Lollapalooza 2025: De Rodrigo a Olívia, evento investe na nova geração

Se o Lollapalooza quer se perpetuar como um dos principais festivais do Brasil, a missão da sexta (28), primeiro dia de festival, foi cumprida. A geração Z foi responsável por boa parte dos quase 80 mil ingressos vendidos. No palco, Jão (30 anos) e Olívia Rodrigo (22 anos) foram os donos do evento. Estando em palcos diferentes, ficou nítida a movimentação da maioria do evento para as duas apresentações. Dead Fish: “Não sou Olívia, mas também me chamo Rodrigo” Van Campos (AgNews) Cheguei no evento com o festival ainda vazio com a missão de assistir seis shows diferentes. Infelizmente, a chuva forte suspendeu temporariamente os shows e, com a nova grade de horários, finalizei o dia com cinco apresentações registradas. A primeira delas foi o Dead Fish às 12h45 no palco Budweiser (principal). Eu tinha 15 anos no meu primeiro show do Dead Fish, no bar do 3 aqui em Santos, mesma idade de boa parte de quem enfrentava o Sol para garantir um bom lugar para a Olívia Rodrigo. E o outro Rodrigo, o Lima, mesmo aos 52 anos, soube falar a língua da garotada e fazer um trabalho diferente do que está acostumado: apresentar a banda. Houve, claro, protestos políticos, conselhos de pai, dancinhas e até um empréstimo de um leque de uma das meninas próximas a passarela do palco. Foram 18 músicas em quase uma hora de show, seguindo a setlist da turnê do álbum Dentes Amarelos. No fim, ainda coube uma malandragem ao anunciar que faltavam 2 músicas, mas emendou “Sonho Médio” após “Afasia” e “Bem Vindo ao Clube”. Girl in Red: “Deus é gay, São Paulo é gay” Iwi Onodera (Brazil News) Voltando logo após a tempestade, Marie Ulven Ringheim (26 anos), ou melhor, Girl in Red foi recebida com um lindo arco íris enquanto ainda chovia. Abertamente lésbica, ela celebrou a obra da natureza ou, divina, como ela mesmo disse, para emendar: “Deus é Gay, São Paulo é gay”. O público vibrou e a apoiou. Local mais propício não há. Um festival como o Lollapalooza sempre se mostrou aberto à diversidade. Inclusive, fez um poster personalizado para ela com duas garotas e o refrão “My Girl” em alusão a “I wanna be your girlfriend”. Com 11 músicas, mesmo set do sideshow na Audio, ela mostrou energia de seu Indie/Alt Rock, podendo ser a nova Alanis do futuro. Jão “Eu sou um Popstar” Sidney Lopes (Billboard Brasil) Mesmo sem estar no palco principal ou headliner, Jão fez um show como se fosse. O cantor pop levou um “Allianz” para o palco Samsung Galaxy. Girl in Red nem havia finalizado sua última música e um verdadeiro mar de gente se deslocava para ver o show. Mesmo com muita lama, o cantor encheu até o famoso morro e mostrou porque é o principal artista brasileiro da atualidade. Seus feitos, seja com a turnê, seja esgotando salas de cinema e camisetas, só mostram que todo o hype tem sentido. Ele tocou seus principais sucessos, porém mostrou personalidade ao fazer um cover de “Linger” dos Cranberries. “Eu estava ouvindo essa música no carro com a cabeça encostada e pensei: Se eu fosse um popstar, como eu cantaria essa música? Mas, perai, eu sou um Popstar. Então vou fazer essa canção para vocês”. Logo depois, emendou “Nota de Voz 8”, canção que não tocava ao vivo há 5 ou 6 anos, segundo ele. Após o show ele confirmou que era sua última apresentação antes de um indeterminado período de férias. Nessa Barret: A Nova Lana Del Ray? Reprodução da transmissão do Canal BIS Enquanto a multidão se equilibrava na lama para voltar ao palco principal e já garantir um lugar para a apresentação de Olívia Rodrigo, Nessa Barret (22 anos), cantora sensação do TikTok fez sua estreia no Brasil. Mesmo sem conversar tanto com a plateia, ela contou com uma estrutura segura para a sua apresentação: um baterista, um guitarrista e um DJ responsável pelas partes eletrônicas das músicas, fazendo também o baixo e soltando “backtracks” de voz, o que levou a muita gente confundir de que ela estaria dublando. Muita gente faz uso de “backtracks” e você pode encontrar vários artistas fazendo o mesmo, inclusive Emily Armstrong com o apoio do DJ Han. Usar backing vocals e até mesmo baixo gravados completou a apresentação, deixando o som mais cheio. Se a cantora lembra Lana Del Rey, suas músicas são mais agitadas com lampejos de rock and roll. Uma boa estreia de uma futura popstar que deve retornar logo em shows solo ou com mais destaque em algum festival. Olivia Rodrigo: “Eu nunca vi nada parecido com vocês, São Paulo” Ag News Se alguém tinha dúvidas de que Olivia Rodrigo estava pronta para ser headliner de um grande festival, essa dúvida acabou ao pisar em Interlagos. Mesmo com a turnê de seu segundo álbum, ela teve um crescimento meteórico. E, essa rapidez, talvez faça com que muita gente duvidasse do real tamanho da cantora. Uma ideia rápida dessa ascensão pode ser vista no seu primeiro show em Estádio, no Couto Pereira de Curitiba, dias antes. “Quando eu estava na escola eu fazia redação em cima das letras de St. Vicent”. E, hoje, é St Vicent quem abre os shows dela. Foram mais de 20 músicas em uma hora e quarenta minutos de show tocando praticamente todas as suas canções. Com uma banda talentosa, também composta por mulheres, ela cantou, tocou e se emocionou com a recepção que teve em São Paulo. A mais rock and roll das cantoras teen, ela mescla pop com a geração 2000 do pop punk, claramente mostrando forte influência de Blink 182, Green Day, Avril Lavigne e, claro, Paramore. Se os fãs do outro Rodrigo, do Dead Fish, não conhecem ou a acham apenas uma cantora pop adolescente, saibam que ela serve como uma porta de entrada para o rock como uma nova Avril Lavigne, porém com mais potencial. Afinal, se a cantora canadense, mesmo com anos de carreira, não integrou o palco principal do
Banda uruguaia Dunas Riders lança EP pela Monstro Discos

A gravadora goiana Monstro Discos lançou o EP de estreia do Dunas Riders, El Retorno del Senecio, que saiu em parceria com o selo Scream&Yell, de São Paulo. O trabalho apresenta um estilo próprio que a banda batizou de garage beach rock, uma mistura de surf music, psicodelia, garage rock e jangle pop. Um tsunami sonoro com fortes influências de bandas como The Blank Tapes, Sugar Candy Mountain e Gaye Su Akyol. Criada em Aguas Dulces, a Dunas Riders nasceu como resposta a um evento traumático: em 2016, uma tormenta atingiu a costa do pequeno balneário na cidade de Castillos, onde moravam os integrantes, destruindo mais de 20 casas – incluindo a do baixista. Para superar esse momento, Ripi Arruti (baixo) e Sebastián Magallanes (guitarra) formaram uma banda para canalizar seus próprios tormentos. O resultado? Um som enérgico e visual, que evoca uma atmosfera praiana com tons psicodélicos. Anos depois, junto à tecladista Emma Ralph (que, assim como Ripi, também integrou a premiada Molina y Los Cósmicos, com várias turnês pelo Brasil) e o baterista Germán Fernández, gravaram cinco músicas que deram origem ao EP. No entanto, essas gravações foram guardadas até que o produtor e jornalista brasileiro Leonardo Vinhas as descobriu durante uma viagem ao Uruguai. Posteriormente, Vinhas recrutou o produtor gaúcho Everton Severo (que produziu bandas como Borduna e Cuscobayo) para enfatizar a crueza da sonoridade única dos Dunas Riders, mas mantendo as muitas camadas que compõem seu som. Atualmente, a banda conta com o baterista Gastón Briseño e prepara uma intensa agenda de shows pelo Uruguai. Quem sabe, em breve, essa onda também chega aqui no Brasil. Pegue sua prancha, o filtro solar e venha surfar nessas águas doces uruguaias.
Overfuzz canta em português no álbum Três, com intensa expressão criativa

A banda goiana Overfuzz, que este ano comemora 15 anos, é formada por três músicos e acaba de lançar o terceiro álbum da carreira – três singles já estavam no streaming. A recorrência de um numeral é o ponto de partida e a aura do registro Três, que chegou às plataformas digitais nesta sexta-feira (28) – aliás, o terceiro mês do ano. Três, de fato, mostra um Overfuzz integrado a tudo que a numerologia traz sobre a representação do número 3: o álbum carrega uma intensa expressão criativa, comunica-se com seus fãs e busca novos ouvintes, é otimista, enérgico e amparado por uma imaginação expansiva. O Três ainda faz referência à identidade cerne da banda como um power trio, que sempre trouxe um som com baixo muito presente e de atitude (diferente talvez de outras bandas com mais de uma guitarra), além do fato dos três membros serem igualmente compositores, instrumentistas e também vocalistas. Criatividade, alinhamento ao esforço, foram super necessários no processo de composição de Três, em que pela primeira vez o Overfuzz mostra músicas em português – o álbum completo, aliás. Na sonoridade, Três mantém a essência visceral do rock habitual da banda, mas também apresenta influências de outros gêneros. O lançamento de Três, assim como os três singles deste álbum, foi viabilizado por meio de um projeto contemplado pelo Edital de Fomento à Música 13/2023 do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás.
Underoath lança The Place After This One indo do metalcore ao pop

A banda Underoath lançou seu aguardado décimo álbum de estúdio, “The Place After This One”, reafirmando sua capacidade de evoluir sem perder a essência que os consagrou. Conhecidos por incorporar elementos eletrônicos e industriais ao seu som desde os anos 2000, o grupo da Flórida entrega uma obra que mescla agressividade e experimentação de forma coesa. O álbum inicia com a já lançada “Generation No Surrender”, uma faixa caótica e dissonante que serve como uma excelente abertura, destacando os vocais potentes de Spencer Chamberlain. Na sequência, as inéditas “Devil” apresenta uma pegada groove envolvente e “Loss” é agressiva na medida que os fãs aguardavam. Logo depois, o álbum segue com outros dois singles já revelados: “Survivor’s Guilt” e a principal música de trabalho “All The Love is Gone”, que cativa com seu refrão pop e marcante. “And Then There Was Nothing” mantém o clima de tensão e a intensidade características da banda para fechar a primeira metade. Contudo, a segunda metade do álbum apresenta uma leve queda em comparação às faixas iniciais, iniciando com a já conhecida “Teeth” e investindo no lado mais pop. Na sequência, “Shame” investe em um refrão no melhor estilo “Summer Eletrohits”. Ponto alto desta segunda metade são as faixas “Spinning in the place”, que conta com uma insana bateria, e “Vultures” que conta com a participação de Troy Sanders do Mastodon. O álbum fecha com “Cannibal” que sabe transitar bem entre um refrão radiofônico e o lado agressivo dos berros. A última música, “Outsider”, oferece um desfecho mais contido, contrastando com a energia avassaladora das músicas anteriores. Apesar de uma segunda metade mais pop, isso não faz com que o álbum não atinja plenamente o nível de suas obras clássicas. A habilidade do Underoath em transitar por diferentes sonoridades sem perder sua identidade é evidente, e este trabalho adiciona uma camada interessante ao seu repertório. Com certeza vai atrair novos fãs sem desapontar quem conheceu a banda ainda nos anos 2000. A produção do álbum é um destaque a parte, evidenciando a maturidade da banda em equilibrar peso e melodia. As experimentações sonoras demonstram a disposição do grupo em explorar novos territórios musicais, mantendo-se relevante no cenário atual. Em resumo, “The Place After This One” solidifica a posição do Underoath como uma banda que não teme a evolução e que não entrou no terreno confortável de repetir fórmulas. O álbum representa um capítulo significativo em sua trajetória, refletindo a contínua busca por inovação e expressão artística. Nota: 8.5
Lolla BR | Bruno Martini – “Não segui nenhuma tendência e segui o meu coração”

Pela primeira vez em sua carreira, Bruno Martini sobe ao palco do Lollapalooza Brasil — e a estreia promete ser em grande estilo. Um dos principais nomes da música eletrônica nacional, Bruno Martini celebra o momento especial com o lançamento de um remix da faixa On The Way, do duo australiano Hollow Coves, e prepara a estreia de sua nova turnê, intitulada Mix Tape Tour, diretamente no festival. Com passagens por grandes eventos internacionais como EDC Las Vegas, Tomorrowland Bélgica e EDC México, Bruno Martini já havia marcado presença em palcos como o do Rock in Rio, mas faltava o Lolla na lista. Agora, o DJ promete entregar um set vibrante, com faixas voltadas para as pistas e sonoridades que marcaram o início de sua trajetória. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Bruno Martini falou sobre as expectativas para o festival, o processo criativo do EP Anto, lançado em fevereiro, as influências que moldaram sua carreira e a emoção de remixar uma música que já fazia parte da trilha sonora da sua casa. Como está a expectativa para o Lollapalooza? O que os fãs podem esperar do set? Tô muito feliz de participar do Lollapalooza. É a primeira vez que participo desse festival na minha carreira. Tive a oportunidade de participar de vários festivais ao longo do mundo, pelo mundo, EDC Las Vegas, Smollin na Bélgica, EDC México, enfim. Vários festivais e faltava o Lollapalooza pra mim, assim. Sempre foi o festival que eu quis e queria muito tocar, mas nunca tive a oportunidade. Então é muito especial pra mim esse ano poder fazer parte do Lollapalooza, ainda mais no Brasil, né? E soma-se também aos festivais que eu disse, no Brasil já participei do Rock in Rio, de vários outros festivais aqui e faltava o Lollapalooza. Então, assim, esse ano é muito especial pra mim poder participar do Lollapalooza. Ainda mais com esse line-up incrível, Justin Timberlake, Rufus, uma galera super legal. Então tô muito contente e preparando um show muito, muito especial. A minha ideia também é estrear minha tour nova no Lolla, chama Mix Tape Tour. Está ansioso para assistir algum show do seu dia? Qual? Por que? Com certeza, tô super ansioso pra ver Alanis Morissette, gosto muito. É muito legal ver também o Zerb tocando depois de mim. Ele fez bastante sucesso esses últimos tempos, é um cara que merece todo sucesso que está acontecendo na vida dele. O próprio Zedd também, sempre fui muito fã das produções dele e das músicas dele e ver ele tocar também vai ser bem legal. Como foi o processo de produção do EP Anto? Esse último EP que lancei é mais alternativo, bem focado para música eletrônica mesmo. São músicas para tocar numa pista, segui muito o meu coração, fiz músicas que quando comecei a tocar gostava muito de ouvir. Fiquei muito feliz com o resultado, teve uma recepção muito boa entre os DJs, fiquei muito contente. São músicas instrumentais, não tem vocal, é bem alternativo mesmo e bem voltado para as pistas e para os DJs. O que mais te influenciou na hora de compor esse projeto? Sinto que me reconectei comigo e, sei lá, poder fazer esse EP foi realmente muito especial porque trouxe várias lembranças de quando comecei a tocar. Era um tipo de som que gostava bastante, que me influenciou bastante nas minhas músicas. Não segui nenhuma tendência e segui o meu coração. Também no início do ano, você lançou um remix do Hollow Coves. Como chegou nessa escolha? Surgiu através de um pedido, eles chegaram junto através de pessoas que trabalham comigo, rolou essa ideia de a gente fazer uma versão, sempre gostei muito da banda, tinha uma música que escutava bastante, minha esposa adora, chama Coastline, então poder trabalhar com eles foi muito especial e muito legal. E isso hoje em dia, com a internet, com a gente fazendo música no computador, não precisa de tanta coisa como antigamente, quando você produzir, essas conexões de eles estão na Austrália, eu tô aqui no Brasil, do outro lado, a gente fazendo música, então é muito legal. Gostei tanto de fazer que até fiz outra versão depois, fiz uma deep mix, é para os DJs tocarem e também traz um pouco de uma sonoridade que a gente chamava de Brazilian Bass. Quais os três álbuns que mais te influenciaram na carreira? Por que? Meu primeiro instrumento foi a guitarra. Tive a oportunidade de trabalhar com Duran Duran e tinha um álbum deles que gostava muito, então colocaria o Rio (1982), do Duran Duran. Tenho um carinho muito especial por Thriller, do Michael Jackson, porque foi o primeiro álbum que tinha em casa, ganhei de presente do meu pai e ficava ouvindo o dia inteiro. Não precisava ficar roubando os discos vinis dele, então era o meu primeiro cdzinho. Tenho um carinho muito grande por esse álbum também. Por fim, vou colocar também o álbum do Timbaland. Pra mim é muito especial, marcou minha adolescência, trabalhei com ele, então por isso coloco um álbum que chama Shock Value.
Linkin Park anuncia três shows no Brasil e lança som inédito; ouça!

Curitiba, São Paulo e Brasília vão receber novos shows do Linkin Park no segundo semestre. O anúncio oficial aconteceu na noite de quinta-feira (27). As apresentações acontecem no dia 5 de novembro (Couto Pereira, em Curitiba), 8 de novembro (MorumBIS, em São Paulo) e 11 de novembro (Arena BRB Mané Garrincha, em Brasília). A pré-venda exclusiva para membros do fã-clube LP Underground começa na próxima segunda-feira (31). A venda geral começa na quinta-feira (3). Na terça-feira (1), clientes Santander Private e Select, portadores dos cartões: Santander Unique Infinite; Santander Ilimitado Infinito; Decolar Santander Infinito; GOL Smiles Santander Infinito; Cartão American Express Gold Santander; Cartão American Express Platinum Santander; Cartão American Express Centurion Santander; Santander Único Preto; Santander Ilimitado Preto; Santander / AAdvantage Black, poderá comprar os ingressos em pré-venda exclusiva. Já a pré-venda para os demais clientes do banco Santander acontece na quarta-feira (2). Neste caso, todos os cartões são elegíveis, exceto os de viagens e PJ. Os clientes Santander podem parcelar em até cinco vezes sem juros, já os clientes em geral, contam com parcelamento de até três vezes sem juros. Tanto na pré-venda quanto na venda geral os ingressos estarão disponíveis a partir das 10h pelo site da Ticketmaster e a partir das 11h nas bilheterias oficiais (sem taxa de serviço). Será permitido comprar até seis ingressos por CPF, limitados a duas meias-entradas. Som novo Na esteira do anúncio dos shows, o Linkin Park também revelou um single novo e poderoso: Up From The Bottom. A faixa prepara o terreno para a edição deluxe de seu aclamado álbum From Zero, que será lançado em 16 de maio. Essa edição inclui três músicas inéditas e uma versão física expandida contendo cinco faixas ao vivo gravadas durante apresentações mais recentes.
Lolla BR | Giovanna Moraes – “Sou uma metamorfose ambulante, estou sempre mudando”

Com letras afiadas, presença de palco intensa e uma mistura sonora que transita entre o experimental e o rock visceral, a cantora Giovanna Moraes se prepara para um dos momentos mais marcantes de sua carreira: sua estreia no Lollapalooza Brasil. A apresentação acontece neste domingo (31), e promete ser um cartão de visitas impactante para quem ainda não conhece a potência artística da paulistana. “Vão ser gloriosos 45 minutos”, ela antecipa, animada. Com dois álbuns disponíveis nas plataformas e um histórico de reinvenção constante, Giovanna Moraes levará ao palco do festival faixas como As Minas no Poder, Bloquinho de Notas e Valentina — esta última, uma composição sensível sobre sua vivência com bulimia na adolescência. “Quero que as pessoas se sintam acolhidas e se identifiquem”, afirma. Giovanna Moraes também prepara surpresas no setlist, com músicas inéditas e medleys que refletem seu processo criativo livre, intuitivo e sempre em mutação. “Sou uma metamorfose ambulante”, diz. De um passado mais experimental, com influências que vão de King Crimson a Elis Regina, até um presente mais enraizado no rock alternativo com distorções vocais e atitude punk, Giovanna Moraes construiu seu caminho na marra — de forma independente, sem seguir as fórmulas do “music business”. Em conversa exclusiva com o Blog n’ Roll, Giovanna Moraes falou sobre as expectativas para o festival, o machismo persistente na cena roqueira, seu processo de composição e a importância de ocupar espaços como o do Lolla com autenticidade, coragem e presença feminina. Imagino que você esteja bem empolgada, né? Nossa, tô muito empolgada! Num momento especial como esse. Foram muitos anos até chegar até aqui. E vai passar muito rápido, vai passar rápido demais. O lance é aproveitar bem o tempo que tem. Você já sabe quanto tempo vai ter lá, não? Acho que é 45 minutos o set, curtinho. Vão ser gloriosos os 45 minutos. O público que está chegando ali no festival está lá por algum headliner e tal. Só que aproveitando bem esse momento, a gente sabe que pode fazer uma mudança, fazer a galera ir atrás, consumir mais o teu som. É o momento de dar aquele cartão de visitas legal. Eu tô fazendo algumas coisas um pouco diferentes. Vai ter As Minas no Poder, que é a minha música lá do calmativo. Vai ter Bloquinho de Notas: ‘na moral, eu sou original, você é a cópia’. Valentina, que é uma música que fala sobre a minha bulimia na adolescência e que conversa com muitas meninas que acabam entrando nesse sistema de sentir que elas estão erradas num mundo que às vezes deveria acolher mais do que apontar o dedo e dizer que a gente não é normal. Porque a gente não se encaixa dentro dos padrões da sociedade. Quero trazer um pouquinho de música nova também, algumas das outras tô preparando um medley. Em vez de tocar a música inteira, tô juntando e fazendo uma brincadeira um pouco diferente. As músicas têm muito disso de experimentar, como é o processo criativo. Você comentou que já está preparando músicas novas. Como é esse teu processo de composição? Tenho dois álbuns lançados no Spotify, mas tenho muito mais coisa que tirei do Spotify. Antes dessa Giovanna Moraes sair, eu fazia um som meio experimental. Fiz dois álbuns com uma pegada experimental, um que era em inglês e o outro que tinha uma pegada um pouco mais de brasilidade, mas era outra fita, teclado e um bagulho que é difícil de reproduzir ao vivo. E daí fui me encontrando dentro do rock por causa do show, sabe? Porque no momento de colocar e entender como aquelas músicas iam ser no palco. A partir daí já tirei o teclado, coloquei uma guitarra e fui ficando com essa cara mais rock’n’roll. É um caminho muito doido, muito longo até chegar até aqui. E o meu processo é de estar criando sempre, experimentando coisas novas, muito dessa pegada do improviso, de às vezes estar cantarolando e ver o que vem. Às vezes vem alguma melodia, ideia de provocação e daí anoto. Logo depois, repenso e recrio mais pra frente. Tenho muito isso mesmo desse processo de estar criando o tempo inteiro. A inspiração acho que vem de todos os lugares. Vem de um papo aqui com você, vem de algum comentário nas mídias sociais, um filme ou de uma história que ouvi na notícia. Pretende lançar mais álbuns ou focar nos singles? Não sei se vai ter um álbum por ano, não gosto muito dessa pressão de álbum. Mas música nova o tempo inteiro vai, porque gosto de fazer isso e acho que é massa poder ter um registro do crescimento do artista. Tem pelo menos umas seis músicas que estou pra lançar esse ano. Talvez algumas antes do Lolla, talvez algumas logo depois do Lolla. Não tô querendo chamar de álbum, porque não tenho um nome para essa coletânea ainda. Mas é isso, tem coisas novas. Trabalhar mais os singles é uma forma de atender o algoritmo das plataformas de streaming? Quando fui fazer o Fama de Chata, álbum que lancei em maio do ano passado, ele começou, na verdade, com uma música, Fala na Cara. Experimentei um negócio com uma linguagem um pouco mais agressiva, falando coisas que achava que não podia falar, e o negócio repercutiu muito. E daí fiquei um tempo meio que digerindo e pensando o que mais que essa chata tem pra dizer? Então já tinha essa ideia do nome do álbum, Fama de Chata, com esse conceito de trazer as coisas que gostaria de falar. Hoje não tenho um conceito para um novo álbum, mas talvez tenha um pouco mais pra frente. Tenho essas músicas e elas combinam desse jeito. Posso pegar algumas que já lancei, fazer algumas novas e juntar num álbum. Mas, por enquanto, quero estar lançando música nova, porque às vezes fica na gaveta por muito tempo e deixo de gostar. Sou uma metamorfose ambulante, estou sempre mudando. Não sou muito music business, não tô fazendo single pra
Lolla BR | Charlotte Matou um Cara – “Antes era bonito ser machista e escroto. Hoje é velado”

A banda Charlotte Matou um Cara está prestes a viver um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: uma apresentação no Lollapalooza Brasil. Com dez anos de estrada no cenário underground, o grupo tem conquistado reconhecimento com suas letras combativas e sua sonoridade intensa. Em entrevista ao Blog n’ Roll, as integrantes Dori (bateria) e Camis (baixo) falaram sobre a expectativa para o festival, o impacto da viralização no TikTok e a importância de ocupar espaços na cena punk e hardcore, historicamente dominada por homens. O convite para o festival, aliás, pegou a banda de surpresa – tanto que, no início, acharam que fosse um golpe. “A gente até pesquisou para ver se era real, porque parecia bom demais para ser verdade”, conta Dori. Mas era oficial: o Charlotte Matou um Cara subiria ao palco de um dos maiores festivais do país, levando seu punk combativo e sua energia visceral a um novo público. O setlist do show promete um panorama completo da discografia da Charlotte Matou um Cara, com músicas dos dois álbuns e uma participação especial. “Vai ser um show para quem já nos acompanha e também para quem conheceu a gente pelo viral”, explica Camis. A viralização, aliás, foi um fenômeno inesperado: “Descobrimos porque o filho da nossa vocalista avisou que tinha vários vídeos com a nossa música rolando no TikTok”, explica Dori. Confira a entrevista completa abaixo. Como está a expectativa para o Lollapalooza? Camis: A gente está completando dez anos, tocou em vários palcos, vários lugares. A trajetória no underground é bem extensa. Mas um palcão assim, num festival tão grande quanto o Lollapalooza, é algo bem novo para a gente. É um grande festival que a gente talvez só tinha no imaginário. Como chegar nisso dentro de uma cena underground? É bastante maluco. Tá meio que caindo a ficha ainda, assim. Acho que só vai cair a ficha mesmo no Lollapalooza. Dori: O convite do Lollapalooza acabou vindo por conta dessa viralização do Punk Mascuzinho que a gente teve no TikTok. Vocês já têm um set definido? O que o público pode esperar do show da Charlotte Matou um Cara? Dori: A gente vai tocar praticamente os dois discos completos. A gente também conta com uma participação especial de uma pessoa que foi bem importante para a nossa existência. Camis: O repertório está bem legal, é uma hora de show. Acho que ficou pouquíssimas coisas de fora. Então, tanto pra quem já conhece a banda, quanto para quem veio pelo viral, acho que vai gostar muito do que a gente vai apresentar. O viral do Charlotte Matou Um Cara fala sobre um tipo muito comum no cenário punk, o machão hipócrita que não segue “o que defende”. Vocês conseguem enxergar alguma melhora no cenário punk hardcore se comparado com 20 anos atrás? Camis: Acho que está mais mascarado. Antes era bonito ser machista e escroto, deixava o cara bem com os amigos. Mas hoje é um pouco mais velado, porque não pega muito bem. A gente sabe que na rodinha dos caras, quando não tem mina envolvida, ainda rola muita conversinha, tem essa questão do stage dive e tudo mais. Nos nossos shows, a Déa sempre fala: ‘reserva espaço para as minas, chama as minas para frente’. Tem que ser um espaço mais acolhedor. Então, assim, na superfície melhorou, mas a gente sabe que muita coisa ainda precisa ser feita para melhorar. Dori: Na cena é muito velado, muito pela punição. Hoje a gente não fica mais calada, querendo ou não, rola um apontamento imediato, principalmente, nos nossos shows. Toda vez que a gente toca, sempre quando acontece alguma coisa que não está legal ali no meio, inclusive no stage dive, aquela coisa da turma se empolgar e tal, a gente acaba parando o show na hora. Para, observa, percebe o que rolou e pede o afastamento dos caras. Não que eles não sejam bem-vindos, porque acho que o importante é o fortalecimento. As mulheres precisam do apoio dos homens. Camis: Nosso show é para as mulheres. Se for para ter alguém segurando a mochila, que sejam os caras segurando as mochilas das mulheres lá no fundo, porque sempre foi o inverso. As mulheres, namoradas, lá no fundo, enquanto os caras ficavam na roda. O nosso show também é um grito, um berro para furar essas barreiras. A gente está com muita raiva e queremos pôr para fora essa história toda. Tem que chegar meio na cotovelada ainda para poder angariar um espaço. E o que que você acredita que pode ser feito para melhorar isso? Camis: Não tem uma cartilha de bons modos, tal como os Dez Mandamentos de Como… Mas acho que os caras darem suporte é um ponto muito importante. É suportar as mulheres, dar apoio, deixar no momento de fala as meninas falarem, não interromper as mulheres enquanto elas falam, sabe? Não tirar sarro porque é uma dor que não dói nas pessoas. Acho que as pessoas acabam se esquecendo de certas situações e deixam passar. E é por isso que existe toda essa luta até hoje, e vai permanecer. Acho que estou para morrer e não vou ver uma grande evolução. Se for pensar, tantas mulheres aí que vieram para a revolução feminista e morreram na luta. Hoje está numa quarta onda feminista dentro de um cenário, inclusive, que foi um livro que a Heloísa Buarque de Holanda escreveu, o Explosão Feminista, e ela cita a Charlotte Matou um Cara. Dá até umas engasgadas quando a gente tem que falar o que os caras têm que fazer para ajudar, né? Mas é necessário estar na força juntos, a união faz a força como um todo. Se a gente está num campo progressista, acho que é para tudo que seja o melhor. O último álbum da Charlotte Matou um Cara é Atentas, de 2021. O fato da Déa (vocalista) morar na Alemanha é um complicador na hora de pensar no sucessor? Camis: Quando a gente lançou o segundo disco,
Lolla BR | Picanha de Chernobil – “O comércio local se beneficia muito com as bandas”

O Picanha de Chernobil nasceu em Porto Alegre, mas foi em São Paulo que a banda consolidou sua identidade e ganhou espaço na cena musical independente. Com uma trajetória marcada pela performance nas ruas da capital paulista, o trio encontrou na Avenida Paulista um palco natural para sua sonoridade, que transita pelo blues, rock e psicodelia. Agora, Matheus Mendes (vocal e baixo), Chico Rigo (guitarra) e Fernando Salsa (bateria) estarão no Lollapalooza Brasil. A banda se apresenta no sábado (29), às 12h, no Palco Samsung Galaxy, que terá Alanis Morissette como atração principal, às 20h10. Ao longo dos anos, o Picanha de Chernobil enfrentou diversos desafios, desde mudanças na formação até a recente tentativa de restrição à música de rua na cidade. Mesmo com as dificuldades impostas por regulamentações e pressões políticas, a banda segue na luta pelo direito de se apresentar nos espaços públicos. Paralelamente, o reconhecimento de sua trajetória os levou a grandes festivais, incluindo o Rock in Rio e turnês internacionais. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Matheus Mendes falou sobre a origem do Picanha de Chernobil, a experiência de tocar na rua, os desafios impostos pela prefeitura de São Paulo e a expectativa para o show no Lolla. O Picanha de Chernobil surgiu em Porto Alegre, mas ganhou mais destaque quando veio para São Paulo. Como foi esse início? A gente era bem iniciante em Porto Alegre. É muito diferente o cenário das bandas, era outro universo. Não dá nem para comparar. A gente era bem mais jovem também, mas foi legal. A gente fez o Circuito Fora do Eixo, viemos para São Paulo e conhecemos bastante gente, acabou dando um incentivo para a gente vir morar aqui. A ideia de vir para São Paulo foi aquela padrão de toda banda que está fora do eixo Rio-São Paulo: ter mais visibilidade, mais oportunidades? Foi, total. Tínhamos muito mais gente aqui, era um universo a se explorar. Lá estava fechando muita casa. Está foda ainda, Porto Alegre desmantelou muito. Parte da cultura e tal, oportunidade de show, rádio, fechou tudo. Antigamente não, era bem promissor. Teve várias fases em Porto Alegre, mas nunca foi o polo do mainstream. Sempre foi uma referência pela quantidade de bandas boas que surgiram por lá desde os anos 1980. Realmente, sem dúvida, mas isso foi enfraquecendo com o tempo. Mudou muito o mundo, e também a cabeça dos jovens. Porque a música sempre foi consumida pelas camadas mais jovens. O pessoal precisa consumir mesmo, ir nos shows, comprar as coisas, ficar falando. O lance de tocar na rua começou em São Paulo? Ou o Picanha de Chernobil já fazia isso em Porto Alegre também? Em Porto Alegre rolava para algumas bandas. Eu até acompanhava, era um negócio bem provinciano. Aqui em São Paulo já era bem diferente. Como a cidade já tem muito ruído, a gente começou a levar amplificadores e tal, e fazer uma coisa que não tínhamos visto ainda, uma banda de rock tocando na rua. E começamos ali no (Largo do) Paissandu, só que era bem legal, eu ia em galera, não tinha muita noção do que estava fazendo. Mas 2014 foi muito revelador para nós, muito produtivo do ponto de vista de saber os nossos limites na rua. A lei da música de rua estava sendo promulgada. Com a entrada do (Fernando) Haddad e da Nádia (Campeão), como vice-prefeita, eles deram um gás nisso. E em 2015 a gente já começou a fazer totalmente diferente. Começamos a tocar todo dia, a gente ia no Centro de São Paulo tocar no horário do almoço dos trabalhadores. Meio-dia, 13h, das 10h até umas 14h. Depois, passamos a levar violão, contrabaixo acústico, aquele rabecão, bateria reduzida, uma coisa bem mais tranquila, mais acústica, até para não causar muito alvoroço. Foi a partir de 2016, já com a Paulista Aberta, que a gente começou a tomar essa forma atual de banda, algo mais padronizado, como o público vê hoje. Essa proibição recente na Paulista afetou o Picanha de Chernobil? Estão conseguindo tocar? Como somos a banda que está há mais tempo na rua, em grupo de trabalho com a prefeitura, a gente está discutindo alguns pontos para melhorar. Na verdade, não rolou uma proibição, rolou uma ação da prefeitura, meio arbitrária, baseada num termo de ajuste de conduta. Ele diferencia o que é evento e o que não é. E aquilo foi usado contra nós, através da polícia de choque. Desde o ano passado está tendo uma resistência da prefeitura contra os artistas. Mas isso está cessando porque como a gente reuniu as pessoas, estamos na luta para promulgar a lei. Mas não temos o poder de regulamentar, nem autoridade para isso. Então estamos buscando apoios para isso. Em 2025, todo músico de rua usa equipamento de som. A gente está na maior cidade da América do Sul, uma metrópole. Como é que a gente vai cantar tudo no gogó, né? É difícil, ninguém é o Pavarotti. Mas, respondendo sua pergunta, tem três semanas que rolou aquele negócio de proibir, mas faz duas semanas que a gente tem tocado na Paulista. Tudo indica que a gente vai conseguir manter. A gente é muito educado, todo mundo ali da música de rua é muito educado. Tenta conversar, dialogar, explicar. E a gente tem argumentos muito válidos pra cidade, para a economia também. Acho que o que mais pega é o ponto da economia, né? E realmente gera muita grana, para os próprios, para as lojas. O comércio local se beneficia muito com as bandas, com a arte rolando. E no meio desse impasse para tocar na rua, o Lollapalooza chamou o Picanha de Chernobil. Como foi esse convite? A gente foi no Caldeirão do Huck, Sabrina Sato, Roberto Justus, Ratinho. Fomos para a Europa três vezes, estamos vendo de irmos a quarta ainda este ano. Lollapalooza é uma construção de dez anos, dez anos se fudendo muito: na chuva, no sol, de tudo que é jeito. Essa construção tem a ver