sound, e países como a Espanha. El Mató a Un Policía Motorizado é formado por Santiago Barrionuevo (Santiago Motorizado) na voz e baixo, Guillermo Ruiz Diaz (Doctor Death) na bateria, Manuel Sanchez Viamonte (Pantro Putö) na guitarra, Gustavo Monsalvo (Elephant Boy) na guitarra e Agustín Spassoff (Afloyd) nos teclados.

Canto Cego lança terceiro disco e celebra dez anos de carreira; ouça!

A banda Canto Cego faz de seu aguardado novo álbum de estúdio uma impactante autoafirmação e um marco de uma maturidade artística e criativa. Não por acaso, o trabalho é homônimo, embora seja o terceiro disco da carreira do quarteto carioca. O lançamento multifacetado e repleto de significados celebra não apenas a evolução musical do grupo, mas também sua união e comprometimento ao longo de uma década. “Neste álbum homônimo, estamos fazendo um exercício muito especial de autoafirmação, colocando o nosso nome em destaque, reafirmando a nossa presença, sem medo de deixar uma marca”, afirma a vocalista Roberta Dittz. Além dela, a banda é formada por Rodrigo Solidade (guitarras), Ruth Rosa (bateria) e Magrão (baixo). Em um mundo onde as individualidades ganham cada vez mais destaque, o fato de a banda se manter com a mesma formação por dez anos é por si só uma mensagem de afeto, tolerância e amor. O álbum é um símbolo do comprometimento, dedicação e paixão pela música que permeiam a trajetória da Canto Cego. A mensagem do disco serve como guia para o posicionamento crítico, social e político do grupo, uma veia que pulsa desde seus primeiros lançamentos. Canto Cego apresenta uma seleção de faixas que percorrem todas as potencialidades da banda, desde momentos mais poéticos com ambientações imersivas, até explosões mais roqueiras e barulhentas, com distorções que expressam a essência visceral da Canto Cego. O processo de criação do álbum começou em dezembro de 2022, logo após a aprovação do projeto pelo FOCA (Fomento à Cultura Carioca), mas algumas músicas, como Fogo e Fica Comigo – esta última, lançada como single -, já estavam sendo elaboradas há algum tempo. Com apenas um mês de estúdio localizado no berço de Canto Cego, no Complexo da Maré, a banda finalizou o conceito e os arranjos do álbum em janeiro deste ano, dando início a uma maratona que culmina em um de seus trabalhos mais pessoais até o momento. Por isso, foi importante que a banda assinasse pela primeira vez a produção musical e estabelecesse seu caráter autoral por excelência.

Primeiro álbum solo de Filippe Dias ganha edição em LP duplo

Quando o assunto é guitarra, Filippe Dias é um dos nomes mais interessantes da atualidade. Seu trabalho dentro do blues rock o coloca na linha de frente do estilo no cenário brasileiro. Dias não é aquele tipo de guitarrista espalhafatoso, que jamais perde a chance de se exibir com demonstrações gratuitas de técnica e habilidade. Muito pelo contrário, ele não desperdiça uma nota sequer. Suas composições são sofisticadamente simples, onde cada riff tem um porquê e cada fraseado faz sentido. Filippe também se mostra um cantor competente, cujas linhas vocais funcionam como complemento ao seu estilo de tocar. Os esforços de Filippe Dias vêm sendo reconhecidos e ele acaba de faturar pela segunda vez o Prêmio Profissionais da Música, na categoria Artista de Blues (a primeira vez foi em 2019, quando lançou o EP Boderliner). Como forma de coroar este momento especial de sua carreira, o músico anuncia o lançamento em vinil de seu primeiro álbum solo. DIAS apresenta 11 canções autorais que transcendem as fronteiras do blues rumo à conquista de outros públicos. Filippe se nega a prender-se a rótulos e explora outros elementos musicais, como soul, R&B, jazz, folk e MPB. As letras são bilíngues e propõem reflexões sobre o tempo e seus efeitos. Gravado no Mosh Studios (São Paulo), o álbum foi produzido e mixado por Amleto Barboni, que também assina os arranjos orquestrais. A masterização foi realizada em Los Angeles (EUA) pelo renomado engenheiro de som Brian Lucey, que traz em seu currículo trabalhos com Liam Gallagher, Arctic Monkeys, The Black Keys e Depeche Mode, entre outros. “A ideia de lançar o álbum em vinil era algo que eu tinha em mente desde o início das gravações. Registramos o áudio analogicamente e masterizamos com o Brian Lucey, em Los Angeles, para oferecer a melhor experiência sonora possível ao ouvinte. Para viabilizar a prensagem do vinil duplo, contei com o apoio da Jack Daniel`s Brasil, que se identificou com a autenticidade do som e com a liberdade que pautou toda a produção, valores em comum com a marca”, comenta Filippe. A edição em vinil duplo de DIAS está à venda no site oficial do artista. A versão digital do álbum também está disponível nas principais plataformas de música.

Gabriel Aragão se reinventa em debut solo produzido por Marcelo Camelo

O cantor e compositor cearense Gabriel Aragão surge sentado, em uma manhã, em meio a um parque em uma imagem que remete ao clássico All Things Must Pass na capa de seu disco de estreia solo, Rua Mundo Novo. Se o álbum clássico de George Harrison foi um marco de reinvenção do Beatle, Aragão se encontra em paz, em nova fase de vida e alma pronto para sentir que pra ele tudo passa e ele pode recomeçar. É assim que ele se mostra no debut em que se despe do indie em prol de uma MPB contemporânea. “Pra mim, os conceitos vão se desenhando e ganhando nitidez até pouco depois de lançar, que é quando o público absorve letra e som, ressignifica. Aí eu sinto que fecha o ciclo e fico pronto pro próximo. Em Rua Mundo Novo, percebi, ainda em estúdio, que eu estava falando sobre o nordestino que mora no Sudeste, por vários ângulos: a luta pelo seu lugar ao sol, estranhamento, saudade de pessoas e da terra natal, situações difíceis, adaptação e dar a volta por cima. Nunca passei tanto tempo trabalhando em um disco. Tem sido uma alegria a cada etapa dessa construção ao lado de tantos parceiros desde a composição ao lançamento. Bem desafiador, uma montanha a ser escalada, mas a vista é maravilhosa”, reflete Gabriel. O álbum marca uma fase de renovação artística para ele. O artista recentemente lançou o primeiro EP solo, ABRECAMINHOS, e a releitura de Caminando, Caminando, uma canção de resistência e liberdade composta por Víctor Jara que Aragão regravou ao lado de Mateo Piracés-Ugarte (francisco, el hombre). Os lançamentos vieram na sequência da sua estreia literária, O Livro das Impermanências (Editora Letramento, 2021), do lançamento da trilha para o filme Malhada Vermelha e de mais de uma década à frente da banda Selvagens à Procura de Lei, referência no indie rock nacional. Com participação especial de Laura Lavieri, o álbum traz parcerias com Roberta Campos, Tagore, Mateus Fazeno Rock e com o próprio Marcelo Camelo dialogando liricamente com gerações diferentes. “Esse disco, ao pé da letra, me abriu como compositor e intérprete para novos horizontes. A Sorte, música minha e do Marcelo, foi um gol desses que surgem aos 45 do segundo tempo. Como eu já tinha esgotado as temáticas do disco, nessa, em particular, me inspirei na minha própria viagem a Portugal, vindo do Ceará, com muita garra pra fazer esse disco. Desejos Carnais, minha e do incrível Mateus Fazeno Rock, é uma antiga parceria que apenas agora encontrou um colo pra repousar. Tinha que ser nesse disco, valeu a espera. Sampa Sampa, minha e do Tagore, continua a temática do nordestino no Sudeste, que é algo que permeia todo o disco. Turva, minha e da Roberta, faz parte de uma série de composições que fizemos juntos ao longo da pandemia. Isso fora parcerias com Daniel Medina e Italo Azevedo, compositores de Fortaleza de mão cheia”, reflete Gabriel. Gravado em Portugal em uma imersão criativa no estúdio de Marcelo Camelo, o disco conta com mixagem de Ricardo Riquier e masterização de Carlos Freitas. “O Marcelo resgatou em mim uma leveza para compor que eu tinha esquecido. Talvez por conta da dureza do desgoverno que vivemos, da pandemia que me deixou bem deprê, tantas coisas. Mas lembro que nas primeiras trocar da gente ele me sugeriu deixar o meu lado solar brilhar mais. Isso me fez muito bem no lado da escrita, mas também pessoalmente, sabe? Além disso, acho que quando o produtor também é artista, as coisas levam mais tempo, a gente abstrai muito mais. É luxo se dar tempo para maturar hoje em dia em que tudo é pra ontem, mas deixar as coisas assentarem e dar respiro entre as etapas foi um trunfo que me trouxe até aqui e me sinto preparado pra entregar esse novo som para as pessoas”, reflete Gabriel.

Paura lança Karmic Punishment, oitavo álbum da carreira

O quinteto hardcore Paura acaba de lançar o novo disco Karmic Punishment, o oitavo da extensa carreira. Neste registro, a experiente banda paulistana mostra 13 faixas de um hardcore pesado, agressivo, que trazem debates sobre temas sociais e políticos sensíveis ao Brasil e ao mundo dos últimos quatro anos. Karmic Punishment foi gravado por Thiago Bezerra no Mastery Studio e no Canil Studios, mixado pelo mesmo no Madness Music Studios e masterizado por Will Killingsworth no Dead Air Studios. O álbum também está disponível em CD digipack por meio de uma parceria entre o Paura com os selos Conspiracy Chain, Samsara Discos, Tu.Pank Recs, Two Beers Or Not Two Beers, 255 Recs, Fuck It All Recs, Terceiro Mundo Chaos Discos, Tumba Produções, Distro dos Infernos, Lokaos e Vale do Caos Recs. Os riffs e batidas ainda mais raivosas de Karmic Punishment refletem o período em que a maioria das músicas foi escrita: no ápice da pandemia e o Brasil sob a nuvem negra de uma onda política excludente e mal intencionada. Entre trocas de integrantes e momentos de isolamento devidamente respeitados, a flexibilização permitiu ao Paura voltar a pensar neste novo disco. Assim, todas as músicas pré-escritas foram readaptadas com uma nova formação e a banda voltou ao estúdio. Ou seja, Karmic Punishment é um disco concebido durante todo o período pandêmico em meio ao caos social cotidiano, que assim como para muitos brasileiros, também foi ao Paura um momento bem pesado, com perdas, dor, medo, tristeza, indignação, protestos, enfim, uma intensidade potencializada como nunca. Karmic Punishment é ainda um álbum que traz a gênese do Paura ao longo destes 28 anos de carreira e que tem a própria história como referência para novos lançamentos. As 13 faixas do discos mostram um Paura que buscou inspiração na própria história entrelaçada às referências do dia a dia, nas trocas com bandas antigas e da nova geração, além de um olhar mais específico a nomes que pavimentaram o gosto pessoal dos músicos, como Celtic Frost, Discharge, Motorhead, Cro Mags, Metallica e Sepultura. Em mais um lançamento, o Paura traz seu hardcore pesado e único como voz altiva e incessante contra o racismo, contra o preconceito e contra as polarizações que segregam. “É mais um registro dentro do coletivo. Mais uma bandeira preta fincada. Mais uma força de voz dentro desse coletivo enorme formado por todo mundo que corre junto, que não desiste, que se entrega por algo maior. Vamos fazer muito barulho com o Karmic Punishment, incomodar muita gente, fazer tantas outras felizes. Mas ainda vamos gravar outros discos futuramente”, comenta a banda sobre o álbum.

Francisco, el Hombre transporta o público para um show em “10 AÑOS”

O quinteto Francisco, el Hombre abriu um novo capítulo de sua trajetória e reuniu as músicas mais marcantes de um show da banda no disco 10 AÑOS. O álbum traz 16 faixas, com novos acordes repletos de latinidades e composições que expressam todas as transformações que a Francisco, el Hombre experienciou ao longo da última década. “É a captação do nosso amadurecimento sonoro”, resume Sebastianismos sobre o novo trabalho. 10 AÑOS é a síntese das fases que a Francisco, el Hombre atravessou ao longo dos anos e isso fica claro logo na primeira faixa, que simula mudanças de estações de rádio e gera uma mistura dos acordes marcantes na trajetória do grupo. “A gente conseguiu manter uma sobrevivência da banda sem deixar de botar a cara a tapa, de dizer nossa mensagem e de lutar por aquilo que a gente acredita”, relembra Mateo. E traduzir tais movimentações em algumas faixas da tracklist não foi tarefa fácil, mas uma simples pergunta guiou todo esse processo, segundo Sebastianismos: “quais músicas não podem faltar na nossa festa de aniversário?”. Foi assim que composições dos primeiros trabalhos, como La Pachanga!, do EP de estreia La Pachanga! (2014); e Soltasbruxa, Tá com Dólar, Tá com Deus e Sincero, de Soltasbruxa (2016), foram escolhidas para integrar a obra. Os álbuns Rasgacebeza (2019) e Casa Francisco (2021) também foram contemplados neste resgate, com as faixas mais combativas, entre elas Chama Adrenalina, do primeiro, e as esperançosas e divertidas Nada Conterá a Primavera, Arrasta e Loucura, do segundo. Já canções como Matilha ultrapassam os minutos de suas versões originais e transportam o ouvinte ainda mais para a atmosfera enérgica do show da Francisco, el Hombre (algo alcançado ao incluir na faixa as interações que a banda faz com o público ao vivo). “Sempre fomos conhecidos por reinventar as músicas a cada show e, uma década de turnês e experiências depois, elas soam muito diferentes de como eram originalmente, não queríamos perder esse registro”, comenta Sebastianismos.

Nasi, do Ira!, participa do novo EP da TESS; ouça Mod

O novo EP da Tess, projeto liderado pelo cantor, músico e compositor gaúcho Daniel Tessler, resgata suas raízes musicais, a começar pelo próprio título, Mod. A escolha é uma homenagem explícita ao movimento iniciado na Inglaterra nos anos 1960 que revelou bandas como The Who e The Kinks. O impacto do movimento Mod na cena cultural foi tão forte, que reverberou na década seguinte, desencadeando o surgimento de outro gênero importante, o punk. Para fortalecer ainda mais a ideia que rege o trabalho, Tessler convidou outro fã notório da estética Mod. Nasi, o lendário cantor do Ira!, participa da música Eu Ando Pra Frente. “Daniel Tessler é um artista talentoso que apresenta as qualidades de alguns dos guitarristas do cenário Mod que eu mais gosto e suas novas músicas retratam muito bem isso”, comenta Nasi. “O Nasi sempre foi uma referência pra mim. Ele representa o Norte dentro de uma filosofia roqueira que eu tento praticar. Assim que o EP começou a tomar forma, eu o convidei para fazer uma participação especial. Ele aceitou e aí está! A presença dele é o maior selo de aprovação que eu poderia querer”, declara TESS, com orgulho. A potente Eu Ando Pra Frente, assim como as outras três faixas previamente divulgadas (Eu Não Consigo Entender, As Bruxas e Trauma Beat), exibe uma estrutura simples e direta, sem muitas mudanças de andamento ou arranjos super elaborados. O repertório do EP é conciso e as músicas transmitem uma sensação revigorante de underground capaz de colocar um sorriso no rosto até daqueles ouvintes mais rabugentos. Mod foi gravado no estúdio Track 74 (São Paulo) com produção do próprio Tessler, que demonstrou habilidade ao encontrar uma sonoridade que combina a alta fidelidade das produções atuais com o timbre glorioso das gravações da era pré-digital. E assim que rangem os primeiros acordes, vem à tona aquela energia mágica de som de porão, rock and roll cru e barulhento como se fazia antigamente.