Fresno abraça o analógico e a memória em “Carta de Adeus”

A trajetória da Fresno, iniciada em 1999, ganha hoje um de seus capítulos mais maduros e esteticamente corajosos. O trio gaúcho, Lucas Silveira, Vavo e Guerra, disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Carta de Adeus. O trabalho, que já havia sido apresentado na íntegra em um show histórico no Espaço Unimed no último dia 18, revela uma banda que não tem medo de abandonar as ferramentas digitais modernas para buscar o que é essencial. Diferente dos álbuns anteriores, marcados por camadas densas de sintetizadores e edições precisas, Carta de Adeus é um exercício de organicidade. As guitarras soam como guitarras, a bateria respira e as vozes ocupam o espaço de forma nua e crua. >> LEIA ENTREVISTA Tonalismo dos anos 80 A sonoridade do disco foi moldada pelo uso de equipamentos analógicos da década de 80, como câmaras de eco e unidades de chorus. Esse “relicário” sonoro não é apenas um capricho vintage, mas uma forma de Lucas Silveira revisitar sua própria adolescência em Porto Alegre, cercada por sons de bandas como The Cure, New Order, Titãs e Engenheiros do Hawaii. Destaques do repertório Obra coletiva Apesar do nome sugerir um encerramento, Carta de Adeus é um disco de expansão. Ele vocaliza e potencializa o trabalho de uma rede criativa potente: Camila Cornelsen (direção criativa), Giovanna Cianelli (design), André Figueiredo (filmmaker) e Gabriel Rolim (direção visual).

Nicotine Dolls traz turnê confessional ao Brasil em setembro

O Nicotine Dolls, banda formada em Nova York e que se tornou um fenômeno global de streaming, confirmou três apresentações no Brasil para setembro de 2026. Realizada pelas produtoras Sellout Tours e Powerline Music & Books, a turnê marca a expansão internacional do grupo após ultrapassar a marca de 80 milhões de reproduções em seu catálogo. Liderada pelo carismático Sam Cieri, a banda conquistou uma legião de fãs, são quase 3 milhões de seguidores somando TikTok e Instagram, com uma proposta honesta: letras que dissecam o amor, a perda e a busca por conexão, embaladas por uma voz que a revista SPIN descreveu como tendo a “aspereza de Bruce Springsteen e a emoção de Lewis Capaldi”. Trajetória de Sam Cieri O eixo central do Nicotine Dolls é a escrita direta de Cieri. Antes de consolidar a banda com John Merritt (baixo) e Abel Tabares (bateria), o vocalista percorreu um caminho nada tradicional: abandonou a escola para tocar em bares na Flórida e em Las Vegas, chegando até a integrar turnês da Broadway. Essa bagagem teatral transparece em suas performances ao vivo, onde cada música é entregue com uma carga narrativa e dramática impressionante. Hits como What Makes You Sad (com quase 20 milhões de plays) e a aclamada releitura de The Best, de Tina Turner, serão os pilares do setlist que também apresentará as faixas do álbum de estreia de 2025, an Attempt at Romantic. Roteiro brasileiro A banda passará por três capitais: Serviço: Nicotine Dolls no Brasil Os ingressos já estão à venda exclusivamente pela plataforma Fastix.

Colomy mergulha no Yacht Rock com o novo single “Causas Naturais”

O trio Colomy disponibilizou em todas as plataformas de streaming o single Causas Naturais, o primeiro cartão de visitas do álbum Pra Quem Andou Perdido, que será lançado em julho pela Universal Music. Acompanhada de um videoclipe vibrante, a faixa revela um amadurecimento que troca as baladas contemplativas do disco anterior, Jaú (2023), por um som mais colorido, acelerado e dançante. Composta por Sebastião Reis, Pedro Lipa e Magno Britto, a música é um mergulho inédito do grupo no yacht rock, subgênero que dominou as rádios entre o final dos anos 70 e início dos 80, conhecido pela produção impecável e vibe sofisticada. Conexões internacionais e locais O que chama a atenção em Causas Naturais é o peso dos nomes envolvidos. A percussão é assinada por Barrett Martin (conhecido por seu trabalho com Screaming Trees e Mad Season). Mas as surpresas do álbum não param por aí: o disco completo contará com a guitarra de Peter Buck (cofundador do R.E.M.) e a participação do mestre brasileiro Guilherme Arantes. “Essa música traz um frescor dançante e pop ao mesmo tempo. É um lado diferente nosso que sempre esteve lá, mas que ainda não tínhamos gravado”, explica Sebastião Reis. A letra reflete sobre dilemas e recomeços de ciclos, com versos marcantes como: “Eu não tenho medo de morrer de amor, só de saudade e de outras causas naturais”. Show de lançamento no Blue Note Para os fãs que querem conferir essa nova sonoridade ao vivo, a Colomy se apresenta no dia 20 de maio no Blue Note São Paulo. O show será uma oportunidade exclusiva de ouvir, em primeira mão, as canções do novo álbum que promete ser o guia de reencontro para “quem andou perdido” nos últimos tempos.

Paulo Miklos anuncia álbum de memórias; ouça o single “O Sal da Terra”

Paulo Miklos está de volta com um projeto que promete tocar o coração de diferentes gerações. O cantor e compositor lançou nas plataformas digitais o single O Sal da Terra (clássico de Beto Guedes e Ronaldo Bastos), a primeira amostra de seu aguardado novo álbum pela gravadora Deck. O projeto não é apenas um disco de intérprete; é um mapa afetivo da trajetória de Miklos. O repertório foi construído a partir das canções que moldaram sua identidade e marcaram momentos decisivos de sua vida, desde as paixões da juventude até os acontecimentos que definiram sua carreira. Mensagem atual em O Sal da Terra A produção do single (e do álbum) é assinada por Rafael Ramos e Otávio de Moraes. Este último também é o responsável pelos luxuosos arranjos e pela regência do naipe de cordas e metais que acompanham a banda completa na gravação. O resultado é uma versão que respeita a essência solar da original, mas ganha uma densidade e elegância típicas da maturidade vocal de Paulo. “São canções que carregam o grande poder de me trazer de volta as sensações e paixões de anos marcantes”, comentou o artista. O Sal da Terra, especificamente, foi escolhida para abrir os trabalhos por sua mensagem de união e generosidade, algo que Miklos considera fundamental para o momento atual do mundo. Jornada de reconexão Diferente de seus trabalhos autorais anteriores, onde explorou o rock e o pop contemporâneo, este novo disco coloca Miklos como um curador de sua própria história. Ao revisitar clássicos da MPB com essa roupagem orquestral e moderna, ele reafirma sua versatilidade como um dos maiores intérpretes do país.

Black Pantera solta “Cola”, segunda amostra do Ao Vivo no Circo Voador

O trio mineiro Black Pantera deu mais um passo rumo ao lançamento de seu primeiro álbum audiovisual. A banda soltou hoje o single Cola (Ao Vivo no Circo Voador), segunda amostra do projeto Resistência! Ao Vivo no Circo Voador, que será lançado na íntegra pela Deck no dia 8 de maio. Gravada em uma noite histórica em 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra, a faixa captura a energia visceral da celebração de 11 anos da banda. Mas Cola carrega um significado que vai além dos riffs pesados: a música se tornou a trilha oficial do “mosh das meninas”, a roda-punk exclusivamente feminina que virou marca registrada das apresentações do grupo. Mosh como ferramenta de luta Para o baixista e vocalista Chaene da Gama, registrar esse momento em audiovisual era fundamental. “O mosh das meninas é muito importante para a dinâmica do show. É uma música que dá pra gente trazer elas para o protagonismo, deixar elas no centro, e falar sobre o combate à misoginia e ao feminicídio”, explica. A versão ao vivo potencializa a letra, que já era um soco no estômago em sua versão de estúdio. O clipe que acompanha o single foca justamente na força das mulheres que ocupam o espaço da plateia com segurança e liberdade, transformando a agressividade sonora do hardcore em um ato de união e proteção. Exibição no Bis O álbum completo e o audiovisual Resistência! chegam em 8 de maio. Para quem não quer perder nenhum detalhe, o show será transmitido pelo Canal Bis na mesma data. Até lá, o público pode conferir Cola e o single anterior, Fogo nos Racistas, que já dão o tom do que foi essa noite incendiária no Rio de Janeiro.

Mortification volta à América Latina e confirma quatro shows no Brasil

Após mais de uma década longe dos palcos, o Mortification está oficialmente de volta. Pioneira do death/thrash metal e uma das bandas mais influentes da história do metal extremo, a banda australiana anunciou uma turnê pela América Latina com quatro datas confirmadas no Brasil. O retorno marca uma nova fase do grupo, agora com uma formação especial que celebra o legado construído por Steve Rowe, fundador e principal nome da trajetória da banda. A volta acontece após um longo período de hiato, motivado pelo estado de saúde de Rowe, que se aposentou definitivamente das apresentações ao vivo. Mesmo fora dos palcos, o músico segue diretamente envolvido no projeto, supervisionando detalhes como repertório, identidade visual e direção geral da turnê. Para assumir os vocais e o baixo, o Mortification recrutou Luke Renno, conhecido pelo trabalho no Crimson Thorn. A nova formação reúne ainda nomes históricos que passaram por diferentes fases da banda: os guitarristas Lincoln Bowen e Mick Jelinic, além do baterista Jayson Sherlock, integrante da formação clássica do início dos anos 1990. A excursão também celebra os 35 anos do icônico álbum Scrolls of the Megilloth, um dos discos mais importantes do metal cristão extremo e peça fundamental da discografia do grupo. No Brasil, a turnê terá quatro apresentações em fevereiro de 2027: 17/2 em Recife, no Downtown Recife; 19/2 em Belo Horizonte, no Mister Rock Bar; 20/2 em São Paulo, no Burning House; e 21/2 em Curitiba, no Basement Cultural. Os shows contarão ainda com as bandas Terraphobia, da Austrália, e Antidemon, do Brasil, como atrações de abertura. A produção executiva é assinada pela En Hakkore Rec, responsável por recentes turnês de nomes como Stryper, P.O.D., Demon Hunter e Narnia. Para os fãs de metal extremo, o retorno do Mortification representa um dos anúncios mais relevantes do gênero para 2027, resgatando um nome fundamental na construção do death/thrash mundial. Histórico Formado na Austrália no fim dos anos 1980 a partir das cinzas do Lightforce, o Mortification se consolidou como um dos nomes mais importantes do metal extremo mundial nos anos 1990. Liderada por Steve Rowe, a banda ganhou notoriedade ao misturar death, thrash e grindcore em discos que se tornaram referência, especialmente Scrolls of the Megilloth (1992), considerado um clássico do gênero. Ao longo da carreira, o grupo lançou mais de uma dezena de álbuns e ajudou a expandir o alcance do metal australiano para o mercado internacional, incluindo lançamentos pela Nuclear Blast. Além do peso sonoro, o Mortification também se tornou pioneiro por sua forte identidade cristã, sendo uma das primeiras bandas a levar mensagens de fé para dentro do death metal extremo. Em um cenário historicamente associado a temáticas sombrias e anticlericais, o grupo abriu caminho para o chamado christian death metal, transformando-se em referência para diversas bandas que surgiram depois dentro do nicho. Essa combinação entre brutalidade musical e letras voltadas à espiritualidade foi um dos principais elementos que ajudaram a construir o status cult e a relevância histórica da banda. Serviço17 de fevereiro — Recife | Downtown Recife19 de fevereiro — Belo Horizonte | Mister Rock Bar20 de fevereiro — São Paulo | Burning House21 de fevereiro — Curitiba | Basement Cultural Ingressos: venda pela Clube do Ingresso.

Entrevista | Crypta- “A Victoria já entrou contribuindo criativamente, isso foi a chave para efetivá-la”

A Crypta se prepara para encerrar no Brasil o ciclo de shows do álbum Shades of Sorrow, trabalho que consolidou ainda mais a força do grupo no cenário do death metal mundial. Após uma sequência intensa de apresentações, incluindo 31 shows em 39 dias nos EUA, a banda chega à reta final da turnê nacional antes de voltar para a Europa e suas atenções integralmente ao próximo disco. Depois dessas datas, o repertório do álbum atual deve dar espaço ao novo material, que já está em fase avançada de composição. O encerramento dessa etapa em território nacional acontece com duas datas de peso em São Paulo: um show no Hangar 110 e a participação no Bangers Open Air, festival que se tornou uma vitrine importante para a banda no país. As apresentações marcam a despedida ao vivo do repertório dos dois últimos discos e também de algumas músicas mais antigas. Em entrevista ao Blog n’ Roll, a baterista Luana Dametto falou sobre a reta final da turnê de Shades of Sorrow, o processo de composição do novo álbum e a entrada definitiva da guitarrista Victoria Villarreal na formação. Como você avalia esse momento final da turnê de Shades of Sorrow? Houve algum show mais marcante nessa reta final? É difícil apontar um show mais marcante, porque com certeza teve, mas a gente toca tanto que minha memória dura no máximo até o que eu fiz ontem à tarde. Depois eu já deleto tudo. Essas últimas turnês do Shades têm sido muito boas. Já estamos tocando essas músicas há bastante tempo, então é como um impulso final, sabe? Tipo: beleza, vamos tocar essas agora e depois focar totalmente no disco novo. Também é a última chance de tocar algumas músicas que a gente não vinha tocando há um tempo, inclusive faixas do Echoes of the Soul que estavam mais abandonadas. A gente pensou: vamos colocar de volta no setlist, já que é a última turnê dessa fase. Ainda tem uma sequência importante na Europa, entre junho e agosto, e aí sim eu acredito que essa turnê do disco se encerra de vez. Os shows finais no Brasil serão no Hangar 110 e no Bangers Open Air. Existe um peso especial por serem datas em casa? Estou achando muito massa que, nessa última sequência de shows no Brasil, a gente teve a oportunidade de tocar no Bangers, que é um festival grande. Como são as últimas datas no Brasil com esse disco, foi importante conseguir uma vaga forte assim para divulgar esse final de turnê. Além do Bangers, também tivemos o festival em Friburgo, que foi muito bom, e ainda teremos esse show do Hangar. Talvez não sejam tantas datas no Brasil, mas são datas muito boas para fechar esse ciclo. Também existe a empolgação do público pela oficialização da nova integrante. A gente já tinha tocado com a Victoria antes, então não foi exatamente uma surpresa, mas a confirmação dela trouxe um novo olhar para a banda, inclusive de pessoas que ainda não conheciam o trabalho. Por que decidiram efetivar a Vitória agora, nessa reta final da turnê? A gente já queria há algum tempo ter uma nova integrante na banda. Desta vez, ao invés de simplesmente chamar alguém direto, resolvemos fazer diferente: testar em turnê, testar em várias situações e depois decidir. Tecnicamente, muitas pessoas poderiam assumir o posto. Tivemos músicos testados até mesmo pela internet. Mas o que estávamos procurando ia muito além da parte técnica. Queríamos alguém que agregasse nas composições, alguém com background no death metal e experiência na cena. A Victoria já entrou contribuindo criativamente. Ela compôs, mandou ideias, e a gente percebeu que aquilo combinava muito com a banda. Isso foi a chave final para efetivá-la. Então deu tempo dela conseguir colocar o DNA dela no próximo álbum? Sim. Embora tenha sido oficializada agora, ela já vinha participando desse processo há algum tempo. Durante essa fase de testes, ela já estava compondo com a gente. Quando ela mandou algumas composições, a reação foi imediata: “isso aqui combina”. Foi aí que entendemos que era o momento certo para efetivar. Então, sim, deu tempo de ela deixar a marca dela no disco. É, se teve essa química, é melhor não perder a oportunidade. Você pode contar em que estágio está o próximo álbum? A gente já tem quase o disco todo. Talvez mais um mês para terminar a composição e mais uns dois meses para acertar todos os detalhes. As demos principais da maioria das músicas já estão prontas. O maior desafio é realmente encontrar tempo, porque estamos sempre em turnê. Nos intervalos entre as datas, a ideia é finalizar tudo para conseguir gravar ainda este ano. O lançamento, muito provavelmente, fica para o ano que vem, porque depois da gravação ainda existe todo o processo de produção, prensagem e lançamento. Então a ideia é entrar em estúdio após os shows finais na Europa? Exatamente. Talvez um pouco depois, para dar tempo de colocar tudo em ordem e também descansar o corpo após a turnê. Mas o plano é esse: finalizar os shows, organizar tudo e partir para a gravação. Existe uma ligação enorme de vocês e o Bangers. O show no Bangers terá algo especial? Sim. Como é um show focado nos dois últimos discos, a gente mudou o setlist em comparação ao que vinha fazendo até agora. Estamos trazendo algumas músicas que fazia muito tempo que não tocávamos, faixas que a gente achou que talvez nunca mais voltassem ao repertório. Como é a última oportunidade de tocar esse material, resolvemos aproveitar. Tem como dar um spoiler? Dá sim. Uma das músicas é “I Resign”, que voltou ao set. Fazia muito tempo que eu não tocava essa música, precisei até assistir ao meu próprio playthrough para lembrar como era. Ainda bem que tinha vídeo, pois eu já tinha esquecido. E além da Crypta você tem realizado sonhos, né? Como foi participar da homenagem ao Joey Jordison? Foi uma das coisas mais importantes que já me

Supercombo faz primeiro show da segunda parte de Caranguejo neste domingo

A Supercombo sobe ao palco da Casa Natura Musical neste domingo, 26 de abril, para o show de lançamento de Caranguejo (Parte 2), novo capítulo do álbum dividido em duas etapas e já disponível nas plataformas de streaming. A apresentação, marcada para as 19h, será a primeira oportunidade para o público acompanhar ao vivo as oito faixas inéditas que completam o projeto lançado pela Deck. Depois de circular por seis estados ao longo de 2025 com a primeira metade do disco, a banda encerra agora o ciclo de um trabalho concebido desde o início como uma obra em dois tempos. A segunda parte se conecta diretamente ao repertório já apresentado, mas propõe uma mudança de atmosfera, explorando novos climas, ritmos e texturas sem perder a unidade estética do álbum. O resultado amplia a proposta sonora de Caranguejo, mantendo a identidade que consolidou o grupo entre os principais nomes do rock alternativo nacional. Em entrevista ao Blog N’ Roll (relembre aqui), o vocalista Léo Ramos afirma que com as duas partes juntas, Caranguejo é um dos álbuns mais incríveis da banda. Musicalmente, o rock continua como eixo central da Supercombo, mas as novas canções apostam em contrastes de dinâmica, mudanças de andamento e diferentes camadas de ambiência. Entre momentos mais diretos e passagens introspectivas, a banda preserva o equilíbrio entre riffs marcantes, melodias fortes e letras conectadas ao cotidiano, características que acompanham sua trajetória. O trabalho mostra bem a ideia de caranguejo, que vai de um lado ao outro, indo do metal à MPB. O show na capital paulista marca não apenas a estreia ao vivo do novo repertório, mas também o início de uma fase importante do projeto. ServiçoSupercombo – lançamento de Caranguejo (Parte 2)Data: 26 de abril de 2026 (domingo)Local: Casa Natura MusicalHorário: 17h30 (abertura da casa) | 19h (show)Classificação: 18 anos

Entrevista | Rafael Witt – “Fui escolhido pelo próprio Lumineers. Foi um sonho que virou realidade”

Hoje começa no Rio de Janeiro um dos momentos mais simbólicos da trajetória de Rafael Witt. O cantor e compositor gaúcho dá início nesta terça-feira (22) à série de apresentações como atração de abertura da turnê brasileira do The Lumineers, com show no Vivo Rio. A participação de Witt nos três concertos da banda no país, que ainda passa por Curitiba e São Paulo, nasceu de uma mobilização nas redes sociais: após publicar um vídeo no Instagram pedindo a oportunidade, o artista viu sua comunidade de fãs impulsionar a campanha com centenas de comentários e compartilhamentos, movimento que chamou a atenção da produção da turnê. Mais do que um passo importante na carreira, a abertura dos shows carrega um peso afetivo e artístico. Foi justamente no indie-folk de The Lumineers e Mumford & Sons que Witt encontrou algumas de suas principais referências ainda na adolescência. Agora, a influência que ajudou a moldar sua identidade musical se transforma em realidade no palco, em uma conexão direta entre formação artística e projeção profissional. O momento também reforça a consolidação de seu nome dentro do circuito folk contemporâneo, após passagens recentes por turnês ao lado de Seafret e Hollow Coves no Brasil. Natural de Caxias do Sul, Rafael Witt vem construindo carreira de forma independente, com turnês pelo Brasil, Europa e América do Norte, além de números expressivos nas plataformas digitais. Seu álbum Wanderer, lançado em 2024, já ultrapassa 1,5 milhão de streams no Spotify, consolidando uma trajetória marcada por composições em inglês, forte apelo autobiográfico e temas como pertencimento, transformação e deslocamento. A estreia da turnê com The Lumineers nesta noite, no Rio, marca um capítulo decisivo e emblemático para o artista. Como surgiu a campanha para abrir o show do The Lumineers e como foi receber a notícia? Foi muito engraçado. Eu tenho essa tradição na minha carreira, desde o início, de compartilhar com os fãs os meus sonhos e vontades. Algumas coisas se concretizam, outras ainda não, mas a galera já está acostumada com a minha cara de pau de simplesmente dizer: “gente, eu quero isso, vamos ver se a gente consegue fazer acontecer”. Nesse caso, eu tive a audácia de gravar um vídeo bem produzido, falando em inglês diretamente para o Lumineers. Quase como um portfólio. Eu mostrei tudo o que já fiz, os shows que já abri, as cidades em que tenho público, as turnês na Europa e nos Estados Unidos, além de reforçar que meu som tem tudo a ver com eles. Inclusive mostrei um vídeo meu, com 14 anos, tocando uma música da banda. Pedi para a galera comentar, marcar o Lumineers e a Live Nation, e o vídeo acabou ganhando uma repercussão enorme. Duas semanas depois, recebi a mensagem da Live Nation perguntando se eu tinha as datas disponíveis. Falei brincando “Deixa eu olhar na minha agenda” (risos). Claro que eu tinha. Depois veio a confirmação de que eu tinha sido escolhido pelo próprio Lumineers. Foi um sonho de infância que começou na internet e virou realidade. Que conselho você daria para bandas e artistas que estão começando e sonham com oportunidades como essa? Eu acho que o principal é desenvolver a carreira de forma consistente. Não basta só querer estar naquele palco, você precisa estar preparado para isso. No meu caso, eu cuido muito das composições, da qualidade dos vídeos, da apresentação ao vivo e do meu posicionamento como artista autoral. Também acho importante jogar os sonhos para o universo. Falar sobre eles, compartilhar, fazer acontecer. Às vezes as pessoas têm vergonha de pedir, de tentar. Eu nunca tive isso. Mas claro que não é só pedir: você precisa mostrar que merece estar ali. No fim, a banda e a produção fazem uma curadoria, então tem que fazer sentido artisticamente. Como está sendo a preparação para abrir o maior show da sua carreira? Como você monta o setlist? Estou muito animado e, ao mesmo tempo, nervoso. É o maior palco em que já subi na vida. Acho que o palco é maior do que todos os shows que já fiz somados. Isso exige muita concentração e muita dedicação. Mas eu levo isso com humor. Nos shows de abertura, sempre falo para o público que sei que eles não foram ali para me ver, mas que já estão presentes e podem curtir aquele momento. Acho que essa honestidade aproxima as pessoas. Também preparei algumas surpresas no repertório, incluindo um cover inesperado de “Lose Yourself”, do Eminem, em uma versão bem diferente. É sempre um momento divertido e ajuda a quebrar o gelo. Além de Lumineers e Mumford and Sons, quais são as principais influências do seu trabalho? No meu som, as maiores referências são The Lumineers, Mumford & Sons e Of Monsters and Men. Também tem muita influência de Ed Sheeran, John Mayer e até de Taylor Swift. Mas quando eu era mais novo, era muito ligado ao rock e ao metal. Ouvi muito Metallica, Slipknot e Linkin Park. Acho que isso também aparece de alguma forma na minha identidade musical. Suas músicas são bem intimistas, como funciona o seu processo de composição? As histórias são verdadeiras e autobiográficas? Ele é muito autobiográfico. Eu comecei a escrever músicas como uma forma de terapia. Escrevia em inglês porque tinha vergonha de expor exatamente o que estava sentindo para as pessoas próximas. Sempre foi uma forma muito honesta de colocar para fora inseguranças, medos, amores, transformações pessoais e momentos difíceis. As músicas falam muito sobre a minha vida, sobre relações e sobre esse processo de amadurecimento. Pode dar um exemplo de história para gente? Eu escrevi “Space and Time” no começo de um relacionamento. Essa história é até engraçada e meio dolorida ao mesmo tempo. Eu sempre brinco que vou ter que tocar essa música pelo resto da minha vida e, inevitavelmente, lembrar da minha ex-namorada, porque é a música que as pessoas mais gostam e sempre pedem nos shows. Naquele momento, eu vinha de uma fase em que não queria me apaixonar de novo. Eu