Fresno inicia série de lançamentos que resultará na mixtape INVentário

“Temos umas coisas para mostrar para vocês”. Foi desta forma, em suas redes, que a Fresno fez a primeira menção do que será a mixtape INVentário. E é nessa mesma pegada enigmática que as faixas chegarão aos aplicativos de streaming. Desde a semana passada, Lucas Silveira (vocal e guitarra), Gustavo Mantovani (guitarra) e Thiago Guerra (bateria) já disponibilizaram: INV001: 12 WORDS 30000 STONES, INV002: O SONHO É A SENHA, INV003: SAFC REMIX (feat. TWIN PUMPKIN – INSIDE A FAST CAR), INV004: 6h34 (NEM LIGA GURIA), INV005: ONTEM FOI DIFÍCIL e INV006: HEART IS KING. Aliás, tal movimento é explicado pela banda como “a hora de abrir e vasculhar o nosso INVentário“. Em resumo, a ideia é explorar diferentes sonoridades e formatos, seja numa faixa inédita engavetada, em um remix ou um feat. INV001: 12 WORDS 30000 STONES foi a primeira a chegar ao conhecimento do público, no dia 30 de agosto. Parceria com Arthur Mutanen, vocalista do grupo Bullet Bane, e com os produtores Chediak e Adieu, a música mescla versos em português e inglês e traz um interlúdio eletrônico que transporta a sonoridade para um hyperpop experimental. A ideia é refletir sobre “a falha que nós temos em transferir o que somos e sentimos para o digital”, como explica Lucas Silveira. Contudo, mais do que fazer uma descrição detalhada dos próprios bens, como define o dicionário, INVentário abre a possibilidade para a Fresno fazer experimentações sonoras, além de revirar processos criativos que a trouxe até aqui – tornando materiais preciosos acessíveis aos fãs. O percurso até a mixtape ficar completa é longo e o próximo lançamento é logo ali.
Entrevista | Feng Suave – “Luxos são prejudiciais para a sociedade e natureza”

De Amsterdã, na Holanda, vem uma das mais gratas surpresas dos últimos anos, o duo Feng Suave, formado por Daniël Schoemaker e Daniël de Jong. Seguindo uma linha que transita entre o soul dos anos 1970 e chega ao indie pop moderno, mas antes passando pelo psicodélico e a bossa nova, eles já estão em seu terceiro EP, So Much For Gardening, lançado no fim de agosto. As quatro canções de So Much For Gardening evitam um único humor ou narrativa coletiva e, em vez disso, cada uma assume um tema próprio. Unweaving the Rainbow Forever é uma alusão divertida à catástrofe ambiental em curso, enquanto Come Gather ‘Round examina a ganância capitalista. Show Me torna as coisas mais lentas, contando uma história de dor emocional individual intransponível, enquanto Tomb For Rockets é, de acordo com a dupla, “meio que tudo isso acima, e meio que apenas uma canção de amor”. Com mais de 150 milhões de streams acumulados, Daniël Schoemaker e Daniël de Jong conversaram com o Blog n’ Roll, via Zoom, sobre o novo EP, o curioso nome da dupla, entre outros assuntos. Confira abaixo. Primeiramente, não tem como não falarmos sobre a origem do nome Feng Suave. Como surgiu esse nome? Claramente não são palavras da língua inglesa, mas a gente pronuncia da forma como lemos. O Suave nós pegamos do português. Eu vou muito a Portugal, e há alguns anos bebi uma garrafa de champanhe suave, e gostei da palavra, ainda mais quando vi o significado. Já o Feng, que na verdade se pronuncia “fong”, significa vento em mandarim. Então, começou como uma brincadeira e se tornou o nome da banda. Se a gente traduzir, fica Vento Suave, o que não é um nome ruim (risos). Como foi o processo de gravação de So Much For Gardening? A pandemia atrapalhou de alguma forma? A pandemia, por sorte, não atrapalhou o processo de gravação. Basicamente, eu e o Dan fizemos as demos no computador, depois fomos até o estúdio de ensaio com a banda inteira e demos vida às demos. Gravamos tudo ao vivo para ser mais orgânico, com todos os instrumentos sendo tocados ao mesmo tempo. Foi um processo muito bom e muito agradável, principalmente por não termos precisado ficar presos cada um em seu laptop por semanas, como geralmente é. Foi bem legal estar no mesmo ambiente que a banda, tocando e fazendo música. O que mais o inspirou no processo de composição? Não existe um tema específico nas músicas. Cada uma foi inspirada em alguma coisa diferente. Por exemplo, um dos nossos singles surgiu de quando fui ao zoológico. Eu estava passando pela rua, em Amsterdã, e vi alguns animais de longe, e comecei a pensar o quão insano era ver aqueles animais ali. Aqueles animais não deveriam estar a cinco minutos de um supermercado no meio da cidade. É doideira. Foi um acontecimento que me inspirou. É nítido que o Feng Suave consegue trabalhar muitas influências na sonoridade, entregando algo original. O que vocês têm escutado? Nós pegamos influências de artistas dos anos 1960 e 1970, além de artistas contemporâneos que fazem esse tipo de música. Eu gosto muito de bossa nova, folk rock americano. Gosto dessas músicas de compositores clássicos. Você citou a bossa nova com uma das influências. Vocês escutam artistas brasileiros? Com certeza! Acho que a língua portuguesa é ótima para se cantar. Gosto muito de Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Gal Costa… eu estava escutando Que Pena (com Jorge Ben Jor e Gal Costa) hoje mesmo. Acho brilhante como o Brasil tem gêneros musicais únicos e completos. Amo o fato de vocês serem uma nação bem musical. Come Gather Round, uma das faixas do EP, traz uma crítica forte e necessária. Fale um pouco sobre essa canção. Essa é uma pergunta muito boa, porque é fácil criticar algo e não ter uma solução para isso. Obviamente, uma música não é a melhor mídia para esse tipo de crítica. Eu estava com um pouco de medo de fazer uma música criticando sem dar nenhuma solução. Eu não tenho uma, inclusive. Mas, no geral, acho que a riqueza do mundo é mal distribuída, e isso é inaceitável. Há muita riqueza desnecessária também. Luxos que são prejudiciais para a sociedade e para a natureza. Além disso, também é ruim ver como a sociedade é imprudente e gasta recursos naturais sem dó. Não tenho uma grande solução. Acho importante taxar riquezas para ajudar a acabar com a pobreza. So Much For Gardening traz uma vibe tranquilizante. É o EP certo para muitas atividades relaxantes. Era essa a proposta da Feng Suave? Esse é o sentimento. Eu gosto quando a música soa bem. É importante fazer com que a música tenha efeito positivo em quem está escutando. Adoro caminhar, pedalar e dirigir ouvindo música, e é isso que quero adicionar no mundo, sabe? Também adoro explorar os contrastes de ter uma melodia legal e uma letra que não seja só sobre amor ou coração partido. Aliás, gosto de explorar essas outras coisas, como os animais no zoológico ou os problemas do capitalismo.
Lana Del Rey lança videoclipe de Arcadia e revela data do álbum Blue Banisters

Dia feliz para os fãs de Lana Del Rey! Nesta quarta-feira (8) a cantora lançou o tão esperado videoclipe de Arcadia, além de anunciar a data para o lançamento do seu próximo álbum, Blue Banisters, que chega às plataformas em 22 de outubro. Confira as informações abaixo! Arcadia combina afeto com uma pitada de ironia Delicado, linear e pacato: assim é novo videoclipe de Lana Del Rey. À primeira vista, a cantora usa uma regata e um cardigan na cor amarelo pastel, uma calça jeans destroyed e um chocker que mistura pérolas e miçangas coloridas, remetendo à vibe praiana – que é uma de suas marcas registradas. Ao longo do videoclipe, Lana canta ao mesmo tempo em que dança lentamente, em uma casa de decoração boho. Além disso, o ambiente é completamente iluminado pelas luzes do sol, que trazem ainda mais calma para o trabalho. Na metade do clipe, a cantora aparece imersa em seus pensamentos e seu corpo é ocupado por lembranças de lugares afetivos para ela. No entanto, nem só de doçura vive a artista. Em um trecho de Arcadia, Lana Del Rey agradece ao ódio que recebe constantemente. “Rumo ao oeste, mais o ódio que eles deram. A propósito, obrigada por isso, no caminho vou rezar por você. Porque você precisa de um milagre, América”. Blue Banisters is coming! Por fim, Lana também publicou hoje, no Instagram, a data de estreia de seu próximo álbum. Intitulado Blue Banisters, a obra será lançada no dia 22 de outubro, sendo que algumas faixas já foram disponibilizadas, como por exemplo: Text Book e Wildflowers. Este será o segundo álbum da cantora em 2021, já que Chemtrails Over The Country Club foi lançado em março.
Crítica | Senjutsu – Iron Maiden

Demorou mas chegou! Desde os remotos anos 1980 que um novo álbum do Iron Maiden gera enorme expectativa entre seus seguidores, que são milhões espalhados pelos cantos do globo. Seis longos anos após Book of Souls, Senjutsu é despejado em meio a um mundo cheio de incertezas, inclusive com o próprio guitarrista Adrian Smith declarando que a banda ainda não tem nenhuma palavra sobre a turnê de divulgação do álbum. Faixa a faixa de Senjutsu De qualquer maneira, Senjutsu está aí, pronto para ser degustado pelos amantes da Donzela. Vamos dar um passeio pelo conteúdo? Senjutsu – Os bumbos de Nicko Mcbrain dão o primeiro ronco do álbum, seguidos por riffs pra lá de tradicionais, tudo em velocidade moderada. A faixa soa como uma continuação de Book of Souls. Não demora para chegar ao marcante refrão, onde Bruce Dickinson mais uma vez mostra porque é um dos maiores vocalistas da história, grudando as melodias na mente dos fãs. Será uma ótima abertura na vindoura tour. Stratego – A mais direta e pesada faixa de Senjutsu. Abre com um riff que lembra muito o de Powerslave, e logo descamba em mais um bombástico refrão. Candidata a melhor do álbum. The Writing on The Wall – Seguindo um estilo que o Iron Maiden adotou de 1995 para cá, a faixa inicia com um breve dedilhado, que serve de ponte para um riff melódico e com traços folk, lembrando álbuns como Dance of Death. Seu refrão é impossível de esquecer, assim como os solos de Adrian Smith, impecáveis como sempre. Lost In a Lost World – Essa é para desesperar os fãs que preferem o material antigo. A música traz exatamente TODAS as características do “novo” Maiden. Ou seja, possui quase dez minutos de duração, que se iniciam com um dedilhado suave, que é reforçado por um interessante coro ao fundo. Em andamento cavalgado e cadenciado, Bruce comanda a marcha, seguido pelo velho Dave Murray, que dispara bonitos solos. As guitarras gêmeas também estão lá, e essa faixa remete a The Red And The Black, do álbum anterior. Peso e melodia do início ao fim Days of Future Past – O peso volta a falar mais alto, e a faixa engata uma interessante velocidade, fazendo disparar o coração dos antigos fãs. Outro refrão certeiro, e Bruce mais uma vez tem uma atuação de gala. A música diz tudo em seus pouco mais de quatro minutos. The Time Machine – Mais uma que se inicia com dedilhados suaves, e com Bruce cantando calmamente, que é a deixa para todos os músicos entrarem sem aviso. A banda deixa aflorar livremente aqui suas influências de rock progressivo, como Jethro Tull, como bem mostra o riff principal da música. Dave Murray nos brinda com outro solo pra lá de inspirado. Como é bom ouvir esse cara! The Darkest Hour – Quase uma semi-balada, conta com um vocal mais sombrio de Bruce, e é difícil segurar a cabeça com Murray e Smith duelando nos solos. O refrão lembra levemente Out Of The Shadows, de A Matter of Life And Death. Death of The Celts – Daqui para o fim do álbum, é onde os fãs encontrarão mais dificuldade para digerir o conteúdo. A música conta com uma longa introdução de Steve Harris, com Bruce cantando por cima. Inevitável a lembrança de The Clansman, inclusive na duração da faixa, ultrapassando os dez minutos. Sobram duelos e solos de guitarra, em uma música bastante agradável de se ouvir. The Parchment – Mais um longo épico, essa com doze minutos de muitos dedilhados, riffs cadenciados, e duelos que realmente grudam na cabeça, embora a faixa pudesse ser mais curta. Bruce cantando sobre as melodias de guitarra é realmente marcante. O gran finale de Senjutsu com viagem épica Hell on Earth – E Senjutsu vai tristemente chegando ao fim, não sem antes embarcarmos em mais uma viagem épica e progressiva do Maiden, que se inicia com, adivinhem, uma intro de Steve Harris. Com onze minutos, a faixa é a mais prog do álbum, com um andamento cadenciado e uma melodia que serão perfeitos para os shows, inclusive sendo possível visualizar o público entoando a plenos pulmões. Desnecessário dizer, mas os três guitarristas mostram mais uma vez aqui porque são referências entre qualquer aspirante ao instrumento. Os duelos de guitarra na metade da faixa são realmente muito bem executados. Evidente que o álbum dividirá os fãs, assim como acontece em quase todos os lançamentos do Maiden. O andamento mais moderado é facilmente explicado pela idade avançada dos músicos. Mesmo assim, não se acomodaram a nos brindaram com mais um álbum. Que não seja o último. Up the irons!!!
Crítica | Dark Echoes – Eminence

Quem acompanha o cenário heavy brasileiro com certeza tem entre suas referências os mineiros do Eminence, que acabam de lançar seu quinto álbum completo de estúdio, Dark Echoes. Formado em 1995 em BH, a banda sempre teve como característica um som difícil de rotular, pois engloba death metal, thrash metal, groove metal e metalcore, resultando em um trabalho bem original. Mas, a energia e garra estão acima de tudo. O álbum já inicia com a faixa-título, que contém uma participação pra lá de especial, ou seja, Bjorn Strid, vocalista do Soilwork, que, com seu inconfundível timbre, faz da track um dos esse destaques imediatos. Wake Up The Blind chega com outra participação, dessa vez Jean Patton, guitarrista do Project 46, também bastante convincente em seu ataque mortal de riffs, que misturam Machine Head, Pantera e um toque próprio, em outro momento de puro brilho. Ótima faixa! Ainda tem mais em Dark Echoes. Confira a brutalidade de Inner Suffering, puxada para o deathcore, The Hologram, que traz a assinatura do Eminence, além das furiosas The Vanishing e Not Hating Just Saying, perfeitas para qualquer headbanger. Individualmente, o grupo conta com ótimos músicos, como o incansável baterista Alexandre Oliveira, um moedor de bumbos. Além dele, Allan Wallace continua triturando suas cordas, com riffs e timbres muito bem encaixados nas músicas. Enfim, Dark Echoes é um álbum altamente recomendado! Dark EchoesAno de Lançamento: 2021Gravadora: Blood Blast DistributionGênero: Death/Thrash/Groove Metal/Metalcore Faixas:1-Dark Echoes2-Burn it Again3-B.Y.O.G4-Wake Up The Blind5-Into The Ashes6-The Vanishing7-Inner Suffering8-Death of a Nation9-The Hologram10-N3Mbers11-Not Hating Just Saying12-Parasite Planet
Crítica | The Wildhearts – 21st Century Love Songs

Com uma capa que remete aos filmes de terror e um videoclipe no melhor estilo “gore” para a faixa Sleepaway, The Wildhearts está de volta. O retorno acontece dois anos após o seu último álbum de estúdio, o aclamado Renaissance Men. No filme Pânico 2, o personagem Randy Meeks (Jamie Kennedy) apresenta uma teoria sobre as três regras das sequências de filmes, onde segundo ele: “a contagem de corpos é sempre maior, as cenas de morte são mais elaboradas e com muito mais sangue. E nunca, nunca, sob quaisquer circunstâncias, presuma que o assassino está morto”. Contudo, se aplicarmos essa teoria ao disco novo dos Wildhearts, dá para se ter uma boa ideia sobre o que os caras aprontaram nesse que é o décimo disco da carreira da banda, 21st Century Love Songs, lançado pela Graphite Records. As músicas nunca soaram tão complexas, com passagens alucinadas que vão do metal ao punk, passando pelo rockabilly e desembocando em refrãos extremamente pop, com uma naturalidade que só mesmo o Wildhearts sabe produzir. Os temas seguem tratando sobre o cotidiano e a eterna batalha pela sanidade mental, ainda mais em um mundo devastado pelo covid. No entanto, algumas músicas trazem uma mensagem um tanto positiva e isso, por si só, já é uma grata surpresa. Surpresas nas mais complexas Por mais que músicas como A Physical Exorcism e You do You sigam uma linha um pouco mais convencional de hits e soam amigáveis aos ouvidos logo na primeira audição, são nas mais complexas que a banda surpreende e nos presenteia com músicas, que são verdadeiros passeios turísticos pela mente criativa do vocalista Ginger. Sleepaway, Directions e Institutional Submission, que começa tão feroz quanto uma música do Discharge, mas mesmo assim ainda consegue encontrar curvas que a levam a um refrão mais power pop. Um disco impecável, indicado para fãs de música rock, sem preconceitos. Guitarras altas, vocais berrados, bateria e baixo pulsantes protegendo belíssimas melodias. Aliás, funcionam como prêmios a todos os bem aventurados dispostos a desbravar esse mar de riffs e refrões até o fim. Seguindo a lógica da teoria do Randy e transportando ela para a discografia da banda, está tudo aí, incluindo a terceira regra. “Nunca presuma que o assassino está morto”. Por fim, a julgar por esse disco, os Wildhearts estão bem longe de estarem mortos. Ainda bem!
Resenha | Punk in Drublic em Hatfield: Nofx, Frank Turner, Anti-Flag, Alkaline Trio e muito mais

Em 2019, quando foi anunciado o line-up para a edição do Slam Dunk foi uma surpresa enorme, pois também incluíram a tour Punk in Drublic dentro da programação. A tour basicamente fez diversos shows pela Europa e entrou no cronograma britânico com duas apresentações, uma no norte e uma no sul do país. Vamos lá, após o sucesso da primeira edição da Punk in Drublic, obviamente, já para o ano seguinte anunciaram novamente. Claro, expectativa lá em cima, diversos nomes de peso…e nem precisa dizer o resto: covid-19, cancelamentos, remarcações, e tudo que já era da nossa rotina nesses últimos 18 meses. Agora falando um pouco do Slam Dunk, o festival acontece em um final de semana, com a primeira perna em Leeds e a segunda em Hatfield, cidadezinha muito próxima a Londres, meia hora de trem praticamente. Desde abril/maio, quando começaram os relaxamentos das restrições, ficou uma incerteza muito grande sobre o retorno da música ao vivo. Aliás, isso afetou grande parte do line-up do festival e, consequentemente, a Punk in Drublic. Punk in Drublic com baixas Em resumo, o Punk in Drublic é um festival dentro de um festival, creio que seja a forma mais fácil de explicar. O line-up infelizmente sofreu diversas alterações nesse tempo. Infelizmente, bandas como Reel Big Fish, Me First and the Gimme Gimmes, The Vandals, Pennywise, Face to Face e Days n’ Daze não se apresentaram, praticamente todo o line-up anunciado no final de 2019. Porém, elas foram sofrendo as baixas durante os anúncios que eram feitos durante o período, tanto que o Pennywise cancelou faltando dez dias para o festival rolar. Enfim, vamos voltar ao começo. Moro no sudeste de Londres, ou seja para ir ao festival precisaria ao menos de uma hora e quarenta para chegar, porém os trens aos domingos sofrem alterações nos horários e quetais, então isso demandou mais tempo, mas o problema não seria a ida, mas a volta… Chegando ao parque de Hatfield, a primeira missão foi entrar. Em 2019, o credenciamento era bem na entrada, tudo mais fácil, mas esse ano devido às restrições (?) foi um pouco mais burocrático. Porém, nada que meia hora a mais tudo fosse resolvido. Os shows do Punk in Drublic Primeira banda a se apresentar foi The Baboon Show, um quarteto sueco, que faz um rock n’ roll na linha Hellacopters, AC/DC. Uma pedida excelente para abrir o dia e iniciar os shows no palco Punk In Drublic. As bandas iniciam os shows cedo. O The Baboon Show começou a tocar às 11:45, com um set de meia hora. Foi ótimo para ter uma ideia do som da banda. Aliás, deixou uma grande brecha para ir a fundo no trabalho da banda. Pausa rápida, pegar um bebida e voltar para a segunda banda: os ingleses do Buster Shuffle. Uma abordagem totalmente oposta à primeira banda, porém com uma acidez enorme no discurso. Eles fizeram um show dançante e muito divertido, com o piano ditando a levada do som, deixa tudo mais gostoso de ouvir. Contudo, não faltou “elogios” ao primeiro-ministro Boris Johnson. “He is a cunt isn’t“, dizia Jet, do Buster Shuffle. Terceira banda, prata da casa, os ingleses do Snuff. Banda clássica que lá nos anos 1990 foi do cast da Fat Wreck. Dispensa apresentações, jogo ganho, público em peso e só estava na terceira banda… O festival ofereceu uma grande variedade para comer, então isso não foi um problema. Uma coisa que até então estava funcionando muito bem eram as máquinas para pagamento em cartão. Isso foi excelente, pois na edição anterior não foi lá essas coisas. No entanto, o serviço de wi-fi funcionou até um período e o celular, enfim, não funcionou para poder ver os shows e não ficar preso a ele. Velhos conhecidos do Slam Dunk Quarta banda, mais uma inglesa e velha conhecida do Slam Dunk, o Capdown voltou ao palco do festival. Dez anos atrás eles fizeram um show de reunião e foi mais um ótima pedida para as reposições do festival. Dando sequência, outra banda que já passou pelo Slam Dunk algumas vezes, a Zebrahead. Como em todos os shows deles, foi uma festa do início ao fim. Também foram os dois primeiros shows por aqui com o novo integrante, o guitarrista e vocalista Adrian Estrella, que também toca no Mest. Enfim, um excelente show como de costume. Mais uma banda inglesa e outra velha conhecida do festival, o The Skints subiu ao palco e com um clima perfeito foi fácil para eles deixarem o público na mão deles. Eles, definitivamente, foram o divisor de águas no meio dos shows. Poderia dizer que foi meu show favorito do dia facilmente. Porém, só estava na metade e, agora em diante, todos os shows eram jogos ganhos. Daí por diante, Anti-Flag veio com todo o seu discurso. Chris 2 abusando dos pulos, hit atrás de hit e o público em cima. This Is the End (For You My Friend), Hate Conquers All e Brandenburg Gate marcaram presença no set. Deixou o caminho livre para o Alkaline Trio. Os headliners O Alkaline Trio deu um frescor e uma leveza. E nem preciso dizer que o set foi um greatest hits. Público cantando uníssono. Incrível! Com Matt Skiba, também integrante do blink-182, no comando de tudo, o Alkaline Trio desfilou as queridinhas do público Mercy Me, Private Eye, Armageddon e We’ve Had Enough. Penúltimo show, mais uma figurinha carimbada, um dos caras mais boa praça da atualidade: Frank Turner & The Sleeping Souls. No palco, ele fez o serviço da melhor forma possível, jogo ganho obviamente. Set list na medida, com direito à uma versão acústica de Linoleum, do Nofx. Deixou aberta as portas aos donos do festival, para encerrar o dia da melhor forma possível. Nofx no palco, dancinhas, falatório descompensado, uma avalanche sonora, mais falatório, mais música, piadas, palhaçadas e isso tudo que já estamos calejados nos shows deles. Se Dinosaurs Will Die já deu a prévia do que viria pela frente logo
Entrevista | Blind Pigs – “São Paulo Chaos já tinha letras que atacavam a extrema-direita”

Na última sexta-feira (3), o Blind Pigs anunciou o relançamento de São Paulo Chaos, primeiro álbum de estúdio da banda de punk rock. Há 25 anos, o disco foi lançado pela gravadora Paradoxx Music e produzido por Jay Ziskrout, ex-baterista do Bad Religion. Além disso, a obra também foi distribuída pelo selo Grita! nos EUA, Europa e Japão. A princípio, a banda era composta por Henrike, Gordo, Mauro, Fralda e Arnaldo e, para ambos, o lançamento do álbum foi uma experiência única e um divisor de águas em suas carreiras, já que pela primeira vez, os paulistas entravam em um estúdio para trabalhar com um produtor experiente. E para celebrar os 25 anos desse disco tão importante, São Paulo Chaos ganhou uma edição limitada de 250 cópias. Em resumo, a nova versão conta com vinil colorido, capa gatefold, encarte com fotos inéditas da época do lançamento e, também, masterização do Jay Ziskrout. Desta vez, o lançamento é assinado pela gravadora norte-americana Pirates Press Records. Além disso, a banda também lançou um cartão postal que toca a faixa Verão de 68, que aborda os tempos de luta contra a ditadura militar brasileira. Para falar mais sobre o relançamento de São Paulo Chaos, o Blog n’ Roll conversou com o vocalista da Blind Pigs, Henrike Baliú. Além do LP, o artista também relembrou momentos especiais da trajetória da banda paulista, além de comentar sobre a banda Armada. Por fim, Henrike também lamentou a atual situação política brasileira e deixou um recado: “Fora Bolsonaro”. São Paulo Chaos permanece um álbum provocativo, mesmo 25 anos após o seu lançamento. Em tempos de um Brasil que flerta com o fascismo, é possível afirmar que a obra é ainda mais provocativa hoje, do que em 1996? Eu considero sim várias músicas do São Paulo Chaos super atuais, apesar de terem sido feitas há 25 anos. Você pega, por exemplo, Conformismo e Resistência e é uma música que sempre será atual, já começa por aí. E você vê também que no São Paulo Chaos, a banda já tinha letras que atacavam a extrema-direita. Aliás, o disco já começa com Fuck The TFP (Foda-se a TFP, sociedade brasileira em defesa da tradição, família e propriedade). Então desde a época das demos do Blind Pigs, eu já escrevia letras que atacavam o neofascismo brasileiro. Então sim, todos os discos do Blind Pigs têm um “quê” de atualidade. São músicas que você vai poder tocar toda hora e elas sempre vão ser atuais. Quais foram os aprendizados mais valiosos ao longo desta trajetória? O Blind Pigs não existe mais desde 2015, mas é engraçado que a formação que gravou o São Paulo Chaos (eu, Gordo, Fralda, Mauro e Arnaldo), quando o Blind Pigs chegou ao fim, na formação estávamos eu Gordo, Mauro e o Arnaldo. Então foi legal que a Blind Pigs acabou com quatro integrantes que gravaram o São Paulo Chaos, que foi o primeiro álbum da banda. Cada integrante deve ter aprendido alguma lição (risos). Não sei que lição aprendi, talvez musicalmente falando, aprendi a abrir um pouco mais os horizontes musicais, escutar outras coisas (não só o punk rock) e até flertar com outros estilos, assim como hoje faço com o Armada. Os processos criativos e produtivos passaram por alterações com a maturidade dos integrantes? Atualmente, de que forma ocorrem esses processos (composição, gravação, produção) em seus projetos solos? Dentro do Blind Pigs variava muito. Ou o Gordo vinha com um riff, uma melodia pra eu colocar a letra em cima. Ou eu vinha com uma letra já inteira pronta, pra ele colocar uma música em cima. De vez em quando o Mauro vinha com uma música e uma letra mais ou menos pronta e eu inseria a letra. Depende, a gente nunca seguiu uma linha de composição, como por exemplo: “tem que ser assim, assim que nós fazemos músicas”. Não, sempre foi diferente, cada um sempre teve a sua doideira. A letra de Verão 68 relata as vivências de Margô, uma jovem de classe média que decide lutar na guerrilha urbana contra a ditadura militar brasileira. Qual é a sua sensação ao se deparar com os eleitores fanáticos do presidente Jair Bolsonaro reivindicando pela volta da ditadura, em pleno 2021? Acho um extremo absurdo, patético e ao mesmo tempo assustador, ver pessoas flertando com esse neofascismo tupiniquim. Achei que a ditadura tinha ficado para trás, né? Tanto é que em 2000, o Blind Pigs lançou a música Órfão da Ditadura, que também é super atual. Então, acho assustador e ao mesmo tempo patético, é uma mistura de emoções. Vamos ver o que o 7 de setembro aguarda pra nós, brasileiros. Já existem projeções para um retorno aos palcos em 2022? E um possível show especial para celebrar o LP comemorativo de 25 anos do primeiro álbum? Como a banda não toca desde 2015, não existem planos para fazer nenhum show comemorativo do Blind Pigs, nem nada assim. Por enquanto, a gente só está conversando entre si sobre esses lançamentos, que estão sendo bem bacanas. Mês que vem a Pirates Press Records lança mais um disco do Blind Pigs; vai ser um picture disk do Blind Pigs bem bacana chamado The Last Testament [O Último Testamento]. Mas a Blind Pigs não tem planos de ressuscitar, por enquanto. São Paulo Chaos foi responsável por tornar a Blind Pigs reconhecida não só no Brasil, mas também em outros países. Qual é a relação de vocês com o público estrangeiro? Eu lembro que quando saiu o São Paulo Chaos em CD pelo Grita!, no mundo inteiro, foi muito interessante, porque no CD tinha o endereço da caixa postal do Blind Pigs E aí eu ia toda semana lá na caixa postal e estava sempre abarrotada de cartas do mundo inteiro. Então era muito louco. Uma vez eu recebi uma carta de um detento americano no Texas, que tinha o CD. Recebi algumas cartas de Cuba, olha que interessante! Também recebi muitas cartas de países da América Latina, especialmente do
Rappers da Baixada Santista se unem em música que fala sobre esforços para crescerem na cena musical

A Base Wear em parceria com a Grape Produções deu início ao Projeto Eleve Seu Propósito. O objetivo é quebrar o preconceito da cultura de rua e mostrar ao mundo a arte urbana. A primeira ação da iniciativa foi juntar rappers da Baixada Santista em uma música, que mostrará a vivência na região metropolitana e os esforços que esses artistas têm para crescerem no ramo musical. O projeto quer enaltecer o cenário rap 013. Além de mostrar para toda a Baixada Santista que existem artistas locais que merecem mais atenção e espaço no mundo musical. Participaram da música os rappers: Brisa MC, G6 MC, Zilla, Pjay e Jotaerre. Eles representam a cidade de Santos, Praia Grande e São Vicente. Segundo a organização, eles foram escolhidos nessa primeira etapa, pois já contam com histórico em projetos de peso em Santos e região no cenário do rap. A DJ Nanne Bonny, uma das organizadoras do Movimento E.L.A. que enaltece a mulher no cenário da arte e cultura, e o rapper e produtor Guilherme Cres, dono da Grape Produções, também participaram da produção. O videoclipe foi gravado no final de agosto e será lançado neste mês, juntamente com a música nas plataformas digitais. Na produção, também tem a presença dos grafites, que fazem parte da cultura de rua. Para o videoclipe, o restaurante D’boa Açaí e o projeto Mureta | Exibição de Arte Urbana, disponibilizaram o espaço e cenário para a gravação. Próximos passos com os rappers Com esse primeiro passo dado, o projeto da Base continuará em progresso com novas vertentes além do rap e grafite. Os próximos passos incluem a dança de rua, skate, entre outros. O objetivo é continuar movimentando e influenciando, com alguns nomes e instituições de peso da região, a conscientização e quebra do preconceito da cultura de rua.