Entrevista | Kelsey Lu – “Quando aquele violoncelo quebrou, não consegui levantar da cama”

A multi-instrumentista e artista visual Kelsey Lu está de volta com seu mais novo e aguardado projeto de estúdio, So Help Me God. Conhecida pela atmosfera suntuosa, devocional e orquestral de sua estreia com Blood, a artista agora convida o público a testemunhar uma virada radical em sua jornada criativa. Longe de ser um manifesto de cura pacífica, o novo trabalho é descrito como um verdadeiro acerto de contas com o passado, onde Lu decide caminhar pelas próprias sombras para resgatar a pureza de sua arte. O estopim para essa transformação profunda aconteceu em 2020, quando o violoncelo que acompanhava a artista há mais de duas décadas rachou em suas mãos logo no início da pandemia. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, Kelsey Lu revelou que o incidente simbólico a mergulhou em um luto profundo, forçando-a a abandonar sua zona de conforto e a reconstruir sua identidade musical longe do instrumento que antes lhe servia como escudo. O resultado é uma produção multifacetada, moldada por anos de isolamento, superação e reconexão espiritual. Além das barreiras sonoras, o processo criativo do álbum transbordou para as artes plásticas. Kelsey Lu explicou como o tarô e desenhos em larga escala feitos em seu ateliê servem para que ela decifre as histórias visuais de suas composições. Essa fusão de linguagens já ganhou vida em performances imersivas na Europa, onde o público participou ativamente da criação de obras de arte sob o chão de palácios históricos, um conceito de “escavação de si mesma” que ela planeja estender para suas futuras apresentações ao vivo. Durante a conversa, a artista não escondeu o entusiasmo ao falar sobre o Brasil e o desejo de trazer a nova turnê ao país. Demonstrando grande admiração pela cultura local, Kelsey Lu revelou considerar o português um dos idiomas mais bonitos e rítmicos do mundo, destacando o “fogo” e a musicalidade natural do povo brasileiro. Para os fãs que aguardam ansiosamente por sua estreia em solo nacional, o aceno da cantora acende a esperança de uma performance histórica em breve. So Help Me God já está disponível em todas as plataformas digitais. Você pode conferir a entrevista completa com Kelsey Lu abaixo. Seus brincos são lindos, combina com o esse desenho aqui em cima. Sim, lindo! Eu pratico tarô. Então, quando estou no processo de tentar entender e descobrir qual é a história de cada música, quando estou tentando decifrar as histórias visuais e tudo mais, meio que me baseio no que está aparecendo nas minhas leituras diárias de tarô. Mas também escrevo as letras bem grandes. Eu meio que as deixo na minha parede por um tempo para, de certa forma, queimarem no meu subconsciente. Assim consigo tentar entender exatamente sobre o que estava falando, porque muitas vezes no meu processo de escrita e gravação, não sei necessariamente com quem ou sobre o que estou falando, ou ao que estou me referindo. Então preciso passar um tempo meditando sobre isso depois para entender melhor. E este é mais ou menos o meu processo. E com Portrait of a Lady on Fire, eu continuava tirando o Ás de Espadas. Então este é o meu desenho baseado nisso. E depois esse tipo de coração e fogo no centro. É lindo. É algo que você desenvolveu sozinha ou algo que aprendeu? Sim, é algo que desenvolvi por conta própria. Na verdade, tenho uma prática de desenho desde pequena. Meu pai é retratista. Então cresci nesse ambiente, e o ateliê dele ficava em casa. Por isso, cresci muito perto de pastel a óleo… ele trabalha com pastel a óleo, carvão e todo esse tipo de coisa. Cresci muito em torno disso e tive uma prática secreta por muito tempo. E isso tem sido, sim, a minha prática no que diz respeito à composição. Mas isso geralmente vem depois que escrevi uma música, ou até mesmo no meio da escrita, quando preciso tentar descobrir como será o resto dela. Gosto de fazer as coisas em grande escala. Assim consigo realmente sentir a emoção, especialmente enquanto estou escrevendo, sabe? Porque, por exemplo, esta aqui, Running the Pain, a escrita, o estilo, o sentimento e o movimento através das linhas das palavras são tão diferentes do que são nesta outra. Então, sim. Sim. E você pensa em usar isso nos seus shows ou algo assim? Sim, já pensei sobre isso. Fiz uma performance em Veneza há algumas semanas chamada Penumbra. E foi uma instalação em escala realmente grande, onde preenchi todo o espaço, o último andar deste palazzo, com terra. E debaixo da terra, coloquei esses rolos grandes de papel. Depois, espalhei pedaços de carvão e também um pouco de pó de carvão. E esse dançarino com quem colaboro, o Josh Johnson… ele e eu fizemos esses movimentos, esses diferentes tipos de movimentos sobre isso enquanto ouvíamos o álbum. Depois cobri com camadas finas de terra, mais um pouco de carvão e mais terra. Então, todos que estavam assistindo à performance também foram participantes ativos na criação do desenho que surgiu depois. E após a performance, eu escavei todos os desenhos e eles estão incríveis. Estão com uma aparência tão, tão… são realmente muito especiais. Vou voltar lá no começo de julho para fazer outra abertura e exibição das obras no palazzo. Mas acho que é algo que eu adoraria fazer porque, sabe, com o álbum em si, é uma profunda exploração e escavação de si mesma. E também um esforço para se conectar consigo mesma, mas também com o mundo. Acho que, enquanto fazia isso, percebi quantas paredes de medo construí ao longo do tempo. Isso como resultado da maneira como fui criada, que é temer o mundo e temer as pessoas. E, sabe, a música para mim sempre foi essa espécie de salvadora e uma forma de me conectar com as pessoas. Ao longo da minha jornada lançando música e me conectando com pessoas pelo mundo todo… sabe, quando lancei meu último álbum, houve muitas coisas vindas tanto da indústria quanto da gestão que

Capacetes em chamas e pistola de raios alfa: a abdução do Man Or Astro-man? em Santos, em 1999

Considerada uma das maiores bandas de surf music do mundo, com repertório praticamente inteiro instrumental, o Man Or Astro-man? visitou Santos em sua segunda turnê ao Brasil, em 26 de setembro de 1999. A apresentação histórica aconteceu na extinta casa noturna Millenium (Av. Ana Costa, 554B, no Gonzaga), com abertura do Garage Fuzz e do Sonic Sex Panic. Menos de um ano antes, a banda do Alabama (EUA) havia feito sua primeira turnê no Brasil. O rolê foi tão bem-sucedido que eles não pensaram duas vezes antes de retornar, e o motivo era uma verdadeira paixão pelo país. Em entrevista para a Folha de Londrina, em 1999, o baterista e membro-fundador Brian Teasley (o Birdstuff) declarou que o Brasil era o seu país favorito. O músico fez questão de exaltar a energia local: “Nos Estados Unidos e na Europa, as pessoas sentam em suas poltronas e ouvem música de forma muito polida, muito correta. Vocês (brasileiros) aí vivem a música, todo mundo tem banda e parece que a música é uma parte significativa das vidas de vocês”. A ligação da banda com o país foi além das palavras. Revelando admiração por Mutantes e Chico Science, Birdstuff foi poético: “Minha vida não estaria completa se não fosse o Brasil. Funcionou como uma inspiração para nós, por isso gravamos o disco aí”. De fato, a segunda turnê, que passou por 12 cidades brasileiras, serviu para divulgar o nono álbum da banda, Eeviac, gravado no estúdio móvel deles (o Zero Return) em Belo Horizonte durante a primeira passagem pelo país. Risco do Garage Fuzz e a gafes da imprensa Apesar do status cult da banda, o show em Santos quase não aconteceu. Segundo resenha da época feita pelo fanzine Surfcore, assinada por Marco Casado e Victor Martins, se não fosse pelo esforço do pessoal do Garage Fuzz, o público da Baixada teria que “subir a Serra de novo”. O Surfcore detalhou que o aluguel dos espaços de shows estava muito caro e que a Millenium, local escolhido para o evento, era novata no ramo de rock, enchendo apenas “de vez em nunca de funkeiros ou playboys”. Isso fez com que os donos da casa duvidassem do sucesso do evento, mas a aposta do Garage Fuzz e a boa divulgação lotaram a discoteca, surpreendendo os proprietários. A ironia do evento, no entanto, ficou por conta da imprensa. O fanzine relatou, com indignação, que a rádio, os jornais e os cartazes trataram o gigantesco Man or Astro-man? como uma banda de suporte para o Garage Fuzz. “O jornal apenas dizia ‘uma banda bem legal que toca vestida de uniformes da Nasa’ e o resto do texto todo falando do GF”, destacou a publicação. Skate rock, mosh e os “roadies alienígenas” do Man Or Astro-man? A noite começou quente com o Sonic Sex Panic. A banda entregou um HC melódico e agressivo, definido pelo zine como “skate rock”, tocando músicas novas em português que retratavam problemas pessoais, uma possível influência do novo baixista, Medina (também do Sociedade Armada). O Garage Fuzz subiu na sequência, misturando os clássicos do primeiro CD com faixas mais recentes. A resenha pontuou, com certa irritação, que os fãs exaltados atrapalharam: “Mais uma vez os idiotas do stage diving atrapalharam o show”. Essa invasão repetiria-se no show principal, mas em menor escala, pois a “maioria dos chatos” já havia ido embora. A longa espera para a atração principal justificou-se pela complexidade do palco. “Os integrantes travestiram-se de funcionários de usina nuclear com macacões e capuzes brancos com máscara de oxigênio e óculos escuros”, relatou o Surfcore sobre a equipe técnica. Os “roadies alienígenas” montaram um verdadeiro laboratório sonoro, espalhando projetor de imagens super-8, um laptop ligado ao P.A., samplers e inúmeras mangueiras pelo palco da Millenium. Abdução: macacões da Nasa e espetáculo classe A Do nada, Birdstuff (bateria), Blazar the Probe Handler (guitarra), Trace Reading (guitarra) e Coco the Electronic Monkey Wizard (vocal e mentor) surgiram vestindo macacões vermelhos da Nasa. Para o Surfcore, o que se viu a seguir não foi um show, mas um espetáculo “Classe A”. Com movimentos robóticos enquanto tocavam, os integrantes entregaram um setlist focado no futurista Eeviac, mas recheado de faixas do aclamado Destroy All. Embora tenham deixado de fora clássicas como Popcorn Crabula, a destruição sonora foi garantida com músicas como Reverb 10,000, a viajante Bermuda Triangle Shorts, Bombora e Destination Venus. Os pontos altos da noite uniram técnica e insanidade. A plateia foi ao delírio quando Coco e Blazar dividiram o mesmo baixo de dois braços para tocar, e o choque foi total quando Coco incendiou seu “capacete combustível”, repleto de mangueiras, em cima da própria cabeça. Para resumir o nível daquela noite alienígena em Santos, o fanzine fechou sua resenha pegando emprestada uma frase do jornalista André Barcinski: “Quem perdeu este show merece ser dizimado por uma pistola de raios alfa”.

Selvagens à Procura de Lei lançam single triplo e anunciam álbum “Pivete”

A banda cearense Selvagens à Procura de Lei está de volta e, desta vez, o foco é a vida real. O grupo deu o pontapé inicial na divulgação de seu novo álbum de estúdio, Pivete (previsto para agosto), com o lançamento do single triplo Dia de Rua. Ao contrário da tendência de produções polidas e algoritmos, o quarteto aposta em um manifesto orgânico: abrir mão da inteligência artificial e abraçar a imperfeição. “É livre, espontâneo e analógico. Vamos contra as ideias estabelecidas”, explica o vocalista Gabriel Aragão. Resistência e parcerias potentes O single triplo traz colaborações que elevam o projeto a um patamar de manifesto político e social: Para o baterista Matheus Brasil, a presença de Leo Suricate foi um momento de catarse. “Vimos o Léo inflamando multidões em carros de som em Fortaleza, trouxemos essa mesma energia para o estúdio. O resultado foi arrepiante”. Conceito de “Pivete” O álbum promete uma linha narrativa sobre um personagem marginal: o seu nascer, viver e morrer. É um projeto que busca, antes de tudo, a conexão real. O baixista Jonas Rio define bem o espírito do trabalho: “São músicas para bater cabeça no palco, mas também para refletir entre o individual e o coletivo”.

Militarie Gun estreia no Brasil com shows em Curitiba e São Paulo

Um dos nomes mais comentados da nova geração do hardcore norte-americano, o Militarie Gun fará sua estreia no Brasil em novembro. A banda de Los Angeles, apontada como um dos principais expoentes da cena que ajudou a levar o hardcore para além do circuito underground, se apresenta no dia 28 de novembro, no Belvedere, em Curitiba, e no dia 29 de novembro, no Hangar 110, em São Paulo. Os shows fazem parte da primeira turnê latino-americana do grupo, que também passará por México, Costa Rica, Colômbia, Chile e Argentina. Formado em 2020 e liderado por Ian Shelton, conhecido também pelo trabalho à frente do Regional Justice Center, o Militarie Gun surgiu em meio a uma nova fase do hardcore que ganhou visibilidade internacional graças a bandas como Turnstile. A diferença é que o grupo encontrou seu próprio caminho ao combinar a intensidade do punk e do hardcore com melodias acessíveis, refrões marcantes e elementos que dialogam diretamente com o rock alternativo dos anos 1990. A ascensão da banda começou com a série de EPs “All Roads Lead to the Gun”, mas ganhou outra dimensão com o lançamento de “Life Under the Gun”, em 2023. O disco chamou atenção ao unir agressividade, concisão e apelo melódico em músicas como “Do It Faster”, “Very High” e “Big Disappointment”, faixas que ajudaram a transformar o Militarie Gun em um dos nomes mais promissores da música pesada contemporânea. Agora, a banda vive um novo capítulo com “God Save The Gun”. No álbum, Ian Shelton amplia a abordagem emocional das composições ao explorar temas como autodestruição, culpa, perda de controle e tentativa de reconstrução pessoal. Sem abandonar a urgência do hardcore, o trabalho aproxima ainda mais a banda do universo do rock alternativo, mostrando como o gênero pode expandir seus limites sem perder a intensidade que o caracteriza. Produzido em parceria com Riley MacIntyre, profissional que acumula trabalhos ao lado de artistas como Adele, Arlo Parks e The Kills, o novo álbum reforça a capacidade do Militarie Gun de transitar entre diferentes públicos. É justamente essa combinação entre peso, vulnerabilidade e alcance que transformou a banda em uma das principais representantes da nova fase do hardcore mundial e que agora poderá ser conferida de perto pelo público brasileiro. SERVIÇO Militarie Gun em Curitiba Data: 28 de novembro de 2026 Local: Belvedere Endereço: Rua Inácio Lustosa, 496, São Francisco, Curitiba/PR Ingressos: meaple.com.br/belvedere/militarie-gun Militarie Gun em São Paulo Data: 29 de novembro de 2026 Local: Hangar 110 Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro, São Paulo/SP Ingressos: fastix.com.br/events/militarie-gun-eua-em-sao-paulo

Dark Chapel entra na turnê do Black Label Society e Zakk Wylde fará show duplo em São Paulo

A turnê brasileira do Black Label Society ganhou dois atrativos extras para os fãs de heavy metal. A principal novidade é a inclusão do Dark Chapel como banda de abertura em todas as apresentações pelo país. Liderado pelo guitarrista e vocalista Dario Lorina, integrante do próprio Black Label Society desde 2014, o grupo norte-americano acompanhará Zakk Wylde em todas as datas da excursão marcada para outubro. A presença do Dark Chapel reforça ainda mais a conexão da turnê com o universo criativo de Wylde. Embora seja conhecido pelo trabalho ao lado do guitarrista, Lorina desenvolve uma carreira paralela que ganhou força com o lançamento de “Spirit in the Glass”, álbum de estreia do Dark Chapel, lançado em 2025. O disco reúne elementos de metal alternativo, grunge, blues e hard rock, equilibrando peso e melodias em faixas como “Glass Heart”, “Hollow Smile”, “Corpse Flower” e “Dead Weight”. Antes de integrar o Black Label Society, Dario Lorina chamou atenção ainda adolescente ao tocar com Jani Lane, ex-vocalista do Warrant, e posteriormente integrar a banda Lizzy Borden. Além do trabalho com o Dark Chapel, o músico também possui uma carreira instrumental consolidada, com dois álbuns lançados pela tradicional gravadora Shrapnel Records. Sua participação na turnê brasileira oferece ao público a oportunidade de conhecer uma faceta diferente de um dos músicos mais próximos de Zakk Wylde nos últimos anos. Confira aqui a entrevista com Zakk Wylde feita neste ano Outra novidade anunciada pela organização envolve a apresentação de São Paulo, no dia 18 de outubro, na Terra SP. Pela primeira vez no Brasil, Zakk Wylde fará dois shows no mesmo evento. Antes da apresentação principal com o Black Label Society, o músico sobe ao palco com o Zakk Sabbath, projeto dedicado a revisitar clássicos do Black Sabbath. O formato repete a dobradinha que o guitarrista já vem levando para os Estados Unidos e Europa, reunindo duas fases distintas de sua trajetória em uma única noite. A passagem pelo Brasil acontece poucos meses após o lançamento de “Ozzy’s Song”, homenagem que o Black Label Society fez a Ozzy Osbourne após a morte do cantor em 2025. Com mais de 25 anos de estrada, a banda segue como um dos principais nomes do heavy metal contemporâneo, agora acompanhada por uma das revelações mais promissoras do círculo criativo de Zakk Wylde.

Wally, ex-CPM 22, lança EP de estreia de sua nova banda Trompas

O guitarrista e vocalista Wally, conhecido por ter sido um dos fundadores do CPM 22, apresentou o EP de estreia de sua nova banda, Trompas. Intitulado “Anxiety”, o trabalho já está disponível nas plataformas digitais e reúne seis faixas que transitam entre sludge, stoner e grunge, apostando em riffs pesados, andamentos arrastados e atmosferas carregadas. O lançamento marca oficialmente o início da trajetória do trio, formado ainda por Benhur Lima, ex-Hibria, e Thiago Caurio, parceiro de Wally desde os tempos do Astafix. Construído a partir de temas como ansiedade, frustração, desgaste emocional e os aspectos mais sombrios da experiência humana, o EP apresenta uma sonoridade que dialoga com referências como Black Sabbath, Nirvana, Crowbar, Mastodon e Monolord. Em vez de buscar uma simples homenagem ao passado, o Trompas utiliza essas influências para criar uma identidade própria baseada em peso, densidade e intensidade emocional. Antes do lançamento completo, três faixas já haviam antecipado o universo do disco. “Ten Year Hate”, que aborda o acúmulo de desgaste emocional ao longo do tempo, ultrapassou a marca de 200 mil visualizações no YouTube. Na sequência vieram “Lost Again”, inspirada por sonhos recorrentes ligados a um relacionamento conturbado, e “Anxiety” (clipe acima), composição nascida das inquietações vividas durante o período da pandemia. Os três singles ganharam videoclipes que ajudaram a apresentar a estética visual da banda ao público. O EP também traz as inéditas “Trip” e “Fading Face”. A identidade visual do projeto tem participação direta de Wally, responsável pelas fotografias utilizadas na capa do trabalho e no single “Anxiety”. Enquanto a arte do EP retrata uma Nova Iorque vertiginosa, a imagem da faixa-título contrapõe a tranquilidade de um gramado ao ruído simbólico de antigos telefones desativados, reforçando os conceitos explorados nas canções. Formado em 2024, o Trompas surgiu da amizade e da experiência compartilhada entre músicos que já passaram por diferentes fases do rock e do metal brasileiro. O nome da banda faz referência às primeiras formas de instrumentos de sopro, construídos a partir de chifres de animais. Segundo Wally, a escolha remete à ideia de força, comunicação e conexão com algo primitivo, características que também ajudam a definir o som robusto e pesado do grupo. Com o lançamento de “Anxiety”, a banda inicia uma nova etapa e já prepara material inédito para os próximos meses.

Ploho anuncia turnê pelo Brasil com seis shows em novembro

A banda russa Ploho voltará ao Brasil em novembro de 2026 para uma turnê de seis apresentações. O grupo, considerado pela revista ReGen Magazine uma das principais vozes da nova onda da música russa, passará por São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belém. A excursão integra a rota latino-americana da banda e amplia a relação construída com o público brasileiro desde a estreia no país, em 2024, quando realizou um show único em São Paulo. A turnê brasileira da Ploho passará por seis cidades em novembro. A banda se apresenta em 12 de novembro no Jai Club, em São Paulo; 13 de novembro no Basement Cultural, em Curitiba; 14 de novembro no Célula Showcase, em Florianópolis; 15 de novembro no Opinião, em Porto Alegre; 16 de novembro no Garage Grindhouse, no Rio de Janeiro; e encerra a passagem pelo país em 18 de novembro, no Studio Pub, em Belém. Os ingressos para todas as datas estão à venda pela plataforma 101 Tickets. Formada em 2013 na cidade siberiana de Novosibirsk, a Ploho se consolidou como um dos principais nomes do pós-punk russo contemporâneo. Com guitarras melancólicas, baixo em destaque, sintetizadores econômicos e letras cantadas em russo, a banda construiu uma identidade própria abordando temas como isolamento urbano, memória, desencanto e tensão social. O próprio nome do grupo traduz parte dessa proposta. Em russo, “ploho” significa algo próximo de “mal” ou “ruim”, refletindo a atmosfera sombria presente em sua obra. Frequentemente comparada a nomes como Molchat Doma, Motorama e Human Tetris, a Ploho encontrou um caminho particular ao unir referências do rock russo dos anos 1980, da new wave soviética e do pós-punk europeu. A influência da lendária banda Kino é perceptível, mas o grupo evitou transformar essas referências em mero exercício nostálgico. O reconhecimento internacional ganhou força a partir de 2020, quando assinou contrato com a Artoffact Records, selo canadense conhecido por seu catálogo ligado ao pós-punk, darkwave e música alternativa. A discografia da banda ajudou a consolidar sua presença fora da Rússia. Álbuns como “Where the Birds Fly Away to Die” (2018), “Pyl” (2019), “Phantom Feelings” (2021) e “When the Soul Sleeps” (2022) expandiram seu alcance internacional. Já “Soil”, lançado em 2024, marcou uma fase mais madura, abordando temas como desgaste social, destruição ambiental, anticapitalismo e sobrevivência emocional, sem abandonar a sonoridade característica baseada em linhas de baixo marcantes, vocais graves e sintetizadores discretos. A trajetória recente da Ploho também foi impactada pelas transformações políticas no Leste Europeu. Após a invasão russa da Ucrânia, os integrantes deixaram a Rússia e passaram a desenvolver suas atividades fora do país. Mesmo distante de sua terra natal, a banda manteve o idioma russo como elemento central de sua identidade artística, reforçando a conexão com sua origem e com o imaginário presente em suas composições. Nos palcos, a Ploho aposta na intensidade construída pela repetição e pela atmosfera. Sem recorrer a excessos visuais, o grupo cria apresentações marcadas por baixo pulsante, bateria direta, guitarras frias e melodias persistentes. A nova turnê chega em um momento de intensa atividade, impulsionada pela edição deluxe de “Soil”, lançada em 2025, além do registro ao vivo “Dobrolet Sessions” e dos singles mais recentes. Antes de desembarcar no Brasil, a banda ainda passará por México, Costa Rica, Peru, Argentina e Chile.

Dethklok anuncia primeiro show no Brasil e celebra 20 anos de Metalocalypse

O Dethklok, banda que nasceu dentro da animação Metalocalypse e se transformou em um fenômeno real do heavy metal, fará sua estreia no Brasil em 27 de outubro. A apresentação única acontece na Burning House, em São Paulo, marcando a primeira visita do grupo ao país em uma turnê que celebra os 20 anos do projeto criado por Brendon Small e Tommy Blacha. Os ingressos já estão à venda pela plataforma 101 Tickets. Criado originalmente para a série exibida pelo Adult Swim, bloco de programação adulta ligado à Cartoon Network nos Estados Unidos, o Dethklok surgiu como uma sátira aos excessos do universo do metal. Na trama, a banda é retratada como o maior grupo do planeta, capaz de movimentar fortunas, provocar caos e influenciar multidões. O que começou como uma piada ganhou contornos reais graças ao trabalho de Brendon Small, que escreveu músicas completas para o projeto, transformando a banda fictícia em uma atração legítima dos palcos e dos serviços de streaming. A força musical do Dethklok também ajudou a consolidar sua reputação entre os fãs de metal. As gravações contaram desde o início com o baterista Gene Hoglan, conhecido por trabalhos com Death, Testament, Dark Angel e Strapping Young Lad. O resultado apareceu em The Dethalbum, lançado em 2007, disco que levou para fora das telas músicas como Murmaider, Awaken, Thunderhorse e Go Into the Water. O sucesso abriu caminho para Dethalbum II, Dethalbum III e a ópera metal The Doomstar Requiem, ampliando o universo construído pela animação. Depois de um longo período de hiato, o projeto voltou aos holofotes em 2023 com Dethalbum IV e o filme Metalocalypse: Army of the Doomstar, que encerrou tramas aguardadas pelos fãs da série. Em 2026, ano em que completa duas décadas de existência, a banda revisitou seu álbum de estreia com The Dethalbum DKXX: Dethmastered, edição remixada e remasterizada que serve como um dos pilares da atual turnê comemorativa. Nos palcos, o Dethklok vai além de um show convencional. A apresentação mistura performance musical e elementos audiovisuais inspirados diretamente em Metalocalypse, criando uma experiência que conecta o peso do death metal melódico ao universo visual da animação. A formação atual reúne Brendon Small nos vocais e guitarra, Gene Hoglan na bateria, Pete Griffin no baixo e Nili Brosh na guitarra, músicos que ajudam a transformar em realidade uma das histórias mais improváveis e bem-sucedidas da cultura pop ligada ao metal. SERVIÇO Dethklok em São Paulo/SP Data: 27 de outubro de 2026 Local: Burning House (Avenida Santa Marina, 247. Bairro Água Branca, São Paulo/SP) Ingressos: 101tickets.com.br/events/details/DETHKLOK-EM-SAO-PAULO Realização: Rodia Soundwave Agency LLC e Xaninho Discos

Abissal apresenta o novo single “Ametista” e se prepara para o Casalango Fest

A banda Abissal lançou o single “Ametista”, primeira amostra do EP Flashes, previsto para os próximos meses via Casalago Records. A faixa aposta em uma construção sonora que transita entre o rock alternativo e o post-rock, explorando atmosferas melancólicas e progressões instrumentais intensas. Produzida por Gui Godoy, a música parte de harmonias de guitarras e vozes em camadas para desenvolver uma narrativa marcada pela memória, culminando em um desfecho instrumental carregado de emoção. Segundo a proposta conceitual da banda, “Ametista” aborda a forma como lembranças retornam de maneira fragmentada, surgindo como imagens difusas atravessadas por afetos, ruídos e lacunas. A composição cresce gradualmente, sem pressa de atingir seu ápice, privilegiando a construção de texturas e contrastes dinâmicos. O resultado é uma faixa que combina delicadeza e densidade, com influências que remetem ao universo sonoro do Radiohead. O lançamento também marca uma nova etapa na trajetória da Abissal. Após o EP Sutra, lançado em março, o grupo amplia sua exploração de temas introspectivos e desloca o foco para as memórias e suas diferentes formas de permanência. A identidade visual desse novo ciclo acompanha o conceito das músicas, com capas produzidas a partir de ensaios fotográficos subaquáticos realizados pelos próprios integrantes. As imagens reforçam a ligação com o nome da banda e utilizam a água como metáfora para o surgimento e a transformação das lembranças. Formada por Murilo Ferragut (voz e guitarra), Bruno Cavalcanti (baixo), Dan (guitarra) e Uncas (bateria), a Abissal surgiu com raízes no rock alternativo e no grunge dos anos 1990, mas vem incorporando elementos de dream pop, indie e post-rock em seus trabalhos mais recentes. Essa evolução sonora poderá ser conferida ao vivo no dia 26 de junho, quando a banda sobe ao palco do Casalago Fest, em São Paulo, ao lado de Maré Tardia, CHVVV e Julieta Social. O show será uma das primeiras oportunidades para o público conhecer de perto a nova fase do grupo.