Crítica | Spectre of Devastation – Warfect

Embora seja mais conhecida pelo incrível arsenal death metal, a Suécia é capaz de produzir thrash metal da mais alta qualidade, como o ótimo The Haunted, por exemplo. E os headbangers agora possuem mais um motivo para olhar com atenção para aquele cenário, pois o Warfect é uma máquina insana de fazer thrash metal, como já tinham deixado claro seus dois últimos álbuns, Exoneration Denied (2013) e Scavengers (2016). Spectre of Devastation, o novo álbum do trio, veio ao mundo em meio à pandemia e conseguiu o impossível, superar seus antecessores. A produção, a habilidade dos músicos, a aura metálica do material, tudo funciona facilmente. A intro que leva o nome do álbum abre os trabalhos na melhor tradição Judas Priest, melódica e cheia de clima, para logo Pestilence explodir nos falantes, veloz, pesada, como convém a um bom thrash metal. Para bangers sedentos por fast metal, Rat King chega como um raio, com seus riffs cortantes. Um pouco mais cadenciada, porém não menos pesada, Left To Rot privilegia a ótima pegada do guitarrista Fredrik Wester, que também comanda as vozes. Mas logo o trio volta a pisar fundo no acelerador, com as matadoras Hail Ceaser, Into The Fury e a insana Colossal Terror, onde o grupo manda ver em blastbeats, provando que não há limites quando o assunto é destruir tudo em nome do thrash metal. Obrigatório para qualquer headbanger, e queremos esses caras aqui no Brasil. Spectre of DevastationAno de Lançamento: 2020Gravadora: Napalm RecordsGênero: Thrash Metal Faixas:1-Spectre of Devastation2-Pestilence3-Rat King4-Left to Rot5-Hail Ceaser6-Into The Fray7-Colossal Terror8-Witch Burner9-Dawn of The Red

Crítica | Where Death Lies – Carnation

Se 2020 foi um dos piores anos da história da humanidade, o mesmo não pode ser dito sobre o death metal. O terrível ano que passou testemunhou vários bons lançamentos do estilo, é só dar uma acompanhada na nossa coluna para conferir. Where Death Lies, dos belgas do Carnation, é mais um torpedo para deathbanger nenhum botar defeito. Seguindo o lado europeu do estilo, como a Suécia e seus vizinhos holandeses, Where Death Lies traz influências de Entombed (antigo), Asphyx, Centinex e Pestilence. Sim, é o lado mais tradicional e “true” do death metal, como as matadoras Iron Discipline, Sepulcher of Alteration, Spirit Excision e a faixa-título deixam bem claro, através de seus vocais furiosos, levadas certeiras, cozinha precisa (o batera Vincent Verstrepen é excelente) e, claro, nos gloriosos riffs de guitarra, carregados de fúria e aura malévola, além de ótimos solos. E não deixem de ouvir as duas últimas faixas de Where Death Lies, Reincarnation (com sua tétrica intro) e In Chasms Abysmal, um pesadelo death com mais de sete minutos de duração. Where Death LiesAno de Lançamento: 2020Gravadora: Season of MistGênero: Death Metal Faixas:1-Iron Discipline2-Sepulcher of Alteration3-Where Death Lies4-Spirit Excision5-Napalm Ascencion6-Serpent´s Breath7-Malformed Regrowth8-Reincarnation9-In Chasms Abysmal

Crítica | Genesis XIX – Sodom

E os artilheiros alemães chegam ao seu décimo sexto álbum de estúdio, sem contar o EP de estreia, In The Sign of Evil. Aliás, com novidades na formação. Claro que estamos falando sobre o retorno de Frank Blackfire, que não gravava com o Sodom desde Agent Orange (1989). O guitarrista se junta aos também recém chegados York Segatz (guitarra) e Tony Merkel (bateria), tendo o eterno Tom Angelripper no comando, que já pode ser considerado uma espécie de Lemmy do thrash metal. Só isso já seria motivo suficiente para aguçar a vontade de ouvir o novo lançamento, Genesis XIX. E, felizmente, o resultado é bem satisfatório. Mesmo de cara nova, o Sodom prossegue fazendo exatamente a mesma coisa que faz há quase quarenta anos, ou seja, thrash metal germânico. E é isso que os fãs esperam da banda. Blind Superstition é uma instrumental de abertura, cadenciada, que cria uma expectativa para o bombardeio thrash começar. E chega com Sodom & Gomorrah, canção forte, que mistura o thrash com toques de Motorhead, tão típico do Sodom. Grande faixa! Euthanasia, a segunda música, explode nos falantes como tanques de guerra. A voz de Angelripper somada aos riffs de Blackfire já renderam obras primas do som extremo, e aqui não seria diferente. Thrash teutônico em estado puro! Demais faixas Outras porradas chamam a atenção no decorrer do álbum, como a faixa-título, que traz sete minutos de thrash, ou a insana Night Mehr Mein Land, que inicia com poderosos blastbeats de Merkel, é ouvir para crer. O baterista também usa do expediente na pesadíssima Friendly Fire, provando que cairá nas graças dos fãs. Formação afiada, retorno de Frank Blackfire, letras e capa sobre guerra, é o Sodom de sempre, portanto, já basta! Um dos melhores álbuns de 2020. Hail Sodom! Genesis XIXAno de Lançamento: 2020Gravadora: SteamhammerGênero: Thrash Metal Faixas:1-Blind Superstition2-Sodom & Gomorrah3-Euthanasia4-Genesis XIX5-Nicht Mehr Mein Land6-Glock N´Roll7-The Harpooner8-Dehumanized9-Occult Perpretator10-Waldo & Pigpen11-Indocrination12-Friendly Fire

Crítica | Scriptures – Benediction

Esse é o grande acontecimento do ano para os fãs de death metal. O grande Benediction está de volta com um novíssimo álbum, Scriptures. Tem como esquecer pérolas como The Grand Leveller, Transcend The Rubicon e The Dreams You Dread? São bíblias do metal extremo mundial! E o melhor de tudo, o grupo está de volta com o vocalista Dave Ingram e os mestres guitarristas Peter Rew e Darren Brookes, trio responsável por essa verdadeira usina do death metal. Unidos aos novatos Giovanni Durst (bateria) e Dan Bate (baixo), a banda está de volta aos seus melhores dias. Logo na abertura , os riffs de Iterations of I anunciam a melhor faixa do álbum, onde a voz mórbida de Ingram junto com os riffs mortais de Rew e Brookes são capazes de intimidar até os adeptos do death metal, que não esperavam que o álbum poderia soar tão bom. Mais faixas, mais peso Misturando os climas densos de The Dreams You Dread com a pancadaria de Subcouncious Terror e The Grand Leveller, Scriptures ainda apresenta diversos momentos de brilho, como Scriptures in Scarlet, a violenta Stormcrow (essa fará um estrago nos shows), Progenitors Of a New Paradigm (cantada por Kam Lee, do Massacre), In Your Hands, The Scars e We Are Legion, que encerra o álbum de maneira convicta, com seu andamento que deixará pescoços doloridos mundo afora. Doze anos após seu último lançamento, o “Benê” mostra que ainda está no auge da forma, com um álbum tão destruidor quanto Scriptures. Cacetada certeira! ScripturesAno de Lançamento: 2020Gravadora: Nuclear BlastGênero: Death Metal Faixas:1- Iterations of I2-Scriptures in Scarlet3-The Crooked Man4-Stormcrow5-Progenitors of a New Paradigm6-Rabid Carnality7-In Your Hands, The Scars8-Tear Off These Wings9-Embrace The Kill10-Neverwhen11-The Blight At The End12-We Are Legion

Crítica | Gun To Mouth Salvation – Carnal Forge

O suecos do Carnal Forge não são muito conhecidos no Brasil, porém é uma banda que já está na ativa desde 1997, contando com uma pequena pausa entre 2010 e 2013. Nesse período, o grupo editou sete álbuns de estúdio, sendo Gun To Mouth Salvation o seu esforço mais recente, lançado em 2019. Misturando thrash metal moderno com o típico death metal melódico sueco, o som do Carnal Forge até consegue ser original, uma proeza e tanto em um estilo em que isso não é muito comum. Mas não se preocupe, é tudo pesado como o inferno, experimente ouvir no talo a destruidora Aftermath, melhor faixa do álbum, e tente sobreviver. Mas outras acabando se destacando também, como Parasites, faixa de abertura, Reforged, que lembra os últimos trabalhos do Kreator com algo de At The Gates nos riffs, King Chaos (uma porrada), Hellride (que bumbos!) e a mortal State of Pain, capaz de destruir pescoços alheios. Tudo embalado em uma produção moderna e os excelentes vocais de Tommie Wahlberg, que servem de escudo para o poderoso instrumental da banda. Comentamos no início do texto o fato da banda não ser muito conhecida no Brasil, mas, ao ouvir Gun To Mouth Salvation, qualquer headbanger irá se converter à porradaria desses suecos. Gun To Mouth SalvationAno de Lançamento: 2019Gravadora: Vicisolum Productions Faixas:1-Parasites2-Reforged3-Aftermath4-Endless War5-Bound in Flames6-King Chaos7-The Order8-Hellride9-State of Pain10-Sin Feast Paradise11-The Stench

Crítica | Wrath Encompassed – Unmerciful

Quando pensamos que já ouvimos todos os álbuns do ano, eis que surge pérolas para nos lembrar que a jornada é infinita, como Wrath Encompassed, terceiro disco da banda de Kansas, Unmerciful. Anteriormente, Unmercifully Beaten (2006) e Ravenous Impulse (2016) já tinham deixado claro o poderio dos músicos, e nesse Wrath Encompassed a banda realmente mostrou estar num patamar elevado. Primeiramente, o que chama atenção nesse álbum é a bateria de Trynt Kelly, realmente um dos melhores bateristas do cenário extremo mundial. Aliás, seu instrumento brilha ao longo das nove faixas de Wrath Encompassed, com viradas criativas e blastbeats velocíssimos. O baixo também acaba se destacando, pois marca presença durante todo o álbum, com linhas pesadas e técnicas. E por falar em técnico, é esse o estilo do Unmerciful, technical death metal, na linha de Dying Fetus, Defeated Sanity, Suffocation e Decrepit Birth. Em resumo, o Unmerciful uniu a técnica com a brutalidade, resultando em faixas doentias como The In cineration, Predator to Prey, The Stench of Fear, Blazing Hatred e Wrath Encompassed, que são capazes de derreter os tímpanos. Aqueles que procuram por originalidade certamente irão desaprovar, de fato não há nada aqui que já não tenha sido feito por alguma outra formação de metal extremo. No entanto, a qualidade, brutalidade e honestidade que emana desse álbum transforma esse detalhe em mera partícula de poeira. Precisa mais? Wrath EncompassedAno de Lançamento: 2020Gravadora: Willowtip RecordsGênero: Brutal/Technical Death Metal Faixas:1-The Incineration2-Blazing Hatred3-Predator to Prey4-Wrath Encompassed5-Carnage Unleashed6-The Stench of Fear7-Furious Precision8-Oblivious Descent9-Inexorable Decay

Crítica | Into The Catacombs of Flesh – Fleshcrawl

A Alemanha possui uma vasta tradição no thrash metal (Sodom, Kreator) e no heavy tradicional (Helloween, Accept). E quanto ao death metal? Morgoth, Crematory, Obscenity e Defeated Sanity são nomes fortes do death germânico. E, claro, o Fleshcrawl, que já se aproxima dos 30 anos de estrada, sendo seu primeiro álbum, Descend Into The Absurd, do longínquo 1992. E esses animais só produziram coisa boa, haja visto os ferozes Made of Flesh (2004) e Bloodred Massacre (1997), para citar apenas dois. Um hiato separou o lançamento de Structures of Death (2007) e Into The Catacombs of Flesh, liberado em 2019. Os 12 anos não foram suficientes para deter a fúria dos alemães, muito pelo contrário, pois Catacombs é um verdadeiro soco na cara do ouvinte, tamanha brutalidade. Esqueça vozes limpas, partes acústicas ou qualquer outra suavidade do tipo. Aqui temos o mais violento e sujo death metal, como a faixa-título deixa bem claro na abertura do álbum, deixando o fã com uma pálida ideia do que está por vir. Original Apesar de não se parecer demasiadamente com nenhuma outra banda, conseguimos notar o toque europeu no som do Fleshcrawl, especialmente na timbragem das guitarras e nos guturais certeiros de Sven Gross, um mestre na arte de vomitar. E tome cacetadas na fuça como as doentias Grave Monger, Ossuary Rituals, Mass Oblitertion, Chained Impalement e Suffer The Dead, que elevam Into The Catacombs of Flesh a uma posição de glória na carreira desses alemães. Acredite, não é para qualquer um. Portanto, vá escutar agora e tome muito cuidado com seu pescoço, o estrago será grande. Into The Catacombs of FleshAno de Lançamento: 2019Gravadora: Apostasy RecordsGênero: Death Metal Faixas:1-Into The Catacombs of Flesh2-Mass Obliteration3-Ossuary Rituals4-Funeral Storm5-Grave Monger6-Chained Impalement7-Law of Retaliation8-Obliteration Bizarre9-Red Strems of Sorrow10-Of Frozen Bloody Grounds11-Suffer The Dead12-Among Death And Desolation

Crítica | Where Only Gods May Tread – Ingested

Existem bandas que realmente parecem preocupadas em dar um passo adiante, sair de sua zona de conforto e tentar algo diferente, mesmo que o risco seja perder alguns fãs. Os ingleses do Ingested com certeza estão entre elas. Formados em 2006 com o propósito de executar o metal mais extremo possível, eles não se limitaram a copiar os clichês do death ou do black metal. Juntaram elementos desses dois estilos e ainda uma dose generosa de metal moderno, deathcore, slam, e tudo mais que o leitor possa imaginar. A lição chega ao seu quinto capítulo em 2020, com o lançamento de Where Only Gods May Tread. Mesmo que a banda possa desagradar aos mais puristas, devido ao som extremamente moderno e executado com precisão cirúrgica, é impossível tapar os olhos (e ouvidos) aos vocais incrivelmente agressivos de Jay Evans, às poderosas mãos direitas dos guitarristas de Sean Yates e Sean Hynes – que nem precisam de solos para mostrar o quão são habilidosos -, e às poderosas batidas de Lyn Jeffs, mesmo não soando tão orgânicas quanto os velhos trabalhos do estilo, a evolução é inevitável. E sobram mudanças de tempo, arranjos inusitados, breakdowns e muita violência e pancadaria sonora. Isso posto, ouça músicas realmente convincentes como Follow The Deceiver, Impeding Dominance, The List e a melhor faixa do álbum, Another Breath, que conta com a participação especialíssima de Kirk Windstein, do Crowbar. E o Ingested mostra que está preparado para o início da nova década. Where Only Gods May TreadAno de Lançamento: 2020Gravadora: Unique Leader RecordsGênero: Brutal Death Metal/Deathcore/Slam Faixas:1-Follow The Deceiver2-No Half Measures3-Impeding Dominance4-The List5-The Burden of Our Failures6-Dead Seraphic Forms7-Another Breath8-Black Pill9-Forsaken in Desolation10-Leap of The Faithless

Crítica | Collapse to Come – Reactory

Banda alemã que pratica thrash metal é quase um caso de vitória antecipada, haja visto os monstros sagrados do estilo que vieram desse importante país. Pois o Reactory se junta à tropa do exército thrash, pronto para devastar o mundo. Formado em 2010, Collpse to Come é o terceiro álbum dos thrashers, sucedendo os animais High on Radiation (2014) e Heavy (2016). Começando pela capa, partindo para a temática cheia de referências às guerras e aos problemas ambientais, tudo aqui soa o mais puro thrash. Apesar de ter influências de nomes antigos como Nuclear Assault, Exumer, Exodus e D.R.I, o Reactory empresta uma produção moderna, a exemplo do que fazem Havok e Municipal Waste, entre outros. As músicas não são muito longas e há poucos solos de guitarra, ou seja, não há muita frescura por aqui, apenas quatro alemães insanos distribuindo porrada para tudo quanto é lado. E o resultado é primoroso. Há apenas 33 minutos de música em Collapse to Come, como é comum em vários clássicos do estilo. Portanto, é dar play e se deliciar com petardos thrash como Space Hex, Graves of Concrete, Evolting Hate e Born From Sorrow, todas usando e abusando de vocais cheios de garra, riffs velozes, baixo pujante e bateria trovejante. Thrashers, corram. Collapse to ComeAno de Lançamento: 2020Gravadora: Iron Shield RecordsGênero: Thrash Metal Faixas:1-Space Hex2-Speedboat Piracy3-Graves of Concrete4-Misantropical Island5-Drone Commander6-Evolting Hate7-Born From Sorrow8-Galactic Ghosts9-Enemy