Cinema Cabeça Podcast: Programa promove cinematografia independente do Brasil

Cinema Cabeça Podcast

Filmes de herói e grandes produções das plataformas de streaming em geral já são mais do que parte do dia a dia de quem gosta de cinema e cultura. São pauta da mídia e, principalmente, das rodas de conversa. É com essa perspectiva em vista que o Cinema Cabeça Podcast é lançado. O programa, que é desenvolvido pelo coletivo Cabeça Lab, propõe diálogos diretos e inspiradores especialmente para cineastas iniciantes e apreciadores da cinematografia como um todo, acentuando a vivência no meio independente e refletindo sobre o futuro em meio às dificuldades contemporâneas.  A primeira temporada do Cinema Cabeça Podcast tem apresentação de Yudji Oliveira, conta com sete episódios e já está disponível via Spotify e Youtube.   Conheça alguns dos convidados: Alice Riff Documentarista e produtora formada em Cinema e Ciências Sociais (FAAP, USP). Sua estreia foi no longa-metragem Meu corpo é político, e seu cinema é uma conversa lúcida, que posiciona os personagens em seu real lugar de respeito. Joaquim Castro Diretor e experiente montador de documentários que trabalhou em vários filmes premiados sobre músicos, tais como Jards Macalé, Ney Matogrosso, Benjamin Taubkin, Maria Bethânia, entre outros.  Dellani Lima Cineasta, músico, artista visual e ator paraibano formado em Dramaturgia e Realização em Cinema e Televisão pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Indústria Audiovisual do Ceará/UECE (1996-2000). Gustavo Vinagre Cineasta que brilhou nos festivais BAFICI, Olhar de Cinema e Mix Brasil com Nova Dubai em 2014 e alcançou fama nacional com o curta-metragem Os Cuidados que se tem com o Cuidado que os Outros Devem ter Consigo Mesmos em 2016, obtendo indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Os profissionais Lincoln Péricles, Lia Letícia e Duo Strangloscope completam a lista de convidados da primeira temporada.  Nayê Ribeiro, artista que integra o coletivo Cabeça Lab ao lado de Yudji e de Lucas Negrelli, destaca que o projeto visa abordar a pluralidade criativa à medida que democratiza o acesso ao cinema nacional.  “É sobre expor pensamentos, discutindo o passado, o presente e o futuro da arte brasileira. Queremos dar visibilidade para os artistas, tornando o cinema brasileiro independente, mais acessível ao público e aos iniciantes da área”, frisou.

Crítica | Persuasão

Engenharia do Cinema Realmente a Netflix está cada vez mais se tornando um caso para estudo, pois os caras conseguem estragar até icônicas obras literárias de renomadas escritoras como Jane Austen (“Orgulho e Preconceito“). “Persuasão” não é sua escrita mais famosa, porém ao anunciar que teríamos como protagonista a atriz Dakota Johnson, a produção começou a chamar atenção dos fãs (já que estamos falando de uma escritora, que também tem uma enorme parcela consumidora da franquia literária/cinematográfica “50 Tons de Cinza”). Só que ao conferir o filme, vemos que o roteiro de Ron Bass e Alice Victoria Winslow parecia querer plantar várias sementes, que não deram suas frutíferas.      A história mostra Anne Elliot (Johnson), a filha do meio do Sir Walter Elliot (Richard E. Grant), que sai em viagem com sua futura esposa, e filha mais velha (Yolanda Kettle), deixando sua mansão aos cuidados de Anne. Só que ela não imaginava que durante este período, iria esbarrar com sua antiga paixão Frederick Wentworh (Cosmo Jarvis), que chegou a ter um complexo relacionamento no passado.    Imagem: Netflix (Divulgação) É complicado pensar que estamos falando da pior adaptação de uma obra de Austen. O roteiro realmente parece que sofreu diversos problemas em sua concepção, pois tópicos, abordagens e até mesmo personagens, somem e reaparecem no enredo. Nos minutos iniciais, Johanson consegue captar a atenção do espectador de forma simples e sutil: quebra da quarta parede, e conversa conosco sobre como é seu dia e sua família. Porém, conforme o enredo avança isso é deixado de lado, junto com o teor cômico que estava sendo estabelecido. Apesar da plataforma ter vendido o ator Henry Golding (Mr. Elliot) como um dos protagonistas, ele acaba tendo uma aparição tão breve e mesquinha, que pensamos no motivo do serviço ter usado ele como um dos grandes caracteres da trama. Isso sem citar que Anne e Frederick não possuem química alguma, e é nítido que os atores não estão confortáveis com essa “incentivada” do roteiro. Como estamos falando de um filme de época, o roteiro ainda faz o favor de retratar suas coadjuvantes da maneira mais clichê possível. Temos as irmãs Musgrove, Mary (Mia McKenna-Bruce) sendo a mais mimada e irritante, Louisa (Nia Towle) a mais romântica enquanto Henrietta (Izuka Hoyle) só está ali para tapar algum buraco (que termina sem ser fechado). Chega a ser vergonhoso termos essa forçação de barra, neste tipo de produção. “Persuasão” consegue não só ser a pior adaptação de Jane Austen, como também um filme que tenta ser uma comédia, romance e drama, mas falha até ser em adição no catálogo da Netflix.

Crítica | O Telefone Preto

Engenharia do Cinema Não é novidade que muitos cinéfilos e fãs do gênero horror estavam ansiosos pelo lançamento de “O Telefone Preto“. Repetindo a trinca do diretor Scott Derrickson com o ator Ethan Hawke e o produtor Jason Blum (proprietário do selo Blumhouse), após o sucedido “A Entidade”, de 2012, temos um projeto que capta pela pelo diferencial em seu enredo, apesar de beber um pouco de sucessos recentes de Blum como “Fragmentado“.     Inspirado no curta de Joe Hill rotulado de “The Black Phone”, a história mostra Finney (Mason Thames), um garoto de 13 anos que é sequestrado por um homem misterioso (Hawke). Sem ter como obter uma comunicação com o mundo externo, ele é munido apenas de um telefone preto, cujas ligações são feitas por outras vítimas do mesmo sequestrador e que o ajudam a tentar fugir do local. Imagem: Universal Pictures (Divulgação) O roteiro do próprio Derrickson e C. Robert Cargill procura nos primeiros 20 minutos criar uma atmosfera para mostrar o quão Finney não é do típico protagonista padrão deste tipo de filme, muito menos um grande herói. Ele sofre bullyng na escola, sofre agressões constantes do seu Pai (que não superou o falecimento de sua esposa) e ainda tenta defender sua irmã caçula Gwen (Madeleine McGraw) destas mesmas atrocidades.  Só que nitidamente vemos que a dupla bebeu bastante das referências das obras de Stephen King como “It – A Coisa“, pois há muito da criação do suspense em cima das crianças e Derrickson não exitam em tirar o impacto de cenas relevantes para o filme (como delas sendo agredidas ou regadas a muita violência). Caso este recurso não tivesse sido explorado, provavelmente não haveria tanto impacto como previsto.     Isso sem citar, que o próprio enredo possui um caminhar diferente e atrelado ao que foi dito anteriormente, acabamos comprando a narrativa e tentando se atrelar ainda mais ao arco de Finney e Gwen (já que ambos atores mirins estão ótimos, e conseguem cativar o espectador). E ainda mais pelo antagonista vivido por Hawke, que está cada vez mais acertando em criar esses personagens misteriosos, e conseguem transpor medo só por conta disso.    “O Telefone Preto” acaba sendo um dos filmes de suspense mais divertidos e inesperados, nos últimos meses. Certamente os fãs do gênero irão acabar conferindo ao mesmo, mais de uma vez.

Saiba como foi o papo com o elenco de “The Boys”

Engenharia do Cinema Descontração é a palavra que define a coletiva de imprensa com os atores de “The Boys“, na manhã desta terça-feira, 05 de julho. Sacudindo o Palácio de Tangará, em São Paulo, estavam os atores Antony Starr (Capitão Pátria), Claudia Doumit (Victoria Neuman), Jack Quaid (Hugie), Jensen Ackles (Soldier Boy), Karen Fukuhara (Kimiko), Karl Urban (Billy Bruto) e Nathan Mitchel (Black Noir), além do roteirista e um dos criadores da atração/showrunner, Eric Kripke. “Muitos se questionaram sobre como eu realizo meus jeitos intimidadores e duvidosos do Capitão Pátria, com meus lábios, mas ninguém se tocou que tudo acabou sendo feito de forma improvisada.” comentou Anthony Starr sobre as famosas caretas do seu personagem. “Justamente no episódio em que [Eric] Kripke dirigiu, ele me pediu para repetir a situação, mas como improvisei mandei ele se foder. Mas fiz novamente, porém totalmente diferente. E ele gostou” Completou o mesmo, dando altas risadas. Imagem: Amazon (Divulgação) Sobre os arcos malucos criados no terceiro ano, inclusive a cena do “Homem-Formiga entrando no Pênis”, foi considerada por muitos como a maior “piada de pinto na história”, segundo brincou o próprio Jack Quaid. “Estávamos buscando várias referências que poderiam ser feitas, mas de formas nunca realizadas antes. Foi aí que tive a ideia de idealizar esta icônica cena, de um homem encolher e entrar no pênis do outro e simplesmente crescer e explodir.” Comentou Krimpe, que inclusive chegou a mostrar para seu filho adolescente as cenas dos bastidores. “Quando meu filho olhou para aquele pênis gigante que fizemos, para a cena ser toda feita de forma prática, ele falou ‘Pai, como você pode ter sido tão doente em fazer isso?’”. E mais uma vez todos foram aos risos.     Quando começou a série em 2019, Kripke chegou a dirigir um dos primeiros episódios e foi justamente quando “Vingadores Ultimato” estava sendo lançado e bombando. Foi um tiro certeiro e muitos acabaram comprando a premissa do mesmo, por conta da temática de super-heróis “ao avesso”. Embora o público sentiu que a ideia seria um sucesso imediato, muitos nomes do elenco ficaram na dúvida se realmente a atração iria vingar. “Na época que a série foi lançada, os cinemas estavam exibindo “Guerra Infinita” ou “Ultimato” e cada vez mais que via o marketing destes filmes nas ruas, sentia que este programa poderia dar mais certo do que imaginei, pois estávamos justamente aproveitando o hype daquele momento.” Comentou Jack Quaid, que interpreta Hugie, um dos protagonistas.  Imagem: Amazon (Divulgação) Em relação ao andamento da série, uma das personagens que mais crescimento foi a misteriosa Kimiko (Karen Fukuhara). Brincalhona e sempre deixando claro que Kripke literalmente a trolou legal nesta terceira temporada (por conta dela ter perdido os poderes, logo quando a mesma começou a ser mais explorada), a mesma explicou que foi bastante desafiador o arco musical, onde ela teve de superar uma das suas maiores dificuldades: a dança. “Na minha adolescência cheguei a fazer uma aula de dança, mas via que não era a área para mim e desisti” comentou Fukuhara, que explicou o fato do intérprete de Frenchie, Tomer Capone ter se juntado a ela nesta etapa de preparação para o episódio.    “Tanto eu, quanto Capone não sabíamos como poderíamos fazer com o que eu rebolasse tanto e conseguisse realizar as acrobacias. Confesso que nunca fomos próximos, mas que devido a este processo constante e exaustivo, fomos nos aproximando demais e ele acabou se tornando um grande amigo fora das telas”. Completou a atriz.     Imagem: Amazon (Divulgação) Estreante em grandes papéis, a atriz Claudia Doumit confessou que não fazia ideia de como interpretar uma personagem no meio da política e que posteriormente também teria habilidades inusitadas (que envolvem explodir pessoas). “Quando Eric [Kripke] chegou para mim com a ideia de que fosse interpretar Victoria Neuman, em um primeiro momento não imaginava como iria conceber a mesma. Já que não entendo absolutamente nada de como funciona o universo da profissão dela.” Comentou Doumit, que depois ficou mais pasma de como retratar a evolução da personagem.    “Mas tudo acabou mudando quando o Eric [Kripke] citou o fato que ela também iria se tornar uma super. Então foi extremamente do caralho, explodir cabeças e pessoas. Me senti foda demais.” Completou a atriz, que não parava de rir e agradecer o carinho de Kripke. Mas as atenções estavam no fundo sendo voltadas para Jensen Ackles, intérprete do Soldier Boy e que já trabalhou com Kripke em “Supernatural” (série onde ele viveu o protagonista Dean Winchester). “Fui chamado para interpretar o Soldier Boy, um pouco antes do término de ‘Supernatural’, pois cheguei para o Eric [Kripke] e citei se ‘haveria algum papel em mente para mim, agora que ficaria desempregado. Foi aí que ele me apresentou o Soldier” Declarou Ackles, que esbanjava simpatia e deixou claro que o fator complexidade do mesmo, chamou a atenção para viver o mesmo.     Porém de todos os presentes, um que poucos conheciam mesmo era Nathan Mitchell. Intérprete do mascarado personagem Black Noir, apenas em breves momentos da atração víamos o rosto do ator durante toda a série, mas nesta terceira temporada, o mesmo teve um arco dramático/cômico maior. “Acredito que em todos os anos da atração, neste terceiro ano pude mostrar muito mais sobre o Noir.” Comentou Mitchell, que ainda enfatizou ter tido ótimas e divertidas cenas com Anthony Starr.     Nitidamente ainda no personagem Billy Bruto, o ator Karl Urban comentou que foi engraçado o fato do mesmo ter começado a conseguir os poderes de um herói, enquanto ele ainda odeia os mesmos. “Eu interpreto um cara que odeia qualquer tipo de super-heróis, e foi algo muito maluco ter conseguido virar um herói. Ter conseguido as mesmas habilidades deles e, conseguir entrar na briga na mesma perspectiva, foi de certa forma gratificante”. Declarou.

Crítica | Maldivas (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Anunciada em 2020, a série “Maldivas” foi vendida como uma das produções mais caras da história da Netflix Brasileira. Após o marketing “gourmet”, a atração criada por Natalia Klein (que também estrela a série como Verônica, e também narra em off a atração) finalmente chegou ao catálogo. Conhecendo os trabalhos antecessores do dramaturgo José Alvarenga Jr. (que tem na filmografia atrações como “Sai de Baixo“, “Os Normais” e até mesmo “Malhação“), aviso que ele está em seu projeto mais fraco em anos e francamente, o cachê foi ótimo.  A história gira em torno de um grupo de moradoras do condomínio de luxo, Maldivas, onde após um assassinato misterioso, todos acabam se tornando suspeitos. Mas a situação se complica, quando a filha da vítima, Liz (Bruna Marquezine) acaba indo até o local para investigar. Por lá, ela começa a criar uma intimidade com Kat (Carol Castro), Milene (Manu Gavassi), Rayssa (Sheron Menezzes) e Verônica (Natalia Klein).     Imagem: Netflix (Divulgação) Começo enfatizando negativamente o recurso de narração em off (exercido por Natalia Klein), uma das mais vergonhosas utilizações do mesmo. Literalmente, ela apenas narra os sentimentos dos personagens em cena e avisa para os espectadores. Um claro exemplo, é quando Liz está pensando sobre quem matou sua mãe. Então entra a narração para falar “agora, Liz já está pensando em mais um suspeito” (é algo neste nível). Eu não culpo a mesma do recurso, pois em uma era onde a maioria dos espectadores deste tipo de série briga com a atenção com um meme da internet e até mesmo uma conversa de Whatsapp, ela precisa ter sua história mostrada de alguma forma e esta foi a solução (e infelizmente é um fato que muitos devemos aceitar).     Mas quando as atenções são direcionadas para a trama em si vemos que o roteiro sequer se preocupa em fazer com que gostemos das protagonistas, ou até permite que seja criada uma atmosfera divertida. Tudo se resume a casos amorosos, egos e atuações horríveis (em especial Gavassi, que está horrível), e transforma os sete episódios, de 30 minutos cada, parecer que estamos há semanas grudados na plataforma. Embora a trama tente vender os tópicos citados como “uma rotina no local”, faltou primeiro uma familiarização com os personagens (uma vez que só queremos que eles se deem mal, para acontecer algo de relevante na atração). Em seu desfecho parece que “Maldivas” foi feita exclusivamente para agradar os fãs das atrizes protagonistas, e render vários memes na internet, com o intuito de levar um público maior para a Netflix. Lamentável.

Crítica | Lightyear

Engenharia do Cinema Quando “Lightyear” foi anunciado no início de 2021, muitos ficaram na dúvida se era necessário termos um spin-off de “Toy Story” focado no personagem Buzz Lightyear. Apenas com a informação que o personagem seria dublado agora por Chris Evans no original (que é conhecido por ser o intérprete do Capitão América), muitos literalmente se confundiram com o fato de que Tim Allen havia sido deixado para escanteio (após ele ter dublado o mesmo, na franquia principal). Porém, o próprio Evans e a Disney fizeram questão de explicar que se tratava do “filme que Andy assistiu em 1995, e lhe fez comprar o boneco Buzz Lightyear”. Só que como a Disney/Pixar não está andando nos seus melhores dias, desde 2020, com “Soul” (que foi a última vez pelo qual o estúdio teve um lançamento que realmente cativasse o público), infelizmente este longa que vos falo, mostra que o estúdio ainda está no automático.     A história se passa em um planeta à anos luz da terra, onde após um acidente envolvendo sua nave, o astronauta Buzz Lightyear e todos os tripulantes da mesma acabam tendo de viver no local. Porém, ele acredita que irá conseguir buscar uma forma de conseguir tirar todos do local e fazer com que eles voltem para casa.    Imagem: Walt Disney Pictures (Divulgação) Apesar dos primeiros cinco minutos de projeção referenciarem a primeira cena do personagem no clássico longa de 95, o restante do longa parece ter sido uma mera aventura espacial e totalmente discrepante do talento do personagem Buzz (que ele já mostrou ter nos outros longas). Não há uma explanação que lhe faça ser o melhor astronauta de todos, e que seja um exemplo para todos os outros tripulantes. Só vemos um caractere que gosta de agir sozinho, com ego grande e não ligando para as consequências. O roteirista Jason Headley realmente parece não ter feito a lição de casa mínima, pois nitidamente ele não conhece nada do universo de “Toy Story“, da franquia animada de “Buzz Lightyear” e até mesmo não deve ter prestado atenção nas conversas com criadores do personagem. Porque não há um momento épico, ou até algo que faça com que nos importemos com a origem do mesmo e com os novos coadjuvantes apresentados (que em maioria são bem clichês). A única grande exceção é o gato robótico Sox, que consegue tirar ótimos risos e ser um carismático parceiro para Buzz (inclusive, nos faz ter vontade de ver mais do mesmo futuramente). Mas realmente não estou falando de uma bomba, pois mesmo com estes descuidos a animação ainda consegue entreter dentro da premissa que lhe foi imposta. A direção de Angus MacLane (co-diretor de “Procurando Dory“) realmente teve como inspiração algumas tomadas do recente “Top Gun Maverick” (vide a sequência envolvendo Buzz tentando captar a velocidade necessária, em uma missão no espaço), pelas quais chegam a ser bem executadas na forma visual e sonora. Além de algumas cenas de ação, envolvendo o vilão Zurg (que foi uma tremenda decepção).    Confesso que não conferi o longa na versão dublada, e sim na legendada (que teve um lançamento limitado, em alguns cinemas). A mesma foi bem executada, embora curiosamente o trabalho de Chris Evans seja uma mera tentativa de cópia do trabalho maravilhoso feito por Tim Allen. Mas, até que ele não estava ruim e a diferença não acabou sendo gritante. “Lightyear” termina sendo uma aventura genérica da Pixar, que realmente não consegue ser tão marcante como os quatro títulos da franquia “Toy Story“.

Crítica | Spree

Engenharia do Cinema Já virou algo bastante comum e um tanto peculiar (em um submundo da internet, na maioria das vezes), algumas pessoas transmitirem crimes em chats on-line. A atitude pode parecer bastante doentia, mas acaba rendendo frutos financeiros para muitos (estou falando sério). E em cima desta situação bizarra, é que foi concebido o longa “Spree“.     A história gira em torno do influenciador Kurt Kunkle (Joe Kerry), que após uma grande queda no número de visualizações em suas redes sociais, onde apresentava o vlog “O Mundo de Kurt“, ele resolve apelar para algo totalmente diferente: começa a registrar suas rotinas como motorista na plataforma “Spree“, e à cada novo passageiros, ele vai cometendo diversos crimes totalmente bizarros. Imagem: SuperBloom Films (Divulgação) Começo enfatizando que a direção de Eugene Kotlyarenko (que também assina o roteiro com Gene McHugh), procura gravar a produção como se realmente fosse um registro de blogueiro. Seja por intermédio das janelas de chat, câmeras no carro e até mesmo câmeras de segurança das ruas por onde o Kurt trafega. Isso é meramente proposital, pois funciona como uma mera atmosfera para estarmos dentro daquele mundo de redes sociais que se estabelece o filme.     Embora o intuito não seja criarmos um certo vínculo com nenhum dos personagens, a ideia de colocar Kerry como protagonista deste tipo de produção foi por conta de sua imagem no cinema (do cara legal e amigo das crianças de “Stranger Things”). E em “Spree” acabamos tendo uma enorme desconstrução deste perfil, em menos de 10 minutos. E com direito a muito sangue! Porém, o filme acaba perdendo um pouco da sua atmosfera, quando procura focar na humorista Jessie Adams (Sasheer Zamata), que certamente acabou tendo seu arco totalmente forçado e repleto de clichês (quem viu o longa, sabe o que estou falando). “Spree” acaba sendo uma grata surpresa no catálogo do HBO Max, mas ao mesmo tempo nos faz refletir o quão o ser humano está ficando pior para conseguir conquistar números altos, em redes sociais.

Crítica | De Volta ao Baile

Engenharia do Cinema Originalmente realizado pela Paramount Pictures, a comédia “De Volta ao Baile” acabou sendo vendida para a Netflix, com o intuito de ser lançada mundialmente pela plataforma. Pegando carona com os sucedidos “De Repente 30” e “Quero Ser Grande“, certamente este tipo de humor escrito por Andrew Knauer, Arthur Pielli e Brandon Scott Jones poderá causar um certo desconforto nos espectadores aderentes ao politicamente correto e humor mais “certinho”, uma vez que a protagonista (quando então encarnada por Rabel Wilson) faz diversas piadas criticando este tipo de pensamento (o que justifica este público estar odiando a produção). A história tem início em 2002, quando a então líder de torcida Stephanie (então vivida por Angourie Rice) acaba sofrendo um acidente durante uma apresentação e entra em coma durante 20 anos. Após acordar em 2022 (agora vivida por Wilson), ela começa não apenas a ter um choque com a grande alteração na sociedade, como também ela acaba voltando para a mesma escola, apenas com o intuito de conseguir finalizar com colegial sendo a Rainha do Baile.     Imagem: Netflix (Divulgação) Em menos de 15 minutos de projeção, já conseguimos ver que a atriz Angourie Rice realmente estudou os trejeitos de Rabel Wilson, pois ela realmente conseguiu encarnar uma versão totalmente adolescente desta (semelhante ao que foi visto em “O Projeto Adam“). Mas, a graça não está neste quesito e sim quando esta entra em cena. Começamos a ver que a comediante tira piadas em momentos totalmente certos (como no discurso da personagem Martha (Mary Holland), explanando para ela que não pode falar determinadas palavras por serem “ofensivas” e ela começa a tirar onda da situação). Só que algumas coisas acabam sendo pouco exploradas, como o fato do número de seguidores no Instagram mover a sociedade atualmente (isso é explorado positivamente, mas faltou uma consequência mais ácida e até mesmo um demérito disto), e até mesmo a ausência de algumas coisas muito usadas no passado e hoje deixadas de lado (como o Pai de Stephanie trabalhar em um primeiro momento na Blockbuster, e posteriormente em uma loja de departamentos; Ou por aquela possuir uma coleção enorme de revistas e ela vendo que isso já está ficando cada vez mais extinto também. Não ocorre este estranhamento da personagem). “De Volta ao Baile” acaba sendo uma divertida produção que mostra o quão nossa sociedade está ficando chata, à medida que os anos avançam e que ainda é possível achar graça em coisas específicas na ficção.

Crítica | Jackass Para Sempre

Engenharia do Cinema Desde 2014, quando foi lançado “Vovô Sem Vergonha“, a trupe do Jackass não dava as caras em nenhuma outra produção para os cinemas. Com muitos deles chegando à meia-idade, era uma ótima oportunidade para eles mostrarem que ainda tem condições para exercerem as suas famosas pegadinhas arriscadas (onde quase sempre eles se machucam seriamente). E é nesta premissa que temos “Jackass Para Sempre“. Realmente este é um filme composto de várias esquetes de pegadinhas distintas, ou seja, não tem um roteiro ou trama concreta. Aqui o intuito é apenas rir de várias cenas absurdas e malucas feitas por Johnny Knoxville, Steve-O, Chris Pontius, Dave England, Ehren McGhehey, Jason ‘Wee Man’ Acuña, Preston Lacy e muitos outros. Imagem: Paramount Pictures (Divulgação) Confesso que analisar este tipo de filme é algo complexo, pois depende do gosto peculiar da pessoa para gostar deste tipo de entretenimento, que fez bastante sucesso nos anos 2000 (inclusive é a principal referência para programas como “Pânico na TV“). Neste quarto filme, em uma era de CGI e truques de cinema sendo elevados a outros níveis, é perceptível que foram utilizados vários destes recursos para os próprios não se machucarem como antes (vide a cena envolvendo abelhas na manjuba de um dos nomes citados). Porém, é nítido que as brincadeiras foram amenizadas e até mesmo “repetidas” de várias outras esquetes do programa, e a mensagem que fica nisso é apenas “olha, estamos com uma idade avançada, mas ainda podemos repetir essa dose”. Pros fãs, isso pode ser triste e até mesmo alguns podem não aprovar esta desculpa (embora ela não seja dita, mas sim mostrada). “Jackass Para Sempre” é um divertido resgate da icônica franquia, mas não é um exemplar que fará você se tornar fã da mesma.