Rota 54 revisita as esquinas e memórias de São Paulo no single “1822”

A veterana banda paulistana Rota 54 lançou nesta quarta-feira (7) o single 1822. Lançada através do selo Undershows, a faixa sintetiza a maturidade de um grupo que celebra 18 anos de história fincada na cartilha do rock autoral e independente. A canção ganha vida com uma produção musical de peso: os trabalhos de estúdio foram capitaneados por Guto Passos (baixista do Lobão Power Trio) e Jairo Fajer (baixista do Autoramas), gravados no emblemático estúdio Lhama Records, localizado em um casarão histórico do início do século 20, na capital paulista. O espaço também serviu de cenário para a estética visual do videoclipe da faixa, produzido e dirigido pelo cineasta Fernando Hound. O lançamento já está disponível em todas as plataformas de streaming através do link: onerpm.link/220019305038. A Rua 1822 no Ipiranga: entre o passado e a independência pessoal O título da composição tem raízes na topografia urbana paulistana: refere-se à clássica Rua 1822, localizada no tradicional bairro do Ipiranga, na zona sul de São Paulo, via que fez parte da rotina diária do vocalista e guitarrista Caio Uehbe durante um marcante período de sua trajetória pessoal. Embora o número remeta imediatamente ao ano da Proclamação da Independência do Brasil, o sentido lírico dialoga mais profundamente com as amarras emocionais e a libertação íntima: “Lugares que não são mais os mesmos, que mudaram com o passar do tempo, assim como nós, mas que sempre nos levam de alguma maneira a rememorar momentos e vivências que não existem mais, mas que trazem sensações, sentimentos, nostalgia. As lembranças podem ser uma prisão para nos manter no passado ou uma porta de entrada para seguir adiante e buscarmos coisas novas. É interessante pensar na referência da independência que buscamos para nossas vidas e como ficamos dependentes de coisas passadas”, explica Caio. Do punk rock ao mod: influências e nova formação Ao longo de quase duas décadas de estrada desde sua formação em 2008, o Rota 54 lapidou uma sonoridade que combina a crueza do punk rock a melodias marcantes e refrões expansivos. Em 1822, essas referências ganham camadas adicionais, dialogando com o som urbano do Ira!, a urgência melódica do Attaque 77, a pegada de guitarras do Social Distortion e a escola britânica clássica de The Beatles e The Who. O lançamento marca também a consolidação da nova formação da banda, que conta agora com o baterista veterano Tony Karpa (com passagens marcantes pela cena hardcore e pelo clássico Garotos Podres), fechando a linha de frente ao lado de: Estreia ao vivo no festival PunktoberFest A celebração oficial do novo single acontece nos palcos neste domingo, 11 de outubro de 2026, durante a edição do PunktoberFest. O festival reúne um line-up histórico do underground nacional e latino-americano na Cervejaria Tarantino, em São Paulo, escalando: Os ingressos para o festival já estão à venda pela plataforma Sympla.

The Toy Dolls celebra 48 anos de estrada com quatro shows no Brasil em setembro de 2027

O lendário trio inglês The Toy Dolls anunciou seu retorno ao Brasil com a turnê comemorativa Only 48 Years Old. O grupo desembarca no país em setembro de 2027 para quatro apresentações: Porto Alegre (15/09), Curitiba (17/09), São Paulo (18/09) e Belo Horizonte (19/09). A realização e produção levam a assinatura da Powerline Music & Books. O reencontro ganha peso histórico adicional com a presença do Cólera como banda de abertura convidada em todas as quatro capitais. Formadas exatamente no mesmo ano (1979), as duas lendas do underground mundial celebram paralelamente quase cinco décadas de ativismo, longevidade e resistência no punk rock. Os ingressos já estão disponíveis online pela plataforma Fastix (para Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte) e pela Sympla / Bilheto (para Porto Alegre). A perna sul-americana começa no dia 12 de setembro de 2027 em Buenos Aires, na Argentina, em coprodução da Powerline com a Hellnoise Booking. A lenda das palhetadas de Olga e o clássico “Nellie the Elephant” Fundado na cidade operária de Sunderland em 1979 pelo virtuoso vocalista, guitarrista e compositor Michael “Olga” Algar, o The Toy Dolls construiu uma das reputações mais divertidas e tecnicamente refinadas do gênero. O pontapé inicial aconteceu com o compacto independente “Tommy Kowey’s Car” (1980), bancado por um empresário local, que esgotou instantaneamente sua tiragem de 500 cópias e virou raridade de colecionador. Em 1983, a banda lançou o seminal álbum de estreia Dig That Groove Baby, apontado por público e crítica como uma das pedras fundamentais do pop-punk e do punk bem-humorado. O ápice comercial veio em 1984 com uma releitura acelerada da cantiga infantil “Nellie the Elephant”, de 1956: Reconhecido globalmente entre os instrumentistas mais rápidos, inventivos e carismáticos do punk mundial, Olga também construiu sólida carreira como produtor, arranjador e compositor de trilhas sonoras para TV, cinema e videogames para consoles como o PlayStation. A urgência dos palcos e o sucessor de Episode XIII O último trabalho de estúdio do The Toy Dolls foi Episode XIII, lançado em setembro de 2019 durante os festejos de 40 anos da banda, concebido com temas inspirados em seriados policiais de TV. Embora novas faixas estejam em pleno processo de composição, a urgência dos palcos falou mais alto: em vez de esperar mais um ano em estúdio, Olga e o baixista Tommy Goober optaram por cair na estrada com mais de 20 datas já fechadas entre festivais e clubes ao redor do globo em 2027. Ao vivo, o trio entrega um espetáculo eletrizante: pulos sincronizados, óculos escuros coloridos, piruetas com as guitarras e melodias instantaneamente contagiantes que transformam a pista em pura catarse coletiva. Serviço: The Toy Dolls no Brasil (Only 48 Years Old Tour 2027) Banda convidada: Cólera (em todas as datas) Realização: Powerline Music & Books Porto Alegre (RS) Curitiba (PR) São Paulo (SP) Belo Horizonte (MG)

O Preço lança o álbum “Caóticas Palavras” com olhar crítico sobre os conflitos contemporâneos

Fúria lírica, guitarras cortantes e uma radiografia crua das tensões urbanas e tecnológicas: a banda paulista O Preço lançou nesta segunda-feira (5) o segundo álbum de estúdio, Caóticas Palavras. O trabalho reúne 14 faixas que confrontam o ouvinte com as fraturas sociais, políticas e digitais do nosso tempo. Formado em 2019, o grupo é liderado pelo guitarrista e vocalista Christian Targa, o Gordo, figura histórica do underground brasileiro e um dos fundadores do Blind Pigs. Ao lado dele, completam a linha de frente Paulo Polin (guitarra e voz), Adriano Parussulo (baixo e voz) e Glauco Fornãs (bateria). O álbum já está disponível em todas as plataformas de streaming pelo link ditto.fm/caoticas-palavras. Para os colecionadores de mídia física, o registro ganha prensagem caprichada em vinil LP branco com capa dupla gatefold, lançada em parceria entre os selos Neves Records, TGR Sounds e Detona Records. Arte internacional e produção afiada no álbum do O Preço A estética visual do projeto tem assinatura de peso: a capa foi desenhada pelo cultuado ilustrador indonésio Lowskill, artista renomado na cena gráfica global que já assinou pôsteres e artes para nomes como NOFX, Blink-182, Off! e Guns N’ Roses. A temática das composições espelha o sentimento de asfixia em meio à hiperconectividade e ao avanço das distopias do mundo moderno: “O novo disco gira em torno de um presente tecnológico cheio de armas, mentiras e revoltas, guerras, promessas de lucro fácil, IA, etc. Foi um privilégio contar com o Lowskill nesse trabalho. O novo álbum deu um salto em todos os sentidos sem perder o já conhecido estilo, desde a composição, os ensaios, os arranjos e dedicação de todos. Tudo num geral evoluiu muito do primeiro disco pra cá e reflete numa melhor produção e sonoridade”, pontua Christian Targa. Gravado no estúdio Bavini, em São Paulo, Caóticas Palavras foi produzido em conjunto por Christian Targa e Átila Ardanuy. Já a masterização foi realizada nos Estados Unidos por Dan Randall, engenheiro do conceituado estúdio Mammoth Sound (conhecido por masterizar trabalhos de peso no hardcore e metal mundial): “O Randall fez um trabalho maravilhoso com nossa mixagem. O disco soa gringo. Tem sido uma experiência incrível tocar n’O Preço ao lado dessa lenda do punk nacional que é o Christian Targa. O Christian e o Átila Ardanuy produziram o melhor trabalho que já gravei em toda minha vida”, celebra o guitarrista Paulo Polin. Participações especiais e o DNA da cena punk paulistana A coesão da banda reflete o currículo sólido de seus integrantes, que acumulam passagens por grupos clássicos do underground paulistano como Sandinistas, Bad Flip, Dance of Days e Faca Preta. “O Gordo é uma fábrica de hits desde os tempos do Blind Pigs. As principais músicas são dele ou feitas com ele. Então, somado a um time experiente de músicos vindos de outros projetos da cena, as coisas ficam mais fluidas, mais fortes e mais bem executadas”, analisa o baterista Glauco Fornãs. Show de lançamento no Fenda 315 A celebração oficial da chegada de Caóticas Palavras acontece nos palcos da capital paulista no sábado, 17 de outubro, com uma apresentação especial no Fenda 315. Os ingressos antecipados já podem ser adquiridos pela plataforma Sympla. Ficha técnica: Caóticas Palavras

Campanha global celebra o legado de David Bowie no ano em que completaria 80 anos

Cinco décadas de experimentação estética destemida, camaleonismo e impacto indelével na cultura ocidental: o espólio oficial de David Bowie anunciou nesta segunda-feira (5) o lançamento de BOWIE80, uma massiva celebração multimídia que homenageia o gênio criativo britânico no ano em que completaria 80 anos (em 8 de janeiro de 2027). Com ações iniciando de imediato e desdobrando-se ao longo de todo o ano de 2027, o projeto contempla exposições imersivas inéditas, espetáculos orquestrais, peças raras de acervo, colaborações de moda de alta-costura, produtos exclusivos e lançamentos comemorativos ao redor do planeta, centralizados no portal bowie80.davidbowie.com. Moda, alta costura e a vanguarda visual do Camaleão A primeira investida do projeto é uma parceria com a prestigiada rede de lojas de departamento norte-americana Nordstrom. Celebrando a influência de Bowie nas passarelas e na quebra de padrões de gênero, serão inauguradas três lojas conceituais imersivas nas unidades de Seattle, Nova York e Chicago, além de comercialização no site da marca. As coleções cápsula reúnem peças e acessórios exclusivos desenvolvidos por designers e marcas de ponta, incluindo: No segmento de licenciamento esportivo e streetwear, parceiras históricas e novas marcas como Phix, Girl Skateboards, Stoned Immaculate, Rockoff e Roots of Fight apresentarão linhas temáticas exclusivas. Celebrações no Rock Hall e acervo do V&A em turnê O Rock & Roll Hall of Fame, em Cleveland, preparou uma programação especial entre novembro e janeiro, contemplando lojas pop-up e ativações exclusivas durante o fim de semana do aniversário do cantor, com palestras educativas, sessões de perguntas e respostas e uma exposição de fotógrafos célebres com imagens raras. Em paralelo, a icônica Morrison Hotel Gallery inaugurará em fevereiro de 2027 a mostra Strange Fascination em suas galerias de Nova York e West Hollywood. A exposição reúne registros definitivos e fotografias nunca antes reveladas do arquivo oficial do cantor, divididas cronologicamente pelas seis eras e personas visuais mais marcantes de Bowie. Para o público britânico e europeu: Sinfonia com Philip Glass: a estreia mundial de BOWIE (breaking) GLASS Um dos pontos altos das comemorações musicais será a estreia do espetáculo sinfônico BOWIE (breaking) GLASS, concebido pela Schirmer Theatrical em parceria com o teatro Østre Gasværk Teater. A montagem promove um diálogo cênico e sonoro inédito entre a voz e as gravações originais de David Bowie e o minimalismo de Philip Glass — compositor que no passado utilizou os álbuns da “Trilogia de Berlim” (Low e “Heroes”) como base para suas sinfonias nº 1 e nº 4. A produção oficial, que conta com orquestra completa, cantores convidados e músicos ao vivo, terá sua estreia mundial na primavera europeia de 2027 em Copenhague, na Dinamarca. Os detalhes estão disponíveis no site BowieBreakingGlass.com.

Dead Poet Society lança o álbum Monarch com produção de Paul Meany

Consolidando uma sonoridade visceral que equilibra peso alternativo, dinâmicas dançantes e tensão lírica, o quarteto norte-americano Dead Poet Society lançou na última sexta-feira (2) o álbum de estúdio Monarch. O trabalho chega a todas as plataformas digitais através da conceituada gravadora Spinefarm Records. Para complementar a experiência sônica do repertório, a banda de Los Angeles disponibilizou uma série inédita de visualizers oficiais no YouTube para todas as canções que ainda não contavam com videoclipes próprios. A investida aprofunda o universo estético concebido para o projeto, conectando-se diretamente às narrativas visuais já apresentadas nos singles prévios Cold, Roach e Sinner Systems. >> LEIA ENTREVISTA COM A BANDA Produção de Paul Meany A assinatura sonora de Monarch leva a produção refinada de Paul Meany, líder do Mutemath e produtor requisitado por nomes como Twenty One Pilots e Pierce The Veil. Meany lapidou o atrito característico das guitarras do Dead Poet Society, intercalando timbres experimentais com pulso rítmico moderno e refrãos magnéticos. Sem medo de arriscar a própria identidade Sucessor do marcante ciclo de Fission (2024), Monarch representa um salto na autoconfiança criativa do grupo formado por Jack Underkofler (voz e guitarra), Jack Collins (guitarra), Will Goodroad (bateria) e Dylan Brenner (baixo): “Queríamos esculpir o nosso próprio pedaço de território. Eu só queria arriscar tudo com este disco. Todas as coisas que eu sentia que nos formavam, eu queria ver o quão mais fundo poderia ir com elas e tentar extrair a essência do sentimento que faz do Dead Poet Society quem somos”, explica o frontman Jack Underkofler.

Guantas ironiza os perrengues do cotidiano no single “Vida Adulta”

Transporte público abarrotado, boletos acumulados, geladeira vazia e aquele choque inevitável com a realidade: é rindo das próprias desilusões cotidianas que a banda Guantas lançou na sexta-feira (2) o single Vida Adulta. A canção chega a todos os tocadores digitais com produção musical de Álamo Leonardo, gravada nas sessões do 1234 Estúdio. Do perrengue à nostalgia no clipe oficial Com produção assinada pela Nacho Produções, o clipe oficial de Vida Adulta estreou no canal da banda no YouTube. A narrativa retrata o protagonista imerso na correria massiva da rotina urbana e nos desafios práticos do dia a dia, confrontando essas frustrações com os desejos puros e ingênuos da infância. A proposta gráfica da capa dialoga diretamente com esse imaginário lúdico, trazendo uma ilustração original de Filipe Tonon desenhada a partir de trechos e imagens dos versos da faixa. “Este lançamento marca um grande momento para a Guantas, que está celebrando 10 anos de carreira. E vamos comemorar de um jeito ainda melhor, não só com o lançamento do single e do clipe, mas tocando na rua com um show no Palco Tarantino”, comemora o vocalista e fundador Nacho Martin. Uma década de carnavalização e fusão latino-americana Fundada na capital paulista em 2015 pelo músico argentino Nacho Martin (voz e ukulele), a Guantas construiu um estilo inconfundível alicerçado na fusão dançante de ska, ritmos latinos, fanfarras carnavalescas e pop tropical. A formação completa do octeto traz Nacho Martin (voz e ukulele), Alex Ultra (guitarra), Alexandre Saldanha (baixo), Pedro Coutinho (teclado), Renan Pigmew (bateria) e o naipe de metais formado por Fabio Bunito (trompete), Giovanni Santoro (trombone) e Abu (saxofone).

Entrevista | Hot Freaks – “Pós-TikTok, queremos ser levados a sério como uma banda que faz álbuns”

O Hot Freaks lança em 23 de outubro de 2026 Soft Body, terceiro álbum de estúdio da banda de indie pop de Minneapolis. O trabalho sucede Hot Freaks Forever (2023) e representa, para o vocalista Leo Vondracek, um processo mais orgânico e próximo daquele vivido no disco de estreia. Diferentemente do álbum anterior, produzido logo após a inesperada retomada do grupo, o novo material foi desenvolvido depois de alguns anos de convivência novamente como banda, permitindo que os músicos reencontrassem seu próprio ritmo. Soft Body também recupera composições antigas, como “Getting Over You”, cuja primeira versão permaneceu por mais de uma década no SoundCloud de Vondracek antes de finalmente ganhar um lançamento oficial. Formado em Minneapolis, o Hot Freaks viveu uma trajetória incomum. Depois de uma primeira fase restrita principalmente à cena local, o grupo interrompeu as atividades e passou anos separado até que “Puppy Princess”, música lançada originalmente na década anterior, viralizou no TikTok em 2021. Vondracek nem utilizava a plataforma quando recebeu uma mensagem no Instagram avisando sobre o crescimento da faixa. No dia seguinte, gravadoras já começaram a procurá-lo, embora naquele momento o Hot Freaks nem sequer estivesse reunido. O sucesso levou ao retorno da banda, que desde então lançou um novo álbum, retomou os shows e passou a trabalhar para transformar a segunda chance proporcionada pela internet em uma carreira sustentável. Às vésperas do lançamento de Soft Body, Leo Vondracek conversou com o Blog N’ Roll sobre a pressão de provar que o Hot Freaks é mais do que um fenômeno do TikTok, a relação da banda com os fãs brasileiros e os planos de levar o grupo para fora dos Estados Unidos. O vocalista também falou sobre o desafio de conciliar a banda com a distância entre os integrantes, revelou que já existem contatos para uma possível passagem pelo Brasil e escolheu três discos pelos quais mantém uma relação afetiva. Depois de sair do hiato e, inevitavelmente, ficar conhecido por muita gente como “a banda daquela música do TikTok”, existe uma pressão de autoafirmação em Soft Body? De certa forma, este é o álbum definitivo para mostrar quem é o Hot Freaks pós-TikTok e depois da volta? Foi incrível o TikTok ter nos salvado, ou nos encontrado e abraçado. Sinceramente, se não fosse pela plataforma, não sei se teríamos encontrado um público como esse. É muito legal entrar no TikTok e ouvir pessoas usando nossas músicas o tempo todo. Mas acho que existe, sim, um desejo de sermos levados a sério também como uma banda que faz álbuns. É ótimo que esse lado esteja funcionando, mas somos uma banda de verdade, que faz discos. É mais do que apenas uma ou duas músicas. Também existe outro aspecto. Nós nos reunimos depois de termos terminado e praticamente entramos direto no álbum anterior. Este disco foi feito depois de já estarmos juntos novamente havia cerca de três anos, então tivemos mais tempo para encontrar nosso ritmo. Já faz cinco anos desde que nos reunimos. O primeiro disco que lancei é um disco que adoro e representa muito o que eu queria fazer naquela época. Mas é um trabalho mais experimental, mais denso e mais difícil de assimilar. Ele vai mais para essa coisa da síncope do rap, é mais falado do que cantado, tem muita letra e muita informação. Você disse que o processo de Soft Body se parece mais com o primeiro álbum. O que vocês recuperaram daquela versão do Hot Freaks? Quando nossa música ficou popular, nós não estávamos juntos. Então existia essa urgência: “Precisamos nos reunir e fazer um disco novo”. Já o primeiro álbum aconteceu de maneira muito orgânica, com muita tentativa e erro. Cometemos erros, mas acho que isso foi positivo. Fomos devagar e encontramos nossa própria voz. No disco anterior, foi mais como: “Agora temos recursos, temos dinheiro, vamos terminar este álbum o mais rápido possível”. Tanto no primeiro quanto neste novo disco, de certa forma sofremos durante o processo, mas digo isso de uma maneira positiva. Quando uma boa ideia não aparecia, simplesmente parávamos, recalibrávamos e esperávamos, em vez de pensar apenas no prazo. Percebi que a magia da banda está justamente em ser um pouco peculiar. Não se trata de sermos uma banda que simplesmente chega e toca com força. Quando escuto alguns dos arranjos, percebo que existem ideias que provavelmente um produtor convencional não teria. Essa é a nossa própria voz. Há material em Soft Body que estava guardado havia anos. Qual é a música mais antiga e como é terminar hoje algo iniciado por uma versão muito mais jovem de você? Existe uma coisa estranha acontecendo. Praticamente todas as músicas do Hot Freaks que ficaram populares foram escritas em um período de dois anos, quando eu tinha entre 24 e 26 anos. “Getting Over You”, por exemplo, estava pronta havia muito tempo. Falávamos sobre ela há anos e gravamos umas três versões diferentes. Ela deveria ter entrado no disco anterior, mas isso não aconteceu. É satisfatório perceber que aquela música era como um raio engarrafado. Poderia ter ficado guardada por mais 20 anos e, quando finalmente saísse, talvez ainda funcionasse. Ao mesmo tempo, existe um medo: “Será que eu simplesmente não escrevo mais como escrevia?”. É uma loucura ver uma música parada durante tanto tempo, finalmente lançá-la e ela funcionar. Havia uma demo minha de “Getting Over You” no SoundCloud há mais de uma década e ela já tinha uma vida própria. Algumas pessoas até dizem que preferem a versão antiga. É muito difícil conseguir a atenção das pessoas na economia atual da música. Por isso, ver uma canção antiga conseguir esse tipo de repercussão ainda é algo inacreditável para mim. Uma característica muito forte do Hot Freaks é o contraste entre melodias alegres, que fazem as pessoas dançarem, e letras sobre insegurança, rejeição e relacionamentos. Isso acontece naturalmente ou é algo que você busca conscientemente? As duas coisas. Se existe um conselho que eu poderia dar para alguém, embora pareça óbvio, é que existe algo

Hilary Duff esgota primeiro show em São Paulo e anuncia data extra no Espaço Unimed

A cantora e atriz norte-americana Hilary Duff anunciou uma data extra em São Paulo com a turnê mundial the lucky me tour. Após esgotar em poucas horas todas as entradas para a apresentação de 13 de agosto de 2027, a superstar pop sobe novamente ao palco do Espaço Unimed no dia 14 de agosto de 2027 (sábado). A realização é da Live Nation Brasil. Os ingressos para a nova data já estão à venda online pela plataforma Ticketmaster Brasil, com parcelamento em até 3x sem juros, além de disponibilidade na bilheteria física oficial no Shopping Ibirapuera (sem cobrança de taxa de conveniência). O retorno triunfal com o elogiado luck… or something Marcando sua primeira grande turnê como atração principal em mais de 18 anos, o espetáculo celebra a repercussão de luck… or something, sexto álbum de estúdio da cantora e seu primeiro trabalho sob o selo da Atlantic Records. Além de revisitar os novos sucessos, o show transporta o público por uma catarse nostálgica que reúne hinos geracionais dos clássicos Metamorphosis (2003), Hilary Duff (2004) e Dignity (2007), era recentemente revisitada pela artista no EP especial (Mine), que trouxe regravações de sucessos como Come Clean (Mine) e What Dreams Are Made Of (Mine). Tabela de preços e setores Setor Meia-Entrada Inteira Pista R$ 295,00 R$ 590,00 Pista Premium R$ 435,00 R$ 870,00 Mezanino R$ 460,00 R$ 920,00 Camarote A / B R$ 470,00 R$ 940,00 Serviço: Hilary Duff em São Paulo (the lucky me tour)

Entrevista | Vitor Isensee – “Ainda existe muita história para acontecer com o ForFun e com o Braza”

Vitor Isensee iniciou um novo capítulo da carreira solo com Amanhece o Dia, primeiro single do álbum que será lançado em breve pela Deck. Produzida por Júlio Raposo, com coprodução do próprio músico, a faixa apresenta uma abordagem mais melódica e direta do que a explorada em Vida E Nada Mais, estreia solo lançada em 2019 sob o nome Izenzee. O novo trabalho terá nove músicas e recupera, entre composições recentes, canções que estavam guardadas havia cerca de uma década. Sem participações especiais, o disco marca também uma aproximação de Isensee com uma maneira mais espontânea de compor, apoiada no violão, no piano e na estrutura tradicional da canção. Fundador do Forfun, banda que encerrou as atividades em 2015 e voltou aos palcos para uma turnê de reunião em 2024, Isensee construiu diferentes caminhos desde o fim do grupo. Ao lado de Danilo Cutrim e Nicolas Christ, iniciou o Braza, projeto que ampliou sua relação com reggae, rap e música brasileira e permanece em atividade. Paralelamente, lançou livros de poesia e desenvolveu sua carreira individual, iniciada musicalmente com Vida E Nada Mais, disco de caráter mais experimental e marcado por participações como Duda Beat, Luê, Morcego e Castello Branco. Agora, aos 43 anos, o músico conversou com o Blog N’ Roll e afirma vê o novo álbum como parte de uma trajetória ainda em construção, conciliando o trabalho solo e o Braza. Sobre o ForFun ele descartou novos álbuns e singles no futuro, porém diz que é questão de tempo até se reunirem nos palcos novamente. Eu ouvi Amanhece o Dia e achei a música bem mais melódica do que o álbum que você havia lançado. Queria entender um pouco esse momento criativo que você está passando agora. Também vi que existem músicas guardadas dos últimos dez anos. Essas canções eram destinadas a algum projeto específico, como Braza ou Forfun, ou são coisas que você escreveu para você mesmo? Acho legal essa percepção, porque, para mim, ela é bem evidente. Nem todo mundo percebe isso de cara, mas essa primeira música que lancei tem uma vibe mais de canção. Acho que ela flerta muito mais com uma forma, não sei se o termo seria “ingênua”, mas mais espontânea de compor. O primeiro disco que lancei, Vida E Nada Mais, de 2019, é um disco que adoro e representa muito o que eu queria fazer naquela época. Mas é um trabalho mais experimental, mais denso e mais difícil de assimilar. Ele vai mais para essa coisa da síncope do rap, é mais falado do que cantado, tem muita letra e muita informação. Quando veio a ideia do novo álbum? Há uns dois anos, talvez um pouco mais, comecei a me movimentar para lançar um novo álbum. Tinha muitas ideias guardadas e fui percebendo que tanto as coisas que estava compondo quanto outras que estavam guardadas havia bastante tempo iam mais nessa direção da canção. Voltei a sentir prazer em pegar o violão, sentar, tocar e cantar. Acho que, não por acaso, isso aconteceu simultaneamente à turnê do Forfun. Em 2024, fizemos uma turnê depois de nove anos sem tocar. A banda se reencontrou e foi muito legal, mas também foi um mergulho no passado, ressignificando tudo no presente. Aquilo me trouxe novamente um pouco dessa forma mais espontânea de compor, que era muito do que eu fazia no Forfun. Não que eu não faça isso no Braza, mas existia muito essa coisa de pegar o violão sozinho no quarto, à noite, e surgir um refrão ou uma parte de uma música. Depois, claro, eu terminava junto com a banda. Sempre foi um trabalho coletivo, mas eu tinha muito essa iniciativa de criar e propor. Foi uma maneira de me conectar novamente com uma forma mais leve de compor. Até os temas refletem um pouco a fase que estou vivendo. Estou na virada dos 40, tenho 43 anos, criança, família. A vida muda muito e os temas mudam. Achei que estava na hora de falar de uma maneira mais direta, simples e suave. Acabei indo muito para esse lado da canção. Amanhece o Dia é uma das músicas antigas? Amanhece o Dia não é uma delas. Ela surgiu mais recentemente, talvez de um ano para cá. Mas existem algumas músicas nesse disco que vem aí que já existem há muito tempo. O álbum terá nove músicas e diria que duas ou três delas existem há dez anos, talvez até mais. Foram coisas que ficaram guardadas. Eu já havia mostrado para a galera da banda, para outros artistas, e não rolou de gravar naquela época. Fui deixando guardado e achei que tinha a ver eu mesmo cantar essas músicas. Isso também é um desafio para mim. No começo do Forfun, inclusive na primeira demo, eu cantava muitas músicas. Depois, na fase posterior da banda, e no Braza isso já se mistura mais, acabei fazendo sempre uma parte mais próxima do rap. Não chega a ser rap, porque acho complicado dizer isso, mas é algo mais falado. Então também é um desafio levar meu vocal para esse lado mais de canção. Mas é algo que tenho muita vontade de fazer e que me dá prazer. Embora seja um desafio, é gostoso aprender e me desafiar. Vocês começaram com uma banda que tinha muito do hardcore melódico, antes mesmo do primeiro álbum. Normalmente, muitas bandas desse gênero permanecem dentro daquele universo ou dão um pequeno passo para o indie rock. O Forfun passou por uma transformação grande e, depois, com o Braza, vocês exploraram ainda mais a música brasileira. O que você tem ouvido atualmente que realmente influencia e toca você? Gosto muito de ouvir coisas antigas, embora tente acompanhar o que está acontecendo hoje. Tom Jobim, João Bosco e João Donato estão sempre nas minhas playlists, até pela minha relação com o piano, a bossa nova e o jazz. Mais recentemente, fui muito impactado por Hugh Masekela e pelo angolano Paulo Flores. Não são necessariamente influências que você identifica diretamente no disco, mas