Amy Lee lidera a versão mais ambiciosa do Evanescence em décadas em Sanctuary

Quando foi anunciado que Jordan Fish, ex-Bring Me The Horizon e um dos produtores mais requisitados do metal moderno, estaria envolvido em Sanctuary, muita gente imaginou que o Evanescence seguiria a cartilha adotada por diversas bandas que passaram a incorporar eletrônicos, programações e estruturas mais contemporâneas, como o Spiritbox. Felizmente, não foi isso que aconteceu. O novo álbum mostra uma banda que entende exatamente quem é. Jordan Fish não transforma o Evanescence em outra coisa. Seu papel parece muito mais o de potencializar qualidades que já existiam do que reinventar a roda. O resultado é um disco que dá um enorme passo em direção ao metal moderno sem abandonar a personalidade construída por Amy Lee e companhia ao longo de mais de duas décadas. Ao contrário de álbuns recentes da “classe dos anos 2000”, Sanctuary soa gigantesco e é um dos maiores trabalhos da banda, mesmo que não tenha mais a potência da rádio e da MTV como propulsores. As guitarras são mais pesadas, os refrões mais impactantes e os arranjos eletrônicos aparecem como complemento, não como muleta. Há uma sensação constante de movimento e urgência que faz o álbum soar atual sem parecer uma tentativa desesperada de acompanhar tendências. O que, para mim, foi um grande alívio. Amy Lee começa o álbum em tons mais graves, mas depois prova que continua sendo o centro gravitacional de tudo. Logo em seu primeiro agudo, sua voz segue carregando a dramaticidade característica da banda, mas agora encontra um instrumental mais agressivo e confiante. O Evanescence de Sanctuary não está olhando para o passado. Está olhando para frente. E talvez seja justamente aí que esteja o único “problema” do disco. O som da banda evoluiu tanto que as faixas mais próximas da fórmula clássica acabam parecendo menos interessantes ou dão a sensação de “eu já ouvi isso antes”. As baladas e os momentos mais contemplativos não são ruins, longe disso. Apenas têm dificuldade para competir com músicas que mostram um Evanescence mais pesado, moderno e ambicioso. Quando o álbum acelera, cresce e explora sua nova identidade, fica evidente que esse é o caminho mais natural para a banda neste momento. O mais interessante é que essa modernização não vem acompanhada de perda de identidade. Ainda é impossível confundir o Evanescence com qualquer outra banda. Os elementos que fizeram o grupo conquistar milhões de fãs continuam presentes, mas agora aparecem revestidos por uma produção que amplia seu alcance e sua potência. Sanctuary não é uma reinvenção completa. É algo mais difícil de alcançar: uma evolução convincente. Um álbum que respeita o passado sem ficar preso a ele. Mais do que um retorno inspirado, o disco apresenta um Evanescence agressivo, atual e pronto para assumir novamente o papel de protagonista dentro do rock e do metal contemporâneo.

Entrevista | Jalen Ngonda – “Não quero ficar preso em uma caixa chamada soul”

Se você tem acompanhado as playlists de música preta ou os algoritmos de streaming nos últimos dois anos, as chances de ter esbarrado no falsete hipnotizante de Jalen Ngonda são gigantescas. O cantor e compositor norte-americano, criado em Maryland e radicado no Reino Unido, transformou seu álbum de estreia, Come Around and Love Me (2023), em um verdadeiro passaporte para o topo da nova cena soul mundial. Emplacando o hit viral If You Don’t Want My Love, o artista rapidamente deixou as pequenas salas de show para trás, carimbando aparições em programas icônicos da TV britânica e americana, como o The Late Show with Stephen Colbert. Agora, Jalen Ngonda se prepara para o teste mais desafiador na carreira de qualquer fenômeno recente: o segundo disco, Doctrine of Love, pela lendária gravadora Daptone Records, que chegou hoje às plataformas digitais. O trabalho promete consolidar o cantor não apenas como um intérprete talentoso, mas como um canal contemporâneo para os anos de ouro da música negra. Longe de ser um mero exercício de nostalgia ou um “clichê vintage”, o novo trabalho mergulha de Jalen Ngonda fundo na virada dos anos 1960 para os 1970, costurando a urgência do pop e do R&B modernos com a elegância de arranjos que remetem aos grandes tempos da Motown, da Stax e do Philly soul. A maturidade sonora apresentada nos singles recentes, como a suingada Hang it On The Shelf, reflete uma rotina intensa de quem passou os últimos meses cruzando continentes. A vida na estrada, inclusive, rendeu frutos que vão muito além de sua discografia solo. Apontado pela crítica como uma voz “uma em uma geração”, Jalen Ngonda recentemente chamou a atenção de ninguém menos que Damon Albarn, que o convocou para emprestar suas cordas vocais à faixa The Mountain, no mais recente e elogiado álbum do Gorillaz. Essa bagagem acumulada de Jalen Ngonda se traduz em um álbum feito com mais autonomia. Enquanto a estreia foi lapidada quase inteiramente em estúdio ao lado dos produtores de Nova York Vince Chiarito e Michael Buckley, quando mal se conheciam, Doctrine of Love começou a ganhar vida de forma solitária em hotéis ou em parcerias no Reino Unido. O resultado é um repertório que flerta discretamente com nuances de folk rock, doo-wop e a crueza do rock ‘n’ roll primitivo de Nova Orleans dos anos 1950, expandindo os limites daquilo que o público costuma rotular simplesmente como “soul music”. O Blog n’ Roll bateu um papo exclusivo com Jalen Ngonda às vésperas desse grande lançamento. No meio de uma concorrida agenda europeia, que inclui arenas lotadas ao lado de Olivia Dean e palcos principais de festivais como o Mad Cool e o North Sea Jazz, o músico destrinchou seu processo criativo, rechaçou os rótulos pesados da imprensa, falou sobre a liberdade que busca como artista e mandou um recado direto para os fãs brasileiros, garantindo que a turnê deve desembarcar em solo sul-americano muito em breve. Confira a entrevista na íntegra abaixo. Jalen Ngonda, parabéns pelo novo trabalho. O seu álbum de estreia, Come Around and Love Me (2023), teve uma recepção estrondosa. Como foi entrar em estúdio para criar o Doctrine of Love após todo esse sucesso? Você sentiu algum tipo de pressão ou o processo fluiu com mais naturalidade? Fluiu naturalmente. Para ser bem sincero com você, o sucesso (do primeiro disco) se resumiu a fazer shows. Eu acho que se esse sucesso significasse ir a várias cerimônias de premiação e coisas do tipo, eu provavelmente teria me sentido de um jeito diferente. Mas estava apenas tocando em tantos shows após o lançamento do álbum… Então, não senti nenhuma pressão para fazer o Doctrine of Love. Só escrevi algumas músicas, é simples assim. O release do álbum menciona que Doctrine of Love se situa cronologicamente no final dos anos 1960. O que especificamente nessa virada de década te fascina tanto musicalmente, e como você buscou traduzir essa atmosfera nas novas composições? Sendo o mais simples possível: eu apenas amo essa música. E eu não sei o porquê, não entendo por que meu cérebro é atraído por esse som, mas ele é. Quando fizemos o primeiro álbum, estávamos na época da covid. E havia aquela vibe de… naquele momento, nós estávamos ouvindo muito, e quando digo “nós”, me refiro aos produtores do álbum com quem estava no estúdio, havia muito Philly soul tocando por ali. Estávamos ouvindo muito daquele Marvin Gaye do início dos anos 70, aquele som de arranjos muito grandes e luxuosos de Tom Bell, Gamble & Huff, Curtis Mayfield… Tinha muito disso rolando na sala. E acho que a música refletiu isso. Tirando a faixa So Glad I Found You, que tem um som mais de meados dos anos 60, acho que estávamos todos sentindo aquele trem dos anos 70. Para complementar, grande parte do primeiro álbum foi escrita com eles. Acho que houve apenas duas músicas que escrevi com outras pessoas, o resto do álbum foi escrito com o Mike (Buckley) e o Vince (Chiarito). Já desta vez, passei muito mais tempo em turnê e muito mais tempo de volta ao Reino Unido, onde escrevi sozinho ou com outras pessoas que tinham influências de outras coisas, como indie rock ou algo assim. E quando escrevo sozinho, muito do que faço tem um estilo mais voltado para o início ou meados dos anos 60, não necessariamente todas as músicas, claro. Havia muitas canções que foram para o segundo álbum que eu meio que já trouxe prontas. E acho que, conforme a Daptone e os produtores foram me conhecendo melhor, porque mal nos conhecíamos quando escrevemos o primeiro álbum, tínhamos acabado de nos conhecer, eles perceberam que gostava mais dos sons mais antigos. Então, eles meio que defenderam e me apoiaram um pouco mais nesse som. É por isso que o disco tem um som ligeiramente mais antigo. Mas quem sabe? Talvez o terceiro álbum soe como os anos 80. Nós não sabemos, simplesmente não sabemos. Além do soul e do funk tradicionais,

Entrevista | Laure Briard – “Eu amo Santos! Já fui umas quatro vezes aí”

O público brasileiro tem um lugar cativo no coração de Laure Briard, e a recíproca é absolutamente verdadeira. Conhecida por sua capacidade de flutuar entre o pop sessentista e o indie contemporâneo, a cantora e compositora francesa já cruzou o Atlântico diversas vezes, deixando como rastro parcerias memoráveis com os goianos dos Boogarins e raridades cantadas em um português carregado de charme e sotaque. Para os lados de cá, ela já não é apenas uma visitante, mas parte da nossa própria cena alternativa. Agora, Laure apresenta ao mundo Voyage Mental, seu mais novo álbum de estúdio, que chegou hoje às plataformas digitais pelo selo Midnight Special Records. O trabalho marca uma virada estética sensível na carreira da artista. Se o elogiado antecedente Nevers To Blue buscava oxigênio e imensidão nas paisagens áridas e geográficas do deserto da Califórnia, o novo registro propõe uma expedição de coordenadas muito mais íntimas: um mergulho direto para dentro de si mesma. Essa nova fase, despida de excessos e focada em arranjos mais puros guiados pelo violão folk, reflete um momento de profunda transformação pessoal, Laure recentemente deu à luz gêmeos. O primeiro vislumbre dessa calmaria reflexiva veio com o single Rocking Chair, uma faixa que evoca o movimento de vai e vem dos pensamentos e que resgata anotações feitas por ela há mais de uma década, provando que certas inquietações artísticas são atemporais. Para dar forma visual e sonora a esse universo, Laure manteve por perto o que chama de “experiência familiar”, cercando-se de amigos de longa data e parceiros de total confiança, como os músicos Gaetan Nonchalant e Clementine (Norma). Essa rede de afeto serve de porto seguro para uma artista que se assume abertamente nostálgica, mas que sabe equilibrar o peso do passado com o frescor do presente de maneira totalmente orgânica. Em uma conversa descontraída via Zoom direto de Paris, Laure Briard revelou detalhes sobre o processo de composição em francês e inglês, relembrou com carinho suas andanças por Santos, cidade que visitou várias vezes e cuja arquitetura peculiar dos prédios tortos ficou guardada na memória, e confessou o misto de ansiedade e empolgação que antecede o lançamento de um disco gerado com tanto cuidado. Laure, vamos começar? Falo do Brasil. De qual cidade? Santos Santos! Sabia que eu já fui para Santos muitas, muitas vezes? Sério? Sim! Eu tenho um amigo, um amigo brasileiro, e a mãe dele mora em Santos, então fui acho que umas quatro vezes. Eu amo Santos! Onde você esteve por aqui? Você se lembra? Nós temos aqueles prédios tortos. Sim, sim, sim, sim! Vocês têm uma vibe muito boa, é completamente diferente. São Paulo também é legal, mas é completamente diferente de Santos, né? É completamente diferente, mas é legal. Laure, o título do seu novo álbum é Voyage Mental. Após um álbum geograficamente inspirado pelo deserto da Califórnia, Nevers To Blue, esse novo trabalho é uma jornada para dentro de si mesma? Como surgiu esse conceito? O conceito veio do fato de que, para este álbum, eu queria algo mais… não mais introspectivo, mas mais, como posso dizer, mais puro, sem muitos arranjos. Algo mais folk, com violão acústico e sem todos os instrumentos que eu costumava ter nas minhas músicas. Eu queria algo mais… não calmo, mas talvez com um andamento mais lento (low tempo). Não sei se há uma ligação com a minha situação pessoal na época, porque estava grávida, tive gêmeos, e talvez estivesse mais focada em mim mesma, e talvez haja uma ligação com tudo isso, mas queria algo novo. O single Rocking Chair nasceu de um momento de introspecção, talvez como você disse, em uma busca por equilíbrio. A cadeira de balanço (rocking chair) funciona quase como uma metáfora para esse movimento de vai e vem dos seus pensamentos? Conte-nos um pouco sobre o processo de composição dessa faixa. Escrevi essa música com um amigo meu, um músico, o nome dele é Gaetan Nonchalant, ele é um músico francês, então ele me ajudou com a letra e fez a música. Então vim com uma ideia, algo como… eu estava dizendo algo pacífico, alguém que estava se perguntando, introspecção, ele me acompanhou nessa ideia. E é engraçado porque, neste texto, nessa letra, usei versos que escrevi há uns dez anos, talvez mais, e quando olhei no meu diário, nas minhas notas, achei que combinava e disse: “Ah, sim, é o sentimento que sinto hoje em dia”. E sim, algo sobre imaginação, alguém que está… eu estava “imaginando”, “imaginando”? Eu estava “imaginando”? Não. Eu imaginei uma pessoa em um deserto, como um caubói solitário caminhando com o cavalo, que se senta à beira da fogueira, olha para as estrelas e… sim, há a imagem de um universo nisso. Você mencionou o Gaetan, mas também tem a Norma, certo? Sim. Como é para você trazer pessoas do seu círculo íntimo e afetivo para moldar a identidade visual deste lançamento? Gosto muito, muito de trabalhar com amigos, com certeza. Na minha música, todos os meus músicos, desde que comecei a gravar, há uns dez anos, são sempre amigos, porque para mim é uma experiência… uma espécie de experiência familiar, sabe? Estar em todo o processo, a escrita, a composição e depois a gravação, e depois, quando tocamos ao vivo. Realmente gosto de estar com pessoas em quem confio, que sei que posso confiar, e é sempre divertido, e faz sentido para mim fazer isso com meus amigos. E com a Norma, Clementine, o nome dela é Clementine, é muito… eu tenho sorte de ter amigos tão talentosos, porque é sempre divertido fazer vídeos assim. Éramos apenas nós duas no set, e às vezes três pessoas, mas é tão legal porque compartilhamos as mesmas ideias visuais, temos uma imaginação cinematográfica, compartilhamos tantos gostos no cinema… e é mais fácil para mim porque, como eu disse, me sinto bem perto de pessoas que conheço, em quem confio, e sim, é super legal. Laure, sua voz e estilo são frequentemente descritos como algo que pertence

Entrevista | The Red Jumpsuit Apparatus – “O Emo ganhou uma nova chance nos últimos anos”

A primeira vez do The Red Jumpsuit Apparatus no Brasil está marcada para o lendário Hangar 110, em São Paulo, no dia 8 de agosto, em uma apresentação especial da turnê que celebra os 20 anos de Don’t You Fake It (2006), álbum que ajudou a definir a sonoridade emo e do rock alternativo dos anos 2000. O show percorrerá os principais momentos do disco que revelou o grupo ao mundo, incluindo clássicos como “Face Down”, “False Pretense” e “Your Guardian Angel”. Duas décadas após o lançamento do álbum de estreia, o The Red Jumpsuit Apparatus continua em atividade e atravessa um novo momento criativo. Em 2025, a banda apresentou os singles “Perfection” e “Slipping Through”, trabalhos que antecederam o álbum X’s For Eyes. O novo material foi bem recebido pelos fãs e ganhou espaço no repertório da atual turnê mundial, que passou por diferentes continentes nos últimos meses. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o tecladista Nadeem Salam revelou que X’s For Eyes possui uma conexão direta com Don’t You Fake It. Segundo ele, o vocalista Ronnie Winter revisitou composições e ideias desenvolvidas há cerca de 20 anos para construir parte do novo álbum. O músico afirmou que a proposta era recuperar a mesma energia criativa do início da carreira, algo que tem sido percebido pelo público durante os shows. Nadeem também comentou sua relação pessoal com o disco de estreia, lembrando que ainda estava no ensino médio quando o álbum chegou às lojas. Além disso, destacou a importância contínua de “Face Down”, canção que aborda a violência doméstica e segue provocando reflexões em diferentes gerações, e falou sobre a expectativa para tocar pela primeira vez no lendário Hangar 110, casa que ele considera ideal para a estreia da banda em solo brasileiro. Como você avalia a recepção de X’s For Eyes desde o lançamento? A recepção tem sido incrível. Acabamos de concluir uma turnê mundial que passou pela Ásia e fizemos vários shows ao lado de bandas como Saosin e Dashboard Confessional. Esse ciclo do álbum tem sido diferente porque, pela primeira vez em muito tempo, nós também estamos extremamente empolgados com o material novo. Tem sido especial ver a reação das pessoas, já que estamos tocando várias dessas músicas ao vivo. A banda nunca deixou de lançar músicas, mas esse momento parece diferente. É um capítulo muito especial para nós. Além disso, nosso primeiro álbum está completando 20 anos, então tudo isso traz uma sensação de ciclo completo. Como um novo membro, qual foi seu papel no processo criativo e na gravação do álbum? Sou responsável pelos teclados e pelos efeitos da banda. Neste álbum, porém, houve algo especial. O Ronnie queria resgatar a mesma sensação que existia quando gravou o primeiro disco. Como o álbum de estreia completa 20 anos, ele voltou aos arquivos antigos e várias músicas nasceram de ideias que ele já desenvolvia naquela época. É como retomar um capítulo que ficou aberto por duas décadas. O resultado foi um disco que traz uma energia muito próxima da do primeiro álbum, e os fãs têm percebido isso. E onde estava o Nadeem em 2006 quando Don’t You Fake It foi lançado? Eu estava no ensino médio. Sou um dos integrantes mais jovens da banda. Eu e o Josh, nosso guitarrista, crescemos ouvindo esse álbum. Ele foi a trilha sonora de uma fase muito importante da minha vida. É surreal pensar que eu cresci ouvindo esse disco e hoje meu trabalho é tocá-lo ao redor do mundo. Se alguém dissesse ao Nadeem de 2006 o que estaria fazendo em 2026, ele acharia que era mentira e provavelmente me bloquearia no MySpace. Agora que você está do outro lado, alguma música desse álbum ganhou um novo significado para você depois de entrar na banda? Sim. Quando eu era fã, interpretava aquelas letras de uma forma muito pessoal. Hoje, estando na banda, minha missão é ajudar a transmitir a mensagem que o Ronnie queria passar. Músicas como “Face Down”, “False Pretense” e “Damn Regret” falam de experiências que muitas pessoas conseguem relacionar às próprias vidas. Agora, através da iluminação, dos efeitos visuais e da produção dos shows, temos a oportunidade de contar essas histórias de uma forma ainda mais completa. No Brasil ainda vemos muitos casos de feminicídio e violência contra a mulher. Como é tocar “Face Down” sabendo que a mensagem continua tão atual? É algo muito poderoso. Nossa base de fãs é bastante diversa e cada pessoa se conecta à música de uma maneira diferente. Quando tocamos “Face Down”, sabemos que grande parte do público espera por esse momento. Ao longo dos anos, conhecemos histórias de pessoas que foram impactadas pela mensagem da canção. Isso deu um significado completamente novo para mim. Não é apenas tocar uma música. É compartilhar uma experiência muito importante com o público. Você já tinha ouvido falar da importância do Hangar 110 para a cena alternativa brasileira? Não conhecia, mas fico feliz de saber disso. Parece que será o lugar perfeito para nossa estreia no Brasil. Estamos muito animados porque tocar em uma casa com tanta história pode ajudar a construir uma relação duradoura com o público brasileiro. Esperamos voltar muitas vezes no futuro. O que você espera da primeira passagem da banda pelo Brasil? Estou muito animado. Além dos shows, existe uma conexão pessoal porque pratiquei capoeira durante muitos anos. Sempre foi minha arte marcial favorita. Também adoro futebol e estou ansioso para conhecer melhor o país. Brinquei até que gostaria de caminhar pelas ruas do Brasil, encontrar uma roda de capoeira e participar dela. Tenho certeza de que será uma experiência incrível e estou realmente ansioso para finalmente conhecer os fãs brasileiros. E como você entrou para a banda? Passou por alguma audição? Minha história com o The Red Jumpsuit Apparatus começou há cerca de 15 anos. Quando eu tinha 17 anos, enviei centenas de e-mails para bandas tentando encontrar uma oportunidade na indústria musical. O Ronnie foi praticamente a única pessoa que me respondeu. Comecei trabalhando

Malevolent Creation e Mystic Circle anunciam show histórico no Hangar 110

Os veteranos do death metal norte-americano do Malevolent Creation retornam a São Paulo no dia 24 de outubro para uma apresentação especial no Hangar 110. O show marca a celebração dos 35 anos de The Ten Commandments, disco de estreia da banda e um dos registros mais importantes da primeira geração do death metal da Flórida. A noite contará ainda com a participação dos alemães do Mystic Circle, que voltam aos palcos após duas décadas sem apresentações ao vivo. Lançado em 1991, The Ten Commandments ajudou a consolidar o nome do Malevolent Creation entre os principais representantes do death metal norte-americano. Produzido por Scott Burns e com arte assinada por Dan Seagrave, o álbum trouxe clássicos como “Premature Burial”, “Multiple Stab Wounds” e “Thou Shall Kill!”, combinando a brutalidade do death metal com a velocidade e agressividade herdadas do thrash. A atual formação do grupo é liderada pelo guitarrista e fundador Phil Fasciana, único integrante presente em todas as fases da banda. Para a turnê comemorativa, o músico divide o palco com Deron Miller, Jesse Jolly, Chris Cannella e Ronnie Parmer, em uma formação com três guitarras que busca resgatar características dos primeiros anos do grupo. Mystic Circle de volta aos palcos Outro atrativo da noite será o retorno do Mystic Circle aos palcos. Formada em 1992, na Alemanha, a banda construiu uma carreira marcada pela mistura de black metal, death metal e elementos sinfônicos. Após encerrar as atividades em 2007, o grupo retomou suas atividades em 2021 e lançou uma sequência de trabalhos recentes, incluindo Mystic Circle (2022), Erzdämon (2023) e Hexenbrand 1486 (2025). A apresentação em São Paulo faz parte da turnê latino-americana do Malevolent Creation, que também passará por países como México, Costa Rica, Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Serviço Malevolent Creation e Mystic Circle em São Paulo Data: 24 de outubro de 2026Local: Hangar 110Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro, São Paulo (SP) Ingressos: Fastix

Afghan Whigs celebra 40 anos de estrada e anuncia o álbum “Soft Control”; ouça primeiro single

Poucas bandas conseguiram atravessar quatro décadas mantendo a integridade e a relevância como o Afghan Whigs. O grupo, que se tornou um pilar do rock alternativo norte-americano, confirmou para o dia 21 de agosto o lançamento de Soft Control, seu décimo álbum de estúdio. A novidade chega acompanhada do single Jungle Roux, uma faixa que mantém o equilíbrio clássico do grupo entre guitarras pesadas, texturas de soul e uma urgência quase cinematográfica. Mudança de perspectiva de Greg Dulli Para Greg Dulli, o vocalista e mentor da banda, Soft Control representa uma ruptura na forma como ele encara a sua própria arte. Se o começo da carreira foi alimentado por uma raiva juvenil necessária, hoje o seu motor é outro. “Trabalhei muito na minha paz interior. Eu era um jovem raivoso, e isso alimentava minha arte. Agora, sei o que estou fazendo e há uma confiança tranquila que vem com a capacidade de sustentar isso”, explica Dulli. Processo criativo itinerante do Afghan Whigs O álbum foi um projeto de fôlego, gravado em uma verdadeira rota criativa que passou por Joshua Tree, Nova Orleans, East Hollywood e Cincinnati. O processo começou com nada menos que 22 canções, mas, fiel ao seu perfeccionismo, Dulli reduziu o projeto a 10 faixas essenciais. Segundo o músico, o formato de dez músicas é a “medida ideal” para uma declaração concisa e direta. A gravação contou com colaborações essenciais de parceiros de longa data, incluindo o produtor e guitarrista Christopher Thorn, o baterista Patrick Keeler (The Raconteurs), o tecladista Bo Koster (My Morning Jacket) e a cantora e violinista Petra Haden. Soft Control – tracklist1 Jungle Roux2 House of I3 Duvateen4 My Lover5 The Deepest Part of the Darkest Shadow6 Mariah Luster7 Memphis, Texas8 779 Loose Talk10 A Simulation

Mastodon canaliza o luto no novo single “Your Ghost Again”

O mundo do metal extremo ainda tenta processar a ausência de Brent Hinds, cofundador do Mastodon, falecido em 2025. Mas, como o rock sempre encontrou na dor uma forma de combustão, o trio remanescente decidiu transformar esse luto em um documento sonoro visceral. O novo single, Your Ghost Again, acaba de ser lançado, servindo como uma carta de despedida e um tributo honesto ao companheiro de longa data. A faixa marca uma mudança importante na dinâmica da banda: sem o frontman original, o baixista Troy Sanders e o baterista Brann Dailor assumem as rédeas vocais, dividindo as harmonias em uma performance que transborda saudade. Reconstrução sonora Para esta nova fase, o Mastodon trouxe reforços para garantir que o peso não fosse sacrificado. O guitarrista Nick Johnston assumiu o posto nas seis cordas, enquanto a produção do novo material está nas mãos de Patrik Berger (conhecido por trabalhos com Spiritbox e Bring Me The Horizon) e Kurt Ballou (lendário produtor do Converge). “Quando estávamos no estúdio gravando, eu ficava vendo o Brent. Eu o via à minha direita segurando o violão, porque era ali que ele costumava ficar. É como com a minha mãe: continuo vendo-a. Você sente um frio na barriga porque pensa que está vendo a pessoa, mas aí você se lembra que ela não está mais aqui”, desabafa o baterista Brann Dailor. O single antecipa o sucessor do denso Hushed and Grim (2021). O grupo tem trabalhado arduamente em Los Angeles para garantir que o álbum completo não apenas honre o passado, mas aponte novas direções.

+LIVE+ confirma shows no Brasil e celebra legado do rock alternativo

A espera dos fãs brasileiros pela banda +LIVE+ (Live) chegou ao fim. O grupo, que ajudou a moldar o rock alternativo das décadas de 1990 e 2000, anunciou seu retorno ao país com duas apresentações exclusivas em setembro de 2026. O grupo, liderado pela voz marcante de Ed Kowalczyk, volta ao Brasil após um hiato de 25 anos desde a sua última passagem. As datas confirmadas são: A banda construiu uma carreira com mais de 23 milhões de álbuns vendidos e hinos que dominavam as rádios e a MTV no período pré-streaming, como Lightning Crashes, I Alone e All Over You. Ingressos e pré-venda As entradas começam a ser vendidas a partir do dia 5 de junho (para assinantes do Clube Opus) e, no dia 9 de junho, para o público geral, através da plataforma Eventim. Serviço: +LIVE+ no Brasil

Entrevista | Limmbo – “Eu não preciso escolher uma das duas coisas, posso ser as duas”

Limbo. A palavra limbo é derivada do latim “limbum,i”, que significa orla, borda, barra de vestido. Limbo a gente consegue encontrar no dicionário… Limmbo, não. Nascido Enzo Borges, o santista Limmbo de 25 anos, acaba de trocar a sua assinatura. Se no dicionário, limbo remete a extremidades, Limmbo escolheu esse nome para mostrar que é possível ser mais de um só. Na mesma pessoa. No mesmo artista. Dualidades que coexistem, e não se anulam. Ele é fascinado por aeroportos e estradas, e os não-lugares sempre foram sinônimo de conforto para ele. “Eu realmente sou uma pessoa muito imaginativa… Posso ficar o dia todo olhando para o céu, imaginando coisas”. E toda essa criatividade não é de hoje. Aos 12 anos, ganhou o seu primeiro violão e, antes mesmo de aprender a tocá-lo, começou a compor canções. Não podia ser diferente: tornou-se artista. Seu último lançamento foi a canção ON MY OWN, com produção da banda carioca Sound Bullet. No ano passado, lançou o álbum i care about what you think of me, composto por dez faixas. Aliás, a obra contempla o single dancing with wolves, que conta com um videoclipe no qual Limmbo protagoniza e faz assistência de direção, uma vez que é formado em Cinema e Audiovisual. Anteriormente, lançou o álbum Nineteen (2021), que ganhou versão deluxe em 2023, e o EP A Few Thoughts In a New Year’s Eve (2019), projeto composto majoritariamente por voz e ukulele. Vale ressaltar que esses três primeiros lançamentos de Limmbo ocorreram de forma independente. No entanto, este ano, o músico assinou com a Casalogo Records, um selo musical especializado em música indie e brasilidades. De fato, com o passar dos anos, muitas coisas mudam. Hoje, Limmbo tem uma nova assinatura e está prestes a lançar músicas novas no segundo semestre do ano. Mas, algumas coisas, permanecem essencialmente iguais: ele, seu quarto, seu violão e o seu computador. Sendo o Enzo. Mas também sendo o Limmbo. Por que não os dois? Leia a entrevista de Limmbo ao Blog n’Roll e descubra mais sobre o artista! Queria que você começasse falando sobre essa mudança importante de nome artístico: por que Limmbo? A mudança acabou acontecendo antes da minha parceria com o selo Casalogo Records. Eu sempre ficava refletindo se as pessoas viam alguém de 20 anos chamada Enzo e pensando “nossa, não vou levar a sério”. E aí, ao conversar com a Casalogo Records, o próprio pessoal do selo comentou que, caso eu quisesse, seria interessante mudar de nome. E aí, fazendo brainstorming de ideias, veio o Limmbo. Eu queria algo que fizesse sentido pra mim como pessoa e como artista. Principalmente porque as minhas músicas geralmente são muito pessoais. E aí, acho que para mim fazia sentido, esse lugar de dualidade. Sobretudo quando eu cheguei na vida adulta. Eu fui percebendo o quão fascinado eu sou com coisas que muitas vezes são entendidas como opostas, mas que conseguem coexistir. Em muitas áreas da minha vida eu me senti assim. Uma pessoa bissexual, birracial… E, ao mesmo tempo, também sempre me senti muito confortável em lugares que são pontes para outros lugares, como aeroporto e estrada. Sempre foram momentos que para mim eram tão divertidos quanto as próprias viagens, por exemplo. E daí veio a ideia do nome Limmbo. Ao mesmo tempo, pode ser a ponte entre dois lugares, mas é uma coisa por si só. “Sempre fui muito sonhador e imaginativo, e sentia um intenso senso de conforto em ‘lugares-não lugares’, como estradas ou aeroportos. Aquele meio do caminho, em que você não tem a responsabilidade de ser qualquer coisa, justamente te faz ser o que você quiser”. Na sua opinião, o pertencimento mora nos caminhos? Acho que sim. E eu acho, sobretudo, que é sobre o que a gente faz no caminho. Principalmente quando chegamos na vida adulta, naquela hora em que todo mundo à sua volta acaba te cobrando sobre o que você quer ser e o que quer fazer. Seja no trabalho, na vida pessoal, nas suas relações ou nas suas não-relações. E aí eu sempre senti esse senso de liberdade muito forte nesses lugares. Porque eu acho que o peso dessa responsabilidade (de ter que ser alguma coisa para as outras pessoas), não precisava ser nada. Eu só tinha que existir ali, naquele momento. Aquilo sempre foi muito confortável para mim. Eu tenho memórias na estrada, por exemplo. Lembro de ficar imaginando coisas no caminho, como o personagem voando comigo. Era a música no talo, e eu lá, imaginando… Então, eu acho que através disso, consegui encontrar o meu senso do meu eu mesmo. E me entendendo. Até na questão das dualidades. Eu sinto que sou uma pessoa muito alegre, mas ao mesmo tempo muito melancólica. Para muitas coisas [risos]. Então, eu acredito que esses lugares tenham um pouco de agridoce, que me fazem entender um pouco mais de quem eu sou. E me fazem entender que eu não preciso escolher uma das duas coisas, eu posso ser as duas e está tudo bem. Os seus primeiros álbuns, Nineteen (incluindo a versão deluxe) e I Care About What You Think Of Me foram feitos em processos de DIY. Você mesmo gravou, produziu, mixou e masterizou suas músicas. Agora que você vai assinou com a Casalogo Records, como passam a funcionar as suas produções? O que muda no seu fazer artístico nesse momento? Em relação à produção das músicas, não vai ter alteração. Eu vou continuar fazendo tudo da forma como eu já venho fazendo. Claro, agora vou estudar cada vez mais e colocar em prática o que aprendi com os trabalhos passados. Mas o processo do DIY, de fazer as coisas em casa, permanece o mesmo. O selo é como um parceiro, no sentido de ajudar as minhas canções a chegarem em mais pessoas. Existia, sim, a possibilidade de gravar com a Casalogo. Mas o próprio pessoal do selo falou que gostava das minhas produções e que seria interessante manter o meu fluxo de trabalho dessa forma. Então,